007 CONTRA GOLDENEYE (1995)

(GoldenEye)

3 Estrelas 

Videoteca do Beto #207

Dirigido por Martin Campbell.

Elenco: Pierce Brosnan, Sean Bean, Izabella Scorupco, Famke Janssen, Joe Don Baker, Judi Dench, Gottfried John, Robbie Coltrane, Alan Cumming, Tchéky Karyo, Desmond Llewelyn, Samantha Bond, Michael Kitchen e Serena Gordon.

Roteiro: Jeffrey Caine e Bruce Feirstein, baseado em história de Michael France e personagens criados por Ian Fleming.

Produção: Barbara Broccoli e Michael G. Wilson.

007 Contra GoldenEye[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Após os dois ótimos filmes da curta passagem de Timothy Dalton como o agente 007, a franquia mais duradoura da história teve que esperar longos 6 anos por seu próximo longa, graças a uma batalha judicial pelos direitos da série. Assim, o ótimo ator acabou deixando a franquia e abriu espaço para a primeira aparição de Pierce Brosnan. Lançado após o fim da guerra fria, “007 Contra GoldenEye” traz ainda outras novidades, como o primeiro roteiro original da série e a introdução de uma mulher no papel de M. As novidades, no entanto, não garantem sozinhas o sucesso do longa, mas ainda que seja claramente inferior aos seus dois antecessores, o filme dirigido por Martin Campbell consegue agradar.

Escrito por Jeffrey Caine e Bruce Feirstein com base em história de Michael France e nos personagens criados por Ian Fleming, “007 Contra GoldenEye” é, como mencionado, o primeiro roteiro não inspirado em material de Fleming. Desta vez, James Bond (Pierce Brosnan) precisa encontrar uma perigosa arma espacial conhecida como GoldenEye, capaz de destruir tudo que tenha circuito elétrico na face da Terra. Após a arma letal destruir uma base de operações na Rússia, Bond descobre uma sobrevivente, a bela programadora de computadores Natalya Simonova (Izabella Scorupco), que aceita ajudá-lo. Só que o assassinato de seu amigo e agente secreto Alec Trevelyan (Sean Bean) em outra operação na Rússia tinha mais ligações com GoldenEye do que Bond poderia imaginar.

Assumindo pela primeira vez a direção de um filme da franquia, Martin Campbell e seu montador Terry Rawlings imprimem um ritmo dinâmico à narrativa desde seu interessante início em que marcam presença a ação absurda e o humor britânico tão característicos da série na sequência em que Bond invade uma base russa ao lado do amigo Alec. No entanto, este ritmo inicial não se mantém, sofrendo uma queda especialmente no sombrio segundo ato após a revelação de que Alec é, na verdade, o mentor do projeto envolvendo GoldenEye. Esta cena, aliás, é muito bem conduzida pelo diretor, explorando o visual afundado nas sombras criado pelo diretor de fotografia Phil Meheux para manter o suspense até o momento da revelação.

Enquanto o designer de produção Peter Lamont acerta novamente na criação de cenários imponentes como a ilha cubana que esconde os armamentos de Alec e os figurinos de Lindy Hemming mantém a elegância marcante de James Bond, a trilha sonora de Eric Serra aposta numa composição grandiosa em certos momentos, como na sequência da destruição da base russa em Severnaya, criando ainda variações para a pouco empolgante música tema “GoldenEye”, de Tina Turner.

Responsável por uma boa reviravolta na trama, o Alec de Sean Bean é um bom vilão, demonstrando inteligência e carisma na medida certa com sua postura agressiva e seu humor irônico. Por outro lado, Gottfried John cria um General Ourumov bastante caricato, ao passo que Robbie Coltrane nos diverte como Valentin Zukovsky, ex-agente da KGB que trava um interessante e engraçado diálogo com James Bond antes de ajudá-lo. E porque raios os russos falam inglês com um sotaque ridículo ao invés de simplesmente conversarem entre eles em russo é algo mais difícil de compreender do que o próprio idioma.

Bond invade uma base russa ao lado do amigo AlecAlec é o mentor do projetoGeneral Ourumov caricatoEntre as mulheres, a bela Natalya Simonova é vivida com carisma e leveza por Izabella Scorupco, criando boa empatia com 007 e estabelecendo um contraponto interessante para a postura mais rígida das outras atuações femininas, a começar por Judi Dench, que assume o papel de M com firmeza, numa subversão de expectativa que agrada e, de maneira elegante, se preocupa até mesmo em fazer uma menção ao seu antecessor. Por outro lado, a postura agressiva não combina muito bem com Onatopp (que nome hein!), a caricata personagem vivida por Famke Janssen que em nada agrega a narrativa. E fechando o elenco feminino, Samantha Bond mantém o tom bem humorado da interessante relação entre Bond e Moneypenny, demonstrando ainda uma curiosa e bem vinda evolução na autoconfiança da garota.

Com porte, carisma e timing cômico para viver 007, Pierce Brosnan se sai bem, carregando o projeto com facilidade e convencendo também nas cenas que exigem esforço físico, numa atuação equilibrada e coerente com o personagem. Com classe e estilo, Bond continua o mesmo de sempre, como fica evidente logo no início quando ele protagoniza uma eletrizante perseguição de carros numa montanha e, de quebra, ainda beija a psicóloga contratada para avalia-lo. Da mesma forma, o agente continua demonstrando enorme capacidade de improviso diante do perigo, além é claro do gosto refinado tão característico.

Bela Natalya SimonovaJudi Dench assume o papel de MPorte, carisma e timing cômico para viver 007No entanto, a queda de ritmo do segundo ato deixa a incômoda sensação de que faltam grandes cenas de ação em “007 Contra GoldenEye”, o que não é algo positivo, especialmente num filme de James Bond. A rigor, temos somente uma cena realmente marcante, que inicia na frenética fuga de Bond de uma base russa, seguida pela perseguição a bordo de um tanque de guerra pelas ruas da cidade em busca de Natalya Simonova. Além dela, somente o ato final contém momentos empolgantes, começando pelo movimento de câmera que revela que Bond deixou um explosivo na parede antes de ser levado pelos russos e terminando na esperada luta corporal entre o agente e o vilão, que é levemente prejudicada pelos pouco verossímeis efeitos visuais.

Assim, “007 Contra GoldenEye” diverte, mas o trabalho inicial de Pierce Brosnan representa uma leve queda no nível de qualidade apresentado na curta passagem de Timothy Dalton pela franquia. Nada, porém, que pudesse preocupar os fãs, especialmente se compararmos com os trabalhos que Brosnan seria obrigado a encarar alguns anos depois.

007 Contra GoldenEye foto 2Texto publicado em 03 de Junho de 2014 por Roberto Siqueira

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