Quem sou?

Para quem tiver curiosidade, acabo de criar uma página dizendo quem sou. Para acessar, basta clicar no link da página “Quem é Roberto Siqueira?”, na pagina inicial (lado direito da tela).

Um abraço.

Texto publicado em 31 de Agosto de 2010 por Roberto Siqueira

INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA (1989)

(Indiana Jones and the Last Crusade)

 

Videoteca do Beto #62

Dirigido por Steven Spielberg.

Elenco: Harrison Ford, Sean Connery, Denholm Elliott, Alison Doody, John Rhys-Davies, Julian Glover, River Phoenix, Michael Byrne, Kevork Malikyan, Richard Young, Alexei Sayle e Paul Maxwell.

Roteiro: Jeffrey Boam, baseado em estória de George Lucas e Menno Meyjes.

Produção: Robert Watts.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Após iniciar a saga do arqueólogo Indiana Jones com o maravilhoso “Os Caçadores da Arca Perdida”, Steven Spielberg adotou um tom mais obscuro e, conseqüentemente, menos interessante no segundo filme da série, o apenas razoável “Indiana Jones e o Templo da Perdição”. Felizmente, o talentoso diretor volta a utilizar com força total as principais características da série neste delicioso “Indiana Jones e a Última Cruzada”, misturando com eficiência o bom humor e as engenhosas seqüências de ação, e de quebra, ainda introduz o tema “relacionamento entre pais e filhos”, algo recorrente em sua filmografia.

Após descobrir que seu pai (Sean Connery) havia sido capturado pelos nazistas enquanto buscava encontrar o santo Graal, o arqueólogo Indiana Jones (Harrison Ford), acompanhado de seu amigo Marcus Brody (Denholm Elliott), parte em busca do precioso artefato e, principalmente, para tentar salvar seu pai. Ao desembarcar em Veneza, encontra a ajuda da misteriosa Dra. Elsa Schneider (Alison Doody) e novamente se envolve numa série de aventuras.

Definitivamente, “Indiana Jones e a Última Cruzada” é um legítimo representante da série que fez tanto sucesso nos anos oitenta, como podemos notar desde o clássico início com o logo da Paramount se transformando numa montanha. A linha vermelha no mapa enquanto vemos a imagem do avião, o envolvimento com uma mulher, o chapéu, o chicote e a empolgante trilha sonora também continuam presentes. Spielberg mantém ainda outra característica marcante da série, abusando do bom humor. Aliás, se “O Templo da Perdição” se perdia em meio ao clima pesado demais, este “A Última Cruzada” é o mais leve e engraçado dos três filmes. O diretor também dá um show logo na seqüência de abertura, quando o jovem Indy (River Phoenix) foge em cima de um trem com um precioso artefato, abusando da criatividade durante a atrapalhada fuga do rapaz, além de utilizar animais de verdade, sem efeitos digitais, o que somado aos tradicionais truques mecânicos (outra marca da série), confere muito mais realismo à cena. O diretor também demonstra seu talento na condução de cenas extremamente empolgantes de ação, como quando os nazistas perseguem os Jones de moto e na seqüência do deserto em que Indy faz malabarismos para conseguir escapar dos alemães. Além disso, o diretor utiliza a câmera com função narrativa, como no momento em que o zoom na placa “Berlim” indica o caminho que os heróis seguiram. Finalmente, a seqüência final dentro da caverna é carregada de tensão enquanto Indy desvenda os mistérios em busca do cálice e se encerra de forma emocionante quando o Sr. Jones finalmente chama o filho de “Indiana”, deixando claro que a vida deles era muito mais importante que aquele artefato religioso.

Spielberg também inova ao apresentar uma excelente introdução mostrando a juventude de Indy, que serve como base para o fio condutor da narrativa: o relacionamento entre pai e filho. Além disso, serve também para apresentar traços marcantes da personalidade dele, como o medo de cobras e a tomada rápida de decisão, além de revelar como ele passou a utilizar o chicote e o chapéu. Tudo isto é mérito também do bom roteiro de Jeffrey Boam, baseado em estória de George Lucas e Menno Meyjes, que divide a narrativa em duas linhas principais. A primeira delas se concentra na busca pelo Graal e abre espaço para as sensacionais aventuras do arqueólogo. Já a segunda linha narrativa olha, ainda que de forma superficial e bem humorada, para os problemas de relacionamento entre pai e filho que, como dito, é um tema recorrente nos filmes de Spielberg. Além disso, apresenta diversos momentos que remetem ao primeiro filme, a começar pelo plano do professor Jones dando aula, seguido pela referência à Arca da Aliança, a morte de um vilão que se transforma em esqueleto (que claramente lembra o rosto derretido) e, finalmente, até mesmo os próprios vilões nazistas estão presentes nos dois filmes.

