CORAÇÃO VALENTE (1995)

(Braveheart)

 

Videoteca do Beto #125

Vencedores do Oscar #1995

Dirigido por Mel Gibson.

Elenco: Mel Gibson, Patrick McGoohan, Sophie Marceau, Catherine McCormack, Brian Cox, Angus MacFadyen, Brendan Gleeson, James Robinson e David O’Hara.

Roteiro: Randall Wallace.

Produção: Bruce Dave, Mel Gibson e Alan Ladd Jr.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Grandioso e intenso, “Coração Valente” apresentou ao mundo muitas das características marcantes do controverso cinema de Mel Gibson, algo que não aconteceu em sua estréia atrás das câmeras, no singelo e tocante “O homem sem face”. Desta vez, o diretor empregou toda sua energia, nos trazendo uma história apaixonante e entregando um longa de forte impacto visual e emocional. Goste ou não do que se vê na tela, uma coisa é certa: o segundo filme dirigido pelo então astro de Hollywood deixou claro que a indiferença é um sentimento que você jamais sentirá num filme dele.

Escrito por Randall Wallace a partir de uma pesquisa em busca de seus ancestrais escoceses, “Coração Valente” narra a história de William Wallace (Mel Gibson), um escocês que tem a noiva assassinada (Catherine McCormack, belíssima como Murron) por ingleses no século XIII e parte para uma vingança pessoal que inflama seus compatriotas e resulta na luta pela liberdade de seu povo.

Olhando superficialmente, o roteiro de “Coração Valente” pode soar maniqueísta por tratar a maioria dos ingleses como cruéis vilões e os escoceses como sofridos heróis. Entretanto, esta visão unidimensional e até mesmo romantizada tem uma justificativa plausível, fugindo do maniqueísmo ao narrar os fatos sob o ponto de vista de Robert the Bruce (Angus MacFadyen), um personagem claramente seduzido pela força do protagonista. E apesar de alguns pequenos erros históricos, o roteiro de Randall apresenta, além de uma estrutura narrativa envolvente, um protagonista realmente cativante, algo que, associado ao carisma de Mel Gibson, faz com que a platéia acredite em suas motivações e “lute” junto com ele. Além disso, o roteiro utiliza com elegância algumas rimas narrativas, seja através das palavras (“Isto é algo que teremos que remediar”) ou de simbolismos, como a flor que conquista Murron (e o coração das mulheres na platéia), abordando ainda de maneira interessante os bastidores das batalhas, através das estratégias de guerra utilizadas por William e pelo rei Eduardo I, o “Longshanks” (Patrick McGoohan), pecando apenas no desnecessário romance entre a princesa Isabelle (Sophie Marceau) e William, que existe apenas para justificar a gravidez dela e amenizar um pouco o sufocante final.

Conseguindo sucesso na difícil tarefa de condensar toda esta história épica sem torná-la cansativa, o montador Steven Rosenblum acerta, por exemplo, ao acelerar o relacionamento entre William e Murron (namoro e casamento acontecem rapidamente), abrindo mais espaço para as seqüências de batalha, que são a alma de “Coração Valente” – e onde, vale ressaltar, o trabalho do montador mais se destaca -, além de intercalar com fluência entre a trama na realeza inglesa, as decisões políticas dos nobres escoceses e a rebelião comandada por William. Já a trilha sonora de James Horner é um capitulo a parte. Misturando elementos tradicionais da música escocesa como a gaita de fole com uma abordagem solene típica dos grandes épicos, Horner cria diversas melodias magníficas, como o lindo tema da relação entre William e Murron “For the Love of a princess”, e colabora muito para a atmosfera lendária do longa.

Essenciais num filme de época, os figurinos de Charles Knode também se destacam, caprichando na recriação dos uniformes do exército inglês, do próprio Longshanks e da princesa Isabelle, que com sua elegância criam um forte contraste com as roupas feitas de trapos e os kilts dos escoceses. Por sua vez, a direção de arte de Ken Court, Nathan Crowley, John Lucas e Ned McLoughlin acerta na escolha de imponentes castelos, na decoração interna destes ambientes e na variedade de armas e acessórios utilizados nas guerras, como os escudos e capacetes. Quem também merece destaque especial é a excelente maquiagem, que torna os ferimentos nas batalhas bastante realistas, assim como o ótimo design de som, que nos permite escutar cada arma sendo movimentada, a respiração dos personagens, o som da chuva e os cavalos cavalgando com incrível clareza.

