Copa do Mundo 2010

Falta uma semana para começar o maior espetáculo da terra. A expectativa é enorme e mal posso conter a ansiedade por este evento que sou apaixonado. E aproveitando o clima de Copa que lentamente vai dominando nossos dias, a partir de amanhã vou postar minha análise sobre cada um dos oito grupos do mundial.

Aguardem.

Texto publicado em 04 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

Let it Go…

Quando terminei de assistir o último episódio de Lost eu estava plenamente satisfeito com o que tinha visto. Independente da interpretação que eu tinha daquele final, o mais importante era ver aqueles personagens tão queridos resolvendo os seus problemas e seguindo adiante. Achei que a série terminou de forma mais que satisfatória, deixando em aberto diversas possibilidades de interpretação, mas acima de tudo, dando muito mais valor aos personagens do que aos mistérios que envolviam a ilha.

Acontece que passados alguns dias, fiz a besteira de cair de cabeça em sites e fóruns com diversas teorias e opiniões sobre o final, somente para notar como algumas pessoas assumem o papel de “donas da verdade”, como se a interpretação delas fosse a única possível e correta, e todas as outras fossem besteiras sem tamanho de gente sem inteligência, quando claramente Lost terminou permitindo diversas interpretações diferentes e interessantes. Ainda assim, consegui respirar fundo e evitei entrar em discussões desnecessárias. Filtrei o que lia e encontrei opiniões muito inteligentes a respeito do final. E hoje pela manhã recebi do amigo Alexandre Rivaben o link do site Lostpedia com diversas teorias sobre “The End”, e uma destas teorias dizia que a ilha na verdade era um conceito e não algo físico, provendo questões para aqueles que não estão preparados para ir adiante. O mais interessante é que esta teoria se aplica também aos espectadores, onde as pessoas que ainda se prendem aos mistérios da série e ficam debatendo a respeito estão “presas à ilha”, sem conseguir seguir em frente. Achei bem interessante e passei a adotar este pensamento comigo (o que não invalida minha interpretação sobre o final). Respeito todas as teorias, mas no fundo “o que era a ilha” é o que menos importa pra mim. Adorei a série e, apesar de respeitar quem não gostou, prefiro levar comigo tudo que a série me trouxe de bom. Lost marcou uma era, me envolveu e emocionou de forma única, e de quebra, revolucionou o modo de fazer televisão/séries. Isto é mais do que suficiente pra me deixar feliz.

Por isso, neste momento repito pra mim mesmo a frase mais dita no último capítulo e sigo em frente. Estou deixando a ilha para trás… “Let it go”…

Um abraço.

Texto publicado em 31 de Maio de 2010 por Roberto Siqueira

Os Clássicos dos Mundiais – Parte 2

Depois de assistir mais cinco clássicos dos mundiais (se quiser ver os comentários dos primeiros cinco jogos, clique aqui), transmitidos de forma brilhante pelos canais ESPN, deixo minhas impressões sobre cada um destes jogos:

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1978: ARGENTINA 3 X 1 HOLANDA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Após a sonora (e até hoje contestada) goleada sobre a seleção peruana, os argentinos finalmente teriam a chance de disputar mais uma final de Copa do Mundo, 48 anos depois da decisão perdida diante do Uruguai, em Montevidéu. Com o clima político claramente influenciando a disputa do mundial, os hermanos chegavam à decisão diante da famosa (e já não tão brilhante) seleção holandesa, que não contava mais com seu grande ídolo Johan Cruyff – ele não foi à Argentina como forma de protesto político. O jogo foi equilibradíssimo, como ficou evidente na excelente transmissão da ESPN, e aquela bola da Holanda na trave segundos antes do apito final no tempo normal, com o jogo ainda empatado, poderia ter mudado os rumos do futebol nos anos seguintes (e deve ter matado alguns argentinos do coração). Na prorrogação, no entanto, a seleção local impôs seu futebol vertical, de velocidade e toque de bola rápido, e acabou vencendo a partida por 3 x 1, sagrando-se campeã mundial de futebol pela primeira vez. Infelizmente, não podemos dizer que foi um título incontestável…

