CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ (1988)

(The Naked Gun: From the Files of Police Squad!)

3 Estrelas 

 

Videoteca do Beto #215

Dirigido por David Zucker.

Elenco: Leslie Nielsen, George Kennedy, Ricardo Montalban, Priscilla Presley, O.J. Simpson, Susan Beaubian, Nancy Marchand, Raye Birk, Ed Williams e ‘Weird Al’ Yankovic.

Roteiro: Jerry Zucker, Jim Abrahams, David Zucker e Pat Proft.

Produção: Robert K. Weiss.

Corra que a Polícia vem aí[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Apesar de não ter muita conexão com o restante da narrativa, a cena de abertura de “Corra que a Polícia vem aí” resume bem o que é o filme. Se por um lado funciona para gerações mais velhas ao satirizar líderes mundiais da época, por outro as pessoas mais jovens e que não conheçam as figuras ali representadas certamente não verão muita graça naquilo tudo (ainda que seja sempre interessante estudar a história e conhecer o passado, não é mesmo?). Este é o problema de sátiras muito focadas nos acontecimentos de sua época. Com o passar dos anos, elas ficam datadas. No entanto, mesmo deixando de lado estas piadas centradas nos acontecimentos dos anos 80, ainda temos outras muito divertidas que funcionam bem até hoje.

Escrito a oito mãos por Jerry Zucker, Jim Abrahams, David Zucker e Pat Proft (três deles roteiristas da série televisiva que inspirou o filme), “Corra que a Polícia vem aí” traz o atrapalhado detetive Frank Drebin (Leslie Nielsen) numa investigação sobre a tentativa de assassinar seu parceiro Nordberg (O.J. Simpson), que acaba levando-o a colidir com o magnata Vincent Ludwig (Ricardo Montalban) justamente durante a visita da Rainha Elizabeth II (Jeannette Charles) a cidade de Los Angeles.

Após a abertura em Beirut, somos transportados para uma Los Angeles ensolarada e alegre que contrasta bem com os ambientes sombrios percorridos pelo detetive durante a noite, numa composição visual do diretor de fotografia Robert Stevens que remete claramente aos filmes noir. A referência se torna ainda mais óbvia graças à divertida narração em off de Nielsen e a trilha sonora composta por Ira Newborn, que ajudam a construir o clima noir sem jamais perder de vista a atmosfera leve que uma comédia pede, numa mistura não tão simples de se conseguir como parece.

No entanto, mais importante que o visual é a criatividade dos roteiristas na concepção de piadas e gags interessantes, que se acumulam num ritmo agradável graças ao bom trabalho do montador Michael Jablow e a condução do diretor David Zucker. Apostando num humor baseado no exagero e no choque através do absurdo, Zucker demonstra habilidade para manter o interesse do espectador através de sequências como o incêndio na casa de Ludwig, que se apoia em outra cena ocorrida antes em que o proprietário da casa explica detalhadamente o valor de alguns objetos que obviamente serão destruídos pelo desajeitado detetive Drebin, ocasionando o incêndio e a fuga atrapalhada do protagonista.

Ambientes sombriosIncêndio na casa de LudwigLetreiros na tela

O humor baseado no exagero vem acompanhado de muitas piadas sobre o cotidiano dos policiais norte-americanos e referências à cultura pop da época, como numa sequência embalada pela música I’m into something good que termina com letreiros na tela exatamente como era feito nos videoclipes da MTV. Ao satirizar elementos populares da cultura norte-americana, “Corra que a Polícia vem aí” naturalmente cria conexão com grande parte da plateia, mas nada disso funcionaria tão bem não fosse o talento de Leslie Nielsen.

Já famoso pelo sucesso de “Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu!”, Nielsen novamente se mostra muito a vontade como protagonista de uma comédia de absurdos, compondo o detetive Drebin como um sujeito sério que não tem a menor noção do que ocorre ao seu redor e que sequer percebe as consequências de seus atos – algo que ele comprova toda vez que estaciona seu carro. Repare, por exemplo, a naturalidade com que ele se pronuncia no engraçado diálogo com a esposa de Nordberg no hospital, diminuindo as esperanças da moça sem piedade e, o que é pior, sem perceber que está fazendo isso. E justamente nesta falta de travas e até mesmo certa inocência que reside o sucesso do personagem.

Sujeito sérioEngraçado diálogoComida chinesa vencida

Particularmente, os momentos que mais me agradam são a piada com comida chinesa vencida na casa dele (a reação de Nielsen ao abrir a embalagem é hilária) e a sequência da partida de beisebol em que ele é o árbitro, na qual as reações exageradas de Nielsen arrancam boas gargalhadas.

Gerações mais novas podem não entender algumas piadas de “Corra que a Polícia vem aí”, mas ainda assim a capacidade de envolver o espectador e de lhe proporcionar diversão está mantida. Ou seja, o longa estrelado por Leslie Nielsen pode até já estar datado, mas ainda continua muito divertido.

Corra que a Polícia vem aí foto 2Texto publicado em 12 de Janeiro de 2016 por Roberto Siqueira

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Uma resposta to “CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ (1988)”

  1. heleno Says:

    Infelizmente essa fórmula de fazer comédia parece que foi se perdendo com o tempo e hoje somos obrigados a aturar os filmes idiotas do Adam Sandler.Talento para humor se perdeu com o tempo.E o politicamente incorreto que permeia essa obra querida infelizmente não tem mais vez nos novos tempos.Muito menos os atuais representantes do gênero possuem o carisma do inesquecível Nielsen.

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