A MISSÃO (1986)

(The Mission)

 

Videoteca do Beto #37

Dirigido por Roland Joffé.

Elenco: Robert De Niro, Jeremy Irons, Ray McAnally, Aidan Quinn, Cherie Lunghi, Ronald Pickup, Chuck Low, Liam Neeson, Daniel Berrigan e Monirak Sisowath.

Roteiro: Robert Bolt.

Produção: Fernando Ghia e David Puttnam.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido o filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

As belíssimas paisagens da divisa entre Brasil, Argentina e Paraguai, capitaneadas por uma incrível cachoeira em meio à floresta, são o pano de fundo para a história da chegada de espanhóis e portugueses em território indígena, onde os jesuítas tocavam o projeto das missões, criando comunidades e vivendo em harmonia com os povos nativos. A forma como as decisões políticas e os interesses econômicos determinaram o fim das missões e o meio violento utilizado para este fim é o que poderemos testemunhar no bom filme dirigido por Roland Joffé. “A que preço este continente foi dominado, colonizado e encontrou o progresso?” é a reflexão que surge na mente do espectador quando o último plano do filme desaparece na tela.

“A Missão” narra à história do padre Gabriel (Jeremy Irons), um jesuíta de bom coração que luta para defender os interesses indígenas ao lado de Fielding (Liam Nesson), e ao mesmo tempo tenta convertê-los para o cristianismo, no final do século XVIII. Gabriel passa a enfrentar problemas com o mercenário mercador de escravos Rodrigo Mendoza (Robert De Niro), mas vê a oportunidade de guiá-lo em sua redenção quando, após matar o próprio irmão Felipe (Aidan Quinn) num duelo pelo amor da jovem Carlotta (Cherie Lunghi), Rodrigo sequer consegue continuar vivendo. Decidido a se regenerar, e como forma de pagar penitencia pelo peso de seu passado, o mercenário se torna padre e parte para viver na missão jesuíta, junto aos índios que perseguia. Os problemas começam quando os interesses econômicos na região entram em conflito com a missão jesuíta.

Não é difícil imaginar a dificuldade que os primeiros europeus encontraram quando chegaram ao continente sul-americano, ao se deparar com os povos nativos da região. Imagina-se também o choque cultural provocado nestes povos, ao perceberem que não estavam sozinhos e serem invadidos por pessoas de culturas tão diferentes. Por isso, quando vemos a forte cena em que um padre, amarrado em uma cruz, desce uma cachoeira para encontrar a morte, podemos imaginar os motivos que causaram este terrível fim. Mesmo assim, os chamados jesuítas tiveram sucesso em suas missões, se estabelecendo na região e convivendo pacificamente com os povos indígenas.

Roland Joffé é preciso na criação de planos incrivelmente belos, enquadrando perfeitamente as lindas paisagens do local. Conduzindo a narrativa com segurança, o diretor consegue manter um bom ritmo, falhando apenas na confusa seqüência final, quando o combate se inicia. A sutileza do diretor é perceptível na cena em que Rodrigo mata seu irmão Felipe, onde a câmera sequer mostra o irmão morto, fixando a imagem no rosto de Rodrigo e captando o impacto daquela ação em sua mente, já que este momento mudaria sua vida para sempre. Joffé também é competente na condução de uma das mais belas cenas do filme, quando padre Gabriel toca flauta para fazer contato com os índios, mostrando o poder da musica como linguagem universal, rompendo a barreira do idioma e permitindo a comunicação entre povos distintos. Esta cena, aliás, é marcada pela linda música tema composta por Ennio Morricone, que é o destaque da bela trilha sonora do filme.

O roteiro de Robert Bolt pode parecer bastante maniqueísta, ao retratar praticamente todos os europeus como vilões sem coração e todos os índios e jesuítas como pessoas boas. Porém, o filme escapa do maniqueísmo ao utilizar um inteligente artifício narrativo. Toda a história é contada sob o ponto de vista de Altamirano (Ray McAnally), que amargurado, generaliza em seu relato, transformando todos os europeus em pessoas más e todos os índios em pessoas boas. Além disso, o próprio arrependimento do narrador e a mudança de Rodrigo ao longo da narrativa reforçam este argumento. O roteiro também aborda de forma convincente como o jogo de interesses políticos determinou as ações tomadas na região, sem eximir de culpa o governo espanhol, português e a igreja. Fica claro para o espectador que a igreja trabalhou muito mais para fins políticos do que para defender a mensagem divina de amor e paz. Finalmente, Bolt teve o cuidado de desenvolver muito bem dois personagens antagônicos, que caminham juntos durante certo momento da narrativa, somente para tomar caminhos distintos em defesa da mesma causa no final. Obviamente, estamos falando de Rodrigo Mendoza e padre Gabriel. Por outro lado, ao não conseguir criar empatia com nenhum dos índios, o roteiro parece diminuir o impacto da terrível seqüência final, mas de certa forma, ajuda a entender o problema como algo generalizado, e não concentrado em um único personagem. Assim, o espectador sofre, mas não por um único índio por quem tenha criado empatia, e sim por todos eles, o que é mais tocante.

