OS DEZ MANDAMENTOS (1956)

(The Ten Commandments)

 

Videoteca do Beto #110

Dirigido por Cecil B. DeMille.

Elenco: Charlton Heston, Anne Baxter, Yul Brynner, Edward G. Robinson, Yvonne De Carlo, Vincent Price, Richard Farnsworth, Debra Paget, John Derek, Cedric Hardwicke, Nina Foch, Martha Scott, Judith Anderson, John Carradine, Olive Deering, Douglass Dumbrille e Robert Vaughn.

Roteiro: Eneas McKenzie, Jesse Lasky Jr., Jack Gariss e Fredric M. Frank, baseado nos livros de J.H. Ingraham, A.E. Southom e Dorothy Clarke Wilson.

Produção: Cecil B. DeMille.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Poucos livros têm tanto potencial cinematográfico como a Bíblia Sagrada. Recheado de histórias grandiosas, o livro sagrado cristão é um prato cheio para cineastas ousados, que podem projetar na tela a sua visão sobre aqueles acontecimentos. Por outro lado, histórias bíblicas podem causar aversão em pessoas não cristãs e, nas mãos de diretores errados, podem se transformar em mera propaganda religiosa. Não é o caso de “Os Dez Mandamentos”, épico grandioso e muito bem conduzido por Cecil B. DeMille, que narra à trajetória de Moisés desde que foi colocado ainda bebê num rio até o momento em que lidera a libertação de seu povo do Egito.

Após o Faraó decretar a morte de todos os bebês do sexo masculino, o recém-nascido Moisés (Charlton Heston) é deixado nas águas de um rio, dentro de um cesto, e encontrado por uma princesa egípcia. Já adulto, ele disputa a atenção da jovem Nefretiri (Anne Baxter) com Ramsés (Yul Brynner), o filho do Faraó e herdeiro do trono. Protegido até mesmo pelo Faraó, Moisés vê tudo mudar quando sua verdadeira origem é revelada e ele é condenado à morte. Ramsés, no entanto, não o mata, preferindo expulsá-lo do Egito. Anos depois, Moisés tem um encontro com Deus e descobre sua missão, voltando para o Egito para libertar seu escravizado povo.

Baseado nos livros bíblicos, “Os Dez Mandamentos” explora muito bem o enorme potencial da história original graças à condução precisa de DeMille, que tinha tanto apreço pela obra que decidiu até mesmo fazer a introdução da narrativa pessoalmente. O roteiro acompanha todas as etapas da vida de Moisés, o que torna a narrativa bastante extensa, ainda que jamais deixe de ser envolvente, graças também ao bom ritmo da montagem de Anne Bauchens. Auxiliado pela direção de fotografia de Loyal Griggs, o diretor cria um universo bastante colorido e vivo, explorando muito bem as belas paisagens para criar planos marcantes, como na linda marcha dos camelos pelo deserto de Sur e na impressionante imagem do anjo destruidor que desce em forma de fumaça para matar os primogênitos egípcios. E se esteticamente o diretor se sai muito bem, é na criação de momentos imponentes que a direção segura de Cecil B. DeMille se destaca, explorando muito bem o visual magnífico das locações e a impressionante quantidade de figurantes, como no plano geral que acompanha a saída dos israelitas do Egito. Neste e em outros momentos, como a famosa seqüência no mar vermelho, fica evidente a excelente condução da mise-en-scène do diretor, que coordena aquele enorme grupo de pessoas com eficiência.

Eficiente também é a citada montagem de Anne Bauchens, ainda que hoje o filme soe pouco comercial devido a sua longa duração e alguém possa argumentar que algumas cenas poderiam ser cortadas. Pessoalmente, me senti sugado por aquele universo e aproveitei cada minuto da jornada sem notar o tempo passar. E isto acontece também porque os excelentes figurinos (crédito para Arnold Friberg, Edith Head, Dorothy Jeakins, John Jensen e Ralph Jester), com as armaduras dos soldados e o manto de Moisés, por exemplo, e a direção de arte (crédito para Albert Nozaki, Hal Pereira e Walter H. Tyler), que recria cenários imponentes como os palácios e trabalha em pequenos detalhes como as carroças e as armas, ambientam perfeitamente o espectador. Além disso, a montagem de Bauchens indica com inteligência os saltos da narrativa evitando que ela se torne episódica, por exemplo, quando o filho pequeno de Moisés surge e nos mostra que se passaram alguns anos desde que ele saiu do Egito.

