É notório que o nível de conhecimento geral no país não é dos melhores. Obviamente, esta falta de cultura generalizada atende os interesses de alguns setores que se beneficiam dela, como a política (basta ver as pessoas que são eleitas como deputados ou senadores) e a mídia (principalmente a televisão). Basta dar uma rápida olhada na grade de programação da televisão aberta brasileira para ver que eles se esforçam ao máximo para manter este nível sempre baixo, com programas idiotas e que insultam a inteligência de pessoas com alguma cultura. A começar pelos reality shows, passando por novelas cada vez mais óbvias e fáceis de entender, telejornais e até programas de humor. Miguel Falabella disse recentemente que os programas de humor no Brasil são direcionados a pessoas com QI de uma criança de nove anos de idade. Não me surpreende. Como ele mesmo disse, provando que tem coragem, o brasileiro de uma forma geral é um cidadão que não se interessa por cultura. A título de comparação, um jovem francês lê anualmente em média dez livros por ano. Um jovem brasileiro lê quatro. Isto é um pouco de culpa do próprio povo? Sim. Mas é também resultado desta enxurrada de programas que não exigem esforço do espectador, que por sua vez, está cada dia mais preguiçoso.
Digo tudo isto para chegar ao tema que pretendo debater com vocês: filmes. A trajetória de um filme na televisão aberta brasileira é simples: estréia no horário nobre, reprisa em um sábado ou domingo e termina nas madrugadas. Se o filme exigir pouco esforço do espectador, é reprisado exaustivamente durante anos a fio. Se for um filme mais requintado, mais “intelectual” ou que exija um pouco mais de inteligência do público, é relegado ao segundo plano ou até mesmo arquivado. Isto é mais uma prova de que a televisão, de uma forma geral, não tem interesse em aumentar o nível intelectual das pessoas. Ou então, como a grande massa está preguiçosa e não tem interesse em aprender ou tentar entender nada, provavelmente trocaria de canal quando um filme como “2001 – Uma Odisséia no Espaço” estivesse passando. O resultado disto é: se você quiser aprender sobre cinema, assistir as grandes obras do passado e se tornar alguém mais culto cinematograficamente, (o que eu mesmo decidi fazer recentemente) terá que alugar ou comprar os grandes filmes do passado, pois muito dificilmente vai ter a oportunidade de assisti-lo na televisão aberta. Eu, particularmente, não gosto de ver filmes na televisão, porque o comercial quebra o clima do filme, além do formato ser 4×3 e muitas vezes o filme ser editado para atender a grade de programação. Graças a Deus tenho a opção de alugar filmes e assisti-los. Mas e quem não tem esta opção? O que fazer? A resposta é: assistir a programação imbecil da televisão aberta e aumentar a estatística de pessoas com o nível intelectual que interessa aos grandes manipuladores das marionetes.
Gostaria de saber qual é a sua opinião a respeito do tema.
Um abraço e vamos debater.
Texto publicado em 27 de Julho de 2009 por Roberto Siqueira

