E a Copa América virou Eurocopa

Não estou tão mal. Acertei três dos quatro semi-finalistas. E o “decadente” futebol europeu (segundo Benjamin Back) colocou mais uma vez três times na semi-final. A “grande Copa América” que o Galvão previu virou uma grande Eurocopa, com o Uruguai de intruso. Às vezes penso que a soberba e a arrogância de torcedores, imprensa e jogadores no Brasil é o que nos prejudica. Em todas as Copas inventamos desculpas para justificar a derrota, quando na verdade perdemos porque os adversários foram melhores.

O festival de desculpas sem fundamentos existe desde que a Copa é Copa. Em 74 podíamos ter vencido a Holanda, em 78 fomos roubados, em 82 foi azar, em 86 Zico estava frio, em 90 fizemos o melhor jogo e o Maradona decidiu, em 98 vendemos pra França, em 2006 o salto alto do quadrado mágico nos derrubou. Acho que já chegou a hora de assumir que nem sempre temos o melhor futebol e que Alemanha, Itália, Argentina, Holanda, Espanha, Inglaterra, França, Uruguai, entre outros, são países capazes de formar bons times também.

Pra finalizar, é preciso dizer que esta Copa está muito perto de se tornar a melhor Copa que já vi. Até hoje a Copa da minha vida foi a de 98, com pelo menos dez grandes jogos pra guardar na memória. 94 e 2002 estão no mesmo nível, 2006 um pouco abaixo e 90 bem abaixo. Mas esta Copa de 2010 já apresentou grandes jogos, memoráveis, e dependendo dos jogos de semi-final e final pode sim superar a Copa de 98 e se tornar a melhor Copa que eu já ví.

Que sejam grandes jogos estas semi-finais, e pra não perder a mania de tentar acertar o que vai acontecer, arrisco dizer que Alemanha e Holanda repetirão a final de 74 no próximo dia 11 de Julho.

Um grande abraço.

Texto publicado por Roberto Siqueira em 03 de Julho de 2010

Palpites

Posso quebrar a cara, mas não vou deixar de registrar meus palpites antes das aguardadas partidas de quartas-de-final da Copa. Arrisco dizer que teremos duas semi-finais entre países do mesmo continente. De um lado, Brasil e Uruguai repetirão a semi-final de 1970. Do outro, teremos a revanche da final da Eurocopa entre Alemanha e Espanha. E na final, um repeteco da final de 2002, entre Brasil e Alemanha. E desta vez, uma final ainda mais empolgante e sem favoritos.

É aguardar pra ver!

Um grande abraço, bons jogos e bons filmes!

Texto publicado por Roberto Siqueira em 01 de Julho de 2010

Comentários…

Comentaristas adoram teorias para explicar tudo num esporte onde a principal explicação para qualquer coisa é bem simples. O futebol é simples. Basta jogar bem para que os resultados apareçam. Abaixo algumas das coisas absurdas que escutei recentemente de comentaristas como Falcão e de Benjamin Back (que gosto de ouvir) no estádio 97, além de outras besteiras que se tornaram comuns no meio do futebol:

1 – A seleção alemã é muito fraca tecnicamente e continua jogando um futebol pragmático  (Falcão): quem viu este time alemão jogar, e isto desde a Copa de 2006, já notou que esta geração de jogadores joga muito mais do que o tal “futebol pragmático”. Aliás, se a Alemanha jogasse tão feio ou tão mal quanto as pessoas dizem, não seria uma seleção tão vitoriosa e com tantos gols na história das Copas (só perde para o Brasil).

2 – O futebol europeu está decadente (Benjamin Back): Ora bolas, os europeus simplesmente ficaram nas quatro primeiras posições da última copa, revelaram o último gênio da bola (Zidane) e apresentam nesta Copa uma seleção encantadora (Alemanha) e mais duas com um futebol muito agradável (Espanha e Holanda). Não é porque o futebol sul-americano finalmente está mostrando seu potencial (o que me agrada muito) que devemos desmerecer o futebol europeu. Esta, aliás, é outra questão que me intriga. Quem ouve os comentaristas brasileiros falando dos europeus “cintura dura” tem a impressão de que eles não representam nada no futebol, quando na verdade estiveram presentes em quase todas as finais de Copa, revelaram muitos craques e claramente tem muita importância no futebol, assim como Brasil e Argentina.

3 – A Itália está vivendo uma crise técnica por importar muitos jogadores: Como bem disse PVC na ESPN, este raciocínio é perigoso, pois em 2006 o futebol italiano era exatamente igual ao que é hoje e a Itália venceu com justiça a Copa do Mundo. Ou será que tudo mudou em apenas quatro anos?

4 – A Inglaterra não sabe jogar contra times com ginga ou habilidade: Ora bolas, os jogadores ingleses jogam contra os craques mais habilidosos do mundo em seu campeonato e na Champions League e têm sucesso. O que acontece com a Inglaterra é que ela não consegue formar um time, como a Alemanha consegue, mas isto não tem nada a ver com o fato do futebol inglês ter ou não costume de enfrentar jogadores habilidosos. Já faz muito tempo que a Inglaterra não joga mais o futebol de chuveirinho.

