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FORREST GUMP – O CONTADOR DE HISTÓRIAS (1994)

11 julho, 2011

(Forrest Gump)

 

Videoteca do Beto #103

Vencedores do Oscar #1994

Dirigido por Robert Zemeckis.

Elenco: Tom Hanks, Robin Wright, Gary Sinise, Sally Field, Haley Joel Osment, Mykelti Williamson e Michael Conner Humphreys.

Roteiro: Eric Roth, baseado em livro de Winston Groom.

Produção: Wendy Finerman, Steve Starkey e Steve Tisch.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

O mundo não vivia um bom momento em 1994. Diante de uma recessão econômica global, provocada pela crise mexicana, e da explosão da preocupação com o meio ambiente, era difícil ter fé no futuro da humanidade. Além disso, um ano antes, o sombrio “A Lista de Schindler” tornou-se sucesso mundial ao relembrar um período negro de nossa história, reforçando a aura pessimista que dominava o público. Em meio a este cenário pessimista surgia “Forrest Gump”, que contrariava o sentimento geral e contava, com muita sensibilidade, uma história humana e positiva, estrelada pelo astro norte-americano do momento, o amado Tom Hanks. Não à toa, o filme tornou-se um mega sucesso e abocanhou (injustamente) os principais prêmios Oscar num ano extremamente competitivo e repleto de obras marcantes.

Com um QI inferior ao normalmente aceito nas escolas, o jovem Forrest Gump (Tom Hanks) é criado com carinho por sua mãe (Sally Field), que luta para conseguir lhe dar as mesmas condições de estudo que as outras crianças. Na escola, ele conhece Jenny (Robin Wright), uma jovem que cruzará seu caminho por muitos anos de sua vida, assim como Forrest participará, ainda que por acaso, dos fatos mais importantes da história recente dos Estados Unidos.

Desde seu início elegante, quando a câmera acompanha uma pena voando até os pés do protagonista, “Forrest Gump” é um filme belíssimo. E esta beleza, em grande parte, é mérito do inventivo Robert Zemeckis, que emprega movimentos de câmera estilizados e aproveita a oportunidade para criar planos marcantes, como aquele em que Forrest e Jenny estão sentados de mãos dadas numa árvore com o pôr-do-sol ao fundo ou o travelling que nos leva das crianças rezando no milharal para os pássaros que voam dali, numa ilustração do desejo de Jenny de fugir do pai. Em outros momentos, o diretor usa a câmera para destacar o semblante do protagonista enquanto ele se concentra nas lembranças do passado, como quando um zoom nos aproxima dele antes do primeiro flashback, que conta o episódio dos “sapatos mágicos” – na realidade, um curioso eufemismo para as pernas mecânicas do garoto. Zemeckis cria ainda lindos planos enquanto Forrest atravessa o país em sua corrida seguido por diversas pessoas que o admiram, além de conduzir muito bem cenas emocionantes, como aquela em que Forrest tenta discursar para os hippies e reencontra Jenny (num plano geral belíssimo).

Além da direção eficiente de Zemeckis, a montagem de Arthur Schmidt é um capitulo a parte e merece muitos elogios. Em primeiro lugar, porque a narrativa cobre muitos anos de maneira eficiente e jamais cansativa, intercalando os flashbacks com o presente num ritmo delicioso. Além disso, Schmidt faz a transição no tempo de maneira eficaz, como quando Forrest e Jenny, ainda crianças, estão juntos na cama e, em seguida, estão indo para a escola, já adultos – e aqui também acontecerá uma interessante rima narrativa, quando Jenny pede para Forrest correr dos vizinhos. A montagem faz ainda interessantes transições de Forrest para Jenny e vice-versa, por exemplo, através da televisão que eles assistem ou da lua. Finalmente, a passagem do tempo também é indicada no presente, através das pessoas que ouvem a história do protagonista, que mudam ao longo da narrativa enquanto Forrest continua contando sua vida.

Escrito por Eric Roth, baseado em livro de Winston Groom, o roteiro de “Forrest Gump” balanceia o tom leve e cômico com momentos dramáticos, espalhando ainda frases marcantes como “A vida parece uma caixa de bombons, nunca se sabe o que vamos encontrar” e o grito desesperado de Jenny: “Corra, Forrest, Corra!”. Além das frases marcantes, o roteiro cruza de maneira eficiente a história de Forrest Gump com momentos históricos dos EUA, como quando ele ensina alguns passos para Elvis, se torna destaque de um time de futebol americano, conversa com John Lennon, inventa slogans (“Shit happens”), compra ações da “empresa de fruta” Apple, entre outras coisas.

