NOSFERATU – UMA SINFONIA DE HORRORES (1922)

(Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens)

 

Filmes em Geral #33

Filmes Comentados #22 (Comentários transformados em crítica em 06 de Janeiro de 2011)

Dirigido por F.W. Murnau.

Elenco: Max Schreck, Greta Schröder, Karl Etlinger, John Gottowt, Ruth Landshoff, Georg H. Schnell, Gustav von Wangenheim e Gustav Botz.

Roteiro: Henrik Galeen, baseado em livro de Bram Stoker.

Produção: Enrico Dieckmann e Albin Grau.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Filmes que contam histórias de vampiro não são raridades na história do cinema. Na realidade, existem filmes sobre vampiros aos montes e de todas as formas possíveis. Mas um vampiro em especial sempre chamou à atenção dos cineastas pelo mundo. Trata-se da lenda “Conde Drácula”, que já inspirou, segundo informação de Rodrigo Carreiro no site Cine Reporter, mais de 100 filmes ao longo dos anos. E toda esta longa história começou em 1922, com esta adaptação não autorizada do mestre F. W. Murnau para a obra de Bram Stoker, que no cinema recebeu o nome de “Nosferatu, uma sinfonia de horrores”.

Na adaptação de Murnau, Hutter (Gustav von Wangenheim) é um agente imobiliário que viaja até os temidos montes Cárpatos para vender um castelo. Só que numa visita aos porões do castelo, o agente encontra um caixão, onde o estranho conde Graf Orlock (Max Schreck) dorme, e descobre que o conde é na verdade um vampiro milenar. O agente volta para Bremen, na Alemanha, a sua terra natal, mas o conde também segue viagem no porão de um navio e sua chegada provoca pânico na cidade. Mas o conde acaba se apaixonando por Ellen (Greta Schröder), a esposa de Hutter, e esta será a chave para a solução dos problemas do agente.

Como podemos perceber, basta trocar os nomes dos personagens para identificar a tradicional história do Conde Drácula escrita por Bram Stoker. Dirigido por Murnau, o clássico fantasmagórico “Nosferatu, uma sinfonia de horrores” faz uma releitura da famosa história, com nomes trocados e pequenas modificações (o diretor não conseguiu autorização para adaptar a obra de Bram Stoker), criando imagens aterrorizantes sob a forte influência do expressionismo alemão. A atmosfera do filme é fantástica, criando um clima de terror através do belo texto (mérito do roteiro de Henrik Galeen, baseado na obra de Bram Stoker) e da pesada direção de fotografia, que pintou à mão a película do filme, tingindo a tela em tons de azul, amarelo e vermelho em muitas cenas, o que além de ter função narrativa (as cores dividem ambiente externo e interno, além de separar o dia da noite), aumenta o clima fantasmagórico do longa, que mais parece um pesadelo. Também colabora para a atmosfera de horror a bela direção de arte de Albin Grau, que capricha no visual sombrio dos lugares por onde o conde passa, infestando de ratos o navio, por exemplo, e criando um castelo assustador na Transilvânia, com cômodos enormes e um porão tenebroso, onde fica o caixão do vampiro.

Mas apesar de ser aterrorizante, “Nosferatu” não provoca sustos repentinos, daqueles que fazem o espectador saltar da cadeira (o que em muitos casos acaba soando artificial, pois o susto é provocado mais pela trilha sonora do que pelo que vemos na tela). Ainda assim, tem imagens perturbadoras o suficiente para ficar na memória por muito tempo, como a entrada de Orlock no quarto em que Hutter dorme, o momento em que Orlock acorda no porão do navio e a clássica imagem de sua sombra na parede enquanto sobe as escadas. Estas imagens fortes e horripilantes estabeleceram um padrão para o cinema de horror que viria a seguir. Outro grande destaque é a sombria trilha sonora, que aumenta o clima macabro e ainda pontua muito bem os momentos tensos do longa, como a citada visita de Orlock ao quarto de Hutter e sua subida pela escada refletida na parede.

