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O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA (1962)

12 agosto, 2011

(The Man Who Shot Liberty Valance)

 

Filmes em Geral #72

Dirigido por John Ford.

Elenco: John Wayne, James Stewart, Vera Miles, Lee Marvin, Edmond O’Brien, Andy Devine, Ken Murray, John Carradine, Jeanette Nolan, Denver Pyle, John Qualen, Woody Strode e Lee Van Cleef.

Roteiro: James Warner Bellah e Willis Goldbeck, baseado em história de Dorothy M. Johnson.

Produção: John Ford e Willis Goldbeck.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Apesar do sucesso de seus dramas, John Ford se notabilizou por dirigir westerns clássicos, explorando com maestria belas paisagens para criar um visual esplêndido. Não é o caso de “O homem que matou o facínora”. Apesar de utilizar algumas das características marcantes do gênero, o longa foge bastante do estilo tradicional do faroeste, apresentando uma narrativa melancólica, ambientes fechados, personagens ambíguos e uma série de simbolismos que ilustram o fim de uma era. Contando ainda com um ótimo elenco, trata-se de um filme sóbrio e triste, um verdadeiro canto do cisne do gênero preferido do diretor.

O senador Ransom Stoddard (James Stewart) e sua esposa Hallie (Vera Miles) chegam numa pequena cidade para o funeral de um amigo. Interessado pela ilustre visita, um repórter decide entrevistar o senador e descobre que Tom Doniphon, o amigo morto e hoje desconhecido, acolhera o senador na cidade há muitos anos. Recém formado em advocacia na época em que chegou ao local, Stoddard tentava deter um terrível pistoleiro chamado Liberty Valance (Lee Marvin) por meio da lei, enquanto Tom acreditava em sua arma. Apesar das diferentes formas de pensar, eles se respeitavam e ainda compartilhavam o amor por Hallie, na época a garçonete do saloon.

Escrito por James Warner Bellah e Willis Goldbeck, baseado em história de Dorothy M. Johnson, “O homem que matou o facínora” utiliza um longo flashback para contar a história da chegada do hoje senador Ransom Stoddard ao oeste, uma terra dominada por uma lei própria, onde a justiça era feita pelas próprias mãos. Naquele ambiente hostil, o culto Stoddard descobre rapidamente que tudo que ele estudou tinha pouco valor, após ser roubado e espancado por um grupo de bandidos, liderados pelo temido Liberty Valance. E é justamente a trajetória de mudança deste personagem, amparada por outro personagem ainda mais fascinante, que acompanharemos durante a narrativa. Stoddard simboliza a chegada do progresso num local onde a única lei que era respeitada era a “lei das armas”, simbolizada pelos antagonistas Tom e Liberty. Ele será transformado por aquele ambiente hostil, mas também trará mudanças irreversíveis ao local.

Como de costume, a direção de Ford é sóbria e discreta, jamais chamando a atenção a não ser em alguns momentos em que o zoom realça as reações dos personagens. Desta vez (até por limitações financeiras impostas pela Paramount), o diretor foca as ações em ambientes fechados, valorizando o trabalho de direção de arte de Eddie Imazu e Hal Pereira em detrimento das paisagens que ele normalmente utilizava em seus filmes, que aqui surgem somente no treinamento de Stoddard. A arquitetura da cidade segue o tradicional do oeste, com o saloon, as casas de madeira e as diligências que aguardam seus passageiros para cruzar as estradas poeirentas. Também por imposição dos estúdios, a direção de fotografia de William H. Clothier é discreta, limitando-se a criar um visual mais claro que explora o contraste entre o preto e o branco através da iluminação destes ambientes fechados.

Quem segue o estilo tradicional do western são os personagens secundários, com o xerife medroso (Andy Devine), o jornalista sem escrúpulos e o médico bêbado marcando presença na narrativa. Entre estes personagens secundários, vale destacar dois atores que participariam dos famosos westerns spaghetti de Sergio Leone: Lee Van Cleef, que vive um dos comparsas de Liberty chamado Reese, e Woody Strode, que interpreta Pompey, o ajudante de Tom. John Carradine também integra o elenco como o major Cassius Starbuckle e Lee Marvin cria um temível vilão na pele de Liberty Valance. Mas, entre todos eles, o destaque fica mesmo para Vera Miles, que vive Hallie, a garçonete disputada por Tom e Stoddard no passado, agora casada com o senador – e o pouco convincente envelhecimento de Stewart e Miles no presente é um problema pequeno demais para comprometer uma obra tão madura.

