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TOY STORY 2 (1999)

31 janeiro, 2017

(Toy Story 2)

5 Estrelas 

 

Videoteca do Beto #233

Dirigido por John Lasseter, Ash Brannon e Lee Unkrich.

Elenco: Vozes de Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Don Rickles, Jim Varney, Kelsey Grammer, John Ratzenberger, Wallace Shawn, Annie Potts, John Morris, Laurie Metcalf, Estelle Harris, R. Lee Ermey, Andrew Stanton, Joe Ranft, Rodger Bumpass, Frank Welker e Robert Goulet.

Roteiro: Andrew Stanton, Rita Hsiao, Doug Chamberlin e Chris Webb, baseado em argumento de John Lasseter, Pete Docter, Ash Brannon e Andrew Stanton.

Produção: Karen Robert Jackson e Helene Plotkin.

toy-story-2[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Quatro anos após revolucionar a animação no cinema e inaugurar a quase impecável filmografia da Pixar, era inevitável que o mega sucesso de público e crítica “Toy Story” ganhasse uma continuação. O grande temor, no entanto, era que esta continuação fosse simplesmente uma mera desculpa para ganhar dinheiro, desperdiçando o enorme potencial dramático que o material original continha. Felizmente, a Pixar deixou claro desde então que, por mais que erre aqui ou ali, sua capacidade de acertar é infinitamente maior, entregando uma continuação admirável, superior tecnicamente e nivelada em termos narrativos ao seu antecessor.

Escrito a oito mãos por Andrew Stanton, Rita Hsiao, Doug Chamberlin e Chris Webb, “Toy Story 2” nos leva novamente ao quarto de Andy (voz de John Morris), onde seus divertidos brinquedos se preparam para o acampamento de verão em que Woody (voz de Tom Hanks) mais uma vez acompanharia seu dono. No entanto, após sofrer um acidente e ter seu braço direito rasgado, Woody é deixado para trás e acaba sendo sequestrado por um colecionador de brinquedos, levando Buzz (voz de Tim Allen), Rex (voz de Wallace Shawn) e companhia a partirem em busca de seu resgate.

Impecável tecnicamente, o trabalho dos animadores da Pixar se destaca logo nos primeiros instantes, numa sequência de abertura inspirada que nos leva pela pequena aventura de Buzz no espaço e culmina num final muito criativo, já prendendo a atenção da plateia desde o início e resgatando a relação de cumplicidade entre aqueles queridos personagens e o espectador. Claramente trazendo uma evolução gráfica em relação ao filme anterior, a qualidade da animação impressiona pela riqueza de detalhes, como quando os olhos de Rex se movem quando a mãe de Andy (voz de Laurie Metcalf) recolhe os brinquedos para colocar na venda de usados, refletindo sua aflição ao sentir a aproximação dela.

Ainda na parte técnica, a fotografia de Sharon Calahan traz uma abordagem mais sombria em alguns momentos ao adotar cores escuras, como no clímax no aeroporto ou no duelo entre Buzz e o Imperador Zurg (voz de Andrew Stanton, que viria a dirigir filmes da Pixar depois). Além disso, acerta em cheio na escolha do sépia para realçar a aura nostálgica do passado de Woody (e do western de maneira geral), contrastando com o colorido do quarto de Andy e o dourado que embala a sequência mais emocionante do filme (voltaremos a ela em instantes). Já a montagem de Edie Bleiman, David Ian Salter e Lee Unkrich, além de imprimir um ritmo empolgante à narrativa, acerta ainda em momentos delicados e elegantes, como a transição do desenho do “homem-galinha” da tela de um brinquedo para o homem real.

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Transitando muito bem entre a comédia e a melancolia, os diretores John Lasseter, Ash Brannon e Lee Unkrich adotam a mencionada abordagem mais sombria nesta continuação, trazendo novos personagens e elementos narrativos que fortalecem a trajetória de Woody, Buzz e os demais carismáticos brinquedos, tornando-os ainda mais próximos de todos nós. Apostando no infalível sentimento nostálgico que os brinquedos evocam nos adultos e em inspiradas gags que divertem as crianças, o longa não erra em praticamente nada nos aspectos narrativos e temáticos, graças a condução dos diretores e a qualidade do roteiro.