O tom leve da narrativa é reforçado ainda pela fotografia de Don Burgess, que emprega cores vivas e muitas cenas diurnas na maior parte do tempo. Por outro lado, os momentos difíceis de Forrest são normalmente pontuados pela chuva, como quando ele chega ao exército ou quando surpreende Jenny transando com outro num carro, numa estratégia visual inteligente por parte de Burgess e Zemeckis, pois a chuva sempre realça a melancolia dos personagens. Da mesma maneira, quando Forrest sente falta da mãe e de Jenny no exército, as sombras que predominam na tela ilustram o momento triste do personagem. Mas a melancolia tem pouco espaço em “Forrest Gump”, o que é refletido até mesmo na bela trilha sonora de Alan Silvestri, recheada de clássicos do rock de cada período em que a história se passa (que servem ainda para ilustrar a passagem do tempo), alternados com a triste e linda música tema. Além disso, Silvestri pontua muito bem as cenas, como quando Forrest começa a correr e larga a perna mecânica para trás, acompanhado pela trilha triunfal. Quem também merece destaque é o bom trabalho de design de som e efeitos sonoros, que se destaca especialmente na guerra, e os excelentes efeitos visuais da Industrial Light & Magic, que, por exemplo, amputam as pernas do tenente Dan (Gary Sinise) com perfeição – observe a cena em que ele se movimenta em cima de um muro antes de pular na água e sair nadando -, além de inserir com realismo o protagonista em vídeos reais e históricos de arquivos, colocando Forrest ao lado de alguns ex-presidentes dos EUA, como John Kennedy, e de astros como John Lennon. E além de misturar ficção e realidade com competência, “Forrest Gump” faz ainda diversas menções a grandes filmes norte-americanos como “Nascido para Matar” (na chegada ao exército, com o tenente gritando), “Apocalypse Now” (na chegada ao Vietnã, com a trilha psicodélica, as cervejas espalhadas pelo acampamento e o sol brilhando ao fundo) e “Perdidos na Noite” (quando Forrest sai com Dan pelas ruas e um carro quase os atropela, provocando a reação do tenente, que grita “Estou andando aqui!”, com a trilha do clássico estrelado por Dustin Hoffman e Jon Voight ao fundo), além de inserir imagens de “O Nascimento de uma Nação” quando Forrest cita a Klu Klux Klan.

Pra completar, praticamente todas as atuações de “Forrest Gump” são excelentes, a começar por Michael Conner Humphreys, que interpreta muito bem o jovem Forrest Gump, transmitindo a dificuldade do garoto de se relacionar socialmente através do olhar perdido e da movimentação lenta. Já adulto, Gump é interpretado pelo excepcional Tom Hanks, numa atuação marcante, notável através da entonação de sua voz, que prende nossa atenção enquanto conta as histórias, do olhar distante e da simplicidade com que compõe um personagem marcante e belo. Repare, por exemplo, como Hanks olha para o lado, ofegante e assustado, quando Jenny tira o sutiã, demonstrando o incomodo do personagem com aquela situação inusitada pra ele. Inocente, Forrest não percebe os abusos do pai de Jenny na infância (“Ele era um pai carinhoso, vivia tocando e beijando as filhas”, diz) e nem o cruel destino da garota, afirmando que ela realizou seu sonho ao vê-la cantando no palco de uma boate. Por outro lado, Forrest apresenta uma capacidade de concentração incrível que lhe permite, por exemplo, montar e desmontar uma arma com enorme velocidade e jogar pingue-pongue com incrível habilidade. Hanks demonstra muito bem todos estes aspectos fascinantes de um protagonista que enxerga o mundo da sua maneira singela e inocente, emocionando a platéia quando Forrest pergunta para Jenny se seu filho (Haley Joel Osment) é esperto e, principalmente, quando conversa com o túmulo da esposa. E até mesmo as cores leves de suas roupas (figurinos de Joanna Johnston) e a clareza de sua casa (direção de arte de Leslie McDonald e William James Teegarden) ilustram a pureza de sua alma.

Além do excelente protagonista, “Forrest Gump” conta ainda com uma gama interessante de personagens coadjuvantes, como o divertido Bubba (Mykelti Williamson), que morre na guerra, mas vive uma amizade tão verdadeira com Forrest que é homenageado por ele através da “Cia. de Camarões Bubba Gump”. Na chegada de Forrest ao exército, é ele quem cede lugar para Gump no ônibus, assim como Jenny havia feito na infância no ônibus escolar, em outra elegante rima narrativa. Interpretada com carisma por Robin Wright, Jenny gosta de Forrest e se preocupa com ele, como deixa claro quando se despede numa ponte antes dele partir pra guerra, pedindo que ele corra sempre que estiver em perigo. Mas o destino foi cruel com a garota e os traumas da infância ainda pesavam em sua vida, algo que fica evidente quando ela joga pedras na casa do pai. E é tocante o momento em que Jenny anuncia ter um vírus que “os médicos não conhecem bem”, provavelmente se referindo à AIDS (na época, um mistério para a medicina). Quem também tem uma grande atuação é Gary Sinise na pele do revoltado tenente Dan, que, após ter as pernas amputadas, se revolta contra Deus. Observe como o ator soa convincente, por exemplo, quando reclama na cama do hospital e, principalmente, quando desafia o todo Poderoso em alto-mar. Fechando os destaques do elenco, vale citar ainda a envelhecida Sally Field, que se sai muito bem na pele da batalhadora mãe de Forrest, especialmente na cena em que se despede do filho, momentos antes de morrer. E se a maquiagem acerta no envelhecimento de Field, erra ao não envelhecer Forrest ao longo dos anos, mas esta é uma falha insignificante num filme tão belo.

