Álbuns da minha vida: 2# Appetite for Destruction (Guns n’ Roses)

Goste ou não de Axl Rose e sua turma, uma coisa é certa. A banda que explodiu como um meteoro no final dos anos oitenta deixou sua marca. E o melhor, com a mais pura cara do rock n’ roll. Extremamente talentosos, mas também perigosos e envolvidos em polêmicas até não poder mais, o Guns n’ Roses tinha todo o pedigree das grandes bandas de rock quando surgiu para o mundo. Um som maravilhoso, com o espetacular Slash na guitarra, o vocal agudo e vibrante de Axl Rose e um trio de bons músicos completando a banda (Izzy na guitarra, Duff no baixo e Steven Adler na bateria). O som do Guns era claramente inspirado nos Rolling Stones, Led Zepellin e Aerosmith, mas tinha uma cara renovada, uma injeção de energia incrível. Ainda mais numa época em que bandas deste tipo eram raridades. O “bom mocismo” era moda (e garantia boas músicas também, por que não?). Até que surgiu o Guns, com seu visual sujo, fama de bad guys e o principal, muita qualidade musical. E toda esta qualidade musical pode ser notada em sua mais perfeita harmonia neste álbum de estréia, que se tornou um clássico recente do Rock n’ Roll. Mas o Guns n’ Roses tinha também uma capacidade de causar polêmica proporcional ao seu talento e saiu deixando marcas por onde passava, chegando a provocar uma verdadeira guerra em St. Louis ao parar um show no meio e se retirar do palco. Deixando de lado o politicamente correto, podemos dizer que esta foi a última banda que viveu o lema do rock n’ roll na acepção da palavra: Sexo, drogas e rock n’ roll. E deixou saudades…

Quanto à importância em minha vida, o Guns sempre teve um sabor de “banda proibida”, talvez por toda polêmica da época em que estava no auge. Ainda muito jovem, eu adorava ouvir as músicas e ver os clipes da banda, até mesmo na fase não tão gloriosa musicalmente dos “Use your Illusion”. Representa, portanto, um grito espremido de liberdade, que viria desentalar de vez da minha garganta no já citado (e analisado) Blood Sugar Sex Magik, dos Chilli Peppers.

Análise do álbum:

O apetite por destruição da banda de Axl Rose e Slash fica ainda mais evidente quando ouvimos as excelentes músicas deste álbum de estréia. Praticamente inteiro composto por músicas agitadas e com um ar de garagem, o álbum não abre espaço para as baladas que marcariam a banda mais tarde, como Patience, Don’t Cry e November Rain. É uma pancada atrás da outra, com Axl detonando nos vocais e Slash mostrando todo seu talento na guitarra. Além disso, as letras quase sempre falam da vida selvagem no submundo de Los Angeles, sempre recheadas por um linguajar despojado, repleto de palavrões e alusões às drogas, álcool e sexo. Ao final da última música, a vontade é de começar a ouvir tudo de novo. Com certeza, um álbum 5 estrelas.

Análise das músicas (Para ouvir a música, basta clicar no nome):

1 – Welcome to the Jungle: Os primeiros acordes de Welcome to the Jungle são reconhecidos até mesmo por aqueles que não curtem a banda. Nos shows, quando Axl gritava “Do you know where the f* you are?” a galera delirava. E delirava porque a música é sensacional, com uma pegada incrível de Duff no baixo, acompanhada do talento de Izzy e, principalmente, Slash na guitarra. Obviamente, Axl detona com sua voz aguda e o inconfundível refrão nananana knees, knees! A letra fala basicamente da chegada de Axl à grande Los Angeles (ou à selva de pedra), onde logo de cara lhe oferecem drogas e sexo.

2 – It’s so Easy: Os acordes iniciais do baixo de Duff, seguidos pelas guitarras de Slash e Izzy iniciam esta ótima música, onde é possível notar uma das características marcantes do excelente Axl Rose: a oscilação no tom de voz. Axl inicia a música com uma voz grave e vai gradativamente alterando o tom para o agudo que marcou sua carreira.

3 – Nightrain: Outra música que inicia com um riff marcante de Slash e Izzy e é seguida por um ritmo forte de Duff e Adler, enquanto Axl canta sobre o trem noturno, uma metáfora para seu estado alucinado durante a noite, “carregado como um trem de carga”. No refrão, o grito agudo volta com força total e ainda temos um belo solo de Slash no meio da canção.

4 – Out ta Get Me: Pancada com um refrão em alto e bom som, tem um ritmo empolgante e os tradicionais back vocals durante toda a música. A voz estridente de Axl está em plena forma e Slash manda outro solo maravilhoso já próximo do final.

