DETETIVE PIKACHU (2019)

 

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Antes de começar a falar deste filme, tenho que contar algo sobre a minha ligação com Pokémon. Assistia Eliana só pra ver o desenho. Deixava gravando enquanto estava na escola. Acho que parei na segunda geração de Pokémon. E eu jogava o card game de Pokémon. Eu, com meus 17 anos, indo disputar todo sábado a Liga Pokémon. Até que um dia tomei um pau de um molequinho que devia ter uns seis anos, e caiu a ficha: o que eu estou fazendo aqui?

Mas vamos ao filme. Acho que todo fã e não fã, assim que foi anunciado o filme, ficou ressabiado. O histórico de adaptações de games ou animes não era muito animador. E pra piorar, o filme se baseia numa versão que não tem nada a ver com o jogo ou série original. Aí veio o trailer. E mais do que isso. Veio o anúncio de que Ryan Reynolds faria a voz do Pikachu. E todo o receio ficou pra trás. O design nos Pokémon ficou ótimo, um trailer cheio de referências (assim como o pôster que veio depois) e a voz do Deadpool, ops, Ryan Reynolds caiu como uma luva no personagem principal.

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Já vou tirar o elefante da sala. Pra mim, é a melhor adaptação de um jogo ou anime para o cinema (sarrafo não estava lá muito alto). Eu me senti representado. É um filme para crianças, e para crianças que cresceram, e consegue atingir os dois públicos. É bom para aqueles que querem nostalgia e para aqueles que estão sendo apresentados ao universo agora. Que outros aprendam que é possível (esse recado é pra você, Cavaleiros do Zodíaco).

Não esperem atuações soberbas. Os humanos são o ponto fraco do filme. Roteiro é simplista, com plot que quando você para pra pensar nele, não faz sentido. E o vilão é só pra cumprir a cota de clichês com vilão inglês. Basicamente é o Space Jam da década.

Num primeiro momento causa estranheza a decisão de adaptar para o cinema um jogo que não tem nada a ver com o que Pokémon sempre propôs. Mas quando paramos pra pensar, a decisão faz todo sentindo. Não ia ser legal ver humanos batendo nos animais de seu mundo até eles ficarem fracos, os capturarem numa gaiola minúscula e colocá-los para brigar em arenas. Um duelo aparece rapidamente no filme, numa liga clandestina. É errado, mas ia ser legal. Os roteiristas que se virem para fazer dar certo numa possível sequência.

O mundo criado é o destaque do filme, com Pokémon e humanos vivendo em harmonia. Isso fica exemplificado na cidade modelo de Ryme, que quer provar que humanos e Pokémon podem coexistir além das batalhas. Um mundo colorido, onde os Pokémon vivem livres, ou com humanos (como pets), e ajudam no dia a dia da cidade. Cada take é pelo menos uma referência a ser capturada. Os Pokémon ficaram realistas, mas continuaram caricatos e foram mantidas as expressões faciais. Alguns se destacam mais do que outros, principalmente os da primeira e segunda geração. Da terceira em diante, senti uma estranheza, mas ai não é culpa do filme, e sim dos criadores da série, que, quando acabou a inspiração nos animais de nosso mundo para os Pokémon, passaram a viajar cada vez mais no design.

Escrevi bastante, mas percebi que não falei muito sobre a história. Acho que é por que não tem muito que se falar. Em resumo, o filme conta a história de Tim, um garoto que não sabe seu lugar no mundo. Tem dificuldade em se relacionar com humanos e desistiu de seu sonho de ser um treinador Pokémon. Recebe a notícia da morte de seu pai, um renomado detetive da cidade Ryme, em um acidente de carro, após ser atacado enquanto investigava um laboratório secreto. Por esse motivo, Tim decide ir até a cidade para obter mais detalhes. No apartamento de seu pai, Tim encontra um Pikachu desmemoriado, que se acha detetive e viciado em cafeína. Para sua surpresa, ambos conseguem se comunicar. Depois da desconfiança, e da dificuldade de Tim em se relacionar, e de algumas pistas de que talvez seu pai não esteja morto, eles partem em busca de solucionar o mistério do desaparecimento do pai de Tim, com a ajuda de uma repórter novata e de um Psyduck problemático, num clima bem noir.