A citada cena em que Gabriel faz contato com os índios através da música serve também para iniciar a ligação do espectador com o bom padre, que será importante durante toda a narrativa. Irons está muito bem nesta cena, demonstrando a tensão misturada com coragem que sentia no momento, com o olhar atento para todos os lados e os gestos minimamente calculados. A grande atuação de Jeremy Irons cresce ainda mais no terceiro ato, quando Gabriel sofre o dilema entre defender os nativos utilizando a força e respeitar os ensinamentos cristãos de paz e amor. Mesmo sofrendo (e o ator é competente na transmissão deste sentimento), se mantém firme em sua fé, como podemos notar em sua importante conversa com Rodrigo, quando este pede para ser abençoado. Irons demonstra bem a insegurança de Gabriel, afinal de contas, o padre também é um ser humano. Mesmo assim, decide seguir pelo caminho do amor, nem que pague com a vida por isso.

Quem também decide pagar com a vida para defender os índios, só que de uma forma diferente e mais violenta, é Rodrigo Mendoza. Inicialmente apresentado como um homem cruel, capturando índios e negociando-os, ele se transforma completamente após a tragédia que destrói sua vida.  Após matar seu irmão, que havia se interessado por Carlotta (a mulher com quem Mendoza se relacionava), desiste de viver, sendo convencido por Gabriel a seguir com os Jesuítas para a missão, aceitando apenas como forma de penitência. Porém, sua transformação ao longo da trama é notável, graças ao bom desempenho do sempre competente Robert De Niro. A cena em que ele desaba num choro sentido diante dos índios é extremamente comovente e exemplifica muito bem o bom trabalho do ator. Rodrigo é um personagem muito importante na trama, e a câmera de Joffé traduz isso algumas vezes. Observe, por exemplo, como em dois momentos distintos, ao ouvir palavras mentirosas ou agressivas dos europeus, a câmera se aproxima dele (primeiro através de um close, depois através de um travelling para a esquerda), realçando seu incomodo com o que ouvia. Repare também o simbolismo óbvio na cena em que um pequeno índio encontra e entrega para Rodrigo sua espada perdida. O menino sabia que no íntimo Rodrigo queria lutar. As palavras não precisam ser ditas, o gesto resume tudo. Observe também como através da expressão facial e do olhar, De Niro transmite todo o sentimento do personagem na cena. Completando os destaques no elenco, Aidan Quinn tem uma participação discreta e pequena como Felipe Mendoza, enquanto Liam Nesson tem uma atuação discreta e competente na pele de Fielding, crescendo nos momentos finais, quando ajuda Rodrigo a liderar os índios contra a invasão européia.

O bom trabalho de direção de fotografia de Chris Menges é o destaque na parte técnica, explorando com competência a absurda beleza das cachoeiras, dos rios e da floresta local. Repare como a fotografia é dessaturada quando a ação se passa nas vilas e cidades, mudando para uma imagem muito mais viva na floresta e na comunidade dos índios e jesuítas, refletindo o estado de paz e pureza do local, em oposição à sujeira e aridez da vida na cidade. Também tem função narrativa quando o exército europeu chega ao local retirando mulheres e crianças, utilizando uma paleta escura e até mesmo a chuva para refletir a tristeza que os nativos sentiam. Os figurinos de Enrico Sabbatini e a direção de arte de John King e George Richardson são responsáveis pela competente ambientação à época, enquanto a montagem de Jim Clark é responsável pelos belos clipes que embalam a adaptação de Rodrigo ao meio indígena. Clark também cria boas elipses, como quando escutamos alguém comentar com Gabriel que Rodrigo havia assassinado o irmão há seis meses, logo depois da cena do duelo.

Mostrando claramente os interesses políticos de Espanha, Portugal e da igreja católica na região sul-americana, e como este interesse foi determinante para que os nativos fossem dizimados, abrindo espaço para a chegada destas nações e a construção da civilização que vemos hoje em dia, “A Missão” não chega a emocionar como poderia, mas cumpre um papel histórico importante. Além disso, mostra como duas pessoas podem defender a mesma causa de formas distintas, de acordo com o que acreditam, e nos tocar da mesma forma. Respondendo à pergunta inicial deste texto, o próprio narrador Altamirano deixou sua opinião: o preço da colonização foi muito alto.

