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007 PERMISSÃO PARA MATAR (1989)

2 junho, 2014

(Licence to Kill)

4 Estrelas 

Videoteca do Beto #206

Dirigido por John Glen.

Elenco: Timothy Dalton, Benicio Del Toro, Anthony Zerbe, Robert Davi, Frank McRae, Desmond Llewelyn, Robert Brown, Carey Lowell, Talisa Soto, David Hedison, Anthony Starke, Everett McGill, Pedro Armendáriz Jr., Priscilla Barnes e Caroline Bliss.

Roteiro: Michael G. Wilson e Richard Maibaum, baseado nos personagens criados por Ian Fleming.

Produção: Albert R. Broccoli e Michael G. Wilson.

007 Permissão para Matar[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Após resgatar o prestígio da franquia 007 com uma atuação bem mais próxima do que se espera de James Bond, Timothy Dalton teve sua segunda e última oportunidade de interpretar o agente britânico neste “007 Permissão para Matar” e, novamente, não decepcionou. Compreendendo perfeitamente a proposta mais realista da abordagem de John Glen, Dalton consolidou a recuperação da série com outra atuação firme e, o que é melhor, num filme envolvente e empolgante.

Escrito por Michael G. Wilson e Richard Maibaum a partir dos personagens criados por Ian Fleming, “007 Permissão para Matar” traz o agente James Bond (Timothy Dalton) numa missão independente de vingança pessoal contra um conhecido traficante de drogas (Robert Davi) que assassinou a esposa (Priscilla Barnes) de seu amigo Felix (David Hedison), contrariando as ordens do Serviço Secreto Britânico.

A abertura em ritmo frenético e com cenas de ação bem mais realistas que de costume estabelece muito cedo a proposta de John Glen em “007 Permissão para Matar”. Apostando numa atmosfera mais crível e no ritmo intenso da montagem de John Grover, a franquia tentava se adaptar ao cinema de ação realizado na época e, porque não, competir com os bem-sucedidos “macho movies” da era Stallone e Schwarzenegger, deixando definitivamente para trás a fase mais cômica e de auto-paródia da fase Roger Moore. Não que, para isto, Glen tenha retirado o charme e a elegância característicos do agente. James Bond continua lá, inteligente o bastante para farejar o perigo, incapaz de resistir ao charme feminino e ainda dono de um gosto refinado.

Mas o fato é que o realismo é notável, por exemplo, quando o diretor faz questão de nos mostrar as fortes imagens do ataque do tubarão ao agente Felix e, em seguida, a impactante imagem de sua esposa assassinada. Aliás, são raros os momentos em que esta abordagem verossímil falha, como por exemplo, na briga num bar em que os golpes desferidos parecem artificiais, numa das cenas em que chama a atenção a presença de Benicio Del Toro ainda muito jovem como o capanga Dario. Empregando bons movimentos de câmera, John Glen trabalha na construção de cenas mais tensas, como quando realça um guincho sendo retirado por Bond no primeiro plano e os pés de um guarda caminhando no segundo plano antes do confronto físico entre eles, incluindo ainda um leve travelling que destaca as enguias elétricas que serão essenciais na conclusão da cena.

Visualmente o longa também é interessante, com a fotografia de Alec Mills oscilando entre momentos de brilho intenso e cores vivas nas cenas a beira mar que exploram toda a beleza da Guatemala e instantes bem mais sombrios, especialmente no segundo ato com as cenas dentro do cassino de Sanchez e de sua negociação com os asiáticos na noite em que é atacado. Ainda entre os destaques da parte técnica, a sombria trilha sonora de Michael Kamen pontua os momentos de suspense, surgindo diversas vezes sem jamais abusar do famoso tema de 007, o que evita seu desgaste.

Impactante imagem de sua esposa assassinadaGuincho sendo retirado por BondNegociação com os asiáticosNo entanto, esta abordagem realista por si só não garante um bom filme e, felizmente, “007 Permissão para Matar” conta também com um bom roteiro que, nas mãos de Glen, torna a narrativa bastante envolvente. Utilizando um fundo político interessante através do interesse de governos de países da América Latina, dos EUA e da Inglaterra nos negócios de Sanchez, o roteiro mantém o espectador sempre atento com suas interessantes reviravoltas, como quando Sanchez pensa que Bond o salvou na noite do atentado e quando Bond pensa que a agente Pam (Carey Lowell) o traiu ao vê-la no local em que Sanchez negocia com os asiáticos. Além disso, mesmo num universo tradicionalmente unidimensional o roteiro consegue desenvolver bem seus personagens.