Acho que acabei dando o plot nesse resumo. Mas sinceramente, esse não é um filme pra se apegar à história. É pra assistir, sem pensar muito, e deixar a nostalgia de dias mais fáceis te levar.  Um fato legal para os fãs, é que em um vídeo do laboratório, onde um Mewtwo sofre experimentos (a revelação do Mewtwo ocorre no começo do filme, não é spoiler), há uma informação de que ele é o mesmo Mewtwo que fugiu do continente de Kanto há 20 anos. Uma referência à primeira animação de Pokémon nos cinemas. Ou seja, está tudo conectado, Ash existe…

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Ah, e não posso deixar de dizer qual o meu Pokémon favorito. É esse aqui.

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43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Queridos leitores,

É com grande orgulho que anuncio que o Cinema & Debate irá cobrir a 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo graças a uma parceria com meu amigo Adriano Cardoso, que irá colaborar conosco durante o festival.

Conheci o Adriano no curso de Teoria, Linguagem e Crítica cinematográfica do Pablo Villaça que inspirou a criação do Cinema & Debate e, desde então, trocamos ideias sobre cinema, política e diversos outros temas cotidianos.

Agradeço ao Adriano pela parceria e deixo abaixo o texto que ele nos enviou sobre o evento:

 

“Mesmo com cortes em seu investimento, fruto da política ignorante e nefasta que nos permeia, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo terá sua 43ª edição este ano. Tendo início na próxima quinta-feira, dia 17, trará até seu encerramento em 30 de outubro, cerca de 300 títulos produzidos nas mais diversas regiões do mundo. Os filmes poderão ser conferidos numa grande gama de salas, espalhadas por toda cidade, e haverá programação especial no canal online da SP Cine, onde alguns exemplares poderão ser assistidos gratuitamente.

O diretor Olivier Assayas será o grande homenageado desta edição, ganhando uma retrospectiva com seus trabalhos mais emblemáticos. Além do cineasta francês, também receberão homenagens Amos Gitai e Elia Suleiman, este último pelo foco de sua filmografia ao colocar o povo palestino em evidência.

Escreverei textos diários sobre muitas das obras em exibição para o Cinema & Debate.

Adriano Cardoso”

 

Site oficial da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo: http://43.mostra.org/br/home/

Locais de exibição do circuito: http://43.mostra.org/br/encontre-as-salas/

Site da Spcine: http://spcine.com.br/

Texto publicado em 16 de Outubro de 2019 por Roberto Siqueira

X-MEN: FÊNIX NEGRA

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Esse é um filme que nasceu morto. É triste falar isso. Afinal, sem X-Men, lá no longínquo ano 2000, não teríamos essa onda de filmes de heróis. Foi o filme que mostrou que é possível adaptar HQ’s para o cinema. Foi o filme que começou a tornar moda ser nerd.

Depois de tudo que li sobre esse filme, minha expectativa foi lá embaixo. E sinceramente, é um filme vazio. Não me causou emoções. Não tem uma cena épica (tem uma cena boa, já chegaremos lá). E a perda que ocorre no filme, ao invés de causar tristeza, causa alívio.

Simon Kinberg, que você tenha sucesso na carreira, mas você não sabe fazer filme de heróis. Para vocês terem uma ideia, é dele o roteiro de X-Men 3, Quarteto Fantástico (as loucuras do diretor ajudaram a estragar o filme), X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (ok, esse é bom, mas aquele final… e pra quê erguer um estádio??), X-Men: Apocalipse e Fênix Negra, que também dirige.

A Fox conseguiu cometer duas vezes o mesmo erro. Fênix Negra é praticamente igual a X-Men 3, com mais efeitos, viagem ao espaço, e menos mutantes. Mas novamente não aproveitaram uma das melhores sagas dos Mutantes nas HQ’s. Falta à Fox, o que a Marvel teve de sobra. Paciência. A Saga da Fênix não dá pra ser adaptada de forma tão corrida.