Texto publicado em 19 de Janeiro de 2010 por Roberto Siqueira

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55 Respostas to “A MISSÃO (1986)”

  1. Maria Says:

    Esse filme o muito bom mesmo qual e a trilha sonora. Meus parabens quem fes esse filme mesmo e muito bom 👍👍👍

  2. Balanço de 2016 | Cinema & Debate Says:

    […] 2° lugar = “A Missão” […]

  3. Anônimo Says:

    “A missão” um filme muito bom para se fazer analogia em relação a Ética e moral.

  4. Balanço de 2015 | Cinema & Debate Says:

    […]             2° lugar = “A Missão” […]

  5. anonima Says:

    ,,meu Deus Kii Filmee Chatoo

  6. Tadeu Moraes Taffarello Says:

    O que ele toca é oboé, não flauta…

  7. nathalia Says:

    licao para fazer deste filme mas dormi na hora que a prof passo t ferrada

  8. Anônimo Says:

    desculpem mas o filme da muito tédio

  9. Balanço de 2014 | Cinema & Debate Says:

    […]             3° lugar = “A Missão” […]

  10. Iguaim Whuan Says:

    bué fiche este filme…

  11. fabiana ramos Says:

    muito bom mesmo adorei

  12. cristina Says:

    esse filme e otimo adoreeeeiii

  13. cristina Says:

    uau esse filme e tudo de bom muito bem elaborado

  14. Fabiana Says:

    Eu gostaria de saber o titulo da trilha sonora do filme?

  15. Anônimo Says:

    Eu gostaria de saber o titulo da trilha sonora do filme?

  16. Anônimo Says:

    A trilha sonora é demais.Vc poderia me dizer qual é o titulo dele?

  17. Balanço de 2013 | Cinema & Debate Says:

    […]             1° lugar = “A Missão” […]

  18. Maria Says:

    sua esplicaçao e muito boa,mas voce explica muito sobre as fotografia,queria saber mais sobre o filme…

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Maria,
      Agradeço o elogio. Se quiser saber mais sobre o filme, sugiro assisti-lo. É a única maneira.
      Abraço.

  19. tais Says:

    há esse filme relata a historia das missões no rio grande do sul ,o meu povo prestem aatenção

  20. MARILIA DA SILVA COSTA Says:

    qual era a dinamica da cia de jesus ao vir para a America?

  21. Anônimo Says:

    Eu assistir o filme, mas quero saber para vocês qual foi a mensagem que o filme deixou?

  22. Kassiellem Miranda Says:

    Vi esse Filme na escola, e precisava fazer um roteiro do filme e esse site me ajudou mt só ke precisa da seguinte resposta “Como o personagem vivencia a experiencia?”
    vocês poderiam me Ajudar?????
    Obrigada

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Kassiellem,
      Para responder esta pergunta, é melhor assistir ao filme, não acha?
      Agradeço o elogio ao texto.
      Abraço.

  23. vinicius Says:

    Como os personagens vivenciam suas experiencias

  24. Anônimo Says:

    Adorei o site, era tudo o que eu precisava para o meu trabalho.
    Eles estão de parabéns.

    • Kassiellem Miranda Says:

      tambem mais precisava só da resposta dessa pergunta
      “Como o personagem vivencia a experiencia?”
      vocês poderiam me Ajudar?????
      Obrigada

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá,
      Agradeço o elogio. No caso, “eles” não existem. É o site de um homem só. rs
      Abraço.

  25. POCAHONTAS (1995) « Cinema & Debate Says:

    […] – o que não está tão distante da realidade apresentada em filmes como o ótimo “A Missão”. E apesar de jamais mostrar o resultado das ações violentas dos personagens (poupando o […]

  26. Rogério Amaral Silva Says:

    Esse filme mostra a verdade sobre a atuação da Igreja em proteger os índios da ganância do europeu moderno. Lamentavelmente, historiadores modernos imbuídos de um anticlericalismo radical alimentados pela imbecilidade marxista teimam em caluniar a atuação da Igreja e as escolas, mais preocupadas em ensinar os alunos a passar de ano (ao invés de transmitir conhecimento), substituem a verdadeira ciência pela mentira das ideologias.
    Excelente filme, a exemplo de “Apocalypto” de Mel Gibson.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Rogério,
      Obrigado pela visita e pelo comentário.
      Não creio que a atuação da Igreja na sociedade seja sempre merecedora de elogios, assim como não concordo que seja alvo constante de críticas. Temos que saber separar as coisas.
      Também gosto muito de Apocalypto.
      Um grande abraço.

