APOCALYPSE NOW (1979)

(Apocalypse Now) 

 

 

Videoteca do Beto #44

Dirigido por Francis Ford Coppola.

Elenco: Marlon Brando, Robert Duvall, Martin Sheen, Frederic Forrest, Albert Hall, Sam Bottoms, Laurence Fishburne, Dennis Hopper, G.D. Spradlin, Harrison Ford, Jerry Ziesmer, Scott Glen e Francis Ford Coppola (Diretor de TV). 

Roteiro: Francis Ford Coppola e John Milius, baseado no romance “O Coração das Trevas”, de Joseph Conrad. 

Produção: Francis Ford Coppola. 

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido o filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Não bastasse ter dirigido as obras-primas “O Poderoso Chefão” e “O Poderoso Chefão: Parte II”, o que já garantiu seu nome na história do cinema para sempre, Francis Ford Coppola ainda viria a dirigir e produzir em 1979 “Apocalypse Now”, maravilhoso estudo sobre a ambigüidade do ser humano e os irreparáveis efeitos causados pela guerra em sua mente. Repleto de cenas memoráveis e atuações marcantes, o longa consegue ser mais do que um libelo anti-guerra, explorando a fundo os limites da loucura e do poder, e mostrando ainda como é curta a distância e frágil a linha que separa a racionalidade da irracionalidade dentro do ser humano.

Após voltar do Vietnã, o capitão Benjamin Willard (Martin Sheen) é convocado pelas Forças Especiais do Exército para a secreta missão de encontrar e matar o coronel Walter Kurtz (Marlon Brando) que, segundo as autoridades do exército norte americano, enlouqueceu e passou a agir de maneira absolutamente incompreensível na selva do Camboja. Durante esta viagem o capitão Willard descobrirá, através dos horrores da guerra e de seu efeito alucinatório, que a distância entre o que se julga racional e irracional não é tão grande quanto imaginamos.

Logo no início de “Apocalypse Now” somos apresentados ao clima alucinante do longa, através das imagens de bombardeios na selva ao som da música “The End”, do The Doors. Em seguida, as imagens de um ventilador e de uma hélice de helicóptero se misturam, refletindo o pensamento do capitão Willard, que deseja desesperadamente voltar para a selva por não saber mais conviver em sociedade. Encontrado em meio a uma crise de alcoolismo, onde inclusive se fere ao quebrar um espelho, ele vê no convite das Forças Especiais do Exército (repare a pequena participação de Harrison Ford, que se consagraria um astro dois anos depois) a oportunidade de regressar ao combate, sem saber que ao aceitar o convite, viveria uma experiência que mudaria sua vida para sempre.

Coppola (que faz uma ponta no filme como o diretor de TV) dirige “Apocalypse Now” com extrema elegância, criando planos e seqüências absolutamente inesquecíveis, como o ataque aéreo a uma aldeia vietnamita na beira da praia, ao som de “A Cavalgada das Valquírias”, de Wagner, e a cena em que jatos espalham napalm na selva. Além disso, o diretor consegue criar seqüências incrivelmente realistas durante os combates, fazendo com que o espectador se sinta dentro do conflito e permitindo que ele viaje pelo horror da guerra ao lado de Willard. Observe, por exemplo, os excepcionais planos aéreos durante um ataque dos helicópteros, intercalados com imagens de crianças brincando na aldeia, deixando clara a crueldade daquele ataque, escancarada quando estas pequenas crianças correm pra se esconder. Coppola ainda explora ao máximo as lindas paisagens da região para compor imagens impactantes, como no impressionante ataque dos nativos ao barco do capitão Willard, logo após uma fumaça rosa ser espalhada pelo ar. O diretor também cria momentos de suspense, provocando grande susto na cena do ataque do tigre, que arranca do Chefe (Frederic Forrest) as mais profundas verdades (e arranca também qualquer um da cadeira), e cenas tocantes, como quando Clean (Laurence Fishburne, muito jovem e em boa atuação) morre ao lado do gravador em que ouvia a voz de sua mãe.

