Parabéns Espanha!

O mundo encantado dos sonhos de fãs de futebol chega ao fim mais uma vez. Felizmente, chega ao fim com um campeão justo, merecido, e que faz muito bem ao próprio futebol. A vitória da seleção do toque de bola envolvente, recheada de craques, é a vitória do futebol bem jogado, com raça sim, coração, mas acima de tudo com técnica, muita técnica de gente que sabe jogar bola como Xavi, Iniesta, Xabi Alonso, David Villa, entre tantos outros, se dando ao luxo de ter Torres e Fábregas, nítidamente fora de forma, no banco de reservas.

Como eu disse na análise antes do início da Copa, o primeiro título mundial nunca esteve tão perto. E ele chegou, numa final muito disputada, onde a Holanda utilizou o recurso da falta para parar o envolvente toque de bola espanhol e teve a chance de vencer a Copa nos pés de Robben. Mas no final, a melhor seleção dos últimos quatro anos foi coroada. E a vitória espanhola fará um bem ao futebol mundial.

Parabéns Espanha, legítima campeã mundial!

Texto publicado por Roberto Siqueira em 11 de Julho de 2010

Final: Espanha x Holanda

Hoje a história do futebol registrará mais um clássico dos mundiais. E desta vez, nós fãs do futebol fomos premiados com uma final inédita, muito interessante, entre dois países que já merecem há muito tempo um lugar no clube dos campeões mundiais. Pena que só um deles entrará para o clube. Se o passado entrasse em campo, a Holanda seria a vencedora, pois tem mais história que a Espanha em Copas. Mas se levar em conta o futebol apresentado nos últimos anos, a Espanha é a melhor seleção do mundo e merece ser coroada hoje.

A taça FIFA mudará de mãos nas próximas horas. Qualquer que seja o vencedor, o resultado será justo e merecido e o clube ganhará um novo e merecedor integrante. Que seja uma grande final, para fechar com chave de ouro esta Copa maravilhosa, de excelente nível técnico, jogos emocionantes e grandes jogadores desfilando pelos gramados.

Que vença o melhor!

Um abraço e uma excelente final de Copa pra todos nós.

Texto publicado por Roberto Siqueira em 11 de Julho de 2010

O futebol venceu a Copa

Fiquei muito feliz com o resultado das semi-finais da Copa. Na verdade, eu ficaria feliz de qualquer jeito, pois gosto muito dos quatro países que ficaram na decisão. Tive o prazer de conhecer três destes países e gostei muito do que vi, com pessoas alegres e hospitaleiras, culinária deliciosa, lugares maravilhosos, tudo enfim. O único país que não conheci foi a Alemanha, mas este erro será reparado em breve se Deus permitir. Mas me identifico bastante com o povo alemão, tachado de frio pelo mundo afora, mas que mostrou no mundial que organizou ser um povo bem simpático e alegre. Falando de futebol, também gostei muito do futebol apresentado por estas quatro seleções. Na verdade, a Copa de 2010 ficará marcada pra mim como a melhor Copa que assisti, ao lado da Copa de 98, com grandes e emocionantes jogos, bons jogadores e imagens muito marcantes. Nenhuma Copa das que vi (de 90 pra cá) supera estas duas na quantidade de partidas memoráveis, no nível técnico apresentado e na emoção das partidas.

Pra finalizar, resta dizer que Espanha e Holanda apresentaram, de maneiras diferentes, um futebol agradável e mereceram chegar à final. A Holanda com a frieza necessária para superar momentos de adversidade contra Brasil e Uruguai, e sempre mantendo o controle do jogo nas demais partidas. É um time que parece jogar sempre pro gasto, guardando energias para quando for preciso. Já a Espanha, a exemplo do Barcelona, utiliza uma maneira interessante de sofrer poucos gols, que é manter a posse da bola na maior parte do tempo. O mais legal é que o time espanhol jamais deixa de buscar o ataque, trocando passes no campo inimigo, o que exige muito talento (e talento não falta nesta geração espanhola, a melhor de todos os tempos). Fico triste quando leio “teorias conspiratórias” e brasileiros dizendo que “estas seleções não mereceram chegar à final”. Dizer isto soa como inveja, e um país cinco vezes campeão mundial não precisa deste sentimento. Espanha e Holanda mereceram chegar à final e chegaram numa Copa muito interessante e agradável. Será uma final muito legal de assistir e certamente memorável.

No fim das contas, na África do Sul, independente de quem for campeão no próximo domingo, o futebol venceu a Copa.

Um abraço.