Entre o elenco o destaque vai para Harrison Ford, que dá outro show na pele do arqueólogo Indiana Jones, e Sean Connery, que vive o pai de Indy. É impressionante notar como Ford se sente à vontade no papel do carismático herói. Ator e personagem se misturam e nem sequer podemos imaginar outro ator em seu lugar. Todos os trejeitos, olhares e até mesmo o timing cômico do personagem soam perfeitos graças ao talento de Ford. Repare, por exemplo, seu olhar de satisfação quando Elsa descobre que a página com o mapa foi arrancada do diário ou o seu sorriso de alivio quando Hitler autografa o diário. Já Sean Connery mostra seu talento desde sua primeira aparição, formando uma dupla perfeita com Ford. Famoso por interpretar James Bond (o pai cinematográfico de Indiana Jones), ninguém melhor do que ele para interpretar o pai de Indy e impor respeito. A química dos dois atores é perfeita, sendo responsável por diálogos deliciosos e cheios de sarcasmo, presenteando ainda o espectador com pelo menos dois momentos hilários, quando Henry Jones incendeia acidentalmente uma sala nazista e quando ele encontra uma passagem secreta, provocando a queda imediata de Indy pela escada. Mas apesar de cômica, a relação dos dois tem um traço de ressentimento perceptível em alguns momentos, como num diálogo expositivo que explica a morte da Sra. Jones. Observe, por exemplo, como o Sr. Jones chama Indy de “Júnior” diversas vezes, provocando a irritação do filho, como se ainda o visse como um menino. Note também como em diversos momentos Indy toma atitudes que lhe enche de orgulho próprio, mas seu pai olha com desaprovação, provocando sua imediata mudança de feição. A troca de olhares entre Ford e Connery, aliás, também provoca momentos muito engraçados, como quando eles conversam com os nazistas sobre o diário e quando o Sr. Jones diz que Elsa fala enquanto dorme, deixando claro que também dormiu com ela. No único momento em que tenta se abrir com o pai, Indy fica sem palavras, e novamente o roteiro toca na difícil relação entre pai e filho de maneira bem humorada, algo que se repetiria na cena em que Indy supostamente cai do penhasco, provocando a confissão de seu pai (“Achei que tinha te perdido”). Nesta cena, aliás, Spielberg cria um pequeno suspense antes de revelar, novamente com bom humor, a salvação de Indy. Fechando o elenco, temos ainda Alison Doody, que vive a sensual e perigosa Elsa Schneider com elegância, Denholm Elliott, interpretando o engraçado Marcus Brody e o retorno do fascinante Sallah, interpretado novamente com competência por John Rhys-Davies.

Também merece destaque o trabalho técnico feito em “Indiana Jones e a Última Cruzada”, a começar pela montagem de Michael Kahn, que tem papel fundamental nas espetaculares seqüências de ação, alternando entre os vários planos com agilidade. Além disso, mantém a narrativa num ritmo sempre empolgante, o que é essencial numa aventura. Kahn ainda faz algumas transições interessantes, como no momento em que através do chapéu o jovem Indy se transforma no adulto Indiana Jones. A direção de arte de Stephen Scott, auxiliada pelos ótimos figurinos de Joanna Johnton e Anthony Powell e pela bela direção de fotografia de Douglas Slocombe, capricha na ambientação do espectador, criando três ambientes completamente diferentes. A beleza estonteante de Veneza contrasta com a gélida seqüência em território alemão e austríaco, ao passo em que o deserto tem um visual mais seco, refletindo o crescente desconforto de Indy na medida em que avança em sua missão. Slocombe também capricha na fotografia obscura dentro da caverna, iluminada somente com velas e tochas, além de carregar nos tons escuros como o preto e o vermelho que, auxiliado pelas tochas, conferem um ar infernal ao desfile nazista, simbolizando o mal encarnado naqueles vilões. Finalmente, merece destaque também o bom trabalho de som e efeitos sonoros, perceptível principalmente nas seqüências de ação.