Após cruzar toda a história norte-americana recente, Forrest Gump se vê novamente esperando o ônibus escolar numa pequena cidade do interior, desta vez para que seu filho possa ir à escola. E quando o garoto entra no ônibus, deixando claro sua esperteza diante dos olhos do pai e do espectador, a pena voa novamente e encerra o filme. Durante mais de duas horas, fomos levados por uma história bela, empolgante e repleta de significados, e quando os créditos surgem na tela, sentimos que a viagem valeu à pena.

“Forrest Gump” é uma bela fábula da história recente dos Estados Unidos, que conta com um otimismo raro em grandes filmes, sustentado pela direção eficiente de Robert Zemeckis e pela grande atuação de Tom Hanks. A vida pode ser trágica e pode ser bela, dependendo da forma como encaramos cada etapa de nossa jornada. Incapaz de olhar o mundo com nosso costumeiro cinismo, o inocente Gump certamente levará ótimas lembranças da vida.

Texto publicado em 11 de Julho de 2011 por Roberto Siqueira

DE VOLTA PARA O FUTURO 3 (1990)

2 dezembro, 2010

(Back To The Future Part III)

 

Videoteca do Beto #73

Dirigido por Robert Zemeckis.

Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Mary Steenburgen, Thomas F. Wilson, Lea Thompson, Elisabeth Shue, Matt Clark, James Tolkan, Hugh Gillin, Mark McClure, Wendie Jo Sperber, Jeffrey Weissman, Bill McKinney, Todd Cameron Brown, Flea e Richard Dysart.

Roteiro: Robert Zemeckis e Bob Gale.

Produção: Neil Canton e Bob Gale.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Fechando a magnífica trilogia dirigida por Robert Zemeckis, “De Volta para o Futuro 3” não decepciona, entregando tudo que a série tem de melhor em forma de homenagem a um gênero clássico do cinema norte-americano. O roteiro inteligente, as excelentes piadas, as ótimas atuações e o sentido de aventura aparecem com força total neste ótimo filme, que garante uma despedida digna para esta trilogia que marcou a geração dos anos oitenta.

Marty McFly (Michael J. Fox) decide voltar ao velho oeste para evitar a morte de Doc (Christopher Lloyd) quando ambos descobrem o túmulo dele após ler a carta escrita pelo cientista em 1885. Ao chegar ao velho oeste, Marty terá apenas cinco dias para evitar que Doc se apaixone por Clara Clayton (Mary Steenburgen) e morra nas mãos do temível bandido Tannen (Thomas F. Wilson).

Logo na introdução, De Volta para o Futuro 3” revela a principal característica da trilogia, ao apresentar um momento decisivo do filme anterior e imediatamente fazer a conexão com a narrativa que será desenvolvida pelo excepcional roteiro de Robert Zemeckis e Bob Gale. Além de constantemente fazer referências às características marcantes dos personagens, como a reação intempestiva de Marty ao ser chamado de covarde, o roteiro revela ainda diversas ações que refletiriam no futuro das famílias da cidade, como quando Doc e Clara conversam sobre a geografia da lua, o que inspiraria o nome do cachorro do doutor muitos anos depois. O roteiro está ainda repleto de alívios cômicos, como quando Doc diz “ainda bem que não fui parar na Idade Média”, pois lá ele seria queimado na fogueira ou na divertida piada sobre o que é produzido no Japão. Ainda podemos citar a piada sobre a origem do “frisbee”, a origem da ravina “Clayton” que se transforma em ravina “Eastwood” e o final de Tannen que remete aos filmes anteriores.

