Copa 2014 – Comentários Semifinal, Disputa do Terceiro lugar e a grande Final

Por razões óbvias, fiquei até constrangido de escrever sobre as semifinais. Mas passado o baque, seguem meus últimos comentários sobre os jogos da melhor Copa que tive a oportunidade de assistir. A saudade já tomou conta do torcedor brasileiro, que lembrará eternamente destes 30 dias de ótimo futebol, festa, imagens belíssimas e momentos mais do que emocionantes.

BRASIL 1 X 7 ALEMANHA

É até difícil escrever o placar acima. Não parece condizer com o tamanho do jogo. Mas a verdade é que poderia ser mais, tamanha a facilidade encontrada pela excepcional seleção alemã diante da desorganização tática do time de Felipão. Já analisei as razões do massacre neste outro texto, mas fica aqui o registro de que a vitória alemã foi mais do que merecida e que o Brasil tem muito que pensar a respeito de seu futebol atual. Troca de passes, movimentação precisa, ocupação dos espaços, talento em quase todos os setores do campo, um senhor time de futebol, que venceria o Brasil mesmo com Thiago Silva e Neymar em campo. A maior humilhação da história da seleção brasileira aconteceu em casa, numa semifinal de Copa do Mundo, diante de seus torcedores. Que fique a lição.

ARGENTINA 0 X 0 HOLANDA (Nos pênaltis, ARGENTINA 4 X 2 HOLANDA)

Jogo bastante equilibrado e, este sim, com cara de semifinal de Copa, confirmou que a Argentina acertou seu principal problema e se consolidou com uma defesa sólida, capaz de parar o excelente ataque holandês. Sem tantos espaços ficou mais difícil para Robben, Sneijder e Van Persie brilharem e os hermanos tiveram até chances de vencer no tempo normal. Mas a glória só veio mesmo nos pênaltis, graças a Romero e a dor de barriga de Van Persie que queimou a última substituição de Van Gaal e impediu que Krul entrasse em campo para disputar as penalidades. Estava garantida a agora final mais clássica das Copas, repetida pela terceira vez em menos de 30 anos.

DISPUTA DO TERCEIRO LUGAR: BRASIL 0 X 3 HOLANDA

A fragilidade da seleção brasileira em frangalhos ficou escancarada logo aos dois minutos de jogo quando Robben sofreu falta fora da área num rápido contra-ataque e o juiz equivocadamente marcou pênalti, errando também por não expulsar Thiago Silva. Antes mesmo dos 20 minutos de jogo o placar já marcava 2 a 0 para a Holanda, lembrando o massacre sofrido na terça diante da Alemanha. Mas a Holanda se poupou e permitiu que o Brasil tentasse, mesmo que desordenadamente, alguma reação. Uma chance aqui, um erro ali e nada. Até que no fim a Holanda encaixou outro ataque e fechou o placar, num final de Copa melancólico para o Brasil, que deveria ligar o sinal de alerta no futebol nacional, mas a arrogância tradicional do torcedor, de parte da imprensa e principalmente dos responsáveis pelo nosso futebol pode atrapalhar neste processo. Talvez o Brasil precise perder o status de “único” pentacampeão mundial para acordar.

FINAL: ALEMANHA 1 X 0 ARGENTINA

Uma final extremamente bem disputada e carregada de tensão, como todo grande jogo deve ser. A Argentina começou melhor e teve boas chances, mas as falhas em momentos decisivos pesaram e o melhor futebol alemão começou a prevalecer com o andamento do jogo. Chances perdidas pra cá, chances perdidas pra lá, angústia nas arquibancadas e o jogo foi para a prorrogação – afinal de contas, a Copa de 2014 merecia mais 30 minutos de bola rolando. O empate persistia no placar, mas as chances iam aparecendo. E então, no segundo tempo da prorrogação, veio o momento da glória, o instante que será eternizado como um dos grandes da história das Copas. Bola do ótimo Schürrle para o prodígio Mario Götze, o craque predestinado que tanta polêmica causou ao sair do Borussia Dortmund para o Bayern de Munique e que agora era o responsável por devolver o sorriso ao rosto não apenas destes torcedores, mas de toda a Alemanha. Um golaço, como a final da Copa 2014 merecia. Os angustiantes minutos finais, com direito a falta na entrada da área para Messi bater, foram a cereja do bolo. E a consagração da melhor seleção do mundo e da melhor geração alemã das últimas décadas veio num palco sagrado. Título mais que merecido para um povo que se reconstruiu, para um país maravilhoso e uma seleção que quebrou todos os estereótipos fora de campo esbanjando simpatia e que jogou o melhor futebol dentro dele.

Felizmente, a melhor seleção dentro e fora de campo foi premiada com o título. O futebol venceu. A organização, a humildade e a simpatia dos alemães também. Que venha 2018! Até lá, a saudade nos dominará… Auf Wiedersehen!

Alemanha Campeã da Copa 2014Texto publicado em 17 de Julho de 2014 por Roberto Siqueira

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