Libertadores: Balanço da década

Nos anos 90 convencionou-se dizer que os times brasileiros só não eram os maiores vencedores da história da Taça Libertadores da América porque eles não davam importância pra ela nas primeiras edições. Só que a realidade não era bem essa. Com exceção do Santos, que realmente viajava pra Europa de olho na grana dos amistosos e mesmo assim venceu duas edições em 1962 e 1963, os outros times jogavam pra ganhar e inclusive tivemos um finalista logo na segunda edição da Taça (Palmeiras, em 1961). A base deste argumento era o balanço da década de 90 (quadro abaixo), já que claramente o Brasil teve um domínio no torneio durante este período.

Década de 90

Brasil                6 títulos (São Paulo 1992 e 1993, Grêmio 1995, Cruzeiro 1997, Vasco 1998 e Palmeiras 1999).

Argentina          2 títulos (Vélez Sarsfield 1994, River Plate 1996).

Paraguai           1 título (Olímpia 1990)

Chile                1 título (Colo-Colo 1991)

Década atual

Argentina          5 títulos (Boca Juniors 2000, 2001, 2003 e 2007, Estudiantes 2009).

Brasil                2 títulos (São Paulo 2005 e Internacional 2006).

Paraguai           1 título (Olímpia 2002).

Colômbia          1 título (Once Caldas 2004).

Equador            1 título (LDU 2008)

Ao encerrarmos mais uma década, na última quarta-feira, não só o quadro mudou totalmente como ainda criou um novo e preocupante panorama. Nas últimas 6 finais contra times estrangeiros, o Brasil perdeu simplesmente todas as disputas. E o mais incrível de tudo é que todas elas foram decididas no Brasil (Palmeiras 2000, São Caetano 2002, Santos 2003, Grêmio 2007, Fluminense 2008 e Cruzeiro 2009). A última vitória veio em 1999, quando o Palmeiras venceu o Deportivo Cali. O que estaria acontecendo com os times brasileiros na Taça Libertadores? A minha opinião é que existe no Brasil um pensamento coletivo de que somos os melhores do mundo no futebol, o que não é verdade. Somos muito bons sim, mas existem jogadores e times bons em outros países também. Este pensamento ajuda a provocar estas derrotas porque quando um time brasileiro precisa controlar os nervos, a pressão de “ser o melhor” joga contra. Temos que começar a reconhecer o valor dos estrangeiros também. O time do Estudiantes é bom sim, mereceu o título e temos que reconhecer isso.

E pra você, o que está acontecendo com os times do Brasil nas finais de Libertadores?

Um abraço.

Libertadores

 Texto publicado em 17 de Julho de 2009 por Roberto Siqueira

Futebol: A luta pela América

Amanhã Cruzeiro (Brasil) e Estudiantes (Argentina) decidirão quem é o melhor time da América do Sul no momento. Vou deixar aqui meu palpite registrado. Entendo que o Cruzeiro é mais time e conta com bons jogadores que podem desequilibrar a partida, como Kleber, Ramires, Wagner e o goleiro Fábio. O Estudiantes também é um bom time e é sempre bom ter cuidado com os perigosos times argentinos. Ano passado, venceram o Internacional dentro do Beira-Rio no tempo normal e só perderam a decisão da Copa Sul-Americana na prorrogação. Meu palpite é que com muita dificuldade, talvez até nos pênaltis, o Cruzeiro será campeão.

E pra você? Quem vence a Copa Libertadores da América 2009?

Um abraço e bom debate.

