O PREÇO DE UM RESGATE (1996)

(Ransom)

3 Estrelas 

Videoteca do Beto #144

Dirigido por Ron Howard.

Elenco: Mel Gibson, Rene Russo, Gary Sinise, Delroy Lindo, Liev Schreiber, Lili Taylor e Brawley Nolte.

Roteiro: Richard Price e Alexander Ignon.

Produção: Brian Grazer, B. Kipling Hagopian e Scott Rudin.

O Preço de um Resgate[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Poucas situações devem ser mais desesperadoras do que aquela que move “O Preço de um Resgate”. Por isso, é uma pena constatar que Ron Howard e sua equipe falhem ao não explorar todas as possibilidades oferecidas pelo tema abordado, ainda que, dramaticamente, o diretor consiga provocar impacto, baseando-se essencialmente nas ótimas atuações de seu elenco. O resultado é um filme eficiente que, nas mãos de um diretor um pouco mais ousado, poderia ser um complexo estudo sobre os efeitos trágicos que tal situação pode provocar em uma família.

Escrito a quatro mãos por Richard Price e Alexander Ignon (baseado no filme “Decisão Amarga”, de 1956), “O Preço de um Resgate” nos apresenta Tom Mullen (Mel Gibson), o milionário dono de uma companhia de aviação que tem o filho Sean (Brawley Nolte) sequestrado num evento na cidade e se vê obrigado a pagar os dois milhões de dólares exigidos pelos criminosos em troca do resgate do filho. Apoiado pela esposa Kate (Rene Russo) e sob a orientação do agente Lonnie (Delroy Lindo), ele decide seguir as orientações, mas devido à inesperada interferência do FBI, a operação falha e culmina na morte de um dos bandidos, levando à ira o mentor do sequestro Jimmy Shaker (Gary Sinise). Pai e sequestrador passam então a discutir por telefone com frequência e, com os ânimos elevados, Mullen começa a agir de maneira completamente irracional.

Apresentada inicialmente como uma família feliz e bem sucedida, os Mullen (como toda família, aliás) também escondem seus problemas sob aquela fachada de riqueza e prosperidade escancarada em sua vistosa mansão (design de produção de Michael Corenblith), o que é bom, pois aproxima a família do espectador. Neste sentido, aliás, é ótimo que o roteiro evite transformar o longa numa disputa entre mocinho e bandido, driblando o maniqueísmo e a santificação de Tom logo de cara através de seu problema com Jackie Brown. Fugindo de clichês básicos através de pequenos detalhes (repare, por exemplo, que a primeira ligação após o sequestro não é do sequestrador), os roteiristas anunciam gradativamente que a narrativa tomará um caminho diferente do usual, preparando o espectador para o que virá pela frente após o sequestro do garoto. Vale notar ainda como, ainda que apenas superficialmente, o roteiro aborda temas adjacentes interessantes, como o comportamento nada racional da imprensa nestas situações.

Família feliz e bem sucedidaVistosa mansãoComportamento nada racional da imprensaPreparando a plateia para o sequestro desde os primeiros minutos de projeção, Ron Howard faz questão de ressaltar num plano detalhe a tatuagem no pescoço de uma garçonete durante o evento que abre o longa, da mesma maneira que faz com um dos sequestradores enquanto este prepara o cativeiro. Assim, quando vemos a mão tatuada pegando um copo acompanhada pela trilha sonora sombria (e clichê!), já sabemos que os criminosos estão presentes no parque, iniciando o sequestro que se confirmará num movimento de câmera interessante, no qual num instante estamos acompanhando Sean andando pelo parque e, após a câmera passar por trás de uma pilastra, já não vemos mais o garoto. Além de demonstrar de maneira eficiente o drama dos pais neste momento, o diretor também acerta na tensa sequencia da entrega do dinheiro, contando com o auxilio da montagem dinâmica de Dan Hanley e Mike Hill para imprimir um ritmo intenso que deixa a plateia em frangalhos, reforçada pela trilha acelerada de James Horner. Mas, se acerta no tom de urgência empregado nos momentos de tensão, Horner cai num velho clichê ao utilizar o rock pesado para embalar as ações dos sequestradores, esvaziando seu trabalho na composição da trilha sonora.

