COPA DO MUNDO 2010 – GRUPOS G E H

Pra finalizar, o grupo do Brasil e o grupo que definirá nosso adversário nas oitavas-de-final.

GRUPO G (Brasil, Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal)

Diferente dos últimos três mundiais, desta vez o Brasil terá pela frente um grupo complicado, com uma seleção “incógnita” e duas seleções fortes que podem complicar a vida do time de Dunga. Se por um lado isto pode representar um risco à campanha brasileira em campos sul-africanos, por outro lado uma classificação em primeiro lugar pode elevar ainda mais o moral de um time já acostumado às vitórias e aos títulos.

Convocação à parte (não consigo perdoar Dunga por não levar Paulo Henrique Ganso), a seleção brasileira é sempre favorita numa Copa do Mundo. Ainda mais quando o trabalho é bem feito, como os títulos e a campanha nas eliminatórias comprovam no caso da seleção atual. Com grandes jogadores como Kaká, Luis Fabiano, Maicon e Júlio César, é impossível não apontar a seleção pentacampeã do mundo como favorita. Mas é bom prestar atenção em alguns detalhes. Em primeiro lugar, já ficou evidente que a seleção de Dunga joga muito mais quando é atacada, pois claramente é um time preparado para contra-atacar, com uma defesa muito segura e Kaká, Robinho e Maicon puxando em alta velocidade os contragolpes. Por outro lado, quando enfrenta uma retranca (como Bolívia, Colômbia e Venezuela, nas eliminatórias), o Brasil enfrenta enormes dificuldades, justamente pela falta de um meia de criação (cadê o Ganso Dunga?). Além disso, os principais nomes do elenco, como Kaká e Robinho, claramente não estão vivendo um bom momento, o que pode pesar na campanha brasileira. E aí o risco é enorme, diante de seleções fortes como Portugal e Costa do Marfim, de ficar em segundo lugar da chave e ter um indigesto confronto contra a “melhor seleção do mundo” no momento: a Espanha, de Xavi, Iniesta e Fernando Torres. Mas se conseguir a vaga em primeiro lugar do grupo, o Brasil deve caminhar tranqüilamente até as quartas-de-final e, com base no que já vimos da seleção de Dunga, chegar ao hexa pode ser um sonho mais próximo do que parece hoje.

O que dizer da Coréia do Norte? Até mesmo a lista de jogadores convocados só pôde ser conhecida quando a Fifa divulgou os nomes em seu site oficial. Seleção e país se confundem, o que torna praticamente impossível a missão de conseguir informações do time asiático. Só nos resta torcer para que a Coréia do Norte não seja uma surpresa e confirme em terras sul-africanas o status que tem hoje de pior seleção do grupo. Infelizmente (ou felizmente), caberá a seleção brasileira descobrir a capacidade da seleção coreana na partida de estréia. É esperar pra ver.

Comandada pelo super artilheiro Drogba, do Chelsea (artilheiro do campeonato inglês com 29 gols), a Costa do Marfim tem tudo para comprovar na África do Sul a fama de melhor seleção do continente que ganhou nos últimos anos. Fama esta que, diga-se de passagem, não pode ser justificada pelos últimos resultados da seleção, eliminada da última Copa Africana de Nações nas quartas-de-final por Angola e com resultados questionáveis em amistosos, como a derrota para a Coréia do Sul. Mas a excelente campanha nas eliminatórias e a recente troca no comando técnico podem render bons frutos aos marfinenses, já que o sueco Sven Goran Eriksson entende bem do assunto. Numa chave complicada como esta, não dá pra dizer se a Costa do Marfim chegará ou não à segunda fase, mas é possível garantir dois grandes jogos diante de brasileiros e portugueses.

Quarta colocada no mundial da Alemanha em 2006, a seleção portuguesa vem com moral para o mundial da África, apesar da campanha complicada nas eliminatórias. Com o craque Cristiano Ronaldo e o brasileiro Liedson fazendo gols, os portugueses podem complicar a vida de brasileiros e marfinenses na primeira fase. Podem, inclusive, sonhar com uma vaga nas quartas-de-final, pois ainda que cruzem com a favoritíssima Espanha, com certeza farão jogo duro e não serão eliminados tão facilmente. Por mais cruel que possa parecer ter uma chave com três grandes seleções como é o caso deste grupo G, é sempre bom iniciar o mundial com grandes jogos. E este grupo é a garantia de grandes duelos já nos primeiros dias de competição.

GRUPO H (Espanha, Suíça, Honduras e Chile)

Considerada a melhor seleção do mundo no momento e grande favorita ao título, a Espanha deve passar com facilidade pela primeira fase da Copa. Suíça e Chile devem brigar pela segunda vaga e Honduras pode, no máximo, atrapalhar a vida de alguma destas seleções. O problema maior para os classificados será o cruzamento nas oitavas-de-final, já que da chave G certamente virão dois adversários complicados e com moral elevada por conseguir a vaga numa chave forte.

