Archive for the ‘Músicas’ Category

Álbuns da minha vida: 3# …And Justice for All (Metallica)

19 setembro, 2012

Durante boa parte da minha infância, criei uma imagem estereotipada das bandas de heavy metal e de seus fãs bem próxima daquilo que muitas pessoas ainda pensam nos dias de hoje. Expressões como “é só barulho” ou “um bando de drogados que só balança a cabeça” eram comuns. Até que entrei na Escola Técnica Estadual Lauro Gomes, em São Bernardo do Campo, e conheci o mundo dos metaleiros. E me apaixonei. É verdade que me limitei a bandas mais tradicionais como o Iron Maiden, Black Sabbath, AC/DC e o próprio Metallica, por exemplo, mas garanto que já valeu a viagem. Além de conhecer músicas que curto até hoje, pude comprovar o tamanho do preconceito que eu carregava, já que os fãs de metal que conheci não poderiam ser pessoas mais legais, o que me fez enxergar o quão errado é rotular alguém. Encontrei nelas algo bem distante daquilo que imaginava, criei fortes amizades com pessoas divertidas e humanas, que, tirando o gosto musical, nada têm de diferente daquelas que gostam de MPB, samba ou música eletrônica. Elas simplesmente amam o heavy metal.

Musicalmente, meus preconceitos estavam tão errados quanto as minhas impressões sobre os metaleiros. E basta ouvir qualquer álbum do Metallica (até mesmo o apedrejado “Load”) para notar a qualidade do trabalho da banda de San Francisco. Pode parecer exagero até, mas enxergo até mesmo forte influencia da musica clássica no trabalho deles – e o álbum Mettalica S&M, com a Orquestra Sinfônica de San Francisco, só amplia esta impressão. Tenho certeza de que, se fossem vivos, Mozart e Beethoven aprovariam a perfeição das composições do Metallica.

Por isso, posso considerar o Metallica uma banda muito importante em minha vida. Gosto de todos os álbuns da banda, mas tenho um carinho muito especial pelos cinco primeiros. E entre eles, meu favorito é “…And Justice for All”. Existe ainda um componente emocional nesta escolha. Este álbum me faz recordar das tardes que eu passava jogando Elifoot com meus grandes amigos escutando este álbum seguidas vezes. Bons tempos.

Análise do álbum:

Se a temática sombria repleta de ódio e criticas ao sistema, a guerra e a privação da liberdade sempre esteve presente na discografia da banda, em “…And Justice for All” o peso é ainda maior. Certamente influenciados pela morte do espetacular baixista Cliff Burton, substituído por Jason Newsted, James Hetfield e companhia pegaram pesado, tanto nas letras quanto na estrutura complexa das músicas, caracterizadas pela longa duração e pelo perfeccionismo na composição das melodias. O resultado é um álbum com o mais puro heavy metal, com sua atmosfera pesada e a notável técnica dos integrantes da banda, perceptível em todas as canções. Cinco estrelas, sem dúvida.

Análise das músicas (Para ouvir a música, basta clicar no nome):

1 – Blackened: O som das guitarras sobe lentamente até ser interrompido pela batida seca de Lars Ulrich, iniciando o ritmo alucinante deste clássico absoluto. O riff inconfundível de Kirk Hammett e o refrão poderoso, ainda mais marcante na voz de Hetfield, nos levam ao melhor trecho da música (“Opposition… Contradiction… Premonition”), seguido pelo solo de Hammett que praticamente encerra esta maravilha do metal.

2 – And Justice for All: A perfeição da melodia que abre a canção e a lógica impecável de toda a composição instrumental reforçam a influência da música clássica sobre o Metallica (eu juro que imagino Mozart regendo esta canção). Questionando o senso de justiça e o excesso de poder, os gritos revoltados de Hetfield são acompanhados pelo ritmo marcante do restante da banda por toda a longa canção. A justiça está feita.

3 – Eye Of The Beholder: Novamente o volume sobe lentamente e apresenta o poderoso riff até ser interrompido pela pergunta de Hetfield “Do you see what I see?” e retornar ao ritmo original, mudando radicalmente no empolgante refrão “Independence limited, Freedom of choice…”. Um delicioso solo de guitarra complementa a canção.