COPA DO MUNDO DE 1982: ITÁLIA 3 X 2 BRASIL

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Maravilhosa oportunidade de ver como a brilhante seleção de Telê Santana, recheada de craques incontestáveis e que conseguia jogar com alegria e eficiência, foi eliminada pela “retranca” italiana. Maravilhosa e dolorida, diga-se de passagem, pois como diziam João Palomino e Antero Grecco durante a transmissão do VT, ainda nos pegamos torcendo para que a zaga afaste a bola que resultou no terceiro gol italiano ou para que Zoff não defenda a cabeçada fulminante minutos antes do apito final. Ainda assim, rever este jogo foi uma oportunidade de ouro para derrubar muitos mitos que o futebol construiu ao longo dos anos. O principal deles, de uma injustiça ímpar, é dizer que a seleção italiana era fraca. Não era. E o jogo mostrou a qualidade da defesa italiana, o poder de marcação (ainda que faltoso) de Gentile e o bom ataque liderado pelo artilheiro (até hoje, escrever o nome deste cara é sofrido) Paolo Rossi. Um jogo belíssimo, cheio de alternativas e que me deu a oportunidade de ver como Zico, Falcão, Sócrates, Leandro & Cia jogavam um futebol de alta qualidade, muito bonito de se ver. O futebol é assim, e quis o destino que estas duas grandes seleções se cruzassem antes da final. Sorte dos italianos, que venceram justamente e sagraram-se campeões dias depois. Vale dizer também, para os mais patriotas e apaixonados, que a Itália ainda marcou um quarto gol legítimo, mal anulado pela arbitragem. Contestar a vitória italiana é, portanto, puro ato de fanatismo. Não é preciso tirar os méritos da Squadra Azzurra para valorizar aquela que, depois do time de 1970, foi a maior seleção brasileira em Copas do Mundo. E o tempo tratou de confirmar isto, fazendo com que esta seleção seja lembrada até hoje.

COPA DO MUNDO DE 1986: ARGENTINA 2 X 1 INGLATERRA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

“Como jogava bola o Maradona” foi meu pensamento imediato, antes mesmo do gol antológico, escolhido como o gol mais bonito de todos os tempos. Não foram “apenas” os dois gols geniais (por razões diferentes) que marcaram a brilhante atuação de Don Diego nesta partida (e em toda a Copa, diga-se de passagem), lembrada também pelo clima hostil, devido a guerra das Malvinas. A incrível habilidade de Maradona era muito mais que beleza plástica, era decisiva. É importante dizer que o time argentino era bem limitado, o que engrandece ainda mais o feito do gênio, que levou a Argentina ao título. Interessante também é notar a evolução gigantesca do futebol inglês nos dias de hoje, quando comparamos ao futebol de chuveirinhos da seleção de 86. E ainda que jogasse na base dos chuveirinhos, a Inglaterra quase empatou o jogo com duas jogadas de Barnes (porque diabos ele não era titular?), meia que faria sucesso no Liverpool anos depois. Um belo jogo, com jogadas de gênio e que é também uma ótima oportunidade de ver lances corriqueiros de Maradona, como um simples passe, um lançamento em profundidade e os dribles desconcertantes.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1986: ARGENTINA 3 X 2 ALEMANHA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Após o épico jogo entre Argentina e Inglaterra, os canais ESPN reprisaram esta que certamente é uma das mais emocionantes finais de Copa do Mundo. De um lado, a Argentina do gênio Maradona, do outro a sempre eficiente e freqüentemente finalista Alemanha. Este jogo serviu também para mostrar como a bola parada (vista com indiferença pelo torcedor brasileiro, que normalmente torce o nariz para este tipo de lance) é mortal, pois três dos cinco gols do jogo saíram em jogadas deste tipo. Mas quem decidiu mesmo foi o talento dos pés de Diego Maradona, autor do passe decisivo para o gol de Burruchaga, minutos depois do vibrante empate alemão, que buscou o resultado após estar perdendo por dois a zero. Vale conferir também o talento de jogadores como Matthäus, Völler e Rummenigge (que jogava muito mais do que apresentou na final) pelo lado alemão, comandado pelo Kaiser Beckenbauer, e de Valdano, artilheiro argentino que jogou no Real Madrid e fez gol nesta final. E vale especialmente por poder ver Maradona no auge, em forma e fazendo lindas jogadas. Finalmente, os mexicanos provaram ter sorte, já que nas duas finais de Copa que receberam, tiveram a honra de ver grandes jogos e cinco gols.

COPA DO MUNDO DE 1990: ARGENTINA 1 X 1 ITÁLIA (Nos pênaltis, Argentina 4 x 3 Itália)

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Esta partida entrou para história mais por causa do clima que cercava a partida do que pelo futebol apresentado dentro de campo pelas seleções. Ídolo incontestável da fanática torcida napolitana, Maradona (que havia levado o Napoli a títulos inimagináveis até hoje) mandava e desmandava na cidade. Ele era rei. Quis o destino que sua seleção chegasse às semifinais da Copa, disputada na Itália, para enfrentar os favoritos donos da casa justamente na cidade de Nápoles. Sempre inteligente, Don Diego tentou utilizar sua influencia na cidade para diminuir a pressão da torcida, dizendo que o norte da Itália sempre tratou o sul com desdém (mais ou menos como ocorre no Brasil, só que de forma inversa, pois aqui o sul é que desrespeita o norte/nordeste). Não conseguiu reverter a torcida (“Maradona, nós te amamos, mas a Itália é nossa pátria”, dizia um dos cartazes), mas claramente amenizou o clima hostil da partida. A Itália, com uma defesa fantástica (novidade!), saiu na frente logo no inicio da partida com um gol do artilheiro Totó Schillaci. Mas a poucos minutos do fim, Caniggia conseguiu marcar o gol de empate, o primeiro sofrido por Walter Zenga desde o início do mundial (recorde de 517 minutos sem levar gol em Mundiais, que dura até hoje). Nos pênaltis, o “tapa penales” Goycochea garantiu a vaga para a Argentina e calou um país inteiro. Os fanáticos italianos choraram a eliminação em casa.

Bom, por enquanto é isto. Em breve comento os últimos cinco grandes clássicos dos mundiais. E gostaria de parabenizar mais uma vez os canais ESPN pela excelente iniciativa.

Um grande abraço.

Texto publicado em 30 de Maio de 2010 por Roberto Siqueira

LOST – The End

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia este texto se já tiver assistido ao último capítulo da série, pois contém spoilers].

Ainda me lembro muito bem da primeira vez em que assisti Lost. Meu primo Thiago tinha comprado o Box da primeira temporada e mal podíamos aguardar para ver o primeiro capítulo. Antes de ir para a faculdade, fomos para a minha casa (hoje casa dos meus pais) e assistimos o episódio inicial. Aquele momento mudou nossas vidas. Desde então, passamos a assistir Lost freqüentemente, mas o Thiago não conteve a empolgação e, como o Box era dele, começou a assistir os episódios em casa (o que é justo, diga-se de passagem) e me deixou pra trás. Então eu dei um tempo com Lost. Meses depois, conheci a mulher da minha vida e, já com ela, recomecei a ver Lost. Assisti novamente os primeiros episódios ao lado da Dri. Posso afirmar, portanto, que assisti todos os episódios de Lost ao lado dela. Foram longos anos de suspense, mistério, emoções, grandes momentos e um pequeno desânimo entre o final da terceira temporada e o meio da quarta. Desânimo, aliás, que se transformou rapidamente em empolgação durante as duas últimas temporadas. E depois de tanto tempo, finalmente chegamos ao final. E que final!

Ontem, eu e a Dri (hoje minha esposa e mãe do meu lindo filho Arthur) assistimos, grudados na tela até 01h00 da madrugada, o capitulo final de Lost. E gostamos muito. Não apenas porque eu acertei em cheio o final (como você pode conferir neste post), mas principalmente, porque foi um final inteligente, e acima de tudo, emocionante. E digo que acertei em cheio não porque tenha ficado evidente a natureza da ilha, e sim porque o final ficou em aberto, permitindo diversas interpretações que se encaixarão perfeitamente, e entre elas, está a minha visão sobre purgatório e paraíso, que pode perfeitamente ser substituída por uma visão mais voltada ao espiritismo, como uma passagem, uma evolução do espírito para uma próxima vida. As duas visões se encaixam, e tenha certeza de que muitas outras também. Este belo final representa também o fim de uma era, e por isso, a tristeza é inevitável. Mas esta tristeza é compensada por uma alegria muito maior quando olhamos para a qualidade da viagem que fizemos. Foi um prazer enorme ser fã de Lost ao longo dos últimos anos. Além disso, futuramente as lembranças desta série estarão associadas a um período incrivelmente feliz da minha vida. Sempre que me lembrar de Lost, me lembrarei também que foi durante a “Era Lost” que eu conheci a pessoa que mudou minha vida, que me casei, que fiz as viagens dos meus sonhos e, principalmente, que tive o meu primeiro e amado filho. É inegável que Lost deixará saudades. Mas não tem problema, assistirei tudo novamente ao lado do Arthur no futuro. E neste momento, só posso agradecer Jack, Sawyer, Kate, Ben, Desmond, Locke, Hugo e companhia… Foi uma viagem inesquecível!

Quanto à minha teoria, não nego que fiquei feliz por acertar praticamente tudo sobre o final de Lost. Apenas não esperava que Kate, Charlie e alguns outros se salvassem também. Não que isto tenha muita importância, pois como disse no próprio post sobre a teoria, o mais relevante era desfrutar a trajetória daqueles personagens fascinantes, e não ficar tentando adivinhar tudo que ia acontecer ou entender cada mistério da ilha. Confesso que fiquei bastante comovido com o final, acompanhando o reencontro de personagens tão magníficos como Sawyer e Juliet, Jack e Kate, Locke e Ben, Sayid e Shannon, entre outros. Mais interessante ainda foi ver a redenção destes personagens maravilhosos, que nos presentearam com uma série tão marcante por tanto tempo. Prender-se a pequenos detalhes não explicados (porque tudo tem que ser explicado?) é fechar os olhos para as inúmeras qualidades da série. Reafirmo o que escrevi anteriormente, mais importante que os mistérios (sempre será possível encontrar “furos” se você se propuser a fazê-lo) é focar na trajetória de redenção destes personagens, no incrível arco dramático de cada um deles. Afinal de contas, na ilha (ou purgatório, ou limbo, seja lá o nome que você prefira dar) as regras do nosso mundo não se aplicam, e por isso, tentar entender tudo cientificamente será perda de tempo. Como disse Jacob em algum episódio, este é um jogo com suas próprias regras. Cabe ao espectador optar entre tentar desenvolver seu próprio raciocínio ou ficar reclamando porque não viu tudo ser explicado e mastigado. Minha visão final sobre isto tudo é a de que Jacob, representando o bem (ou Deus) tentava guiar aquelas pessoas para a salvação, sem interferir no livre arbítrio. Já o homem de preto, obviamente, fazia o caminho inverso, tentando corromper aquelas almas. Viagens no tempo, volta dos seis da Oceanic para os EUA, ursos polares e iniciativa Dharma pouco importam pra mim. Maravilhoso foi ver a salvação destas pessoas, a alegria delas nos tocantes (literalmente) reencontros já no paraíso (ou pré-paraíso) e o final incrivelmente belo.

Espero que tenham curtido tanto quanto eu. E espero que no futuro novas séries com esta qualidade apareçam.

Agradeço ao Adauto, Pati, Fábio, Cris, Mauricio, Léo e Amanda pelas inúmeras e maravilhosas discussões a respeito de Lost. Tenho certeza que com este belíssimo final, elas estão apenas começando. Agradeço ao Riva, Achilles, Augusto, Cecília, Fernando e até a Jacque, que não assiste Lost, pelos memoráveis momentos debatendo a série no grupo do curso que o Pablo deu. Agradeço ao Pablo pelos posts inspirados, que eu corria pra ler sempre que terminava um episódio. Agradeço especialmente ao Thiago, meu primo e amigo, que começou esta caminhada “lostiana” junto comigo. E principalmente, agradeço a minha amada Dri, por viver ao meu lado cada episódio, me agüentar quando eu tinha meus pensamentos mirabolantes sobre a série, curtir cada momento de forma única e me acompanhar nesta longa jornada. É o fim de uma era, e felizmente, é um final feliz.

Grande abraço a todos.

OBS: Muitos negam a teoria do “purgatório” com base nas declarações dos produtores em uma entrevista. Mas seria no mínimo desagradável que os próprios produtores soltassem um “spoiler oficial” antes do fim da série, não é mesmo?

Texto publicado em 25 de Maio de 2010 por Roberto Siqueira

Minha teoria sobre Lost

Lost é fascinante. Disto não tenho dúvida. Por mais que existam defeitos (e eles existem, acredite), a série mostrou uma capacidade incrível de prender a atenção do espectador ao longo destes anos todos, graças a uma narrativa inteligente e muito bem construída, além de mostrar uma eficiência invejável na arte de se reinventar. Contando com um elenco coeso e muito competente, Lost usa e abusa de seus mistérios para mostrar a intrigante trajetória de personagens magníficos, utilizando com precisão o conflito fé x ciência, sem jamais pender definitivamente para um lado. E exatamente por isso, diversas teorias a respeito da natureza da ilha foram surgindo ao longo dos anos, e provavelmente a maioria delas ainda pode estar correta, graças ao leque incrível de possibilidades aberto pelos inventivos roteiristas da série.

Mas estamos chegando num momento crucial, que com certeza será um divisor de águas entre os fãs de Lost. O momento da definição final da série certamente deixará uma legião de fãs desapontados e tantos outros eufóricos, independente do caminho tomado pelos criadores. Isto porque obviamente os fãs não pensam da mesma forma e, portanto, será impossível agradar a todos. Existem aqueles que gostam de explicações sobre tudo (e que certamente ficarão revoltados caso algo não tenha uma explicação plausível) e outros tantos (como eu) que gostariam de ver a série terminando com muitos mistérios em aberto, abrindo assim a possibilidade de mais discussões e interpretações. Não sei qual será o caminho escolhido por Carlton Cuse e Damon Lindelof para concluir Lost, mas mal posso esperar para conferir.

Só que antes de assistir os últimos episódios da série, não posso deixar de compartilhar com os leitores do Cinema & Debate a teoria que desenvolvi nesta última temporada (com base em muita coisa que li e nos episódios que vi até hoje) e que já compartilhei com amigos e familiares. Deixo apenas um aviso, como de costume: é bom ter assistido pelo menos até o 15º episódio da série antes de ler, pois o texto contém spoilers.

TEORIA SOBRE LOST, por Roberto Siqueira

(Não leia se ainda não assistiu até o 15º episódio da 6º temporada de Lost)

De forma bem resumida, acredito que a ilha é mesmo uma espécie de purgatório, ou um local de transição entre a vida terrena e o céu/inferno. Para mim, os “losties” morreram na queda do Oceanic 815 (ora, tanta gente sobreviver a um acidente aéreo desta proporção seria algo no mínimo estranho…) e aqueles que tiveram uma vida atribulada foram enviados ao “purgatório” para uma segunda chance. Neste local, onde as regras da vida terrena pouco se aplicam, e por isso coisas absurdas eram possíveis, o foco verdadeiro deve ser dado na redenção destas pessoas (e repare como todos os losties tinham problemas na vida particular, como os “flashbacks” fizeram questão de reforçar ao longo de muitas temporadas) e não nos aspectos “sobrenaturais” da ilha.

Minha teoria ganhou corpo quando a sexta temporada introduziu a “realidade paralela”, que em minha opinião é, na realidade, o período pós-ilha, onde cada lostie viverá o seu paraíso ou inferno particular. Veja, portanto, que céu e inferno aqui são diferentes do que estamos acostumados a ouvir e ler a respeito. Nada de lagos e árvores no céu ou fogo no inferno. Trata-se de um “paraíso pessoal” para aqueles que foram aprovados na ilha, como Hurley (está bem com Libby), Jack (é feliz com seu filho), Sawyer (é feliz trabalhando na polícia e evitando golpes como o que acabou com sua vida ainda na infância) e o casal Jin e Sun (que vive um casamento feliz). Sun e Jin, aliás, reforçaram ainda mais a minha tese, quando, no 14º episódio, encerraram sua passagem pelo purgatório. Pense bem: o casamento estava por um fio quando os coreanos embarcaram rumo à Los Angeles, com Sun prestes a abandonar o marido. Mas após a queda na ilha, os dois tiveram a chance de se reconciliar e, no momento final, Jin não abandonou a mulher, ao passo em que ela não hesitou em pedir para que o marido salvasse sua pele. Ambos demonstraram amor verdadeiro e foram aprovados, passando a viver uma vida muito melhor no período pós-ilha.

Entendo também que alguns personagens, como Charlie e Kate, não deverão ser aprovados, passando a viver um verdadeiro “inferno pessoal” no período pós-ilha. Como podem perceber, ainda preciso raciocinar sobre a função de Widmore e Desmond nisto tudo, mas tenho a esperança de que Lost me dê estas pistas nos episódios finais. E a história da origem de Jacob e do homem de preto, a aparição da caverna de luz, as diversas referências bíblicas e a clara alusão à luta entre o bem e o mal foram dicas interessantes que serviram para me sentir ainda mais seguro com relação à minha teoria. Obviamente, posso estar redondamente enganado e ser desmentido já no episódio desta terça. E confesso que ficarei muito feliz caso os criadores de Lost apresentem uma explicação ainda mais interessante e provem que estou enganado. Mas também admito que ficarei muito satisfeito caso a série termine sem deixar muitas explicações, permitindo a cada espectador elaborar, assim como eu fiz, sua própria explicação sobre os mistérios da ilha.

Espero que gostem da teoria, por mais que não concordem com ela.

Um grande abraço.

Texto publicado em 17 de Maio de 2010 por Roberto Siqueira

Breve comentário

Apareço hoje somente para dizer que estou muito empolgado com os últimos episódios de Lost. Hoje vou assistir o 15º episódio. Pretendo também fazer um comentário final assim que acabar a última temporada.

Bom por enquanto é isto, entre amanhã e sábado volto para postar a próxima crítica.

Um grande abraço.

Texto publicado em 13 de Maio de 2010 por Roberto Siqueira

Convocação da Seleção Brasileira

Antes de qualquer coisa, é bom adiantar aos leitores que de hoje até o dia 11 de Julho de 2010 este blog passará a comentar mais sobre futebol do que o costumeiro. Afinal de contas, Copa do Mundo é sempre Copa do Mundo. E pra começar, vamos falar sobre a convocação da seleção brasileira, anunciada hoje, às 13 horas, no Rio de Janeiro.

Infelizmente, Dunga foi coerente. E tomara que mais uma vez ele me faça quebrar a cara. Mas não consigo confiar num meio de campo formado por tantos volantes numa Copa do Mundo. E Kaká, o único meia de verdade que temos, está baleado, voltando agora e é muito mais um jogador para contra-ataque do que alguém que possa fazer um passe e furar uma retranca. Só nos resta torcer para que Dunga esteja certo mais uma vez. Mas tenho a sensação de que ele errou no pior momento possível ao não abrir espaço para um jogador diferenciado como Paulo Henrique.

Sorte para a seleção!

Um abraço.

Texto publicado em 11 de Maio de 2010 por Roberto Siqueira

Paulo Henrique, o Ganso

Faço uma pequena pausa na seqüência de críticas que pretendo divulgar nos próximos dias para dizer que sou mais uma voz no meio da torcida brasileira que pede a convocação do craque “Ganso”. Não costumo concordar com movimentos deste tipo (que acontecem em todas as Copas), pois entendo que torcedores e jornalistas têm uma forte tendência a valorizar mais àqueles que estão fora da seleção (lembre de Romário em 2002). Ironicamente, os mesmos torcedores e jornalistas passam a desvalorizar aquele jogador quando este passa a ser convocado, como aconteceu com Ramires, por exemplo. Mas este é um caso especial, afinal de contas, estamos falando de um craque indiscutível, que merece um tratamento diferenciado. Por isso, entendo que deve ser convocado.

E pra você, o Dunga deveria convocar Paulo Henrique “Ganso” para a Copa do Mundo?

Um abraço e bom debate.

Texto publicado em 04 de Maio de 2010 por Roberto Siqueira

Os Clássicos dos Mundiais – Parte 1

Após assistir atentamente as excelentes transmissões dos VT’s completos de grandes jogos da Copa do Mundo nos canais ESPN, gostaria de deixar alguns comentários sobre cada um deles registrados aqui no blog, conforme avisei que faria neste post. Pra começar, os primeiros cinco jogos na ordem em que foram transmitidos:

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1970: BRASIL 4 X 1 ITÁLIA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Uma das maiores seleções de todos os tempos, o Brasil de 70 já apresentava algumas novidades que seriam utilizadas em todos os times do mundo anos depois, como a subida do lateral para o ataque, ainda que numa freqüência muito menor que no revolucionário time holandês de 74. Rever este grande jogo significou também uma espetacular oportunidade de assistir gênios como Pelé, Rivelino, Tostão e Gérson em lances que jamais tinha visto antes, já que normalmente vemos os gols e jogadas mais famosas. Ver o Pelé fazer uma tabela e até mesmo seus erros, como uma falta cobrada nas arquibancadas, foi muito legal. Também me impressionou o ritmo da partida, obviamente mais lento que dos dias atuais, mas muito superior ao que eu esperava para a época. A violência também chama a atenção, já que muitas faltas hoje seriam punidas com cartão, o que eleva ainda mais a qualidade dos jogadores, que mesmo com uma marcação forte assim conseguiam jogadas espetaculares. Sobre o jogo em si, o Brasil passeou, muito pela excepcional qualidade do time e um pouco pelo fato da Itália (que também era um bom time, ainda que inferior ao Brasil) estar muito cansada depois do épico jogo semifinal contra a Alemanha de Beckenbauer.

COPA DO MUNDO DE 1974: HOLANDA 2 X 0 BRASIL

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Em 1974 o Brasil já não era mais o mesmo. E a Holanda nunca mais foi a mesma daquele ano (ainda que em 98 tivesse um time espetacular). Por isso, o resultado do jogo ficou até de bom tamanho para a seleção canarinho. Assistir aos noventa minutos serviu para desmistificar algumas lendas, como a de que o Brasil poderia ter vencido o jogo. As raríssimas oportunidades de gol que tivemos não se comparam ao excepcional futebol do time laranja, que já havia atropelado a Argentina por 4×0, numa das maiores apresentações de uma seleção em Copas. Leão fez uma defesa sensacional num chute do craque Cruyff e Luis Pereira, Rivelino & Cia bateram demais, num jogo extremamente violento. A Holanda bateu, mas também jogou futebol. E jogou o suficiente para eliminar nossa seleção, com méritos. Alguns momentos do jogo exemplificam perfeitamente porque a “laranja mecânica” fez tanta fama, com quatro ou cinco jogadores partindo pra cima da bola ao mesmo tempo, além da perfeita sincronização da então inovadora linha de impedimento.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1974: ALEMANHA 2 x 1 HOLANDA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

“Aonde existir um favorito absoluto, sempre existirá a Alemanha para derrotá-lo”. Este parece ser um lema quase sempre obedecido pelo futebol em Copas. É injusto dizer que os alemães não sabem jogar futebol. Sabem e muito, e os números provam isto. Mas quase sempre são considerados azarões, porque seu futebol raramente é vistoso, ainda que tenha grandes craques em sua história, como Beckenbauer, Mathäus e Klinsmann, pra ficar entre os mais recentes. Em 54 venceram a espetacular Hungria. Em 74 não foi diferente. Nem mesmo com o inicio extraordinário da Holanda liderada por Cruyff, que arrancou da intermediaria com um minuto de jogo, sem que os donos da casa tocassem na bola, para sofrer o pênalti que ele mesmo converteria em 1×0. Mas o gol parece ter adormecido o excepcional time holandês, que assistiu os fortes germânicos virarem o jogo com dois gols do mega artilheiro Gerd Müller (maior artilheiro das Copas até 2006, quando Ronaldo superou sua marca). Muito interessante ver Beckenbauer desfilar em campo com todo seu talento e ver como mesmo sendo superior tecnicamente, a Holanda caiu frente à organização e força alemã.

COPA DO MUNDO DE 1978: ARGENTINA 0 X 0 BRASIL

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

De forma surpreendente (pelo menos pra mim), o Brasil jogou com enorme tranqüilidade e não sofreu o sufoco que eu imaginava quando ouvia falar da “batalha de Rosário”. O Brasil jogou bem, teve chances de vencer a partida e o empate, naquela altura, foi um bom resultado. Não imaginávamos que o Peru, bom time que era, levaria aquela sonora (e suspeita) goleada que classificou os hermanos para a final da Copa. Apesar de bastante violento, o jogo claramente foi mais limpo que os jogos de 74 e este é um aspecto interessante de observar. A violência, tão comentada hoje no futebol com os tais brucutus, era muito maior na década de 70, com verdadeiros lances de luta livre, com direito a voadoras, tesouras e tudo mais. Quanto ao futebol apresentado pelas duas seleções, o Brasil, como disse, jogou bem e mostrou qualidade principalmente na defesa, enquanto a Argentina mostrou talento principalmente com Mario Kempes, incisivo atacante que curiosamente não tem tanta fama hoje em dia, mas que em 78 mostrou ter muita qualidade. Um jogo mais truncado, mas ainda assim muito interessante de se assistir.

COPA DO MUNDO DE 1978: ARGENTINA 6 X 0 PERU

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Nem mesmo a bola na trave logo no início da partida, num dos raros ataques peruanos, serviu para desmistificar o tão famoso jogo de 78. Havia algo de estranho no ar. Não ouso dizer que os peruanos entregaram a partida, por mais que esta seja a alternativa mais plausível. Devemos considerar também, como disse muito bem o excelente Mauro Cezar Pereira na transmissão da ESPN, que os peruanos podiam estar intimidados pela ditadura argentina, que pode muito bem ter agido nos bastidores para que os jogadores peruanos estivessem amedrontados. A verdade é que o time peruano não fez o mínimo esforço para evitar a goleada que classificaria os argentinos para a decisão da Copa em terras portenhas. E a chuva de gols foi apenas conseqüência da facilidade encontrada por Kempes, Passarela e companhia diante de um time apático e sem o menor interesse na partida. Um jogo manchado é verdade, mas inegavelmente um verdadeiro clássico dos mundiais.

Bom, por enquanto é isto. Em breve comento mais cinco grandes clássicos dos mundiais. E gostaria de parabenizar mais uma vez os canais ESPN pela excelente iniciativa.

Um grande abraço.

Texto publicado em 21 de Abril de 2010 por Roberto Siqueira

Os clássicos dos Mundiais

Desde o último dia 02 de Março os ótimos canais ESPN vêm mostrando todas as terças-feiras, às 21 horas (com reprise aos domingos, após o Bate-Bola), os grandes jogos na íntegra da história da Copa do Mundo, de 1970 pra cá. Todos os jogos têm uma narração diferenciada, com um olhar atual para aqueles grandes jogos, sempre acompanhado dos excelentes comentários da equipe de Jose Trajano. Além disso, durante os jogos temos uma série de informações da época, tanto no aspecto esportivo quando no aspecto político e social. Trata-se de uma excepcional oportunidade pra quem gosta de futebol e pra quem é mais novo, de acompanhar na íntegra (e isto quer dizer ver as qualidades e defeitos também) grandes jogadores e grandes seleções da história das Copas. Serve também para derrubar alguns mitos, como o de que o Brasil até poderia ter vencido a Laranja Mecânica em 74 ou o de que perdemos para a França em 98 por causa da convulsão do Ronaldo.

Pretendo comentar cada um destes jogos aqui no blog e inclusive já assisti alguns deles (estou gravando todos e assistindo conforme posso). E assim como já prometi comentar aqui todas as seleções da Copa antes do inicio do mundial, prometo também encerrar estes comentários sobre os clássicos dos mundiais antes do dia 11 de Junho.

Para quem tem curiosidade sobre a programação dos jogos, segue abaixo (informação retirada do site TV Magazine, que você pode conferir clicando aqui):

– Copa de 70 Final Brasil x Itália 02/03 na ESPN e 07/03 na ESPN Brasil
– Copa de 74 Brasil x Holanda 09/03 na ESPN e 14/03 na ESPN Brasil
– Copa de 74 Final Alemanha x Holanda 16/03 na ESPN e 21/03 na ESPN Brasil
– Copa de 78 Brasil x Argentina 23/03 na ESPN e 28/04 na ESPN Brasil
– Copa de 78 Argentina x Peru 30/03 na ESPN e 04/04 na ESPN Brasil
– Copa de 78 Final Argentina x Holanda 06/04 na ESPN e 11/04 na ESPN Brasil
– Copa de 82 Itália x Brasil 13/04 na ESPN e 18/04 na ESPN Brasil
– Copa de 86 Inglaterra x Argentina 20/04 na ESPN e 25/04 na ESPN Brasil
– Copa de 86 Final Argentina x Alemanha 27/04 na ESPN e 02/05 na ESPN Brasil
– Copa de 90 Itália x Argentina 04/05 na ESPN e 09/05 na ESPN Brasil
– Copa de 90 Final Alemanha x Argentina 11/05 na ESPN e 16/05 na ESPN Brasil
– Copa de 94 Final Brasil x Itália 18/05 na ESPN e 23/05 na ESPN Brasil
– Copa de 98 Final França x Brasil 25/05 na ESPN e 30/05 na ESPN Brasil
– Copa de 02 Final Brasil x Alemanha 01/06 na ESPN e 06/06 na ESPN Brasil
– Copa de 06 Final França x Itália 08/06 na ESPN e 10/06 na ESPN Brasil – único que não será no domingo na ESPN Brasil.

Espero que gostem.

Um abraço.

Texto publicado em 03 de Abril de 2010 por Roberto Siqueira