Tatuagem no pescoço de uma garçoneteMão tatuada pegando um copoO sequestroAtravés das cores frias da fotografia de Piotr Sobocinski e dos figurinos de Rita Ryack, Howard cria um visual acinzentado que ajuda a manter o tom sóbrio exigido pela narrativa. Por outro lado, o diretor aposta no uso frequente do zoom in e do zoom out para realçar as reações dos atores, transmitindo a atmosfera de tensão que é complementada pelo movimento agitado da câmera em diversos momentos, como quando os sequestradores entram em contato com os pais do garoto. O diretor ainda reflete bem a angústia que as horas representam para qualquer pai que enfrente esta situação, mostrando-o prostrado diante do telefone, como se implorasse pela chamada que determinaria as condições exigidas pelos criminosos para acabar com aquele pesadelo.

Cores friasAtmosfera de tensãoProstrado diante do telefoneFuncionando como um porto seguro para aqueles pais desesperados, o agente Lonnie de Delroy Lindo é obrigado a andar no fio da navalha, tentando equilibrar todos os lados daquela equação. Demonstrando autoridade quando preciso, mas também sabendo ser compreensivo nos momentos mais delicados, o agente se sai bem na difícil tarefa e o ator é responsável direto por isso. Entretanto, para que esta situação funcione dramaticamente, é essencial que o espectador acredite que o garoto corre perigo de fato e, por isso, é fundamental que os sequestradores surjam falando abertamente em matar o garoto, deixando claro que aqueles criminosos representam uma ameaça real. Por outro lado, os conflitos entre os sequestradores são essenciais para que a reviravolta provocada pela oferta de Tom tenha algum efeito na plateia, já que, desta forma, nós acreditamos que uma recompensa milionária poderia provocar o desequilibro daquele grupo pouco homogêneo.

Agente LonnieAmeaça realConflitos entre os sequestradoresSurgindo inicialmente como um policial interessado no comportamento de um suspeito numa loja, Jimmy Shaker invade a casa e revela sua participação no sequestro, pra surpresa da plateia. Exibindo um ar ameaçador convincente, Gary Sinise impõe respeito como o mentor do sequestro, demonstrando a autoridade esperada de um líder e, o que é ainda melhor, evidenciando o desequilíbrio que as atitudes de Tom causam no personagem, como notamos, por exemplo, logo após o anúncio da recompensa que o deixa transtornado. A presença imponente de Sinise é essencial também para que Gibson não ofusque o sequestrador com suas explosões, já que o espectador, ainda que inconscientemente, carrega na memória a persona cinematográfica do ator, normalmente associado a heróis que enfrentam a tudo e a todos para conseguirem o que querem.

Policial interessado no comportamento de um suspeitoMentor do sequestroTranstornadoDemonstrando uma química também já conhecida pelo público desde “Máquina Mortífera 3”, Gibson e Russo convencem como casal, demonstrando afinidade e cumplicidade na mesma intensidade em que enfrentam seus problemas, o que é natural em qualquer relacionamento. Entretanto, as atuações de ambos ganham força mesmo após o sequestro, quando ilustram muito bem o drama dos pais e os conflitos entre o casal que as circunstâncias naturalmente evocam. A partir deste instante, praticamente podemos sentir a dor de Kate graças ao ótimo desempenho de Russo, sempre com o olhar expressivo e desesperado que qualquer mãe lançaria nesta situação. Gibson, por sua vez, parece sempre prestes a explodir, algo também natural na condição dele. Pra completar, a conversa inicial entre Tom e Sean na cama logo após o evento inicial serve para demonstrar a afinidade entre eles e criar empatia com a plateia, o que é essencial para aumentar o impacto que a cena do sequestro naturalmente já provocaria.