Embalado ainda pela trilha sonora triunfal de Elmer Bernstein, “Os Dez Mandamentos” é recheado de cenas marcantes e grandiosas, como o momento em que Deus fala pela primeira vez com Moisés, a própria inscrição na pedra dos mandamentos e a descida de Moisés do monte, irado diante de um povo infiel, que havia acabado de presenciar um milagre divino e já tinha se entregado a outro ídolo – e vale citar o belo momento em que o fogo se funde ao bezerro de ouro, numa transição elegante de planos. A conversa com Deus, aliás, revela também os bons efeitos visuais, que funcionam perfeitamente na maior parte do tempo, como quando os cajados são transformados em cobras. Mesmo que hoje soem datados, até mesmo os efeitos menos realistas – como o fogo que segura os egípcios do outro lado do mar – eram muito eficientes na época e não comprometem a narrativa. E se os efeitos visuais parecem envelhecidos em alguns momentos, o design de som e os efeitos sonoros continuam simplesmente espetaculares, destacando-se na fuga do Egito e na passagem pelo mar vermelho.

Já na condução do elenco DeMille não é tão feliz, extraindo atuações irregulares que oscilam entre momentos bons e outros de “overacting”. Heston, por exemplo, jamais foi um ator sutil e, ainda que tenha suas limitações, se sai bem como Moisés, mostrando-se inicialmente viril e retratando muito bem o envelhecimento do personagem com o passar dos anos. Sempre seguro, ele passa a demonstrar cansaço no decorrer da narrativa, através da voz e da forma lenta de caminhar, o que, auxiliado pela excelente maquiagem, da uma boa noção da degradação física de Moisés. Por outro lado, o grande Edward G. Robinson cria um Dathan irregular e até mesmo unidimensional, chegando a ser irritante em sua resistência diante dos milagres divinos. Anne Baxter também oscila bastante, mas cria uma Nefretiri insinuante e decidida, que consegue persuadir Ramsés em muitos momentos. Interpretado por Yul Brynner, Ramsés é duro e autoritário sempre que está em cena, também pela voz firme do ator e por sua postura, que impõe respeito na pele do grande vilão da narrativa (repare a sintonia entre o deus Sokar e as roupas pretas de Ramsés, indicando a aura sombria do personagem).

Envolta em magia, a conversa entre Moisés e Deus no monte Sinai determina sua volta para libertar o povo no Egito. Respeitado pelo pai de Ramsés, que chega a pronunciar seu nome antes de morrer, o hebreu volta a terra em que foi criado, desta vez para retirar seu povo escravo de lá. “Egípcio ou hebreu, sou o mesmo Moisés”, afirma em certo momento, mas isto não era verdade. Ele estava mudado após a conversa no monte Sinai e agora sabia a sua missão na terra. E após Deus castigar o Egito com pragas, Ramsés finalmente se convence e liberta os hebreus, dando início a melhor seqüência de “Os Dez Mandamentos”, que começa com a gloriosa saída do Egito e chega ao seu grande momento diante do mar vermelho. Mesmo após tantos anos, a cena da abertura do mar ainda é impactante e prende a atenção do espectador de maneira impressionante. Os ótimos efeitos visuais, a trilha sonora e a forma como DeMille conduz a seqüência criam uma cena poderosa. Após este grande momento, Ramsés volta derrotado e é envolvido, ao lado de Nefretiri, por tons vermelhos no trono, simbolizando o inferno astral do casal. Mas nem mesmo este milagre amoleceria os corações do povo israelita, que ainda marcharia por 40 anos no deserto até alcançar a terra prometida.

Independente de sua crença, o espectador sai satisfeito com o belo espetáculo visual de “Os Dez Mandamentos”. E é justamente na força de suas grandes cenas que reside o sucesso da narrativa. Espetaculoso, Cecil B. DeMille sabia que a história de Moisés atrairia o grande público e conduziu com muito carinho este ousado projeto. Acabou conseguindo mais do que sucesso de público, entregando um filme que marcou a história do cinema.