Observe, por exemplo, como a narrativa estabelece desde o início a importância de Sanchez, o bom vilão vivido por Robert Davi. Saindo da mesmice, as intenções de Sanchez soam plausíveis, ainda que condenáveis. Ele não quer dominar o mundo, quer “apenas” ser um traficante bilionário. Criando um vilão respeitável com sua postura simultaneamente elegante e firme diante de seus comandados, Davi se sai bem também na tradicional cena da conversa com Bond que, desta vez, traz um intrigante diálogo no primeiro encontro deles no cassino. Já as bondgirls vivem situações distintas em “007 Permissão para Matar”. Enquanto a inexpressiva Talisa Soto jamais cria empatia com Bond na pele de Lupe, Carey Lowell se sai bem nesta tarefa, obtendo sucesso também como a tradicional parceira feminina do agente britânico nas cenas de ação.

Novamente adotando uma postura séria e até mesmo agressiva, Timothy Dalton confirma ser um ator capaz de dar vida a James Bond, convencendo tanto na elegância quanto especialmente nas cenas que exigem esforço físico, soando ameaçador em diversos momentos de uma maneira que Moore raramente foi capaz de fazê-lo. Repare também como o ator demonstra o quanto Bond está devastado após a trágica morte de Della, a esposa de seu amigo assassinada pelos capangas de Sanchez. Determinado e agindo mais pela emoção do que pela razão, o Bond de Dalton chega a destoar um pouco do personagem tradicional, mas funciona muito bem justamente por trazer a energia que andava faltando para a franquia.

Importância de SanchezTradicional parceiraPostura séria e agressivaEsta energia é notável nas ótimas cenas de ação de “007 Permissão para Matar”, que surgem de maneira mais espaçada, porém sempre com eficiência, como quando Bond faz um avião de Jet Sky, sobe nele e joga o piloto no mar, numa sequência tão radical e absurda que o próprio roteiro faz piada com ela mais pra tarde ao trazer o capanga Krest (Anthony Zerbe) contando o que aconteceu para Sanchez e todos reagindo com desdém de sua versão do ocorrido. Existem também os momentos em que os inimigos tomam decisões convenientemente equivocadas, como quando um mergulhador corta o tubo de oxigênio de Bond embaixo d´água ao invés de cortar o próprio agente, mas podemos perdoar estes pequenos deslizes – até porque, caso contrário, não teríamos mais filme nem franquia.

Finalmente, apesar de durar mais tempo que o necessário e de conter dois momentos absurdamente exagerados envolvendo o caminhão dirigido por Bond, a sequência de ação que encerra a narrativa é extremamente empolgante. Alternando entre planos que nos colocam dentro dos caminhões e tomadas aéreas que além de nos orientar geograficamente ainda nos permitem acompanhar as ações de Pam no avião, Glen conduz a sequência com muita segurança durante toda a descida do morro até o inevitável confronto final entre Bond e Sanchez.

Após anos bastante irregulares, a franquia 007 finalmente parecia encontrar seu rumo ao atualizar seu famoso agente sem, por isso, perder seu charme. Com uma narrativa envolvente, boas cenas de ação, a segurança de Dalton e um bom vilão, John Glen acertou novamente e fez deste “007 Permissão para Matar” um dos bons filmes da série.

007 Permissão para Matar foto 2Texto publicado em 02 de Junho de 2014 por Roberto Siqueira

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007 MARCADO PARA A MORTE (1987)

30 maio, 2014

(The Living Daylights)

4 Estrelas 

Videoteca do Beto #205

Dirigido por John Glen.

Elenco: Timothy Dalton, Maryam d’Abo, Jeroen Krabbé, Joe Don Baker, John Rhys-Davies, Art Malik, Andreas Wisniewski, Desmond Llewelyn, Robert Brown, Geoffrey Keen, Walter Gotell, Caroline Bliss e John Terry.

Roteiro: Richard Maibaum e Michael G. Wilson, baseado em história de Ian Fleming.

Produção: Albert R. Broccoli e Michael G. Wilson.

007 Marcado para a Morte[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

A saída de Roger Moore marcou o fim de uma fase complicada na franquia 007. Sem conseguir dosar muito bem a ação e o humor e contando com Moore cada vez menos interessado, John Glen acabou sendo responsável por dirigir alguns dos momentos mais embaraçosos do agente secreto (o grito do Tarzan é imperdoável!). Coube então a Timothy Dalton a missão de resgatar a abordagem mais séria neste “007 Marcado para a Morte” e, felizmente, o ator se saiu bem na missão, ainda que desta vez a dosagem peque justamente pela falta de alívios cômicos. Menos mal. Melhor exagerar na criação de uma atmosfera crível de ameaça ao protagonista do que ridicularizar o mesmo.