Afinidade e cumplicidadeDor de KateConversa inicial entre Tom e SeanPor tudo isso, nós não nos surpreendemos quando Tom, ao ver as imagens do filho numa televisão, decide mudar o jogo e inverter a situação – e a expressão no rosto de Gibson permite que a plateia antecipe seus pensamentos, num momento em que não sabemos pelo que torcer, já que esta atitude ousada poderia colocar em risco a vida de seu filho. Com a voz firme, o olhar frio e o coração cheio de ódio, o pai desesperado anuncia que o resgate agora seria uma recompensa paga a quem trouxer o sequestrador “vivo ou morto”, dividindo opiniões não apenas no ambiente diegético (repare os olhares das pessoas que acompanham o anúncio no estúdio), mas também na plateia. Se por um lado aquele ato poderia significar a desestabilização completa do grupo de sequestradores, por outro poderia definir a morte de seu filho – algo que, convenhamos, é um risco que pai algum no mundo gostaria de correr. Pode até funcionar no filme, mas está bem distante da realidade. Ciente disto, Howard faz questão de inserir imagens da cova sendo preparada para Sean logo após o anúncio, criando um conforto artificial no espectador ou, em outras palavras, manipulando nossa visão do tema ao aliviar a loucura cometida por Tom (o que é uma pena, pois esvazia completamente a discussão que a cena poderia gerar). É como se o diretor e os roteiristas dissessem: “Está tudo bem, eles iam matar o garoto de qualquer jeito”.

Expressão no rostoOlhares das pessoas no estúdioCova preparada para SeanCom este cenário de tensão montado, chegamos ao grande momento de “O Preço de um Resgate”, quando sequestrador e pai discutem ao telefone e levam o publico a pensar que Sean foi morto. Demonstrando o desespero do pai de maneira tocante, Gibson se destaca na cena, indo da ira ao desespero e às lagrimas em segundos, seguido de perto pela explosão de Russo (e a distancia pela ira de Sinise), numa cena dramaticamente densa que, infelizmente, é quase destruída graças a um plano rápido que revela que Sean está vivo. Infelizmente, Howard não teve coragem de estender mais o suspense, o que poderia suscitar reflexões interessantes na plateia. Ainda assim, o diretor (e os montadores) se sai bem ao criar um clima tenso através da troca rápida de planos, encerrando a cena num belo plongè que diminui o casal e ilustra sua tristeza, embalado pela trilha melancólica.

Sequestrador e pai discutem ao telefoneDa ira ao desespero e às lagrimasSean está vivoA discussão, reforçada pelo aumento da recompensa, leva os sequestradores ao desequilíbrio total. Esperto, Shaker decide então eliminar o grupo e sair como herói, numa saída inteligente que poderia elevar “O Preço de um Resgate” a outro patamar. Só que, mais uma vez, Howard e seus roteiristas demonstram covardia e optam por encerrar o longa da maneira convencional, apostando no velho confronto entre mocinho e bandido, ainda que, para isto, nos entreguem outra grande cena, quando o garoto escuta a voz de Shaker e, através da troca de olhares com o pai, indica estar diante do criminoso.

HeróiMocinho e bandidoTroca de olharesAbordando um tema delicado e de alta carga dramática, “O Preço de um Resgate” flerta com a possibilidade de ser um grande filme, mas escorrega sempre que depende de escolhas mais ousadas de seus realizadores. No fim das contas, temos um filme tenso e razoavelmente bem conduzido, mas que acaba fugindo um pouco da realidade e tornando-se apenas um bom entretenimento, ainda que as atuações centrais sejam dignas de aplausos.

O Preço de um Resgate foto 2Texto publicado em 02 de Dezembro de 2012 por Roberto Siqueira

APOLLO 13 (1995)

(Apollo 13)

 

Videoteca do Beto #121

Dirigido por Ron Howard.

Elenco: Tom Hanks, Bill Paxton, Kevin Bacon, Gary Sinise, Ed Harris, Kathleen Quinlan, Bryce Dallas Howard, Mary Kate Schellhardt, Emily Ann Lloyd, Miko Hughes, Max Elliott Slade, Jean Speegle Howard, David Andrews e Michele Little.