Entre os inúmeros momentos engraçados, gosto particularmente daquele em que o porquinho (voz de John Ratzenberger) troca de canais rapidamente para achar o “homem-galinha” com o Rex desesperado ao seu lado. A sequência na loja de brinquedos também é muito inspirada e aproveita praticamente todas as oportunidades que a situação oferece para nos fazer rir, passando pelo corredor do Buzz Lightyear, o imperador Zurg e principalmente na hilária passagem pelas Barbies. Aqui, aliás, acontece uma das diversas referências aos grandes clássicos do passado no plano que realça o T-Rex no retrovisor do carro exatamente como ocorria em “Jurassic Park”. Entre outras referências, temos ainda os arremessos com o pai em “Campo dos Sonhos”, as notas musicais da trilha de “2001” e a óbvia referência à “Star Wars Episódio V: O Império Contra-Ataca”. Vale destacar também as sequências de ação muito bem conduzidas pela câmera ágil dos diretores, como no empolgante ato final no aeroporto, desde quando passarmos junto com os personagens pelo check-in e iniciarmos a viagem pelas esteiras ao lado das malas até o dinâmico trecho que se passa na pista e no avião.

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Só que, curiosamente, as cenas mais marcantes de “Toy Story 2” não são recheadas de energia. Um verdadeiro capitulo a parte dentro do filme, a aparição do velhinho que conserta Woody é fabulosa, trazendo à tona um personagem carismático dos famosos curtas da Pixar de maneira peculiar e apaixonante, assim como a cena mais tocante do longa, que sequer envolve diretamente o protagonista. Exalando sensibilidade e delicadeza, o pequeno clipe que narra a história de Jessie (voz de Joan Cusack) é comovente e já anunciava ainda em 1999 a enorme capacidade da Pixar de tocar o espectador em poucos minutos (algo que voltaria a ocorrer, por exemplo, em “Up – Altas Aventuras”), além de ser visualmente belíssimo com seus tons dourados que remetem a melhor época da vida da boneca contrastando com o tom melódico e triste da linda canção que embala a sequência.

E já que mencionei a cowgirl, vale dizer que a introdução de Jessie, Bala no Alvo (voz de Frank Welker) e Pete (voz de Kelsey Grammer) é extremamente eficiente e acrescenta muito a narrativa, trazendo elementos importantes para compreendermos o passado e a história de Woody e engrandecendo-o ainda mais como personagem. Remetendo aos tempos áureos do western e novamente abordando o conflito de gerações e a transição da época dos caubóis para a época dos astronautas no imaginário infantil após a corrida espacial, o conflito entre o velho e o novo também ganha mais força pela forma nostálgica que somos apresentados a história de Woody, através de fitas de videocassete, toca discos e brinquedos já anacrônicos, que soam como doces lembranças na memória dos espectadores mais velhos. Além disso, o roteiro encontra ainda um pequeno espaço para enviar uma mensagem de respeito as diversidades ao mostrar como Woody é simplesmente deixado de lado após ter seu braço rasgado e perder sua “perfeição”, reencontrando brinquedos abandonados que viveram seus dias de glória num passado não muito distante e sentindo na pele o quanto a rejeição é dolorosa.

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A música cantada por Wheezy (voz de Robert Goulet) encerra “Toy Story 2” no mesmo clima alegre que o primeiro filme encerrava, mas desta vez temos ainda os divertidos erros de gravação que, além de revelar a já latente criatividade da Pixar, também nos aproxima mais daqueles personagens ao torna-los críveis dentro do que é possível numa animação – e de quebra, revela bastidores das produções hollywoodianas de maneira bem humorada, como ao mostrar Pete paquerando as Barbies gêmeas e as brincadeiras de Woody com Buzz. Aliás, o próprio conceito de erros de gravação numa animação não deixa de ser uma situação hilária.

Resgatando a aura nostálgica que tornou “Toy Story” uma animação tão especial, “Toy Story 2” acerta ao trazer novidades para a trajetória do caubói e do astronauta mais queridos dos anos 90, preparando o terreno para seu terceiro e derradeiro capítulo que, como sabemos, seria responsável por uma verdadeira comoção em toda uma geração.

toy-story-2-foto-2Texto publicado em 31 de Janeiro de 2017 por Roberto Siqueira

TOY STORY (1995)

4 agosto, 2012

(Toy Story)

 

Videoteca do Beto #137

Dirigido por John Lasseter.

Elenco: Vozes de Tom Hanks, Tim Allen, Jim Varney, Wallace Shawn, John Ratzenberger, John Morris, Erik von Detten e Don Rickles.

Roteiro: Joss Whedon, Andrew Stanton, Joel Cohen e Alec Sokolow, baseado em estória de John Lasseter, Andrew Stanton, Peter Docter e Joe Ranft.

Produção: Bonnie Arnold e Ralph Guggenheim.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Responsável por revolucionar o cinema ao utilizar pela primeira vez animação feita em computador num longa-metragem, o excelente “Toy Story” marcou também o início da impecável filmografia dos estúdios Pixar, que só viriam a tropeçar artisticamente no recente “Carros 2”, após anos de sucessos de crítica e público. E o longa que iniciou esta bela história faz jus ao posto, porque além de divertir o público infantil com sua empolgante aventura, conquista também espectadores de todas as idades ao abordar temas universais e remeter à deliciosa fase da infância.

