PAPICHA (2019)

(Papicha)

 

Dirigido por Mounia Meddour.

Elenco: Lyna Khoudri, Shirine Boutella, Amira Hilda Douaouda.

Roteiro: Mounia Meddour.

Produção: Xavier Gens, Patrick André, Grégoire Gensollen, Belkacem Hadjadj, Mounia Meddour.

Nadjima é uma jovem universitária de Argel (Argélia) que começa aos poucos a perceber que algo está mudando em seu país. Religiosos radicais começam a fazer atentados, obrigar mulheres a usar burcas e perseguir as que insistem em estudar. Junto de suas amigas, Nadjima decide organizar um desfile de moda em sua faculdade como forma de mostrar aos fundamentalistas que elas estão alheias à todo retrocesso imposto.

Os personagens são muito bem construídos, e a opção de utilização da câmera na mão nos coloca mais próximos das personagens, além de criar um ambiente de aprisionamento e ressaltar a tensão que começa a permear a vida das jovens.

Texto publicado em 18 de Outubro de 2019 por Adriano Cardoso

MACABRO (2019)

(Macabre)

 

Dirigido por Marcos Prado.

Elenco: Renato Goés, Amanda Grimaldi, Guilherme Ferraz, Diego Francisco, Eduardo Tomaz, Juliana Schalch, Flávio Bauraqui, Paulo Reis, Osvaldo Mil, Laila Garin.

Roteiro: Lucas Paraizo, Rita Gloria Curvo.

Produção: Marcos Prado, João Queiroz Fialho, Justine Otondo.

O policial Teo do BOPE comete um erro em operação num morro do Rio de Janeiro, matando um inocente. Transferido com sua equipe para uma cidade do interior, onde uma onda de assassinatos de mulheres, seguida do abuso sexual de seus corpos começa a aterrorizar os moradores, ele tem que investigar os casos enquanto sofre pressão para localizar dois jovens negros que a população acredita serem os responsáveis.

Baseado num caso real ocorrido na década de 90, o filme tenta mesclar a crítica ao racismo na sociedade com investigação policial e terror, e não funciona… Embora tenha um primeiro ato intrigante, muitas questões levantadas são abandonadas, os personagens, exceção ao protagonista, são extremamente rasos, e o roteiro vai se mostrando um tanto previsível. Outros aspectos empregados para construção do gênero, funcionam mal: mesmo utilizando artifícios sonoros, as cenas nunca chegam a causar susto, sendo previsíveis em sua quase totalidade, outras cenas chocam pela sua violência gráfica excessiva.

Vale ressaltar a fotografia do filme, que usa muito bem a paisagem montanhosa das locações, e algumas tomadas noturnas para criar um clima de suspense e mistério. Ao final legendas explicam que o protagonista foi criado na junção de dois personagens reais de época diferente, o que apenas desvaloriza ainda mais o que anteriormente tentou-se construir.

Texto publicado em 18 de Outubro de 2019 por Adriano Cardoso