Pela quarta vez seguida, a missão de adaptar a história de Ian Fleming para o cinema ficou a cargo de Richard Maibaum e Michael G. Wilson. Em “007 Marcado para a Morte”, eles trazem James Bond (Timothy Dalton) ajudando o general Georgi Koskov (Jeroen Krabbé) a fugir da Cortina de Ferro, mas logo depois o russo é capturado e levado de volta a União Soviética. Antes de voltar, Koskov denuncia um plano do general Leonid Pushkin (John Rhys-Davies) que envolvia o assassinato de agentes secretos britânicos, o que leva Bond a investigar o caso e descobrir que, na realidade, o traficante de armas Brad Whitaker (Joe Don Baker) é quem tinha planos potencialmente perigosos.

Ainda que a trama não seja o mais importante num filme de James Bond, construir um roteiro minimamente interessante era o primeiro passo para recuperar o prestígio da franquia. Felizmente, a dupla responsável por roteiros bem fracos com o de “007 Contra Octopussy” surpreendeu neste “007 Marcado para a Morte”, elaborando uma trama com boas reviravoltas e que, mesmo com exageros, consegue prender a atenção do espectador. Por sua vez, John Glen procura conduzir a narrativa de maneira mais séria, já que, em pleno auge dos macho movies, seguir na linha cômica que marcou seus trabalhos anteriores poderia enterrar de vez a franquia.

Assim, o diretor procura criar uma atmosfera mais sóbria, ainda que abra espaço para momentos bem humorados como quando Bond e Kara (Maryam d’Abo) fogem para a Áustria utilizando um violoncelo e, ao passarem pela fronteira, gritam que não tem nada a declarar. Nesta mesma linha, a fotografia de Alec Mills aposta num visual predominantemente obscuro, especialmente nas sequências que se passam dentro da Cortina de Ferro, criando um contraste interessante com a fotografia árida em Tangier, no Marrocos, e com toda a beleza imperial de Viena.

Auxiliando ao estabelecer com clareza cada ambiente através da decoração detalhada, o design de produção de Peter Lamont mais uma vez chama a atenção através de cenários como a casa de Óperas na antiga Tchecoslováquia e a casa repleta de armas de Whitaker, assim como são importantes também os figurinos de Emma Porteous que diferenciam bem as elegantes vestimentas britânicas dos uniformes utilizados pelos soviéticos e, principalmente, das roupas despojadas dos afegãos.

Por sua vez, a trilha sonora de John Barry também oscila bastante de um ambiente para o outro, surgindo numa composição tensa na Cortina de Ferro, numa marcha triunfal na chegada ao Afeganistão após a fuga de 007 da prisão e com variações da música tema “The Living Daylights”, do A-ha, que segue a tendência mais dançante estabelecida no filme anterior com o Duran Duran, escorregando apenas na composição deslocada que acompanha o ataque do agente da KGB disfarçado de leiteiro.

Visual obscuro na Cortina de FerroCasa de Óperas na antiga TchecoslováquiaJames Bond mais sérioSuperando o natural incômodo inicial do espectador após sete filmes estrelados por Roger Moore, Timothy Dalton compõe um James Bond mais sério, adotando uma postura firme e até mesmo agressiva que recupera o respeito perdido em sequências ridículas dos filmes anteriores, ainda que falte um pouco do charme diante das mulheres que, por exemplo, Connery tinha. Mesmo assim, Dalton segue uma linha coerente com o histórico do personagem, por exemplo, ao hesitar na hora de assassinar uma atiradora, demonstrando no rosto o interesse de James Bond na garota, da mesma forma como seu semblante indica a fúria de 007 após a morte de Saunders (Thomas Wheatley) no parque Prater em Viena. Convencendo ainda nas lutas corporais, como no segmento de abertura, o ator se sai bem na difícil tarefa de assumir um personagem já bem estabelecido e com uma enorme quantidade de fãs.

Para a alegria destes mesmos fãs, “007 Marcado para a Morte” marca também a volta do estiloso Aston Martin, o carro de luxo super equipado que estrela a fuga alucinada de Bond com a violinista Kara, na qual somos apresentados aos engenhosos opcionais do veículo que ajudam o protagonista a se livrar dos inimigos. Interpretada por Maryam d’Abo, Kara divide-se entre o amor por Kostov e a atração momentânea por Bond até que reencontre o amado e, enganada por ele, traia o agente britânico, numa das interessantes reviravoltas do roteiro. Outro destaque feminino do elenco fica para a primeira aparição de Caroline Bliss como a nova Moneypenny, mantendo o estilo “esquisita, mas simpática” que marcou a adorável Lois Maxwell.

Volta do estiloso Aston MartinViolinista KaraRespeitável general Leonid PushkinEntre os vilões, o mais respeitável é o general Leonid Pushkin interpretado com firmeza por John Rhys-Davies com seu tom de voz imponente e expressão rígida. No entanto, Pushkin acaba servindo apenas como isca, escondendo os verdadeiros vilões Georgi Koskov e Brad Whitaker, vividos de maneira mais leve e caricata por Jeroen Krabbé e Joe Don Baker, o que infelizmente enfraquece a narrativa já que estes são personagens bem menos ameaçadores que Pushkin. E finalmente, Art Malik tem uma participação rápida e sem grande destaque na pele de Kamran Shah, o líder afegão que ajuda Bond a derrotar os russos.