Como não poderia deixar de ser, “Indiana Jones e a Última Cruzada” termina de forma bem humorada, revelando o nome completo de Indy e a origem de seu “Indiana”. Podemos citar ainda outros diversos momentos engraçados, como o barulho de Indy quebrando o piso enquanto um senhor carimba papéis, a fuga dos Jones de avião (“Nos atingiram!”) e a seqüência seguinte, quando o Sr. Jones diz que “Estão tentando nos matar! […] É uma experiência nova pra mim” e ouve Indy responder que “Acontece comigo toda hora!”. A mistura de ação e bom humor se revela a receita perfeita para esta aventura deliciosa, embalada por dois personagens extremamente carismáticos e por um roteiro muito inteligente.

Spielberg acerta novamente na condução de mais esta maravilhosa aventura do arqueólogo Indiana Jones. Aproveitando o carisma de seu herói e de seus atores, o diretor aborda seu tema preferido de forma bem humorada e envolve novamente o espectador, através de seqüências de ação incrivelmente criativas e, acima de tudo, de uma narrativa muito envolvente.

Texto publicado em 26 de Agosto de 2010 por Roberto Siqueira

Praga

Para iniciar a série de textos sobre as viagens que fiz, nada melhor que escrever sobre aquela que considero a cidade mais bela que já vi na vida. Não posso descrever Praga de outra forma que não seja “uma cidade mágica”. Na realidade, é extremamente difícil transmitir em palavras as sensações que sentimos quando andamos por aquelas ruas estreitas, repletas de prédios coloridos e incrivelmente imponentes, com um skyline lindíssimo formado pela bela arquitetura local, nos lembrando castelos dos contos de fadas.

Além da belíssima arquitetura, a limpeza das ruas, o ar de antiguidade misturado à modernidade e até mesmo o idioma local nos lembra a todo momento que estamos num local onde tudo é diferente e inesquecível. Afinal, onde mais poderíamos descer de um bonde, entrar numa taverna que mais parece ter saído dos cenários de “O Senhor dos Anéis” e tomar cerveja numa jarra de vidro de 500 ml? Mais surreal ainda é ver um cidadão local entrar com uma mochila nas costas, tirar uma garrafa pet de 2 litros, encher de chope e sair bebendo na rua naturalmente. Praga é assim. A cerveja é sagrada, e melhor que isto, é muito boa.

A cidade é linda independente do bairro em que se esteja e pra curtir de verdade é aconselhável andar a pé, para não perder nenhum pequeno detalhe. Foi o que fizemos, saindo sem rumo e dando de frente com lugares maravilhosos como a Wenceslau Square ou o relógio astronômico, localizado na divertida Old Town Square, a praça do centro antigo da cidade. O velho e lindo castelo de Praga se torna ainda mais belo à noite, quando já está completamente iluminado, e a ponte Carlos é esplêndida de qualquer ponto de vista. Belo também é o visual de cima da ponte, assim como é ainda mais estarrecedor olhar para a cidade do alto do castelo. A sensação é de que tudo parece um quadro, não uma cidade.

Jantar em Praga é outra tarefa incrivelmente prazerosa, por mais que a comida local não seja das melhores (nem mesmo o gigante cachorro-quente é tão saboroso). O prazer está no ambiente, como um restaurante medieval, com espadas e armadura na parede, e comida servida numa taboa de madeira, para comer como há séculos atrás. A iluminação à luz de velas complementa o clima perfeito. Além de tudo isso, o frio que fazia na cidade na época me proporcionou uma experiência inesquecível, pois foi lá que vi neve pela primeira vez. E não há como descrever a sensação de ver e sentir de perto este fenômeno meteorológico tão belo. Some-se a tudo isto a simpatia do povo local, que mesmo sem saber falar inglês ou espanhol (português então nem pensar), tenta de todas as maneiras compreender o estrangeiro e ajudar no que for preciso.

Posso dizer que vivi um sonho nos dias que passei em Praga. Com certeza, fui enfeitiçado pela beleza absurda da cidade. E freqüentemente me pego nostálgico (e isto acontece com minha esposa também), com saudades daquele lugar mágico e inesquecível. Acho que o nome da cidade se refere justamente a este sentimento. Voltamos de lá com uma saudade incrível, uma “praga” que teima em nos lembrar daquele lindo lugar. Felizmente, esta é uma praga deliciosa… Por tudo isto eu afirmo: a linda capital tcheca é certamente a cidade mais bela que já conheci.

