BEN-HUR (1959)

(Ben-Hur)

 

Videoteca do Beto #39

Vencedores do Oscar #1959

Dirigido por William Wyler.

Elenco: Charlton Heston, Jack Hawkins, Haya Harareet, Stephen Boyd, Hugh Griffith, Martha Scott, Cathy O’Donnell, Sam Jaffe, Finlay Currie, Frank Thring, Terence Longdon, George Relph e André Morell.

Roteiro: Karl Tunberg, baseado em livro de Lew Wallace.

Produção: Sam Zimbalist.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido o filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Grandiosidade. Esta é a palavra que resume os números megalomaníacos do épico “Ben-Hur”, superprodução dirigida por William Wyler e estrelada por Charlton Heston, que utilizou milhares de figurantes em aproximadamente trezentas locações, felizmente, para contar uma bela estória de forma bastante competente. Com cores vivas e um visual deslumbrante, o longa narra a trajetória de um jovem judaico que vive uma verdadeira odisséia na Judéia dominada por romanos nos tempos de Jesus Cristo – que, aliás, cruza seu caminho em momentos cruciais de sua vida.

O ano é 26 d.C., a cidade é Jerusalém. Lá vive Judah Ben-Hur (Charlton Heston), um rico mercador judeu que reencontra, após muitos anos, seu amigo de infância Messala (Stephen Boyd), agora retornando ao local como o chefe das legiões romanas que comandam a cidade. Após divergirem em questões políticas, nasce um ódio recíproco e Messala condena o judeu a viver como escravo em um navio romano de guerra, mesmo sabendo da inocência do amigo. Muitos anos depois, após sobreviver milagrosamente ao período de escravidão, Ben-Hur voltará para buscar sua vingança, de uma forma que somente o destino poderia lhe proporcionar.

O visual deslumbrante de “Ben-Hur” é resultado de um trabalho técnico em conjunto da mais alta qualidade. A começar pela perfeccionista Direção de Arte da dupla Edward C. Carfagno e William A. Horning, que trabalha detalhadamente em cada uma das muitas locações que o longa utiliza, conferindo bastante realismo e ambientando perfeitamente o espectador à trama. Colaboram também os belíssimos figurinos de Elizabeth Haffenden, que têm ainda função narrativa, por exemplo, durante a corrida de bigas (ou quadrigas, já que eram puxadas por quatro cavalos). Observe como o cavalo de Judah é branco e sua roupa é azul ao passo que Messala utiliza cavalos negros e roupas pretas, claramente simbolizando o lado bom e o lado mau da disputa. Além disso, a biga grega utilizada por Messala reforça ainda mais sua crueldade junto ao espectador. Já a direção de fotografia de Robert Surtees aproveita ao máximo a beleza da região para criar um esplendor visual repleto de cores vivas e intensas. Como podemos perceber na cena crucial para o destino de Judah, o som também é importante, avisando que a telha está solta momentos antes dela cair em cima dos romanos e selar seu destino. Finalmente, a marcante trilha sonora pontua diversos momentos do longa de forma magnífica e é mérito de Miklós Rózca.

Ainda na parte técnica, note como a narrativa dá alguns saltos longos na estória de forma sutil e elegante, graças à boa montagem de John D. Dunning e Ralph E. Winters. Repare, por exemplo, como logo após ser preso, Ben-Hur é questionado por Arrius sobre há quanto tempo ele é um escravo remador. A resposta (três anos) indica a passagem do tempo (no filme passaram-se apenas alguns minutos). Em outro momento, logo após chegar a Roma, Arrius diz que Ben-Hur é o melhor corredor de bigas que ele tem, com cinco vitórias em cinco anos. Por outro lado, a montagem estende demais o terceiro ato. Após o grande clímax (a vitória de Judah contra Messala) o longa leva muito tempo para resolver o conflito derradeiro (a lepra da família Hur). Felizmente, esta resolução acontece de forma arrebatadora, o que ameniza o problema. A narrativa também cruza de forma interessante com diversos acontecimentos bíblicos, utilizando a história de Jesus (o filme inicia com o nascimento dele e termina com sua crucificação) como pano de fundo para contar a estória de vingança de Judah Ben-Hur. Observe como o inteligente roteiro de Karl Tunberg (baseado em livro de Lew Wallace) insere na narrativa diversas cenas que servem para nos situar cronologicamente na estória, como a chegada de José e Maria à Judéia, o sermão de Jesus no monte, a escolha de Pilatos para comandar a região e, finalmente, a crucificação. Num destes momentos, aliás, acontece o tocante primeiro encontro entre Judah e Jesus. Repare como o rosto de Jesus não é mostrado (algo que se repetiria durante toda a narrativa), já que ele, neste caso, é apenas um coadjuvante na estória. Por outro lado, este homem tem profundo impacto na vida de Judah, como o segundo e ainda mais marcante encontro entre eles mostrará. O roteiro escapa ainda do maniqueísmo ao retratar Arrius como um romano bom, evitando assim o pensamento generalista de que todos romanos são pessoas cruéis e sem coração.

E se os dois encontros entre Ben-Hur e Jesus são emocionantes, é porque as atuações são igualmente convincentes. Charlton Heston tem uma atuação bastante enérgica, explorando muito bem sua força física, mas obtendo sucesso também nos momentos dramáticos, como quando revê a mãe e a irmã assoladas pela lepra, e posteriormente, quando as vê curadas, além dos citados encontros com Jesus Cristo. Jack Hawkins cria um Quintus Arrius incrivelmente ambíguo, capaz de enxergar entre os escravos alguém com potencial para suprir a falta que sentia de seu filho, preenchendo este vazio em sua vida. Stephen Boyd mantém o bom nível das atuações como o cruel Messala. Inicialmente amistoso e até mesmo demonstrando sentimentos por Ben-Hur, sua paixão se transforma em ódio de forma proporcional, o que faz dele um inimigo temível. O primeiro diálogo entre os amigos sugere a existência de um romance, que fica ainda mais evidente quando entrelaçam os braços para tomar vinho. Ele não mede esforços para vingar-se de Judah e não perdoa até mesmo a família Hur na primeira chance que tem de prendê-los. Completando o elenco, Hugh Griffith merece destaque como o Xeique Ilderim, que cuida dos cavalos como se fossem suas esposas e garante momentos de bom humor, como quando aposta com Messala que vencerá a corrida.

William Wyler conduz a narrativa com extrema competência, criando seqüências absolutamente inesquecíveis. A batalha naval que culmina com a fuga de Ben-Hur é sensacional. Extremamente realista, flui em um ritmo alucinante, que é mérito também da excelente montagem, e nos brinda com imagens marcantes, como a das centenas de escravos remando e a invasão dos inimigos romanos no navio. Já a incrivelmente bem orquestrada cena da corrida de bigas é o ponto alto do filme, prendendo o espectador de forma única e criando uma série de imagens absolutamente incríveis. Toda a cena é visualmente perfeita, repleta de planos magníficos e carregada de adrenalina. É impossível não se envolver na competição e torcer pelo sucesso de Ben-Hur e a forma como Wyler conduz a corrida é responsável por isso. O diretor alterna entre planos distantes que mostram a grandiosidade do local, com arquibancadas lotadas e a enorme pista de corrida, e planos inacreditavelmente realistas, muito próximos dos cavalos e dos competidores, praticamente nos jogando dentro da arena e nos fazendo sentir a emoção da corrida. Apesar de aparecer apenas por alguns instantes durante a chegada de Judah, a cidade de Roma apresentada em “Ben-Hur” também é incrivelmente imponente e grandiosa, refletindo o poder daquele império na época. Finalmente, Wyler conduz muito bem os momentos mais importantes dramaticamente, como o reencontro entre Ben-Hur e Messala, quando Judah entra no palácio dizendo “Você está errado Messala!” com o rosto encoberto nas sombras e os dois reencontros opostos entre Ben-Hur e sua família (o primeiro carregado de tristeza e de dor, e o segundo repleto de alegria).