Escrito por Joss Whedon, Andrew Stanton, Joel Cohen e Alec Sokolow a partir de história criada por John Lasseter, Andrew Stanton, Peter Docter e Joe Ranft, “Toy Story” tem inicio no dia do aniversário do menino Andy (voz de John Morris), uma data que provoca verdadeiro pavor entre seus brinquedos, que temem serem substituídos por novos brinquedos e relegados ao esquecimento. Tentando manter a calma de todos, o cowboy Woody (voz de Tom Hanks) tem sua autoconfiança abalada quando Andy ganha o moderno astronauta Buzz Lightyear (voz de Tim Allen), um sério candidato a roubar dele o cobiçado posto de brinquedo favorito do garoto. Buscando evitar o esquecimento, ele traça um plano para se livrar do rival, mas acaba criando uma situação bastante complicada para ambos.

Abordando de maneira delicada o tema universal do apego aos brinquedos na infância, “Toy Story” começa a conquistar o coração da plateia logo em seus minutos iniciais, quando acompanhamos o empolgado Andy brincando com seus bonecos e imaginando uma divertida situação – algo que, certamente, a maioria das pessoas já fez um dia. Independente da idade, o espectador se identifica imediatamente com o que vê, já que as crianças, por razões óbvias, se imaginam no lugar de Andy, ao passo em que os adultos recordam com nostalgia dos tempos de infância. Afinal de contas, quem não se lembra daquele brinquedo especial, que nos acompanhou durante o mágico período da infância?

Apresentando a notável qualidade das animações feitas através de computação gráfica, que tornam ainda mais fascinantes os personagens e cenários, “Toy Story” jamais utiliza sua inovadora tecnologia como muleta, valorizando corretamente suas virtudes técnicas, mas se preocupando também com o desenvolvimento de uma boa história. Assim, a narrativa parte da curiosa premissa de nos mostrar o que fazem os brinquedos quando estão sozinhos, acertando também ao conferir humanidade aos bonecos, mostrando sentimentos tão comuns nos seres humanos como a inveja, a raiva, o medo e até mesmo o amor, representado pela delicada boneca de porcelana Beth que é apaixonada por Woody. Estes sentimentos são transmitidos através das impecáveis expressões faciais que dão vida aos personagens, como podemos notar quando Buzz questiona se Woody está gozando sua cara – num momento hilário de Tom Hanks, que demonstra no tom de voz a inveja que sente do novo companheiro. Conferindo ainda sentimentos aos brinquedos através do medo de serem esquecidos na mudança e principalmente do medo que eles sentem de serem substituídos, o roteiro de “Toy Story” aproxima os personagens do espectador com precisão, o que é vital para que este embarque de corpo e alma na aventura.

Além disso, o roteiro não desperdiça a oportunidade de explorar situações interessantes envolvendo a natureza dos brinquedos para criar gags divertidíssimas, como ao utilizar soldados de plástico numa arriscada missão ou ao brincar com as partes que se soltam do rosto do Sr. Cabeça de Batata (voz de Don Rickles), inserindo ainda diversas situações que criam obstáculos para os heróis, permitindo que o diretor John Lasseter se divirta na condução de ótimas cenas de ação. Embalando estas cenas de ação, a trilha sonora de Randy Newman injeta adrenalina na narrativa, entretanto, as sequencias musicais, tradicionais nas animações até então, surgem apenas ocasionalmente em “Toy Story”, como na bela “You’ve got a friend in me” que abre o filme e na nas canções cantadas por Woody e Buzz, que não empolgam. E como normalmente acontece nas animações, o ótimo design de som e os fabulosos efeitos sonoros destacam-se pela riqueza de detalhes, conferindo realismo em cada movimento dos brinquedos.

Conduzindo a aventura com empolgação, John Lasseter acerta na escolha de planos interessantes, como na seqüência do posto de gasolina em que nos coloca sob o ponto de vista dos brinquedos, transformando carros e caminhões em verdadeiros gigantes. Da mesma forma, ao iniciar a cena da abertura dos presentes mostrando apenas a reação dos brinquedos e a narração via transmissor, o diretor cria um interessante suspense justamente por nos colocar na mesma posição dos apavorados bonecos. Caprichando ainda no aspecto visual, como na elegante transição da noite para o dia num travelling que sai da casa de Andy e vai para a casa de Sid – que conta também com o trabalho dos montadores Robert Gordon e Lee Unkrich -, o diretor consegue até mesmo criar momentos de tensão, como no plano em que Buzz está escondido atrás da porta enquanto o cão bravo de Sid ameaça entrar no quarto. Ainda seguindo esta estratégia de colocar o espectador no lugar dos heróis, Lasseter utiliza a câmera subjetiva para mostrar a janela ficando distante na frustrada tentativa de voar de Buzz e, no plano seguinte, emprega o contra-plongèe para diminuir o personagem no chão e ilustrar sua tristeza, confirmando seu domínio da linguagem cinematográfica.

Acertando também ao balancear de maneira orgânica as sequencias de ação, de suspense e de humor, como quando Woody pede uma mãozinha para Buzz e recebe seu braço quebrado ou quando o astronauta afirma que “não acredita que Sid tenha estudado medicina”, Lasseter e seus montadores imprimem um ritmo delicioso à narrativa, que ganha ainda mais vida graças ao visual colorido das sequencias diurnas, que, por sua vez, criam um forte contraste com a sombria sequencia que se passa dentro da casa de Sid – repare, por exemplo, como a chuva acentua a tensão quando Buzz é amarrado num foguete sob o olhar atento de Woody.

Dando vida ao antigo brinquedo preferido de Andy, a voz do carismático Tom Hanks colabora para que o medroso Woody crie empatia com a plateia, apesar de suas atitudes pouco nobres que tentam forçar sua permanência como brinquedo favorito do garoto. Seus esforços, no entanto, são em vão, pois a chegada de Buzz tira este posto de Woody, algo evidenciado quando Andy joga o cowboy pra longe da cama. Apresentado de baixo pra cima para demonstrar sua imponência, Buzz representa mais do que um simples candidato ao cobiçado posto, trazendo à tona um verdadeiro confronto de gerações entre o velho e o novo, o antigo e o moderno, simbolizado perfeitamente nas figuras do cowboy, o herói máximo do passado, e o astronauta, o herói moderno no imaginário das crianças.

Regido por um curioso código de ética – que ele quebra para poder acertar as contas com Woody sob a alegação de que estava fora de seu planeta -, Buzz não acredita que é um brinquedo, agindo sempre com seriedade absoluta enquanto tenta cumprir sua missão – o que garante momentos hilários, diga-se de passagem. Imprimindo um tom de voz solene e lançando o bordão “Ao infinito e além!”, Tim Allen ilustra bem este lado da personalidade do astronauta e ainda transmite sua tristeza quando, num momento comovente, ele descobre que é apenas um brinquedo dentro da casa de Sid. Apresentado através da janela do quarto de Andy enquanto explode um brinquedo apenas por diversão ao lado de seu cão raivoso, Sid rapidamente se estabelece como o vilão da trama, o que é essencial para que o espectador tema pelo destino de Woody e Buzz quando eles são pegos pelo malvado garoto. Quando isto acontece, a fotografia passa a priorizar cenas noturnas e cores escuras, refletindo a angústia dos protagonistas diante daquela verdadeira casa dos horrores, repleta de brinquedos “mutantes”, alterados na “sala de cirurgia” do rapaz – e até mesmo a decoração do quarto auxilia na criação desta atmosfera assustadora.

Só que, numa excelente subversão de expectativa, os horripilantes brinquedos de Sid se revelam amigáveis e até mesmo ajudam a consertar o braço de Buzz. Diante de novos amigos, Woody pode então planejar e executar sua divertida fuga da casa, que resulta na ótima cena em que os brinquedos se rebelam contra o perverso garoto e salvam Buzz, deixando uma clara mensagem para as crianças: cuidem bem dos seus brinquedos. Em seguida, a excelente perseguição ao caminhão de mudança, também muito bem conduzida por Lasseter, traz o tão desejado vôo do astronauta (“Isto não é voar, é cair com estilo”) e garante a diversão da garotada. Pra finalizar, a cena final que traz o agora preocupado Buzz fingindo não se importar com o que ouve no transmissor enquanto os soldados narram os presentes recebidos por Andy no natal é hilária e fecha com perfeição à narrativa.

Aventura deliciosa e com uma bela mensagem, “Toy Story” é um marco do cinema, não apenas por utilizar a computação gráfica na criação de seu refinado visual, mas também por inaugurar a “era Pixar”, que presenteou os cinéfilos ao longo dos anos com muitos filmes inesquecíveis. De quebra, fez tudo isto através de uma história interessante, apresentando personagens cativantes que ainda nos acompanhariam por muitos anos nesta deliciosa trilogia.

Texto publicado em 04 de Agosto de 2012 por Roberto Siqueira

TOY STORY 3 (2010)

24 fevereiro, 2012

(Toy Story 3)

 

 

Filmes em Geral #87

Dirigido por Lee Unkrich.

Elenco: Vozes de Tom Hanks, Tim Allen, Michael Keaton, Joan Cusack, Bonnie Hunt, Timothy Dalton, R. Lee Ermey, John Ratzenberger, John Morris, Laurie Metcalf, Wallace Shawn, Don Rickles, Jodi Benson e Ned Beatty.

