Posts Tagged ‘Ian McDiarmid’

STAR WARS EPISÓDIO I: A AMEAÇA FANTASMA (1999)

30 setembro, 2016

(Star Wars: Episode I – The Phantom Menace)

3 Estrelas 

 

Videoteca do Beto #232

Dirigido por George Lucas.

Elenco: Liam Neeson, Ewan McGregor, Natalie Portman, Jake Lloyd, voz de Ahmed Best, Ian McDiarmid, Oliver Ford Davies, Hugh Quarshie, Keira Knightley, Pernilla August, voz de Anthony Daniels, voz de Kenny Baker, voz de Frank Oz, Samuel L. Jackson, Ray Park, Silas Carson, Terence Stamp, voz de Andy Secombe, voz de Brian Blessed e voz de Lewis Macleod.

Roteiro: George Lucas.

Produção: Rick McCallum.

star-wars-episodio-i-a-ameaca-fantasma[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Quando o famoso letreiro começou a subir a tela escura dos cinemas 16 anos depois de “Star Wars Episódio VI: O Retorno de Jedi” encerrar a primeira trilogia a empolgação foi inevitável para os milhões de fãs espalhados pelo mundo. Afinal de contas, a saga criada por George Lucas é um dos maiores símbolos do fascínio que a sétima arte pode provocar nas pessoas. No entanto, com o desenrolar do longa a alta expectativa se transforma e, nos casos mais graves, acaba revertendo-se em decepção, ainda que “A Ameaça Fantasma” cumpra seu papel principal e prepare o terreno para os longas seguintes, o que é pouco para transformá-lo num grande filme, mas o suficiente para salvá-lo.

Novamente escrito por George Lucas, que também retornava a direção, “Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma” adota a estrutura de prequel para nos levar ao início da história contada nos três filmes lançados anteriormente, quando a Federação Comercial bloqueia as rotas para o planeta Naboo e os Jedis Qui-Gon Jinn (Liam Neeson) e Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) são enviados pela rainha Amidala (Natalie Portman) para fazer um acordo, mas o plano não sai como previsto e eles acabam se refugiando no distante planeta Tatooine, onde descobrem um garoto especial que parece ser o escolhido para trazer o equilíbrio para a Força. Seu nome é Anakin Skywalker (Jake Lloyd).

Analisando friamente, a missão de “A Ameaça Fantasma” não era nada fácil, já que, por mais inspirada que fosse a abordagem de George Lucas, resgatar uma saga adorada por milhões de pessoas obviamente poderia provocar grandes decepções, tamanha a expectativa criada tantos anos depois. No entanto, inspiração não é exatamente a palavra mais adequada para descrever o roteiro de Lucas, que constrói uma narrativa rasa e aposta todas as fichas na parte visual para ter sucesso. Ainda assim, o longa traz momentos bem interessantes ao nos permitir conhecer a origem de personagens tão queridos como C-3PO (voz de Anthony Daniels), R2D2 (voz de Kenny Baker) e o próprio Obi-Wan, além de pavimentar o caminho da construção do arco dramático de um dos personagens mais icônicos da história do cinema.

Outro aspecto interessante do roteiro (e de toda a saga, aliás) são as articulações políticas e seu impacto na sociedade, que escancaram a alegoria que “Star Wars” claramente representa e que muitos fãs parecem ignorar. Por outro lado, o desnecessário conceito dos midi-chlorians é bem questionável, soando como um recurso de última hora de Lucas para justificar certas escolhas, numa espécie de comprovação científica de algo intangível, como a indicação de que Anakin teria potencial para tornar-se um Jedi mais poderoso até do que Yoda, o que também justificaria a relutância dos Jedis em treiná-lo e desenvolver sua capacidade, percebendo que todo este poder poderia se transformar em algo trágico se canalizado de forma errada.

Para delírio dos fãs, aliás, os Jedis impõem respeito logo na abertura de “A Ameaça Fantasma”, desfilando golpes enquanto fogem do planeta Naboo. Sempre sereno e transmitindo a habitual virilidade, Liam Neeson encarna Qui-Gon com naturalidade e forte presença na tela, o que torna sua morte ainda mais surpreendente, especialmente por representar o fim da linha para um ator de seu calibre na saga, mas ao menos a cena serve para confirmar que Obi-Wan está pronto, o que teria enorme importância nos outros episódios, especialmente por que caberia a ele a missão de treinar o promissor Anakin. E por falar em Obi-Wan, Ewan McGregor também se sai bem como o jovem Jedi, assumindo um papel de grande responsabilidade sem sentir o enorme peso do personagem que vive e criando empatia tanto com Qui-Gon quanto com Anakin.