A batalha no Afeganistão, aliás, dura mais tempo do que deveria, enquanto o confronto final com Whitaker acaba rápido demais, o que denuncia um problema na montagem de Peter Davies e John Grover que até ali caminhava muito bem. Em todo caso, a condução do restante da narrativa agrada e sua solução é satisfatória.

Para a alegria dos fãs, James Bond finalmente estava de volta com todo vigor após algumas escorregadas perigosas. E ainda que John Glen tenha seus méritos, é inegável que a presença de Timothy Dalton foi crucial neste processo, trazendo de volta parte da credibilidade e do respeito perdidos nos últimos anos de Roger Moore.

007 Marcado para a Morte foto 2Texto publicado em 30 de Maio de 2014 por Roberto Siqueira

007 NA MIRA DOS ASSASSINOS (1985)

29 maio, 2014

(A View to a Kill)

3 Estrelas 

Videoteca do Beto #204

Dirigido por John Glen.

Elenco: Roger Moore, Christopher Walken, Grace Jones, Tanya Roberts, Patrick Macnee, Willoughby Gray, Patrick Bauchau, Robert Brown, Lois Maxwell, Desmond Llewelyn, Dolph Lundgren, David Yip, Fiona Fullerton, Maud Adams, Alison Doody e Walter Gotell.

Roteiro: Richard Maibaum e Michael G. Wilson, baseado em história de Ian Fleming.

Produção: Albert R. Broccoli e Michael G. Wilson.

007 Na Mira dos Assassinos[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Já contestado pelo peso da idade (na época, o ator estava com 57 anos), Roger Moore faria neste “007 Na Mira dos Assassinos” sua última aparição na pele de James Bond. Mesmo sem jamais alcançar o carisma de Sean Connery, o ator deixou sua contribuição para a franquia, criando um 007 mais cômico que seu antecessor e que, mesmo distante em tom e sem o mesmo charme, funcionava em muitos momentos. É uma pena, portanto, que os últimos trabalhos de Moore não estejam à altura de suas melhores aparições, nas quais ao menos o ator compensava as falhas da narrativa com atuações mais interessadas.

Escrito por Richard Maibaum e Michael G. Wilson novamente com base em história de Ian Fleming, “007 Na Mira dos Assassinos” narra à tentativa de James Bond (Roger Moore) de impedir que o milionário Max Zorin (Christopher Walken) controle o mercado de produção de chips através da execução de um plano que envolve a destruição de todas as indústrias do Vale do Silício, na Califórnia.

Em sua despedida da série, Roger Moore mais parece se divertir e relaxar na pele do personagem do que se preocupar em oferecer novas nuances a James Bond, saindo-se bem em alguns diálogos que denunciam seu tom quase sempre irônico, mas escancarando a flagrante falta de vigor nas lutas corporais. Claramente fora de forma e atuando quase no piloto automático, Moore oferece aqui sua pior atuação na pele de 007, numa despedida melancólica que dificulta a tarefa de apontar algum momento de destaque, com exceção dos comentários marcados por seu humor peculiar e pelo cavalheirismo na primeira noite com Sutton (Tanya Roberts), na qual Bond respeita o momento da moça e não dorme com ela – e a expressão de Moore evidencia esta abordagem respeitosa.

Entre gritos e expressões características da mocinha indefesa, Tanya Roberts oferece uma performance patética na pele de Stacey Sutton, não convencendo como uma moça rica e poderosa que decide bater de frente com Zorin e sequer conseguindo criar empatia com Moore, o que talvez explique a falta de cenas românticas entre os personagens. Já Grace Jones compõe May Day de maneira bastante caricata, mas a personagem ao menos funciona por representar alguma ameaça a Bond. Fechando os destaques femininos do elenco, “007 Na Mira dos Assassinos” marca também a última aparição de Lois Maxwell como a simpática Moneypenny – o que, com o perdão do infame trocadilho, é uma pena.

Roger Moore se diverte e relaxaMocinha indefesaMay DayVoltando ao elenco masculino, Patrick Macnee vive o simpático Tibbett, o amigo enviado para auxiliar Bond e que, passando-se por seu criado, vive alguns dos raros momentos bem humorados que realmente funcionam na narrativa. Repare, por exemplo, como Tibbett acaricia os cavalos após se esconder junto a eles no estábulo, num pequeno detalhe que demonstra o cuidado do ator na composição do personagem, já que para esconder-se ali por tanto tempo era necessário no mínimo que ele criasse alguma empatia com os animais.