Um grande abraço.

Texto publicado em 23 de Agosto de 2010 por Roberto Siqueira

OSCAR 1990: CONDUZINDO MISS DAISY X CAMPO DOS SONHOS

Seguindo minha comparação entre o vencedor do Oscar de Melhor filme e aquele que eu considerei como a melhor produção do ano, chega à vez do ano de 1989 (Premiação em 1990). Mas antes, vale um aviso: pela seqüência que eu vinha adotando, o próximo ano deveria ser 2000 (Premiação em 2001), mas resolvei aproveitar que acabei de assistir os filmes de 1989 para escrever críticas da Videoteca do Beto e inverti a ordem. De agora em diante, vou escrever sempre que terminar um ano na Videoteca, pois os filmes estarão mais “frescos” na memória e isto poderá ajudar a melhorar o texto e os argumentos. Dito tudo isto, vamos lá. O ano de 1989 apresentou uma boa safra de filmes, com destaque especial para os sucessos “De Volta para o Futuro II”, “Indiana Jones e a Última Cruzada” e “Máquina Mortífera 2”, todos seqüências de filmes bem sucedidos que conseguiram manter o nível dos longas anteriores. Também merecem ser citados o emocionante “Sociedade dos Poetas Mortos” e o bom “Nascido em 4 de Julho”, estrelado por Tom Cruise e dirigido por Oliver Stone. E finalmente, não posso deixar de mencionar o vencedor do Oscar daquele ano, o singelo e eficiente “Conduzindo Miss Daisy”. Mas apesar de todos estes bons filmes, afirmo tranqüilamente que o melhor longa de 1989 é o emocionante “Campo dos Sonhos”.

Porque “Campo dos Sonhos” é melhor?

O cinema pode provocar diversas reações nos espectadores, nos fazendo pensar, refletir sobre o que vemos na tela, nos divertir, nos transportar pra lugares jamais imaginados e, principalmente, nos emocionar. E o filme estrelado por Kevin Costner tem uma capacidade enorme de provocar a emoção genuína no espectador, graças a um roteiro maravilhoso, uma direção segura e as boas atuações de todo o elenco. E principalmente, graças à forma como aborda o tema, desarmando completamente o espectador sem apelar para clichês ou fórmulas prontas. Mesmo num ano com tantas boas produções, eu votaria sem medo de errar no longa dirigido por Phil Alden Robinson.

E pra você, qual o melhor filme de 1989 e por quê?

Um abraço e bom debate.

PS: Para ver Jessica Tandy vencendo 0 Oscar de melhor atriz, clique aqui. Para ver o anúncio do vencedor de melhor filme, clique aqui.

Texto publicado em 18 de Agosto de 2010 por Roberto Siqueira

Imagens: Laranja Mecânica (1971)

Seguindo o projeto de atualização das críticas com imagens, já podem conferir a crítica de Laranja Mecânica (1971), agora devidamente ilustrada. Vale lembrar que o texto permanece o mesmo do dia de divulgação.

Um abraço.

Texto publicado em 15 de Agosto de 2010 por Roberto Siqueira

4 anos…

Exatamente há quatro anos, eu tive a felicidade de encontrar uma pessoa mais que especial e viver um momento mágico, que mudou minha vida para sempre. Após este dia, todos os meus sonhos, até mesmo aqueles que pareciam muito distantes, tornaram-se realidade.

Por isso, nada mais justo do que dizer um enorme muito obrigado e reafirmar o que digo diariamente: Eu te amo!

Um beijo especial, e que Deus abençoe a nossa família.

De seu eterno namorado,

Beto.

Texto publicado em 12 de Agosto de 2010 por Roberto Siqueira

DE VOLTA PARA O FUTURO 2 (1989)

(Back To The Future Part II)

 

Videoteca do Beto #61

Dirigido por Robert Zemeckis.

Elenco: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Thomas F. Wilson, Elisabeth Shue, James Tolkan, Jeffrey Weissman, Charles Fleischer, Darlene Vogel, Jason Scott Lee, Elijah Wood, Flea e Billy Zane.

Roteiro: Robert Zemeckis e Bob Gale.

