Under the Bridge

Após o delicioso show dos Chili Peppers, resolvi dar uma lida nas matérias sobre o Rock in Rio. Li muitas matérias elogiando a performance da banda californiana e também o show histórico do Metallica no domingo. De fato, o Metallica provou sua competência num show memorável. Na verdade, somente um portal não elogiou o show de sábado, enquanto revistas especializadas como a “Rolling Stone” aprovaram o espetáculo. Este portal criticou o fato dos Chili Peppers tocarem músicas novas no show. Ora bolas, os caras estão na ativa e, mesmo com 28 anos de carreira e uma discografia respeitável, continuam produzindo boas músicas, portanto, é natural que queiram divulgar seu novo trabalho na turnê que se inicia. Por outro lado, era de se esperar que o público não cantasse as músicas novas (lançadas há apenas um mês) com a mesma empolgação que canta os clássicos da banda, mas ainda assim muita gente (incluindo este que vos escreve) já sabia as novas músicas e cantou junto, o que só comprova a força que eles têm. E tenho certeza de que muitas delas serão hits nos próximos meses, especialmente “Factory of Faith” e “Did I let you know”, para mim as duas melhores do novo álbum “I’m with you”.

Se o novo álbum não pode ser comparado a relíquias como “Blood Sugar Sex Magik”, “Mother’s Milk” ou “Californication”, tem canções agradáveis suficientes para justificar a continuidade da banda. E só reforça a capacidade que eles têm de se renovar, superando mais uma vez a saída do excepcional John Frusciante. Além disso, ver o Red Hot ao vivo é uma experiência marcante, pela energia que a banda demonstra no palco, além do enorme talento musical. Flea (que tem uma rápida participação no clássico “De Volta para o Futuro 2”) é um baixista espetacular e vê-lo tocando ao vivo é incrível, assim como Chad impressiona comandando a bateria com muita competência. Já o novo guitarrista Josh não comprometeu, ainda que não tenha o talento de Frusciante. A banda acertou ainda na escolha do setlist, que agradou aos fãs mais antigos (como eu) com clássicos como “Higher Ground”, “Blood Sugar Sex Magik” e “Me and My Friends”, mas também agradou as novas gerações com sucessos dos álbuns mais recentes (que eu curto bastante, diga-se de passagem) “Californication”, “By the Way” e “Stadium Arcadium”. E, obviamente, não poderiam faltar às músicas que unem gerações “Under the Bridge” e “Give it Away”.

Sobre o evento, também li muita informação incorreta nas matérias (como nomes errados de músicas e integrantes das bandas), algo preocupante especialmente vindo de jornalistas que trabalham apenas com música. E o que dizer então da transmissão ao vivo que conseguiu errar o nome de muitas músicas do Metallica, chamando, por exemplo, “Master of Puppets” de “Puppetz”, numa falta de respeito incrível com a lendária banda do heavy metal.

Deixando de lado o que li e voltando a falar do que vivi, curti demais o show e todo o evento, que, aliás, é bem organizado e com uma atmosfera muito agradável. Certamente, eu gostaria de voltar nas edições futuras. Li relatos de assaltos, mas este não é um problema do evento e sim uma questão social do nosso país que está longe de ser solucionada. Dentro da cidade do rock, é notável o respeito ao próximo, o clima ameno e a alegria que predomina nas pessoas. Provavelmente aconteceram situações que desmentem o que estou afirmando, mas pelo menos por onde andei com a Dri o ambiente estava muito agradável e as pessoas sempre muito tranqüilas.

Sobre a programação dos shows, eu sinceramente não me importo com a mistura de ritmos do Rock in Rio. Desde que cada “tribo” tenha o seu dia, não vejo nada de errado nisto. O Rock in Rio se transformou numa celebração da música e não apenas uma celebração do rock. E parece que a maioria do público entendeu isto, demonstrando mais tolerância nesta edição que nas anteriores. E é curioso que a tolerância venha justamente daqueles que são rotulados de maneira geral como “drogados e baderneiros” – uma injustiça, diga-se de passagem. Chega a ser irônico que os roqueiros demonstrem mais tolerância ao próximo que os religiosos, que cercaram a cidade do rock com faixas dizendo “Por um mundo melhor? Só Jesus”. Achei esta atitude completamente desnecessária, apenas provocando ainda mais aversão à religião. Porque só a religião pode querer mudar o mundo? Lamentável.

Finalmente, posso afirmar que curti cada acorde do show dos Chili Peppers, que realmente mudaram ao longo da carreira e hoje parecem mais tranqüilos. Até mesmo a presença de palco de Anthony Kiedis parece ter menos força, mas ainda assim a essência da mistura entre funk e rock continua lá e a qualidade de suas músicas garante um show impecável. E o Flea, bem, é sempre o Flea… Sensacional!

Abaixo vocês podem acompanhar um trecho que gravei de “Under the Bridge”, o hino dos Chili Peppers que, registre-se, estão livres das drogas há mais de uma década. Só consegui gravar três trechos de música, até porque eu não queria perder um segundo sequer do show e somente nas baladas eu conseguia me lembrar de registrar algo. Na verdade, prefiro guardar as lembranças na memória e não deixar de experimentar aquela experiência ao vivo para olhar através da câmera do celular. Mas vale o pequeno registro (desculpe a péssima qualidade de som e imagem, que nem se compara ao potente som que ecoou na Cidade do Rock ao vivo):

Uma noite inesquecível, ao lado da pessoa que amo. Como foi bom voltar a me sentir como um adolescente, ouvindo boa música ao vivo, por vezes debaixo de chuva, mas sempre me divertindo com minha eterna namorada.

Viva o rock! E viva a música!

Texto publicado em 29 de Setembro de 2011 por Roberto Siqueira

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6 Respostas to “Under the Bridge”

  1. Especial Rock n´Roll | Cinema & Debate Says:

    […] mais uma edição do Rock in Rio, sensacional festival do qual tive o prazer de participar ano passado, decidi prestar também a minha homenagem ao estilo musical que mais curto, […]

  2. Axel Says:

    Boa cara, curti seu artigo! sou Fãnzasso dos Red Hot. Gosto de mais do estilo deles. Os caras sao feras pois eles nao tem um ou dois sucessos, como muita banda meia-boca, tem um monte e as minha favoritas sao sem duvidas UNDER THE BRIGDE e SNOW. Apesar de eu gostar de praticamente todas as musicas deles :). Ainda nao tive a oportunidade de ir num show deles. Mais espero ir um dia. Com certeza esses caras vao entrar pra historia, acho q daqui a 50 anos ainda vou ouvir as musicas deles rs. flw

    • Roberto Siqueira Says:

      Que legal Axel, fico feliz que gostou do texto.
      Uma banda marcante e importante com certeza. Se puder ir no show deles, verá que é algo inesquecível.
      Abraço.

  3. Wemerson Luna Says:

    Nossa, belo artigo cara.
    RHCP é MITO! Apesar de não conheçer bem a historia da banda e td mais, mais curto muito.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Wemerson,
      Valeu pelo elogio. Sou fã dos Chili Peppers há muito tempo e curto muito o som dos caras também.
      Abraço.

  4. Under the Bridge « Cinema & Debate | Telecomunicações no Brasil Says:

    […] the article here: Under the Bridge « Cinema & Debate Tweet This Post Plurk This Post Buzz This Post Delicious Digg This Post Facebook MySpace […]

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