Explorando a beleza da região e captando com destreza a essência das batalhas, o diretor de fotografia John Toll colabora sensivelmente para o sucesso da direção de Mel Gibson. São inúmeras as seqüências de grande beleza plástica, como o ritual com as gaitas de fole no túmulo do pai de William ou o encontro entre os jovens William e Murron em que a menina o consola com uma flor, além de toda a seqüência do namoro deles, que faz com que a platéia crie empatia pelo casal. Aliás, a chuva que marca o início do romance indica o futuro trágico daquela relação.

Com um sotaque britânico apenas razoável, o competente e carismático Mel Gibson demonstra bem a transformação de William, inicialmente um homem preocupado somente em constituir sua família, mas que vai até as últimas conseqüências dos conflitos após ver sua noiva ser friamente executada. Encarnando o líder escocês com alma e paixão, ele oferece um desempenho acima da média, envolvendo o espectador na luta do personagem (nós acreditamos nele) e convencendo no papel de grande líder até o último instante. Na pele de seu antagonista, Patrick McGoohan entrega uma atuação marcante e faz de seu rei Eduardo I, o “Longshanks”, um vilão respeitável, demonstrando a autoridade esperada de alguém em sua posição e mostrando cuidado com pequenos detalhes de sua composição, por exemplo, ao começar a tossir levemente quando retorna da França e encontra a cabeça do sobrinho numa cesta, indicando o início da doença que o levaria à morte. E mesmo que o roteiro demonize seu personagem, McGoohan consegue demonstrar algumas das características marcantes do verdadeiro Eduardo I, como a inteligência e a liderança.

Dona de um rosto angelical e grande carisma, Sophie Marceau vive a princesa Isabelle e se torna o porto seguro do espectador sempre que a narrativa salta para a Inglaterra, enquanto o Hamish de Brendan Gleeson é o responsável pelos momentos de alivio cômico da narrativa – como no reencontro com William ainda no primeiro ato -, assim como Stephen, o irlandês maluco vivido por David O’Hara. E finalmente, o angustiado Robert the Bruce de Angus MacFadyen é um personagem complexo, dividido entre manter as posses da família e o respeito dos nobres e jogar tudo pro alto para lutar com a paixão de William contra os ingleses.

Todo este apuro técnico e bom nível das atuações de “Coração Valente” contam, obviamente, com o olhar atento do diretor Mel Gibson, que demonstra ainda enorme talento para a composição visual e energia para conduzir à narrativa. Gibson inicia seu épico mostrando uma série de paisagens deslumbrantes no acidentado terreno das Highlands, numa metáfora sutil para a própria vida de William, um personagem belíssimo, mas com uma trajetória repleta de altos e baixos. Retratando a vida do herói escocês desde sua infância, onde presenciamos dois traumas marcantes (a descoberta dos escoceses enforcados e a morte de seu pai, numa cena em que a reação do garoto ao perceber que o pai não voltou vivo nos parte o coração), o diretor conduz a narrativa com paciência, nos familiarizando com os personagens e, principalmente, criando empatia entre William e a platéia. Além disso, ele também utiliza com destreza a câmera lenta em momentos de forte impacto, como quando uma noiva plebéia acalma os soldados ingleses e se entrega ao lorde local para a primae noctis ou no ataque da cavalaria inglesa em Stirling, criando também planos inteligentes, como aquele que mostra muitos ingleses cercando um pequeno grupo de escoceses, que serviam de isca para o ataque dos outros que surgem no alto do monte. Existe ainda um pequeno momento que confirma o talento de Gibson atrás das câmeras, quando Stephen salva William na floresta, numa cena em que a câmera fala mais que qualquer palavra.