A mensagem de paz e amor de Jesus toca o coração de Judah, que finalmente se convence que a violência só gera mais violência. A forma como Jesus reagiu a toda a dor que sofreu causou grande impacto em Ben–Hur e o interessante final, com o sangue dele sendo lavado pela água da chuva, seguido pelo plano que encerra o longa, com um pastor liderando as ovelhas (que claramente simboliza Jesus Cristo), deixa clara a ligação entre a fé no cristianismo e a cura das doenças da família Hur. A vingança não resultou em redenção para o jovem Judah Ben-Hur, que só encontrou realmente a paz quando olhou na face de um homem infinitamente mais bondoso que ele próprio.

Utilizando a história mais famosa de todos os tempos como pano de fundo, “Ben-Hur” brinda o espectador com um espetáculo visual de enorme escala para narrar a vida do jovem que volta à sua terra natal em busca de vingança, e acaba encontrando a verdadeira paz interior. Dirigido magistralmente por William Wyler e contando ainda com ótimas atuações, prova definitivamente que as superproduções podem ter enorme valor, desde que utilizem seus recursos para contar belas histórias.

Texto publicado em 27 de Janeiro de 2010 por Roberto Siqueira

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52 Respostas to “BEN-HUR (1959)”

  1. Anônimo Says:

    Simplesmente amo esse filme é já assisti por mais de 20 vezes . A nova versão simplesmente detestei. Nada haver com o original. Esse filme é um clássico e merecia terem mais respeito por ele. Essa nova versão é HORRÍVEL 😤😤

  2. José Maria Dos Santos Says:

    Só um reparo: se bem me lembro, o sheik não tratava os cavalos como esposa, mas como filhos. Em uma cena, ele fica furioso e diz que estão maltratando “seus filhos!”.

  3. Enio Says:

    Consegui adquirir o dvd desse filme e já perdi a conta de quantas vezes o assisti (apesar de quase quatro horas de duração). É um filme da década de 50 e impressionante os recursos para aquela época em que foi realizado. Agora, mais de 50 anos depois estão para lançar nos cinemas uma reedição desse filme. Mas nos trailers apresentados já deixa muito a desejar.

  4. Marcelo Oliveira Says:

    Sou suspeito para falar de “Ben-Hur”. Simplesmente sou fascinado por este filme, desde que meu pai me falou sobre ele, quando o assistiu no cine São Luiz, na sua Fortaleza natal, no início dos anos 60. O filme em si é espetacular. Uma história que prende quem a assiste e não cansa, mesmo ao longo de mais de 3 horas e meia de filme. A sequencia do primeiro encontro de Judah com Cristo, quando Ele encara um centurião romano que estava por agredi-lo por dar água ao condenado Ben-Hur é algo sutil e extremanente imponente. Da mesma forma emocionante é o segundo encontro, quando Judah reconhece o homem que carregava a cruz pelas ruas de Jerusalém como aquele que enfrentou os soldados romanos para ajudá-lo sem nem ao menos conhece-lo. Isso sem falar dos 13 minutos mais fantásticos da história do cinema, a corrida de quadrigas (sim, quadrigas, as parelhas eram de 4 cavalos. As bigas tinham só dois).
    A realidade é que tenho 44 anos e ainda assisto “Ben-Hur” tão maravilhado quando o fiz em 1985, quando a TV Globo o transmitiu pela primeira vez, dividido em duas partes e pude, aos 14, 15 anos, entender o que fez o meu pai ser fá tão ardoroso desse filme.