Texto publicado em 26 de Agosto de 2011 por Roberto Siqueira

Anúncios

Tags: , , , , , ,

48 Respostas to “OS DEZ MANDAMENTOS (1956)”

  1. Jorge do nascimento Says:

    Imaginei que fosse ver um filme que tivesse um conteúdo de os dez mandamentos das leis de Deus
    Mas o que vi foi um filme de muita morte,sacrifício de animais e um povo querendo acabar com outro povo
    Não com muita querra e derramamento de sangue Para se prova qual Deus é o certo
    Acho que deveria refazer este filme é fazer o filme falando sobre os dez mandamentos um por um
    Quem foi no cinema não viu os dez mandamentos ,me desculpe mas esta é minha opinião
    O nome do filme deveria se chamar a história da vida de Moisés

  2. Benedito F S Says:

    Bom,aqui ainda se falando do filme;eu ainda tenho as minhas
    dúvidas,.porque eu ainda acho que esse filme teria que continuar na telinha da TV. até o fim.Assim todo brasileiro ,ou seja,todos os
    210 milhões de Brasileiros poderia assistir tranquilo a novela de (Os Dez Mandamentos)sem sair de casa e sem pagar nada a mais por isso.Já não basta o que vocês ganha com a audiéncia?

  3. Balanço de 2015 | Cinema & Debate Says:

    […]             5° lugar = “Os Dez Mandamentos” […]

  4. Walmer vaz Says:

    A maior produção de todos os tempos, muito lindo,tudo muitobem organizado.

  5. mr. passion Says:

    Roberto, desde criança sou fã desse filme, sempre que vejo é como se fosse pela primeira vez. Realmente os efeitos especiais impressionam até para os dias de hoje, mas, para mim uma carcterística que se destaca, até mesmo mais que os efeitos especiais e a excelente fotografia (verdadeiras pinturas de arte na tela), são os diálogos! Só me lembro de ter visto diálogos desse nivel nas peças de Shakespeare. ‘ O sangue de escravos, não podem servir de argamassa para as obras’, ‘Nao seria a morte mais valiosa que a vida de escravidão?’ Entre outros melhores que não lembro agora… Nunca vi nenhum comentario sobre os diálogos desse filme. É só eu que tenho essa opinião? O que vc acha roberto?

    Obs. Sou cristão graças a Deus, pois até hoje não tive fé suficiente para ser ateu. Paz!

  6. Anônimo Says:

    Vc falou magia? DEUS não tem magia ELE tem PODER! pelo contrario O SENHOR é contra a magia, Numero 23:23
    Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel: Que coisas tem feito Deus!

    • Roberto Siqueira Says:

      Então leitor, cada um com sua crença, mas aqui o assunto é cinema e não religião, ok?

      Abs.

  7. Marcelo Oliveira Says:

    Conheci este e outros clássicos dos anos 50 e 60 através de meu saudoso pai, amante aficcionado desse tipo de filme. A “trilogia” de filmes com o protagonismo de Charlton Heston (Os Dez Mandamentos, Ben-Hur e El Cid) era, de longe, o que ele mais gostava. E esse gosto passou pra mim. A sequência de abertura do Mar Vermelho impactou até mesmo meu filho de 15 anos, que achou os efeitos muito bem feitos até mesmo para os dias de hoje e levando-se em conta que computador, em 1956, era um trabolhio que ocupava uma sala inteira e fazia menos cálculos que uma calculadora de celular hj em dia. É um filme que sempre revejo, seja para apreciar um ótimo espetáculo, seja para relembrar meu pai, falecido há quase 20 anos.

  8. Enos Feitosa Says:

    O melhor filme sobre Moisés, certeza. Consegue ainda ganhar do recente Exodo: entre deuses e reis.

  9. martin Says:

    o pessoal se preocupa muito com efeito especial e tal, e esquecem da verdadeira essência dos filmes, sua historia, roteiro e atores, não importa tanto assim a qualidade desses efeitos, ate porque cada época teve seu momento, bons filmes são eternos e carregam seu charme, Os 10 mandamentos eh poderoso, e muito bem filmado e de ótimas performances dos atores.

    • Roberto Siqueira Says:

      Também gosto muito do filme Martin e não me importo tanto com os efeitos ficarem datados.
      Abraço.

  10. Cross98 Says:

    Beiiiin chato , sem graça , ta certo , o antigo testamento tbm é chato

    • Roberto Siqueira Says:

      Não acho Mateus, acho bem interessante (tanto o filme como o velho testamento, que tem histórias com bom potencial cinematográfico).
      Abraço.