Olhando só os filmes da nova geração, o encerramento é melancólico, mesmo após as esperanças terem sido renovadas com o fantástico Primeira Classe. Um elenco de primeira linha, mas que pelas atuações no último filme, não queriam estar lá. Só ver a (des)evolução da maquiagem da Jennifer Lawrence. Com a aquisição da Fox pela Disney, os X-Men vão para a geladeira por uns bons anos.

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Sobre o filme, mais uma vez é tudo apressado. Em Apocalipse, foram apresentados os novos membros, com bons atores, mas não deram tempo em tela pra interação entre eles e a formação da equipe e logo foram pra cena de ação genérica no final. Em Fênix Negra, aparentemente, já como equipe consolidada e amados pelo mundo todo, já partem pra ação no começo e logo a equipe já se desfaz. Tudo apressado. Assim, sei que estou sendo chato. Dá pra pegar nas entrelinhas o que aconteceu pra chegar do ponto A ao ponto B. Mas merecia um desenvolvimento. E a falta disso me fez não me importar com nenhum dos personagens.

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O começo é promissor. A cena do resgate do ônibus espacial é muito bem feita, assim como a interação da equipe (por isso fiquei com vontade de ver mais disso). Depois dessa cena é tudo mais do mesmo. Personagens sem profundidade. Atuações no automático. Mercúrio, que é um dos melhores personagens dessa geração, é tirado de cena logo no começo, sem motivo aparente. E todo aquele assunto sobre Magneto ser seu pai é totalmente esquecido. Uma raça alienígena totalmente genérica jogada no filme. Uma vilã extremamente descartável. Conseguiram fazer a Jessica Chastain ser a pior coisa do filme. De novo Magneto do mal, do bem, do mal e do bem, vivendo numa ilha sem nome. Ele tenta matar o presidente em Dias de um Futuro Esquecido, ajuda na destruição do mundo em Apocalipse, e ai ganha do governo uma ilha? Ia ser um baita fan service, mas por que decidiram não falar que a ilha era Genosha? Mística que não fica como Mística (cadê o “mutant and proud”?). Fera que não fica como Fera. Uma Jean que só sofre com os poderes e as revelações. Faltou aquele momento em que ela curte os poderes e se descobre.

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A desconstrução do Xavier faria sentido se fosse feita com tempo. Fica estranho ele, que sempre colocou os alunos e a equipe em primeiro lugar, colocá-los em risco apenas por status. São interessantes os dilemas apresentados por ele, sua soberba em não admitir os erros. Mas é uma sensação de deja vu. São os mesmos erros cometidos em X-Men 3.

Os efeitos são bons, principalmente a forma que eles escolheram para mostrar a Força Fênix transbordando da Jean.

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E pra variar, a linha do tempo continua uma bagunça. Passaram-se 30 anos desde Primeira Classe, e Xavier e Magneto tão com a mesma cara. Fico assustado com o que pode ter acontecido em menos de 10 anos, para o James McAvoy e o Michael Fassbender virarem Patrick Stewart e Ian McKellen.

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Pra finalizar, uma curiosidade. Existe no filme uma unidade de contenção de mutantes. Sigla em inglês: MCU. Eles prendem os X-Men, e num momento de ataque à unidade, os mutantes avisam: nos libertem, vocês vão precisar da gente. Proposital?

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TURMA DA MÔNICA: LAÇOS

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Os gibis da Turma da Mônica marcaram minha infância, assim como da grande maioria dos brasileiros. É difícil alguém, mesmo que nunca tenha lido, não conhecer o quarteto e suas características.

Eu não li a graphic novel em que o filme se baseia, mas só vi coisas boas a respeito. Então assisti ao filme as cegas. E me surpreendi positivamente. É um filme leve, divertido, colorido, que respeita seu público (tanto as crianças quanto os adultos nostálgicos) e os gibis. Um belo exemplo de “feel good movie”.

Daniel Rezende mais uma vez se mostra um diretor competente. Já tinha feito um trabalho fenomenal e corajoso em Bingo e repete a dose aqui. Tem que ser muito corajoso para adaptar essas histórias. Destaque para a montagem e a fotografia belíssima do filme, que colore o bairro do Limoeiro.

Eu tinha medo de o filme ser caricato, mas passa longe disso. Lógico, todas as características marcantes dos personagens estão lá. Mas é tudo tão natural e orgânico. E o filme brinca com isso, desde o armário da Mônica só com vestidos vermelhos ou o fato de só o Cebolinha usar calçado.

E grande parte do sucesso do filme em conseguir essa naturalidade se deve ao elenco infantil. Giulia Benite (Mônica), Kevin Vechiatto (Cebolinha), Laura Rauseo (Magali) e Gabriel Moreira (Cascão) conseguiram incorporar os personagens, com respeito às características de cada um. É possível sentir uma sinergia entre a turma, uma amizade sincera. Acho que o fato de eu já conhecer bem os gibis ajuda nesse sentido, mas mesmo se não conhecesse, isso não afetaria a experiência.

Gosto da participação do Rodrigo Santoro, no papel do Louco. Outro que consegue não ser caricato, apesar da loucura (ba dum tss!!) do personagem. Ressalto o sucesso da montagem do filme nesse momento, que apesar dos vários cortes e do movimento da câmera, não deixa a cena ser confusa.

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Os Laços que dão nome ao filme, apesar de retratados como as marcações para o caminho de volta, na realidade reflete a união dos personagens. Para superar os obstáculos colocados no caminho, a ignorância e o individualismo não são a solução. Os personagens descobrem que ao se unirem, cada um com o seu melhor, fica mais fácil alcançar o objetivo.

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Talvez esse seja o filme que o Brasil precisa para esse momento. Nesses tempos de cada um por si, de mídias sociais que mais afastam do que agrupam, brigas por opiniões divergentes, é bom ver um filme onde as pessoas engolem seu orgulho e se unem em prol de algo maior.

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CORINGA

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Esse é um filme que precisa ser visto e discutido. Entendo o medo e a paranoia ao seu redor. Sinceramente, eu tive medo de ir assistir no cinema. Medo de acontecer alguma tragédia na sala. Nunca tive essa sensação. Talvez seja a paternidade, mas não podemos negar que vivemos em um mundo louco.

Um mundo tão louco, que descontrói as pessoas, as quebra, e depois que elas cometem suas loucuras, a sociedade se isenta da culpa. Afinal, era só mais um louco. Acho que esse é o mote do Coringa, e é por isso que ressalto que precisa ser visto.

Vamos ao filme. Esqueçam a ideia de filme de herói, ou baseado em HQ’s. A própria Warner não quer isso. No começo do filme, num fato inédito, não aparece o logo da DC. Sim, é a história de um vilão icônico, mas poderia ser a história de qualquer um.

Talvez, Coringa seja para nossa década, o que Taxi Driver e Clube da Luta foram para as suas (guardadas as devidas proporções). O filme é um estudo sobre doenças mentais e a sociedade em que vivemos. A forma como os que não se enquadram são deixados de lado. Não só devido a doenças mentais, mas também a classe, cor, gênero etc. Se passa no final dos anos 70, mas é extremamente atual.

Não tenho a intenção de relativizar o personagem do filme, ou os personagens da vida real, e transformá-los em mártires. Mas é importante aprender com os erros para que estes não se repitam.

Joaquin Phoenix é a alma do filme. Que atuação monstruosa. A melhor que vi nesse ano sem dúvida. O filme é dele. É perturbador vê-lo em cena. Sua risada ainda ecoa na minha cabeça. E não é apenas um tipo de risada. Para cada ocasião, ele entrega uma risada diferente, quase que como um diálogo. É angustiante. É um Coringa caótico e imprevisível. E muito disso vem da atuação. É impossível ler seu rosto e tentar adivinhar o que ele vai fazer.

Essa imprevisibilidade atinge seu auge assim que as cortinas se abrem, no momento em que ele se apresenta ao mundo e todos passam a vê-lo.

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A cena no banheiro entra no rol das maiores improvisações do cinema. E é nessa cena que os três pilares do filme, atuação, trilha sonora e fotografia, pra mim, chegam ao ápice. Se Rami Malek ganhou o Oscar fazendo playback, é justo um Oscar coroar a interpretação de Joaquin Phoenix.