Xavi, Iniesta, Fábregas, Fernando Torres, David Villa, David Silva, Casillas, Puyol, Piqué… Como podemos notar, bons jogadores não faltam nesta que é a melhor geração espanhola de todos os tempos. Como se não bastasse, esta também foi a geração responsável por acabar com a fama de “amarelona” que a fúria tinha, ao conquistar a última Eurocopa com autoridade, passando por Itália e Alemanha no caminho. Com seus grandes craques vivendo um bom momento, somente as contusões podem atrapalhar a vida da fúria em 2010. Ou talvez a falta de tradição em Copas pese num momento decisivo. Mas diferentemente dos últimos mundiais, é bom não desmerecer a Espanha desta vez. O primeiro título mundial nunca esteve tão perto.

Eliminada em 2006 sem levar nenhum gol, a Suíça chega à África do Sul com esperanças de pelo menos repetir a última campanha e chegar às oitavas-de-final. Para isso, contam com o bom futebol de Barnetta, que atua no futebol alemão, e a firmeza de Senderos, pilar da boa defesa, além da organização tática que garantiu a vaga sem sustos num grupo que tinha Israel e Grécia. Deve brigar palmo a palmo com os chilenos pela segunda vaga.

Estar na Copa do Mundo já é um grande prêmio para a seleção do artilheiro Suazo, do Genoa. Ainda assim, a seleção hondurenha pode atrapalhar a vida de chilenos e suíços na busca pela classificação. Conseguir um empate já seria algo histórico para a seleção de Honduras.

E finalmente, a seleção chilena dirigida por “El Loco Bielsa” pode sonhar com a segunda fase, pois conta com jogadores muito talentosos, como Matías Fernandez, Alexis Sanchez e “El mago” Valdívia. Além disso, Suazo é um artilheiro perigoso e Bielsa não costuma ter medo de ir para o ataque, o que pode ser fundamental para garantir presença nas oitavas-de-final. O jogo chave para os chilenos, como já dito, é o duelo contra os suíços.

E assim chegamos ao final da análise dos grupos da Copa. A partir do próximo dia 11, vocês poderão entrar aqui e jogar na minha cara o quanto eu errei ;), mas afinal de contas, pra que serve a Copa do Mundo senão para termos surpresas e gerar deliciosas discussões entre amigos?

Que seja mais um grande mundial. Aproveitem, pois só acontece de quatro em quatro anos.

Com as cervejas no freezer e os salgadinhos já comprados, me despeço desejando uma boa Copa para todos!

Um grande abraço.

Texto publicado em 08 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

COPA DO MUNDO 2010 – GRUPOS E E F

Agora chegou a vez dos grupos E e F:

GRUPO E (Holanda, Dinamarca, Japão e Camarões)

Com uma equipe talentosa e renovada, os sempre ofensivos holandeses não devem ter dificuldades para chegar à segunda fase. A segunda vaga deverá ficar entre Camarões e Dinamarca. Já o Japão deverá apenas fazer figuração, mas pode ser importante na definição do grupo caso tire pontos de dinamarqueses ou camaroneses.

Com campanha perfeita nas eliminatórias e um futebol encantador na última Eurocopa (quando foi surpreendida pelo bom time russo, liderado por Arshavin), a Holanda chega credenciada e mais uma vez favorita à Copa do Mundo. Liderada por Arjen Robben e Van Persie, e contando ainda com Van der Vaart e Sneijder, os holandeses podem surpreender, mas para isso, precisarão superar seus traumas e finalmente conseguir um título que bateu na trave por tantas vezes, como em 74, 78 e 98. Não devem ter dificuldades no grupo. O perigo é cruzar com a sempre perigosa Itália logo nas oitavas.

O artilheiro Bendtner, titular do Arsenal, é também o símbolo do atual futebol dinamarquês. Pesado, de força física, mas bastante inteligente taticamente. Será interessante ver o choque de estilos dos dinamarqueses num grupo com times que priorizam o futebol de velocidade, como o Japão, e toque de bola, como Camarões e Holanda. É possível que a disciplina tática garanta à Dinamarca uma das vagas na segunda fase.

O Japão vem conseguindo se classificar para todas as Copas desde 1998, mas por outro lado, não consegue fazer boas campanhas no mundial (nem mesmo em casa conseguiram ir longe). Até contam com bons jogadores, como Nakamura, que atua na Espanha, mas a inexperiência da maioria do time deve pesar bastante. Dificilmente conseguirão passar da primeira fase.

Liderada pelo excepcional atacante Samuel Eto’o, a seleção de Camarões sonha em repetir o feito de 1990, quando chegou às quartas-de-final. Jogando em seu continente e numa chave que lhe permite sonhar, os camaroneses podem mesmo repetir o feito, mas precisarão jogar mais do que vinham apresentando ultimamente. Caso contrário, ainda que superem o confronto direto com a Dinamarca, terão muitas dificuldades num confronto eliminatório diante de paraguaios, italianos ou eslovacos, que hoje parecem estar mais preparados para o mundial.

GRUPO F (Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia)

Num grupo sem grandes adversários, a atual campeã e sempre favorita Itália deve passar com tranqüilidade. E se escrevo “deve” é porque os italianos têm a péssima mania de se complicar na primeira fase e passar raspando. Pior que esta mania (para os adversários), é a outra de seguir vencendo, ainda que de forma cambaleante, e chegar às fases decisivas, eliminando os favoritos que cruzam seu caminho. A segunda vaga será disputada acirradamente pela boa seleção paraguaia e pela Eslováquia. A Nova Zelândia, como se viu na Copa das Confederações, será o saco de pancadas do grupo.

A atual campeã mundial não é mais a mesma. O time consistente, com Cannavaro e Buffon dando solidez à defesa, Pirlo comandando o meio de campo, Totti criando as jogadas e Toni fazendo os gols não existe mais. Envelhecida, a Itália deu vexame nos amistosos e nas últimas competições oficiais que participou. Mas nada disso vale quando falamos da Itália. Conhecida por crescer justamente quando não é favorita, a squadra azzurra jamais deve ser descartada numa Copa do Mundo. E com jogadores talentosos, como o experiente Pirlo e o jovem Montolivo, pode chegar longe mais uma vez no mundial. É bom não menosprezar os tetracampeões do mundo.

Com excelente campanha nas eliminatórias (e cada vez mais respeitado no mundo do futebol), o Paraguai deverá repetir as boas campanhas das Copas de 98 e 2002 e chegar às oitavas-de-final. Para isso, terão que superar a excelente escola tcheca, representada pela boa seleção da Eslováquia. Mas o time de Roque Santa Cruz e do artilheiro do Benfica, Oscar Cardozo, tem tudo para conseguir a segunda vaga da chave.

Para a seleção da Nova Zelândia, estar na Copa já é um feito histórico. O time, sem grandes jogadores, deverá perder todos os confrontos da chave. Se conseguir arrancar pontos de alguém, com certeza terá peso fundamental na definição dos classificados do grupo. Provavelmente é o pior time da Copa.

Descendente da antiga Tchecoslováquia, a seleção eslovaca contra com pedigree para sonhar com uma vaga na segunda fase da Copa. Com bons jogadores, como o meia Hamsik, do Napoli, deverá fazer partida duríssima contra o Paraguai. Se conseguir um triunfo, terá grande chance de realizar o sonho de chegar à segunda fase da Copa. A partir daí, o que vier será lucro para os eslovacos.

Por enquanto é isto aí, em breve divulgo comentários sobre os grupos G e H.

Um abraço.

Texto publicado em 07 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

COPA DO MUNDO 2010 – GRUPOS C E D

Continuando minha “análise” sobre os grupos da Copa, vamos aos grupos C e D:

GRUPO C (Inglaterra, Estados Unidos, Argélia e Eslovênia)

O English Team não poderia ter mais sorte. Ao lado dos Estados Unidos, devem se classificar com facilidade. Já Argélia e Eslovênia deverão apenas fazer figuração na África do Sul.

Os ingleses melhoraram sensivelmente nos últimos quatro anos. E quando afirmo isto, não me refiro aos jogadores, pois são praticamente os mesmos do último mundial. O grande reforço inglês veio da Itália e fica sentado no banco de reservas. Trata-se de Fábio Capello, grande treinador italiano que finalmente deu um jeito na “geração de ouro” inglesa. Era difícil entender como um time com Lampard, Gerrard, Rooney & Cia não conseguia apresentar um bom futebol. Capello deu um jeito na seleção, colocou cada estrela no seu devido lugar e fez a Inglaterra se classificar sem sustos para a Copa. Começando o mundial com um grupo tranqüilo e com um caminho relativamente fácil até as quartas-de-final, a Inglaterra é uma das grandes favoritas ao título e desta vez promete não decepcionar seus torcedores.

A segunda força do grupo é a seleção norte-americana, em clara evolução no mundo do futebol. Ainda que o soccer não engrene na terra do tio Sam, é evidente que os Estados Unidos começaram a produzir bons jogadores nos últimos anos e tem um time mais competitivo, como o vice-campeonato da última Copa das Confederações deixou bem claro (inclusive pra este que vos escreve, que quebrou a cara naquela ocasião). Liderados por Donovan e Dempsey, devem ficar com a segunda vaga da chave.

A Argélia conseguiu a façanha de deixar o bom time do Egito fora do mundial no continente africano. Mas esta deve ser a única proeza da seleção de Ziani, do Wolfsburg, que dificilmente conseguirá a vaga para a segunda fase. Recheada de jogadores nascidos na França, a Argélia não deve passar da primeira fase, principalmente pela enorme dificuldade demonstrada pela equipe quando atua fora de seus domínios.

E finalmente, a Eslovênia, que eliminou a forte Rússia (que pena!), também deverá ficar na primeira fase, apesar do bom futebol do atacante Dedic, autor do gol que eliminou os russos na repescagem. Os eslovenos apostarão na consistência defensiva e na disciplina tática para avançar, mas claramente não têm força suficiente para bater de frente com os favoritos ingleses e entram como azarões diante dos norte-americanos.

GRUPO D (Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana)

Os sempre favoritos alemães vão ter que encarar uma chave bastante complicada na busca pelo tetra. Mas com uma seleção talentosa e renovada com competência, devem passar sem grandes sustos. O difícil é indicar o segundo colocado, já que qualquer uma das três seleções restantes do grupo pode se classificar.

Curiosamente, a seleção alemã chega à Copa de 2010 com mais credibilidade que há quatro anos, quando o mundial foi disputado em território germânico. A desconfiança geral no país em relação à seleção dirigida (na época) por Klinsmann deu lugar à euforia com o bom futebol de jovens talentos como Lahm, Schweinsteiger e Podolski. E nos últimos quatro anos, novos nomes surgiram no futebol alemão, como Özil e Kroos, jovens talentos de Werder Bremen e Bayer Leverkusen respectivamente. Por isso, a Alemanha, que normalmente é favorita, chega ainda mais credenciada e com o vice-campeonato europeu de 2008 na bagagem. Apesar da sentida ausência do capitão Ballack, é bom não duvidar do time dirigido por Joachim Löw.

A Austrália claramente chega enfraquecida em relação à seleção que chegou às oitavas-de-final (e por pouco não eliminou a Itália) há quatro anos. Sem o artilheiro Viduka e com Kewell machucado (e ainda assim, convocado), dificilmente a Austrália conseguirá passar de fase diante de rivais tão qualificados. Mesmo assim, não será surpresa se os australianos se classificarem em segundo lugar.

Líder de seu grupo nas eliminatórias numa chave que contava com a França, a Sérvia chega credenciada pela tradição da antiga Iugoslávia e pelo bom futebol de seus experientes jogadores, como Stankovic da Internazionale e Vidic do Manchester United, para tentar a vaga na segunda fase. Diferentemente do último mundial, onde claramente a seleção não tinha o menor interesse em defender “seu país”, os sérvios agora contam com um time competitivo, motivado e que pode avançar tranquilamente no mundial.

Fechando o grupo, mas não menos candidata, a seleção de Gana contará com o apoio da torcida e com seus bons jogadores, como Appiah e Muntari (que atuam no futebol italiano), para novamente surpreender e chegar às oitavas-de-final, como fez quatro anos atrás. A chave é muito complicada, é verdade, mas o sonho é possível para esta que é seguramente uma das forças do continente atualmente, ao lado da Costa do Marfim. O maior problema será a ausência do líder do time, Essien (do Chelsea), que se machucou antes do mundial e está fora da Copa.

Bom, já comentei metade dos grupos. Em breve divulgo comentários sobre os grupos E e F.

Um abraço.

Texto publicado em 06 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

COPA DO MUNDO 2010 – GRUPOS A E B

Conforme prometido neste post, pretendo analisar (ainda que superficialmente) cada grupo da Copa do Mundo de 2010 antes do início do torneio, no dia 11 de Junho de 2010. Por mais que hoje em dia eu não acompanhe o futebol mundial da mesma forma que fazia há alguns anos atrás, quero deixar registradas aqui as minhas impressões sobre cada seleção, apenas como um divertido exercício. Como todos sabem, em Copa do Mundo favoritismo não quer dizer nada e sempre há espaço para zebras, ainda que a campeã pertença sempre a um pequeno grupo de seleções. Por isso, é sempre divertido tentar adivinhar o que irá acontecer, o que certamente motiva os famosos “Bolões” e apostas entre amigos pelo país afora. Mas chega de enrolar e vamos ao que interessa:

GRUPO A (África do Sul, México, Uruguai e França)

Certamente o grupo mais equilibrado da Copa, conta com quatro seleções que, por razões diferentes, podem passar para a segunda fase.

A mais fraca delas é a seleção anfitriã, pois os “bafana bafana” não contam hoje com grandes jogadores e o talentoso Pieenar é um oásis num deserto de jogadores medianos. Além disso, o péssimo trabalho feito nos últimos quatro anos, com troca de treinador e falta de uma base, acabou prejudicando a seleção sul-africana. Mas o fator casa é determinante em mundiais, visto que jamais uma seleção foi eliminada na primeira fase quando sediou a Copa, e deve ser levado em consideração. E nisto que a África do Sul confia para tentar a classificação.

Já a seleção mexicana apresenta hoje um futebol claramente inferior quando comparado às seleções que foram aos últimos mundiais. Sem os grandes jogadores do passado como Borgetti e Hernandez, e contando com um Blanco já veterano e bem longe da forma de outrora, os mexicanos dificilmente conseguirão repetir o sucesso dos mundiais de 94, 98, 2002 e 2006, quando chegaram às oitavas-de-final. Ainda assim, o México sempre é uma seleção perigosa e que deve ser respeitada.

A raça uruguaia estará presente em mais um mundial, pra alegria deste que vos escreve, que é simpatizante confesso da celeste olímpica. Por mais que o Uruguai sempre apronte pra cima do Brasil, sempre torço para que o Uruguai consiga ir à Copa, talvez por pura nostalgia dos tempos em que a celeste era uma das forças respeitáveis do continente. Desta vez a seleção uruguaia tem mais razões para acreditar numa classificação as oitavas, pois conta com bons jogadores como os ótimos atacantes Diego Forlán e Luiz Suarez. Além disso, tem Diego Lugano na defesa e uma tradição invejável no mundo do futebol. Acredito que deve ficar com a segunda vaga da chave.

Finalmente, os atuais vice-campeões mundiais terão um teste de fogo pela frente para provar que podem sonhar com resultados expressivos na “era pós-Zidane”. O gênio Zidane é seguramente o melhor jogador estrangeiro que vi jogar e faria falta a qualquer seleção do mundo. Não foi diferente para os franceses, que sofreram muito para chegar ao mundial e vão depender bastante do talento de Ribery, Henry (em má fase) e Gourcuff para chegar à segunda fase. Ainda assim, acredito nos “Le Bleus” e aposto minhas fichas na seleção da “Marselhesa” como primeira colocada da chave.

GRUPO B (Argentina, Nigéria, Coréia do Sul e Grécia)

Teoricamente este seria um grupo tranqüilo para a seleção de Maradona. Na prática, pode ser mais complicado do que parece. O equilíbrio entre os outros três integrantes do grupo pode complicar a vida da Argentina se ela não fizer sua parte. E é extremamente difícil apontar o segundo classificado, pois Nigéria, Coréia do Sul e Grécia se equivalem.

A Argentina não estava bem e isto é fato. Basta ver a campanha nas eliminatórias (por mais que isto não signifique muita coisa) para atestar isto. Mas repare no tempo verbal utilizado em minha afirmação: A Argentina não estava bem. Pois é, os hermanos provavelmente terão a sorte (ou competência?) de contar com seus grandes jogadores em ótima fase durante o mundial, já que hoje Messi é tranquilamente o melhor jogador do mundo, Tevez está fazendo muitos gols no Manchester City, Di Maria anda arrebentando no Benfica, Milito simplesmente decidiu tudo para a Inter e Higuaín também vem fazendo seus golzinhos, por mais que o Real Madrid não esteja num grande momento. Além disso, Don Diego parece que colocou a cabeça no lugar e andou convocando Samuel para a zaga, deixando de fora Sebá & Cia. Com ótimos jogadores e um craque em grande forma, resta aos argentinos torcer para que Messi não chegue ao mundial esgotado, como Ronaldinho Gaúcho em 2006 e Zidane em 2002. Se estiver inteira fisicamente e se Don Diego não atrapalhar, a Argentina deve ficar com a primeira colocação na chave e ir longe no torneio.

Representante africana do grupo B, a Nigéria chega enfraquecida em relação às suas últimas participações em Mundiais, quando invariavelmente era bem cotada. Após a ótima geração de Okocha, Kanu e Amuniki, entre outros, os nigerianos claramente sofreram uma queda na qualidade de sua seleção, mas ainda assim contam com jogadores capazes de desequilibrar uma partida, como é o caso de Oba Martins. Jogando em seu continente, provavelmente brigarão pela segunda vaga do grupo com a Coréia e a Grécia, mas claramente estão num estágio bem inferior ao passado recente.

A seleção sul-coreana dificilmente voltará a repetir o feito de 2002, quando ficou com a quarta colocação, eliminando (com a ajuda da arbitragem) Itália e Espanha. Ainda assim, é notável a evolução do futebol no país, inclusive com seus jogadores atuando em grandes equipes do futebol mundial (como Park, que joga no Manchester United). Como o grupo é bastante equilibrado, a Coréia tem chances de se classificar na segunda posição do grupo, mas terá que jogar mais do que normalmente faz fora de seus domínios.

Finalmente, a seleção Grega, campeã da Eurocopa 2004, chega ao mundial com uma geração envelhecida, mas que pode utilizar sua experiência pra chegar pelo menos às oitavas-de-final. Com um futebol de transpiração, que prima pela defesa, a Grécia pode sonhar com a vaga, especialmente pela decadência do futebol nigeriano e pela falta de expressividade dos sul-coreanos quando atuam fora de seu continente.

Por enquanto é isto aí, em breve divulgo comentários sobre os grupos C e D.

Um abraço.

Texto publicado em 05 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

Copa do Mundo 2010

Falta uma semana para começar o maior espetáculo da terra. A expectativa é enorme e mal posso conter a ansiedade por este evento que sou apaixonado. E aproveitando o clima de Copa que lentamente vai dominando nossos dias, a partir de amanhã vou postar minha análise sobre cada um dos oito grupos do mundial.

Aguardem.

Texto publicado em 04 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

O futebol no cinema

A praticamente uma semana do inicio da Copa do Mundo, nada mais apropriado do que divulgar uma lista de filmes que tem o futebol como pano de fundo. Para um amante do cinema e do futebol como eu, é sempre um enorme prazer quando tenho a possibilidade de ver estas duas paixões juntas na tela do cinema. Eu pretendia divulgar aqui a lista de filmes que tenham o futebol como tema, mas minha amiga Cecilia Barroso já fez isto com muita propriedade no Cenas de Cinema.

Portanto, apenas compartilho com vocês a excelente lista divulgada pela Cecilia no Cenas e que você pode acessar clicando aqui.

Um grande abraço.

Texto publicado em 03 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

Let it Go…

Quando terminei de assistir o último episódio de Lost eu estava plenamente satisfeito com o que tinha visto. Independente da interpretação que eu tinha daquele final, o mais importante era ver aqueles personagens tão queridos resolvendo os seus problemas e seguindo adiante. Achei que a série terminou de forma mais que satisfatória, deixando em aberto diversas possibilidades de interpretação, mas acima de tudo, dando muito mais valor aos personagens do que aos mistérios que envolviam a ilha.

Acontece que passados alguns dias, fiz a besteira de cair de cabeça em sites e fóruns com diversas teorias e opiniões sobre o final, somente para notar como algumas pessoas assumem o papel de “donas da verdade”, como se a interpretação delas fosse a única possível e correta, e todas as outras fossem besteiras sem tamanho de gente sem inteligência, quando claramente Lost terminou permitindo diversas interpretações diferentes e interessantes. Ainda assim, consegui respirar fundo e evitei entrar em discussões desnecessárias. Filtrei o que lia e encontrei opiniões muito inteligentes a respeito do final. E hoje pela manhã recebi do amigo Alexandre Rivaben o link do site Lostpedia com diversas teorias sobre “The End”, e uma destas teorias dizia que a ilha na verdade era um conceito e não algo físico, provendo questões para aqueles que não estão preparados para ir adiante. O mais interessante é que esta teoria se aplica também aos espectadores, onde as pessoas que ainda se prendem aos mistérios da série e ficam debatendo a respeito estão “presas à ilha”, sem conseguir seguir em frente. Achei bem interessante e passei a adotar este pensamento comigo (o que não invalida minha interpretação sobre o final). Respeito todas as teorias, mas no fundo “o que era a ilha” é o que menos importa pra mim. Adorei a série e, apesar de respeitar quem não gostou, prefiro levar comigo tudo que a série me trouxe de bom. Lost marcou uma era, me envolveu e emocionou de forma única, e de quebra, revolucionou o modo de fazer televisão/séries. Isto é mais do que suficiente pra me deixar feliz.

Por isso, neste momento repito pra mim mesmo a frase mais dita no último capítulo e sigo em frente. Estou deixando a ilha para trás… “Let it go”…

Um abraço.

Texto publicado em 31 de Maio de 2010 por Roberto Siqueira

Os Clássicos dos Mundiais – Parte 2

Depois de assistir mais cinco clássicos dos mundiais (se quiser ver os comentários dos primeiros cinco jogos, clique aqui), transmitidos de forma brilhante pelos canais ESPN, deixo minhas impressões sobre cada um destes jogos:

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1978: ARGENTINA 3 X 1 HOLANDA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Após a sonora (e até hoje contestada) goleada sobre a seleção peruana, os argentinos finalmente teriam a chance de disputar mais uma final de Copa do Mundo, 48 anos depois da decisão perdida diante do Uruguai, em Montevidéu. Com o clima político claramente influenciando a disputa do mundial, os hermanos chegavam à decisão diante da famosa (e já não tão brilhante) seleção holandesa, que não contava mais com seu grande ídolo Johan Cruyff – ele não foi à Argentina como forma de protesto político. O jogo foi equilibradíssimo, como ficou evidente na excelente transmissão da ESPN, e aquela bola da Holanda na trave segundos antes do apito final no tempo normal, com o jogo ainda empatado, poderia ter mudado os rumos do futebol nos anos seguintes (e deve ter matado alguns argentinos do coração). Na prorrogação, no entanto, a seleção local impôs seu futebol vertical, de velocidade e toque de bola rápido, e acabou vencendo a partida por 3 x 1, sagrando-se campeã mundial de futebol pela primeira vez. Infelizmente, não podemos dizer que foi um título incontestável…

COPA DO MUNDO DE 1982: ITÁLIA 3 X 2 BRASIL

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Maravilhosa oportunidade de ver como a brilhante seleção de Telê Santana, recheada de craques incontestáveis e que conseguia jogar com alegria e eficiência, foi eliminada pela “retranca” italiana. Maravilhosa e dolorida, diga-se de passagem, pois como diziam João Palomino e Antero Grecco durante a transmissão do VT, ainda nos pegamos torcendo para que a zaga afaste a bola que resultou no terceiro gol italiano ou para que Zoff não defenda a cabeçada fulminante minutos antes do apito final. Ainda assim, rever este jogo foi uma oportunidade de ouro para derrubar muitos mitos que o futebol construiu ao longo dos anos. O principal deles, de uma injustiça ímpar, é dizer que a seleção italiana era fraca. Não era. E o jogo mostrou a qualidade da defesa italiana, o poder de marcação (ainda que faltoso) de Gentile e o bom ataque liderado pelo artilheiro (até hoje, escrever o nome deste cara é sofrido) Paolo Rossi. Um jogo belíssimo, cheio de alternativas e que me deu a oportunidade de ver como Zico, Falcão, Sócrates, Leandro & Cia jogavam um futebol de alta qualidade, muito bonito de se ver. O futebol é assim, e quis o destino que estas duas grandes seleções se cruzassem antes da final. Sorte dos italianos, que venceram justamente e sagraram-se campeões dias depois. Vale dizer também, para os mais patriotas e apaixonados, que a Itália ainda marcou um quarto gol legítimo, mal anulado pela arbitragem. Contestar a vitória italiana é, portanto, puro ato de fanatismo. Não é preciso tirar os méritos da Squadra Azzurra para valorizar aquela que, depois do time de 1970, foi a maior seleção brasileira em Copas do Mundo. E o tempo tratou de confirmar isto, fazendo com que esta seleção seja lembrada até hoje.

COPA DO MUNDO DE 1986: ARGENTINA 2 X 1 INGLATERRA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

“Como jogava bola o Maradona” foi meu pensamento imediato, antes mesmo do gol antológico, escolhido como o gol mais bonito de todos os tempos. Não foram “apenas” os dois gols geniais (por razões diferentes) que marcaram a brilhante atuação de Don Diego nesta partida (e em toda a Copa, diga-se de passagem), lembrada também pelo clima hostil, devido a guerra das Malvinas. A incrível habilidade de Maradona era muito mais que beleza plástica, era decisiva. É importante dizer que o time argentino era bem limitado, o que engrandece ainda mais o feito do gênio, que levou a Argentina ao título. Interessante também é notar a evolução gigantesca do futebol inglês nos dias de hoje, quando comparamos ao futebol de chuveirinhos da seleção de 86. E ainda que jogasse na base dos chuveirinhos, a Inglaterra quase empatou o jogo com duas jogadas de Barnes (porque diabos ele não era titular?), meia que faria sucesso no Liverpool anos depois. Um belo jogo, com jogadas de gênio e que é também uma ótima oportunidade de ver lances corriqueiros de Maradona, como um simples passe, um lançamento em profundidade e os dribles desconcertantes.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1986: ARGENTINA 3 X 2 ALEMANHA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Após o épico jogo entre Argentina e Inglaterra, os canais ESPN reprisaram esta que certamente é uma das mais emocionantes finais de Copa do Mundo. De um lado, a Argentina do gênio Maradona, do outro a sempre eficiente e freqüentemente finalista Alemanha. Este jogo serviu também para mostrar como a bola parada (vista com indiferença pelo torcedor brasileiro, que normalmente torce o nariz para este tipo de lance) é mortal, pois três dos cinco gols do jogo saíram em jogadas deste tipo. Mas quem decidiu mesmo foi o talento dos pés de Diego Maradona, autor do passe decisivo para o gol de Burruchaga, minutos depois do vibrante empate alemão, que buscou o resultado após estar perdendo por dois a zero. Vale conferir também o talento de jogadores como Matthäus, Völler e Rummenigge (que jogava muito mais do que apresentou na final) pelo lado alemão, comandado pelo Kaiser Beckenbauer, e de Valdano, artilheiro argentino que jogou no Real Madrid e fez gol nesta final. E vale especialmente por poder ver Maradona no auge, em forma e fazendo lindas jogadas. Finalmente, os mexicanos provaram ter sorte, já que nas duas finais de Copa que receberam, tiveram a honra de ver grandes jogos e cinco gols.

COPA DO MUNDO DE 1990: ARGENTINA 1 X 1 ITÁLIA (Nos pênaltis, Argentina 4 x 3 Itália)

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Esta partida entrou para história mais por causa do clima que cercava a partida do que pelo futebol apresentado dentro de campo pelas seleções. Ídolo incontestável da fanática torcida napolitana, Maradona (que havia levado o Napoli a títulos inimagináveis até hoje) mandava e desmandava na cidade. Ele era rei. Quis o destino que sua seleção chegasse às semifinais da Copa, disputada na Itália, para enfrentar os favoritos donos da casa justamente na cidade de Nápoles. Sempre inteligente, Don Diego tentou utilizar sua influencia na cidade para diminuir a pressão da torcida, dizendo que o norte da Itália sempre tratou o sul com desdém (mais ou menos como ocorre no Brasil, só que de forma inversa, pois aqui o sul é que desrespeita o norte/nordeste). Não conseguiu reverter a torcida (“Maradona, nós te amamos, mas a Itália é nossa pátria”, dizia um dos cartazes), mas claramente amenizou o clima hostil da partida. A Itália, com uma defesa fantástica (novidade!), saiu na frente logo no inicio da partida com um gol do artilheiro Totó Schillaci. Mas a poucos minutos do fim, Caniggia conseguiu marcar o gol de empate, o primeiro sofrido por Walter Zenga desde o início do mundial (recorde de 517 minutos sem levar gol em Mundiais, que dura até hoje). Nos pênaltis, o “tapa penales” Goycochea garantiu a vaga para a Argentina e calou um país inteiro. Os fanáticos italianos choraram a eliminação em casa.

Bom, por enquanto é isto. Em breve comento os últimos cinco grandes clássicos dos mundiais. E gostaria de parabenizar mais uma vez os canais ESPN pela excelente iniciativa.

Um grande abraço.

Texto publicado em 30 de Maio de 2010 por Roberto Siqueira

Imagens: O Planeta dos Macacos (1967)

Seguindo o projeto de atualização das críticas com imagens, já podem conferir a crítica de O Planeta dos Macacos (1967), agora devidamente ilustrada. Vale lembrar que o texto permanece o mesmo do dia de divulgação.

Um abraço.

Texto publicado em 28 de Maio de 2010 por Roberto Siqueira

LOST – The End

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia este texto se já tiver assistido ao último capítulo da série, pois contém spoilers].

Ainda me lembro muito bem da primeira vez em que assisti Lost. Meu primo Thiago tinha comprado o Box da primeira temporada e mal podíamos aguardar para ver o primeiro capítulo. Antes de ir para a faculdade, fomos para a minha casa (hoje casa dos meus pais) e assistimos o episódio inicial. Aquele momento mudou nossas vidas. Desde então, passamos a assistir Lost freqüentemente, mas o Thiago não conteve a empolgação e, como o Box era dele, começou a assistir os episódios em casa (o que é justo, diga-se de passagem) e me deixou pra trás. Então eu dei um tempo com Lost. Meses depois, conheci a mulher da minha vida e, já com ela, recomecei a ver Lost. Assisti novamente os primeiros episódios ao lado da Dri. Posso afirmar, portanto, que assisti todos os episódios de Lost ao lado dela. Foram longos anos de suspense, mistério, emoções, grandes momentos e um pequeno desânimo entre o final da terceira temporada e o meio da quarta. Desânimo, aliás, que se transformou rapidamente em empolgação durante as duas últimas temporadas. E depois de tanto tempo, finalmente chegamos ao final. E que final!

Ontem, eu e a Dri (hoje minha esposa e mãe do meu lindo filho Arthur) assistimos, grudados na tela até 01h00 da madrugada, o capitulo final de Lost. E gostamos muito. Não apenas porque eu acertei em cheio o final (como você pode conferir neste post), mas principalmente, porque foi um final inteligente, e acima de tudo, emocionante. E digo que acertei em cheio não porque tenha ficado evidente a natureza da ilha, e sim porque o final ficou em aberto, permitindo diversas interpretações que se encaixarão perfeitamente, e entre elas, está a minha visão sobre purgatório e paraíso, que pode perfeitamente ser substituída por uma visão mais voltada ao espiritismo, como uma passagem, uma evolução do espírito para uma próxima vida. As duas visões se encaixam, e tenha certeza de que muitas outras também. Este belo final representa também o fim de uma era, e por isso, a tristeza é inevitável. Mas esta tristeza é compensada por uma alegria muito maior quando olhamos para a qualidade da viagem que fizemos. Foi um prazer enorme ser fã de Lost ao longo dos últimos anos. Além disso, futuramente as lembranças desta série estarão associadas a um período incrivelmente feliz da minha vida. Sempre que me lembrar de Lost, me lembrarei também que foi durante a “Era Lost” que eu conheci a pessoa que mudou minha vida, que me casei, que fiz as viagens dos meus sonhos e, principalmente, que tive o meu primeiro e amado filho. É inegável que Lost deixará saudades. Mas não tem problema, assistirei tudo novamente ao lado do Arthur no futuro. E neste momento, só posso agradecer Jack, Sawyer, Kate, Ben, Desmond, Locke, Hugo e companhia… Foi uma viagem inesquecível!

Quanto à minha teoria, não nego que fiquei feliz por acertar praticamente tudo sobre o final de Lost. Apenas não esperava que Kate, Charlie e alguns outros se salvassem também. Não que isto tenha muita importância, pois como disse no próprio post sobre a teoria, o mais relevante era desfrutar a trajetória daqueles personagens fascinantes, e não ficar tentando adivinhar tudo que ia acontecer ou entender cada mistério da ilha. Confesso que fiquei bastante comovido com o final, acompanhando o reencontro de personagens tão magníficos como Sawyer e Juliet, Jack e Kate, Locke e Ben, Sayid e Shannon, entre outros. Mais interessante ainda foi ver a redenção destes personagens maravilhosos, que nos presentearam com uma série tão marcante por tanto tempo. Prender-se a pequenos detalhes não explicados (porque tudo tem que ser explicado?) é fechar os olhos para as inúmeras qualidades da série. Reafirmo o que escrevi anteriormente, mais importante que os mistérios (sempre será possível encontrar “furos” se você se propuser a fazê-lo) é focar na trajetória de redenção destes personagens, no incrível arco dramático de cada um deles. Afinal de contas, na ilha (ou purgatório, ou limbo, seja lá o nome que você prefira dar) as regras do nosso mundo não se aplicam, e por isso, tentar entender tudo cientificamente será perda de tempo. Como disse Jacob em algum episódio, este é um jogo com suas próprias regras. Cabe ao espectador optar entre tentar desenvolver seu próprio raciocínio ou ficar reclamando porque não viu tudo ser explicado e mastigado. Minha visão final sobre isto tudo é a de que Jacob, representando o bem (ou Deus) tentava guiar aquelas pessoas para a salvação, sem interferir no livre arbítrio. Já o homem de preto, obviamente, fazia o caminho inverso, tentando corromper aquelas almas. Viagens no tempo, volta dos seis da Oceanic para os EUA, ursos polares e iniciativa Dharma pouco importam pra mim. Maravilhoso foi ver a salvação destas pessoas, a alegria delas nos tocantes (literalmente) reencontros já no paraíso (ou pré-paraíso) e o final incrivelmente belo.

Espero que tenham curtido tanto quanto eu. E espero que no futuro novas séries com esta qualidade apareçam.

Agradeço ao Adauto, Pati, Fábio, Cris, Mauricio, Léo e Amanda pelas inúmeras e maravilhosas discussões a respeito de Lost. Tenho certeza que com este belíssimo final, elas estão apenas começando. Agradeço ao Riva, Achilles, Augusto, Cecília, Fernando e até a Jacque, que não assiste Lost, pelos memoráveis momentos debatendo a série no grupo do curso que o Pablo deu. Agradeço ao Pablo pelos posts inspirados, que eu corria pra ler sempre que terminava um episódio. Agradeço especialmente ao Thiago, meu primo e amigo, que começou esta caminhada “lostiana” junto comigo. E principalmente, agradeço a minha amada Dri, por viver ao meu lado cada episódio, me agüentar quando eu tinha meus pensamentos mirabolantes sobre a série, curtir cada momento de forma única e me acompanhar nesta longa jornada. É o fim de uma era, e felizmente, é um final feliz.

Grande abraço a todos.

OBS: Muitos negam a teoria do “purgatório” com base nas declarações dos produtores em uma entrevista. Mas seria no mínimo desagradável que os próprios produtores soltassem um “spoiler oficial” antes do fim da série, não é mesmo?

Texto publicado em 25 de Maio de 2010 por Roberto Siqueira