5 – Mr. Brownstone: Metáfora escancarada sobre o uso de drogas, a música tem um ritmo dançante, mas não foge às características da banda, com Slash demonstrando todo seu talento enquanto a bateria e o baixo formam a base sólida da canção. A letra diz que “eu costumava fazer um pouco, mas o pouco não daria, então o pouco virou mais e mais…”

6 – Paradise City: Clássico absoluto do rock n’ roll, se inicia de forma lenta e com o refrão sendo repetido até que um apito anuncie a mudança drástica no ritmo da música. A partir daí, o festival de acordes rápidos do trio Slash, Duff e Izzy e as batidas secas de Adler na bateria se misturam à voz de Axl, que canta em enorme velocidade sobre a cidade paraíso, onde as garotas são lindas e a grama é verde.

7 – My Michelle: Os acordes dedilhados do inicio dão lugar ao poderoso riff de Slash, seguido pela voz marcante e aguda de Axl, que canta sobre uma ex-namorada. O refrão é delicioso.

8 – Think About You: Nem mesmo esta que tinha tudo para ser uma balada escapa do ritmo alucinado do excelente álbum. Axl até canta o refrão de forma mais melódica, a letra é romântica, mas a pegada da banda continua firme durante toda a música.

9 – Sweet Child O´Mine: Talvez a música que mais se aproxime de uma balada no álbum, se inicia com um dos riffs mais famosos do rock. Slash demonstra seu talento em toda a canção, enquanto Axl canta sobre sua doce garota. Uma das melhores músicas do álbum, tem uma harmonia perfeita entre todos os instrumentos e conta com um solo belíssimo de Slash.

10 – You’re Crazy: Outra pancada preenchida pelos gritos estridentes de Axl, conta com uma performance inspirada de Slash no solo e o ritmo frenético de Duff, Izzy e Adler em todo o tempo.

11 – Anything Goes: Com um ritmo mais dançante, esta música conta com outro riff marcante de Slash e mais um refrão empolgante. Axl canta sobre uma noite de sexo em que tudo está valendo.

12 – Rocket Queen: A perfeita harmonia da banda se destaca nesta ótima canção, com um refrão mais lento, um excelente solo de Slash e o final melódico, que destoa um pouco do restante do álbum e, justamente por isso, encerra perfeitamente este grande “Appetite for Destruction”. Diz a lenda que os gemidos que podemos ouvir durante a música são da ex-namorada de Steven Adler, chamada Adriana Smith, que teria transado com Axl Rose no estúdio e autorizado a gravação.

Álbum de estréia mais vendido da história da música, “Appetite for Destruction” é o auge da última banda de rock que verdadeiramente dominou o planeta música. Depois do fenômeno Guns, nunca mais o Rock n’ Roll teve uma banda no topo, como nos tempos de Beatles, Rolling Stones, entre outros. De certa forma, é até mesmo um pouco melancólico perceber que o início dos anos noventa marcou um momento maravilhoso para o rock, com Guns, Chili Peppers, popularização do Iron Maiden e Metallica, o movimento grunge liderado pelo Nirvana, entre outras bandas em pleno sucesso, mas marcou também os últimos suspiros dos tempos em que o rock tinha qualidade (como algumas bandas de hoje têm), mas tinha também atitude (algo raro hoje em dia).

Um abraço.

Texto publicado em 20 de Abril de 2010 por Roberto Siqueira

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8 Respostas to “Álbuns da minha vida: 2# Appetite for Destruction (Guns n’ Roses)”

  1. Jessé Araújo Says:

    Cara, eu gostaria de te elogiar bastante. Você acabou de fazer uma excelente resenha de um dos melhores álbuns da história do rock(o meu preferido da minha também banda preferida). Parabéns, você demonstra que ainda há pessoas com excelente gosto musical e cinematográfico. Sou seu fã!

  2. cross98 Says:

    Eu nao sou muito fã de rock internacional não . Eu gosto de Rock nacional , Legião Urbana e meu favorito , Raul sixas. mas o estilo que eu gosto mais é sertanejo mesmo

  3. Renato Says:

    Queria muito ter ido no show deles, pena que não deu… Meu irmão falou que foi muito bom, mesmo não sendo a banda original e o Axl não estando em melhor forma… Mas pra quem é fã, foi uma boa oportunidade.
    Abraço

    • Roberto Siqueira Says:

      É verdade Renis. Mas se fosse a banda original, com certeza eu iria! rsrs
      Abraço.

  4. Mandy Intelecto Says:

    Adoro Gun´s…muito mesmo…..Nenhum album especifico…mas curto um monte.

    • Roberto Siqueira Says:

      Que legal Amanda. Eu também gosto bastante e este primeiro álbum especificamente é maravilhoso.
      Obrigado pelo comentário!

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