Demonstrando interesse por Stoddard logo de cara, a Hallie de Miles oscila entre a alegria ao lado do jovem advogado e os momentos em que fica brava, como quando o xerife chega ao saloon pedindo comida. A atriz ainda demonstra com competência a emoção de Hallie ao voltar ao local, com os olhos marejados e um semblante abatido, reforçados pela trilha sonora melancólica que embala o momento em que ela vê uma velha casa, indicando a importância daquele local (e de quem viveu nele) em sua vida. Esta mesma trilha triste acompanhará o momento em que Hallie vê o caixão que guarda o corpo do amigo Tom, num momento tocante e universal. Afinal, todos nós sabemos (ou infelizmente saberemos) como é doloroso ver uma pessoa querida daquela forma, já sem vida, apenas esperando que seus restos mortais sejam enterrados enquanto os momentos vividos se eternizam na memória dos que ficam. São estas memórias que guiam a narrativa de “O homem que matou o facínora”.

Este importante homem é Tom Doniphon, interpretado por John Wayne, que naturalmente impõe respeito com seu porte físico e olhar ameaçador. Sempre gentil com as mulheres, especialmente com sua paixão Hallie, Tom é o típico homem do oeste, que confia muito mais em seu revólver do que na lei e na ordem. Fruto daquele ambiente hostil, ele adverte o advogado Stoddard sobre os perigos que corre ali (“Estes livros de direito valem muito pra você, mas aqui não valem nada”, afirma). E apesar do jeito grosseiro, o tempo se encarregará de mostrar o grande homem que ele é. Quem descobrirá isto é o advogado Stoddard de James Stewart, que cai bem no papel do homem intelectual e notoriamente mais frágil que aqueles que habitam o oeste. Carismático, o ator conquista o espectador ao longo da narrativa, ainda que demore a se adaptar ao ambiente em que estava inserido. Entre os principais momentos de sua atuação, vale destacar a alegria genuína quando ouve Hallie dizer que quer aprender a ler. E apesar de derrubar o ritmo da narrativa por um instante, a aula serve para criar empatia entre Stoddard e a platéia, ao mostrar aquele homem dedicado tentando mudar uma sociedade naturalmente arredia aos estudos (até pela falta de acesso). No fundo, Tom e Stoddard também simbolizam o conflito entre a força física e o intelecto.

E será a força física que salvará o intelecto, primeiro na chegada dos bandidos ao restaurante, onde o silêncio que predomina na cena só amplia a tensão – repare como o zoom realça o rosto assustado de Hallie. Quando Liberty derruba Stoddard e, junto com ele, o bife de Tom, Wayne surge ameaçador e se agiganta na tela, colocando o bandido pra correr do local, numa das melhores cenas do filme. Após este momento, Stoddard vive o conflito entre cumprir a lei e fazer justiça com as próprias mãos – e um plano simbólico em que ele apaga do quadro a frase “a educação é a base para a lei e a ordem” começa a indicar sua mudança de comportamento. Mudança que só se consolida após o divertido treinamento em que ele dá um soco em Tom (que leva numa boa) e, principalmente, após ver a morte do amigo jornalista, brutalmente espancado por Liberty. Conforme ele fora avisado, sua placa na entrada do jornal havia sido destruída pelo temível bandido e ele agora estava decidido a enfrentá-lo.

A fotografia sombria amplia a angustia do espectador enquanto Stoddard aguarda Liberty na rua para o duelo. E ele vence, atirando no vilão a queima roupa, pra surpresa geral. Teria mesmo Stoddard mudado seus conceitos? Momentos depois, Tom aparece na cidade, se embebeda e queima a própria casa (num grande momento de Wayne), indicando sua desilusão amorosa ao ver Hallie nos braços do advogado. Chegamos até mesmo a pensar que ele saiu da cidade na esperança de que Liberty mataria Stoddard, mas suas ações prévias (como o treinamento) não indicavam isto. Chegam às eleições e com elas o nojento jogo político, evidenciado quando um dos candidatos usa o “crime” de Stoddard contra ele. E então o grande momento de “O homem que matou o facínora” surge, quando Tom confessa a autoria do crime para Stoddard e prova seu altruísmo, num flashback dentro do flashback que surge através da fumaça expelida pela boca dele (um momento belíssimo, aliás). Somos levados novamente à cena do crime, desta vez sob outro ponto de vista que revelará a verdade. Tom salvou Stoddard e saiu sem deixar rastros. Ainda assim, sofreu bastante por não ter Hallie, como deixa claro na frase “devia não ter salvado você, Hallie agora é sua”, mas sua atitude só comprova seu caráter. Ele abriu mão da fama (afinal de contas, matou o pior bandido da região) e da mulher que ama e só revelou que salvou Stoddard para que este não desistisse de sua candidatura. “Ambíguo” é pouco para um personagem como este. A importância do papel da imprensa na criação de mitos também entra em cena aqui. Ao contrário da lenda criada, foi Tom, e não Stoddard, quem matou o facínora. Mas, como diz um repórter na frase mais famosa do filme, “quando a lenda é mais famosa que a realidade, imprima-se a lenda”.