Escrito como uma homenagem ao western, “De Volta para o Futuro 3” apresenta todas as características mais marcantes do gênero desde a primeira cena no velho oeste, com o conflito entre homens brancos e índios. Temos, por exemplo, o saloon, com as prostitutas no primeiro andar e o tradicional uísque servido para os homens mal encarados no térreo, homens andando de cavalo, carroças, a ferrovia, um roubo de trem e, logicamente, o duelo entre o mocinho e o vilão. Zemeckis aproveita ainda para fazer diversas referências a filmes clássicos como “Taxi Driver” e “Impacto Fulminante” (quando Marty brinca com a arma na frente do espelho) e, principalmente, ao astro Clint Eastwood e ao western spaghetti (repare como o travelling que revela a cidade de Hill Valey remete ao mesmo movimento de câmera de Sergio Leone que revela a cidade de “Era uma Vez no Oeste”), além de também fazer referências à cultura pop, como a dança de Marty no salão claramente inspirada em Michael Jackson. O diretor mostra talento também na criação de momentos sutis e simbólicos, como no plano em que McFly brinca com seu bisavô, ainda bebê, enquanto Seamus McFly conversa com sua esposa. O futuro da família McFly dependia da sobrevivência daquela criança e Marty sabia disto, como fica evidente quando diz para Seamus “cuidar bem do bebê”. Quando Marty informa Doc que o Deloren estava sem combustível, o close no rosto do cientista expõe a gravidade da situação e, ao mesmo tempo, revela a imagem de Marty no espelho, agora bastante preocupado. E finalmente, Zemeckis conduz com perfeição a emocionante seqüência da volta ao futuro na ferrovia, alternando entre os planos que mostram Marty aflito dentro do Deloren, Doc tentando chegar ao carro e Clara tentando alcançar Doc, numa ótima cena que conta também com os efeitos especiais da Industrial Light & Magic, que, por exemplo, permitem que o vôo final de Doc pareça verossímil.

Zemeckis conta também com a montagem de Harry Keramidas e Arthur Schmidt para imprimir um ritmo acelerado, que sempre funciona bem em aventuras, além de fazer transições divertidas, como quando Doc diz que terá que explodir uma mina e em seguida vemos a explosão ou quando Doc diz para Marty que “aqueles índios nem estarão lá” e, na cena seguinte, vemos Marty gritando “Índios!”. Keramidas e Schmidt participam ainda de maneira decisiva na construção do clímax, ao balancear muito bem as cenas que antecedem o duelo, com a chegada de Tannen ao saloon, Marty acordando e partindo em busca de Doc, Doc divagando sobre o futuro no bar e Clara partindo no trem. O longa conta ainda com um ótimo trabalho de ambientação que nos joga pra dentro do clima do velho oeste, começando pela direção de fotografia de Dean Cundey, que emprega o tom sépia característico do western e, em conjunto com os planos gerais de Zemeckis, explora com competência as belas paisagens da região. A excelente direção de arte de Margie Stone McShirley e William James Teegarden e os figurinos de Joanna Johnston também ajudam a ambientar o espectador, através da estrutura de madeira dos imóveis da cidade, do tradicional saloon, dos chapéus e botas dos homens, dos vestidos impecáveis das mulheres e do próprio trem que percorre a ferrovia. Vale destacar a referencia ao personagem de Eastwood nos westerns através do figurino de Marty, especialmente na cena dentro do bar em que ele levanta o chapéu, momentos antes do duelo com Tannen. Além disso, a maquete que detalha o plano para voltar ao futuro é rica em detalhes e reforça a qualidade do cuidadoso trabalho de McShirley e Teegarden. E finalmente, observe a simetria de algumas construções da cidade com aquelas que vimos nos filmes anteriores, como o relógio em construção que mantém o exato formato que viria a ter no futuro. Aliás, é apropriado que o objeto que conecta os três filmes seja um relógio, já que a trilogia trata exatamente do tempo e de seus efeitos em nossas vidas. Vale destacar ainda o bom trabalho de som ao captar com precisão os cavalos galopando, os tiros, a máquina de Doc trabalhando e o trem em alta velocidade, e a empolgante trilha sonora de Alan Silvestri, que mantém as referências ao western e colabora com o clima de aventura.

Entre o elenco, Christopher Lloyd continua à vontade no papel do cientista “Doc”, com suas expressões exageradas que caracterizam muito bem a ansiedade constante do Dr. Emmett. A novidade é que neste filme seu personagem vive o drama central da trama, o que lhe garante mais espaço na narrativa, e encontra um amor, o que permite ao ator viver também momentos românticos e dramáticos – e Lloyd se sai bem nestes momentos também. Michael J. Fox novamente dá um show interpretando Marty com a leveza de sempre e de quebra vivendo Seamus, o patriarca da família McFly. A dupla, aliás, mantém a empatia dos filmes anteriores e se sai muito bem nas cenas em que atuam juntos, como quando Clara chega à oficina de Doc e ambos demonstram a ansiedade que sentem diante daquela presença. Doc, apaixonado, se mostra inquieto, enquanto Marty, preocupado com a provável descoberta do Deloren, também se mostra ansioso e procura esconder a miniatura do carro atrás das costas. E fechando os destaques, Thomas F. Wilson também repete o bom desempenho, agora como o cruel bandido Tannen, transmitindo através do olhar cerrado e da voz firme a confiança do personagem, que mandava e desmandava na cidade até a chegada de McFly.