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A fotografia é sensacional. Uma Gotham suja, quase sem cores, como se fosse um purgatório para o personagem. E quando ele se descobre, quando somem as amarras que o prendiam à sanidade, o filme fica mais colorido, seja pelas roupas ou no palco em que faz sua apresentação ao mundo, ou na noite em chamas de Gotham. Até as escadas, que ele subia sempre de cabeça baixa, como se caminhasse em direção a um sacrifício, após sua “transformação”, fica mais viva.

A trilha sonora, que depois descobri ser do mesmo compositor de Chernobyl é angustiante. Ela te martela a todo o momento, refletindo a mente do personagem, quase que desafinando. Chega a ser claustrofóbica.

Apesar de deixar claro que não está inserida no mesmo universo, Coringa tem algumas rimas visuais com O Cavaleiro das Trevas. Principalmente em uma cena que considero icônica, com Heath Ledger dentro do carro da polícia. É possível enxergar no Coringa de Phoenix, referências aos outros Coringas do cinema. A anarquia do Coringa de Ledger. A violência e deboche do Coringa de Nicholson. A comédia do Coringa de Cesar Romero (Jared Leto eu desconsidero). E apesar de esse Coringa ter um nome, o filme não crava sua origem. Na realidade, brinca com ela, a ponto de não saber o que é certo ou o que é loucura (ou o que foi corrompido).

Não vou entrar em mais detalhes para não dar spoiler, mas o plot no meio do filme é totalmente inesperado, assim como o final que nos deixa com a pulga atrás da orelha. Será que era tudo uma piada?

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Eu, eu mesmo, e os filmes.

E ai leitores do Cinema & Debate, o melhor blog de cinema do Brasil (tenho que começar falando bem do patrão).

Primeiramente, é uma honra poder falar com mais alguém sobre filmes e séries além de mim mesmo. Poder expor minhas ideias. Compartilhar os arrepios e lágrimas e externar minha raiva. Coisas que só que a Sétima Arte me proporciona. Agradeço muito o convite do meu amigo Roberto e espero poder estar à altura desse blog.

Bem, quem sou eu? Meu nome é Thyago Bertoni, nerd raiz, daqueles tachados como CDF na escola, que levou cuecão e o último a ser escolhido na educação física. Se eu estivesse de volta no ensino médio nos dias de hoje, provavelmente seria um dos populares da sala. Nunca foi tão fácil ser nerd. Nunca foi tão bom ser nerd.

Sou fã de animes, mangás, HQ’s, filmes, séries. Sou pai de uma menina linda, e nas horas vagas tento viajar ao máximo através de filmes e séries, com a permissão da minha ilustríssima esposa. Sim, as mulheres da minha vida mandam em mim.

Minha intenção não é escrever críticas ou opiniões sobre filmes, até porque sei que me falta o conhecimento para escrever uma crítica à altura das já escritas nesse blog. O que eu quero é falar sobre as sensações que os filmes ou séries me causam (às vezes devem sair algumas críticas ou opiniões no meio dos textos). Quero usar esse espaço para colocar pra fora as conversas que tenho comigo mesmo na minha cabeça.

Bem, espero que vocês gostem. Estou aberto a críticas, sugestões, e como sempre, elogios são bem vindos.

Abraço a todos e é um prazer estar aqui.

Bem-vindo Thyago!

O ano de 2019 marca uma série de transformações positivas na história do Cinema & Debate. Além de comemorar sua primeira década de existência, o blog ganhou uma nova cara, passou a ter críticas de lançamentos e também um canal no YouTube.

O lançamento do canal me proporcionou uma experiência nova e fantástica, que ainda está na fase inicial e que precisa de muitos ajustes para ficar como eu imagino que deva ser. Ainda assim, consegui divulgar alguns vídeos e de quebra me divertir batendo papo com meus filhos a respeito dos filmes que eles curtem, além de iniciar a série “Crítica Ilustrada”, que eu espero dar sequência logo por gostar demais do seu formato.