Roteiro: Michael Arndt.

Produção: Darla K. Anderson.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Antes mesmo de assistir ao último filme da impecável trilogia “Toy Story”, fui tomado por um sentimento nostálgico somente ao imaginar que, após acompanharmos a trajetória de Andy e seus queridos brinquedos nos excepcionais filmes anteriores, aquela seria a minha despedida de Woody, Buzz e companhia. Se me emocionei em “Toy Story” e quase não contive as lágrimas em “Toy Story 2” – especialmente no clipe que conta a história de Jesse e sua dona -, era muito provável que as lágrimas seriam inevitáveis em “Toy Story 3”. Mas eu não estava preparado para esta verdadeira catarse. A verdade é que a obra-prima dirigida por Lee Unkrich mexe em nossos sentimentos mais profundos, remetendo a mais nostálgica fase de nossas vidas.

Desta vez escrito por Michael Arndt, “Toy Story 3” traz Andy (voz de John Morris) já com 17 anos e prestes a ir para a Faculdade. Enquanto arruma seu quarto, ele decide levar apenas o cowboy Woody (voz de Tom Hanks) e deixar todos seus outros brinquedos no sótão, entre eles Buzz Lightyear (voz de Tim Allen), Jessie (voz de Joan Cusack) e o Sr. Cabeça de Batata (voz de Don Rickles). Mas, por engano, sua mãe confunde o saco que ele separou para os brinquedos e eles acabam no lixo. O grupo consegue escapar, se infiltra numa caixa onde está Barbie (voz de Jodi Benson) e acaba sendo levado para a creche Sunnyside, onde eles conhecerão novos brinquedos como Ken (voz de Michael Keaton) e o urso Lotso (voz de Ned Beatty).

Esbanjando criatividade, o roteiro de Arndt traz Woody novamente numa situação complicada, tendo que salvar os amigos antes da partida de Andy, o que nos leva a novas e empolgantes aventuras. Remetendo em alguns instantes a estrutura narrativa do primeiro filme (a reunião entre os brinquedos, a “fuga involuntária” da casa), Arndt tem ainda o cuidado de revelar o destino de personagens marcantes como Wheezy, a boneca de porcelana Beth e os soldados de plástico, num indício sutil do clima nostálgico que permeia a narrativa, acertando também nos momentos bem humorados, como ao “resetar” Buzz e trazer de volta sua adorável dedicação ao “comando estelar”, além da hilária mudança de seu idioma para o espanhol. Abordando temas como a inexorabilidade do tempo (como atestam o gordo e cansado Buster e o rosto adolescente de Andy) e a importância da amizade verdadeira, “Toy Story 3” emociona não apenas as crianças, mas também (e especialmente!) os adultos.

A espetacular seqüência de abertura dá o tom da narrativa, iniciando com a empolgante aventura (que descobriremos existir apenas na cabeça de Andy) envolvendo os principais personagens da trilogia e terminando nas gravações que mostram o crescimento do garoto. Esta oscilação entre a euforia e a nostalgia é uma das marcas de “Toy Story 3”, graças à direção firme de Unkrich que transforma o capítulo final da trilogia num festival de sensações. Contando com o bom trabalho do montador Ken Schretzmann, a narrativa transita muito bem entre emoções extremas, passando pela adrenalina das aventuras, pela tensão dos momentos de suspense e pela delicadeza de cenas tocantes, como o melancólico e sublime final, intercalando tudo isso com momentos de bom humor. Além disso, o trabalho de montagem se destaca também pela fluidez em diversos momentos, como na citada abertura e na apresentação do sistema de segurança de Lotso, que transforma Sunnyside numa prisão.

Tecnicamente, mais uma vez a qualidade das animações impressiona pela riqueza de detalhes, sendo capaz de dar vida aos brinquedos através da leveza de seus movimentos e da expressividade deles – observe a expressão de desaprovação de Woody quando chega a Sunnyside, por exemplo. Além disso, chega a ser quase inacreditável a capacidade de criação dos animadores da Pixar, que desenvolvem uma enorme variedade de brinquedos (muitos deles remetem diretamente a minha infância, aliás), assim como o roteiro novamente aproveita a oportunidade para criar gags divertidas baseadas nas características deles, como no sensacional encontro entre Ken e Barbie e no divertido desfile que ele faz pra ela, nas constantes piadas sobre a origem dele (“Não sou brinquedo de menina!”) e no corpo improvisado pelo Sr. Cabeça de Batata.

Ainda na parte técnica, vale destacar mais uma vez o excepcional design de som, que dá vida ao mundo criado pelos animadores e nos insere dentro dele com precisão. E se desta vez a bela “You’ve got a friend in me” soa ainda mais nostálgica devido às circunstâncias, a trilha sonora de Randy Newman se destaca também por pontuar com precisão as cenas de aventura e suspense, injetando adrenalina e tensão sempre na medida certa, além de mostrar criatividade nos acordes tipicamente espanhóis que embalam a divertida dança “caliente” de Buzz.

Voltando aos aspectos visuais, vale observar como a fotografia colorida e cheia de vida na chegada dos brinquedos à creche Sunnyside cria uma expectativa totalmente contrária à realidade do lugar, evidenciada somente pela reação dos brinquedos locais segundos antes da invasão das agitadas crianças que detonam todos eles. Esta subversão de expectativa, aliás, também acontece com o personagem Lotso, que surge como um urso tranqüilo e amigável – e a voz contida de Ned Beatty é essencial para isto -, mas lentamente se revela como o grande vilão da trama. Será ele o agente da mudança brusca da fotografia, que troca as cores vivas pelos tons obscuros durante todo o segundo ato após Woody ouvir a história de Lotso, em outra cena que transita de tons dourados para cores sombrias e sufocantes que, realçadas pela chuva, ilustram os sentimentos do urso abandonado.

Além de imprimir um ritmo delicioso à narrativa, Unkrich se destaca, por exemplo, na condução de seqüências empolgantes e visualmente belíssimas como a primeira fuga de Woody de Sunnyside, a acrobática saída de Buzz da sala Lagarta e a segunda fuga da creche, capaz de grudar o espectador na cadeira, especialmente quando os personagens são deixados no assombroso depósito de lixo – e confesso que cheguei a temer pelo destino dos heróis nesta sombria seqüência, que é certamente o momento mais tenso da narrativa. Através destes interessantes movimentos de câmera que acompanham as peripécias dos personagens, Unkrich confere agilidade e dinamismo ao longa, o que é essencial numa aventura infantil. Mas “Toy Story 3” está longe de direcionar seus esforços apenas para a fatia mais jovem do público. Por isso, quando os personagens escapam da difícil situação no depósito e conseguem voltar para casa, o final devastador se aproxima e o espectador já sabe o que esperar.

Quando Andy brinca pela última vez com seus queridos brinquedos e apresenta cada um deles para a garota, nós sabemos que também estamos nos despedindo daqueles personagens adoráveis. Sabemos ainda que, para Andy, não se trata apenas de deixar aqueles brinquedos legais para trás, mas também de despedir-se definitivamente dos áureos tempos da infância, época em que o mundo era filtrado pela pureza do olhar de uma criança. Por isso, a identificação do espectador adulto é inevitável e fica difícil segurar as lágrimas. Após o carro perder-se no horizonte e Andy deixar tudo isto para trás, aqueles momentos mágicos sobreviverão apenas na memória – e quem já passou por esta fase sabe bem o que é isto. Finalmente, esta cena final é ainda mais emblemática para aqueles que eram crianças no lançamento do primeiro “Toy Story”, já que, devido a distancia de 15 anos entre os filmes, estes jovens provavelmente também estavam na faculdade em 2010 e, portanto, o crescimento de Andy reflete a própria trajetória deles.

Ao contrário de Andy, que foi obrigado a deixar seus brinquedos para trás, as novas gerações podem comemorar, pois os filmes da trilogia “Toy Story” são brinquedos que podemos guardar eternamente e até mesmo voltar a “brincar” com eles sempre que quisermos. Esta é a magia do cinema. Esta é a magia da Pixar, que provou nesta trilogia ter o poder de – com o perdão do trocadilho – ir “ao infinito e além!”.

Texto publicado em 24 de Fevereiro de 2012 por Roberto Siqueira

CASSINO (1995)

25 janeiro, 2012

(Casino)

 

Videoteca do Beto #124

Dirigido por Martin Scorsese.

Elenco: Robert De Niro, Sharon Stone, Joe Pesci, James Woods, Kevin Pollak, Don Rickles, Alan King, L.Q. Jones, Dick Smothers, Frank Vincent, John I. Bloom, Pasquale Cajano, Melissa Prophet, Catherine Scorsese e Catherine T. Scorsese.

Roteiro: Nicholas Pileggi e Martin Scorsese, baseado em livro de Nicholas Pileggi.

Produção: Barbara De Fina.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Injustamente ignorado pela crítica no ano de seu lançamento, “Cassino” apresenta muito do que o cinema de Martin Scorsese tem de melhor, com seu visual deslumbrante, cenas memoráveis e atuações inspiradas. Talvez a alta expectativa criada explique a má recepção, afinal, estavam reunidos novamente Scorsese, o roteirista Nicholas Pileggi e os astros De Niro e Joe Pesci, peças fundamentais no sucesso de “Os Bons Companheiros”, lançado cinco anos antes e que também apresentava o ambiente hostil de mafiosos e gângsteres. Mas, ainda que não seja um trabalho tão estupendo quanto “Os Bons Companheiros”, “Cassino” é um belo filme, feito sob medida para agradar aos fãs do gênero.