Sorridente na frente de Bond e sério longe dele, Christopher Walken compõe um vilão interessante na pele de Max Zorin, demonstrando classe nas conversas em eventos públicos como a festa em seu palácio e evidenciando seu lado psicótico ao explicar seu plano para os parceiros. Aliás, a conversa com empresários para explanar o plano Main Strike remete diretamente a “007 Contra Goldfinger”, especialmente quando um deles se recusa a aceitar a proposta e é sumariamente assassinado.

Sublinhando a trama, a trilha sonora também convencional de John Barry surpreende apenas na sequência inicial em que o compositor ousa e insere um trecho de uma versão cover de “California Girls”, dos Beach Boys, fazendo uma brincadeira com as manobras radicais de James Bond sobre a neve e a água. Além disso, a dançante música tema do Duran Duran tem a cara dos anos 80 e traz uma boa energia para a série.

Tentando recuperar o tom mais sério após a piada “007 Contra Octopussy”, John Glen e seu diretor de fotografia Alan Hume ignoram o sol característico da Califórnia e apostam num visual mais obscuro que confere uma aura sombria a narrativa. Ainda assim, o diretor encontra espaço para criar belos planos, especialmente ao enquadrar toda a imponência da ponte Golden Gate em San Francisco e o charme de Paris, que finalmente é explorada na série. Além disso, o ótimo Peter Lamont capricha novamente no design de produção de ambientes como o luxuoso palácio de Zorin, a espaçosa e bem decorada casa de Sutton, a detalhada clínica que esconde o segredo do cavalo Pegasus e a impressionante mina que surge já no ato final.

Para balancear a falta de agilidade de Moore nos confrontos físicos, Glen tenta criar cenas de ação ainda mais mirabolantes, como a perseguição que inicia na Torre Eiffel e segue pelas ruas de Paris. Só que o convencional segmento de abertura envolvendo uma perseguição de esqui na neve já deixa claro que “007 Na Mira dos Assassinos” não trará grandes novidades neste aspecto também. O diretor tenta ainda utilizar a câmera para ampliar a tensão, como quando uma arma surge em primeiro plano enquanto Bond entra na casa de Sutton ao fundo, sinalizando a presença dos capangas de Zorin para o espectador, que passa a saber mais do que o personagem – o que é sempre eficiente na criação de uma atmosfera tensa. E finalmente, a morte de Tibbett no lava rápido é conduzida de maneira interessante pelo diretor.

Zorin, vilão interessanteImpressionante minaArma em primeiro planoMas o destaque das cenas de ação fica mesmo para o incêndio na prefeitura seguido pela perseguição envolvendo um carro de bombeiros e, principalmente, para a impactante destruição da mina, na qual o diretor utiliza planos subjetivos que nos colocam na posição dos personagens em diversos instantes enquanto a água domina o local sob os tiros alucinados do impiedoso Zorin. Além delas, a luta no alto da ponte Golden Gate também é tensa e diverte, mas a gritante lentidão de Moore e os efeitos visuais datados prejudicam a cena, ainda que no segundo caso a evolução em relação aos filmes anteriores seja perceptível.

Perceptível também é a tentativa de melhorar a imagem da franquia depois de seguidas derrapadas, mas infelizmente “007 Na Mira dos Assassinos” não conseguiu este feito. Roger Moore perdia aqui a sua licença para matar (ainda que, em certos momentos, tenha nos matado de vergonha), mas, para a alegria dos inúmeros fãs, James Bond ainda teria vida longa nas telonas.

007 Na Mira dos Assassinos foto 2Texto publicado em 29 de Maio de 2014 por Roberto Siqueira

007 CONTRA OCTOPUSSY (1983)

28 maio, 2014

(Octopussy)

2 Estrelas 

Videoteca do Beto #203

Dirigido por John Glen.

Elenco: Roger Moore, Maud Adams, Louis Jourdan, Kristina Wayborn, Kabir Bedi, Steven Berkoff, David Meyer, Tony Meyer, Desmond Llewelyn, Robert Brown, Lois Maxwell, Walter Gotell, Vijay Amritraj e Albert Moses.

Roteiro: George MacDonald Fraser, Richard Maibaum e Michael G. Wilson, baseado em histórias de Ian Fleming.

Produção: Albert R. Broccoli.

007 Contra Octopussy[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Com uma sequência de abertura de tirar o fôlego e um ato final que poderia ser empolgante, “007 Contra Octopussy” tinha tudo para se tornar um dos bons filmes da franquia 007, não fossem os problemas narrativos apresentados entre estes dois momentos de impacto. Com boas cenas de ação e alguns personagens carismáticos, o segundo filme dirigido por John Glen apresenta uma pequena evolução em relação ao trabalho anterior do diretor, mas ainda peca em detalhes cruciais que tornam o longa bastante irregular, especialmente ao perder o senso do ridículo em momentos embaraçosos até mesmo para o mais fervoroso fã do agente secreto britânico.