4 – One: Clássico indiscutível e minha música favorita da banda, “One” é mais do que um protesto contra a guerra. É um momento inspirado e genial do Metallica, onde cada nota parece no lugar certo. O som dos tiros e do helicóptero nos leva ao início melancólico, seguido pelo show de Ulrich, que varia com destreza as batidas secas na bateria, e pelo canto melódico de Hetfield que desemboca no espetacular final, cheio de energia e raiva, como todo bom heavy metal deve ser. O solo inacreditável de Hammett encerra a obra-prima do álbum.

5 – The Shortest Straw: Outra pancada que já começa em ritmo alucinante, sempre contando com o perfeito entrosamento da banda. Com frases rápidas, Hetfield caminha até o refrão mais lento, mas ainda assim potente. Outro excelente solo de Hammett completa a música.

6 – Harvester Of Sorrow: O inicio solene confere peso à música, reforçado pelo coro ao fundo e pelo riff poderoso. Uma leve mudança no ritmo traz a voz marcante e furiosa de Hetfield, que acompanha a melodia até o ótimo refrão. Desta vez, o solo é mais lento, mas confirma o talento de Hammett, enquanto o peso da dupla Hammett e Newsted garante a base perfeita.

7 – The Frayed Ends Of Sanity: A marcha inicial dá lugar ao peso das guitarras e o ritmo alterna com frequência até o refrão. Entretanto, é o solo de Hammett que se destaca no meio da canção.

8 – To Live Is To Die: Os belos acordes iniciais são interrompidos pela batida constante da bateria que inicia a sensacional música instrumental do álbum. O talento musical da banda fica ainda mais evidente, numa composição empolgante, recheada por solos e alternâncias de ritmo marcantes. Meu trecho favorito começa aos 4:30min e se estende até o final. A música ainda traz frases de Cliff Burton, numa bela homenagem ao excepcional baixista morto dois anos antes.

9 – Dyers Eve: Um torpedo do inicio ao fim. O ritmo frenético de toda a banda (incluindo os malabarismos de Hammett na guitarra) é acompanhado pela voz de Hetfield na música mais curta do álbum, que fecha muito bem o ótimo “…And Justice for All”.

Sombrio e pesado, “…And Justice for All” carrega em cada nota musical a marca dos grandes álbuns da história do heavy metal. E ainda deu ao mundo clássicos absolutos como “One” e “Blackened”. E pensar que antes dele o Metallica já tinha lançado os magníficos álbuns “Kill ‘Em All”, “Ride the Lightning” e “Master os Puppets”; e dois anos depois lançaria o ótimo “Metallica”, mais conhecido como “Black Album”. Não precisava tanto, mas para os amantes do metal, esta discografia até parece um presente dos céus (ou seria do inferno?). Brincadeiras a parte, Ludwig estaria orgulhoso. Se a justiça está perdida, a boa música está salva.

Um abraço.

Texto publicado em 19 de Setembro de 2012 por Roberto Siqueira

Californication

6 outubro, 2011

Pra encerrar o assunto Rock in Rio 2011, a balada que marcou as novas gerações de fãs dos Peppers:

Vídeo publicado por Roberto Siqueira em 06 de Outubro de 2011

Otherside

3 outubro, 2011

Video publicado por Roberto Siqueira em 03 de Outubro de 2011

Under the Bridge

29 setembro, 2011

Após o delicioso show dos Chili Peppers, resolvi dar uma lida nas matérias sobre o Rock in Rio. Li muitas matérias elogiando a performance da banda californiana e também o show histórico do Metallica no domingo. De fato, o Metallica provou sua competência num show memorável. Na verdade, somente um portal não elogiou o show de sábado, enquanto revistas especializadas como a “Rolling Stone” aprovaram o espetáculo. Este portal criticou o fato dos Chili Peppers tocarem músicas novas no show. Ora bolas, os caras estão na ativa e, mesmo com 28 anos de carreira e uma discografia respeitável, continuam produzindo boas músicas, portanto, é natural que queiram divulgar seu novo trabalho na turnê que se inicia. Por outro lado, era de se esperar que o público não cantasse as músicas novas (lançadas há apenas um mês) com a mesma empolgação que canta os clássicos da banda, mas ainda assim muita gente (incluindo este que vos escreve) já sabia as novas músicas e cantou junto, o que só comprova a força que eles têm. E tenho certeza de que muitas delas serão hits nos próximos meses, especialmente “Factory of Faith” e “Did I let you know”, para mim as duas melhores do novo álbum “I’m with you”.

