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A FUGA DAS GALINHAS (2000)

7 março, 2017

(Chicken Run)

 

 

Videoteca do Beto #234

Dirigido por Peter Lord e Nick Park.

Elenco: Vozes de Mel Gibson, Julia Sawalha, Miranda Richardson, Tony Haygarth, Jane Horrocks, Imelda Staunton, Benjamin Whitrow, Lynn Ferguson, Timothy Spall, Phil Daniels e John Sharian.

Roteiro: Karey Kirkpatrick.

Produção: David Sproxton, Peter Lord e Nick Park.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Verdadeira lenda da animação, o inglês Nick Park (detentor de 3 prêmios Oscar por curtas) resistiu por alguns anos às ofertas dos grandes estúdios para dirigir um longa-metragem, até que finalmente aceitou levar para as telonas o ótimo roteiro de “A Fuga das Galinhas”. Ao lado do norte-americano Peter Lord, ele deu vida com sua criatividade peculiar e técnica ousada a uma história envolvente, interessante e que agrada crianças e adultos na mesma proporção.

Escrito por Karey Kirkpatrick, “A Fuga das Galinhas” nos leva ao cotidiano de Ginger (voz de Julia Sawalha), uma galinha que tenta encontrar alguma forma de fugir do galinheiro onde vive aprisionada ao lado de diversas outras companheiras de espécie. Após inúmeras tentativas frustradas, ela conhece o galo Rocky (voz de Mel Gibson), que chega voando ao local e reaquece as esperanças de todos, ainda que o machucado provocado em seu pouso lhe impeça de ensinar as demais a voar. Os planos ganham ares dramáticos quando a Sra. Tweedy (voz de Miranda Richardson), a dona do galinheiro, decide mudar os rumos da administração local, afetando diretamente a vida de todas galinhas.

Antes de mais nada é muito importante contextualizar o lançamento de “A Fuga das Galinhas”. Numa época já dominada por produções inspiradas na revolução provocada por “O Rei Leão” e, principalmente, “Toy Story”, apostar numa técnica antiga, trabalhosa e que parecia fadada a extinção como o stop motion era algo extremamente corajoso e arriscado. No entanto, a Dreamworks sabia que seus riscos diminuiriam consideravelmente se pudesse contar com o talento de Park, o que fica comprovado já nos primeiros instantes do longa, nos quais a qualidade da animação chama a atenção pela riqueza de detalhes e revela que esta técnica ainda poderia ser eficiente e divertida.

Muito por conta do tema abordado, que remete a filmes clássicos de prisão como “Fuga de Alcatraz”, “Fugindo do Inferno” e até mesmo “A Lista de Schindler”, o longa tem boa parte de suas cenas à noite e aposta no uso das sombras empregado pelos diretores de fotografia Tristan Oliver e Frank Passingham para criar a atmosfera pretendida. Cientes disso, os diretores não hesitam em recriar o clima dos campos de concentração nazistas, evidente no plano geral do galinheiro que revela sua estrutura, nos apertados poleiros em que elas dormem, no som da bota da dona da granja que intimida as galinhas e, claro, quando uma delas é sacrificada simplesmente por não produzir mais ovos, numa cena em que o visual e a trilha sonora triste de Harry Gregson-Williams e John Powell realçam o peso do que vemos. Aliás, é cruel pensar que muitas vezes é desta forma mesmo que produtores agem para manter a rentabilidade de seus negócios, mas divago.