Western diferente e até mesmo pessimista, “O homem que matou o facínora” faz um excelente estudo sobre o fim de uma era, abordando temas importantes como a passagem do tempo, a criação de mitos, as formas de combater a violência e o papel da imprensa. Além disso, apresenta dois personagens ambíguos e fascinantes. Enquanto Tom se manteve fiel aos seus princípios, Stoddard se viu obrigado a rever seus conceitos e se adaptar ao cenário em que estava inserido, ainda que de certa forma tenha colaborado para mudar o local. Carregou consigo uma fama que ele sabia não merecer, mas que tinha grande importância na formação de sua imagem pública. Mas tanto ele quanto Hallie sabiam quem foi o homem que matou o facínora.

Texto publicado em 12 de Agosto de 2011 por Roberto Siqueira

O HOMEM ERRADO (1956)

8 junho, 2011

(The Wrong Man)

 

Filmes em Geral #60

Dirigido por Alfred Hitchcock.

Elenco: Henry Fonda, Vera Miles, Anthony Quayle, Harold Stone, John Heldabrand, Doreen Lang, Norma Connolly, Lola D’Annuzio, Robert Essen, Dayton Lummis, Charles Cooper, Esther Minciotti, Laurinda Barrett, Nehemiah Persoff, Kippy Campbell e Alfred Hitchcock.

Roteiro: Angus MacPhail, baseado em livro de Maxwell Anderson.

Produção: Alfred Hitchcock.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Apesar do tom sombrio e da atmosfera noir, “O Homem Errado” é, na realidade, um estudo de personagem interessante, que foge do estilo de suspense tradicional de Alfred Hitchcock, apresentando uma narrativa assustadora, não por causa da atmosfera criada ou de grandes cenas cuidadosamente orquestradas pelo diretor, mas sim por contar uma história verídica e que, exatamente por isso, poderia acontecer com qualquer um de nós.

Em Janeiro de 1943, o músico Manny (Henry Fonda) vai a um escritório de Nova York tentar um empréstimo para o tratamento dentário de sua esposa Rose (Vera Miles) e é identificado pelas funcionárias do local. Segundo elas, ele teria assaltado o escritório um ano antes, o que leva a polícia a investigar o caso e a prendê-lo. Libertado após o pagamento da fiança, ele passa a viver um drama familiar, vendo a esposa se afundar em depressão ao mesmo tempo em que negocia com um advogado para tentar livrá-lo da acusação que sofrera.

Escrito por Angus MacPhail, baseado em livro de Maxwell Anderson, “O Homem Errado” aborda o tema favorito de Hitchcock, mostrando a história real de um homem inocente acusado de um crime que não cometeu. Este apreço do diretor pelo tema fica evidente em grande parte de sua filmografia, e, neste caso em especial, ele escancara isto ao fazer a introdução do longa pessoalmente (o próprio Hitchcock afirmava que seu grande medo era ser acusado de um crime injustamente). Por isso, o longa tem uma atmosfera triste e reflexiva, refletindo a visão do diretor sobre o tema. Além disso, a escolha do diretor de fotografia Robert Burks pelo preto e branco torna o longa mais sombrio, ilustrando o sentimento amargo do protagonista, sublinhado ainda pela trilha sonora sombria e excelente do ótimo Bernard Herrmann.

Logo na apresentação de Manny e Rose, o casal cria empatia com a platéia, demonstrando carinho enquanto conversam na cama sobre as dificuldades financeiras que enfrentam e mostrando-se apaixonados e comprometidos na busca de soluções. Além disso, eles mostram preocupação com os filhos – e, inegavelmente, a preocupação com a família e com a saúde financeira é um tema universal. Obviamente, o carisma de Henry Fonda e Vera Miles colabora muito com este sentimento. Mas, após a conversa, vemos aquele homem olhando atentamente para o jornal e fazendo anotações, revelando seu vício: simular apostas em corrida de cavalos. Este pequeno momento será crucial para desconfiarmos, ainda que por pouco tempo, do protagonista num momento chave da narrativa. Desesperado para conseguir o dinheiro que a esposa precisa, ele parte para tentar um empréstimo e a reação da recepcionista ao vê-lo indica algo suspeito. Em seguida, um close na conversa das mulheres realça a expressão assustada delas, indicando que ele é o homem que assaltou o local (segundo afirmação das próprias mulheres). Tem inicio então uma fase de investigação que culminará na prisão de Manny.