O extremo realismo alcançado em “Apocalypse Now” é mérito também da excepcional qualidade do trabalho técnico da equipe. Durante o surfe de um soldado no rio, a fotografia dourada (direção de Vittorio Storaro) reflete a alegria do jovem naquele momento. Por outro lado, nas cenas de combate Storaro adota um tom mais dessaturado, dominado pelo verde musgo, o amarelo e o marrom, refletindo a vida difícil e pouco colorida da guerra. O som é espetacular, captando a hélice dos helicópteros, os tiros, as bombas que explodem e até mesmo os pequenos insetos dentro da mata, e o constante barulho dos helicópteros na primeira metade do longa colaboram para o perfeito clima de guerra, assim como a competente direção de arte de Angelo P. Graham, perceptível nos equipamentos e barcos do exército americano, e os figurinos de Charles E. James. Pra finalizar, a bela trilha sonora do trio Carmine Coppola, Francis Ford Coppola e Mickey Hart adota um tom misterioso, com batidas secas durante a subida do rio, totalmente oposto aos temas da abertura, do ataque à aldeia e do encerramento, embalados pelas clássicas e belas canções do grupo The Doors e pela música clássica de Richard Wagner.

Mas nem só de competência técnica vive um grande filme. E as marcantes atuações de “Apocalypse Now” começam com Robert Duvall, que está sensacional como o Tenente Kilgore, demonstrando firmeza com sua voz imponente e seu olhar determinado, mas demonstrando também liderança na forma como conduz seus soldados. Kilgore parece não temer nada, ou simplesmente achar que não tem mais nada a perder, encontrando tempo até mesmo para incentivar o surfe no meio de um ataque, o que leva o capitão Willard a fazer sérias reflexões sobre a maneira como seu país está encarando aquele conflito. A marcante seqüência em que diz que o cheio do napalm simboliza vitória é captada com precisão pela câmera que se aproxima lentamente de seu rosto através de um zoom, realçando a grande atuação de Duvall. Martin Sheen está muito bem na pele do capitão Willard. Desde a narração convincente (repleta de questionamentos e reflexões), passando pela determinação do personagem em encontrar o coronel Kurtz e chegando ao apoteótico final de sua trajetória, podemos notar a qualidade do trabalho de Sheen. As reflexões de Willard aumentam ao ver os soldados fumando maconha e se embebedando com freqüência, e ele tem certeza de que está tudo errado quando presencia o show das garotas da revista Playboy em pleno Vietnã. (“Os vietcongues não se divertem. Nas horas vagas, comem arroz frito e ratos”). Dennis Hopper está espetacular como o agitado fotógrafo que se tornou um admirador de Kurtz. Sua fala rápida, seu gaguejar e sua respiração ofegante demonstram a ansiedade do personagem, que não consegue parar de falar, tamanha a empolgação que sente ao encontrar o capitão Willard. E finalmente, a lenda Marlon Brando dispensa comentários como o misterioso coronel Kurtz. Completamente devastado pelo horror da guerra, o entorpecido coronel Kurtz é alguém cego pelo poder. A construção de seu mito é lenta e cuidadosamente conduzida pela narrativa, levando Willard (e o espectador) constantemente a questionar quais seriam suas reais motivações. Brando expressa a encarnação do poder que seu personagem representa de forma magnífica, através de seu olhar superior e intimidante. Suas falas, repletas de simbolismos e reflexões, criam seqüências hipnóticas e inesquecíveis. Observe como seu rosto é revelado lentamente, como se estivéssemos cuidadosamente sendo preparados para estar diante de um deus. Até mesmo a forma como Coppola filma o personagem demonstra isto, deixando-o praticamente inacessível, submerso nas sombras e mais parecido com um espírito ou uma divindade (Kurtz muito provavelmente se considerava como tal). É então que, ao se deparar com o mito, as reflexões de Willard começam a ganhar ainda mais forma. Afinal de contas, quem está realmente louco: Kurtz, seus comandantes ou todos eles? A resposta pode estar nas inúmeras frases espalhadas pelo excelente roteiro do próprio Coppola, dentre as quais podemos citar: “Acusar um homem de homicídio neste lugar era a coisa mais absurda que se podia imaginar”, “No coração de todo homem há um conflito entre o racional e o irracional, entre o bem e o mal e nem sempre é o bem que sai vencedor” e “Um dia esta guerra vai acabar. Para os garotos do barco, está bom. Eles não querem nada mais do que encontrar um caminho para casa. O problema é que eu já voltei e sei que aquele lugar não existe mais”.

“Apocalypse Now” é o marco cinematográfico de um efeito importante ocorrido na cultura americana logo após a guerra do Vietnã: a perda da inocência. A guerra do Vietnã deixou claro para os cidadãos norte-americanos que não existia o lado bom e o lado mau da história. O cidadão deixou de ver seu país com ingenuidade e o longa de Coppola representa esta etapa na história do cinema. A seqüência final em que a montagem (crédito para Lisa Fruchtman, Gerald B. Greenberg, Richard Marks, Walter Murch e Randy Thom) coloca imagens do ataque de Willard à Kurtz simultaneamente ao ataque dos nativos a um animal simboliza perfeitamente uma das grandes discussões que o filme propõe: será mesmo o ser humano tão racional? O que nos diferencia dos animais é a capacidade de raciocinar, mas o que estamos fazendo com ela? Nas palavras finais do coronel Kurtz, “o horror” que a guerra proporciona é o exemplo perfeito de que a racionalidade do homem nem sempre vence seus impulsos primitivos e irracionais. O poder e a loucura caminham próximos e podem deixar o homem cego.

Dirigido magistralmente por um gênio do cinema, interpretado de forma magnífica por um elenco de peso e contando ainda com um apurado e maravilhoso trabalho técnico, “Apocalypse Now” transcende e muito o gênero “filme de guerra”, levantando inúmeras questões sobre a natureza cruel do homem, os resultados trágicos de sua busca pelo poder e os efeitos irreversíveis do horror da guerra. E o melhor de tudo é que “Apocalypse Now” jamais responde diretamente as questões que levanta, deixando o espectador refletir sobre tudo o que viu e chegar às suas próprias conclusões, o que é sempre admirável. Após assistir esta obra-prima de Francis Ford Coppola, o espectador tem a sensação de que, independente de seu resultado final, a guerra não tem vencedores.

Texto publicado em 09 de Fevereiro de 2010 por Roberto Siqueira

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26 Respostas to “APOCALYPSE NOW (1979)”

  1. Gabriel Says:

    “Adoro o cheiro de napalm no café da manhã!” Isso é Apocalipse Now, The Doors, Wagner, atiradores fazendo mira em civís, crianças… Explosões, Helicópteros, Show com coelhinhas da Playboy, soldados surfando no meio de um bombardeio…

    Não lí o livro “O coração das trevas” mas acho que uma das mais pertinentes inspirações para um filme de guerra. Além de ser uma linha narrativa para se entrar no interior da selva e no coração do ser humano. Há alguma coisa de Freud sobre a racionalidade e a irracionalidade destrutuva do ser humano. Mas como discutir sanidade entre seres humanos numa guerra…

    A frase “The horror, the horror…” acho que explica isso tudo… Não há sanidade, não há racionalidade… a guera, a violência é apenas um horror…

    Na versão extendida, há uma inserção sobre a colonização da Indochina, vale a pena se ver como conhecimento do contexto histórico

    Obra Prima, destacando a coragem de Coppola em arriscar (produção, financiamento, equipe) tudo para terminar esse filme…Um dos filmes mais importantes sobre conflitos armados já feitos, independentemente de ter sido no Vietnã.

  2. Anônimo Says:

    Filme absolutamente espetacular e muito bom também o texto. O filme me deixou estupefato, minha vida não será a mesma depois de Apocalypse Now.

  3. durbano Says:

    Muito bem pensado, esse texto, mas o problema deste filme é que ele só levanta questões, ao contrario da maioria dos filmes que provam uma teoria, ou tentam, este filme faz-nos fazer a nossa própia teoria que nos vai fazer pensar e levantar muitas questões… O que é o horror?, será que o horror é um juízo de facto ou de valor?. ” O HORROR, O HORROR”… De facto é um filme genial, e grassas a estes debates conseguimos partilhar as nossas teorias. Muito obrigado.

    • marcia regina fontebassi Says:

      Acho que o objetivo do filme é levantar questões. Pense que na época havia a Guerra do Vietnã e Coppola queria fazer o mundo, mas principalmente os americanos a pensarem sobre isso. Quanto à forma de colocar as questões, a reflexão pesada durante todo o filme, sugiro que você leia o livro Coração das Trevas de Joseph Conrad, que serviu de inspiração ao filme.

  4. marcelo ribeiro Says:

    o filme é otimo e o comentario dele tambem,o unico erro é o marlon brando gordo daquele jeito como alguem vivendo na selva teria aquele fisico?fiquei na duvida em relaçao ao touro nao sei se era de verdade ou nao. me parece mecanico ja que ele nao reage e nao espirra sangue em nenhum momento

    • Roberto Siqueira Says:

      Obrigado pelo elogio Marcelo.
      Não sei, mas acredito que não era um touro de verdade.
      Abraço.

  5. Mateus Aquino Says:

    É, acabei de assistir e aprovei, com um bom final , com certeza é o melhor filme da guerra do Vietname, e o unico que assisti (rs). Sem duvidas um dos filmes mais realistas ja feitos até hoje, mas não por violência e tals, mas pelo comportamento do ser humano, um bom filme sem duvidas. Abraço

    • Roberto Siqueira Says:

      Mateus, esta afirmação já nasceu errada. Não pode afirmar que é o melhor filme sobre a guerra do Vietnã se ainda não assistiu outro, entende?
      Que bom que gostou.
      Abraço.

  6. cross98 Says:

    Comprei esse filme hj, parece ser legal

    • Roberto Siqueira Says:

      Que bom Mateus.
      Abraço.

    • cross98 Says:

      Mas infelizmente não gostei

    • Roberto Siqueira Says:

      Que pena. Porque?

    • cross98 Says:

      achei um pouco cansativo para um filme de guerra, tanto que nem assisti até o final.

    • Roberto Siqueira Says:

      Se não assistiu até o final, como sabe se o filme é bom ou não Mateus?
      Abraço.

    • cross98 Says:

      Ta ok, vou tentar assistir nesse final de semana e falo se é bom. Você gosta de Kramer vc Kramer e de Gente Como a Gente? Estou curioso para assistir

    • Roberto Siqueira Says:

      Faz muito tempo que assisti, preciso rever. Ambos estarão em semanas especiais que divulgarei em breve.
      Abraço.

    • Antonio Lopes Júnior Says:

      Lembrando que o filme é de gênero Drama.
      Talvez contextualizando, você goste mais do filme, Mateus. Leia um pouco sobre a Nova Hollywood, o rompimento com o cinema clássico antigo 🙂

    • cross98 Says:

      Ja ouvi essa palavra antes (rs). Eu tenho um livro sobre cinema e com certeza vou pesquisar mais sobre esse assunto. A Nova Hollywood não é minha época favorita do cinema (que é a decada de 90) mas é dai pra frente que vieram os melhores filmes, como esse , Laranja Mecanica e Poderoso Chefão. Queria saber como é Portal do Paraiso (Beto, se tiver tempo faça uma critica desse filme?). Abraço

    • Roberto Siqueira Says:

      Oi Mateus, não tenho “O Portal do Paraíso”.
      Abraço.

  7. FORREST GUMP – O CONTADOR DE HISTÓRIAS (1994) « Cinema & Debate Says:

    […] como “Nascido para Matar” (na chegada ao exército, com o tenente gritando), “Apocalypse Now” (na chegada ao Vietnã, com a trilha psicodélica, as cervejas espalhadas pelo acampamento e o […]

  8. NASCIDO PARA MATAR (1987) « Cinema & Debate Says:

    […] é claramente inferior aos excepcionais “Platoon”, lançado um ano antes, e à obra-prima “Apocalypse Now”, de 1979. Ainda assim, consegue ser um filme acima da média, que foca boa parte de sua […]

  9. PLATOON (1986) « Cinema & Debate Says:

    […] conflito na mente do ser humano. Retratada também com competência em outros grandes filmes, como Apocalypse Now (de Francis Ford Coppola), esta guerra parece ser mesmo a ferida aberta no país mais poderoso do […]

  10. Montana Says:

    Muito bom seu texto, Roberto. Excelente análise a sua abrangendo num todo cada parte que compõe e formam esta obra-prima fenomenal da Sétima Arte dirigida magistralmente pelo Francis Ford Coppola. Na minha modestíssima opinião, o maior e mais grandioso épico de Guerra (Vietnã) de todos os tempos é APOCALYPSE NOW. AMO demais esse filme e não me canso de revê-lo sempre. Pessoalmente, dentre os 100 maiores filmes de todos os tempos, este ocupa o quinto (5º) lugar na minha lista pessoal (5/100), atrás apenas de 2001: Uma Odisséia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968); Era Uma Vez na América (Sergio Leone, 1984); The Godfather: Part II (Coppola, 1974) e THE GODFATHER (Coppola, 1972), respectivamente — The Godfather meu TOP #1.

    Voltando ao Apocalypse Now, muito bem lembrado por ti a cena de abertura, uma das mais poderosas que já vi numa abertura de um filme, simplesmente arrebatadora, ao som da clássica THE END (amo) do eterno grupo do lendário e carismático Jim Morrinson: THE DOORS (sou fã, sim). Outro aspecto bem lembrado e abordado na sua análise é a magnífica fotografia do Vittorio Storaro (que levou Oscar em 1980), e as tonalidades diferentes de cor que ele adota em determinadas cenas para nos transmitir o sentimento dos personagens de acordo ao clima da cena — semelhante à fotografia empregada em Traffic (S. Soderberg, 2000) para cada uma das 4 histórias paralelas contadas. As atuações, etc, etc, dispensa maiores comentários, concordo contigo e assino embaixo em sua análise de Apocalypse Now.