Se o novo álbum não pode ser comparado a relíquias como “Blood Sugar Sex Magik”, “Mother’s Milk” ou “Californication”, tem canções agradáveis suficientes para justificar a continuidade da banda. E só reforça a capacidade que eles têm de se renovar, superando mais uma vez a saída do excepcional John Frusciante. Além disso, ver o Red Hot ao vivo é uma experiência marcante, pela energia que a banda demonstra no palco, além do enorme talento musical. Flea (que tem uma rápida participação no clássico “De Volta para o Futuro 2”) é um baixista espetacular e vê-lo tocando ao vivo é incrível, assim como Chad impressiona comandando a bateria com muita competência. Já o novo guitarrista Josh não comprometeu, ainda que não tenha o talento de Frusciante. A banda acertou ainda na escolha do setlist, que agradou aos fãs mais antigos (como eu) com clássicos como “Higher Ground”, “Blood Sugar Sex Magik” e “Me and My Friends”, mas também agradou as novas gerações com sucessos dos álbuns mais recentes (que eu curto bastante, diga-se de passagem) “Californication”, “By the Way” e “Stadium Arcadium”. E, obviamente, não poderiam faltar às músicas que unem gerações “Under the Bridge” e “Give it Away”.

Sobre o evento, também li muita informação incorreta nas matérias (como nomes errados de músicas e integrantes das bandas), algo preocupante especialmente vindo de jornalistas que trabalham apenas com música. E o que dizer então da transmissão ao vivo que conseguiu errar o nome de muitas músicas do Metallica, chamando, por exemplo, “Master of Puppets” de “Puppetz”, numa falta de respeito incrível com a lendária banda do heavy metal.

Deixando de lado o que li e voltando a falar do que vivi, curti demais o show e todo o evento, que, aliás, é bem organizado e com uma atmosfera muito agradável. Certamente, eu gostaria de voltar nas edições futuras. Li relatos de assaltos, mas este não é um problema do evento e sim uma questão social do nosso país que está longe de ser solucionada. Dentro da cidade do rock, é notável o respeito ao próximo, o clima ameno e a alegria que predomina nas pessoas. Provavelmente aconteceram situações que desmentem o que estou afirmando, mas pelo menos por onde andei com a Dri o ambiente estava muito agradável e as pessoas sempre muito tranqüilas.

Sobre a programação dos shows, eu sinceramente não me importo com a mistura de ritmos do Rock in Rio. Desde que cada “tribo” tenha o seu dia, não vejo nada de errado nisto. O Rock in Rio se transformou numa celebração da música e não apenas uma celebração do rock. E parece que a maioria do público entendeu isto, demonstrando mais tolerância nesta edição que nas anteriores. E é curioso que a tolerância venha justamente daqueles que são rotulados de maneira geral como “drogados e baderneiros” – uma injustiça, diga-se de passagem. Chega a ser irônico que os roqueiros demonstrem mais tolerância ao próximo que os religiosos, que cercaram a cidade do rock com faixas dizendo “Por um mundo melhor? Só Jesus”. Achei esta atitude completamente desnecessária, apenas provocando ainda mais aversão à religião. Porque só a religião pode querer mudar o mundo? Lamentável.

Finalmente, posso afirmar que curti cada acorde do show dos Chili Peppers, que realmente mudaram ao longo da carreira e hoje parecem mais tranqüilos. Até mesmo a presença de palco de Anthony Kiedis parece ter menos força, mas ainda assim a essência da mistura entre funk e rock continua lá e a qualidade de suas músicas garante um show impecável. E o Flea, bem, é sempre o Flea… Sensacional!

Abaixo vocês podem acompanhar um trecho que gravei de “Under the Bridge”, o hino dos Chili Peppers que, registre-se, estão livres das drogas há mais de uma década. Só consegui gravar três trechos de música, até porque eu não queria perder um segundo sequer do show e somente nas baladas eu conseguia me lembrar de registrar algo. Na verdade, prefiro guardar as lembranças na memória e não deixar de experimentar aquela experiência ao vivo para olhar através da câmera do celular. Mas vale o pequeno registro (desculpe a péssima qualidade de som e imagem, que nem se compara ao potente som que ecoou na Cidade do Rock ao vivo):

Uma noite inesquecível, ao lado da pessoa que amo. Como foi bom voltar a me sentir como um adolescente, ouvindo boa música ao vivo, por vezes debaixo de chuva, mas sempre me divertindo com minha eterna namorada.