Escrito a seis mãos por George MacDonald Fraser, Richard Maibaum e Michael G. Wilson com base em duas histórias de Ian Fleming (“Octopussy” and “The Property of a Lady“), “007 Contra Octopussy” inicia com o assassinato do agente 009 (Andy Bradford) após este roubar a réplica de uma relíquia soviética. Convocado para investigar o caso, James Bond (Roger Moore) acaba descobrindo um plano que poderia resultar na explosão de uma bomba atômica e numa provável guerra mundial.

Apesar da menção inicial a Cuba, o inimigo principal do governo britânico continua sendo a União Soviética em “007 Contra Octopussy”, com a diferença que, desta vez, outro histórico adversário finalmente entra em cena: a Alemanha. Outra vez envolvendo uma bomba atômica que irá dizimar milhões de inocentes, a trama tenta seguir elementos básicos da fórmula de sucesso da série, apostando em espetaculares cenas de ação, mulheres sensuais, pitadas de bom humor (que aqui raramente funcionam) e um inimigo comum ao espectador britânico e norte-americano. No entanto, a falta de inspiração de algumas gags (como o ridículo jacaré mecânico utilizado por Bond) e a latente ausência de um vilão prejudicam bastante a narrativa.

Partindo de uma Berlim inicialmente obscura e opressora, a fotografia de Alan Hume estabelece um forte contraste com o visual colorido e vivo de Nova Déli, na Índia, especialmente no plano inicial que enquadra toda a beleza do Taj Mahal. Da mesma forma, o excelente design de produção de Peter Lamont se destaca na criação de ambientes realmente impactantes como a sala de reuniões dos generais soviéticos e o aconchegante quarto de Octopussy, o que também estabelece corretamente a atmosfera de cada local. Reforçando a imagem que pretende passar em cada ambiente, John Glen retrata cada povo de maneira bastante estereotipada (o que também é uma marca da série), trazendo os sorridentes indianos aglomerados em volta do rio, os efusivos russos discutindo estratégias de guerra e os alemães, quando não são sisudos, surgem comendo salsichas e tomando cerveja num carro de família – o que certamente deve deliciar grande parte do público norte-americano, ainda que esteja bem longe da realidade.

Berlim inicialmente obscuraColorido de Nova DéliSala de reuniões dos generais soviéticosMas, convenhamos, realismo é algo que os filmes de James Bond jamais tentaram retratar. Neste aspecto, “007 Contra Octopussy” ganha pontos ao trazer na abertura uma estilosa fuga de 007 num jato sendo perseguido por um míssil, que se torna ainda mais interessante pela maneira como é montada por Peter Davies e Henry Richardson. Vale destacar ainda a ótima partida de gamão entre Bond e Kamal, que realça toda a esperteza do protagonista, além é claro da perseguição repleta de ação e humor nas ruas de Nova Déli. Já a perseguição com elefantes simplesmente não funciona, primeiro pela falta de dinamismo e depois pelas piadas sem graça, como quando Bond, acredite ou não, surge imitando Tarzan. Outro momento que falha nos dois sentidos ocorre quando Bond surge disfarçado de gorila e, segundos depois, já aparece sem o disfarce e saindo do trem. Além de não ser nada engraçada, a cena ainda tira o espectador da narrativa. Uma coisa é ter cenas de ação mirabolantes, outra são coisas impossíveis de acontecer.

Aliás, desta vez Roger Moore descamba de vez para o pastelão na pele de James Bond, intercalando momentos glamourosos como na citada partida de gamão com outros em que ridiculariza o personagem ao surgir vestido de palhaço ou disfarçado de gorila. Ao menos, Moore mantém a postura confiante e até desleixada diante do perigo e o senso de humor peculiar, superando ainda as limitações impostas pela idade na divertida sequência em que anda em cima de um trem em movimento, num momento que funciona quando se apoia nas trucagens e em efeitos mecânicos, falhando apenas quando recorre aos datados efeitos visuais.

Numa sacada inteligente, o tema de 007 tocado na flauta de Vijay (Vijay Amritraj) anuncia a chegada do agente em Nova Déli, num dos bons momentos da trilha sonora de John Barry, que se destaca ainda na composição romântica inspirada na música tema “All Time High” (uma das raras da franquia que não tem o mesmo nome do filme) que embala os momentos íntimos de Bond com as duas mulheres que cruzam o seu caminho – e é claro que ele dorme com ambas.