Texto publicado por Roberto Siqueira em 08 de Julho de 2010

Mestre Tostão

O sempre inteligente Tostão resumiu em poucas palavras o meu pensamento sobre o futebol. Não acho e nunca achei que o Brasil fosse “o melhor futebol do mundo”. Acho que em certos momentos temos o melhor futebol, em outras épocas outros estão melhores, e assim caminha o meu esporte favorito. Comentaristas e torcedores brasileiros têm a péssima mania de achar que os outros países não tem a nossa qualidade e sempre inventam desculpas para nossas derrotas, como se do outro lado não tivesse um bom time.

Tostão, colunista da Folha e grande craque do passado, afirmou que “O Brasil perdeu, como em 2006 [nas quartas de final, para a França], para um time que não é inferior. É um time do mesmo nível. [A Derrota] não foi uma zebra, não foi nenhuma tragédia, nenhum desastre do ponto de vista técnico”.

E eu concordo com ele. Se quiser ver o videocast com a opinião completa do mestre Tostão, clique aqui.

Um grande abraço e fiquem à vontade para opinar a respeito.

Texto publicado por Roberto Siqueira em 04 de Julho de 2010

E a Copa América virou Eurocopa

Não estou tão mal. Acertei três dos quatro semi-finalistas. E o “decadente” futebol europeu (segundo Benjamin Back) colocou mais uma vez três times na semi-final. A “grande Copa América” que o Galvão previu virou uma grande Eurocopa, com o Uruguai de intruso. Às vezes penso que a soberba e a arrogância de torcedores, imprensa e jogadores no Brasil é o que nos prejudica. Em todas as Copas inventamos desculpas para justificar a derrota, quando na verdade perdemos porque os adversários foram melhores.

O festival de desculpas sem fundamentos existe desde que a Copa é Copa. Em 74 podíamos ter vencido a Holanda, em 78 fomos roubados, em 82 foi azar, em 86 Zico estava frio, em 90 fizemos o melhor jogo e o Maradona decidiu, em 98 vendemos pra França, em 2006 o salto alto do quadrado mágico nos derrubou. Acho que já chegou a hora de assumir que nem sempre temos o melhor futebol e que Alemanha, Itália, Argentina, Holanda, Espanha, Inglaterra, França, Uruguai, entre outros, são países capazes de formar bons times também.

Pra finalizar, é preciso dizer que esta Copa está muito perto de se tornar a melhor Copa que já vi. Até hoje a Copa da minha vida foi a de 98, com pelo menos dez grandes jogos pra guardar na memória. 94 e 2002 estão no mesmo nível, 2006 um pouco abaixo e 90 bem abaixo. Mas esta Copa de 2010 já apresentou grandes jogos, memoráveis, e dependendo dos jogos de semi-final e final pode sim superar a Copa de 98 e se tornar a melhor Copa que eu já ví.

Que sejam grandes jogos estas semi-finais, e pra não perder a mania de tentar acertar o que vai acontecer, arrisco dizer que Alemanha e Holanda repetirão a final de 74 no próximo dia 11 de Julho.

Um grande abraço.

Texto publicado por Roberto Siqueira em 03 de Julho de 2010

Palpites

Posso quebrar a cara, mas não vou deixar de registrar meus palpites antes das aguardadas partidas de quartas-de-final da Copa. Arrisco dizer que teremos duas semi-finais entre países do mesmo continente. De um lado, Brasil e Uruguai repetirão a semi-final de 1970. Do outro, teremos a revanche da final da Eurocopa entre Alemanha e Espanha. E na final, um repeteco da final de 2002, entre Brasil e Alemanha. E desta vez, uma final ainda mais empolgante e sem favoritos.

É aguardar pra ver!

Um grande abraço, bons jogos e bons filmes!

Texto publicado por Roberto Siqueira em 01 de Julho de 2010

Comentários…

Comentaristas adoram teorias para explicar tudo num esporte onde a principal explicação para qualquer coisa é bem simples. O futebol é simples. Basta jogar bem para que os resultados apareçam. Abaixo algumas das coisas absurdas que escutei recentemente de comentaristas como Falcão e de Benjamin Back (que gosto de ouvir) no estádio 97, além de outras besteiras que se tornaram comuns no meio do futebol:

1 – A seleção alemã é muito fraca tecnicamente e continua jogando um futebol pragmático  (Falcão): quem viu este time alemão jogar, e isto desde a Copa de 2006, já notou que esta geração de jogadores joga muito mais do que o tal “futebol pragmático”. Aliás, se a Alemanha jogasse tão feio ou tão mal quanto as pessoas dizem, não seria uma seleção tão vitoriosa e com tantos gols na história das Copas (só perde para o Brasil).