Viva o rock! E viva a música!

Texto publicado em 29 de Setembro de 2011 por Roberto Siqueira

Rock in Rio

27 setembro, 2011

Nas últimas semanas, diminui consideravelmente o ritmo de divulgação de críticas e o número de filmes assistidos. Não, eu não estou perdendo o amor pela sétima arte e muito menos pela escrita. Mas, ansioso como sou, eu simplesmente não consegui me concentrar em quase nada nos últimos dias, graças a algo inédito em minha vida. E ainda que não sirva como desculpa, a explicação para minha falta de inspiração é bem simples: pela primeira vez ganhei algo nestes concursos/promoções promovidos por empresas em grandes festivais e não consegui conter a empolgação.

Acontece que fui um dos vencedores do Vestibular do Rock promovido pela Volkswagen e, graças à minha incorrigível ansiedade, não consegui pensar em mais nada a não ser no Rock in Rio e na chegada dos meus ingressos (algo que, como devem imaginar, se tornou ainda mais sofrível após a greve dos correios, que prolongou em longos sete dias a entrega dos meus ingressos). Sendo assim, por mais que eu tentasse, não conseguia parar de pensar na possibilidade de ficar sem meu par de ingressos, conquistado com muito suor (e conhecimento musical). Passei dias tentando contato com os correios e a VW, até que finalmente minha situação foi resolvida.

Sim, o sofrimento chegou ao fim e, aliviado, eu pude comemorar. Estive no show do Red Hot Chili Peppers no último sábado e agora, de alma lavada, podem ter certeza que voltarei ao ritmo normal e as críticas ressurgirão com força total. Já tenho uma semana especial preparada e estou assistindo aos filmes de 1995 para dar continuidade na Videoteca. É que, como vocês sabem, sou fã incondicional da banda californiana e a possibilidade de assistir um show deles novamente após nove anos me deixou em êxtase (além disso, conhecer uma das cidades mais belas do mundo é motivo pra empolgar qualquer um). E o melhor é que cada minuto desta jornada valeu a pena, pois os Peppers continuam sensacionais e fizeram um grande show!

Abaixo, a razão da minha falta de inspiração (ou seria motivação?) nos últimos dias.

Dito isto, só posso pedir desculpas ao leitor e dizer que voltarei com as energias recarregadas.

Um abraço e até breve!

PS: Uma menção mais que especial à minha esposa que me agüentou durante a última semana, com toda minha paranóia conspiratória, e que curtiu cada momento do show ao meu lado, numa noite memorável. Outra menção especial à Amanda, que me indicou o site do Vestibular. E finalmente, uma menção especial à Volkswagen, que evitou que os vencedores ficassem de mãos abanando após a greve dos correios. Se dependesse dos correios, eu teria um enorme prejuízo financeiro (a reserva do hotel já estava feita e paga) e cultural (perderia um evento que sonho em ir desde criança).

Texto publicado em 27 de Setembro de 2011 por Roberto Siqueira

Álbuns da minha vida: 2# Appetite for Destruction (Guns n’ Roses)

20 abril, 2010

Goste ou não de Axl Rose e sua turma, uma coisa é certa. A banda que explodiu como um meteoro no final dos anos oitenta deixou sua marca. E o melhor, com a mais pura cara do rock n’ roll. Extremamente talentosos, mas também perigosos e envolvidos em polêmicas até não poder mais, o Guns n’ Roses tinha todo o pedigree das grandes bandas de rock quando surgiu para o mundo. Um som maravilhoso, com o espetacular Slash na guitarra, o vocal agudo e vibrante de Axl Rose e um trio de bons músicos completando a banda (Izzy na guitarra, Duff no baixo e Steven Adler na bateria). O som do Guns era claramente inspirado nos Rolling Stones, Led Zepellin e Aerosmith, mas tinha uma cara renovada, uma injeção de energia incrível. Ainda mais numa época em que bandas deste tipo eram raridades. O “bom mocismo” era moda (e garantia boas músicas também, por que não?). Até que surgiu o Guns, com seu visual sujo, fama de bad guys e o principal, muita qualidade musical. E toda esta qualidade musical pode ser notada em sua mais perfeita harmonia neste álbum de estréia, que se tornou um clássico recente do Rock n’ Roll. Mas o Guns n’ Roses tinha também uma capacidade de causar polêmica proporcional ao seu talento e saiu deixando marcas por onde passava, chegando a provocar uma verdadeira guerra em St. Louis ao parar um show no meio e se retirar do palco. Deixando de lado o politicamente correto, podemos dizer que esta foi a última banda que viveu o lema do rock n’ roll na acepção da palavra: Sexo, drogas e rock n’ roll. E deixou saudades…