5 – O caminho do anfitrião é o mais fácil em Copas: Outro absurdo, que já deveria ter caído por terra em outras Copas, como em 2006 quando a Alemanha teve que enfrentar Argentina e Itália no caminho. Nesta Copa então, não teria grupo pior para o anfitrião do que o grupo da África do Sul. O sorteio é justo, claro, e se os caminhos se complicam ou ficam facilitados (como é o caso do Brasil neste ano) é por causa da incompetência de alguns, como a Inglaterra que deveria ter vindo pra chave do Brasil, mas ficou em segundo no grupo e foi pro outro lado, ou a França, que também deveria estar no lado brasileiro.

6 – O nível da Copa está baixo: Desde que assisto Copa do Mundo (1990), ouço os comentaristas dizendo que a Copa está com baixo nível. Em 90 isto era verdade, mas 94 já apresentou bons jogos, com craques como Baggio, Romário, Hagi e Stoichkov, 98 foi a melhor Copa que vi, 2002 também teve bons jogos e 2006 também. O que acontece é que os jogos marcantes sempre acontecem na segunda fase, mas os precipitados de plantão já queriam dizer que o futebol de hoje é fraco porque “os jogos estavam ruins”, quando na verdade o problema é que ainda estávamos na primeira fase. Alguém se lembra de um jogo espetacular na primeira fase de qualquer Copa? Eles até acontecem, mas o que entra pra história são os jogos da segunda fase. Com os quatro belos jogos que tivemos nestas oitavas, alguém ainda quer dizer que o nível está baixo?

7 – Temos que parar de idolatrar estes jogadores europeus (se referindo aos ingleses) e valorizar os que temos aqui (Neto,  que vi por acaso hoje, no intervalo da SPORTV, falando sobre a vitória alemã): Ora bolas Neto, os jogadores que deram show são alemães, e a Alemanha também fica na Europa. E não é porque a Inglaterra foi mal que Rooney, Lampard e Gerrard não são grandes jogadores.

Existem muitas outras afirmações e comentários prontos que eu gostaria de discutir aqui, mas já estou com sono e amanhã tem mais dois grandes jogos pra ver. Por enquanto é só.

Fiquem à vontade pra debater, concordar ou discordar do que escrevi.

Um abraço.

Texto publicado por Roberto Siqueira em 27 de Junho de 2010

Férias…

De férias, em casa, curtindo o filhão, a esposa e a Copa do Mundo. Além disso, curtindo os primeiros dias na casa nova. É a vida que pedi pra Deus!

Quando acabar a primeira fase pretendo comentar um pouco sobre a Copa, mas por enquanto deixo registrado que estou gostando do mundial, apesar de alguns jogos abaixo do esperado, e do triste fato de alguns dos maiores jogadores da atualidade estarem claramente fragilizados por problemas físicos, como é o caso de Kaká, Rooney, Drogba, Robben e Fernando Torres. Torço para que as grandes seleções se classifiquem para termos grandes clássicos na fase final. Mas pelo visto, algumas delas ficarão pelo caminho. É esperar pra ver. Enquanto isto, nas noites de Copa, assisto mais alguns filmes…

Abraços e até breve.

Texto publicado por Roberto Siqueira em 18 de Junho de 2010

É amanhã!

Finalmente chegou o grande momento. Vai começar o maior espetáculo da terra. Boa sorte para nossa seleção, mas principalmente, que seja uma bela Copa do Mundo, com grandes jogos!

Boa Copa para todos!

Texto publicado em 10 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

Os Clássicos dos Mundiais – Parte 3

Finalmente chegamos aos últimos cinco clássicos transmitidos pela ESPN (Para ler os comentários da Parte 1 clique aqui e para ver a parte 2, clique aqui):

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1990: ALEMANHA 1 X 0 ARGENTINA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Certamente o jogo mais fraco tecnicamente reprisado até agora, a final da pior Copa de todos os tempos (tecnicamente falando) não fez justiça ao excelente futebol da seleção campeã. Um oasis técnico em meio a tanta mediocridade – e aqui incluo a fraca seleção brasileira de Lazzaroni e até mesmo a vice-campeã Argentina, que só tinha Maradona e Caniggia – a seleção liderada pelo craque Lotthar Matthäus contava com grandes jogadores como Völler, Klinsmann e Hässler, que jogavam muito mais do que apresentaram na final do mundial. Independente disto, é importante ressaltar que realmente a seleção de Don Diego foi prejudicada pelo pênalti inexistente que originou o gol de Andreas Brehme e garantiu o terceiro título da Alemanha na história. Por outro lado, fez justiça por linhas tortas, pois claramente a seleção alemã dominou toda a partida e merecia a vitória. A melhor geração alemã dos últimos tempos foi premiada com o titulo mundial de forma merecida.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1994: BRASIL 0 X 0 ITÁLIA (Nos pênaltis, Brasil 3 x 2 Itália)

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Apesar de ter vaga lembrança da Copa de 1990, este foi o primeiro mundial que acompanhei de verdade. Lembro que assisti praticamente todas as partidas, me encantei com a Romênia de Hagi e a Bulgária de Stoitchkov, mas foi com o baixinho Romário que meu coração bateu acelerado. Romário e Baggio foram os responsáveis pela chegada de suas seleções à final, nesta que foi uma Copa fraca tecnicamente. E a final, infelizmente, foi muito prejudicada pelo forte calor, numa partida insanamente disputada ao meio-dia na Califórnia, somente para que o horário atendesse o interesse comercial. Como as duas equipes naturalmente já primavam pela defesa e o calor era insuportável, o zero a zero foi inevitável, apesar de algumas boas oportunidades para ambos os lados. Vale notar como a seleção jogava bem ao estilo Parreira, forte na defesa liderada pelo ótimo Aldair e mantendo a posse de bola o máximo que puder, o que fez com que Zinho, que era um meia criativo, ganhasse o apelido de “enceradeira”, pois seguia fielmente as ordens de Parreira e fazia o máximo para que o Brasil mantivesse a posse de bola, prendendo e tocando de lado. Já Romário, nas poucas vezes que pegou na bola, mostrou seu talento acima da média, partindo pra cima da excepcional defesa italiana liderada por Baresi (que estava desgastado e jogando no sacrifício) e Maldini. Roberto Baggio, por sua vez, nitidamente estava sem condições de jogo, se arrastando em campo. Na inesquecível e emocionante disputa de pênaltis, brilhou a estrela de Taffarel e no pênalti decisivo, a Copa mais uma vez vitimou um craque, como já tinha feito com Zico, Platini e tantos outros no passado. Baggio, o grande responsável pela chegada italiana a final, marcando cinco dos seis gols italianos na fase eliminatória, perdeu o pênalti e garantiu o tetra para o Brasil 24 anos depois do Tri. Festa brasileira, numa final sem grandes emoções com a bola rolando, mas marcante para a minha geração.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1998: FRANÇA 3 X 0 BRASIL

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

A final de 98 entre Brasil e França foi marcada por polêmicas. A convulsão de Ronaldo antes da partida fez com que os brasileiros ignorassem o excelente futebol da seleção francesa e utilizassem o “fator Ronaldo” como desculpa para a derrota. Obviamente, Ronaldo fazia muita diferença naquela época e o impacto provocado no grupo foi enorme. Mas não devemos tirar o mérito da excelente seleção francesa. Com uma zaga sólida, liderada por Blanc (que não jogou a final), Desailly e Thuram, Deschamps no meio de campo dando segurança e o gênio Zidane nascendo para o mundo do futebol, ainda que não tivesse um grande atacante (Henry e Trezeguet eram reservas e explodiriam para o mundo pouco tempo depois), os franceses mostraram um futebol consistente, de posse de bola e mereceram a vitória. A partida foi equilibrada até o momento em que Zizou mostrou seu talento e decidiu a final com dois gols muito parecidos. Nascia um gênio, o maior jogador estrangeiro que vi jogar (não vi Maradona no auge). A campanha brasileira já dava sinais dos problemas da seleção, com derrota para a Noruega e classificações suadas contra a Dinamarca e a excelente Holanda de Bergkamp. Os franceses também sofreram, contra Paraguai e Itália principalmente, mas mostraram melhor futebol em toda Copa. Rever este jogo é a oportunidade que muitos brasileiros têm de reparar uma injustiça histórica. Problemas do Ronaldo à parte, a França mereceu o título.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 2002: BRASIL 2 X 0 ALEMANHA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Ronaldo e Rivaldo foram os nomes da Copa na gloriosa conquista da seleção brasileira, dirigida com muita competência por Felipão. Numa Copa em que os grandes favoritos foram dando adeus de forma inesperada (França e Argentina, as melhores seleções da época, caíram na primeira fase, Itália e Espanha caíram diante de arbitragens suspeitas e a Holanda nem foi ao Mundial), o Brasil teve um único grande adversário antes da final: a Inglaterra de Beckham, que parou no bom futebol de Ronaldinho Gaúcho, na única partida memorável do astro com a camisa amarelinha. Mas na final, diante da sempre poderosa Alemanha (o único encontro entre as duas seleções em Copas), o Brasil não jogou tão bem, como ficou evidente nesta transmissão da ESPN. A Alemanha, inferior tecnicamente e sem o capitão e melhor jogador Ballack, dominou as ações e só não saiu na frente graças a mais uma excepcional atuação de São Marcos. Os torcedores brasileiros quase enfartaram quando, ainda com o jogo empatado, Neuville acertou um petardo numa cobrança de falta e Marcos se esticou todo para evitar o gol. Momentos depois, Rivaldo e Ronaldo decidiriam mais uma vez e o Brasil chegaria ao Penta com autoridade. Vale citar também a grande atuação de Kléberson, na época uma revelação. Numa Copa inferior tecnicamente à de 98, mas superior a de 2006, o Brasil brilhou novamente e trouxe o caneco.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 2006: ITÁLIA 1 X 1 FRANÇA (Nos pênaltis, Itália 5 x 3 França)

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

A Copa de 2006 teve grandes clássicos, mas poucos mostraram um futebol à altura das camisas que estavam em campo. Holanda e Portugal fizeram um jogo violentíssimo, Inglaterra e Portugal um jogo sem grandes emoções e França e Portugal também pouco mostraram. Salvaram-se os encontros entre Alemanha e Argentina, Brasil e França (muito pela espetacular atuação de Zidane) e principalmente, o épico Itália e Alemanha, disputado no templo de Dortmund e vencido nos segundos finais da prorrogação pelos italianos. A final foi um jogo disputadíssimo e com poucas chances de gol, ou seja, com a cara desta Copa. Zidane brilhou na cobrança de pênalti (que tranqüilidade!) e Cannavaro demonstrou sua liderança na defesa, como em toda a Copa. Zizou esteve perto decidir a partida numa cabeçada espetacular defendida por Buffon, mas o nome do jogo foi mesmo Materrazzi. Autor do gol de empate italiano, o zagueiro artilheiro foi também o responsável pelo final melancólico de carreira do último grande gênio do futebol. Zidane não agüentou as provocações do italiano e lhe deu uma cabeçada, sendo expulso e prejudicando seu país. Nos pênaltis, depois de derrotas histórias no passado, a Itália finalmente conseguiu vencer e garantiu o tetra, 24 anos depois do tri (exatamente como o Brasil fez em 94). Um título merecido, numa Copa muito mais bonita fora do que dentro do gramado.

E assim chegamos ao fim dos “Clássicos dos Mundiais”, excelente idéia dos canais ESPN que nos permitiu viajar no tempo e preparou o clima para a Copa 2010 de maneira formidável. Que a Copa da África do Sul nos brinde com novos clássicos!

Um grande abraço.

Texto publicado em 09 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

COPA DO MUNDO 2010 – GRUPOS G E H

Pra finalizar, o grupo do Brasil e o grupo que definirá nosso adversário nas oitavas-de-final.

GRUPO G (Brasil, Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal)

Diferente dos últimos três mundiais, desta vez o Brasil terá pela frente um grupo complicado, com uma seleção “incógnita” e duas seleções fortes que podem complicar a vida do time de Dunga. Se por um lado isto pode representar um risco à campanha brasileira em campos sul-africanos, por outro lado uma classificação em primeiro lugar pode elevar ainda mais o moral de um time já acostumado às vitórias e aos títulos.

Convocação à parte (não consigo perdoar Dunga por não levar Paulo Henrique Ganso), a seleção brasileira é sempre favorita numa Copa do Mundo. Ainda mais quando o trabalho é bem feito, como os títulos e a campanha nas eliminatórias comprovam no caso da seleção atual. Com grandes jogadores como Kaká, Luis Fabiano, Maicon e Júlio César, é impossível não apontar a seleção pentacampeã do mundo como favorita. Mas é bom prestar atenção em alguns detalhes. Em primeiro lugar, já ficou evidente que a seleção de Dunga joga muito mais quando é atacada, pois claramente é um time preparado para contra-atacar, com uma defesa muito segura e Kaká, Robinho e Maicon puxando em alta velocidade os contragolpes. Por outro lado, quando enfrenta uma retranca (como Bolívia, Colômbia e Venezuela, nas eliminatórias), o Brasil enfrenta enormes dificuldades, justamente pela falta de um meia de criação (cadê o Ganso Dunga?). Além disso, os principais nomes do elenco, como Kaká e Robinho, claramente não estão vivendo um bom momento, o que pode pesar na campanha brasileira. E aí o risco é enorme, diante de seleções fortes como Portugal e Costa do Marfim, de ficar em segundo lugar da chave e ter um indigesto confronto contra a “melhor seleção do mundo” no momento: a Espanha, de Xavi, Iniesta e Fernando Torres. Mas se conseguir a vaga em primeiro lugar do grupo, o Brasil deve caminhar tranqüilamente até as quartas-de-final e, com base no que já vimos da seleção de Dunga, chegar ao hexa pode ser um sonho mais próximo do que parece hoje.

O que dizer da Coréia do Norte? Até mesmo a lista de jogadores convocados só pôde ser conhecida quando a Fifa divulgou os nomes em seu site oficial. Seleção e país se confundem, o que torna praticamente impossível a missão de conseguir informações do time asiático. Só nos resta torcer para que a Coréia do Norte não seja uma surpresa e confirme em terras sul-africanas o status que tem hoje de pior seleção do grupo. Infelizmente (ou felizmente), caberá a seleção brasileira descobrir a capacidade da seleção coreana na partida de estréia. É esperar pra ver.

Comandada pelo super artilheiro Drogba, do Chelsea (artilheiro do campeonato inglês com 29 gols), a Costa do Marfim tem tudo para comprovar na África do Sul a fama de melhor seleção do continente que ganhou nos últimos anos. Fama esta que, diga-se de passagem, não pode ser justificada pelos últimos resultados da seleção, eliminada da última Copa Africana de Nações nas quartas-de-final por Angola e com resultados questionáveis em amistosos, como a derrota para a Coréia do Sul. Mas a excelente campanha nas eliminatórias e a recente troca no comando técnico podem render bons frutos aos marfinenses, já que o sueco Sven Goran Eriksson entende bem do assunto. Numa chave complicada como esta, não dá pra dizer se a Costa do Marfim chegará ou não à segunda fase, mas é possível garantir dois grandes jogos diante de brasileiros e portugueses.

Quarta colocada no mundial da Alemanha em 2006, a seleção portuguesa vem com moral para o mundial da África, apesar da campanha complicada nas eliminatórias. Com o craque Cristiano Ronaldo e o brasileiro Liedson fazendo gols, os portugueses podem complicar a vida de brasileiros e marfinenses na primeira fase. Podem, inclusive, sonhar com uma vaga nas quartas-de-final, pois ainda que cruzem com a favoritíssima Espanha, com certeza farão jogo duro e não serão eliminados tão facilmente. Por mais cruel que possa parecer ter uma chave com três grandes seleções como é o caso deste grupo G, é sempre bom iniciar o mundial com grandes jogos. E este grupo é a garantia de grandes duelos já nos primeiros dias de competição.

GRUPO H (Espanha, Suíça, Honduras e Chile)

Considerada a melhor seleção do mundo no momento e grande favorita ao título, a Espanha deve passar com facilidade pela primeira fase da Copa. Suíça e Chile devem brigar pela segunda vaga e Honduras pode, no máximo, atrapalhar a vida de alguma destas seleções. O problema maior para os classificados será o cruzamento nas oitavas-de-final, já que da chave G certamente virão dois adversários complicados e com moral elevada por conseguir a vaga numa chave forte.

Xavi, Iniesta, Fábregas, Fernando Torres, David Villa, David Silva, Casillas, Puyol, Piqué… Como podemos notar, bons jogadores não faltam nesta que é a melhor geração espanhola de todos os tempos. Como se não bastasse, esta também foi a geração responsável por acabar com a fama de “amarelona” que a fúria tinha, ao conquistar a última Eurocopa com autoridade, passando por Itália e Alemanha no caminho. Com seus grandes craques vivendo um bom momento, somente as contusões podem atrapalhar a vida da fúria em 2010. Ou talvez a falta de tradição em Copas pese num momento decisivo. Mas diferentemente dos últimos mundiais, é bom não desmerecer a Espanha desta vez. O primeiro título mundial nunca esteve tão perto.

Eliminada em 2006 sem levar nenhum gol, a Suíça chega à África do Sul com esperanças de pelo menos repetir a última campanha e chegar às oitavas-de-final. Para isso, contam com o bom futebol de Barnetta, que atua no futebol alemão, e a firmeza de Senderos, pilar da boa defesa, além da organização tática que garantiu a vaga sem sustos num grupo que tinha Israel e Grécia. Deve brigar palmo a palmo com os chilenos pela segunda vaga.

Estar na Copa do Mundo já é um grande prêmio para a seleção do artilheiro Suazo, do Genoa. Ainda assim, a seleção hondurenha pode atrapalhar a vida de chilenos e suíços na busca pela classificação. Conseguir um empate já seria algo histórico para a seleção de Honduras.

E finalmente, a seleção chilena dirigida por “El Loco Bielsa” pode sonhar com a segunda fase, pois conta com jogadores muito talentosos, como Matías Fernandez, Alexis Sanchez e “El mago” Valdívia. Além disso, Suazo é um artilheiro perigoso e Bielsa não costuma ter medo de ir para o ataque, o que pode ser fundamental para garantir presença nas oitavas-de-final. O jogo chave para os chilenos, como já dito, é o duelo contra os suíços.

E assim chegamos ao final da análise dos grupos da Copa. A partir do próximo dia 11, vocês poderão entrar aqui e jogar na minha cara o quanto eu errei ;), mas afinal de contas, pra que serve a Copa do Mundo senão para termos surpresas e gerar deliciosas discussões entre amigos?

Que seja mais um grande mundial. Aproveitem, pois só acontece de quatro em quatro anos.

Com as cervejas no freezer e os salgadinhos já comprados, me despeço desejando uma boa Copa para todos!

Um grande abraço.

Texto publicado em 08 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

COPA DO MUNDO 2010 – GRUPOS E E F

Agora chegou a vez dos grupos E e F:

GRUPO E (Holanda, Dinamarca, Japão e Camarões)

Com uma equipe talentosa e renovada, os sempre ofensivos holandeses não devem ter dificuldades para chegar à segunda fase. A segunda vaga deverá ficar entre Camarões e Dinamarca. Já o Japão deverá apenas fazer figuração, mas pode ser importante na definição do grupo caso tire pontos de dinamarqueses ou camaroneses.

Com campanha perfeita nas eliminatórias e um futebol encantador na última Eurocopa (quando foi surpreendida pelo bom time russo, liderado por Arshavin), a Holanda chega credenciada e mais uma vez favorita à Copa do Mundo. Liderada por Arjen Robben e Van Persie, e contando ainda com Van der Vaart e Sneijder, os holandeses podem surpreender, mas para isso, precisarão superar seus traumas e finalmente conseguir um título que bateu na trave por tantas vezes, como em 74, 78 e 98. Não devem ter dificuldades no grupo. O perigo é cruzar com a sempre perigosa Itália logo nas oitavas.

O artilheiro Bendtner, titular do Arsenal, é também o símbolo do atual futebol dinamarquês. Pesado, de força física, mas bastante inteligente taticamente. Será interessante ver o choque de estilos dos dinamarqueses num grupo com times que priorizam o futebol de velocidade, como o Japão, e toque de bola, como Camarões e Holanda. É possível que a disciplina tática garanta à Dinamarca uma das vagas na segunda fase.

O Japão vem conseguindo se classificar para todas as Copas desde 1998, mas por outro lado, não consegue fazer boas campanhas no mundial (nem mesmo em casa conseguiram ir longe). Até contam com bons jogadores, como Nakamura, que atua na Espanha, mas a inexperiência da maioria do time deve pesar bastante. Dificilmente conseguirão passar da primeira fase.

Liderada pelo excepcional atacante Samuel Eto’o, a seleção de Camarões sonha em repetir o feito de 1990, quando chegou às quartas-de-final. Jogando em seu continente e numa chave que lhe permite sonhar, os camaroneses podem mesmo repetir o feito, mas precisarão jogar mais do que vinham apresentando ultimamente. Caso contrário, ainda que superem o confronto direto com a Dinamarca, terão muitas dificuldades num confronto eliminatório diante de paraguaios, italianos ou eslovacos, que hoje parecem estar mais preparados para o mundial.

GRUPO F (Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia)

Num grupo sem grandes adversários, a atual campeã e sempre favorita Itália deve passar com tranqüilidade. E se escrevo “deve” é porque os italianos têm a péssima mania de se complicar na primeira fase e passar raspando. Pior que esta mania (para os adversários), é a outra de seguir vencendo, ainda que de forma cambaleante, e chegar às fases decisivas, eliminando os favoritos que cruzam seu caminho. A segunda vaga será disputada acirradamente pela boa seleção paraguaia e pela Eslováquia. A Nova Zelândia, como se viu na Copa das Confederações, será o saco de pancadas do grupo.

A atual campeã mundial não é mais a mesma. O time consistente, com Cannavaro e Buffon dando solidez à defesa, Pirlo comandando o meio de campo, Totti criando as jogadas e Toni fazendo os gols não existe mais. Envelhecida, a Itália deu vexame nos amistosos e nas últimas competições oficiais que participou. Mas nada disso vale quando falamos da Itália. Conhecida por crescer justamente quando não é favorita, a squadra azzurra jamais deve ser descartada numa Copa do Mundo. E com jogadores talentosos, como o experiente Pirlo e o jovem Montolivo, pode chegar longe mais uma vez no mundial. É bom não menosprezar os tetracampeões do mundo.

Com excelente campanha nas eliminatórias (e cada vez mais respeitado no mundo do futebol), o Paraguai deverá repetir as boas campanhas das Copas de 98 e 2002 e chegar às oitavas-de-final. Para isso, terão que superar a excelente escola tcheca, representada pela boa seleção da Eslováquia. Mas o time de Roque Santa Cruz e do artilheiro do Benfica, Oscar Cardozo, tem tudo para conseguir a segunda vaga da chave.

Para a seleção da Nova Zelândia, estar na Copa já é um feito histórico. O time, sem grandes jogadores, deverá perder todos os confrontos da chave. Se conseguir arrancar pontos de alguém, com certeza terá peso fundamental na definição dos classificados do grupo. Provavelmente é o pior time da Copa.

Descendente da antiga Tchecoslováquia, a seleção eslovaca contra com pedigree para sonhar com uma vaga na segunda fase da Copa. Com bons jogadores, como o meia Hamsik, do Napoli, deverá fazer partida duríssima contra o Paraguai. Se conseguir um triunfo, terá grande chance de realizar o sonho de chegar à segunda fase da Copa. A partir daí, o que vier será lucro para os eslovacos.

Por enquanto é isto aí, em breve divulgo comentários sobre os grupos G e H.

Um abraço.

Texto publicado em 07 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

COPA DO MUNDO 2010 – GRUPOS C E D

Continuando minha “análise” sobre os grupos da Copa, vamos aos grupos C e D:

GRUPO C (Inglaterra, Estados Unidos, Argélia e Eslovênia)

O English Team não poderia ter mais sorte. Ao lado dos Estados Unidos, devem se classificar com facilidade. Já Argélia e Eslovênia deverão apenas fazer figuração na África do Sul.

Os ingleses melhoraram sensivelmente nos últimos quatro anos. E quando afirmo isto, não me refiro aos jogadores, pois são praticamente os mesmos do último mundial. O grande reforço inglês veio da Itália e fica sentado no banco de reservas. Trata-se de Fábio Capello, grande treinador italiano que finalmente deu um jeito na “geração de ouro” inglesa. Era difícil entender como um time com Lampard, Gerrard, Rooney & Cia não conseguia apresentar um bom futebol. Capello deu um jeito na seleção, colocou cada estrela no seu devido lugar e fez a Inglaterra se classificar sem sustos para a Copa. Começando o mundial com um grupo tranqüilo e com um caminho relativamente fácil até as quartas-de-final, a Inglaterra é uma das grandes favoritas ao título e desta vez promete não decepcionar seus torcedores.

A segunda força do grupo é a seleção norte-americana, em clara evolução no mundo do futebol. Ainda que o soccer não engrene na terra do tio Sam, é evidente que os Estados Unidos começaram a produzir bons jogadores nos últimos anos e tem um time mais competitivo, como o vice-campeonato da última Copa das Confederações deixou bem claro (inclusive pra este que vos escreve, que quebrou a cara naquela ocasião). Liderados por Donovan e Dempsey, devem ficar com a segunda vaga da chave.

A Argélia conseguiu a façanha de deixar o bom time do Egito fora do mundial no continente africano. Mas esta deve ser a única proeza da seleção de Ziani, do Wolfsburg, que dificilmente conseguirá a vaga para a segunda fase. Recheada de jogadores nascidos na França, a Argélia não deve passar da primeira fase, principalmente pela enorme dificuldade demonstrada pela equipe quando atua fora de seus domínios.

E finalmente, a Eslovênia, que eliminou a forte Rússia (que pena!), também deverá ficar na primeira fase, apesar do bom futebol do atacante Dedic, autor do gol que eliminou os russos na repescagem. Os eslovenos apostarão na consistência defensiva e na disciplina tática para avançar, mas claramente não têm força suficiente para bater de frente com os favoritos ingleses e entram como azarões diante dos norte-americanos.

GRUPO D (Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana)

Os sempre favoritos alemães vão ter que encarar uma chave bastante complicada na busca pelo tetra. Mas com uma seleção talentosa e renovada com competência, devem passar sem grandes sustos. O difícil é indicar o segundo colocado, já que qualquer uma das três seleções restantes do grupo pode se classificar.

Curiosamente, a seleção alemã chega à Copa de 2010 com mais credibilidade que há quatro anos, quando o mundial foi disputado em território germânico. A desconfiança geral no país em relação à seleção dirigida (na época) por Klinsmann deu lugar à euforia com o bom futebol de jovens talentos como Lahm, Schweinsteiger e Podolski. E nos últimos quatro anos, novos nomes surgiram no futebol alemão, como Özil e Kroos, jovens talentos de Werder Bremen e Bayer Leverkusen respectivamente. Por isso, a Alemanha, que normalmente é favorita, chega ainda mais credenciada e com o vice-campeonato europeu de 2008 na bagagem. Apesar da sentida ausência do capitão Ballack, é bom não duvidar do time dirigido por Joachim Löw.

A Austrália claramente chega enfraquecida em relação à seleção que chegou às oitavas-de-final (e por pouco não eliminou a Itália) há quatro anos. Sem o artilheiro Viduka e com Kewell machucado (e ainda assim, convocado), dificilmente a Austrália conseguirá passar de fase diante de rivais tão qualificados. Mesmo assim, não será surpresa se os australianos se classificarem em segundo lugar.

Líder de seu grupo nas eliminatórias numa chave que contava com a França, a Sérvia chega credenciada pela tradição da antiga Iugoslávia e pelo bom futebol de seus experientes jogadores, como Stankovic da Internazionale e Vidic do Manchester United, para tentar a vaga na segunda fase. Diferentemente do último mundial, onde claramente a seleção não tinha o menor interesse em defender “seu país”, os sérvios agora contam com um time competitivo, motivado e que pode avançar tranquilamente no mundial.

Fechando o grupo, mas não menos candidata, a seleção de Gana contará com o apoio da torcida e com seus bons jogadores, como Appiah e Muntari (que atuam no futebol italiano), para novamente surpreender e chegar às oitavas-de-final, como fez quatro anos atrás. A chave é muito complicada, é verdade, mas o sonho é possível para esta que é seguramente uma das forças do continente atualmente, ao lado da Costa do Marfim. O maior problema será a ausência do líder do time, Essien (do Chelsea), que se machucou antes do mundial e está fora da Copa.

Bom, já comentei metade dos grupos. Em breve divulgo comentários sobre os grupos E e F.

Um abraço.

Texto publicado em 06 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

COPA DO MUNDO 2010 – GRUPOS A E B

Conforme prometido neste post, pretendo analisar (ainda que superficialmente) cada grupo da Copa do Mundo de 2010 antes do início do torneio, no dia 11 de Junho de 2010. Por mais que hoje em dia eu não acompanhe o futebol mundial da mesma forma que fazia há alguns anos atrás, quero deixar registradas aqui as minhas impressões sobre cada seleção, apenas como um divertido exercício. Como todos sabem, em Copa do Mundo favoritismo não quer dizer nada e sempre há espaço para zebras, ainda que a campeã pertença sempre a um pequeno grupo de seleções. Por isso, é sempre divertido tentar adivinhar o que irá acontecer, o que certamente motiva os famosos “Bolões” e apostas entre amigos pelo país afora. Mas chega de enrolar e vamos ao que interessa:

GRUPO A (África do Sul, México, Uruguai e França)

Certamente o grupo mais equilibrado da Copa, conta com quatro seleções que, por razões diferentes, podem passar para a segunda fase.

A mais fraca delas é a seleção anfitriã, pois os “bafana bafana” não contam hoje com grandes jogadores e o talentoso Pieenar é um oásis num deserto de jogadores medianos. Além disso, o péssimo trabalho feito nos últimos quatro anos, com troca de treinador e falta de uma base, acabou prejudicando a seleção sul-africana. Mas o fator casa é determinante em mundiais, visto que jamais uma seleção foi eliminada na primeira fase quando sediou a Copa, e deve ser levado em consideração. E nisto que a África do Sul confia para tentar a classificação.

Já a seleção mexicana apresenta hoje um futebol claramente inferior quando comparado às seleções que foram aos últimos mundiais. Sem os grandes jogadores do passado como Borgetti e Hernandez, e contando com um Blanco já veterano e bem longe da forma de outrora, os mexicanos dificilmente conseguirão repetir o sucesso dos mundiais de 94, 98, 2002 e 2006, quando chegaram às oitavas-de-final. Ainda assim, o México sempre é uma seleção perigosa e que deve ser respeitada.

A raça uruguaia estará presente em mais um mundial, pra alegria deste que vos escreve, que é simpatizante confesso da celeste olímpica. Por mais que o Uruguai sempre apronte pra cima do Brasil, sempre torço para que o Uruguai consiga ir à Copa, talvez por pura nostalgia dos tempos em que a celeste era uma das forças respeitáveis do continente. Desta vez a seleção uruguaia tem mais razões para acreditar numa classificação as oitavas, pois conta com bons jogadores como os ótimos atacantes Diego Forlán e Luiz Suarez. Além disso, tem Diego Lugano na defesa e uma tradição invejável no mundo do futebol. Acredito que deve ficar com a segunda vaga da chave.

Finalmente, os atuais vice-campeões mundiais terão um teste de fogo pela frente para provar que podem sonhar com resultados expressivos na “era pós-Zidane”. O gênio Zidane é seguramente o melhor jogador estrangeiro que vi jogar e faria falta a qualquer seleção do mundo. Não foi diferente para os franceses, que sofreram muito para chegar ao mundial e vão depender bastante do talento de Ribery, Henry (em má fase) e Gourcuff para chegar à segunda fase. Ainda assim, acredito nos “Le Bleus” e aposto minhas fichas na seleção da “Marselhesa” como primeira colocada da chave.

GRUPO B (Argentina, Nigéria, Coréia do Sul e Grécia)

Teoricamente este seria um grupo tranqüilo para a seleção de Maradona. Na prática, pode ser mais complicado do que parece. O equilíbrio entre os outros três integrantes do grupo pode complicar a vida da Argentina se ela não fizer sua parte. E é extremamente difícil apontar o segundo classificado, pois Nigéria, Coréia do Sul e Grécia se equivalem.

A Argentina não estava bem e isto é fato. Basta ver a campanha nas eliminatórias (por mais que isto não signifique muita coisa) para atestar isto. Mas repare no tempo verbal utilizado em minha afirmação: A Argentina não estava bem. Pois é, os hermanos provavelmente terão a sorte (ou competência?) de contar com seus grandes jogadores em ótima fase durante o mundial, já que hoje Messi é tranquilamente o melhor jogador do mundo, Tevez está fazendo muitos gols no Manchester City, Di Maria anda arrebentando no Benfica, Milito simplesmente decidiu tudo para a Inter e Higuaín também vem fazendo seus golzinhos, por mais que o Real Madrid não esteja num grande momento. Além disso, Don Diego parece que colocou a cabeça no lugar e andou convocando Samuel para a zaga, deixando de fora Sebá & Cia. Com ótimos jogadores e um craque em grande forma, resta aos argentinos torcer para que Messi não chegue ao mundial esgotado, como Ronaldinho Gaúcho em 2006 e Zidane em 2002. Se estiver inteira fisicamente e se Don Diego não atrapalhar, a Argentina deve ficar com a primeira colocação na chave e ir longe no torneio.

Representante africana do grupo B, a Nigéria chega enfraquecida em relação às suas últimas participações em Mundiais, quando invariavelmente era bem cotada. Após a ótima geração de Okocha, Kanu e Amuniki, entre outros, os nigerianos claramente sofreram uma queda na qualidade de sua seleção, mas ainda assim contam com jogadores capazes de desequilibrar uma partida, como é o caso de Oba Martins. Jogando em seu continente, provavelmente brigarão pela segunda vaga do grupo com a Coréia e a Grécia, mas claramente estão num estágio bem inferior ao passado recente.

A seleção sul-coreana dificilmente voltará a repetir o feito de 2002, quando ficou com a quarta colocação, eliminando (com a ajuda da arbitragem) Itália e Espanha. Ainda assim, é notável a evolução do futebol no país, inclusive com seus jogadores atuando em grandes equipes do futebol mundial (como Park, que joga no Manchester United). Como o grupo é bastante equilibrado, a Coréia tem chances de se classificar na segunda posição do grupo, mas terá que jogar mais do que normalmente faz fora de seus domínios.

Finalmente, a seleção Grega, campeã da Eurocopa 2004, chega ao mundial com uma geração envelhecida, mas que pode utilizar sua experiência pra chegar pelo menos às oitavas-de-final. Com um futebol de transpiração, que prima pela defesa, a Grécia pode sonhar com a vaga, especialmente pela decadência do futebol nigeriano e pela falta de expressividade dos sul-coreanos quando atuam fora de seu continente.

Por enquanto é isto aí, em breve divulgo comentários sobre os grupos C e D.

Um abraço.

Texto publicado em 05 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira