ROCKY V (1990)

(Rocky V)

3 Estrelas 

 

Videoteca do Beto #221

Dirigido por John G. Avildsen.

Elenco: Sylvester Stallone, Talia Shire, Burt Young, Sage Stallone, Burgess Meredith, Tommy Morrison, Richard Gant, Tony Burton, Jimmy Gambina, Delia Sheppard, Paul Micale, Stu Nahan e Michael Buffer.

Roteiro: Sylvester Stallone.

Produção: Robert Chartoff e Irwin Winkler.

Rocky V[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Cinco anos depois de beijar a lona artisticamente com o fraco “Rocky IV”, Stallone tentava reerguer seu personagem e dar-lhe uma despedida digna – na época ele não imaginava retornar de maneira triunfal 16 anos mais tarde. Assim, “Rocky V” se caracteriza pela saída de cena do famoso pugilista da Filadélfia, que passa a focar os esforços no treinamento de um substituto. O resultado é um filme honesto, ainda que distante dos melhores momentos da franquia.

Apesar de novamente assumir o roteiro, Stallone desta vez aposta no retorno de John G. Avildsen à direção, o que se mostra uma decisão acertada especialmente pelos diversos momentos que buscam homenagear “Rocky, um Lutador”, construindo uma atmosfera nostálgica que certamente encontra eco nos sentimentos dos fãs. Basicamente, aqui vemos Rocky (Stallone, óbvio) impedido de voltar a lutar por conta de uma lesão permanente. Após ser enganado por seu contador, ele se vê obrigado a voltar para o bairro em que vivia e decide ajudar a impulsionar a carreira do jovem Tommy (Tommy Morrison), porém tudo muda com a chegada de um empresário (Richard Gant) que oferece muito dinheiro para assumir a carreira do promissor lutador.

Seguindo boa parte da estrutura narrativa clássica da franquia (o início relembra o filme anterior, temos uma luta no final, etc.), “Rocky V” aposta também na volta do tom melancólico ao trazer o protagonista enfrentando problemas de saúde e financeiros, retornando a uma vida difícil e, principalmente, constatando a passagem do tempo e a decadência de lugares importantes pra ele como a abandonada academia de Mickey. Assim, enquanto a direção de fotografia de Steven Poster ajuda a criar esta atmosfera através da escolha de cores escuras e ambientes sombrios, John G. Avildsen aproveita para também inserir a mencionada nostalgia, resgatando diversos elementos do primeiro filme que estabelecem uma conexão imediata com o espectador mais saudosista, como quando Rocky coloca seu chapéu preto e os óculos em Adrian.

Volta para o bairro em que viviaAbandonada academia de MickeyNostalgia

Confirmando esta estratégia, a trilha sonora de Bill Conti também relembra “Rocky, um Lutador” ao trazer a música “Tack it back”, os lentos acordes da clássica música tema que embalam suas lembranças do início de carreira, entre outros momentos. Por outro lado, em “Rocky V” não temos a famosa sequência do treinamento acompanhada pela empolgante trilha sonora presente nos outros filmes da franquia. Aliás, a trilha sonora surge apenas pontualmente, contrariando a presença tão marcante anteriormente. Talvez o excesso de clipes em “Rocky IV” tenha motivado a escolha de uma trilha sonora econômica em “Rocky V”.

Mais relaxado e a vontade na pele de seu personagem que no filme anterior, Stallone demonstra bem o peso da idade nas expressões de dor que o acompanham, tornando Rocky ainda mais falível e humano. Além disso, seu relacionamento cheio de carinho com o filho (Sage Stallone, que segura bem o papel) reforça seu carisma, especialmente ao constatar sua alegria por reviver etapas da vida através do garoto, em momentos simplesmente lindos. Até mesmo quando está nervoso Rocky não perde a humanidade e o bom coração, como fica claro em seus primeiros diálogos com Tommy. Nem mesmo a mídia e sua voracidade por notícias polêmicas conseguem tirá-lo do sério. No entanto, a possibilidade de reviver a adrenalina do boxe e de poder fazer o papel de Mickey empolgam Rocky, que se vê naquele jovem boxeador – ou ao menos tenta ver na luta daquele rapaz a sua luta para encontrar um lugar ao sol. Por isso, a decepção é ainda maior quando Tommy o deixa para trás para seguir o caminho mais fácil.

Infelizmente, este ponto de virada do roteiro é extremamente previsível. Imaginamos muito antes que Tommy largará Rocky e cederá ao assédio do ganancioso empresário vivido por Richard Gant através de sinais nada sutis como o conflito familiar que sua chegada provoca – e, principalmente, por causa da atuação de Tommy Morrison. Ao contrário do que poderíamos imaginar, Rocky passa a ignorar o próprio filho e a esposa (Talia Shire, em sua despedida da série) e a centrar sua vida somente em Tommy, numa atitude que ele certamente não teria e que destoa do personagem humano que conhecíamos até então. Some a isto a revolta natural do filho, a aproximação sorrateira do empresário e a evidente ambição do jovem lutador e temos a receita pronta para a mudança do personagem.

Relacionamento cheio de carinho com o filhoJovem boxeadorGanancioso empresário

Igualmente previsível é o confronto entre eles, que obviamente surge no ato final, mas ao menos resgata a energia que faltou no confronto com Drago em “Rocky IV”, trazendo ainda um ar de novidade justamente por acontecer nas ruas, de maneira quase primitiva. Mantendo a câmera agitada e próxima do rosto dos personagens, Avildsen consegue criar a atmosfera desejada sem nos fazer perder a noção geográfica do que vemos na tela, o que é muito importante. O confronto é cru, repleto de sentimentos reprimidos que são jogados pra fora e, por isso, funciona. O esperado desfecho com a vitória de Rocky e sua reconciliação com a família apenas confirmam a ideia de encerrar sua carreira no cinema de maneira simples, porém digna.

Ainda que não seja um excelente filme, “Rocky V” resgata alguns aspectos importantes ao voltar a focar no desenvolvimento dos personagens e ao trazer a atmosfera melancólica e a faceta humana tão presentes nos melhores momentos da franquia. Determinado a encerrar a carreira de seu protagonista no cinema, “Rocky V” tem um final com cara de despedida, relembrando momentos de todos os filmes anteriores – afinal, Stallone não imaginava naquele momento que Rocky voltaria 16 anos depois com o ótimo “Rocky Balboa”. Ainda bem que ele desistiu da ideia.

Rocky V foto 2Texto publicado em 19 de Fevereiro de 2016 por Roberto Siqueira

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