2 – O futebol europeu está decadente (Benjamin Back): Ora bolas, os europeus simplesmente ficaram nas quatro primeiras posições da última copa, revelaram o último gênio da bola (Zidane) e apresentam nesta Copa uma seleção encantadora (Alemanha) e mais duas com um futebol muito agradável (Espanha e Holanda). Não é porque o futebol sul-americano finalmente está mostrando seu potencial (o que me agrada muito) que devemos desmerecer o futebol europeu. Esta, aliás, é outra questão que me intriga. Quem ouve os comentaristas brasileiros falando dos europeus “cintura dura” tem a impressão de que eles não representam nada no futebol, quando na verdade estiveram presentes em quase todas as finais de Copa, revelaram muitos craques e claramente tem muita importância no futebol, assim como Brasil e Argentina.

3 – A Itália está vivendo uma crise técnica por importar muitos jogadores: Como bem disse PVC na ESPN, este raciocínio é perigoso, pois em 2006 o futebol italiano era exatamente igual ao que é hoje e a Itália venceu com justiça a Copa do Mundo. Ou será que tudo mudou em apenas quatro anos?

4 – A Inglaterra não sabe jogar contra times com ginga ou habilidade: Ora bolas, os jogadores ingleses jogam contra os craques mais habilidosos do mundo em seu campeonato e na Champions League e têm sucesso. O que acontece com a Inglaterra é que ela não consegue formar um time, como a Alemanha consegue, mas isto não tem nada a ver com o fato do futebol inglês ter ou não costume de enfrentar jogadores habilidosos. Já faz muito tempo que a Inglaterra não joga mais o futebol de chuveirinho.

5 – O caminho do anfitrião é o mais fácil em Copas: Outro absurdo, que já deveria ter caído por terra em outras Copas, como em 2006 quando a Alemanha teve que enfrentar Argentina e Itália no caminho. Nesta Copa então, não teria grupo pior para o anfitrião do que o grupo da África do Sul. O sorteio é justo, claro, e se os caminhos se complicam ou ficam facilitados (como é o caso do Brasil neste ano) é por causa da incompetência de alguns, como a Inglaterra que deveria ter vindo pra chave do Brasil, mas ficou em segundo no grupo e foi pro outro lado, ou a França, que também deveria estar no lado brasileiro.

6 – O nível da Copa está baixo: Desde que assisto Copa do Mundo (1990), ouço os comentaristas dizendo que a Copa está com baixo nível. Em 90 isto era verdade, mas 94 já apresentou bons jogos, com craques como Baggio, Romário, Hagi e Stoichkov, 98 foi a melhor Copa que vi, 2002 também teve bons jogos e 2006 também. O que acontece é que os jogos marcantes sempre acontecem na segunda fase, mas os precipitados de plantão já queriam dizer que o futebol de hoje é fraco porque “os jogos estavam ruins”, quando na verdade o problema é que ainda estávamos na primeira fase. Alguém se lembra de um jogo espetacular na primeira fase de qualquer Copa? Eles até acontecem, mas o que entra pra história são os jogos da segunda fase. Com os quatro belos jogos que tivemos nestas oitavas, alguém ainda quer dizer que o nível está baixo?

7 – Temos que parar de idolatrar estes jogadores europeus (se referindo aos ingleses) e valorizar os que temos aqui (Neto,  que vi por acaso hoje, no intervalo da SPORTV, falando sobre a vitória alemã): Ora bolas Neto, os jogadores que deram show são alemães, e a Alemanha também fica na Europa. E não é porque a Inglaterra foi mal que Rooney, Lampard e Gerrard não são grandes jogadores.

Existem muitas outras afirmações e comentários prontos que eu gostaria de discutir aqui, mas já estou com sono e amanhã tem mais dois grandes jogos pra ver. Por enquanto é só.

Fiquem à vontade pra debater, concordar ou discordar do que escrevi.

Um abraço.

Texto publicado por Roberto Siqueira em 27 de Junho de 2010

Férias…

De férias, em casa, curtindo o filhão, a esposa e a Copa do Mundo. Além disso, curtindo os primeiros dias na casa nova. É a vida que pedi pra Deus!

Quando acabar a primeira fase pretendo comentar um pouco sobre a Copa, mas por enquanto deixo registrado que estou gostando do mundial, apesar de alguns jogos abaixo do esperado, e do triste fato de alguns dos maiores jogadores da atualidade estarem claramente fragilizados por problemas físicos, como é o caso de Kaká, Rooney, Drogba, Robben e Fernando Torres. Torço para que as grandes seleções se classifiquem para termos grandes clássicos na fase final. Mas pelo visto, algumas delas ficarão pelo caminho. É esperar pra ver. Enquanto isto, nas noites de Copa, assisto mais alguns filmes…

Abraços e até breve.