Produção: Neil Canton e Bob Gale.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Apoiando-se num roteiro incrivelmente engenhoso e criativo e contando com um elenco muito afiado, o diretor Robert Zemeckis brindou os espectadores com uma verdadeira obra-prima quando lançou nos cinemas, em 1985, o primeiro filme da trilogia “De Volta para o Futuro”. Felizmente, este segundo filme da série mantém a qualidade primorosa do primeiro filme e presenteia os cinéfilos com uma continuação que consegue explorar a mesma premissa de forma original e igualmente criativa, renovando a trilogia e evitando que soe como algo repetitivo.

Após conseguir corrigir o passado e alterar o futuro, o cientista Doc Brown (Christopher Lloyd) volta desesperado ao ano de 1985 para levar Marty (Michael J. Fox) e sua namorada (Elisabeth Shue) para o ano de 2015, com o objetivo de evitar uma verdadeira tragédia familiar provocada pelos filhos do casal. Já no futuro, o velho Biff (Thomas F. Wilson) consegue entrar na máquina do tempo e voltar ao ano de 1955, somente para entregar a si mesmo o almanaque dos esportes, com todos os resultados esportivos do período entre 1950 e 2000. Por isso, quando Doc e Marty retornam ao ano de 1985, encontram um mundo completamente diferente, resultado do poder adquirido pelo milionário Biff ao longo dos anos. Desta forma, a única maneira de destruir esta realidade paralela e evitar este futuro sombrio é voltar ao ano de 1955 e impedir que o velho Biff entregue a si mesmo o tal almanaque.

Logo no inicio de “De Volta para o Futuro 2” podemos rever a cena que encerrou o primeiro filme, num dos inúmeros momentos em que o espectador poderá rever uma cena sob outra perspectiva, pois o longa é repleto de rimas narrativas entre os dois filmes (e até mesmo com o terceiro filme), o que é extremamente elegante. Ao chegarmos ao ano de 2015, até podemos questionar o avanço tecnológico apresentado num período tão curto de tempo (de 1989 para 2015 temos apenas 26 anos), mas é inegável que o longa aproveita mais uma vez as inúmeras oportunidades que a situação oferece, como podemos notar na inteligente justificativa para o não envelhecimento do professor, que explica sobre as avançadas clínicas de rejuvenescimento. Inteligente também é a forma como os dois Martys se cruzam embaixo do balcão, o que possibilita a troca entre eles e abre espaço para revivermos a grande cena, agora completamente renovada, em que Marty foge de Biff em cima de um skate. O bom humor também está novamente presente, como notamos quando Doc diz que a justiça ficou muito rápida depois que aboliram os advogados.

O longa de Robert Zemeckis também mantém o excelente nível técnico do filme anterior, com destaque especial para a bela direção de arte de Margie Stone McShirley, que recria a cidade de diferentes formas em cada período, sempre com muita criatividade, como fica evidente na evoluída cidade de 2015 através dos carros, do posto Texaco e da engraçada referência à Tubarão 19 (!) – sucesso de Spielberg, que é amigo de Zemeckis e também produtor executivo do longa. A fotografia colorida em 2015 de Dean Cundey e Jack Priestley dá lugar às tonalidades escuras do ambiente hostil e sombrio nos anos dominados por Biff e volta aos tons pastéis nostálgicos nos anos cinqüenta. Já a montagem ágil de Harry Keramidas e Arthur Schmidt reforça o clima de urgência da missão da dupla, que neste segundo filme é ainda maior que no primeiro, além de colaborar sensivelmente nas seqüências de ação, também mais freqüentes neste segundo longa. Também merece destaque a maquiagem, que permite com que o mesmo ator apareça duas ou três vezes na mesma cena de formas completamente diferentes, além, é claro, dos ótimos efeitos especiais, que trazem grande realismo às cenas. Finalmente, a bela trilha sonora de Alan Silvestri está novamente presente, com músicas joviais e com o imponente tema da série.

A direção de Robert Zemeckis é impecável, mantendo o ritmo ágil e criando um visual magnífico em todas as épocas da narrativa, além de criar seqüências muito interessantes sempre que um personagem encontra seu correspondente em cena, como nos encontros entre os dois “Docs”, “Biffs”, “Jennifers” e “Martys”. Zemeckis também acerta a mão na condução das cenas de ação, como a sensacional perseguição de Biff, com o carro, à Marty, que foge no skate, já próximo do final do filme. Finalmente, o diretor consegue sucesso mais uma vez na direção de atores, permitindo que o elenco apresente outro excelente desempenho. Michael J. Fox está novamente perfeito como Marty McFly. Devido a um acidente com seu carro que o impediu de continuar com a música, Marty se tornou um infeliz funcionário em seu trabalho, enquanto seu filho se tornou um verdadeiro idiota, como ele mesmo admite quando o vê. E o ator aproveita a excelente oportunidade de mostrar talento ao interpretar as diversas etapas da vida do personagem com competência, além de interpretar também seus próprios filhos. Thomas F. Wilson vai muito bem quando interpreta o cruel Biff, sempre ameaçador. Repare como o ator utiliza uma voz rouca que colabora com este poder de intimidação do personagem. E mesmo quando interpreta o velho Biff o ator convence, mostrando que a vida dura que levou após as mudanças no passado não tirou o seu apetite pelo poder. Já quando interpreta o jovem Griff, Wilson exagera e acaba soando caricato, mas nada que comprometa sua atuação. Quem também repete a excelente atuação do primeiro longa é Christopher Lloyd, com todos os trejeitos do maluco doutor Emmett. Seu “Doc” é um personagem extremamente carismático e o ator tem todo o mérito por isso. E finalmente, Elisabeth Shue pouco aparece com sua Jennifer, não permitindo uma atuação além de discreta.

Mas apesar de toda qualidade do elenco e do ótimo trabalho técnico, novamente o grande destaque do longa é o roteiro de Zemeckis e Bob Gale. Ainda mais intrincado que no primeiro filme, o roteiro permite uma viagem através do tempo e faz constantes referências ao primeiro e (melhor ainda) ao terceiro filme, provando a qualidade da engenhosa criação da trilogia por parte dos roteiristas. Não é raro notar menções ao velho oeste, como quando vemos um vídeo sobre o tio de Biff ou quando “Doc” diz que se arrepende de não ter visitado o velho oeste, o que já prepara o terreno para a parte final da trilogia. Zemeckis e Gale também aproveitam praticamente todas as oportunidades que a situação oferece para explorar ao máximo estas idas e vindas no tempo, como quando McFly comemora o fato de morar em determinado bairro que, na realidade, se tornou o mais perigoso da cidade devido às mudanças do passado, como fica evidente nas palavras de um taxista. O roteiro abusa ainda das elegantes rimas narrativas com o primeiro filme, como quando McFly sai com o skate pelas ruas da cidade sendo perseguido por Biff. Mais interessantes ainda são os momentos marcantes do primeiro longa que podemos reviver sob outra perspectiva, como quando Marty toca guitarra enquanto podemos ver o outro Marty andando por cima da estrutura do palco ao fundo.

Por tudo isto, “De Volta para o Futuro 2” pode ser considerado um filme tão qualificado quanto o primeiro da trilogia. Além disso, o longa tem ainda o mérito de preparar o espectador para a parte final da série, como podemos notar quando a Western Union entrega a carta de Doc para Marty com data de 1885. Isto acontece porque em outro momento muito importante, porém sutil, o acidente com o Deloren zera a máquina do tempo e altera a data para 1885, o que também reflete no terceiro filme da série. Desta forma, além de se deliciar com este segundo filme, o espectador praticamente se sente obrigado a assistir o terceiro, o que não deixa de ser inteligente.

Belíssima aventura que nos permite viajar através do tempo, passando pelos anos de 2015, 1985, 1955 e finalizando em 1855, “De Volta para o Futuro 2” é extremamente criativo e cativante, permitindo ao espectador notar claramente as diferenças entre cada época, tanto no aspecto cultural quanto no aspecto visual, além de proporcionar um delicioso exercício de imaginação por parte de cada espectador. É maravilhoso viajar com Marty e Doc através do tempo e por isso, mal podemos esperar pelo terceiro filme da série. Ainda bem que hoje em dia, com a trilogia disponível em DVD, não precisamos de um Deloren para avançar no tempo, como os espectadores certamente desejaram fazer quando o segundo filme foi lançado nos cinemas.