    • cross98 Says:

      Da historia da biblia eu gosto mais do Envangelho de Lucas

    • Roberto Siqueira Says:

      Os Evangelhos são os melhores livros da Bíblia.
      Abraço.

    • cross98 Says:

      São mesmo , mas como vc disse , quase todas as histórias são boas , embora eu não seja religioso , eu gosto de discutir religião , com respeito claro;). Eu acho que o que estraga esse filme é os efeitos , ele merece um remake sem duvidas

    • Roberto Siqueira Says:

      Seria interessante.
      Abraço.

  11. francisco Says:

    Caro Roberto e amigos, recentemente assisti a edição de Os Dez Mandamentos recentemente lançada em alta definição e gostaria de fazer algumas considerações no que diz respeito às minhas impressões quanto ao resultado da restauração à tanto tempo esperada desta superprodução bíblica dos anos 50. Foram duas impressões bem distintas que tive: A primeira é positiva: a imagem restaurada está perfeita, tão boa que parece ser de filme recente, quase inacreditável. Infelizmente a segunda impressão já não foi boa, visto que sob a luz da poderosa resolução 1080, as imperfeições dos truques cenográficos (que até então eram pouco visiveis na copia convencional), afloram na nova edição de forma até desconcertante. Inclusive a cena mais famosa do filme (mar vermelho), que mesmo não sendo perfeita, ainda impressionava, nesta edição perde ainda muito mais em autenticidade. Percebe-se também claramente que muitas cenas que pareciam terem sido filmadas em locação no Egito, na verdade foram feitas em estúdios, etc. Gostaria que vcs conferissem estes ‘detalhes’ antes de me julgar um chato ou desmancha prazeres, rsrs. Um abraço…obrigado pela oportunidade.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Francisco,
      Vejo muitas pessoas reclamando destes problemas em restaurações dos clássicos. Neste caso, creio que temos um trabalho incorreto de restauração, já que por mais qualidade que tenha, o Blu-ray ainda não chega na qualidade da imagem original, gravada em película. Por isso, acredito muito mais numa restauração defeituosa do que em problemas do filme em si.
      Um grande abraço.

    • francisco Says:

      É possivel que o problema seja a restauração, roberto, mas esta compilação BD foi elogiadíssima por especialistas dos sites americanos ‘dvdbeaver’ e ‘blu-ray.com’ por exemplo que também se referem ao problema cenográfico do filme. E eu pessoalmente tenho observado que filmes antigos que foram rodados inteiramente em locações (ou quase inteiramente) tem tido excelentes resultados em alta definição. De qualquer tá aí um ótimo tema pra ser analisado e discutido nesta sessão. Um abraço e obrigado, amigo.

    • Roberto Siqueira Says:

      É verdade Francisco, este tema é realmente muito interessante para se discutir.
      Você me deu uma idéia muito boa. Vou desenvolver melhor o tema e propor um debate.
      Grande abraço!

    • francisco Says:

      Ótima idéia, Roberto (desculpa a demora, rsrs)…o momento é oportuníssimo pra se debater o assunto, visto que os velhos clássicos estão chegando às centenas em edições BD para o deleite dos fãs, e nem todas as restaurações estão à altura do valor histórico do filme e do preço alto do produto, mas felizmente a maioria supera as expectativas em termos de qualidade de imagem e áudio, mas de repente ‘aquele’ clássico q vc mais aprecia pode não corresponder ! Grande abraço, amigo !

    • Roberto Siqueira Says:

      Um bom tema para debater, sem dúvida.
      Só preciso desenvolver melhor o assunto e assistir mais clássicos em Blu-Ray para ter mais embasamento.
      Abraço e obrigado pela dica.

  12. francisco Says:

    Valeu Thiago, concordo com o que vc disse em relação à discussões entre amigos sobre qualquer assunto, desde que seja com respeito e sensatez. O respeito se aplica também em relação ao assunto discutido e às opiniões contrárias. Debates neste nível só acrescenta ao nosso conhecimento, só que minha paixão pelo cinema é tão grande que não acho justo ocupar seu precioso espaço para tratrar de outro tema por mais relevante ele que seja. Quanto a minha preocupação em relação ao roberto , se vc afirma que ele não está se incomodando com o rumo que tomou a discussão, me sinto melhor, mas não podemos abusar, concorda? E reafirmo minha posição de que não devemos avaliar um filme pelo seu gênero ou tema abordado, senão a coisa se restringe ao campo do gosto pessoal. Por exemplo: eu não gosto de filmes de terror, mas considero “O Exorcista” ou “O Iluminado” obras primas. Agora…comparar um ponto de vista pessoal como ‘caça as bruxas’ (em pleno século XXI) seria trágico se não fosse cômico, acho que tá mais pra novela mexicana do que pra tragédia grega. Um abraço !