Durante o interrogatório na delegacia, a posição da câmera agiganta os policiais, demonstrando o quanto Manny está intimidado, algo realçado pela boa atuação de Fonda, que transmite a aflição do personagem em seu rosto. Esta é a intenção do diretor: deixar o espectador incomodado, como o próprio personagem. Por isso, mesmo com tantas pessoas afirmando que ele é culpado, nós acreditamos em sua inocência – e Fonda transmite seriedade e parece mesmo assustado com as acusações que recebe, o que reforça este sentimento. Já na cela, as sombras da grade envolvem Manny e, pontuadas pela trilha sonora melancólica, sublinham muito bem sua solidão, assim como, quando ele dorme na cadeia, o giro da câmera e a trilha mais rápida ilustram o pesadelo do personagem. Hitchcock reforça esta estratégia através de um zoom no buraco da cela, que nos faz atravessar a porta e entrar com o personagem naquele local, num interessante movimento de câmera que nos faz compartilhar seu sofrimento.

Também colabora a montagem de George Tomasini, que emprega um ritmo correto à narrativa, dando uma sensação de lentidão no desenrolar da história, que reflete a aflição do personagem durante o árduo processo de julgamento e prisão. Além disso, a montagem emprega saltos eficientes na narrativa, quando Rose liga para o escritório do advogado O’Connor (Anthony Quayle) e quando a assistente do advogado anota a declaração de Manny, já que, nos dois casos, iríamos apenas escutar novamente uma história que já tínhamos acompanhado. Com este ritmo lento, a fotografia triste e a trilha melancólica, somados a grande atuação do elenco, Hitchcock consegue fazer com que o espectador se importe com o drama do protagonista e sinta-se angustiado. Sua estratégia é clara. Ele quer nos colocar na posição de Manny, algo reforçado pelo constante uso da câmera subjetiva, que faz com que o espectador sinta a mesma aflição daquele homem, supostamente acusado de um crime que não cometeu. Desta forma, sofremos com ele e torcemos por ele. Repare, por exemplo, como quando ele olha de relance para a esposa no tribunal, a câmera subjetiva nos coloca em seu lugar, vendo lentamente a esposa ficar pra trás enquanto Manny é levado pelos guardas. Da mesma maneira, vemos os sapatos dos presos enquanto ele caminha para a prisão, num plano que reflete seu olhar cabisbaixo, de quem realmente está deprimido.

Interpretada com competência por Vera Miles, Rose começa a dar sinais de que está cansada daquela situação no escritório de O’Connor, quando parece estar presente somente de corpo enquanto o marido e o advogado conversam. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu com Manny, ela chega até mesmo a desconfiar do marido, o que, de maneira inteligente, serve para plantar também a dúvida no espectador, que até aquele instante confia plenamente que Manny é inocente. Mas Rose entra num caminho aparentemente sem volta e sua depressão se torna visível, o que leva Manny a interná-la num hospital psiquiátrico. Novamente, Fonda demonstra muito bem como o personagem está arrasado diante de toda aquela situação. E Miles dá um show no hospital, olhando para o vazio e transmitindo a desilusão da personagem, completamente afetada pela tragédia que assolou sua família e mostrando-se incapaz de reagir através do olhar e do tom de voz reprimido.

E quando tudo parece perdido, um plano sensacional de Hitchcock revela o verdadeiro assassino, sobrepondo seu rosto ao rosto de Manny, que reza em frente ao espelho. O homem caminha tranqüilamente pela rua e entra numa loja, para tentar um novo assalto que, desta vez, o levará à prisão (e, neste aspecto, a escolha do ator John Heldabrand para viver o assaltante Tomasini é perfeita, dada a semelhança entre ele e Fonda quando eles estão de chapéu). Ao ver aquele homem inocente saindo da delegacia e cruzando as mulheres que o acusaram no caminho, sentimos uma sensação de alívio e, porque não, nos sentimos vingados.

Baseado numa história real, “O Homem Errado” nem de longe tem a atmosfera de suspense costumeira na filmografia de Hitchcock, já que se concentra, de maneira eficiente, nos efeitos que aquela falsa acusação provocou na vida de Manny e sua família. Nem por isso, pode ser considerado um filme menor, pois cumpre muito bem o seu propósito, nos fazendo refletir sobre a confiabilidade das investigações policiais, especialmente quando se baseiam em testemunhos de seres tão falhos como nós.

Texto publicado em 08 de Junho de 2011 por Roberto Siqueira

RASTROS DE ÓDIO (1956)

20 dezembro, 2009

(The Searchers)

 

Filmes em Geral #71

Filmes Comentados #14 (Comentários transformados em crítica em 11 de Agosto de 2011)

Dirigido por John Ford.

Elenco: John Wayne, Natalie Wood, Jeffrey Hunter, Vera Miles, Ward Bond, Henry Brandon, Hank Worden, Harry Carey Jr., Dorothy Jordan, John Qualen, Olive Carey, Pippa Scott e Ken Curtis.

Roteiro: Frank S. Nugent.