Escrito por Pileggi, “Cassino” narra a história de Sam “Ace” Rothstein (Robert De Niro), um diretor de cassino em Las Vegas com passado comprometedor que se envolve com Ginger (Sharon Stone), uma prostituta de alta classe que dominava a todos, menos o seu cafetão Lester (James Woods). A combinação explosiva se completa quando o gângster Nicky (Joe Pesci) chega ao local para vigiar Ace, a pedido dos mafiosos que comandavam a cidade.

Auxiliado por Scorsese e baseado em seu próprio livro, Pileggi revela em “Cassino” como funcionava o esquema comandado pela máfia em Las Vegas, criando um painel complexo da cidade na época que precedeu o domínio das grandes corporações. Detalhando cada processo, quem e como cada um participava do esquema, ele explica como eles conseguiam se livrar das autoridades e até mesmo recuperar as “perdas” quando alguém ganhava muito dinheiro nas apostas. Além disso, a excelente estrutura narrativa se preocupa em apresentar pacientemente cada personagem, o que é essencial para que o espectador saiba o que esperar de cada um deles nas diversas situações que surgem ao longo da narrativa.

Logo de cara, temos uma revelação literalmente bombástica e vemos a suposta morte do protagonista, deixando claro em poucos minutos que estamos num filme de Scorsese, através da câmera lenta, da música erudita, da explosão, do personagem misturando-se ao vermelho infernal e da narração que nos leva ao longo flashback. Este recurso, aliás, é utilizado com exaustão em “Cassino”, normalmente na voz de Ace, mas também com Nicky e até mesmo Frank (Frank Vincent), que ganha um “voice-over” num momento de puro exercício estilístico, em que a imagem é congelada enquanto acompanhamos seu raciocínio antes dele responder a pergunta de um dos chefões da máfia. E o estilismo continua, por exemplo, através das legendas superiores que decifram o código na conversa telefônica entre Ace e Nicky (recurso já utilizado, por exemplo, por Woody Allen em “Annie Hall”).

Estilo, aliás, é uma palavra que descreve bem Martin Scorsese. Com seu estilo inconfundível, ele desfila seu arsenal de técnicas de direção, nos presenteando com planos memoráveis, travellings e até mesmo a câmera lenta em diversos momentos, como quando os dados caem na mesa ou uma luz se acende. Este visual elegante conta também com a fotografia de Robert Richardson, que abusa das cores e luzes e transforma “Cassino” numa verdadeira festa para os sentidos, além dos extravagantes figurinos de John A. Dunn e Rita Ryack, que tornam este visual ainda mais rico, tendo também função narrativa ao externar o estado de espírito dos personagens – repare como Ace vai mudando do tom sóbrio de seus ternos no inicio para cores mais vivas no final, refletindo sua empolgação com o império que tem nas mãos, assim como Ginger muda dos tons leves para roupas mais sufocantes, que refletem seu desconforto.

Utilizando um cassino de verdade como locação, o diretor de arte Jack G. Taylor Jr. capricha nos pequenos detalhes, desde os dados e cartas que são jogados nas mesas, passando pela imponente decoração da casa dos Rothstein e terminando na construção de sets impressionantes, como o escritório de Ace. Este excelente trabalho técnico praticamente nos coloca dentro de Las Vegas, captando o clima festeiro da cidade e, ao mesmo tempo, criando uma atmosfera tensa através dos locais obscuros em que os mafiosos se reúnem para tomar decisões em meio a jogatinas e bebidas. Completando esta ambientação, a espetacular trilha sonora mistura de tudo, passando por clássicos do rock, blues e até mesmo músicas dançantes dos anos 70, criando uma atmosfera única típica dos filmes dirigidos por Scorsese.

E ele não para por aí. Observe, por exemplo, o belíssimo travelling que sai das nuvens e nos mostra Las Vegas à noite, passando pela cidade e se perdendo na escuridão do deserto – que, aliás, surge em seguida enquanto a narração nos informa o que é feito no local, num raccord elegante e eficiente. Entre os cuidados enquadramentos e movimentos de câmera que caracterizam o diretor, não poderiam faltar os planos-seqüência, como aquele que acompanha um homem entrando no cassino, passeando por todo local, retirando o dinheiro no restrito setor de contagem, saindo e entrando num carro. E até planos estáticos são belos, como aquele que diminui Ace no deserto após uma discussão com Nicky, simbolizando sua perda gradual de poderes.