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Francisco,
      Fico feliz que se preocupe comigo, mas fique tranquilo, o debate está bom.
      Também fico feliz ao ver pessoas tão apaixonadas pelo cinema. Parabéns!
      Grande abraço.

    • Anônimo Says:

      Olá Roberto…fico feliz pelo seu tão esperado retorno e parabéns pela matéria sobre o rock’n’rio. Obrigado por aceitar o debate e desculpe pelo exageros, mas (como vc mesmo diz) faz parte da nossa paixão pelo grandioso cinema! Um abraço amigo !

    • francisco Says:

      Ops, esqueci de assinar, rsrs…sou o Francisco. Abraço!

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá amigo, nem precisava dizer, eu sabia. Abraço.

    • Roberto Siqueira Says:

      Abraço Francisco!

  13. Thiago Barrionuevo Says:

    Francisco e Cesar, estou acompanhando a discussão desde o início e agora não pude deixar de me envolver. Concordo um pouco com cada um.
    Começando pelo Francisco, quero dizer que por conhecer muito bem o Roberto, desde os meus primeiros dias na maternidade, sei que ele está gostando do nível da discussão e não se importa com o rumo tomado pela conversa. Seja cinema ou religião, são assuntos que vale a pena uma bela discussão, sempre com muito respeito. Assim como quando tomamos aquela cervejinha com os amigos, os assuntos aqui no blog se misturam, cinema vira religião, que vira política e vai pro futebol, depois passa a ser música e por aí vai… Aquelas conversas agradáveis em que uma noite não é suficiente e sempre fica aquele gostinho de quero mais.
    Agora, falando sobre o Cesar, e voltando pro assunto cinema, eu não assisti à esse filme e não opino sobre ele especificamente. Mas, quando você fala que não gosta desses filmes porque “são baseados em estórias que ofendem qualquer lógica e racionalidade de quem não aceita as amarras do ensino religioso”, você cria precedentes para, por exemplo, dizer que também não gosta de filmes de “vampiros”, ou de “extraterrestre” simplesmente porque você não acredita nas lendas ou na possibilidade de existência de vida fora da Terra.
    Eu, como você, questiono muito a Bíblia, acredito que ela é obra dos homens e que tudo ali pode ter sido modificado durante os anos. Eu acredito em algo maior, só que nenhuma religião me convence, porque sou muito racional e tenho pouca fé.

    Concordo e aprecio o embasamento teórico que você deu ao defender sua opinião sobre religião. Mas discutindo cinema, esse seu argumento não tem a menor força.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Thi,
      Valeu pelo comentário muito inteligente. Sei de sua posição sobre a religião, já debatemos muito a respeito. Mas, falando de cinema, você tem razão, não podemos deixar de gostar de um filme por não acreditar no que vemos. Eu não acredito em muitas coisas que nos filmes me empolgam, como, para citar apenas um exemplo, a viagem no tempo de “De Volta para o Futuro”.
      Abraço.

  14. francisco Says:

    Desculpe amigo césar, mas tenho a impressão que vc se deslocou um pouco do foco deste blog. Pois desde que comecei a ler as análises sobre filmes (equilibradíssimas por sinal) do nosso querido amigo Roberto Siqueira percebi que ele se atém exclusivamente à qualidade técnica e artística dos filmes revisados, coisas do tipo narrativa, roteiro, fotografia, trilha sonora, direção, edição, atuação dos atores, etc. Até o momento, nas críticas dele que li aqui (e que foram dezenas) não me lembro de ter notado nenhuma conotação de cunho ideológico, nem político, nem filosófico e muito menos religioso ou existencialista. Acho que vc não prestou muita atenção em relação a esta questão, visto que o nome do blog é “cinema e debate” e não “religião e debate”. Eu confesso até que aprecio (mesmo que com ressalvas) suas opiniões pessoais sobre filmes no que tange a questão de seu conteúdo como entretenimento, mas acho que, se você precisa expressar sua filosofia e seus conhecimentos literários, sugiro que crie seu próprio espaço, afinal não podemos abusar deste espaço que o roberto tão gentilmente nos concedeu para que possamos expor nossas opiniões sobre as grandes obras e grandes artistas da sétima arte. Quanto ao filme Os Dez Mandamentos me parece que Cecil B.de Mille se preocupou apenas em transpor para às telas do cinema (e com extrema competência) o que está ‘escrito’ na bíblia, o livro mais popular do mundo e é só. Um abraço !