  5. Maryland SEO Says:

    Maryland SEO

    blog topic

  6. Maria da Natividade Ataide Moreira Says:

    O incrível alinhamento dos cavalos e quadrigas na “volta de apresentação” é um trabalho fantástico realizado com animais vivos, claro que adestrados. Desconheço outro filme que tenha alguma sequência semelhante que já vi zilhões de vezes e continuo achando insuperável

  7. TITANIC (1997) | Cinema & Debate Says:

    […] Cameron que alcançou números impressionantes nas bilheterias e ainda igualou o recorde de “Ben-Hur” ao levar 11 estatuetas do Oscar. Também não é tão complicado entender porque, ao longo do […]

  8. Caio Rossi Says:

    ????? cadê o selo de obra prima ??????? não pode de volta para o futuro ter o selo de obra prima e uma verdadeira obra prima com Ben Hur não isso foi um absurdo !!!!!!!!!

    • Roberto Siqueira Says:

      Simples Caio.
      Para mim, “De Volta para o Futuro” é uma obra-prima e “Ben-Hur” é um filme excepcional.
      Não se apegue tanto as notas, o que vale é o texto, ok?
      Abraço.

  9. Lucia Says:

    Este Filme com 11 Oscars… …“insere na narrativa diversas cenas que servem para nos situar cronologicamente na estória… planos inacreditavelmente realistas”…

    Amei o Filme e estou apaixonada pelos cavalos brancos dirigidos por Judah: “Aldebaran, Altair, Antares e Rigel”.

    Sua brilhante dissertação sempre bem-vinda!

  10. JUAREZ LIMA Says:

    Ah!, já ia me esquecendo… respondendo ao Gerson, os nomes dos cavalos brancos guiados por Judah eram: Aldebaran, Altair, Antares e Rigel (estrelas e constelações)…

  11. JUAREZ LIMA Says:

    Assisti, pela primeira vez, ao filme Ben-Hur em 1965 (tinha 11 anos de idade), e me apaixonei pelo filme… de lá para cá o assiste mais de 20 vezes…
    é, para mim, o melhor filme de todos os tempos (ganhou 11 Oscars quando haviam 12 em disputa – enquanto Titanic e Senhor do Anéis também ganharam 11, mas com mais de 14 em disputa)…

    • Roberto Siqueira Says:

      Que legal Juarez. Um clássico absoluto, sem dúvida.
      Abraço e obrigado pelo comentário.

  12. Gerson Says:

    Quero saber o nome dos 4 cavalos do Judah BenHur os quais utilizava nas corridas de bigas no circo de Roma. Grato .
    Gerson

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Gerson,
      Infelizmente não tenho esta informação, mas creio que você consiga a resposta no “Google”.
      Um abraço!

    • Marcelo Oliveira Says:

      Aldebaran, Antares, Altair e Rigel. Todos nomes de estrelas. Caso não esteja enganado, Aldebaran era o mais rápido e Antares o mais lento. Uma mudança de posição de ambos na parelha, sugerida ao xeique Ilderin por Judah, os fez correr como o vento…

  13. francisco Says:

    Apesar de já ter comentado sôbre este filme e o quanto ele representa pra mim como obra de arte do cinema mundial, to voltando só pra registrar um momento auspicioso da história deste clássico: o lançamento em setembro de 2011 da edição em BD comemorativa de seu cinquentenário (com dois anos de atraso) , inclusive já disponivel no Brasil em cópia restaurada de seu celulóide original filmado em 65 mm. Isso é tudo que um apaixonado por Ben-Hur poderia esperar, ou seja, imagens e sons com qualidade quase inacreditável, é só pesquisar e conferir…um abraço !

    • Roberto Siqueira Says:

      É verdade Francisco.
      O blu-ray está nos proporcionando a oportunidade de rever estes clássicos com uma qualidade impressionante de som e imagem.
      Abraço.

    • francisco Says:

      Isso mesmo Roberto…para cinéfilos mais velhos como eu , acostumados a ver videos de filmes antigos com imagem ruim , este novo formato siginifica algo parecido com ‘milagre’ e aí eu só posso me empolgar mesmo. Abração!

    • Roberto Siqueira Says:

      Ben-Hur está no time dos clássicos que merecem restaurações deste nivel.
      Abraço.