Quanto à importância em minha vida, o Guns sempre teve um sabor de “banda proibida”, talvez por toda polêmica da época em que estava no auge. Ainda muito jovem, eu adorava ouvir as músicas e ver os clipes da banda, até mesmo na fase não tão gloriosa musicalmente dos “Use your Illusion”. Representa, portanto, um grito espremido de liberdade, que viria desentalar de vez da minha garganta no já citado (e analisado) Blood Sugar Sex Magik, dos Chilli Peppers.

Análise do álbum:

O apetite por destruição da banda de Axl Rose e Slash fica ainda mais evidente quando ouvimos as excelentes músicas deste álbum de estréia. Praticamente inteiro composto por músicas agitadas e com um ar de garagem, o álbum não abre espaço para as baladas que marcariam a banda mais tarde, como Patience, Don’t Cry e November Rain. É uma pancada atrás da outra, com Axl detonando nos vocais e Slash mostrando todo seu talento na guitarra. Além disso, as letras quase sempre falam da vida selvagem no submundo de Los Angeles, sempre recheadas por um linguajar despojado, repleto de palavrões e alusões às drogas, álcool e sexo. Ao final da última música, a vontade é de começar a ouvir tudo de novo. Com certeza, um álbum 5 estrelas.

Análise das músicas (Para ouvir a música, basta clicar no nome):

1 – Welcome to the Jungle: Os primeiros acordes de Welcome to the Jungle são reconhecidos até mesmo por aqueles que não curtem a banda. Nos shows, quando Axl gritava “Do you know where the f* you are?” a galera delirava. E delirava porque a música é sensacional, com uma pegada incrível de Duff no baixo, acompanhada do talento de Izzy e, principalmente, Slash na guitarra. Obviamente, Axl detona com sua voz aguda e o inconfundível refrão nananana knees, knees! A letra fala basicamente da chegada de Axl à grande Los Angeles (ou à selva de pedra), onde logo de cara lhe oferecem drogas e sexo.

2 – It’s so Easy: Os acordes iniciais do baixo de Duff, seguidos pelas guitarras de Slash e Izzy iniciam esta ótima música, onde é possível notar uma das características marcantes do excelente Axl Rose: a oscilação no tom de voz. Axl inicia a música com uma voz grave e vai gradativamente alterando o tom para o agudo que marcou sua carreira.

3 – Nightrain: Outra música que inicia com um riff marcante de Slash e Izzy e é seguida por um ritmo forte de Duff e Adler, enquanto Axl canta sobre o trem noturno, uma metáfora para seu estado alucinado durante a noite, “carregado como um trem de carga”. No refrão, o grito agudo volta com força total e ainda temos um belo solo de Slash no meio da canção.

4 – Out ta Get Me: Pancada com um refrão em alto e bom som, tem um ritmo empolgante e os tradicionais back vocals durante toda a música. A voz estridente de Axl está em plena forma e Slash manda outro solo maravilhoso já próximo do final.

5 – Mr. Brownstone: Metáfora escancarada sobre o uso de drogas, a música tem um ritmo dançante, mas não foge às características da banda, com Slash demonstrando todo seu talento enquanto a bateria e o baixo formam a base sólida da canção. A letra diz que “eu costumava fazer um pouco, mas o pouco não daria, então o pouco virou mais e mais…”

6 – Paradise City: Clássico absoluto do rock n’ roll, se inicia de forma lenta e com o refrão sendo repetido até que um apito anuncie a mudança drástica no ritmo da música. A partir daí, o festival de acordes rápidos do trio Slash, Duff e Izzy e as batidas secas de Adler na bateria se misturam à voz de Axl, que canta em enorme velocidade sobre a cidade paraíso, onde as garotas são lindas e a grama é verde.