Quando vemos o veículo que transportou nossos sonhos sendo completamente destruído, a sensação de tristeza é inevitável. O fim do Deloren simboliza também o fim da trilogia e, neste momento, a nostalgia toma conta do espectador. Nem mesmo o final alegre, com a feliz volta de Doc e Clara, evita esta sensação. Por outro lado, nos sentimos realizados por poder acompanhar três filmes com tamanha qualidade, que jamais caem na repetição batida de fórmulas, buscando se reinventar de diversas maneiras. Com muita criatividade e inspiração, Zemeckis e seu elenco nos deram um verdadeiro presente que, ao contrário do Deloren, jamais poderá ser destruído.

Texto publicado em 02 de Dezembro de 2010 por Roberto Siqueira

DE VOLTA PARA O FUTURO 2 (1989)

11 agosto, 2010

(Back To The Future Part II)

 

Videoteca do Beto #61

Dirigido por Robert Zemeckis.

Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Thomas F. Wilson, Elisabeth Shue, James Tolkan, Jeffrey Weissman, Charles Fleischer, Darlene Vogel, Jason Scott Lee, Elijah Wood, Flea e Billy Zane.

Roteiro: Robert Zemeckis e Bob Gale.

Produção: Neil Canton e Bob Gale.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Apoiando-se num roteiro incrivelmente engenhoso e criativo e contando com um elenco muito afiado, o diretor Robert Zemeckis brindou os espectadores com uma verdadeira obra-prima quando lançou nos cinemas, em 1985, o primeiro filme da trilogia “De Volta para o Futuro”. Felizmente, este segundo filme da série mantém a qualidade primorosa do primeiro filme e presenteia os cinéfilos com uma continuação que consegue explorar a mesma premissa de forma original e igualmente criativa, renovando a trilogia e evitando que soe como algo repetitivo.

Após conseguir corrigir o passado e alterar o futuro, o cientista Doc Brown (Christopher Lloyd) volta desesperado ao ano de 1985 para levar Marty (Michael J. Fox) e sua namorada (Elisabeth Shue) para o ano de 2015, com o objetivo de evitar uma verdadeira tragédia familiar provocada pelos filhos do casal. Já no futuro, o velho Biff (Thomas F. Wilson) consegue entrar na máquina do tempo e voltar ao ano de 1955, somente para entregar a si mesmo o almanaque dos esportes, com todos os resultados esportivos do período entre 1950 e 2000. Por isso, quando Doc e Marty retornam ao ano de 1985, encontram um mundo completamente diferente, resultado do poder adquirido pelo milionário Biff ao longo dos anos. Desta forma, a única maneira de destruir esta realidade paralela e evitar este futuro sombrio é voltar ao ano de 1955 e impedir que o velho Biff entregue a si mesmo o tal almanaque.

Logo no inicio de “De Volta para o Futuro 2” podemos rever a cena que encerrou o primeiro filme, num dos inúmeros momentos em que o espectador poderá rever uma cena sob outra perspectiva, pois o longa é repleto de rimas narrativas entre os dois filmes (e até mesmo com o terceiro filme), o que é extremamente elegante. Ao chegarmos ao ano de 2015, até podemos questionar o avanço tecnológico apresentado num período tão curto de tempo (de 1989 para 2015 temos apenas 26 anos), mas é inegável que o longa aproveita mais uma vez as inúmeras oportunidades que a situação oferece, como podemos notar na inteligente justificativa para o não envelhecimento do professor, que explica sobre as avançadas clínicas de rejuvenescimento. Inteligente também é a forma como os dois Martys se cruzam embaixo do balcão, o que possibilita a troca entre eles e abre espaço para revivermos a grande cena, agora completamente renovada, em que Marty foge de Biff em cima de um skate. O bom humor também está novamente presente, como notamos quando Doc diz que a justiça ficou muito rápida depois que aboliram os advogados.

O longa de Robert Zemeckis também mantém o excelente nível técnico do filme anterior, com destaque especial para a bela direção de arte de Margie Stone McShirley, que recria a cidade de diferentes formas em cada período, sempre com muita criatividade, como fica evidente na evoluída cidade de 2015 através dos carros, do posto Texaco e da engraçada referência à Tubarão 19 (!) – sucesso de Spielberg, que é amigo de Zemeckis e também produtor executivo do longa. A fotografia colorida em 2015 de Dean Cundey e Jack Priestley dá lugar às tonalidades escuras do ambiente hostil e sombrio nos anos dominados por Biff e volta aos tons pastéis nostálgicos nos anos cinqüenta. Já a montagem ágil de Harry Keramidas e Arthur Schmidt reforça o clima de urgência da missão da dupla, que neste segundo filme é ainda maior que no primeiro, além de colaborar sensivelmente nas seqüências de ação, também mais freqüentes neste segundo longa. Também merece destaque a maquiagem, que permite com que o mesmo ator apareça duas ou três vezes na mesma cena de formas completamente diferentes, além, é claro, dos ótimos efeitos especiais, que trazem grande realismo às cenas. Finalmente, a bela trilha sonora de Alan Silvestri está novamente presente, com músicas joviais e com o imponente tema da série.