relutancia-dos-jedisjedis-impoem-respeitoobi-wan-esta-pronto

Mesmo criança, Anakin já desponta como alguém confiante e destemido, muito também por conta da boa atuação de Jake Lloyd. À vontade no papel de um verdadeiro mito, Lloyd consegue transmitir características importantes na formação da personalidade de Anakin, com suas expressões marcantes e seu jeito questionador aliando-se à coragem e a sua curiosidade e sede de aprender. Obviamente, uma personalidade tão forte poderia ser trabalhada de forma positiva ou negativa e o restante da saga se encarregaria de demonstrar isso. No entanto, sua participação decisiva no confronto espacial no clímax da narrativa realça a importância do personagem e o status de lenda que ele alcançaria muito em breve, para o bem e para o mal. Neste sentido, é louvável que Lloyd consiga transmitir empatia mesmo vivendo uma espécie de embrião de um dos maiores vilões da história. E assim como ocorre em outros momentos da saga, Lucas insere pitadas de conceitos inspirados no cristianismo ao trazer a mãe de Anakin afirmando que ele não tem pai, numa clara alusão ao messias.

Entre os destaques do elenco, vale citar ainda a amável Natalie Portman que empresta doçura e carisma a Padmé, especialmente quando conversa com o menino Anakin, contrastando com suas rígidas expressões na pele da suposta rainha Amidala – e a revelação de que Padmé na realidade é a rainha não surpreende devido a maneira pouco cuidadosa que Lucas trabalha a questão e pela forma que ela se comporta diante de Anakin, indicando a reviravolta através de diálogos e gestos que demonstram sua autoridade e sabedoria. Ian McDiarmid também transmite autoridade em seu olhar e suas expressões faciais na pele de Palpatine, que articula sua indicação para determinado cargo importante e evidencia seu poder de persuasão que seria crucial nos outros episódios – repare também como quando os Jedis comentam que os Siths sempre surgem em dois e questionam se quem teria sido destruído seria o mestre ou o aprendiz a câmera imediatamente foca em Palpatine, sugerindo sua conexão com eles.

confiante-e-destemidodocura-e-carisma-de-padmetransmite-autoridade

Diante de tantos personagens interessantes é realmente uma pena que Lucas tenha apostado novamente no desnecessário alívio cômico. Assim, logo no início somos apresentados ao personagem que quase arruína toda a experiência de assistir “A Ameaça Fantasma”. Com sua voz irritante e seu comportamento extremamente infantil, Jar Jar Binks (voz de Ahmed Best) não agrega em momento algum do longa, incomodando constantemente o espectador pela quebra de ritmo e de clima que suas intervenções representam. Um exemplo claro ocorre na conversa durante um jantar na casa de Anakin sobre a situação dos escravos e o sonho do jovem garoto de libertar aquele povo, repentinamente interrompida pelo comportamento de Jar Jar Binks, o que supostamente era para ser engraçado, mas acaba soando totalmente deslocado e sem propósito.

No entanto, se a falta de criatividade do roteiro e a presença de Jar Jar Binks não conseguem arruinar a experiência, muito se deve obviamente à força dos personagens e do universo criado por Lucas nos longas anteriores, mas é inegável também que a qualidade visual de “A Ameaça Fantasma” contribui bastante para salvá-lo. Particularmente preocupado em apresentar ao mundo as maravilhas da ILM, Lucas aproveita todo o aparato tecnológico que tem a disposição para explorar os planetas imaginados pelo design de produção de Gavin Bocquet e que ganham vida com os excepcionais efeitos visuais, nos transportando para aqueles locais e criando sequências visualmente marcantes, que chamam a atenção também pelo contraste entre os tons azulados adotados pelo diretor de fotografia David Tattersall no espaço e os tons quentes no senado e no árido planeta Tatooine, que por sua vez destoam do festival de cores que dominam Naboo, graças também aos figurinos escolhidos por Trisha Biggar, que mantém o padrão mais sóbrio na capital, apostando em roupas mais exóticas em Naboo e em roupas mais velhas e desgastadas em Tatooine, demonstrando as diferenças entre eles. Este contraste também se manifesta nas casas simples que dominam o deserto de Tatooine e nos enormes prédios que formam o skyline da capital, refletindo bem as desiguais condições de vida impostas pelo Império e que dão margem para diversas análises sócio-econômicas e políticas da alegoria que “Star Wars” representa.

comportamento-extremamente-infantilarido-planeta-tatooineskyline-da-capital

Colaborando nesta ambientação, o igualmente competente design de som se destaca tanto nos momentos de forte impacto como explosões e tiroteios quanto pela criatividade e atenção aos detalhes que compõem os pequenos e sensíveis efeitos sonoros criados para equipamentos como os utilizados na corrida e personagens como a dupla Sebulba (voz de Lewis Macleod) e Watto (voz de Andy Secombe) – repare o som da batida das asas dele, por exemplo. Já a trilha sonora do mestre John Williams nos lembra dos longas anteriores ao marcar presença constante, sublinhando diversos momentos com precisão e conferindo uma aura épica a batalha final. Da mesma forma, a montagem da dupla Ben Burtt e Paul Martin Smith homenageia a primeira trilogia ao utilizar fades, sendo muito importante também em momentos chave como a batalha onde alterna entre o espaço, Naboo e o “truelo” de sabres de luz num ritmo sempre interessante ou a empolgante corrida na qual alterna entre os diversos competidores e a plateia, neste que certamente é um dos momentos mais inspirados da direção de Lucas.

Presenteando os fãs com alguns momentos marcantes como o citado “truelo” de sabres de luz entre dois Jedis e o lorde Sith Darth Maul vivido de maneira discreta por Ray Park, Lucas se destaca especialmente na batalha final, nem tanto pelo conflito ocorrido em terra firme, mas especialmente pela enérgica batalha espacial, repleta de movimentos de câmera interessantes que nos jogam pra dentro do confronto – e repare como nem mesmo no momento mais tenso da narrativa Jar Jar Binks dá sossego ao espectador, com suas gags nada inspiradas que só servem para desconcentrar a plateia. Novamente, Lucas encerra a narrativa com uma festa, evidenciando que a estrutura da nova trilogia traria similaridades com a anterior (já que o episódio IV também terminava com uma festa) e realçando sua preocupação em jogar o espectador pra fora da sala de projeção com a sensação de alegria, ainda que neste caso ela possa soar falsa e não resistir ao tempo – e felizmente este desfecho artificialmente alegre não se repetiria, cedendo espaço para um tom mais sombrio que lentamente dominaria a nova trilogia.

empolgante-corridatruelo-de-sabres-de-luz-entre-dois-jedis-e-o-lorde-sithenergica-batalha-espacial

Apesar de ter seus bons momentos, “A Ameaça Fantasma” é claramente prejudicado pelo erro de tom na abordagem de Lucas, especialmente quando Jar Jar Binks entra em cena com seu humor descabido e nada inspirado. A infantilização da série já anunciada em “Star Wars Episódio VI: O Retorno de Jedi” através dos ewoks ainda persistia aqui. Por tudo isso, “A Ameaça Fantasma” até funciona como um filme de preparação para a construção da mitologia. O problema é que em 1999 ela já estava formada no imaginário de muita gente, o que não impediu muitos fãs de se deliciarem ao verem seus queridos personagens na telona – em muitos casos, pela primeira vez. 

star-wars-episodio-i-a-ameaca-fantasma-foto-2Texto publicado em 30 de Setembro de 2016 por Roberto Siqueira

STAR WARS EPISÓDIO VI: O RETORNO DE JEDI (1983)

14 outubro, 2010

(Star Wars: Episode VI – The Return of the Jedi)

 

Videoteca do Beto #71

Dirigido por Richard Marquand.

Elenco: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Billy Dee Williams, Alec Guinness, Anthony Daniels, Kenny Baker, Peter Mayhew, Sebastian Shaw, David Prowse, James Earl Jones, Ian McDiarmid, Frank Oz e Michael Pennington.

Roteiro: George Lucas e Lawrence Kasdan, baseado em história de George Lucas.

Produção: Howard G. Kazanjian.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Visivelmente buscando agradar o público mais jovem e apostando alto nos resultados da bilheteria, “Star Wars Episódio VI: O Retorno de Jedi” só não é uma decepção porque consegue finalizar, ainda que sem grande brilho, a maravilhosa saga espacial de George Lucas. Infelizmente, investe numa narrativa leve, que escancara o apelo infanto-juvenil crescente na saga, e por isso jamais explora o potencial que o capítulo final da série realmente oferecia após o excepcional “O Império Contra-Ataca”.

O temível Darth Vader (David Prowse, voz de James Earl Jones), supervisionado de perto pelo poderoso Imperador (Ian McDiarmid), acompanha a construção da nova Estrela da Morte, uma estação que será capaz de aniquilar as tropas rebeldes do universo. Enquanto isso, Luke Skywalker (Mark Hamill) parte para libertar Han Solo (Harrison Ford), a princesa Leia (Carrie Fisher), R2D2 (Kenny Baker), 3-CPO (Anthony Daniels) e Chewbacca (Peter Mayhew) das mãos do cruel Jabba. Após a fuga, todos se envolvem numa batalha galáctica contra o império antes que este conclua a construção da Estrela da Morte.

Após o excelente segundo filme da série, que além de explorar com competência o potencial sombrio do universo Star Wars, apresentava ainda uma revelação empolgante, responsável por elevar a níveis insuportáveis a ansiedade dos fãs para o capítulo final, a saga espacial de George Lucas chegava ao seu capítulo final. Infelizmente, porém, todo o excelente trabalho feito no filme anterior não foi explorado em “O Retorno de Jedi”. Nitidamente, a série preferiu seguir pelo caminho mais lucrativo, adotando uma narrativa mais leve na tentativa de atrair o público jovem (responsável pelas grandes bilheterias da época). Sendo assim, não faltam cenas que abusam do bom humor, o que contrasta diretamente com o tom pessimista de “O Império Contra-Ataca”, como podemos perceber na humorada cena do ritual em que 3-CPO é declarado uma divindade e se recusa a salvar seus amigos da fogueira, quando o mesmo 3-CPO diz para R2D2 que “não é hora para heroísmo” na batalha no planeta dos ewoks ou quando Han grita “consegui!” somente para ver a porta se fechar na sua cara em seguida. Além disso, Lucas infantiliza de vez a série ao inserir na narrativa os ewoks, uma espécie de ursinhos de pelúcia sem a menor graça (ele já havia feito algo parecido ao inserir anões peludos em “THX 1138”, seu filme de estréia). Por outro lado, o roteiro, baseado em história de George Lucas e escrito pelo próprio Lucas, auxiliado por Lawrence Kasdan, apresenta interessantes rimas narrativas com os filmes anteriores, como quando Han diz para Leia “eu te amo” e recebe um “eu sei” como resposta e quando Luke corta a mão de Darth Vader na batalha de sabres de luz.

Todos estes problemas de roteiro poderiam ser amenizados nas mãos de um grande diretor. Só que “grande diretor” não é uma definição adequada para Richard Marquand. Apesar de acertar a mão nas cenas que exigem mais ação, como as batalhas no espaço e no planeta dos ewoks, o diretor erra na condução da narrativa ao estender demais o resgate de Han Solo, prejudicando a seqüência mais interessante do longa, que é o ataque à Estrela da Morte e o esperado confronto final entre o império e os rebeldes. Além disso, Marquand também prefere preservar o tom leve da narrativa, evitando nos chocar, por exemplo, quando não mostra o resultado do ataque feroz do monstro criado por Jabba contra uma vítima indefesa que cai em seu covil por acidente, o que por conseqüência, enfraquece este vilão diante do espectador quando Luke o enfrenta no mesmo local. Ainda assim, o diretor tem seus acertos, como quando diminui o comandante em cena, após bronca de Vader por causa do atraso na construção da nova Estrela da Morte, ilustrando sua impotência diante do grande vilão. Marquand também acerta ao nos colocar sob o ponto de vista de Luke e Leia na empolgante seqüência da perseguição em alta velocidade na floresta a bordo das motos voadoras. E finalmente, o diretor merece crédito também pela condução do esperado confronto entre Darth Vader e Luke Skywalker, numa seqüência carregada de tensão, até pelo arco dramático vivido pela dupla.

Mas se apresenta problemas de roteiro e direção, não podemos dizer o mesmo quando falamos dos aspectos técnicos de “O Retorno de Jedi”. Mantendo a tradição da série, os efeitos visuais da Industrial Light & Magic são excelentes, como podemos notar quando as naves sobrevoam o deserto e, principalmente, nas batalhas no espaço. A fotografia de Alan Hume adota cores vivas, refletindo o tom alegre da narrativa, mas acerta no tom sombrio das cenas que se passam dentro da Estrela da Morte e também no palácio de Jabba. Aliás, os diversos monstros do palácio de Jabba, incluindo o próprio vilão, são bastante realistas para a época, o que reforça a qualidade dos aspectos visuais do longa, perceptível também na interessante cidade dos ewoks, com casas e passarelas dispostas nas árvores. Vale notar ainda como a roupa vermelha dos guardas na chegada do Imperador à Estrela da Morte remete ao aspecto demoníaco daquele vilão poderoso. Não é à toa também que Luke está todo de preto no confronto final com seu pai, ilustrando visualmente o conflito interno que o personagem estava vivendo. Estes pequenos detalhes demonstram o bom trabalho de Aggie Guerard Rodgers e Nilo Rodis-Jamero, responsáveis pelos figurinos. Também se destaca a bela direção de arte de Fred Hole e James L. Schoppe, que capricha no visual interno e externo das naves, no palácio de Jabba e, principalmente, no belíssimo visual dos diversos planetas em festa após a derrota do império e a libertação da galáxia. O som e a trilha sonora também são espetaculares. A trilha de John Williams mantém a marcante música tema da série e suas empolgantes variações, enquanto o som se destaca nas cenas no espaço, com as naves cortando a galáxia, e no duelo entre Luke e Vader, onde podemos distinguir perfeitamente o ruído dos sabres de luz e a voz dos personagens. A montagem de Sean Barton, Duwayne Dunham e Marcia Lucas tem papel fundamental no sucesso das cenas de batalha, mantendo a dinâmica entre os planos sem confundir o espectador, além de alternar entre as duas batalhas (no espaço e no planeta) num ritmo dinâmico e que consegue manter as duas seqüências interessantes.

Interessantes também são os icônicos personagens da série Star Wars, novamente interpretados com competência por todo o elenco. E mais uma vez o destaque fica para Harrison Ford na pele de Han Solo. Observe, por exemplo, a reação irônica de Han quando Luke diz que vai salvá-los no deserto ou sua cara de decepção quando Leia diz que sente a presença de Luke após a destruição da Estrela da Morte. Leia, novamente interpretada por Carrie Fisher, que finalmente assume seu amor por Han quando parte para resgatá-lo no planeta Tatooine. E ainda que não tenha o peso da revelação bombástica de “O Império Contra-Ataca”, até por que os momentos que a precedem apontam claramente para esta possibilidade, a revelação de Yoda sobre Leia pode provocar alguma surpresa no espectador. Da mesma forma, a revelação de Luke para Leia não provoca um choque tão grande na moça, que reage com naturalidade, como se já imaginasse tudo aquilo. Em compensação, quando Luke se retira e Han se aproxima, Fisher demonstra com competência o conflito de sentimentos da personagem. Darth Vader está novamente sombrio, muito por causa da poderosa voz de James Earl Jones e do visual caprichado do personagem. Quem também está bastante sombrio é Ian McDiarmid como o Imperador, se destacando na conversa que tem com Luke, com expressões faciais que buscam intimidar o jovem Jedi. E finalmente chegamos ao grande herói da série Star Wars, interpretado com carisma por Mark Hamill. Logo em sua chegada ao palácio de Jabba, Luke demonstra seu poder, agora já treinado como um cavaleiro Jedi, ainda que para se tornar um verdadeiro Jedi ele precisa derrotar Vader. Hamill demonstra bem a confiança de Luke, com o olhar determinado e a voz firme. Em outro momento, quando Yoda confirma que Vader é seu pai, Luke reage com certa decepção e inconformismo, e esta reação é verossímil por causa da boa atuação de Hamill.

Se não entrega um resultado maravilhoso, “O Retorno de Jedi” pelo menos cumpre o que se espera do encerramento da série, ao concluir o arco dramático de Luke Skywalker e Darth Vader, quando o vilão se volta contra o Imperador para proteger seu filho e o mata. Anakin Skywalker estava de volta para o lado bom da “força” e o próprio aspecto visual do ex-vilão, quando Luke retira sua máscara, reflete isto. Seu rosto branco, embora desfigurado, ilustra a paz interior que ele agora sentia. Paz também sente o espectador ao ver o final feliz da série, mas assim como Darth Vader em seu momento final, os mais exigentes podem sentir um gosto amargo, porque após o sensacional segundo filme, este encerramento certamente se revela inferior à expectativa.

Embora entregue aquilo que se propõe a fazer e feche a trilogia de maneira satisfatória, “O Retorno de Jedi” não consegue repetir o excelente resultado de “O Império Contra-Ataca”, limitando-se a encerrar a narrativa de maneira burocrática e voltada para o público jovem. Ainda assim, ganha pontos importantes por representar o encerramento de uma história criativa, interessante e que marcou um momento importante na história do cinema mundial.

Texto publicado em 14 de Outubro de 2010 por Roberto Siqueira