Roteiro: William Broyles Jr. e Al Reinert, baseado em livro de Jim Lovell e Jeffrey Kluger.

Produção: Brian Grazer.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Inspirado em fatos reais, “Apollo 13” é um filme interessante não apenas como entretenimento, mas também como registro de um momento importante da história das missões espaciais. Demonstrando segurança na condução da narrativa e contando ainda com um excelente trabalho técnico e um bom elenco, Ron Howard entrega um filme competente, que retrata com realismo as horas de aflição que aqueles astronautas provavelmente enfrentaram.

Escrito por William Broyles Jr. e Al Reinert, a partir de livro de Jim Lovell e Jeffrey Kluger, “Apollo 13” narra a história real da terceira missão tripulada do projeto Apollo à lua. Após uma inesperada explosão no módulo de serviço, os astronautas Jim Lovell (Tom Hanks), Fred Haise (Bill Paxton) e Jack Swigert (Kevin Bacon) se vêem obrigados a retornar a Terra sem sequer pisar na lua, correndo o risco de ficarem sem oxigênio no caminho, além da ameaça real de danificar a nave na reentrada na órbita terrestre.

Potencialmente tensa, a história da Apollo 13 certamente resultaria num bom filme nas mãos de um diretor competente. Felizmente, este é o caso de Ron Howard, que consegue imprimir uma escala crescente de tensão à narrativa do segundo ato em diante. Antes disso, no entanto, o filme escorrega levemente ao exagerar no ufanismo, quando os americanos comemoram a vitória na corrida espacial – e este patriotismo é reforçado pela trilha sentimental que embala o homem pisando na lua e pelo close em Jim, claramente emocionado com o que vê. Ainda no primeiro ato, chama a atenção como a imprensa não demonstra interesse pela Apollo 13, refletindo a progressiva falta de interesse do público pelos programas espaciais. Neste aspecto, vale lembrar que até mesmo a NASA questionava o alto investimento feito nestas missões depois do sucesso da Apollo 11, algo que o filme também retrata com fidelidade. Porém, quando a viagem se transforma numa tragédia potencial, a imprensa imediatamente se interessa pelo caso (“Agora ficou mais emocionante”, afirma um idiota da NASA), provocando a indignação de Marilyn (Kathleen Quinlan), a esposa de Jim.

Trabalhando com inteligência e cuidado em todo o primeiro ato, Ron Howard busca estabelecer o relacionamento entre os personagens e criar expectativa para o lançamento da nave. E apesar dos muitos termos técnicos, o espectador jamais se perde durante a narrativa, graças à clareza do roteiro e a condução do diretor. Observe, por exemplo, como ele usa a fase de testes para nos apresentar os possíveis problemas que a missão enfrentará e nos familiarizar com alguns destes termos. Por isso, quando Jack tenta acoplar o módulo de comando ao módulo lunar, o espectador sabe exatamente o perigo daquela operação. Também por isso, quando Jim Lovell diz a famosa frase “Houston, nós temos um problema”, o desespero toma conta da tela, pois sabemos que aquele problema não estava previsto.

Além da narrativa envolvente, “Apollo 13” apresenta também um espetáculo visual belíssimo, graças aos excelentes efeitos visuais da Digital Domain, que conferem realismo ao lançamento da nave, por exemplo. Nave, aliás, que é perfeitamente recriada pela direção de arte de David J. Bomba, Michael Coreblith e Bruce Alan Miller, assim como os uniformes são fiéis aos originais (figurinos de Rita Ryack), ambientando perfeitamente o espectador. Além disso, o ótimo design de som capta cada pequeno movimento dentro da nave, como quando o oxigênio estoura a lateral da Apollo 13 e provoca o acidente. Obviamente, o trabalho de câmera de Ron Howard é vital neste processo. Contando com a colaboração da fotografia de Dean Cundey, o diretor emprega movimentos de câmera estilizados e realiza verdadeiros malabarismos no espaço, acompanhando com fluência a perfeita movimentação dos astronautas nos módulos. Vale destacar ainda os giros em volta da nave e o elegante travelling de dentro pra fora dela, que dá a exata noção de onde os astronautas se encontram.