A direção de Robert Zemeckis é impecável, mantendo o ritmo ágil e criando um visual magnífico em todas as épocas da narrativa, além de criar seqüências muito interessantes sempre que um personagem encontra seu correspondente em cena, como nos encontros entre os dois “Docs”, “Biffs”, “Jennifers” e “Martys”. Zemeckis também acerta a mão na condução das cenas de ação, como a sensacional perseguição de Biff, com o carro, à Marty, que foge no skate, já próximo do final do filme. Finalmente, o diretor consegue sucesso mais uma vez na direção de atores, permitindo que o elenco apresente outro excelente desempenho. Michael J. Fox está novamente perfeito como Marty McFly. Devido a um acidente com seu carro que o impediu de continuar com a música, Marty se tornou um infeliz funcionário em seu trabalho, enquanto seu filho se tornou um verdadeiro idiota, como ele mesmo admite quando o vê. E o ator aproveita a excelente oportunidade de mostrar talento ao interpretar as diversas etapas da vida do personagem com competência, além de interpretar também seus próprios filhos. Thomas F. Wilson vai muito bem quando interpreta o cruel Biff, sempre ameaçador. Repare como o ator utiliza uma voz rouca que colabora com este poder de intimidação do personagem. E mesmo quando interpreta o velho Biff o ator convence, mostrando que a vida dura que levou após as mudanças no passado não tirou o seu apetite pelo poder. Já quando interpreta o jovem Griff, Wilson exagera e acaba soando caricato, mas nada que comprometa sua atuação. Quem também repete a excelente atuação do primeiro longa é Christopher Lloyd, com todos os trejeitos do maluco doutor Emmett. Seu “Doc” é um personagem extremamente carismático e o ator tem todo o mérito por isso. E finalmente, Elisabeth Shue pouco aparece com sua Jennifer, não permitindo uma atuação além de discreta.

Mas apesar de toda qualidade do elenco e do ótimo trabalho técnico, novamente o grande destaque do longa é o roteiro de Zemeckis e Bob Gale. Ainda mais intrincado que no primeiro filme, o roteiro permite uma viagem através do tempo e faz constantes referências ao primeiro e (melhor ainda) ao terceiro filme, provando a qualidade da engenhosa criação da trilogia por parte dos roteiristas. Não é raro notar menções ao velho oeste, como quando vemos um vídeo sobre o tio de Biff ou quando “Doc” diz que se arrepende de não ter visitado o velho oeste, o que já prepara o terreno para a parte final da trilogia. Zemeckis e Gale também aproveitam praticamente todas as oportunidades que a situação oferece para explorar ao máximo estas idas e vindas no tempo, como quando McFly comemora o fato de morar em determinado bairro que, na realidade, se tornou o mais perigoso da cidade devido às mudanças do passado, como fica evidente nas palavras de um taxista. O roteiro abusa ainda das elegantes rimas narrativas com o primeiro filme, como quando McFly sai com o skate pelas ruas da cidade sendo perseguido por Biff. Mais interessantes ainda são os momentos marcantes do primeiro longa que podemos reviver sob outra perspectiva, como quando Marty toca guitarra enquanto podemos ver o outro Marty andando por cima da estrutura do palco ao fundo.

Por tudo isto, “De Volta para o Futuro 2” pode ser considerado um filme tão qualificado quanto o primeiro da trilogia. Além disso, o longa tem ainda o mérito de preparar o espectador para a parte final da série, como podemos notar quando a Western Union entrega a carta de Doc para Marty com data de 1885. Isto acontece porque em outro momento muito importante, porém sutil, o acidente com o Deloren zera a máquina do tempo e altera a data para 1885, o que também reflete no terceiro filme da série. Desta forma, além de se deliciar com este segundo filme, o espectador praticamente se sente obrigado a assistir o terceiro, o que não deixa de ser inteligente.

Belíssima aventura que nos permite viajar através do tempo, passando pelos anos de 2015, 1985, 1955 e finalizando em 1855, “De Volta para o Futuro 2” é extremamente criativo e cativante, permitindo ao espectador notar claramente as diferenças entre cada época, tanto no aspecto cultural quanto no aspecto visual, além de proporcionar um delicioso exercício de imaginação por parte de cada espectador. É maravilhoso viajar com Marty e Doc através do tempo e por isso, mal podemos esperar pelo terceiro filme da série. Ainda bem que hoje em dia, com a trilogia disponível em DVD, não precisamos de um Deloren para avançar no tempo, como os espectadores certamente desejaram fazer quando o segundo filme foi lançado nos cinemas.