Além da beleza plástica, a direção de Scorsese é competente também na condução firme da narrativa. Para isto, ele conta com sua parceira de costume, a montadora Thelma Schoonmaker, que imprime um ritmo quase frenético em certos momentos, como quando acompanhamos quem observa quem no cassino, criando ainda elipses marcantes e/ou bem humoradas, como quando vemos um chefe da máfia pedindo que Ace seja discreto e, em seguida, vemos o anúncio de seu programa de televisão. Além disso, a estrutura narrativa coesa e a fluência na transição entre as cenas resultante da ótima decupagem tornam a longa duração quase imperceptível.

Finalmente, o diretor mostra que é completo ao extrair também excelentes atuações de todo o elenco, dentre as quais merece destaque a de Sharon Stone, que nunca foi considerada uma atriz de alto nível (eu, particularmente, adorei seu trabalho em “Instinto Selvagem”). Nas mãos de Scorsese, entretanto, Stone tem a atuação de sua vida – e a própria Sharon admite a importância do diretor neste aspecto -, transformando Ginger, a sensual e perigosa prostituta que conquista o coração de Ace, numa personagem tridimensional e complexa. Carismática, a atriz está solta no papel e cumpre bem a difícil tarefa de duelar com De Niro e Pesci, sobressaindo-se em discussões calorosas (normalmente bêbada, como no restaurante de Nicky) e até mesmo em momentos mais intimistas, como na conversa telefônica com Ace em que praticamente implora para voltar pra casa. Em outro momento, quando Ace expulsa Ginger de casa, a atriz dá um show ao lado de Robert De Niro, explodindo em cena de maneira convincente.

Além dos duelos verbais envolvendo a atriz, as próprias discussões entre Ace e Nicky merecem destaque, mostrando o enorme talento de Pesci e De Niro, por exemplo, no embate na casa dos Rothstein. Atores que naturalmente impõem respeito (cinéfilos ainda trazem na memória marcantes personagens da carreira deles, como os mafiosos de “Os Bons Companheiros”), a dupla demonstra muita afinidade na tela e cria personagens realmente capazes de intimidar. Inteligente e hábil com números, é no coração que reside o ponto fraco de Ace, que se deixa levar por um sentimento que sabia ser perigoso e acaba dando a chave de sua vida (literalmente) para Ginger. Detalhista, ele toca o cassino como se fosse a sua própria casa, se preocupando com pequenos detalhes como o peso dos dados e a quantidade de recheio nos muffins, mas é incapaz de ter o mesmo cuidado em sua vida pessoal e enxergar o risco que corria. Capaz de quase matar um homem com uma caneta (na cena do bar, a primeira em que a violência gráfica típica dos filmes de Scorsese dá as caras), Nicky é um homem agressivo, que não pensa duas vezes antes de partir pra cima de alguém, por maior e mais forte que seja, mas é também inteligente o bastante para saber quando cruzou o limite do aceitável dentro do “código de moral e ética” dos mafiosos – e Pesci está ótimo na cena em que Nicky confessa para Frank que sabe disto.

Além dos golpes com uma caneta que jorram sangue de um pobre homem, marteladas nas mãos de trapaceiros, tiros a queima roupa e até mesmo golpes com taco de beisebol completam o festival de cenas violentas de “Cassino”, que conta ainda com um elenco de apoio muito bom, com James Woods vivendo o malandro Lester Diamond, Frank Vincent como Frank, Don Rickles interpretando um dos capangas de Ace e L. Q. Jones na pele do cidadão local que avisa Ace do risco que ele corria ao demitir determinado funcionário. Como curiosidade, vale dizer ainda que a mãe de Scorsese, a Sra. Catherine, interpreta a Sra. Piscano, a dona de uma venda que reclama dos palavrões de um personagem chave na trama.

Ao contrário do que imaginamos no inicio de “Cassino”, Ace escapa milagrosamente da morte e sobrevive para narrar o triste fim de Nicky, morto violentamente por Frank e uns comparsas no meio de um milharal. A moral da história? A própria máfia destruiu seu império de sonhos na Las Vegas dos anos 70, abrindo espaço para as grandes corporações que dominaram o local nas décadas seguintes e transformaram a cidade no grande parque de diversões que é hoje.

Com a digital de Scorsese impressa em cada fotograma, “Cassino” é um legítimo representante do tipo de filme que fez a fama deste excepcional diretor, capaz de transitar entre diversos gêneros e, ainda assim, retornar ao seu favorito com inventividade suficiente para não se tornar repetitivo. As atuações inspiradas e o visual de encher os olhos complementam a qualidade deste filme esquecido em meio a tantas pérolas de uma das mais respeitáveis filmografias de Hollywood.

Texto publicado em 25 de Janeiro de 2012 por Roberto Siqueira