Ainda na parte técnica, merece destaque a excepcional montagem de Daniel P. Hanley e Mike Hill, que confere enorme dinamismo ao longa, intercalando o drama dos astronautas, o trabalho da NASA e o sofrimento dos familiares. Além disso, quando a Apollo 13 apresenta o grave problema, os montadores alternam rapidamente entre os planos, ampliando a angústia no espectador sem que este perca a noção do que está vendo. E ainda que usem descartáveis legendas para indicar a passagem do tempo, Hanley e Mill acertam ao usar o já ultrapassado fade, escurecendo a tela completamente e refletindo a angustia que predomina a narrativa. A trilha sonora de James Horner também acentua o clima de tensão, por exemplo, com a música agitada que embala os minutos prévios ao lançamento da nave. Por outro lado, a trilha parece exceder um pouco o tom adequado em certos momentos, soando melosa demais, como quando Jim se dá conta de que não vai pisar na lua.

E se exagera no melodrama neste aspecto, “Apollo 13” acerta na forma como aborda a preocupação da família Lovell, nos envolvendo com o sofrimento da esposa e dos filhos de Jim após a confirmação de sua ida à lua. Nós nos sentimos mais próximos dele justamente por acompanharmos seu relacionamento com a família, o que amplia a carga dramática quando os problemas surgem. É claro que as boas atuações de Tom Hanks e Kathleen Quinlan colaboram bastante. E além de estabelecer boa química com Quinlan, Hanks ainda transmite com precisão a crescente aflição do personagem, enquanto Bacon inicialmente parece mais tranqüilo e Paxton surge intimidado naquela difícil situação. Entretanto, quando os conflitos começam a surgir, os três atores se destacam, estabelecendo um clima palpável de tensão e refletindo muito bem o cansaço dos astronautas. Paxton, aliás, melhora ainda mais na medida em que Fred fica doente, transmitindo com competência o sofrimento do personagem.

No restante do ótimo elenco, Ed Harris se sai muito bem, demonstrando autoridade e liderança como Gene Kranz, e a citada Kathleen Quinlan está ótima como Marilyn Lovell, demonstrando muito bem a angústia da personagem com as notícias do marido. E se é emocionante o momento em que ela conta para a mãe de Jim o ocorrido, é ainda mais difícil conter as lágrimas quando ela dá a notícia de que a nave apresentou problemas para o filho e ouve a pergunta preocupada do menino: “Foi a porta?”. Finalmente, Gary Sinise confere realismo à decepção de Ken Mattingly quando é retirado da missão e se sai ainda melhor quando é convocado para auxiliar os companheiros, demonstrando muito profissionalismo e companheirismo.

Assim como antes do lançamento, os momentos prévios à volta para a Terra são bastante tensos. E o silêncio que predomina por alguns segundos só aumenta nossa expectativa, justificando a explosão de alegria de todos quando o paraquedas surge no céu. A emoção genuína dos personagens e do espectador comprova que a narrativa nos envolveu. Ainda nesta cena, não posso deixar de destacar a reação contida e emocionada de Gene, num momento sublime da atuação de Ed Harris. Se a história original já era potencialmente tensa e emocionante, Howard e sua equipe conseguiram traduzir estes sentimentos na tela com competência.

Excelente tecnicamente, “Apollo 13” narra um drama real de maneira envolvente, graças à eficiente direção de Howard e às boas atuações do elenco. Apesar da trilha sonora exagerada em alguns momentos e de não resistir ao ufanismo típico dos norte-americanos, o resultado é bastante agradável. Um bom exemplo do equilíbrio ideal entre a técnica e a emoção no cinema.

Texto publicado em 21 de Dezembro de 2011 por Roberto Siqueira