A riqueza de detalhes do design de produção de Phil Lewis não surge apenas na concepção do galinheiro, sendo notável também na decoração da casa onde a Sra. Tweedy mora, um local cinza e sem vida que realça sua alma vazia, assim como as roupas que ela utiliza imaginadas pela figurinista Sally Taylor. E se o visual é encantador, o ritmo empregado pelos montadores Robert Francis, Tamsin Parrye e Mark Solomon mantém a narrativa sempre envolvente, oscilando entre as tentativas de fuga, os bons diálogos entre Ginger e Rocky e o cotidiano dos donos do galinheiro, retratados como cruéis opressores justamente por estarmos acompanhando tudo sob o ponto de vista das galinhas. A crítica ao progresso encontra eco também na máquina que permitirá a proprietária maximizar seus lucros ao passo em que acelerará a matança das galinhas, assim como no dilema que acomete quase todas elas e que pode se aplicar a inúmeros seres humanos: obedecer o sistema e caminhar lentamente para a morte ou tentar subvertê-lo e ser feliz fazendo o que realmente gosta?

Há também espaço para o humor, é claro, como na divertida sequência de treinamento das galinhas, novamente sublinhada pela excelente trilha sonora, nas tentativas frustradas de fuga durante o ato inicial e nos instantes em que a montagem é crucial para que a piada funcione, como quando o Sr. Tweedy (voz de Tony Haygarth) diz que “elas não são organizadas” e, no plano seguinte, observamos a reunião das galinhas. St. Tweedy, aliás, que por si só já é um personagem engraçado por conta de sua passividade diante da esposa e sua incompetência ao cuidar das galinhas.

Ganhando vida na voz de Julia Sawalha, Ginger transmite seu idealismo através do brilho no olhar criado pelos animadores e também pela forma como a atriz dubla a personagem, demonstrando empolgação quando fala de seus planos e frustração ao descobrir a verdade sobre Rocky e evidenciar o conflito provocado pelas diferentes personalidades deles. Surgindo em cena já com o famoso grito de seu dublador, o galo Rocky encarna alguns traços da persona de Mel Gibson a época, realçando o lado galã ao mesmo tempo que soa debochado em diversos instantes, criando a aura de bon vivant, sem por isso deixar de novamente surgir como o libertador de um povo – ainda que aqui isto não seja exatamente uma verdade. Outro aspecto interessante que surge após sua aparição é a diferença cultural entre norte-americanos e britânicos, evidente nos diálogos entre Rocky e o veterano de guerra Fowler (voz de Benjamin Whitrow) e que vai muito além da diferença entre o charmoso sotaque britânico e a despojada forma de falar da terra do Tio Sam.

Após focar no relacionamento entre ambos, a narrativa nos leva ao inevitável conflito quando Rocky revela sua mentira. Observe então como, após descobrir que ele não voa, as galinhas surgem tristes, banhadas pela chuva e enquadradas num plano contra-plongè que as diminui em cena, o que, somado a trilha melancólica, transmite perfeitamente a decepção de todos naquele instante. Assim, o clímax começa a ser construído quando as galinhas percebem que não precisam dele para arquitetar a fuga e salvar as próprias vidas, ao contrário do que ocorrera instantes antes quando Ginger é levada para a nova máquina de fazer tortas e consegue escapar com a ajuda de Rocky.

Nesta sequência muito bem dirigida, os diretores nos levam através da máquina num ritmo alucinante, nos permitindo conhecer o funcionamento dela ao mesmo tempo em que nos faz torcer pelo sucesso do casal. Depois, tanto a criativa sequência de produção quanto a de apresentação do avião construído pelas galinhas são visualmente belas e conduzidas com dinamismo, empolgando o expectador e preparando-o para a esperada fuga, que é igualmente interessante e entrega exatamente o que prometeu.

A piada final abordando a velha questão do ovo e da galinha é a pitada final de bom humor que fecha este filme divertido, inteligente e ousado por apostar numa técnica diferenciada numa época em que muitos poderiam torcer o nariz por acha-la ultrapassada. Felizmente, o cinema sempre pode resgatar o passado com competência.

Texto publicado em 07 de Março de 2017 por Roberto Siqueira

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PERDAS E DANOS (1992)

5 março, 2011

(Damage)

 

Videoteca do Beto #88

Dirigido por Louis Malle.

Elenco: Jeremy Irons, Juliette Binoche, Miranda Richardson, Rupert Graves, Ian Bannen, Peter Stormare, Gemma Clarke, Julian Fellowes, Leslie Caron e David Thewlis.

Roteiro: David Hare, baseado em história de Josephine Hart.

Produção: Louis Malle, Vincent Malle e Simon Relph.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Um elenco muito talentoso, um bom diretor e um bom roteiro infelizmente não são suficientes para transformar “Perdas e Danos” num grande filme. Apesar de sua história trágica, que normalmente conseguiria provocar forte impacto no espectador, o longa não consegue empolgar, apresentando um resultado tão frio quanto os personagens que acompanhamos durante a narrativa. Talvez falte ao filme justamente aquilo que ele pretende investigar: paixão.

O competente líder do parlamento inglês Stephen Fleming (Jeremy Irons) é um homem de reputação intocável e comportamento familiar exemplar, que vê sua vida virar de pernas pro ar quando seu filho Martyn (Rupert Graves), contrariando a vontade de sua mãe Ingrid (Miranda Richardson), inicia um relacionamento com a jovem Anna (Juliette Binoche), por quem ele também se apaixona. Sem hesitar, Stephen se entrega a esta paixão avassaladora e passa a se relacionar com a noiva de seu filho, mesmo sabendo os enormes riscos que estava correndo.

Escrito por David Hare, baseado em história de Josephine Hart, “Perdas e Danos” narra a triste história do bem sucedido Stephen, que vê tudo que ele conseguiu construir ruir por causa de uma paixão sem limites. De maneira inteligente, o roteiro de Hare faz questão de estabelecer a natureza estável da relação entre Stephen e Ingrid logo no início da narrativa, através de uma conversa na cozinha que evidencia o quanto eles se sentem à vontade na presença do outro, deixando claro para o espectador que não se trata de um casamento em crise e que a paixão de Stephen por Anna será algo simplesmente físico, uma enorme atração sexual. Esta mesma cena serve também para deixar claro uma característica de Martyn que será vital para entender o sofrimento de Ingrid futuramente, ao perceber que a relação entre seu filho e Anna não é apenas mais um dos muitos casos do rapaz. Já o primeiro diálogo entre Stephen e Anna tem poucas palavras e muitos olhares, que expõem a atração puramente física de ambos. Afinal de contas, este não é um caso entre duas pessoas com afinidade, que dividem gostos em comum, e exatamente por isso as palavras são desnecessárias. Outra indicação sutil, muito bem explorada pelo diretor Louis Malle, acontece quando Martyn anuncia seu casamento e Stephen derruba vinho na mesa, num prenúncio interessante de que ele seria o responsável por derramar sangue da família por causa daquela paixão. Assim como é sutil a disputa de cara ou coroa antes de uma partida de bilhar, que simboliza o embate entre pai e filho por Anna (curiosamente, Stephen vence e, de fato, ele continua com Anna. Mas, no fim das contas, todos sairão perdendo), ilustrado também quando Stephen olha uma foto e Martyn diz que ele “pode ficar” com ela.

Mas se acerta nos momentos que exigem sutileza, como quando Anna liga para Stephen e marca o primeiro encontro e o movimento de câmera destaca a reação de perplexidade do ministro, Louis Malle erra em conjunto com seu montador John Bloom ao estabelecer a relação entre Stephen e Anna muito cedo, o que não permite que o espectador crie empatia com os personagens e acaba alongando demais o caso deles, tornando a narrativa mais lenta e arrastada e, portanto, menos interessante. Além disso, a melancólica trilha sonora de Zbigniew Preisner oscila bastante durante a narrativa, exagerando em alguns momentos onde o tom sombrio demais parece deslocado. Por outro lado, o diretor acerta ao evitar romantizar as relações sexuais de Stephen e Anna, criando uma atmosfera crua e até mesmo fria através do excesso de closes (que realçam apenas as reações do casal) e do silêncio. Observe, por exemplo, como a falta de trilha sonora torna a primeira relação sexual de Stephen e Anna crua e realista, além de destacar a natureza melancólica daquela relação através do silêncio que predomina na cena. Nesta cena, vale notar ainda como os figurinos sem vida do casal, em tons de preto e branco, sugerem que aquela relação teria um futuro sombrio, algo reforçado após o sexo, quando ambos aparecem vestidos somente de preto, indicando o futuro trágico e a natureza “pecaminosa” daquela relação. E apesar de ambos serem grandes atores, o close nos rostos de Binoche e Irons tira toda a química da cena. Observe ainda como na medida em que as relações se repetem, Malle começa a apresentar cenas mais explícitas, mas sempre mantendo a agressividade em detrimento do carinho e do afeto.

Mas como Stephen foi se meter numa situação complicada como esta? Em primeiro lugar, quero deixar claro que acho repugnante que um pai faça isto com um filho, por maior que seja a paixão. Dito isto, podemos notar que Stephen (interpretado pelo competente Jeremy Irons) é um homem de família, respeitado também no âmbito profissional, mas que, de acordo com as palavras do próprio filho, é alguém “sem paixão” – algo refletido até mesmo em seu terno sempre escuro e sem vida (figurinos de Milena Canonero). A aparição de Anna representa, na lógica distorcida de Stephen, uma oportunidade única de sair da linha, de fazer algo que ele até hoje não fez, mas obviamente o ministro ultrapassa muito esta linha e perde a razão, chegando a sequer prestar a atenção numa importante reunião e sair caminhando pelas ruas de Bruxelas pensando na garota (observe o tom azulado da fotografia de Peter Biziou, que ilustra a tristeza do personagem neste momento). Desesperado, ele pega o trem e vai até Paris encontrá-la, chegando ao absurdo de ligar pra ela no quarto do hotel, mostrando que de fato não tem o menor respeito pelo filho (se é que poderia restar algum respeito por parte de Stephen). A situação se complica ainda mais quando ele decide visitar Anna e conhece Peter, ex-namorado da garota, gerando uma crise de ciúmes. E se todo este sofrimento do personagem é crível, é porque Irons é competente na difícil tarefa de viver um personagem tão repugnante sem afastá-lo completamente do espectador. Por exemplo, após perder Anna pela primeira vez, Irons demonstra bem a amargura do personagem em seu semblante sempre triste e confuso, e o espectador, por mais que não compactue de suas atitudes, entende seu sofrimento. Irons é inteligente ainda em outros momentos, como quando hesita em cumprimentar Anna após Martyn apresentá-la, esperando a reação dela antes de se pronunciar. Como eles já tinham se conhecido numa festa, ele não sabia se ela iria falar sobre isto ou fingir que não o conhecia. E apesar de totalmente descartável, a subtrama que envolve os problemas de Stephen no trabalho servem para que Irons mostre seu talento quando explode contra os funcionários, num reflexo claro de seus problemas na vida pessoal.

Todos estes problemas foram gerados pela fria e misteriosa Anna, uma mulher atraente, mas que carrega uma aura pesada pelo trauma da morte do irmão, que era apaixonado por ela. Juliette Binoche consegue transmitir este peso através do semblante, sorrindo muito raramente e com o olhar sempre desconfiado. Mas se por um lado Anna apresenta um aspecto sombrio, por outro é absolutamente segura do que quer. Ao contrário de Stephen, ela sabe que as selvagens relações sexuais são sinais apenas de uma atração física. Por isso, quando ele afirma que vai deixar a esposa, a resposta simples e direta de Anna deixa claro que Stephen não deveria largar a vida que tem com Ingrid por causa de uma atração sexual, pois ele não ganharia nada com isso (“Você ganharia algo que já tem”). Da mesma forma, Anna quer manter as relações com Stephen, mas não quer perder o conforto que Martyn pode proporcioná-la, o que a leva a dizer frases díspares como “Não nos siga” e “Acha que eu me casaria com Martyn se não pudesse ver você?”. Vale destacar ainda dois momentos especiais da grande atuação de Binoche, quando Anna repete a palavra “cinco” ao ouvir sua mãe dizer que quase casou pela quinta vez, mostrando que já ouvira aquela história diversas vezes, e especialmente quando sorri de maneira contida ao notar a chave do flat na mão de Stephen, mostrando a luta da personagem para conter a felicidade naquele momento. É interessante notar também como o pressentimento materno tem forte presença em “Perdas e Danos”. Repare como a carismática e cuidadosa Ingrid, uma mãe e esposa dedicada, já se mostra incomodada com a presença de Anna durante um jantar, como se soubesse o que a presença dela traria para sua família (e Miranda Richardson demonstra muito bem este incômodo através de sua expressão aflita e de suas palavras ríspidas). Já a Sra. Elizabeth (Leslie Caron), com um dom de premonição digno de Hollywood, percebe a relação entre Stephen e sua filha e pede que o ministro se afaste de Anna. Mas, ao contrário do sentimento de Ingrid, aqui a “previsão” soa forçada (não por culpa da atriz), porque se a relação entre eles era tão clara assim, como os outros integrantes da família nunca percebem o que acontece? Além disso, a lição de moral da Sra. Elizabeth após a morte de Martyn não convence e parece totalmente fora de propósito. Aquele homem já estava sofrendo demais para ouvir aquelas palavras duras. Fechando o elenco, Rupert Graves não agrada na pele de Martyn, mostrando-se exageradamente inexpressivo. Por mais que o personagem também seja alguém pouco carismático, Graves erra na dose e apaga completamente o já pouco iluminado Martyn.

Chegamos então ao momento que poderia transformar “Perdas e Danos” num filme marcante, não fossem tantos os erros cometidos durante a narrativa. Após Martyn ligar para Anna e ouvir que ela “não volta mais hoje”, ele parte para o endereço do flat, conseguido de uma maneira que só descobriremos depois. Um plano rápido mostra a chave do lado de fora do flat e evidencia o descuido fatal do casal de amantes. Quando Martyn sobe as escadas, a tensão toma conta da tela e os olhares incrédulos dos três nos levam ao terrível desfecho daquele encontro. Mais uma vez, Anna é cercada por uma tragédia (observe que ela se joga na cama após a queda de Martyn, desolada). Stephen, desesperado, desce as escadas para segurar o filho, já sem vida (e o plano em plongèe que diminui o personagem ilustra seu sentimento naquele momento). A chuva que recai sobre ele na volta pra casa, além de reforçar o sentimento de tristeza, apenas confirma seu melancólico destino. Ao chegar em casa, encontra Ingrid destruída, que explode em choro, dor, revolta e raiva, num momento estupendo de Miranda Richardson, que transmite com precisão toda a miscelânea de sentimentos da personagem e entrega a melhor atuação de “Perdas e Danos”. Já Stephen acaba perdendo tudo que tinha: Anna, Ingrid, Martyn, seu emprego e seus amigos.

Apesar de contar uma história com potencial para provocar forte impacto no espectador, “Perdas e Danos” apresenta erros básicos que comprometem um longa que tinha tudo para dar certo. Com um elenco muito talentoso nas mãos, Louis Malle consegue extrair ótimas atuações, mas peca em aspectos fundamentais que poderiam tornar a narrativa mais interessante e que certamente aumentariam a força do filme diante do espectador. Infelizmente, o resultado terá algum impacto em nossas mentes somente até assistirmos ao próximo filme e depois, ao contrário da paixão que Stephen sentia por Anna, cairá no esquecimento.

Texto publicado em 05 de Março de 2011 por Roberto Siqueira