7 – My Michelle: Os acordes dedilhados do inicio dão lugar ao poderoso riff de Slash, seguido pela voz marcante e aguda de Axl, que canta sobre uma ex-namorada. O refrão é delicioso.

8 – Think About You: Nem mesmo esta que tinha tudo para ser uma balada escapa do ritmo alucinado do excelente álbum. Axl até canta o refrão de forma mais melódica, a letra é romântica, mas a pegada da banda continua firme durante toda a música.

9 – Sweet Child O´Mine: Talvez a música que mais se aproxime de uma balada no álbum, se inicia com um dos riffs mais famosos do rock. Slash demonstra seu talento em toda a canção, enquanto Axl canta sobre sua doce garota. Uma das melhores músicas do álbum, tem uma harmonia perfeita entre todos os instrumentos e conta com um solo belíssimo de Slash.

10 – You’re Crazy: Outra pancada preenchida pelos gritos estridentes de Axl, conta com uma performance inspirada de Slash no solo e o ritmo frenético de Duff, Izzy e Adler em todo o tempo.

11 – Anything Goes: Com um ritmo mais dançante, esta música conta com outro riff marcante de Slash e mais um refrão empolgante. Axl canta sobre uma noite de sexo em que tudo está valendo.

12 – Rocket Queen: A perfeita harmonia da banda se destaca nesta ótima canção, com um refrão mais lento, um excelente solo de Slash e o final melódico, que destoa um pouco do restante do álbum e, justamente por isso, encerra perfeitamente este grande “Appetite for Destruction”. Diz a lenda que os gemidos que podemos ouvir durante a música são da ex-namorada de Steven Adler, chamada Adriana Smith, que teria transado com Axl Rose no estúdio e autorizado a gravação.

Álbum de estréia mais vendido da história da música, “Appetite for Destruction” é o auge da última banda de rock que verdadeiramente dominou o planeta música. Depois do fenômeno Guns, nunca mais o Rock n’ Roll teve uma banda no topo, como nos tempos de Beatles, Rolling Stones, entre outros. De certa forma, é até mesmo um pouco melancólico perceber que o início dos anos noventa marcou um momento maravilhoso para o rock, com Guns, Chili Peppers, popularização do Iron Maiden e Metallica, o movimento grunge liderado pelo Nirvana, entre outras bandas em pleno sucesso, mas marcou também os últimos suspiros dos tempos em que o rock tinha qualidade (como algumas bandas de hoje têm), mas tinha também atitude (algo raro hoje em dia).

Um abraço.

Texto publicado em 20 de Abril de 2010 por Roberto Siqueira

Álbuns da minha vida: 1# Blood Sugar Sex Magik (Red Hot Chili Peppers)

22 novembro, 2009

Sempre fui uma pessoa feliz. Enfrentei problemas, é verdade, mas sempre busquei olhar para o lado bom da vida e curtir cada dia como se fosse o último da minha passagem pela terra. Mas aconteceu que, em certa época da minha adolescência, os sonhos e as ilusões estavam se tornando algo escasso. A época dourada da escola estava acabando, a vida profissional se iniciava e eu não tinha nenhuma certeza de que aquele era o caminho que eu gostaria de seguir (eu trabalhava na área de informática na época). Eu estava seriamente ameaçado de entrar em depressão e não conseguia encontrar motivação pra sair desta situação. Saia com os amigos, tentava me divertir, mas faltava algo. Gostava muito de ouvir músicas pop e até um pouco de rock nacional, mas aquilo não era o que eu realmente necessitava.

Então, numa certa tarde de sábado minha vida mudou. Não me lembro exatamente o programa da MTV, mas acho que era algum especial com o Raimundos onde o Rodolfo dizia que o clipe que marcou os anos 90 pra ele era “Give it Away”. Ao ouvir aquela música, que eu já conhecia, mas não tinha parado ainda para realmente apreciar, percebi o que faltava pra mim. A energia dela (e da banda) me contagiou. A partir de então, os Red Hot Chili Peppers fizeram parte das minhas manhãs alegres de sábado, quando eu acordava depois da balada da sexta e colocava o som no máximo enquanto tomava banho e me arrumava para o resto do dia. E entre todos os álbuns da banda californiana (a minha banda preferida), o Blood Sugar Sex Magik é o meu favorito.

Em 2002 tive o imenso prazer de ir ao show deles no Pacaembu, em São Paulo, e valeu cada minuto. E até hoje os Peppers estão presentes no meu dia-a-dia. Em minha festa de casamento, escolhi a nova e bela “Snow (Hey Oh)” para entrar na festa e “Scar Tissue” para tocar enquanto passava a tradicional apresentação de fotos desde a infância. Durante a festa, não poderiam faltar “Give it Away” e “Suck my Kiss”. E sempre que algum tipo de tristeza se abate em mim, basta colocar alguma música dos Peppers pra tocar que eu começo a me revigorar. Esta é a magia da música, este belo dom que ela tem de nos reanimar e estar presente em diversos momentos de nossas vidas.

Análise do álbum:

Tecnicamente, os Chili Peppers sempre foram absolutamente perfeitos. Flea é certamente um dos maiores baixistas que já existiram e John Frusciante, quando está inspirado, consegue realizar trabalhos fantásticos. Em “Blood Sugar Sex Magik” ele estava no auge da inspiração. Chad Smith tem uma batida seca que se encaixa perfeitamente com o som divertido da banda e Anthony Kieds tem uma energia incrível para conduzir o grupo, além de sua voz anasalada inconfundível.

Rick Rubin teve a felicidade de ter os quatro integrantes do grupo no melhor momento de suas carreiras (que até hoje é bem sucedida) e conseguiu produzir um álbum praticamente perfeito. É um dos raros exemplos de álbum que eu consigo escutar todas as faixas sem pular nenhuma música. Nota 10 (ou 5 estrelas obra-prima, pra ficar mais com a cara do Cinema & Debate ;)).

 

Análise das músicas (Para ouvir a música, basta clicar no nome):

1 – The power of equality: palavras rápidas e agressivas, batidas secas, o baixo galopando e a guitarra repetindo o riff, até chegar ao refrão, mais lento nas palavras e mais rápido no som. De cara percebe-se a energia do álbum. Uma das minhas favoritas.

2 – If you have to ask: o riff inicial da guitarra de Frusciante tem um ritmo contagiante. Quando a voz de Kieds entra, a música ganha ainda mais força e caminha parecida com um rap até o engraçado refrão. Tem ainda um belo solo de Frusciante que encerra perfeitamente a música.

3 – Breaking the girl: o embalo delicioso do inicio segue até o fim, acompanhado da voz firme de Kieds e dos back vocals no refrão. Destaque para o belo contraste provocado pela batida seca de Smith e para a bela quebra de ritmo provocada na parte instrumental da música.

4 – Funky monks: o delicioso riff inicial se repete durante toda a música, mudando apenas no refrão, mais lento e com back vocals. Um belo solo de guitarra preenche o meio da canção e o final instrumental é maravilhoso.

5 – Suck my Kiss: o riff poderoso que inicia a música é capaz de tirar qualquer um do chão e o maravilhoso refrão completa esta que é uma das melhores músicas do álbum, e conseqüentemente, dos Peppers.

6 – I could have lied: a balada perfeita para uma pausa no agitado álbum, tem uma bela letra e uma ótima interpretação de Kieds.

07 – Mellowship slinky In B major: mais uma demonstração da enorme capacidade instrumental da banda, fica ainda melhor quando Kieds começa a destilar sua voz anasalada. Próximo ao refrão, os back vocals dão um toque especial à música, que tem um balanço delicioso. A velocidade das palavras, marca da banda, aparece com força nesta música.

08 – The righteous and the wicked: aqui o ritmo é inverso, após um solo de Frusciante, Kieds entra com o vocal lento e ritmado até chegar ao refrão, um pouco mais rápido e forte, sempre com a guitarra ao fundo e a perfeita harmonia entre o baixo de Flea e a bateria de Smith. Aqui também temos um bom solo de guitarra.

09 – Give it away: a energia desta música é inacreditável e o refrão demonstra a qualidade de Kieds como vocalista. Flea voa no baixo com um riff maravilhoso. A melhor música da banda.

10 – Blood Sugar Sex Magik: a tradicional estrutura da música de rock aparece aqui, com inicio mais lento e baixo e refrão forte e alto. O tema preferido da banda é a inspiração da letra, o sexo.

11 – Under the bridge: A balada favorita de muitos que sequer curtem o som dos Peppers, reflete um momento sério da vida de Kieds, carrega no tom melódico e abusa da habilidade de John e Flea. Uma bela canção, com uma letra igualmente maravilhosa.

12 – Naked in the rain: agressiva desde o começo, tem um ritmo contagiante e um refrão que pega fácil. Chad Smith manda muito bem na bateria e Flea, mais uma vez, detona no baixo. O bom solo de Frusciante encerra a música.

13 – Apache rose peacock: “Oh good brother just when I tought that I had seen it all, my eyes popped out, my dick got hard and I dropped my jaw, I saw a bird walkin’ down the block, name Apache Rose Peacock, I could not speak I was in shock, I told my knees to please not knock”. Este trecho, absolutamente divertido e delicioso de cantar, é um exemplo da criatividade dos Peppers, que fica melhor ainda ouvindo a batida e o ritmo da música. Maravilhoso.

14 – The greeting song: outra que começa cheia de energia e segue neste ritmo até o final. Kieds manda bem novamente no vocal, e o galope de Flea no baixo é contagiante. Os deliciosos back vocals aparecem novamente antes do ótimo refrão.

15 – My lovely man: rápida no inicio, segue com o ritmo acelerado do trio guitarra, baixo e bateria até o refrão mais dançante, principalmente devido ao toque especial da guitarra de Frusciante, que também faz um empolgante solo no meio da música.

16 – Sir psycho sexy: retrato do tema preferido da banda, a música descreve em detalhes o comportamento de um viciado em sexo. O ritmo lento é muito bem balanceado com as batidas fortes de Smith e o baixo pesado de Flea.

17 – They’re Red Hot: extremamente rápida, remete aos tempos em que os Peppers faziam canções curtas e que exploravam ao máximo a habilidade de Kieds em pronunciar muitas palavras em um curto espaço de tempo. Diverte.

Como se não bastasse, os Peppers produziram ainda uma infinidade de músicas que eu adoro, antes e depois de Blood Sugar, mas este é com certeza o marco da carreira deles. E é também um marco em minha vida.

Um abraço.

 

Texto publicado em 22 de Novembro de 2009 por Roberto Siqueira

Categoria Músicas

1 outubro, 2009

Em meu primeiro post no Cinema & Debate, chamado “A Sétima Arte” (que também é uma página, basta clicar à direita para acessar), comentei sobre o meu gosto musical eclético. Hoje crio no blog uma categoria exclusiva para músicas. E meu primeiro trabalho nesta categoria será comentar os álbuns da minha vida. Ficará evidente que meu gosto não é tão eclético assim, pois o bom e velho rock n’ roll predomina a lista, mas vale reforçar que eu gosto sim de outros estilos e vou comentar sobre eles também. Acontece que o rock realmente marcou boa parte da minha vida e é normal que predomine uma lista deste tipo. Segue abaixo a lista dos 20 álbuns, em ordem de importância:

1 – Blood Sugar Sex Magik – Red Hot Chili Peppers

2 – Appetite for Destruction – Guns n’ Roses

3 – And Justice for All – Metallica

4 – P.u.l.s.e. – Pink Floyd

5 – The Best of Black Sabbath – Black Sabbath

6 – Rappa Mundi – O Rappa

7 – Millennium: Raul Seixas – Raul Seixas

8 – Young Lust: The Aerosmith Anthology – Aerosmith

9 – Live After Death – Iron Maiden

10 – Nevermind – Nirvana

11 – Cabeça Dinossauro – Titãs

12 – Thriller – Michael Jackson

13 – The Immaculate Collection – Madonna

14 – Live at Santa Barbara – Bob Marley (DVD)

15 – 30 1# Hits – Elvis Presley

16 – Sultans of Swing: The Very Best of Dire Straits – Dire Straits

17 – The Doors – The Doors

18 – The Best of 1980-1990 – U2

19 – Californication – Red Hot Chili Peppers

20 – Kill’em All – Metallica

Um abraço.

Red Hot Chili Peppers

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Texto publicado em 01 de Outubro de 2009 por Roberto Siqueira