Alfred Hitchcock

Alfred Hitchcock: o mestre do suspense

Nas próximas três semanas divulgarei críticas de 15 filmes do inesquecível Alfred Hitchcock. Nascido em 13 de Agosto de 1899, na cidade de Londres, Sir Alfred Hitchcock se notabilizou como um dos mais famosos diretores da história do cinema, sendo conhecido ainda hoje como o “mestre do suspense”. Mas, apesar do sucesso comercial, seu reconhecimento por parte da crítica veio apenas no final dos anos 60.

A carreira de Hitchcock se divide em dois períodos. O primeiro, na Inglaterra, e o segundo e mais famoso, nos Estados Unidos. Em toda sua carreira, o diretor ficou conhecido pelo domínio da linguagem cinematográfica e dos recursos técnicos que dispunha, pela maneira única de conduzir à narrativa e levar o espectador pra dentro da trama, criando momentos de absoluta tensão e, obviamente, cenas do mais puro e verdadeiro suspense, ou seja, àquele que não precisa recorrer a recursos artificiais para provocar medo no espectador. Ele sabia como poucos manipular a narrativa e criar expectativa na platéia.

Como existem inúmeros artigos excelentes a respeito deste renomado diretor, acredito que seja desnecessário reescrever cada etapa de sua carreira e, até para valorizar os trabalhos que já foram feitos, prefiro indicar alguns textos e me limitar a resumir alguns aspectos marcantes de sua filmografia, além, é claro, de divulgar as críticas dos filmes que escolhi.

Vale ressaltar ainda que “Psicose”, um dos meus Hitchcock’s favoritos, já teve sua crítica divulgada no site e por isso não aparecerá nesta semana especial.

Abaixo você poderá encontrar, na ordem, um pequeno resumo de alguns aspectos marcantes em seus filmes, as dicas de ótimos textos sobre o diretor e sua filmografia completa.

Psicose, 1960: o mais famoso dos clássicos de Hitchcock

Aspectos marcantes nos filmes de Alfred Hitchcock:

Macguffin

O termo macguffin é usado para definir um objeto aparentemente sem importância na trama, mas que serve de pretexto para a história avançar, como o dinheiro roubado em “Psicose”. Apesar de não ser o inventor do macguffin, foi Hitchcock quem o popularizou no cinema. Este recurso narrativo é utilizado até hoje e aparece em grandes filmes como “Pulp Fiction”, em que o macguffin é o conteúdo da maleta recuperada por Jules e Vicent.

Loiras

O diretor demonstrava clara preferência pelas mulheres loiras, que normalmente interpretavam personagens misteriosas e até mesmo ousadas para a época.

Grace Kelly em "Janela Indiscreta", 1954: uma das loiras de Hitchcock

Personagens politicamente incorretos

Os personagens de Hitchcock não costumavam seguir o politicamente correto para alcançar seus objetivos. Exemplos não faltam, a começar pela dupla de assassinos em “Festim Diabólico”, que mata um colega somente para tentar realizar o crime perfeito. Em “Marnie, confissões de uma ladra”, de1964, apersonagem-título, interpretada por Tippi Hedren, é cleptomaníaca, ao passo em que “Ladrão de Casaca”, de 1955, apresenta Francie, interpretada por Grace Kelly, que oferece ajuda a um homem que ela acredita ser um gatuno. A mesma Grace Kelly interpreta Lisa em “Janela Indiscreta”, arriscando sua vida ao entrar escondida no apartamento de um vizinho. Finalmente, em “Psicose”, Janet Leigh rouba 40 mil dólares do patrão e é assassinada por um psicopata, na famosa cena do chuveiro.

Suspense e não susto

Hitchcock explicava que se uma bomba explode embaixo de uma mesa onde os personagens estão sentados, temos um susto. Mas, se vemos a bomba embaixo da mesa e os personagens continuam conversando, sem saber da existência dela, isto é suspense. Por isso, na maioria de seus filmes, o espectador normalmente tem mais informações que os personagens, criando uma tensão crescente que era prolongada ao máximo pelo diretor.

Homem inocente acusado de um crime que não cometeu

Por causa de um trauma de infância, provocado quando seu pai o levou à delegacia e ordenou que ele fosse preso por mau comportamento (a prisão durou apenas 10 minutos, mas o garoto não podia saber quanto tempo ficaria lá), Alfred Hitchcock sempre afirmou que seu maior medo era ser acusado de um crime que não cometeu. Por isso, este é um tema recorrente em sua filmografia. Muitos de seus personagens são acusados de crimes e têm que lutar para provar a inocência.

Henry Fonda em "O Homem Errado", 1956: acusado de um crime que não cometeu

Relacionamento entre mães e filhos

É curioso notar como as mães desempenham papel importante em muitos dos filmes de Hitchcock, normalmente tendo relacionamentos conturbados com seus filhos, como acontece em “Psicose”, “Os Pássaros” e “Interlúdio”, para citar apenas alguns exemplos. Algumas pessoas dizem que este tema recorrente é fruto da relação do próprio diretor com a mãe.

Aparições de Hitchcock nos filmes

O mestre costumava aparecer rapidamente em seus filmes e normalmente no começo, para não tirar o foco da narrativa.

James Stewart em "Um Corpo que Cai", 1958: obra-prima

Textos sobre Alfred Hitchcock:

Biografia do mestre, fonte: Wikipédia

Texto e Filmografia, fonte: Cinema em Cena

Perfil, fonte: Cine Players

"Os Pássaros", 1963: ainda assustador

Filmografia completa:

Filmes mudos

The Pleasure Garden (1925)

The Mountain Eagle (1926)

O Pensionista (The Lodger, 1926)

A Story of the London Fog (1926)

Downhill (1927)

Easy Virtue (1927)

The Ring (O Anel, 1927)

A Mulher do Fazendeiro (The Farmer’s Wife, 1928)

Champagne (idem, 1928)

O Ilhéu (The Manxman, 1929).

Filmes sonoros / Fase Britânica

Chantagem e Confissão (Blackmail, 1929)

Juno and the Paycock (1929)

Assassinato (Murder, 1929)

The Skin Game (1931)

Rich and Strange (1932)

O Mistério no 17° (Number Seventeen, 1932)

Waltzes from Vienna (1933)

O Homem que Sabia Demais (The Man who Knew Too Much, 1934)

Os 39 Degraus (The 39 Steps, 1935)

O Agente Secreto (The Secret Agent, 1936)

O Marido Era o Culpado (Sabotage, 1936)

Young and Innocent (1937)

A Dama Oculta (The Lady Vanishes, 1938)

A Estalagem Maldita (Jamaica Inn, 1939)

Filmes sonoros / Fase Americana

Rebeca, a Mulher Inesquecível (Rebecca, 1940)

Correspondente Estrangeiro (Foreign Correspondent, 1940)

Um Casal do Barulho (Mr. and Mrs. Smith, 1941)

Suspeita (Suspicion, 1941)

Sabotador (Saboteur, 1942)

A Sombra de uma Dúvida (Shadow of a Doubt, 1943)

Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat, 1943)

Quando Fala o Coração (Spellbound, 1945)

Interlúdio (Notorious, 1946)

Agonia de Amor (The Paradine Case, 1947)

Festim Diabólico (Rope, 1948)

Sob o Signo de Capricórnio (Under Capricorn, 1949)

Pavor nos Bastidores (Stage Fright, 1950)

Pacto Sinistro (Strangers on a Train, 1951)

A Tortura do Silêncio (I Confess, 1953)

Disque M para Matar (Dial M for Murder, 1954)

Janela Indiscreta (Rear Window, 1954)

Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955)

O Terceiro Tiro (The Trouble with Harry, 1955)

O Homem Que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much, 1956)

O Homem Errado (The Wrong Man, 1956)

Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958)

Intriga Internacional (North by Northwest, 1959)

Psicose (Psycho, 1960)

Os Pássaros (The Birds, 1963)

Marnie, Confissões de Uma Ladra (Marnie, 1964)

Cortina Rasgada (Torn Curtain, 1966)

Topázio (Topaz, 1969)

Frenesi (Frenzy, 1972)

Trama Macabra (Family Plot, 1976)

Bom, é isto. Agora só resta aguardar pelas críticas.

Um grande abraço.

Texto publicado em 30 de Maio de 2011 por Roberto Siqueira

6 Respostas to “Alfred Hitchcock”

  1. Cesar Duarte Says:

    Olá meu amigo. Neste fim de ano consegui comprar e assistir dois dos mais espetaculares filmes do mestre Hitchcock, Um Corpo que Cai e Janela Indiscreta. Precisa dizer mais alguma coisa? Com os dvds totalmente restaurados e remasterizados, a experiência é ainda mais fascinante e imbatível. Filmes eternos para se assistir muitas vezes durante a vida, mesmo porque não se fará mais nada igual. Um abraço, companheiro e até a próxima.

  2. Balanço de 2011 « Cinema & Debate Says:

    […] esperava, mas as seis semanas especiais me trouxeram enorme satisfação, especialmente a do mestre Hitchcock, que demandou muito tempo e estudo, mas teve um excelente resultado. Para quem não conseguiu […]

  3. Nova página: Charles Chaplin « Cinema & Debate Says:

    […] alguns dos filmes mais importantes de sua carreira. Só que, ao contrário do que fiz nas semanas Alfred Hitchcock e Disney, não preparei uma página a respeito deste gênio da história do […]

  4. Nova página: Walt Disney « Cinema & Debate Says:

    […] como fiz com o especial sobre Alfred Hitchcock, decidi transformar em página o post original sobre a semana “Disney”. Desta forma, sempre que […]

  5. Especial Hitchcock « Cinema & Debate Says:

    […] na página inicial, lado direito). Desta forma, você poderá acessar sempre que quiser o “Especial Hitchcock“. Pretendo fazer o mesmo com os especiais “Disney” e “Chaplin” em […]

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