  14. LAWRENCE DA ARÁBIA (1962) « Cinema & Debate Says:

    […] 60, o cinema viveu um período repleto de produções grandiosas como “Os Dez Mandamentos”, “Ben-Hur”, “Spartacus” e “A Queda do Império Romano”, que utilizavam uma quantidade enorme de […]

  15. nini-nini@hotmail.com Says:

    Olá, alguéém poderia me ajudar em um resumo sobre esse film??
    Preciso para um trabalho de escola!! Mas ñ tenho cmo assistir ao filme, me passem algum site que tenha esse filme em resumo? Vlw :* (Nd se compara a esse Timee >: Flamengoo!! )

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Nini.
      É mais fácil e produtivo assistir ao filme, qualquer locadora tem.
      Abraço.

  16. Roberto Autran Nunes Says:

    Um dos melhores filmes de todos os tempos.

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Roberto.
      Obrigado pelo comentário, seja bem vindo ao Cinema & Debate e volte sempre.

  17. Bruno Nery Says:

    Eu lio o livro Ben Hur de Lew Wallace quando tinha apenas 14 anos e sou suspeito p/ falar que o filme é muito fiél ao livro, sem dizer que essa maravilha da sétima arte foi de grande importância para que eu gostasse de cinema. Parabéns Roberto!

    • Roberto Siqueira Says:

      Olá Bruno. Desculpe a demora para responder, mas só estou acessando o site hoje.
      Obrigado pelo elogio e pelo comentário. Ben-Hur é mesmo um grande filme.
      Um abraço.

  18. Edson Cinaqui Filho Says:

    Assisti esse filme quando tinha 12 anos por pressão da minha mãe, e confesso que achei o maior porre na época. Dia desses andando pelas Americanas vi o DVD e decidi comprar Ben Hur. No dia de natal não tinha nada pra fazer e decido re-assistir ao filme e tive uma agradável surpresa. Ver o filme agora com 24 anos, com outros olhos e outra bagagem cinematográfica me fizeram AMAR esse filme. Fantástico em tudo: roteiro, montagem, figurinos, cenários, direção, atuações e efeitos que pra época foram totalmente inovadores. Parabéns pela sua crítica totalmente fiel ao que esse filme é: O MAIOR ÉPICO DE TODOS OS TEMPOS

    • Roberto Siqueira Says:

      Obrigado Edson.
      Realmente trata-se de um épico maravilhoso, também um dos meus favoritos.
      Abraço.

  19. GREASE – NOS TEMPOS DA BRILHANTINA (1978) « Cinema & Debate Says:

    […] quando estes últimos aparecem com um carro branco (lembrando as cores dos cavalos de Messala e Ben-Hur), revelando o bom trabalho de direção de […]

  20. makito Says:

    Quando assisti a ben hur pela primeira vez foi no cinema em 1977, na época estava com 16 anos.
    Agora, se coloquem no meu lugar e imaginem um adolescente fã da história greco-romana, principalmente romana, ver um filme como Ben Hur, sem os efeitos especiais de hoje em que, a primeira vista parece estupendos, mas depois caem no ridículo.E olhem que quando eu assisti a Ben Hur, o filme já tinha 18 anos e fiquei pasmo e maravilhado, não acreditando no que estava vendo. Um filme em que as cenas de ação, principalmente as da corrida de quadrigas, foram rodadas em um circo máximo colossal e ao VIVO,com os atores, dubles e os cavalos; correndo acredito a 70 km p/h e sem aqueles efeitos enganosos que temos hoje e que te dá a falsa noção de grandiosidade e velocidade.

    Quero fazer aqui algumas observações:

    1) Já havia notado na época que o Messala( sthephen Boyd), com aqueles cavalos pretos personificava o mal e o Ben Hur (Charlton Heston) com os brancos, era o bem.

    2) Na cena da batalha naval e principalmente a da corrida de quadrigas parece que o filme está 30 anos á sua frente, o que destoa um pouco do restante , talvez isso deixou o filme melhor ainda.

    3) Observem tambem que no filme fala-se em rebeliões por parte dos judeus, mas o telespectador apenas imagina essas rebeliões. Porem isso entra em contraste com aquilo que se ve no filme. Por exemplo quando se tem o desfile das tropas com o novo consul um pouco antes de cair a famosa telha, parece que se ve Jesus Cristo em todos os aqueles judeus que estão assistindo ao desfile romano. Essa cena passa uma imagem de coitados.Sabemos pela escrituras que haviam bandidos, prostitutas, mendigos,doentes, vagabundos e fariseus espertos.
    Então, fica claro que isso retrata o comportamento que havia nos anos 50. Todos os filmes épicos religiosos dessa época coloca o ser humano próximo a Deus quase como ser divino, em contrapartida, as séries religiosas de hoje, inclusive a série Ben Hur, que colocam um Jesus Cristo mais próximo do ser humano.

    • Roberto Siqueira Says:

      Interessantes observações Makito, parabéns!
      Fico imaginando a emoção ao ver um filme como este na telona, deve ser uma experiência inesquecível.
      Seja bem vindo ao Cinema & Debate, obrigado pelo comentário e volte sempre.
      Abraço.

    • makito Says:

      É realmente fui um felizardo, ter assistido Ben Hur na época certa , com a idade, ao meu ver ideal e no local tambem ideal que foi o cinema. Muitos queriam estar no meu lugar.
      Um abraço Roberto e obrigado.

    • Roberto Siqueira Says:

      É verdade Makito, muitos gostariam de ter esta oportunidade.
      Abraço.

  21. francisco Says:

    E me permita só mais um comentário…de todas as diversas críticas sobre esse clássico que já li ou ouvi…vc parece ter sido o primeiro que demonstrou ter notado a importância de Quintus Arrius no filme…Arrius é aquele personagem que aparece pouco, mas de forma altamente relevante na narrativa ! Um abraço !

  22. francisco Says:

    Parabéns pelo seu poder de observação e acima de tudo em relação a compreensão sôbre a época que o filme foi realizado. É o meu filme preferido, apesar de ser esnobado por muitos críticos metidos a besta por aí…valeu, roberto, obrigado por ter “falado” por mim !

    • Roberto Siqueira Says:

      Obrigado pela gentileza Francisco. Fico extremamente feliz com os seus elogios.
      Se este é o seu filme preferido, saiba que fez uma excelente escolha, pois trata-se de uma obra de excepcional qualidade.
      Grande abraço.

  23. Qual é o seu épico favorito? « Cinema & Debate Says:

    […] estas características, como os recentes “Tróia” e “Gladiador” e os grandes clássicos “Ben-Hur” e “Spartacus”. E exatamente por ser um dos meus gêneros preferidos, confesso que é […]

  24. deise vaz fernandes Says:

    gostei do filme muito bom parabens

    • Roberto Siqueira Says:

      Obrigado pelo comentário Deise.
      Seja bem vinda ao Cinema & Debate e volte sempre.

  25. Carlos Telles Says:

    Parabéns ! Uma crítica séria e contundente pelo valor da obra em todos os seus aspectos. Muito bem feita ! Bravo !!!

    • Roberto Siqueira Says:

      Muito obrigado Carlos.
      Sinta-se à vontade para ler, criticar ou elogiar todas as críticas do blog, assim como participar das pesquisas.
      Um grande abraço, seja bem vindo ao Cinema & Debate e volte sempre.

  26. Achilles de Leo Says:

    Beto, acho que esta é uma de suas melhores críticas. Belíssima e elegante, assim como o filme.

  27. Tweets that mention BEN-HUR (1959) « Cinema & Debate -- Topsy.com Says:

    […] This post was mentioned on Twitter by Cinema & Debate, Cinema & Debate. Cinema & Debate said: Nova crítica da Videoteca do Beto, confira: https://cinemaedebate.wordpress.com/2010/01/27/ben-hur-1959/ Abraço. […]

  28. Mandy Intelecto Says:

    Ixi….nunca mais vair ter um filme que eu já assisti, para eu ler e comentar?!?!?!

    Huahauhauhauaha

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