    • Rogério Amaral Silva Says:

      Roberto, vou discordar de você. A civilização ocidental deve e muito para a Igreja: Universidades, hospitais, asilos, avanço científicos, sem contar a luz do Evangelho, Macular a reputação de uma instituição bimilenar pelos ato isolados de um ou outro filho seu, de forma alguma é sensato. E não podemos nos basear nas mentiras vomitadas por esquerdistas desonestos que acham estudam História, fazendo fofocas. A própria Inquisição foi uma avanço, ela surgiu da necessidade de se frear o ímpeto popular de se fazer justiça com as próprias mãos, que cometiam massacres cruéis contra criminosos. Talvez estava longe do ideal, mas foi um avanço (isso de você desconsiderar as fofocas esquerdistas). Aliás, falando em marxismo e movimentos esquerdista, eles ainda tem credibilidade, depois de tanta falcatrua e assassinatos no mundo? Esses sim são os verdadeiros bastardos inimigos da humanidade.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Rogério,
      Com todo respeito, prefiro discutir cinema apenas, ok?
      Um forte abraço.

  27. luiz rocha Says:

    Não dá para não citar a trilha famosa de Ennio Morricone. Acho que é uma das maiores do século XX. Ela transcende a película e se tornou uma sinfonia que leva a emoção mesmo aqueles que nunca viram falar do filme.

  28. Denize Araújo Says:

    Nossa! muito bom esse filme, emocianete mesmo.
    estou fazendo um trabalho sobre esse filme e estou tendo exito!

  29. Anônimo Says:

    esse filme traz a história do BRASIL e dos indigenas

  30. Anônimo Says:

    muiiito legal

  31. Anônimo Says:

    esse filme é realmente inesquecivel parabens

  32. Sérgio Says:

    A trilha composta por Ennio Morricone é simplesmente absurda! O filme é muito bom, mas o ponto alto, na minha opinião, é a trilha sonora.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Sérgio,
      Realmente a trilha sonora de “A Missão” está entre as mais belas da história do cinema.
      Abraço.

  33. Cesar Duarte Says:

    Taí um filme que realmente faz a minha cabeça. História emocionante, interpretação do Robert de Niro sensacional (aquela cena que o índio corta aquele monte de cangalha que ele carregava como penitência pela morte do irmão, em que ele ri e chora ao mesmo tempo não sai da minha cabeça). Já votei nessa trilha do Morricone como a minha preferida. O diretor Rolland Joffé já fez mais dois outros filmes excelentes, Cidade da Esperança com o falecido Patrick Swayze, filme que se passa na Índia e ele faz o papel de um médico recém formado que vai até lá a turismo e diante de tanta miséria não consegue abandonar o país, preferindo cuidar de tantos doentes do que abandoná-los à própria sorte. Muito bom mesmo. E o outro filme é o espetacular Gritos do Silêncio, sobre o conflito no Cambodja nos anos setenta, sobre o ditador Pol Pot e o khmer vermelho. História verdadeira sobre o jornalista Sidney Shamberg e seu amigo cambojano. É de arrepiar. Um de meus filmes de Guerra favoritos. Imagens deslumbrantes.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Cesar,
      Obrigado pelo comentário, a cena do De Niro é fantástica (aliás, ele é um ator fantástico).
      Também adoro a trilha sonora de “A Missão”, lindíssima.
      E valeu por citar grandes filmes, fica a dica para os leitores também.
      Abraço.

  34. Alessandra Says:

    duas cenas do filme que podemos perceber uma resistencia dos guaranis ao dominio dos jesuitas

  35. Hanny C. V. Says:

    Tenho uma comunidade no orkut sobre este filme, então nem precisa dizer que adoro! Agora o que ainda não comentei foi sobre os extras do DVD. É interessantíssimo, principalmente a contratação dos índios (que são colombianos, se não me engano). O mais incrível é que os índios não sabiam o conceito de “atuar”, foram aprendendo com o tempo e, no final, eles mesmos sugeriam como melhorar as cenas. Incrível!
    Cenas, cenários, atores… Excelente!

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Hanny.
      É verdade, os extras do DVD são muito interessantes.
      Obrigado pela visita, pelo comentário e volte sempre.
      Abraço.

  36. Coincidência? « Cinema & Debate Says:

    […] Cinema & Debate Clique aqui para acessar a Página Inicial « A MISSÃO (1986) […]

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