Texto publicado em 11 de Agosto de 2010 por Roberto Siqueira

DE VOLTA PARA O FUTURO (1985)

5 janeiro, 2010

(Back to the Future) 

 

 

Videoteca do Beto #33

Dirigido por Robert Zemeckis.

Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover, Thomas F. Wilson, Claudia Wells, Mark McClure, Wendie Jo Sperber, George DiCenzo, Lee McCain, James Tolkan e Billy Zane.

Roteiro: Robert Zemeckis e Bob Gale.

Produção: Neil Canton e Bob Gale. Produção Executiva de Steven Spielberg.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido o filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

A curiosidade comum à maioria dos filhos sobre a época em que seus pais eram jovens é o fio condutor desta produção absolutamente encantadora dirigida por Robert Zemeckis e produzida por Steven Spielberg. Como eles eram? O que faziam? Será que tinham os mesmos dilemas, dúvidas e preocupações? Como se divertiam? Todas estas respostas são apresentadas ao jovem McFly de forma maravilhosa, explorando ao máximo um roteiro incrivelmente inteligente e original. “De Volta para o Futuro” é uma obra-prima da ficção que mostrou a cara dos anos oitenta como poucas obras fizeram.

A trama do filme é criativa e eficiente. O jovem Marty McFly (Michael J. Fox) aciona acidentalmente uma máquina do tempo criada pelo seu amigo e cientista Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd), retornando ao ano de 1955, onde conhece seu pai, ainda jovem, e posteriormente sua mãe. O problema é que ela acaba se apaixonando por ele e, conseqüentemente, colocando em risco sua própria existência. Desta forma, Marty deverá criar uma maneira para que seus pais se encontrem e fiquem juntos, evitando alterar o curso da história e permitindo o seu próprio nascimento.

Lendo assim, da forma que está, parece complicado. Mas o roteiro perfeito escrito por Robert Zemeckis e Bob Gale faz com que tudo se torne mais simples. Sem nenhum furo, ele consegue fazer com que todas as cenas tenham importância na trama, normalmente apresentando elementos que refletem em outros instantes da narrativa. Não é raro encontrar em uma mesma cena dois ou três elementos que podem ter importância em eventos futuros (ou refletirem atitudes do passado). Note, apenas como exemplo, como o verso do papel onde Jennifer (Claudia Wells) anota seu telefone será de suma importância para que Marty consiga voltar aos anos oitenta posteriormente. Além disso, o roteiro não perde as excelentes oportunidades criadas pela viagem no tempo e oferece piadas impagáveis, como aquela em que Marty toca “Johnny B. Goode”, fazendo com que o primo de Chucky Berry ligue imediatamente pra ele, e logo em seguida, quando Marty toca guitarra com o marcante estilo roqueiro de ser e assusta a platéia, somente para dizer que “eles não estava preparados para aquilo ainda, mas os filhos deles iriam adorar”. Genial.

É claro que a competente direção de Robert Zemeckis também tem muita importância. A começar pelo travelling inicial, que nos mostra os muitos relógios do Dr. Brown (ou “Doc”) simbolizando o tempo, tão importante na narrativa, e as noticias no jornal, rádio e televisão, que servem para nos situar no ano de 1985. Além disso, é perceptível já no primeiro plano do filme a enorme criatividade do Dr. Brown, através da parafernália criada para dar comida ao seu cachorro (não por acaso chamado Einstein) e fazer café. Vale à pena observar também como ao chegar ao centro da cidade, em 1955, Zemeckis diminui Marty em um plano geral que, além de mostrar como era a cidade na época (destacando o ótimo trabalho de direção de arte de Todd Hallowell), ilustra como Marty está perdido naquele local. O diretor cria outro plano excepcional na primeira vez em que pai e filho, agora com a mesma idade, aparecem juntos, colocando-os lado a lado. Este plano é de um simbolismo imenso. Podemos comparar as gerações e até mesmo a personalidade de cada um deles, além de observar o misto de encanto e susto do garoto ao ver o pai tão jovem. Zemeckis também tem mérito na criativa forma utilizada para viajar no tempo. O uso do carro, que lembra uma nave espacial, é genial, pois permite que ele viaje junto e sirva para voltar novamente ao presente.