    • Anônimo Says:

      Meu caro Francisco, não responderei mais, como disse anteriormente, a mais nenhum comentário no que tange a aspectos de cunho religioso. Com relação ao filme Os Dez Mandamentos, e que vocês não estão entendendo, é que para mim filmes como esse não passam de cinema raso, pois são baseados em estórias que ofendem qualquer lógica e racionalidade de quem não aceita as amarras do ensino religioso, por isso os roteiros dos mesmos acabam sendo crus, toscos. Também entendo que cinema é feito acima de tudo para divertir as pessoas, eu mesmo assisto filmes considerados descartáveis. O que não posso deixar de fazer é expressar minha opinião, seja ela de que cunho for. Tem gente que gosta de música funk(com sua apologia ao crime e às drogas), e outros preferem um Mozart, por exemplo. É tudo questão de refinamento cultural. E quando criar o meu blog sobre questôes filosóficas, como você mesmo diz, você será muito bem vindo, podendo expressar livremente qualquer opinião, desde que tenha conhecimento e embasamento para não fazer papel de bobo, demonstrando preconceito tão tolos somente só por ateu. O tempo de caça às bruxas já terminou.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Cesar,
      Quero deixar claro que não estou proibindo ninguém de expressar sua opinião aqui, ok? Desde que não contenha ofensas, todos podem defender suas opiniões neste espaço.
      Sobre a música funk, sei que está se referindo ao ridículo funk carioca, porque o funk verdadeiro é muito bom (aquele que inspirou minha banda favorita, o Red Hot Chili Peppers, a criar o funk rock).
      Abraço.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Francisco,
      Desde que se mantenha o bom nivel, aprecio um bom debate. Pode ficar tranquilo, ok? Vocês estão se saindo bem. 😉
      Agora você tem razão quando diz que meu foco é na parte “cinematográfica”, ainda que, de vez em quando, algum pensamento político, filosófico ou ideológico possa escapar.
      Abraço.

  15. Carlos Nascimento Says:

    Penso que o colega Cesar Duarte precipita-se quando deseja que o gênero seja jogado no lixo. Se relegarmos ao esquecimento toda temática rejeitada por algum cinéfilo, restará pouco ou nada da memória da 7ª Arte. Claro que qualquer filme possui sua ideologia, porém o espectador atento não se deixará manipular. Gosto de Os Dez Mandamentos como entretenimento acima da média, e nem acredito nas lendas que cercam a Bíblia, e muito menos nos milagres espetaculosos, como a passagem do mar vermelho. Mas esse cult movie, ao contrário de outras superproduções, merece ser conservado, não destruído. Pessoalmente, faço uma leitura do Êxodo como um mito repleto de significados – e o épico de Cecil B DeMille sobrevive independente da fé religiosa. Já A Última Tentação de Cristo não me convenceu tanto, mesmo porque nunca saberemos a história de Jesus em seus pormenores; que diremos então de suas ‘tentações’ ? A obra de Scorsese/Kazantzankis apenas contesta a “versão oficial” e não representa uma alternativa convincente. Não posso interpretar filmes como A Última Tentação como se fossem mais “inteligentes” do que realizações do tipo Os Dez Mandamentos, porque faço uma análise ampla, e não focada no racionalismo. Concordo que o Cinema já fez muitos filmes bíblicos descartáveis, mas não neste caso. Abraços a todos.