Produção: C. V. Whitney.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Tecnicamente brilhante, “Rastros de Ódio” aborda uma temática difícil para a época, saindo dos padrões estabelecidos e dando maior realismo ao gênero preferido da dupla John Ford e John Wayne. Desta forma, Ford conseguiu criar um clássico do western, abusando das lindas paisagens e contando uma história sombria demais para os padrões até então estabelecidos em Hollywood, com seu anti-herói ambíguo e amargurado e uma narrativa repleta de sutilezas.

O veterano de guerra civil Ethan Edwards (John Wayne) resolve visitar a casa de seu irmão e, após sair para investigar um roubo de gado, encontra a casa queimada e a família assassinada por índios. Apenas as sobrinhas Lucy (Pippa Scott) e Debbie (Natalie Wood) escapam do massacre e são levadas pelos índios liderados por Scar (Henry Brandon). Ethan parte em busca das sobrinhas ao lado do sobrinho – que ele não reconhece como tal – Martin Pawley (Jeffrey Hunter) e de Brad Jorgensen (Harry Carey Jr.), o namorado de Lucy.

Como de costume, John Ford aproveita a belíssima paisagem de sua locação preferida (Monument Valley, Utah – EUA) para criar cenas lindas, desta vez apoiado pela tecnologia “Technicolor” para ressaltar o colorido da região. Auxiliado pela fotografia maravilhosa de Winton C. Hoch, o diretor cria um visual deslumbrante, misturando a luz amarelada do sol com o vermelho da terra. Além do tradicional cuidado com cada enquadramento e movimento de câmera, Ford ainda cria interessantes rimas narrativas, como aquela entre a imagem que abre o filme e o plano final, e espalha sutilmente informações que terão reflexo futuro, como o medalhão dado por Ethan de presente para Lucy. Ford mostra habilidade ainda na condução de cenas marcantes, como momentos antes do ataque dos índios, quando a tensão domina a tela e a própria fotografia sombria indica a tragédia. Sem que algum personagem diga uma palavra, Ford indica que duas pessoas sobreviveram, através da imagem das três cruzes no enterro (cinco pessoas estavam na casa antes do ataque). Este tipo de situação sutil permeia toda a narrativa de “Rastros de Ódio”.

Toda esta beleza visual é ressaltada ainda pela linda trilha sonora de Max Steiner e Stan Jones, repleta de canções melancólicas que refletem bem o estado de espírito de quem vive distante de tudo e, principalmente, de Ethan, um homem solitário e misterioso, que, como indica o último plano do filme, pertence aquele lugar mais do que ninguém. “Rastros de Ódio” conta ainda com a dinâmica montagem de Jack Murray, que cobre muitos anos sem jamais se tornar episódica, indicando a passagem do tempo, por exemplo, através das estações do ano ou de momentos simples, como a carta que informa a morte de Brad um ano depois do ocorrido. Reforçando a sutileza da narrativa, observe como Ethan diz que Lucy não cresceu muito e a garota aponta para a irmã maior (“Aquela é Lucy, eu sou Debbie”), indicando o longo tempo que ele esteve distante.

Escrito por Frank S. Nugent, o competente roteiro permite que John Ford crie um anti-herói complexo, amargurado e extremamente ambíguo. Ethan é um homem que carrega em seus ombros o peso do passado, associado a um racismo extremo, que fica explícito logo no início, quando responde “não creio” ao mestiço Pawley – que havia sido salvo por ele na infância – ao ouvi-lo afirmar que seu sangue indígena é misturado ao sangue galês e inglês. Ninguém melhor que John Wayne para interpretar Ethan Edwards, que parte em busca de vingança com toda sua brutalidade e rancor após sua família ser massacrada pelos índios cherokees. Entretanto, descobriremos que as razões de sua viagem ao lado do mestiço Pawley não eram tão nobres. Ethan quer ter certeza de que Debbie se transformou numa índia, somente para matá-la e garantir que não tenha nenhum laço com os índios. Interpretado por Jeffrey Hunter, Pawley quer evitar que o tio cometa esse ato insano, o que explica duas pessoas tão diferentes viajarem por tanto tempo lado a lado. Ethan escancara suas intenções quando escreve um testamento deixando tudo para Pawley, deixando de lado a sobrinha criada por índios.