Ponto de virada na narrativa, a morte de Murron serve também para inserir pela primeira vez o tipo de violência gráfica que permeia “Coração Valente”, preparando o espectador para o que virá pela frente. O choque com a morte dela nos faz esperar pela reação de William e o diretor, ciente disto, brinca com nossa expectativa, esticando ao máximo o momento que precede seu ataque através da câmera lenta. Ele sabe que o agora revoltado espectador espera que William se vingue e quando isto acontece, a direção visceral e a montagem cheia de energia criam uma seqüência de forte impacto. Mas Gibson sabe que este momento significa muito mais do que uma simples vingança pessoal, marcando o nascimento da lenda e o estopim para a luta pela independência escocesa, e encerra a cena com um marcante silêncio que precede os gritos de “Wallace”, enquanto William é filmado por baixo para engrandecê-lo na tela.

Mas apesar desta grande cena, sua competência na direção se confirma mesmo na sensacional batalha de Stirling, um espetáculo cinematográfico de primeira grandeza, que não deve em nada às grandes cenas da história dos épicos. Temos certeza de estar acompanhando um momento marcante desde o inicio, com a triunfal chegada do exército inglês, capaz de fazer o chão tremer (novamente, ponto para o design de som), passando pelos efeitos digitais que multiplicam os figurantes e nos apresentam numerosos exércitos e pelo emocionante discurso de William antes do inicio da batalha – neste discurso, aliás, nasce à imagem icônica do personagem com a cara pintada de azul, num erro histórico de menor importância que é um ótimo exemplo de licença criativa que agrega à narrativa. O show do diretor continua durante o confronto, imprimindo uma energia incrível em toda seqüência, com sua câmera inquieta e cortes rápidos que jamais soam confusos e nos jogam pra dentro do campo de batalha de maneira brutal, nos fazendo praticamente sentir o calor do combate e o sangue que é derramado. Obviamente, este realismo extremo torna a batalha muito mais convincente. Além disto, temos o genial momento em que os escoceses param pela primeira vez na história a cavalaria inglesa, num fato real que fica ainda mais empolgante na câmera de Gibson.

Entretanto, a adrenalina contagiante das batalhas de “Coração Valente” termina em Falkirk, com a traição de Robert the Bruce (indicada numa conversa prévia com seu pai) provocando outro choque na platéia, que se sente tão desnorteada quanto o próprio William, que apesar disto consegue escapar. Mas o arrependimento não tarda e Bruce cai de joelhos em meio aos mortos da batalha, numa cena triste, ressaltada pela névoa e pelo plano que o diminui na tela. Só que em outra emboscada, desta vez sem a participação dele, Wallace finalmente é capturado pelos ingleses. Julgado e condenado, ele caminha para a morte e o longa para o seu trágico desfecho. Mantendo o realismo habitual, a triste execução nos sufoca e nos faz clamar pelo grito de piedade de William – praticamente podemos sentir sua dor, graças ao ótimo desempenho de Gibson. Quando ele finalmente se esforça para falar, ouvimos a única palavra que poderíamos esperar dele. E o grito de “liberdade” de William Wallace certamente está entre os grandes momentos do cinema nos anos 90, sendo capaz de levar muitos espectadores às lagrimas. O final poético, com sua espada fincada no campo de batalha e as palavras que anunciam a conquista da liberdade escocesa, encerra este filme triste, é verdade, mas que carrega em cada fotograma a grandiosidade dos melhores épicos.

Se “todo homem morre, mas nem todo homem realmente vive”, William Wallace pode se orgulhar, pois sua incrível jornada sobreviveu ao tempo e se eternizou neste belo e poético “Coração Valente”, um filme com sentimento, apaixonante e que se eterniza na memória dos amantes da sétima arte.

PS: Como afirmei na crítica de “Um Sonho de Liberdade”, “Coração Valente” é responsável direto por minha paixão pela sétima arte, além de ser – como vocês saberão em detalhes no próximo post – o filme mais importante da minha vida.

Texto publicado em 29 de Janeiro de 2012 por Roberto Siqueira

CASSINO (1995)

(Casino)

 

Videoteca do Beto #124

Dirigido por Martin Scorsese.

Elenco: Robert De Niro, Sharon Stone, Joe Pesci, James Woods, Kevin Pollak, Don Rickles, Alan King, L.Q. Jones, Dick Smothers, Frank Vincent, John I. Bloom, Pasquale Cajano, Melissa Prophet, Catherine Scorsese e Catherine T. Scorsese.

Roteiro: Nicholas Pileggi e Martin Scorsese, baseado em livro de Nicholas Pileggi.