Texto publicado por Roberto Siqueira em 18 de Junho de 2010

É amanhã!

Finalmente chegou o grande momento. Vai começar o maior espetáculo da terra. Boa sorte para nossa seleção, mas principalmente, que seja uma bela Copa do Mundo, com grandes jogos!

Boa Copa para todos!

Texto publicado em 10 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira

Os Clássicos dos Mundiais – Parte 3

Finalmente chegamos aos últimos cinco clássicos transmitidos pela ESPN (Para ler os comentários da Parte 1 clique aqui e para ver a parte 2, clique aqui):

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1990: ALEMANHA 1 X 0 ARGENTINA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Certamente o jogo mais fraco tecnicamente reprisado até agora, a final da pior Copa de todos os tempos (tecnicamente falando) não fez justiça ao excelente futebol da seleção campeã. Um oasis técnico em meio a tanta mediocridade – e aqui incluo a fraca seleção brasileira de Lazzaroni e até mesmo a vice-campeã Argentina, que só tinha Maradona e Caniggia – a seleção liderada pelo craque Lotthar Matthäus contava com grandes jogadores como Völler, Klinsmann e Hässler, que jogavam muito mais do que apresentaram na final do mundial. Independente disto, é importante ressaltar que realmente a seleção de Don Diego foi prejudicada pelo pênalti inexistente que originou o gol de Andreas Brehme e garantiu o terceiro título da Alemanha na história. Por outro lado, fez justiça por linhas tortas, pois claramente a seleção alemã dominou toda a partida e merecia a vitória. A melhor geração alemã dos últimos tempos foi premiada com o titulo mundial de forma merecida.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1994: BRASIL 0 X 0 ITÁLIA (Nos pênaltis, Brasil 3 x 2 Itália)

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Apesar de ter vaga lembrança da Copa de 1990, este foi o primeiro mundial que acompanhei de verdade. Lembro que assisti praticamente todas as partidas, me encantei com a Romênia de Hagi e a Bulgária de Stoitchkov, mas foi com o baixinho Romário que meu coração bateu acelerado. Romário e Baggio foram os responsáveis pela chegada de suas seleções à final, nesta que foi uma Copa fraca tecnicamente. E a final, infelizmente, foi muito prejudicada pelo forte calor, numa partida insanamente disputada ao meio-dia na Califórnia, somente para que o horário atendesse o interesse comercial. Como as duas equipes naturalmente já primavam pela defesa e o calor era insuportável, o zero a zero foi inevitável, apesar de algumas boas oportunidades para ambos os lados. Vale notar como a seleção jogava bem ao estilo Parreira, forte na defesa liderada pelo ótimo Aldair e mantendo a posse de bola o máximo que puder, o que fez com que Zinho, que era um meia criativo, ganhasse o apelido de “enceradeira”, pois seguia fielmente as ordens de Parreira e fazia o máximo para que o Brasil mantivesse a posse de bola, prendendo e tocando de lado. Já Romário, nas poucas vezes que pegou na bola, mostrou seu talento acima da média, partindo pra cima da excepcional defesa italiana liderada por Baresi (que estava desgastado e jogando no sacrifício) e Maldini. Roberto Baggio, por sua vez, nitidamente estava sem condições de jogo, se arrastando em campo. Na inesquecível e emocionante disputa de pênaltis, brilhou a estrela de Taffarel e no pênalti decisivo, a Copa mais uma vez vitimou um craque, como já tinha feito com Zico, Platini e tantos outros no passado. Baggio, o grande responsável pela chegada italiana a final, marcando cinco dos seis gols italianos na fase eliminatória, perdeu o pênalti e garantiu o tetra para o Brasil 24 anos depois do Tri. Festa brasileira, numa final sem grandes emoções com a bola rolando, mas marcante para a minha geração.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1998: FRANÇA 3 X 0 BRASIL