Astuto ao ponto de pressentir um ataque (cena da fogueira), Ethan foge completamente do herói convencional do gênero, evidenciando seu racismo ao atirar duas vezes num Índio morto e dizer para o reverendo Clayton (Ward Bond) que ele não poderá mais andar pelo vale dos mortos sem os olhos. Aparentemente, ele não segue religião alguma, mas prefere garantir que o índio não ficará bem nem aqui e nem numa suposta outra vida. As razões de seu ódio jamais são explicadas, mas este sentimento é notável, por exemplo, quando ele diz que um cherokee andaria mais trinta quilômetros em um cavalo cansado, somente para matá-lo e comê-lo depois. Curiosamente, o assassinato da família Edwards faz o espectador sentir a mesma raiva dele pelos índios, o que confere peso dramático ao excelente momento em que os cherokees cercam o grupo antes da fuga pelo rio. Retratados na maior parte do tempo como selvagens cruéis, que caçam e matam sem piedade, os índios de “Rastros de Ódio” parecem seguir o padrão da época, mas a narrativa inverte as ações em determinado momento, eliminando o maniqueísmo e humanizando os “selvagens”, numa forma bastante original de tratar a questão. Ao mostrar homens brancos destruindo o acampamento indígena e fazendo prisioneiros, Ford cria uma impactante subversão de expectativa, que revela o outro lado da moeda para uma platéia acostumada a ver os índios como selvagens assassinos.

Entre o elenco de apoio, vale destacar a boa atuação de Hank Worden como o maluco (mas nem tanto) Mose Harper, além de Vera Miles, que está ótima como a atirada Laurie, partindo pra cima de Martin assim que o vê, beijando o rapaz e ajudando em seu banho. Completamente apaixonada, ela sofre com suas constantes viagens ao lado de Ethan e sua mãe (Olive Carey) parece ser a única que a compreende, como fica evidente quando ela lê a carta em que Pawley informa que se casou com uma índia. Aliás, a índia que persegue Pawley representa um ótimo momento de alivio cômico, embalado pelas tiradas de Ethan que rendem boas gargalhadas, assim como é divertida a sensacional briga entre Pawley e Charlie (Ken Curtis), em que os dois se ajeitam, ajudam um ao outro, param e conversam – vale destacar também o encanto de Laurie ao ver Pawley brigando por ela.

Após cruzar o cânion durante a viagem, a reação de Ethan indica algo terrível, que é confirmado momentos depois quando ele informa a morte de Lucy. Desesperado, Brad parte para a vingança e as reações de Ethan e Pawley (além da trilha sombria) indicam a morte dele. Em outro momento, é a reação de Martin, contida por Ethan na oca de Scar, que indica que eles encontraram Debbie, que surge no horizonte pouco tempo depois e é protegida por Martin enquanto Ethan tenta matá-la. Repare que em todas estas situações, as palavras são desnecessárias. Esta é a beleza de “Rastros de Ódio”, onde nada é muito explicado. Em diversos momentos, as reações dos personagens indicam que algo aconteceu no passado, pesando muito nos dias atuais. Porque Ethan é tão rancoroso e solitário? Qual a sua verdadeira relação com Pawley? Ele teve alguma relação além da amizade com a mulher de seu irmão, que o trata tão bem? Repare, por exemplo, a forma como Martha (Dorothy Jordan) ajeita suas roupas e o beijo que ele dá na testa dela, indicando alguma relação mais profunda no passado. Qual a relação entre Ethan, Martin e a mãe do garoto assassinada pelos índios? Após escalpelar Scar, Ethan fica em paz e aceita Debbie de volta, levando-a pra casa, mas por quê? Todas estas respostas devem ser encontradas por cada espectador. No fim das contas, refletimos a respeito enquanto vemos aquele homem solitário do lado de fora da casa, num plano final que ilustra bem este personagem ambíguo e amargo, que foge completamente do herói típico do western até então.

Transformando o inabalável herói do faroeste em um sujeito ambíguo e alterando o modo de ver os indígenas nos filmes do gênero, “Rastros de Ódio” se estabelece como um marco na história do cinema, redefinindo o western de forma corajosa e reafirmando a competência de John Ford como diretor.

PS: Comentários divulgados em 20 de Dezembro de 2009 e transformados em crítica em 11 de Agosto de 2011.

Texto atualizado em 11 de Agosto de 2011 por Roberto Siqueira

PSICOSE (1960)

29 julho, 2009

(Psycho)

5 Estrelas 

Obra-Prima

 

Filmes em Geral #4

Videoteca do Beto #23 (Adquirido quando a Videoteca estava no filme #22; crítica já havia sido publicada na categoria “Filmes em Geral”).

Dirigido por Alfred Hitchcock.

Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Martin Balsam, John Gavin, Vera Miles, Simon Oakland, Vaughn Taylor e John McIntire. 

Roteiro: Joseph Stefano, baseado em livro de Robert Bloch. 

Produção: Alfred Hitchcock. 

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido o filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Quando o extremamente talentoso diretor Alfred Hitchcock resolveu filmar o livro Psicose de Roberto Bloch, ele sabia exatamente o que queria: chocar a platéia. E o resultado final não poderia ter sido melhor. Ao terminar de assistir pela primeira vez este clássico do mestre do suspense, fiquei imaginando como teria sido a reação das pessoas na época de seu lançamento, há quase 50 anos atrás. Porque se em pleno ano de 2009 eu tive nada menos do que três choques de arrebentar com a espinha de qualquer um, imagina o que sentiram as pessoas que presenciaram esta maravilha do cinema na tela grande?