    • Cesar Duarte Says:

      Meu caro Carlos Nascimento, acho que você não entendeu meu ponto de vista, senão vejamos: sou completamente ateu, e como tal não acredito em nada relativo a crenças religiosas, nem mesmo em Jesus, seja como personagem religioso e nem como personagem histórico. Por isso quando citei o filme A Última Tentaçao de Cristo o fiz para demonstrar que nem todo mundo é obrigado a aceitar versões impostas por determinada religião, e não que eu ache que a história se passou dessa ou daquela forma, pois como disse sou ateu e pouco me importa a versão correta de uma história que para mim não houve. Você diz que faz uma análise ampla, não focada no racionalismo. Comigo já ocorre o contrário, pois acho que contra a razão não há argumentos. Somente para ilustrar digo que Cristo, como personagem HISTÓRICO é de difícil comprovação, já que o único historiador que o cita é o judeu romanizado Flavio Josefo, porém é consenso entre os historiadores modernos e sérios que são acréscimos muito posteriores, já que o estilo literário é diverso dos textos originais de Josefo. Isso para não falar no Concílio de Nicéa, em 326 DC, onde se determinou ¨as verdades¨ em que hoje as pessoas acreditam serem verdades incontestes. Nada mais do que obras dos homens. Com relação ao Roberto, que diz que o cinema dá espaço a todas as religiões, digo que o filme Chico Xavier foi dirigido por um ateu confesso, que é o Daniel Filho, portanto é uma obra da qual nem mesmo seu realizador acredita. O interesse é única e e xclusivamente financeiro, jamais espiritual. Se o cinema não tem religião, o dinheiro tem. Como disse, não sou dono da verdade, por isso não vou mais responder a nenhum comentário sobre religião, pois para mim nada perverte mais a razão do que a credulidade engendrada e forjada na ignorância e superstição, pois como disse o biólogo Richard Dawkins, Deus é um delírio da mente humana.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Cesar,
      Apesar de discordar, respeito sua opinião. A fé é uma questão pessoal e foge do centro do dabate aqui, que é o cinema.
      Abraço.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Carlos,
      Obrigado pela participação e desculpe a demora em responder seu comentário.
      Um abraço e fique à vontade para comentar sempre que quiser.

  16. Cesar Duarte Says:

    Olá Roberto, pensei bastante antes de comentar sobre este filme,mas acabei não resistindo. Apesar de ter uma das cenas mais espetaculares da história do cinema, que é aquela da abertura do mar vermelho, que mesmo tendo mais de 50 anos e ainda realmente impressiona, filmes com viés religioso como esse, O Manto Sagrado, Quo Vadis, Barrabás, entre tantos outros do gênero, realmente não fazem a minha cabeça, muito pelo contrário, chegam mesmo a me incomodar. Acho que por isso gosto tanto do A Última Tentação de Cristo, que foi feito para subverter a historiografia cristã/católica oficial, onde pessoas medianamente informadas e livres das amarras do ensino religioso tradicional têm consciência de estarem repletos de erros e mentiras e que são usados para o doutrinamento das pessoas menos críticas. Como sempre a religião sendo usada para manter as pessoas nas trevas para oficializarem o privilégio de uns poucos. É apenas a minha opinião, não sou dono da verdade mas é assim que vejo o mundo, onde a religião é usada apenas para domínio e poder. Realmente filmes com essa temática para mim merecem um único lugar: a lata de lixo da sétima arte. Um abraço e até a próxima.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Cesar.
      É inegável que as instituições religiosas cometeram diversos erros ao longo da história. Mas isto não tira a grandiosidade de histórias como esta, que, aliás, foi muito bem contada neste filme, fugindo bastante do teor “propagandista” e se limitando a contar a trajetória de Moisés como é descrita na biblia. Na minha opinião, é um excelente trabalho cinematográfico e, como tal, jamais deveria merecer a lata do lixo, e sim um lugar de destaque nesta importante arte, que abre espaço de igual maneira para histórias cristãs, espíritas, mulçumanas e para toda e qualquer religião. O cinema não tem religião, o que é ótimo.
      Abraço.

  17. Ká! Says:

    Que legal Bé!
    Realmente ver os milagres de Deus é um espetáculo inexplicável! Isso porque vemos em filmes… Imagine pessoalmente!

    Quero ver esse filme. Já vi muitos sobre Moisés, mas esse não! 😉

    Beeijos!

    Ps: Você sempre ótimo né! 🙂

  18. LAWRENCE DA ARÁBIA (1962) « Cinema & Debate Says:

    […] Cinema & Debate Clique aqui para acessar a Página Inicial « OS DEZ MANDAMENTOS (1956) […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: