VOCÊ TEM A NOITE (2019)

(Ti imaš noc)

 

Dirigido por Ivan Salatić.

Elenco: Ivana Vuković, Momo Pićurić e Luka Petrone.

Roteiro: Ivan Salatić.

Produção: Jelena Angelovski e Dušan Kasalica.

O filme mostra o destino de diversos personagens após um estaleiro falir. As imagens de arquivo da inauguração do estaleiro na década de 60 mostram a importância do mesmo à comunidade, e como sua falência, e destino da estrutura à outra nação impacta os empregados.

O diretor opta por manter uma distância muito grande dos personagens, o que se mostra um erro, já que isso também afasta o espectador deles, diminuindo o impacto de diversos acontecimentos. O fato de sabermos pouco dos personagens também atrapalha, e o filme acaba servindo apenas como uma crítica ao modelo econômico neoliberal do livre mercado, que permitiu a um estaleiro antes estatizado, e que fornecia emprego a grande parte de uma cidade, falir, ruindo a vida de tantos trabalhadores, mas não de seus donos, cuja falência foi decretada, ou da estrutura….

Texto publicado em 01 de Novembro de 2019 por Adriano Cardoso

A VERDADEIRA HISTÓRIA DA GANGUE DE NED KELLY (2019)

(True Hostory of the Kelly Gang)

 

Dirigido por Justin Kurzel.

Elenco: George MacKay, Essie Davis, Nicholas Hoult, Charlie Hunnam e Russell Crowe.

Roteiro: Shaun Grant.

Produção: Hal Vogel, Liz Watts, Paul Ranford e Justin Kurzel.

Baseado no livro de Peter Carey, o filme conta a história do fora da lei australiano Ned Kelly. O roteiro é episódico, dividido pelas três fases do protagonista. Interessante notar como o personagem é moldado por aquele universo inóspito, sofre as consequências pelos atos de sua mãe, e especialmente da sociedade. Contando com boas atuações, bela fotografia, cai um pouco em seu terceiro ato, mas consegue ser uma experiência satisfatória.

Texto publicado em 01 de Novembro de 2019 por Adriano Cardoso

SAINT FRANCES (2019)

(Saint Frances)

 

Dirigido por Alex Thompson.

Elenco: Kelly O’Sullivan, Ramona Edith-Williams, Jim True-Frost, Francis Guinan, Lily Mojekwu, Mary Beth Fisher e Charin Alvarez.

Roteiro: Kelly O’Sullivan.

Produção: Edwin Linker, James Choi, Haroula Rose Spyropoulos e Roger Welp.

Uma garota aceita pegar um trabalho de babá que era de sua amiga. Ela não tem experiência tão pouco gosta de crianças. O roteiro é previsível e cheio de clichês, então o espectador sempre está um passo à frente do filme, embora possua alguns elementos interessantes como o fato da criança ter um casal de mães, a discussão de temas como aborto e racismo, e a atriz que faz Frances, a criança, ser extremamente carismática.

Texto publicado em 01 de Novembro de 2019 por Adriano Cardoso

O MILAGRE NO MAR DOS SARGAÇOS (2019)

(To thávma tis thálassas ton Sargassón)

 

Dirigido por Syllas Tzoumerkas.

Elenco: Angeliki Papoulia, Youla Boudali, Christos Passalis, Argyris Xafis e Thanasis Dovris.

Roteiro: Youla Boudali e Syllas Tzoumerkas.

Produção: Maria Drandaki.

Policial é obrigada a se transferir de Atenas para uma cidade pequena da Grécia após não concordar em ajudar seu departamento a forjar provas contra supostos terroristas. Dois anos depois, como chefe de polícia da cidade pequena para onde se transferiu, e agora uma pessoa diferente que bebe o tempo todo, usa drogas e perde facilmente o controle, precisa investigar um assassinato.

O roteiro cria um universo interessante em seu terço inicial, com personagens complexos, e desperta curiosidade sobre os personagens apresentados. Infelizmente o desenvolvimento não é bom, embora melhore um pouquinho no final.

Texto publicado em 01 de Novembro de 2019 por Adriano Cardoso

A GAROTA COM A PULSEIRA (2019)

(La Fille au Bracelet)

 

Dirigido por Stéphane Demoustier.

Elenco: Mélissa Guers, Roschdy Zem, Chiara Mastroianni e Anaïs Demoustier.

Roteiro: Stéphane Demoustier.

Produção: Jean des Forêts.

Uma garota é acusada de assassinar a melhor amiga. Após algum tempo de prisão domiciliar chega a data do seu julgamento.

O roteiro é muito inteligente e brinca o tempo todo com a nossa expectativa. Durante o julgamento, a acusação traz uma evidência que seria crucial, então a defesa apresenta uma justificativa que pode ou não derrubar a acusação. Nunca sabemos se ela é culpada ou não, e em determinado momento o filme deixa claro que a questão não é essa, mas sim se teria o tribunal elementos para entender a dinâmica da vida dos jovens, e conseguir julgar adequadamente aquela garota, que na época do crime tinha 16 anos.

A cena final serve justamente para reforçar essa tese. Destaque também para a atuação da protagonista, que nunca nos permite saber o que se passa em sua cabeça, quem ela realmente é, a conhecemos tanto quanto os membros do júri que enxergam apenas o pequeno recorte de sua vida, convivendo com ela por algumas horas.

Texto publicado em 29 de Outubro de 2019 por Adriano Cardoso

TÃO FELIZ QUANTO POSSÍVEL (2019)

(Rêves de Jeunesse)

 

Dirigido por Alain Raoust.

Elenco: Salomé Richard, Yoann Zimmer, Estelle Meyer, Jacques Bonnaffé, Christine Citti, Aude Briant, Carl Malapa, Iliana Zabeth, Paul Spera e Eberhard Meinzolt.

Roteiro: Alain Raoust e Cécile Vargaftig.

Produção: Tom Dercourt.

Uma garota volta a sua cidade natal para um emprego de férias numa espécie de ferro-velho. Lá ela conhece uma garota recém desclassificada de um reality show, e reencontra pessoas que conhecia antes de deixar a cidade.

O filme levanta muitas questões como politização, violência policial, machismo, amadurecimento… Muitas delas extracampo, nenhuma delas bem desenvolvida. No último ato, o roteiro introduz uma nova trama, que se resolve rapidamente de forma inverossímil.

Texto publicado em 29 de Outubro de 2019 por Adriano Cardoso

O GARÇOM (2019)

(The Waiter)

 

Dirigido por Steve Krikris.

Elenco: Aris Servetalis, Yannis Stankoglou e Alexandros Mavropoulos.

Roteiro: Steve Krikris.

Produção: Steve Krikris.

Um garçom metódico vive sozinho preso em sua rotina, até que um dia nota que o apartamento em frente ao seu está ocupado por outro homem, e começa a achar que ele matou seu vizinho anterior.

A concepção visual do filme é incrível. O apartamento do protagonista é lotado de plantas, cuja o mesmo adora retratar em desenhos. Mesmo com tanta vida lá, a impressão que temos é de um ambiente estéril, onde nada acontece, reforçando a vida do personagem que em determinado diálogo diz que é um garçom, e não tem planos futuros e nem espera nada de ninguém.

Contando com um plano que remete ao Lagosta do também diretor grego Yorgos Lanthimos, mas aqui tendo um resultado diferente, “O Garçom” foge dos clichês mais habituais e nos traz um final bastante diferente de qualquer expectativa.

Texto publicado em 29 de Outubro de 2019 por Adriano Cardoso

HEAD BURST (2019)

(Kopfplatzen)

 

Dirigido por Savas Ceviz.

Elenco: Max Riemelt, Oskar Netzel, Isabell Gerschke e Luise Heyer.

Roteiro: Savas Ceviz.

Produção: Daniel Reich e Christoph Holthof.

Markus é um arquiteto pedófilo, que passa o tempo todo se culpando e tentando controlar seu vício. Ele procura ajuda e descobre que isso não tem cura e começa a perder o controle quando se aproxima de um menino, cuja mãe está atraída por ele. O roteiro é muito bem elaborado, e cria uma metáfora entre o protagonista e um lobo que Markus encontra num parque. O animal está sempre atrás de grades, exceto próximo de uma cena chave quando o protagonista encontra com ele solto. Todos os personagens são muito bem construídos, culminando numa cena final primorosa.

Texto publicado em 29 de Outubro de 2019 por Adriano Cardoso

MR. JONES (2019)

(Mr. Jones)

 

Dirigido por Agnieszka Holland.

Elenco: James Norton, Vanessa Kirby, Peter Sarsgaard, Joseph Mawle, Kenneth Cranham e Celyn Jones.

Roteiro: Andrea Chalupa.

Produção: Stanisław Dziedzic, Andrea Chalupa e Klaudia Śmieja-Rostworowska.

Na década de 30 um jornalista do País de Gales resolve visitar Moscou, determinado a entrevistar Stálin para descobrir como o sistema soviético está prosperando numa velocidade incrivelmente maior à do resto mundo. Assim que chega, descobre que seu amigo jornalista morreu, provavelmente por ter descoberto esse segredo, resolve então visitar clandestinamente a Ucrânia, país proibido para visita de estrangeiros.

Mr. Jones o protagonista, é o representante perfeito do conservadorismo: branco, heterossexual, não bebe nem usa drogas e não se relaciona com mulheres promíscuas. Ele é o herói do filme. A forma como o resto do mundo passa a se beneficiar do “milagre” soviético (Inglaterra começa a mandar engenheiros para fábricas e EUA reconhecem a nação e começam a fazer negócios) é citada, mas pouco explorada.

Existe um romance forçado entre o protagonista e uma jornalista que não é justificado (até a aproximação entre eles é inverossímil). Preguiçoso até ao retratar o destino do protagonista, o longa soa mais como uma tentativa barata de utilizar uma história real para criticar o comunismo. Os males do comunismo de Stálin são inegáveis, assim como a mediocridade deste filme.

Texto publicado em 29 de Outubro de 2019 por Adriano Cardoso

TEERÃ: CIDADE DO AMOR (2019)

(Tehran: City of Love)

 

Dirigido por Ali Jaberansari.

Elenco: Forough Ghajabegli, Mehdi Saki, Amir Hessam Bakhtiar e Behnaz Jafari.

Roteiro: Ali Jaberansari e Maryam Najafi.

Produção: Babak Jalali, Marleen Slot, Mohammad Ahmadi e Maryam Najafi.

Acompanhamos três personagens presos a suas vidas em Teerã, em comum eles têm o fato de não se encaixarem nos padrões da sociedade, e também por conta disso fracassarem na busca pelo amor. O filme tem uma estrutura narrativa que flui naturalmente do núcleo de um personagem a outro, e embora carregado de momentos cômicos (que funcionam muito bem), o roteiro é bastante triste.

Um dos personagens é fisiculturista, e começa a se apaixonar por um de seus alunos. Uma de suas distrações é montar quebra-cabeças, muitas vezes com seu pai, uma linda metáfora, com a vida dos personagens retratados que tentam se encaixar ao resto daquele universo. Outro personagem tem como emprego cantar em velórios de uma mesquita, sua noiva termina com ele na semana em que seus pais pretendem viajar para conhecê-la. Isso o deixa ainda mais melancólico, e essa característica é ressaltada quando aparece a oportunidade dele cantar em casamentos, sua energia é a oposta da cerimônia.

A última personagem é uma mulher acima do peso, que trabalha numa clínica de beleza, só se alimenta de sorvetes e marca encontros pela internet usando fotos falsas. Ela é a protagonista, se relacionando de alguma forma com os outros dois personagens. Terminando de forma belíssima, com um último plano inteligentíssimo que faz referência à solidão que coloca todos no mesmo destino.

Texto publicado em 29 de Outubro de 2019 por Adriano Cardoso