Final Libertadores 2009

 Texto publicado em 14 de Julho de 2009 por Roberto Siqueira

Ganância gera desigualdade social e violência

No último fim de semana fui visitar a casa do meu primo em Sumaré e na volta surgiu um interessante tema para debate a partir de uma afirmação que eu fiz. Entendo que a causa de muitos dos problemas sociais que enfrentamos no país vem da absurda desigual distribuição de renda que é feita no país. E de onde se origina esta má distribuição? Além dos políticos que ganham rios de dinheiro e ainda tem inúmeros benefícios, entendo que as próprias empresas são responsáveis por esta desigualdade, com políticas salariais no mínimo questionáveis. É claro que para chegar a um cargo mais alto às pessoas precisam ser competentes, se prepararem e se esforçarem bastante. Mas será que é justo um diretor de empresa ganhar 40 mil reais enquanto um peão de fábrica ou um analista ganha 1 mil ou 2 mil reais? Seria este competente diretor 40 vezes melhor que um peão ou analista? Seria seu trabalho 40 vezes mais importante que o outro? Entendo que os salários devem sim levar em conta a meritocracia e que a pessoa deva sim ir evoluindo ao longo de sua carreira, mas será que esta diferença não é grande demais? Será que se a diferença entre estes salários fosse menor o Brasil não proporcionaria maiores oportunidades e seria um pais melhor? Deixo o questionamento para que possam debater e espero gerar uma saudável e produtiva discussão.

Um abraço.

Texto publicado em 07 de Julho de 2009 por Roberto Siqueira

Três pitacos sobre futebol…

1 – O Palmeiras acertou ao demitir Luxa?

Acho muito perigoso e extremamente incoerente demitir um treinador no meio de um campeonato. Ainda mais o campeonato Brasileiro, tão longo e difícil. O tempo já provou que os grandes trabalhos feitos no futebol brasileiro foram de técnicos que permaneceram no cargo por um longo tempo. Mesmo com a eliminação da Copa Libertadores entendo que Luxemburgo vinha fazendo um bom trabalho no Palmeiras, que merecia pelo menos chegar ao final deste ano. A renovação do time foi bem feita, faltam alguns ajustes é verdade, mas acho que o time poderia fazer um bom papel no Brasileiro. O problema é que o torcedor é apressado, quer resultados imediatos, mas entendo que para disputar o título do campeonato brasileiro é preciso planejamento, montar um elenco ao longo de um ou dois anos e fazer pequenos ajustes, como fizeram Inter e Corinthians (pra mim os grandes favoritos) de dois anos pra cá. O Palmeiras deixa a sensação de que vai começar do zero novamente, o que é ruim. E tendo Beluzzo como presidente, não deixa de ser decepcionante uma atitude como esta.

E pra você, a demissão de Luxemburgo foi correta?

2 – Brasil campeão da Copa das Confederações

Em uma final eletrizante contra o surpreendente time dos EUA (o qual eu pensava ser limitadíssimo e provou ser pelo menos competitivo) o Brasil chegou ao terceiro título da Copa das Confederações. Minhas considerações:

– Kaká é craque, mas Luis Fabiano jogou mais que ele nesta Copa.

– Lúcio realmente jogou muita bola. A zaga formada por ele e Juan é o ponto forte desta seleção.

– O outro ponto de destaque é o contra-ataque mortal da seleção, talvez o melhor do mundo hoje. Com jogadores de velocidade e que carregam a bola, o Brasil é um time formado para contra-atacar.

– Por falar em contra-ataque, que belo gol dos EUA o segundo hein? Aula de contra-ataque.

– O problema da seleção aparece quando o adversário se tranca na defesa, diminui os espaços e chama o Brasil pra cima. Aí o time precisa tocar a bola, abrir o jogo dos lados, e por enquanto o time de Dunga sente enorme dificuldade em fazer isso. Basta lembrar dos jogos contra Bolívia, Colômbia e África do Sul.

– Temos um ano até a Copa. Que 2006 fique bem vivo na memória de todos. Não podemos achar que somos os melhores. Humildade, pés no chão e vamos lutar pelo título. Se subir no salto, esqueçam…

– Nunca um atual campeão da Copa das Confederações foi campeão mundial. Que em 2010 esta escrita seja quebrada.

Agora faltam 11 meses para a Copa. No momento acho que Brasil e Espanha jogam o melhor futebol no mundo. Mas até lá, muita coisa pode mudar.

E pra você, quais são as melhores seleções do planeta hoje?

3 – Final da Copa do Brasil 2009

Pra mim o Corinthians deve ser o campeão da Copa do Brasil amanhã. Tem um time muito entrosado, joga muito bem fora de casa e atravessa um melhor momento que o Internacional. O time gaúcho tem craques e força pra reverter, mas sinceramente não acredito.

E pra você, quem será o campeão da Copa do Brasil 2009?

Brasil campeão Copa Confederações 

Texto publicado em 30 de Junho de 2009 por Roberto Siqueira

Descanse em paz Rei do Pop

Não vou escrever muito sobre o assunto, não é nada agradável. Gostaria apenas de deixar registrado aqui meu respeito e minha profunda admiração pela obra deste gênio da música, que influenciou gerações e deu ao mundo pérolas como “Billie Jean”, “Beat it”, “Bad”, “Thriller”, “Smooth Criminal” (meu clip favorito) e a bela e lenta “Heal the World”. Pouco me importa sua vida pessoal, se fez coisas erradas é problema da justiça julgá-las, não meu. Aqui me refiro ao artista, muito importante em seu tempo e que deixará saudades. Michael pertence a uma rara espécie de músicos, aquele que vieram para mudar o que existia antes deles.

Poucas vezes houve um manifesto universal pela morte de um astro como agora. E isto aconteceu porque a obra de Michael é mesmo universal, é única, é eterna. Seu talento é o que ficará, e ficará para sempre…

Descanse em paz Michael. Que DEUS o tenha.

Michael Jackson 

 

 

 

 

Texto publicado em 27 de Junho de 2009 por Roberto Siqueira

Enquanto isso, no mundo da bola…

Falando um pouquinho da minha outra paixão (A Adriana é mais que paixão, é o amor da minha vida), achei o nível desta Copa das Confederações bem baixo.

Eu me decepcionei com a Squadra Azzurra, atual campeã do mundo e que não mostrou nada além de um time envelhecido e fraco tecnicamente. Pior, nem no famoso estilo italiano de muita marcação e contra-ataque eles conseguiram jogar. Sou a favor do futebol ofensivo, desde que você tenha jogadores para isso. De qualquer forma, deve estar na próxima Copa e é sempre uma candidata pela tradição que tem. Nova Zelândia e Iraque nem merecem comentários. E o Egito começou como uma sensação e me impressionou bastante no primeiro jogo contra o Brasil, mas depois deixou a vaga escapar vergonhosamente para o limitadíssimo time dos Estados Unidos. Já a seleção dona da casa jogou um futebol muito fraco na estréia e depois, com a entrada de Pieenar, melhorou sensivelmente, mas não ainda ao ponto de conseguir fazer frente ao forte e acertado time de Dunga. Acho que a África do Sul de Joel Santana chegou aonde poderia chegar e já está mais do que satisfeita.

A final deve ser mesmo entre Brasil e Espanha, estas sim duas seleções de nível e que talvez sejam as melhores do mundo no momento. Este confronto será um teste verdadeiro para sabermos a força desta seleção de Dunga. Acho que o estilo de jogo do Brasil se encaixa contra a Espanha, já que eles atacam bastante. O problema é que os espanhóis normalmente têm uma posse de bola muito superior aos adversários, e por isso oferecem poucas chances para o contra-ataque, que é o que o time de Dunga faz melhor. De qualquer forma, provavelmente teremos um grande jogo no próximo domingo, e que com certeza vale a pena parar pra assistir. Depois dele assista um bom filme, seu domingo será completo. 😉

Um abraço.

“Caixinha de Surpresas”

Escrevi o post acima no dia 23 de Junho, porém devido alguns problemas em minha internet não consegui enviar a tempo. E pra surpresa geral, o “limitadíssimo” time dos Estados Unidos surpreendeu novamente e eliminou a badalada Espanha. Quebrei a cara, tudo bem. Mas é exatamente por isso que o futebol é emocionante, é um esporte imprevisível. Caminho livre para o Brasil levar o caneco (não aprendi a lição?!). Por outro lado, fico triste, pois entendo que Brasil x Espanha seria um jogo muito mais atraente do que o repeteco Brasil x EUA.

Confederations Cup

Texto publicado em 24 de Junho de 2009 por Roberto Siqueira