Os Clássicos dos Mundiais – Parte 3

Finalmente chegamos aos últimos cinco clássicos transmitidos pela ESPN (Para ler os comentários da Parte 1 clique aqui e para ver a parte 2, clique aqui):

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1990: ALEMANHA 1 X 0 ARGENTINA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Certamente o jogo mais fraco tecnicamente reprisado até agora, a final da pior Copa de todos os tempos (tecnicamente falando) não fez justiça ao excelente futebol da seleção campeã. Um oasis técnico em meio a tanta mediocridade – e aqui incluo a fraca seleção brasileira de Lazzaroni e até mesmo a vice-campeã Argentina, que só tinha Maradona e Caniggia – a seleção liderada pelo craque Lotthar Matthäus contava com grandes jogadores como Völler, Klinsmann e Hässler, que jogavam muito mais do que apresentaram na final do mundial. Independente disto, é importante ressaltar que realmente a seleção de Don Diego foi prejudicada pelo pênalti inexistente que originou o gol de Andreas Brehme e garantiu o terceiro título da Alemanha na história. Por outro lado, fez justiça por linhas tortas, pois claramente a seleção alemã dominou toda a partida e merecia a vitória. A melhor geração alemã dos últimos tempos foi premiada com o titulo mundial de forma merecida.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1994: BRASIL 0 X 0 ITÁLIA (Nos pênaltis, Brasil 3 x 2 Itália)

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Apesar de ter vaga lembrança da Copa de 1990, este foi o primeiro mundial que acompanhei de verdade. Lembro que assisti praticamente todas as partidas, me encantei com a Romênia de Hagi e a Bulgária de Stoitchkov, mas foi com o baixinho Romário que meu coração bateu acelerado. Romário e Baggio foram os responsáveis pela chegada de suas seleções à final, nesta que foi uma Copa fraca tecnicamente. E a final, infelizmente, foi muito prejudicada pelo forte calor, numa partida insanamente disputada ao meio-dia na Califórnia, somente para que o horário atendesse o interesse comercial. Como as duas equipes naturalmente já primavam pela defesa e o calor era insuportável, o zero a zero foi inevitável, apesar de algumas boas oportunidades para ambos os lados. Vale notar como a seleção jogava bem ao estilo Parreira, forte na defesa liderada pelo ótimo Aldair e mantendo a posse de bola o máximo que puder, o que fez com que Zinho, que era um meia criativo, ganhasse o apelido de “enceradeira”, pois seguia fielmente as ordens de Parreira e fazia o máximo para que o Brasil mantivesse a posse de bola, prendendo e tocando de lado. Já Romário, nas poucas vezes que pegou na bola, mostrou seu talento acima da média, partindo pra cima da excepcional defesa italiana liderada por Baresi (que estava desgastado e jogando no sacrifício) e Maldini. Roberto Baggio, por sua vez, nitidamente estava sem condições de jogo, se arrastando em campo. Na inesquecível e emocionante disputa de pênaltis, brilhou a estrela de Taffarel e no pênalti decisivo, a Copa mais uma vez vitimou um craque, como já tinha feito com Zico, Platini e tantos outros no passado. Baggio, o grande responsável pela chegada italiana a final, marcando cinco dos seis gols italianos na fase eliminatória, perdeu o pênalti e garantiu o tetra para o Brasil 24 anos depois do Tri. Festa brasileira, numa final sem grandes emoções com a bola rolando, mas marcante para a minha geração.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1998: FRANÇA 3 X 0 BRASIL

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A final de 98 entre Brasil e França foi marcada por polêmicas. A convulsão de Ronaldo antes da partida fez com que os brasileiros ignorassem o excelente futebol da seleção francesa e utilizassem o “fator Ronaldo” como desculpa para a derrota. Obviamente, Ronaldo fazia muita diferença naquela época e o impacto provocado no grupo foi enorme. Mas não devemos tirar o mérito da excelente seleção francesa. Com uma zaga sólida, liderada por Blanc (que não jogou a final), Desailly e Thuram, Deschamps no meio de campo dando segurança e o gênio Zidane nascendo para o mundo do futebol, ainda que não tivesse um grande atacante (Henry e Trezeguet eram reservas e explodiriam para o mundo pouco tempo depois), os franceses mostraram um futebol consistente, de posse de bola e mereceram a vitória. A partida foi equilibrada até o momento em que Zizou mostrou seu talento e decidiu a final com dois gols muito parecidos. Nascia um gênio, o maior jogador estrangeiro que vi jogar (não vi Maradona no auge). A campanha brasileira já dava sinais dos problemas da seleção, com derrota para a Noruega e classificações suadas contra a Dinamarca e a excelente Holanda de Bergkamp. Os franceses também sofreram, contra Paraguai e Itália principalmente, mas mostraram melhor futebol em toda Copa. Rever este jogo é a oportunidade que muitos brasileiros têm de reparar uma injustiça histórica. Problemas do Ronaldo à parte, a França mereceu o título.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 2002: BRASIL 2 X 0 ALEMANHA