Outro segredo da enorme empatia que o filme cria no espectador está na química perfeita entre o jovem Marty e o cientista “Doc”. Mérito das excelentes atuações de Michael J. Fox, que esbanja jovialidade e simpatia, e Christopher Lloyd, com seu jeito maluco e exagerado que casa muito bem com o personagem (seu visual se inspirou em Einstein, que dá nome ao seu já citado cachorro). Sempre inquieto, seu olhar arregalado e sua energia refletem muito bem a ansiedade do criativo cientista, sempre em busca de novas descobertas. Já o jovem Marty é o elo perfeito entre o filme e o público. É maravilhoso acompanhar, através do olhar dele, como seus pais eram jovens normais, que tinham paixões, dilemas, dúvidas e até mesmo vícios. Sua família problemática (tio preso, pai recatado e sufocado pelo chefe, mãe alcoólatra e irmãos inúteis) colabora com nossa imediata identificação com o personagem, além é claro do inegável carisma de Fox. E aqui o filme também cria conexões com o passado, já que a forma de agir no presente apenas reflete atitudes tomadas na juventude do casal. Repare como Lorraine McFly (Lea Thompson) recorda com nostalgia a forma que conheceu George (Crispin Glover), que nem sequer presta atenção, pois está ligado no programa de televisão. O desempenho do casal, aliás, merece grande destaque. Crispin Glover oferece um ótimo desempenho como o fracassado George, deixando claro como os traumas da juventude refletiam em sua vida de adulto. Por outro lado, a excelente atuação de Lea Thompson cresce muito durante a juventude de Lorraine. Observe a forma apaixonada com que ela olha para Marty, com a fala ofegante, demonstrando ansiedade ao pedir que ele a convide para o baile. Em outro momento, seu sorriso mistura embaraço e satisfação, ao ouvir Marty falar sobre a possibilidade de um dia ela e George terem filhos. E mesmo quando representa Lorraine já adulta ela não compromete, primeiro passando uma imagem de mãe conservadora, e depois, como reflexo das mudanças no passado, se mostrando uma mãe moderna e muito mais feliz. Lorraine era uma garota como outra qualquer, impulsiva, apaixonada e romântica. Como muitos jovens, tinha vícios (fumava e bebia, o que provoca um choque em Marty), porém, como a maioria dos adultos, pedia ao filho que não tivesse. Lorraine fazia tudo que posteriormente, já como adulta e mãe, proibia os filhos de fazer. Esta atitude, que normalmente é uma forma de tentar proteger os filhos, acaba tendo um efeito contrário em muitos casos, e é interessante notar como até mesmo este tema o filme aborda de forma inteligente e divertida. Finalmente, merece destaque o excepcional desempenho de Thomas F. Wilson como o cruel Biff.

Somente para não deixar passar batido, vale a pena destacar a excepcional maquiagem, notável tanto nos jovens atores, quando estes estão interpretando os pais de Marty, como no envelhecimento de Christopher Lloyd (repare seu pescoço e suas rugas no rosto). A bela trilha sonora é mérito de Chris Hayes e Alan Silvestri. Destaca-se também a excelente montagem de Harry Keramidas e Arthur Schmidt, que mantém um ritmo perfeito para o filme, misturando momentos de ficção, humor, aventura, ação e drama, sempre na medida certa. Existem momentos de ação, aliás, que deixam o espectador grudado na cadeira, como a perseguição em que Marty foge e, acidentalmente, “inventa” o skate e a seqüência angustiante que marca sua volta para 1985 (observe a inteligente transição feita através do plano do relógio). Além disso, o final coerente com as atitudes de Marty no passado (seus pais estão muito bem na vida e Biff é empregado de George), ainda deixa em aberto a seqüência da trilogia.

Explorando com muito talento a enorme curiosidade que os filhos têm de saber como eram os pais na juventude, o filme aproveita para deixar algumas mensagens interessantes. A mais importante delas é a de que as atitudes da juventude ecoam no resto de sua vida. George, por exemplo, era um jovem sem autoconfiança e isto refletia num adulto completamente indefeso e submisso. Pequenas mudanças de atitude no passado mudariam todo o curso de sua história, como o filme mostraria mais pra frente.

Sempre fico me perguntando o que eu faria se tivesse a oportunidade de viajar no tempo. Qual seria minha escolha, a nostalgia do passado ou o mistério do futuro? Mais divertido ainda é pensar que meu primeiro filho, que hoje está na barriga da mamãe, poderia voltar no tempo e testemunhar a enorme alegria que sua chegada nos proporcionou. Viajar nesta interessante premissa é só uma das muitas possibilidades que “De Volta para o Futuro” oferece. Experimente, por exemplo, rever o filme, observando pequenos detalhes que passaram batidos na primeira vez. Será sempre uma experiência divertida e reveladora. Clássico absoluto dos anos oitenta, esta maravilhosa aventura brinda o espectador com uma das idéias mais criativas já exploradas pelo cinema. Com personagens fascinantes, estimula nossa imaginação e nos diverte de uma forma intensa, inteligente e absolutamente inesquecível.

Texto publicado em 05 de Janeiro de 2010 por Roberto Siqueira


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