É praticamente impossível fazer uma crítica de Psicose sem escrever sobre trechos essenciais da narrativa. Por esta razão, peço educadamente que só leiam esta crítica se já tiverem assistido ao filme. Caso ainda não tenha visto o filme, sugiro parar a leitura por aqui e voltar somente depois de vê-lo. Ver o filme sem saber o que acontece é essencial para viver uma experiência inesquecível.

Marion Crane (Janet Leigh) é apaixonada por Sam Loomis (John Gavin), um homem que, apesar de muito trabalhador, não tem boas condições financeiras. Apesar de hesitar, ela não perde a chance de roubar 40 mil dólares de um velho rico quando esta se oferece, e foge de carro para a cidade de seu amor. Devido a uma forte chuva no caminho, ela decide parar em um Hotel para descansar. É onde conhece Norman Bates, um jovem simpático que parece ter sérios problemas com sua velha mãe. 

A narrativa de Psicose inicia focando o relacionamento amoroso de Marion e Sam, um casal apaixonado e que aparentemente enfrenta problemas para poder viver seu romance. Ele é separado e sofre com os problemas financeiros causados pela pensão. Ela sonha em casar-se, mas sabe que não poderá viver somente de amor, e precisa ajudar Sam a conquistar sua liberdade financeira. É quando a vida oferece uma chance para Marion. Mesmo sendo uma atitude perigosa e totalmente fora dos padrões morais e éticos, ela resolve arriscar e rouba 40 mil dólares que lhe foram confiados para um deposito. No caminho da fuga, ela despista um policial desconfiado e termina sua trajetória em um Hotel escondido na beira da estrada. E termina mesmo! Aqui está um dos primeiros choques que Psicose causa no espectador. Até a primeira metade da narrativa, somos levados a acreditar que a história que será contada é sobre Marion. Só que antes de uma hora de filme ela é brutalmente assassinada, naquela que se tornaria uma das cenas mais famosas do cinema, o assassinato na banheira com a trilha sonora arrepiante de Bernard Herrmann. Auxiliado pelo ótimo roteiro de Joseph Stefano, Hitchcock quebra o eixo da narrativa com brilhantismo, chocando o espectador. Uma confusão se estabelece em nossas mentes neste momento. Qual seria o rumo da história agora? A estrutura convencional dos filmes é quebrada, alterando todo o foco da narrativa. A brilhante fotografia de John L. Russel ajuda a criar um truque essencial para o suspense da trama. Observe como na famosa cena o jogo de luz e sombras esconde os traços principais do rosto da senhora Bates e a revelação de seu rosto só acontece no último ato. Desta forma, temos a dica, mas não a solução para o caso. A excelente montagem de George Tomasini também é essencial na construção do suspense. A rápida troca de imagens aumenta ainda mais o impacto da cena na banheira. Seu talento também pode ser observado na cena final, que sincroniza perfeitamente as diversas ações paralelas que culminam na monumental cena em que a identidade da assassina é revelada. Outros dois momentos são essenciais para que o espectador não descubra a solução da trama antes da hora. O primeiro deles é quando o detetive Arbogast vê a senhora Bates na janela da casa e em seguida é abordado por Norman Bates na frente do Hotel. O segundo acontece quando o xerife Chambers (John McIntire) conta para Sam e Lila (Vera Miles) que a Sra. Bates morreu há dez anos. No plano seguinte, podemos ver a porta do quarto da Sra. Bates e ouvir ela e Norman dialogando. Em seguida, vemos Norman carregando sua mãe para o porão. Apesar de jamais mostrar o rosto dela, Hicthcock praticamente anula em nossas mentes a possibilidade de Norman e sua mãe serem a mesma pessoa. O diretor cria ainda seqüências visualmente interessantes, como o corte seco do plano do ralo para o plano do olho de Marion morta. Através de um travelling, ele sai do olho da moça, passa pelo dinheiro na cômoda e termina a cena com um plano distante da casa. Este movimento não é feito à toa. O diretor quer mostrar todo o cenário do crime, para nos ambientar e relembrar tudo que está envolvido naquele assassinato.

O elenco de Psicose colabora muito para o sucesso do longa. O grande destaque fica para Anthony Perkins, que cria um Norman Bates simpático inicialmente e enigmático no final do filme. Seu olhar para baixo, as mãos cruzadas e seu gaguejar ao falar, além do sorriso contido quando conversa com Marion, demonstram a aparente timidez do rapaz e nos causa simpatia pelo personagem. É perfeitamente aceitável que um rapaz isolado do mundo fique extremamente ansioso ao se deparar com uma jovem bonita como Marion. Sentimos pena dele ao ser maltratado pela mãe e entendemos ser um rapaz muito bom quando ele oferece comida para a moça. Sua transformação ao longo da trama é gradual, mas ele nos dá dicas do que poderá acontecer. Sua reação nervosa diante da insinuação de Marion sobre uma possível internação de sua mãe e a forma com que ele responde as perguntas do detetive Arbogast (Martin Balsam) são indícios da personalidade do rapaz. É claro que são dicas praticamente imperceptíveis em um primeiro momento, já que Hitchcock jamais entregaria o segredo da trama assim de bandeja. Quando a revelação final é feita, o espanto é tão grande que o espectador se sente traído (no bom sentido é claro, já que o roteiro propositalmente nos leva a isso), já que todos os bons sentimentos que pensava ter em relação a Norman são atirados de volta contra ele. Janet Leigh também está muito bem. Observe como ela demonstra toda ambigüidade de Marion na cena do roubo, quando hesita em pegar o dinheiro por diversas vezes enquanto arruma a mala. Ela olha para o dinheiro, respira fundo, coloca roupas na mala, olha novamente, pensa mais um pouco, até que finalmente decide colocar o dinheiro na bolsa. O Sam Loomis de John Gavin é um homem sério, honesto e muito determinado. Sua reação quando o detetive pergunta se Marion está com ele e lhe conta que ela roubou o dinheiro ilustra muito bem a seriedade do personagem. Martin Balsam demonstra firmeza e determinação na busca do que aconteceu no papel do detetive Arbogast. Também se mostra alguém desconfiado nos diálogos que tem com Sam e Lila, e posteriormente com Norman, como é de se esperar na profissão dele. Podemos destacar ainda Vera Miles como Lila Crane, a determinada irmã de Marion, e Simon Oakland, como o didático (mas essencial na época) doutor Fred Richmond.

Como se o primeiro grande choque ocorrido na morte de Marion não fosse suficiente, Psicose conta ainda com mais dois momentos espetaculares que podem servir tranquilamente como inspiração para qualquer filme do gênero (e com certeza serviram ao longo dos anos). O segundo assassinato, ocorrido dentro da casa dos Bates, é um exemplo de como dirigir com perfeição uma cena de suspense. Observe como Hitchcock nos ambienta na casa primeiramente e depois nos leva lentamente através dos passos do detetive pelas escadas, aumentando a tensão nos espectadores. O silencio é a chave para o clima quase palpável de suspense. Quando ele se aproxima do quarto, a câmera muda de posição, filmando por cima e simultaneamente a escada, o detetive e a porta entreaberta do quarto da Sra. Bates. Testemunhamos em poucos segundos a porta se abrir, o reflexo da luz do quarto invadir o corredor e a assassina sair como um raio de dentro do quarto para esfaquear a vítima, ao som da trilha sonora aterrorizante. O choque é inevitável e inesquecível.

A trama caminha com consistência para o terceiro ato, onde o último choque encerrará com perfeição a obra-prima do mestre Hitchcock. As investigações levam a dupla Sam e Lila para o Hotel de Norman, onde supostamente Marion e Arbogast teriam sumido. O espectador sabe que a razão dos assassinatos não era o dinheiro, mas eles não sabem. Ao se apresentarem como um casal e hospedar-se no Hotel, a trama cria a situação ideal para o final mais que perfeito. Somos levados a imaginar que os dois vão ser as últimas vitimas da velha maluca. Até que Lila invade a casa sozinha para tentar falar com a mãe de Norman e, ameaçada pela chegada do rapaz, se esconde na escada que leva aos porões. Ela decide entrar e é exatamente ali que será revelada a grande surpresa da trama e o verdadeiro significado do nome do filme (e do livro) em uma cena absolutamente genial. O conjunto de fatos que levam à cena antológica nos causa um choque atordoante no momento em que descobrimos a verdadeira identidade da assassina. A didática explicação sobre a dupla personalidade de Norman que precede o genial encerramento do filme com ele vestido na camisa de força, era mais do que necessária na época para que as pessoas entendessem a personalidade perturbada do personagem. Talvez hoje não fosse necessária, mas retirar esta cena não tornaria de forma alguma o filme melhor.

Psicose é o cinema em seu estado puro. É a manipulação das emoções da platéia feita com competência e genialidade. É a prova real de que para ser assustador, um filme não precisa necessariamente de acordes altíssimos ou monstros aparecendo repentinamente na tela. É claro que a trilha tem participação importante no longa, mas o que nos causa medo (e não susto) é a situação em que os personagens estão envolvidos. E isto é resultado do trabalho de uma equipe competente, de atores capacitados e de um diretor genial. Não é preciso mais nada.

Texto publicado em 29 de Julho de 2009 por Roberto Siqueira


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