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

A final de 98 entre Brasil e França foi marcada por polêmicas. A convulsão de Ronaldo antes da partida fez com que os brasileiros ignorassem o excelente futebol da seleção francesa e utilizassem o “fator Ronaldo” como desculpa para a derrota. Obviamente, Ronaldo fazia muita diferença naquela época e o impacto provocado no grupo foi enorme. Mas não devemos tirar o mérito da excelente seleção francesa. Com uma zaga sólida, liderada por Blanc (que não jogou a final), Desailly e Thuram, Deschamps no meio de campo dando segurança e o gênio Zidane nascendo para o mundo do futebol, ainda que não tivesse um grande atacante (Henry e Trezeguet eram reservas e explodiriam para o mundo pouco tempo depois), os franceses mostraram um futebol consistente, de posse de bola e mereceram a vitória. A partida foi equilibrada até o momento em que Zizou mostrou seu talento e decidiu a final com dois gols muito parecidos. Nascia um gênio, o maior jogador estrangeiro que vi jogar (não vi Maradona no auge). A campanha brasileira já dava sinais dos problemas da seleção, com derrota para a Noruega e classificações suadas contra a Dinamarca e a excelente Holanda de Bergkamp. Os franceses também sofreram, contra Paraguai e Itália principalmente, mas mostraram melhor futebol em toda Copa. Rever este jogo é a oportunidade que muitos brasileiros têm de reparar uma injustiça histórica. Problemas do Ronaldo à parte, a França mereceu o título.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 2002: BRASIL 2 X 0 ALEMANHA

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

Ronaldo e Rivaldo foram os nomes da Copa na gloriosa conquista da seleção brasileira, dirigida com muita competência por Felipão. Numa Copa em que os grandes favoritos foram dando adeus de forma inesperada (França e Argentina, as melhores seleções da época, caíram na primeira fase, Itália e Espanha caíram diante de arbitragens suspeitas e a Holanda nem foi ao Mundial), o Brasil teve um único grande adversário antes da final: a Inglaterra de Beckham, que parou no bom futebol de Ronaldinho Gaúcho, na única partida memorável do astro com a camisa amarelinha. Mas na final, diante da sempre poderosa Alemanha (o único encontro entre as duas seleções em Copas), o Brasil não jogou tão bem, como ficou evidente nesta transmissão da ESPN. A Alemanha, inferior tecnicamente e sem o capitão e melhor jogador Ballack, dominou as ações e só não saiu na frente graças a mais uma excepcional atuação de São Marcos. Os torcedores brasileiros quase enfartaram quando, ainda com o jogo empatado, Neuville acertou um petardo numa cobrança de falta e Marcos se esticou todo para evitar o gol. Momentos depois, Rivaldo e Ronaldo decidiriam mais uma vez e o Brasil chegaria ao Penta com autoridade. Vale citar também a grande atuação de Kléberson, na época uma revelação. Numa Copa inferior tecnicamente à de 98, mas superior a de 2006, o Brasil brilhou novamente e trouxe o caneco.

FINAL DA COPA DO MUNDO DE 2006: ITÁLIA 1 X 1 FRANÇA (Nos pênaltis, Itália 5 x 3 França)

(Para acessar todos os dados desta Copa do Mundo no Wikipédia, clique aqui)

A Copa de 2006 teve grandes clássicos, mas poucos mostraram um futebol à altura das camisas que estavam em campo. Holanda e Portugal fizeram um jogo violentíssimo, Inglaterra e Portugal um jogo sem grandes emoções e França e Portugal também pouco mostraram. Salvaram-se os encontros entre Alemanha e Argentina, Brasil e França (muito pela espetacular atuação de Zidane) e principalmente, o épico Itália e Alemanha, disputado no templo de Dortmund e vencido nos segundos finais da prorrogação pelos italianos. A final foi um jogo disputadíssimo e com poucas chances de gol, ou seja, com a cara desta Copa. Zidane brilhou na cobrança de pênalti (que tranqüilidade!) e Cannavaro demonstrou sua liderança na defesa, como em toda a Copa. Zizou esteve perto decidir a partida numa cabeçada espetacular defendida por Buffon, mas o nome do jogo foi mesmo Materrazzi. Autor do gol de empate italiano, o zagueiro artilheiro foi também o responsável pelo final melancólico de carreira do último grande gênio do futebol. Zidane não agüentou as provocações do italiano e lhe deu uma cabeçada, sendo expulso e prejudicando seu país. Nos pênaltis, depois de derrotas histórias no passado, a Itália finalmente conseguiu vencer e garantiu o tetra, 24 anos depois do tri (exatamente como o Brasil fez em 94). Um título merecido, numa Copa muito mais bonita fora do que dentro do gramado.

E assim chegamos ao fim dos “Clássicos dos Mundiais”, excelente idéia dos canais ESPN que nos permitiu viajar no tempo e preparou o clima para a Copa 2010 de maneira formidável. Que a Copa da África do Sul nos brinde com novos clássicos!

Um grande abraço.

Texto publicado em 09 de Junho de 2010 por Roberto Siqueira