    Creio que tenha visto a versão de 1979 de Apocalypse Now (153 minutos), correto? Essa, em minha opinião, é a melhor, BEM superior que a Redux (Director’s Cut) com 202 minutos lançada pelo Coppola em 2001. A Redux é ótima, maravilhosa, já revi inúmeras vezes, mas peca por incluir certas digressões desnecessárias aos personagens em algumas cenas adicionais e, principalmente, ‘plastificar’ a belíssima fotografia do Storaro. Por isso considero essa versão de 1979 melhor que a Redux, muito embora a Redux seja ótima, excelente também (a cena da família francesa presente na Redux é umas das melhores, e os diálogos nessa cena entre os personagens são todos ÓTIMOS e impecáveis — especialmente naquele diálogo na mesa, entre o Willard e o personagem do Christian Marquand, na qual ele usa uma metáfora do ovo com o Willard, mais ou menos assim: “O branco vai embora [Americanos], o amarelo fica [Vietnamitas]”). Coppola é um cineasta único, depois de fazer duas obras-primas fenomenais (Os dois The Godfather), conseguiu fazer outra igualmente excelente: o maior e mais grandioso épico de Guerra de todos os tempos.

    Já assistiu DAS BOOT (O Barco, 1981) do Wolfgang Petersen? Se não, recomendo. Filme alemão (2º Guerra Mundial) de Guerra Submarina. Na minha opinião, 2º melhor filme de Guerra já feito, só atrás de Apocalypse Now. Esse a versão do diretor (Director’s Cut, 209 minutos) é bem melhor que a versão do cinema. Poucos conhecem esse filme, outra obra-prima indiscutível do gênero Guerra. Outro ótimos, que sempre recomendo àqueles que apreciam o gênero Guerra e não são muito conhecidos, são: SOLDAAT VAN ORANJE (Soldado de Laranja, 1978) do Paul Verhoeven, filme Holandês sobre a resistência Holandesa durante a invasão nazista na Holanda; na mesma temática, com algumas diferenças, há outro excelente filme Holandês do Fons Rademakers de 1986, DE AANSLAG (O Ataque); ainda sobre a 2º Guerra Mundial há o ótimo THE LONGEST DAY (O Mais Longo dos Dias) de 1962, filme primoroso sobre o Dia-D e a invasão da Normandia que culminou na vitória dos Aliados; e ainda sobre a Guerra do Vietnã, THE DEER HUNTER (1978) do Michael Cimino, um ótimo estudo dos distúrbios da Guerra do Vietnã daqueles que dela participaram ou não (toda sociedade americana) e os clássicos e bem conhecidos PLATOON do Oliver Stone de 1986 e FULL METAL JACKET (Nascido Para Matar) do mestre Stanley Kubrick de 1987.

    Parabéns pelo ótimo texto e análise da obra-prima absoluta APOCALYPSE NOW do Coppola.
    Abração.

    • Roberto Siqueira Says:

      Montana,
      Em primeiro lugar, quero agradecer pelos elogios e pelo excepcional comentário, que demonstra todo o seu conhecimento admirável da sétima arte. Também acho Apocalypse Now o melhor filme sobre a guerra do Vietnã, embora existam vários de grande qualidade, como o próprio Platoon, citado por você, e que devo divulgar minha crítica ainda nesta semana. Também escreverei em breve sobre Nascido para Matar, do gênio Stanley Kubrick. Gostaria de agradecê-lo pelas dicas de filmes sobre guerra. Já anotei os que ainda não vi e vou assistir assim que possível. Sobre os seus cinco filmes favoritos, escrevi sobre todos eles (com excessão de Era uma Vez na América, que pretendo escrever em breve) e caso queira ler e comentar, basta acessar o link na página inicial. Ficarei extremamente satisfeito com novos comentários deste nível. Finalmente, respondendo sua pergunta, a versão que assisti é mesmo a de cinema, de 1979 e com 153 minutos. Parabéns, seja bem vindo ao Cinema & Debate e volte sempre. Grande abraço.

  11. Eduardo War Says:

    Muito bom o texto, memorável

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