Entre o elenco, vale destacar a espetacular atuação de Max Schreck como o conde vampiro Orlock, que nos dá a impressão de realmente estarmos vendo um vampiro na tela. Seu olhar penetrante e sua aparência nada agradável, aliado ao perfeito clima criado por Murnau, garantem uma atuação perturbadora e marcante. E aqui vale citar uma curiosidade. A atuação de Schreck é tão magnética que após o lançamento de “Nosferatu”, passou a correr no meio cinematográfico a lenda de que o ator alemão era um vampiro de verdade, interpretando a si mesmo, o que dá a exata idéia do impacto causado por sua grande atuação. Completam o elenco principal Gustav von Wangenheim, interpretando Hutter, e Greta Schröder, que interpreta com muito charme a bela Ellen Hutter, que assim como na obra de Bram Stoker, conquista o coração do vampiro. Só que ao contrário da lenda do conde Drácula, em “Nosferatu” é a própria moça quem salva a todos, num final diferente e muito interessante.

Com seu clima fantasmagórico e suas imagens perturbadoras, além de uma interpretação espetacular, “Nosferatu” influenciou praticamente todos os filmes de terror que surgiram depois. Certamente é a adaptação mais importante do Conde Drácula, ainda que não tenha utilizado os nomes da obra original. Repleto de imagens impressionantes, o longa dirigido por Murnau é referência obrigatória e entretenimento de primeira.

PS: Comentários divulgados em 03 de Agosto de 2010 e transformados em crítica em 06 de Janeiro de 2011.

Texto atualizado em 06 de Janeiro de 2011 por Roberto Siqueira

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13 Respostas to “NOSFERATU – UMA SINFONIA DE HORRORES (1922)”

  1. Davi Cardoso Says:

    Só pra constar: Nosferatu é Obra-Prima

  2. DRÁCULA DE BRAM STOKER (1992) « Cinema & Debate Says:

    […] se esquece de homenagear os filmes antigos do famoso vampiro, fazendo referência ao clássico “Nosferatu”, de 1922, e a outros filmes clássicos, por exemplo, na aula do professor Van Helsing e ao […]

  3. Semana das Lendas « Cinema & Debate Says:

    […] filmes interessantes e importantes como “A Marca do Zorro” (as versões de 1920 e 1940), “Nosferatu – uma sinfonia de horrores” (1922), “Frankenstein” (1931), “A Múmia” (1932), “A Noiva de Frankenstein” (1935), […]

  4. fernando Says:

    esse filme e sensacional e muito bom mesmo pra quem não viu recomendo que veja

  5. ENTREVISTA COM O VAMPIRO (1994) « Cinema & Debate Says:

    […] mórbido, onde eram retratados como seres malditos e relegados ao papel de senhores das trevas (“Nosferatu, uma Sinfonia de Horrores” é um bom exemplo disto), a figura do vampiro foi ganhando “glamour” e versões cada vez […]

  6. Bruno Nery Says:

    Assisti esse filme depois de ler a obra Drácula de Bram Stoker, e ficar curioso sobre filmes de terror antigo. Realmente fiquei impressioanado com o filme. Arrisco a afirmar que NOSFERATU é o filme mais importante do gênero. Com uma sonoridade assombrosa, causa agonia ao decorrer de toda a estória. E o que dizer do Conde Orlock, que causa mais arrepio que muitos filmes de terror atuais que só assustam. Não recomendo assistir a noite e sozinho…uauhauhahaua

    Gostaria muito de assistir tbm O Gabinete do Dr. Cagliari.

    Obrigado Roberto!
    Abraços

    • Roberto Siqueira Says:

      Um filme muito assustador, sem dúvida. E também vale pela curiosidade, para conhecer mais da história do cinema. Também recomendo “O Gabinete do Dr. Caligari”. A propósito, também tem critica dele no site, além de uma matéria sobre o expressionismo alemão. Depois dá uma lida.
      Um grande abraço e obrigado mais uma vez por todos os seus comentários.

  7. Semanas Especiais « Cinema & Debate Says:

    […] Nosferatu – Uma Sinfonia de Horrores […]

  8. Anônimo Says:

    NOSFERATU TE APANHA!

  9. METROPOLIS (1927) « Cinema & Debate Says:

    […] banheiro em “A Última Gargalhada” significava a queda do porteiro, a descida ao porão em “Nosferatu” significava a descoberta do caixão onde repousava o mau e a descida forçada do prédio onde se […]

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