Texto publicado em 11 de Agosto de 2010 por Roberto Siqueira

Imagens: Era uma Vez no Oeste (1968)

Seguindo o projeto de atualização das críticas com imagens, já podem conferir a crítica de Era uma Vez no Oeste (1968), agora devidamente ilustrada. Vale lembrar que o texto permanece o mesmo do dia de divulgação.

Um abraço.

Texto publicado em 09 de Agosto de 2010 por Roberto Siqueira

Dia dos pais

Pra quem estava acostumado a dar presente neste dia especial, acordar recebendo presentes foi mágico. Em meu primeiro dia dos pais como pai, fui levado às lágrimas antes mesmo de sair da cama, graças a uma carta incrivelmente sensível, escrita com as mãos e com o coração de alguém que me ama. As palavras, vindas da mamãe (que revelou um talento incrível para tocar no fundo do meu coração através da escrita), representam os sentimentos dela e do Arthur por mim. E como é bom saber que temos importância na vida de quem amamos.

Meu príncipe foi responsável por mais um momento mágico da minha vida. Obviamente, não se trata de receber presentes (por mais que eu tenha recebido presentes que realmente estava precisando e me agradaram muito! 🙂 ), mas sim do simbolismo que este momento representa. Afinal de contas, este dia apenas representa que um sonho, o maior deles, foi realizado em minha vida e hoje eu posso dizer que sou pai, que tenho um filho lindo.

Não existe nada que se iguale ao momento em que chego em casa e corro para abraçá-lo e beijá-lo. É uma sensação indescritível, que todo pai sabe bem como é. E entre tantos papais especiais, obviamente está o meu, que um dia já teve este gostinho especial de ter o seu primeiro dia dos pais como pai, justamente comigo. Por isso, além de agradecer ao Arthur e a Dri pelo momento mágico de hoje, agradeço também ao meu pai por tudo que me proporcionou.

Espero que daqui muitos anos nós possamos repetir este lindo dia. Que todos nós possamos nos reunir e comemorar juntos, quem sabe até com meu primeiro (a) neto (a). Pode ser apenas uma data comercial, pode ser apenas um dia inventado, mas nada disto importa pra mim. O que importa é que sempre curti estes momentos ao lado do meu pai, e hoje descobri a deliciosa sensação de estar do outro lado também. E posso dizer que adorei.

Obrigado Arthur por me proporcionar este lindo momento. Obrigado Dri por estar sempre comigo e por me surpreender logo cedo de maneira tão bonita. Obrigado pai, por mais este dia especial que passamos juntos.

Que Deus abençoe todos nós.

Texto publicado em 08 de Agosto de 2010 por Roberto Siqueira

O fim dos filmes comentados

Os comentários divulgados ontem de “M – O Vampiro de Düsseldorf” foram os últimos do Cinema & Debate. A partir de agora, pretendo divulgar somente críticas completas, em textos estruturados como os da “Videoteca do Beto” ou dos “Filmes em Geral”, ao invés dos tópicos que caracterizavam a categoria “Filmes Comentados”. Ainda não decidi se eu vou transformar os tópicos dos filmes já divulgados em críticas, como avisei que faria na criação desta categoria. Isto vai depender exclusivamente do tempo disponível que terei para realizar este complicado trabalho. Pode ser que eu decida simplesmente deixar estes vinte e cinco filmes comentados como registro da história do blog, como também nada me impede de ir transformando os comentários em críticas ao longo do tempo.

Num primeiro momento, apenas vou inserir o aviso abaixo antes de cada um dos vinte e cinco filmes comentados, buscando deixar bem claro que não se trata de uma crítica. O modelo do aviso é este que segue:

[Antes de qualquer coisa, gostaria de esclarecer que os filmes comentados não são críticas. Tratam-se apenas de impressões que tive sobre o filme, que divulgo por falta de tempo para escrever uma crítica completa e estruturada de todos os filmes que assisto. Gostaria de pedir que só leia estes comentários se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Relevante mesmo é informar aos leitores que este formato pouco confortável não existirá mais. Ainda que escreva sobre menos filmes, vou priorizar a crítica da forma como deve ser. Um texto completo, coeso, que mostre claramente as minhas impressões sobre cada filme com base em argumentos que vocês podem ou não concordar. E só o tempo dirá se os antigos filmes comentados permanecerão como estão ou se estes tópicos serão transformados em críticas.

Espero que gostem.

Um grande abraço.

Texto publicado em 07 de Agosto de 2010 por Roberto Siqueira