No embalo do canal, realizei também um antigo sonho, que era o de escrever sobre lançamentos. Após 10 anos escrevendo sobre filmes que já não estavam mais nos cinemas, julguei ter alguma bagagem e me senti mais a vontade para poder escrever sobre lançamentos e tenho curtido a experiência até aqui, ainda que a falta de tempo não permita que eu escreva na frequência que gostaria.

No entanto, nem tudo saiu como eu queria. Eu adoraria, por exemplo, ter feito algo grandioso para comemorar os 10 anos do Cinema & Debate, mas não pude ir muito além de um texto comemorativo, pois estou envolvido num projeto profissional enorme que tem tomado boa parte dos meus dias.

Felizmente, um outro desejo antigo poderá me ajudar a sanar este problema da falta de tempo e ainda proporcionar a vocês mais conteúdo qualificado e com uma frequência maior. Sempre tive a intenção de encontrar alguém disposto a dedicar parte do seu tempo para produzir conteúdo para o Cinema & Debate, mas nunca tinha levado a ideia adiante por motivos diversos. Chegou a hora de mudar isso.

Após algumas conversas com meu amigo e grande apaixonado por filmes Thyago Bertoni, finalmente consegui convencê-lo a participar do blog e compartilhar com vocês sua visão sobre filmes. Eu e o Thy somos amigos há um bom tempo e, entre tantos temas que adoramos conversar, o cinema certamente é o principal deles. Passamos dias e dias debatendo sobre filmes com nosso amigo Hector e, quando eu ainda morava no Brasil, organizávamos encontros para poder falar pessoalmente também. Conheci ambos graças ao meu primo Thiago e sua esposa Amanda, que já tiveram um blog comigo no passado chamado “Ilha de Lost” e que me apresentaram tanto o Thy quanto o Hector, duas amizades que prezo muito na vida. Nossas famílias tornaram-se amigas, apesar da distância que nos separava já no Brasil e que agora ficou ainda maior. E o cinema segue sendo um dos pontos de conexão entre todos nós.

Ao longo do tempo, fui notando o talento e a sensibilidade do Thyago para escrever sobre filmes e a ideia de convidá-lo para o blog passou a ganhar força. Cada vez que ele compartilhava comentários sobre os filmes que tinha assistido recentemente, a vontade de trazê-lo para o C&D crescia mais. Até que finalmente decidi levar a ideia adiante e, felizmente, ele aceitou.

Espero que curtam a novidade. Desejo todo sucesso do mundo ao Thy e espero que ele seja muito bem-vindo por aqui.

Agora nos resta colocar a mão na massa, assistir muitos filmes e produzir mais e mais conteúdo para vocês.

Um grande abraço e um fim de semana cinematográfico para todos nós!

Texto publicado em 13 de Setembro de 2019 por Roberto Siqueira

O restante da Videoteca chegou

Finalmente a Videoteca está completa :).

Chegaram os últimos filmes que ainda estavam no Brasil.

Agora só falta encontrar o móvel ideal para acomodá-la.

Texto publicado em 13 de Julho de 2019 por Roberto Siqueira

Cinema & Debate: 10 anos

Maio de 2009. Enquanto a Dri se dedicava a um projeto profissional em Medellín que fez com que ela vivesse praticamente um semestre na Colômbia com raras vindas ao Brasil, eu buscava me adaptar a uma nova rotina após concluir o MBA e, pela primeira vez em muitos anos, finalmente ter tempo livre. Inquieto como sempre fui, não sabia muito bem como lidar com o tédio pós-horário do trabalho e passei a investir meu tempo em jogos de futebol, happy hours com amigos e, claro, filmes. Era bom, mas faltava algo.

Até que surgiu a oportunidade de fazer o curso Teoria Linguagem e Crítica cinematográfica do Pablo Villaça em São Paulo. Sempre fui fã do Pablo e do Cinema em Cena, adorava ler críticas cinematográficas e sou apaixonado pela escrita. Podia, enfim, unir todas estas paixões. Só que eu não esperava que aquela semana tivesse tamanho impacto em minha vida. Além de uma turma maravilhosa e divertida que me apresentou queridos amigos com quem tenho contato até hoje, pude perceber a diferença que faz estudar algo que realmente amamos. O tempo voava, eu saía das aulas com a mente fervilhando e eu simplesmente tinha que compilar aquilo de alguma forma e em algum lugar. Surgia ali a ideia de criar o Cinema & Debate.

No dia 20 de Junho de 2009 nascia o blog com o primeiro texto “A Sétima Arte”. A intenção inicial era assistir todos os filmes da minha coleção de DVD´s (e posteriormente Blu-rays) em ordem cronológica e escrever sobre eles no blog na categoria “Videoteca do Beto”, num processo que permitira minha evolução como cinéfilo e, por que não dizer, crítico de cinema. Na época eu pensava ser possível evoluir ao ponto de viver da crítica cinematográfica, mas minha falta de visão sobre os caminhos que a crítica seguiria (só criei o canal do Cinema & Debate no YouTube este ano, por exemplo) somada a minha evolução na carreira profissional, que nada tem a ver com cinema, não permitiram que eu conseguisse alcançar este objetivo. Inicialmente, isto me angustiava. Hoje, consigo conviver bem com a ideia de que o blog é um espaço onde compartilho minha visão sobre os filmes e interajo com leitores queridos, sem ter qualquer pretensão de transformá-lo em minha fonte de renda. Em resumo, aprendi a desfrutar a jornada e não me preocupar com o destino final.

Ao longo de 10 anos, escrevi esporadicamente sobre acontecimentos do cotidiano, sobre a família, me emocionei escrevendo sobre o nascimento dos meus filhos, escrevi sobre esportes e eventos importantes como a Copa do Mundo, sobre música, sobre viagens e sobre temas pessoais, mas obviamente a maioria absoluta dos textos gira em torno do cinema. Evolui consideravelmente nas críticas da Videoteca, que atualmente está nos filmes lançados em 2001, divulguei algumas semanas especiais como Nouvelle Vague e Nova Hollywood e escrevi também sobre filmes aleatórios na categoria “Filmes em Geral”. Após um início tímido, o blog atingiu um considerável número de acessos e comentários, especialmente nos anos em que consegui produzir semanalmente, mas nos últimos anos, com a vida profissional em fase pulsante, vi o número de posts cair bastante, sem perder a média de acessos diários que me motiva a seguir em frente e jamais pensar em desistir deste projeto que tanto amo.

Neste sentido, 2019 está sendo um ano bem melhor que os anteriores. Retomei o ânimo, voltei a produzir textos com mais frequência e lancei o citado canal no YouTube, além de finalmente realizar um desejo antigo e começar a escrever sobre lançamentos. Ainda não consegui cumprir desejos antigos, como a semana especial Neo-realismo Italiano, mas esta e outras que tenho em mente irão surgir, assim como a continuidade da Videoteca do Beto, novos vídeos sobre lançamentos e a continuidade da série recém-criada no canal, chamada Crítica Ilustrada. Particularmente, adorei produzir o vídeo sobre a crítica de “Um Sonho de Liberdade” e pretendo produzir muitos outros similares.

E daqui, para onde vamos?

Sinceramente, não consigo visualizar o que será o Cinema & Debate nos próximos 10 anos. Só sei que espero curtir a jornada e me divertir tanto quanto até aqui. Quando deixei o prédio na Avenida Paulista em Maio de 2009 com a mente fervilhando após aquelas aulas maravilhas do Pablo, não podia imaginar que estaria hoje escrevendo este texto, mas a viagem valeu muito a pena.

Espero que tenha sido tão excitante, divertido e interessante para vocês como foi para mim.

Um grande abraço e obrigado a todos que dedicaram algum tempo de suas vidas para ler algum texto no Cinema & Debate.

Até breve!

Texto publicado em 20 de Junho de 2019 por Roberto Siqueira

Cinema & Debate agora também no YouTube

Queridos leitores,

Chegou a hora de finalmente darmos passos maiores. Estreia hoje nosso canal no YouTube e logo no vídeo inicial anunciamos outra novidade.

Assistam, comentem e inscrevam-se no canal!

Um grande abraço a todos.

 Texto publicado em 31 de Março de 2019 por Roberto Siqueira