Apresentada durante o leilão que coloca Bond no caminho de Kamal, a sensual Magda vivida por Kristina Wayborn vive até melhores momentos ao lado do agente do que a personagem título, dentre os quais se destaca a primeira noite que eles passam juntos e, especialmente, a despedida pela manhã em que ela desce da sacada pendurada no próprio vestido. Por sua vez, Octopussy é cercada de mistérios. Evitando revelar seu rosto na primeira aparição dela no Palácio, o diretor mantém o suspense até o instante em que Maud Adams surge com seus olhos penetrantes para participar pela segunda vez da série. Classuda, com tom de voz controlado e bastante educada, Octopussy se torna uma personagem intrigante, impondo respeito e chamando a atenção sempre que entra em cena. É uma pena, portanto, que tenha tão pouco espaço na narrativa, aparecendo menos até mesmo que sua colaboradora Magda – e a personagem também é prejudicada pelo roteiro, que a enfraquece consideravelmente no decorrer da narrativa.

Estilosa fuga de 007 num jatoBond imitando TarzanOctopussy cercada de mistériosOctopussy, aliás, é a primeira vilã feminina da série. No entanto, ela não chega a ser de fato uma vilã, acolhendo Bond desde o primeiro instante e tornando-se sua parceira ao longo da narrativa, especialmente após descobrir que foi enganada por Kamal, o intermediador interpretado por Louis Jourdan. E é exatamente na falta de um grande vilão que reside um dos grandes problemas do fraco roteiro de “007 Contra Octopussy”. Teoricamente, a vilã seria a personagem título, mas na prática o homem a ser perseguido é mesmo o caricato e unidimensional General Orlov de Steven Berkoff, já que Kamal tem apenas a função de negociador. Só que Orlov raramente é confrontado por Bond, a não ser num embate que dura poucos segundos dentro de um trailer já no ato final. Assim, o mistério envolvendo os vilões acaba soando como um artifício raso utilizado para encobrir o vazio da narrativa neste aspecto.

Ainda que no íntimo o espectador sempre espere que Bond salve o dia, a sequência final no circo tem certa carga de tensão, mesmo com a escancarada tentativa de destruir a imagem do personagem ao trazê-lo em disfarces tão risíveis, assim como funciona a absurda cena final em que Bond luta do lado de fora de um avião, numa sequência exagerada, mas bem conduzida pelo diretor.

Infelizmente, estas boas cenas de ação não são suficientes para compensar os tropeços da narrativa e a falta de senso do ridículo de muitos momentos dela. Talvez por isso, Ian Fleming resolveu não misturar as duas histórias que inspiraram “007 Contra Octopussy”. Ao contrário dos alemães na época separados pelo muro, elas não foram criadas para coexistir.

007 Contra Octopussy foto 2Texto publicado em 28 de Maio de 2014 por Roberto Siqueira

007 SOMENTE PARA SEUS OLHOS (1981)

27 maio, 2014

(For Your Eyes Only)

2 Estrelas 

Videoteca do Beto #202

Dirigido por John Glen.

Elenco: Roger Moore, Carole Bouquet, Topol, Lynn-Holly Johnson, Julian Glover, Cassandra Harris, Jill Bennett, Michael Gothard, John Wyman, Jack Hedley, Lois Maxwell, Desmond Llewelyn, Geoffrey Keen, Walter Gotell e Charles Dance.

Roteiro: Richard Maibaum e Michael G. Wilson, baseado em história de Ian Fleming.

Produção: Albert R. Broccoli.

007 Somente para seus olhos[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Responsável pela montagem de três filmes da série entre 1969 e 1979, John Glen assumiria a direção em “007 Somente para seus olhos”, o primeiro dos cinco trabalhos que realizaria na franquia. No entanto, o resultado ficou bem abaixo do esperado. Ainda que algumas sequências sejam bem interessantes, a sensação que temos é a de que tanto Glen quanto seus roteiristas apenas seguiram a fórmula básica da franquia, esquecendo-se de que o segredo do sucesso de James Bond não está na estrutura narrativa e sim na maneira – normalmente estilosa – como ela é contada.

Escrito por Richard Maibaum e Michael G. Wilson com base em história de Ian Fleming, “007 Somente para seus olhos” tem início quando um navio britânico que carregava uma poderosa arma secreta é atacado e naufraga próximo à Albânia, gerando enorme preocupação no governo de seu país. Enviado para investigar o caso, James Bond (Roger Moore) acaba descobrindo o envolvimento de um grande contrabandista local conhecido como Milos Columbo (Topol), graças ao auxilio do agente grego Aris Kristatos (Julian Glover). Determinada a vingar a morte dos pais ocorrida logo após o naufrágio, a jovem Melina Havelock (Carole Bouquet) também acaba se envolvendo nas investigações, contrariando a vontade de Bond.

O primeiro deslize de “007 Somente para seus olhos” ocorre logo no tradicional segmento de abertura em que a presença de um gato indica a volta de Blofeld, icônico vilão da série derrotado anteriormente por Bond e responsável pela morte de sua esposa, mas esta expectativa não é confirmada durante a narrativa, o que torna este segmento de abertura envolvendo um helicóptero controlado à distância totalmente deslocado, pouco inspirado e sem graça – na realidade, os produtores quiseram apenas provocar Kevin McClory, que travava uma batalha judicial pelos direitos sobre o personagem.