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Ronaldo e Rivaldo foram os nomes da Copa na gloriosa conquista da seleção brasileira, dirigida com muita competência por Felipão. Numa Copa em que os grandes favoritos foram dando adeus de forma inesperada (França e Argentina, as melhores seleções da época, caíram na primeira fase, Itália e Espanha caíram diante de arbitragens suspeitas e a Holanda nem foi ao Mundial), o Brasil teve um único grande adversário antes da final: a Inglaterra de Beckham, que parou no bom futebol de Ronaldinho Gaúcho, na única partida memorável do astro com a camisa amarelinha. Mas na final, diante da sempre poderosa Alemanha (o único encontro entre as duas seleções em Copas), o Brasil não jogou tão bem, como ficou evidente nesta transmissão da ESPN. A Alemanha, inferior tecnicamente e sem o capitão e melhor jogador Ballack, dominou as ações e só não saiu na frente graças a mais uma excepcional atuação de São Marcos. Os torcedores brasileiros quase enfartaram quando, ainda com o jogo empatado, Neuville acertou um petardo numa cobrança de falta e Marcos se esticou todo para evitar o gol. Momentos depois, Rivaldo e Ronaldo decidiriam mais uma vez e o Brasil chegaria ao Penta com autoridade. Vale citar também a grande atuação de Kléberson, na época uma revelação. Numa Copa inferior tecnicamente à de 98, mas superior a de 2006, o Brasil brilhou novamente e trouxe o caneco.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 2006: ITÁLIA 1 X 1 FRANÇA (Nos pênaltis, Itália 5 x 3 França)

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

A Copa de 2006 teve grandes clássicos, mas poucos mostraram um futebol à altura das camisas que estavam em campo. Holanda e Portugal fizeram um jogo violentíssimo, Inglaterra e Portugal um jogo sem grandes emoções e França e Portugal também pouco mostraram. Salvaram-se os encontros entre Alemanha e Argentina, Brasil e França (muito pela espetacular atuação de Zidane) e principalmente, o épico Itália e Alemanha, disputado no templo de Dortmund e vencido nos segundos finais da prorrogação pelos italianos. A final foi um jogo disputadíssimo e com poucas chances de gol, ou seja, com a cara desta Copa. Zidane brilhou na cobrança de pênalti (que tranqüilidade!) e Cannavaro demonstrou sua liderança na defesa, como em toda a Copa. Zizou esteve perto decidir a partida numa cabeçada espetacular defendida por Buffon, mas o nome do jogo foi mesmo Materrazzi. Autor do gol de empate italiano, o zagueiro artilheiro foi também o responsável pelo final melancólico de carreira do último grande gênio do futebol. Zidane não agüentou as provocações do italiano e lhe deu uma cabeçada, sendo expulso e prejudicando seu país. Nos pênaltis, depois de derrotas histórias no passado, a Itália finalmente conseguiu vencer e garantiu o tetra, 24 anos depois do tri (exatamente como o Brasil fez em 94). Um título merecido, numa Copa muito mais bonita fora do que dentro do gramado.

E assim chegamos ao fim dos “Clássicos dos Mundiais”, excelente idéia dos canais ESPN que nos permitiu viajar no tempo e preparou o clima para a Copa 2010 de maneira formidável. Que a Copa da África do Sul nos brinde com novos clássicos!

Um grande abraço.

Texto publicado em 09 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

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2 Respostas to “Os Clássicos dos Mundiais – Parte 3”

  1. mauriciomarques Says:

    brasil e italia ,brasil e argentina ,brasil e alemanha,brasil e frança,italia e alemanha,alemanha e argentina,frança e argentina,italia e argentina,maiores classicos pela historia dos confrontos mundiais e historia de cada seleção.

    • Roberto Siqueira Says:

      Não entendi o que seu comentário tem a ver com o texto Mauricio, mas tudo bem.
      Às vezes as pessoas comentam sem ler…

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