Levando-nos desta vez para a Espanha, os Alpes italianos e o litoral grego, “007 Somente para seus olhos” mantém a característica de explorar bem a beleza dos locais por onde passa o agente secreto através da fotografia gélida de Alan Hume nos Alpes, que contrasta com o visual ensolarado da pequena cidade próxima à Madri e, especialmente, com o visual romântico da bela Corfu, na Grécia, principalmente nas cenas noturnas ou próximas do anoitecer. Estes lugares pitorescos servem como cenários para sequências repletas de ação como a absurda perseguição de carros nas ruelas espanholas e a fuga de Bond num esqui seguido de perto por duas motos na neve, ambas conduzidas com dinamismo por John Glen e seu montador John Grover, alternando entre planos gerais e interessantes planos subjetivos que nos colocam dentro da ação.

No entanto, estas sequências são prejudicadas pela péssima e deslocada trilha sonora de Bill Conti, o mesmo compositor consagrado alguns anos antes em “Rocky, Um Lutador”, mas que aqui faz um trabalho bastante irregular, criando melodias que parecem tiradas de jogos de videogame nas cenas de ação, salvando-se apenas nas variações da bela música tema “For Your Eyes Only”, de Sheena Easton, e na composição romântica que embala o envolvimento entre a Condessa Lisl (Cassandra Harris) e Bond.

Visual romântico da bela CorfuFuga de Bond num esquiCarismático Milos ColumboQuem também não colabora são os atores Michael Gothard e John Wyman que, em atuações extremamente caricatas, fazem de Locque e Kriegler dois vilões quase risíveis, sendo parcialmente salvos apenas pelo roteiro que, ao evitar dar muitas informações sobre eles, consegue manter uma aura de mistério sobre os personagens. Revelando pouco a pouco as intenções de cada integrante do grupo, a narrativa nos leva até o carismático Milos Columbo interpretado por Topol que, com sua postura extremamente confiante, reverte à imagem pré-concebida do personagem logo nos primeiros minutos da conversa direta que tem com James Bond. Este mesmo diálogo traz ainda uma boa reviravolta na trama ao revelar que Kristatos é o verdadeiro vilão. Inicialmente amigável, o Kristatos de Julian Glover muda drasticamente seu comportamento após a revelação, assumindo uma postura mais agressiva e coerente com o papel de principal vilão.

Determinada a vingar o assassinato dos pais, a inteligente e elegante Melina de Carole Bouquet assume o posto de parceira de 007 da vez, demonstrando força quando necessário e, obviamente, transformando-se na nova bondgirl ao não resistir aos encantos do agente secreto. Novamente interpretado por Roger Moore (que desta vez esforça-se para soar menos debochado), James Bond mantém-se sempre alerta aos perigos que cercam sua profissão sem jamais desesperar-se diante deles, assumindo também uma faceta interessante e distante da postura politicamente correta normalmente associada aos heróis convencionais ao empurrar um carro ladeira abaixo com o indefeso Locque preso dentro dele.

Kristatos o verdadeiro vilãoInteligente e elegante MelinaJames Bond alertaMontador de origem, John Glen consegue criar sequências narrativamente envolventes, como quando Bond sobe correndo uma longa escadaria na Albânia para tentar impedir a fuga do carro de Locque, num momento tenso que se torna mais interessante pela forma como é montado, intercalando entre os planos de Bond e do carro num ritmo dinâmico. Outro momento tenso acontece quando Bond e Melina tentam destruir o ATAC no fundo do mar, culminando numa luta quase em câmera lenta que, mesmo criativa, perde força justamente pelo ritmo arrastado.

Mas é no ato final que reside o momento de destaque de “007 Somente para seus olhos”, começando pela angustiante escalada de James Bond pela montanha, conduzida com precisão pelo diretor. Prendendo nossa atenção a cada movimento do protagonista, Glen cria uma cena realmente impactante, mas o desfecho repentino da narrativa após a chegada ao topo acaba minando um pouco o efeito da subida. Encerrando o longa com outra piada sem graça, desta vez envolvendo Margaret Thatcher (Janet Brown), Glen ao menos demonstra coerência ao amarrar os dois extremos da narrativa com segmentos deslocados e sem nenhuma inspiração.

Seguindo a risca o padrão estabelecido na série, “007 Somente para seus olhos” tem todos os ingredientes de um filme de James Bond. O problema é que estes ingredientes são misturados numa narrativa sem grande inspiração, sem apelo visual e recheada com poucos personagens marcantes. No fim das contas, talvez o segmento de abertura tenha sim algum significado, indicando que toda a narrativa seria conduzida no modo “piloto automático”.

007 Somente para seus olhos foto 2Texto publicado em 27 de Maio de 2014 por Roberto Siqueira