Produção: Barbara De Fina.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Injustamente ignorado pela crítica no ano de seu lançamento, “Cassino” apresenta muito do que o cinema de Martin Scorsese tem de melhor, com seu visual deslumbrante, cenas memoráveis e atuações inspiradas. Talvez a alta expectativa criada explique a má recepção, afinal, estavam reunidos novamente Scorsese, o roteirista Nicholas Pileggi e os astros De Niro e Joe Pesci, peças fundamentais no sucesso de “Os Bons Companheiros”, lançado cinco anos antes e que também apresentava o ambiente hostil de mafiosos e gângsteres. Mas, ainda que não seja um trabalho tão estupendo quanto “Os Bons Companheiros”, “Cassino” é um belo filme, feito sob medida para agradar aos fãs do gênero.

Escrito por Pileggi, “Cassino” narra a história de Sam “Ace” Rothstein (Robert De Niro), um diretor de cassino em Las Vegas com passado comprometedor que se envolve com Ginger (Sharon Stone), uma prostituta de alta classe que dominava a todos, menos o seu cafetão Lester (James Woods). A combinação explosiva se completa quando o gângster Nicky (Joe Pesci) chega ao local para vigiar Ace, a pedido dos mafiosos que comandavam a cidade.

Auxiliado por Scorsese e baseado em seu próprio livro, Pileggi revela em “Cassino” como funcionava o esquema comandado pela máfia em Las Vegas, criando um painel complexo da cidade na época que precedeu o domínio das grandes corporações. Detalhando cada processo, quem e como cada um participava do esquema, ele explica como eles conseguiam se livrar das autoridades e até mesmo recuperar as “perdas” quando alguém ganhava muito dinheiro nas apostas. Além disso, a excelente estrutura narrativa se preocupa em apresentar pacientemente cada personagem, o que é essencial para que o espectador saiba o que esperar de cada um deles nas diversas situações que surgem ao longo da narrativa.

Logo de cara, temos uma revelação literalmente bombástica e vemos a suposta morte do protagonista, deixando claro em poucos minutos que estamos num filme de Scorsese, através da câmera lenta, da música erudita, da explosão, do personagem misturando-se ao vermelho infernal e da narração que nos leva ao longo flashback. Este recurso, aliás, é utilizado com exaustão em “Cassino”, normalmente na voz de Ace, mas também com Nicky e até mesmo Frank (Frank Vincent), que ganha um “voice-over” num momento de puro exercício estilístico, em que a imagem é congelada enquanto acompanhamos seu raciocínio antes dele responder a pergunta de um dos chefões da máfia. E o estilismo continua, por exemplo, através das legendas superiores que decifram o código na conversa telefônica entre Ace e Nicky (recurso já utilizado, por exemplo, por Woody Allen em “Annie Hall”).

Estilo, aliás, é uma palavra que descreve bem Martin Scorsese. Com seu estilo inconfundível, ele desfila seu arsenal de técnicas de direção, nos presenteando com planos memoráveis, travellings e até mesmo a câmera lenta em diversos momentos, como quando os dados caem na mesa ou uma luz se acende. Este visual elegante conta também com a fotografia de Robert Richardson, que abusa das cores e luzes e transforma “Cassino” numa verdadeira festa para os sentidos, além dos extravagantes figurinos de John A. Dunn e Rita Ryack, que tornam este visual ainda mais rico, tendo também função narrativa ao externar o estado de espírito dos personagens – repare como Ace vai mudando do tom sóbrio de seus ternos no inicio para cores mais vivas no final, refletindo sua empolgação com o império que tem nas mãos, assim como Ginger muda dos tons leves para roupas mais sufocantes, que refletem seu desconforto.

Utilizando um cassino de verdade como locação, o diretor de arte Jack G. Taylor Jr. capricha nos pequenos detalhes, desde os dados e cartas que são jogados nas mesas, passando pela imponente decoração da casa dos Rothstein e terminando na construção de sets impressionantes, como o escritório de Ace. Este excelente trabalho técnico praticamente nos coloca dentro de Las Vegas, captando o clima festeiro da cidade e, ao mesmo tempo, criando uma atmosfera tensa através dos locais obscuros em que os mafiosos se reúnem para tomar decisões em meio a jogatinas e bebidas. Completando esta ambientação, a espetacular trilha sonora mistura de tudo, passando por clássicos do rock, blues e até mesmo músicas dançantes dos anos 70, criando uma atmosfera única típica dos filmes dirigidos por Scorsese.

E ele não para por aí. Observe, por exemplo, o belíssimo travelling que sai das nuvens e nos mostra Las Vegas à noite, passando pela cidade e se perdendo na escuridão do deserto – que, aliás, surge em seguida enquanto a narração nos informa o que é feito no local, num raccord elegante e eficiente. Entre os cuidados enquadramentos e movimentos de câmera que caracterizam o diretor, não poderiam faltar os planos-seqüência, como aquele que acompanha um homem entrando no cassino, passeando por todo local, retirando o dinheiro no restrito setor de contagem, saindo e entrando num carro. E até planos estáticos são belos, como aquele que diminui Ace no deserto após uma discussão com Nicky, simbolizando sua perda gradual de poderes.

Além da beleza plástica, a direção de Scorsese é competente também na condução firme da narrativa. Para isto, ele conta com sua parceira de costume, a montadora Thelma Schoonmaker, que imprime um ritmo quase frenético em certos momentos, como quando acompanhamos quem observa quem no cassino, criando ainda elipses marcantes e/ou bem humoradas, como quando vemos um chefe da máfia pedindo que Ace seja discreto e, em seguida, vemos o anúncio de seu programa de televisão. Além disso, a estrutura narrativa coesa e a fluência na transição entre as cenas resultante da ótima decupagem tornam a longa duração quase imperceptível.

Finalmente, o diretor mostra que é completo ao extrair também excelentes atuações de todo o elenco, dentre as quais merece destaque a de Sharon Stone, que nunca foi considerada uma atriz de alto nível (eu, particularmente, adorei seu trabalho em “Instinto Selvagem”). Nas mãos de Scorsese, entretanto, Stone tem a atuação de sua vida – e a própria Sharon admite a importância do diretor neste aspecto -, transformando Ginger, a sensual e perigosa prostituta que conquista o coração de Ace, numa personagem tridimensional e complexa. Carismática, a atriz está solta no papel e cumpre bem a difícil tarefa de duelar com De Niro e Pesci, sobressaindo-se em discussões calorosas (normalmente bêbada, como no restaurante de Nicky) e até mesmo em momentos mais intimistas, como na conversa telefônica com Ace em que praticamente implora para voltar pra casa. Em outro momento, quando Ace expulsa Ginger de casa, a atriz dá um show ao lado de Robert De Niro, explodindo em cena de maneira convincente.

Além dos duelos verbais envolvendo a atriz, as próprias discussões entre Ace e Nicky merecem destaque, mostrando o enorme talento de Pesci e De Niro, por exemplo, no embate na casa dos Rothstein. Atores que naturalmente impõem respeito (cinéfilos ainda trazem na memória marcantes personagens da carreira deles, como os mafiosos de “Os Bons Companheiros”), a dupla demonstra muita afinidade na tela e cria personagens realmente capazes de intimidar. Inteligente e hábil com números, é no coração que reside o ponto fraco de Ace, que se deixa levar por um sentimento que sabia ser perigoso e acaba dando a chave de sua vida (literalmente) para Ginger. Detalhista, ele toca o cassino como se fosse a sua própria casa, se preocupando com pequenos detalhes como o peso dos dados e a quantidade de recheio nos muffins, mas é incapaz de ter o mesmo cuidado em sua vida pessoal e enxergar o risco que corria. Capaz de quase matar um homem com uma caneta (na cena do bar, a primeira em que a violência gráfica típica dos filmes de Scorsese dá as caras), Nicky é um homem agressivo, que não pensa duas vezes antes de partir pra cima de alguém, por maior e mais forte que seja, mas é também inteligente o bastante para saber quando cruzou o limite do aceitável dentro do “código de moral e ética” dos mafiosos – e Pesci está ótimo na cena em que Nicky confessa para Frank que sabe disto.

Além dos golpes com uma caneta que jorram sangue de um pobre homem, marteladas nas mãos de trapaceiros, tiros a queima roupa e até mesmo golpes com taco de beisebol completam o festival de cenas violentas de “Cassino”, que conta ainda com um elenco de apoio muito bom, com James Woods vivendo o malandro Lester Diamond, Frank Vincent como Frank, Don Rickles interpretando um dos capangas de Ace e L. Q. Jones na pele do cidadão local que avisa Ace do risco que ele corria ao demitir determinado funcionário. Como curiosidade, vale dizer ainda que a mãe de Scorsese, a Sra. Catherine, interpreta a Sra. Piscano, a dona de uma venda que reclama dos palavrões de um personagem chave na trama.

Ao contrário do que imaginamos no inicio de “Cassino”, Ace escapa milagrosamente da morte e sobrevive para narrar o triste fim de Nicky, morto violentamente por Frank e uns comparsas no meio de um milharal. A moral da história? A própria máfia destruiu seu império de sonhos na Las Vegas dos anos 70, abrindo espaço para as grandes corporações que dominaram o local nas décadas seguintes e transformaram a cidade no grande parque de diversões que é hoje.

Com a digital de Scorsese impressa em cada fotograma, “Cassino” é um legítimo representante do tipo de filme que fez a fama deste excepcional diretor, capaz de transitar entre diversos gêneros e, ainda assim, retornar ao seu favorito com inventividade suficiente para não se tornar repetitivo. As atuações inspiradas e o visual de encher os olhos complementam a qualidade deste filme esquecido em meio a tantas pérolas de uma das mais respeitáveis filmografias de Hollywood.

Texto publicado em 25 de Janeiro de 2012 por Roberto Siqueira

OSCAR 2012 – Lista de Indicados

A Academia divulgou hoje a lista de indicados ao Oscar 2012 e, para minha felicidade, tivemos algumas surpresas, como a indicação de “A Árvore da Vida”, de Terrence Malick, aos prêmios de melhor filme e diretor, algo que eu sinceramente não esperava (filme talvez, mas diretor jamais). Fico feliz, pois sou grande fã do trabalho dele. Aliás, qualquer manifestação de felicidade da minha parte será baseada somente em minha condição de fã, já que a maioria dos filmes sequer foram lançados no Brasil.

Entre os favoritos, “A Invenção de Hugo Cabret” do mestre Scorsese lidera com 11 indicações, seguido pelo favorito “O Artista”, que recebeu 10 indicações. George Clooney (“Os Descendentes”) e Brad Pitt (“O homem que mudou o jogo”) confirmaram que brigarão pela estatueta de melhor ator, enquanto Meryl Streep (“A Dama de Ferro”) parece ser barbada na categoria melhor atriz. As surpresas ficaram por conta da indicação de Malick ao prêmio de melhor diretor, além da ausência de “As Aventuras de Tintim” na categoria melhor animação – o que só reforça o enfraquecimento do Globo de Ouro nos últimos anos, já que o longa de Spielberg venceu esta categoria na premiação da HFPA.

Agora só nos resta tentar assistir ao máximo de filmes possíveis antes da cerimônia e torcer. Que o Oscar nunca foi atestado de qualidade artística todos nós sabemos, mas é sempre divertido acompanhar a premiação mais famosa do cinema, não é mesmo?

Abaixo, a lista completa dos indicados ao Oscar 2012:

Melhor filme
“Cavalo de Guerra”
“O Artista”
“O homem que mudou o jogo”
“Os Descendentes”
“Tão forte e tão perto”
“A Árvore da Vida”
“Meia-Noite em Paris”
“História Cruzadas”
“A Invenção de Hugo Cabret”

Melhor direção
Michel Hazanavicius, “O Artista”
Alexander Payne, “Os Descendentes”
Martin Scorsese, “A Invenção de Hugo Cabret”
Woody Allen, “Meia-Noite em Paris”
Terrence Malick, “A Árvore da Vida”

Melhor ator
Demián Bichir, “A Better Life”
George Clooney, “Os Descendentes”
Jean Dujardin, “O Artista”
Gary Oldman, “O espião que sabia demais”
Brad Pitt, “O homem que mudou o jogo”

Melhor atriz
Glenn Close, “Albert Nobbs”
Viola Davis, “Histórias Cruzadas”
Rooney Mara, “Millenium – Os homens que não amavam as mulheres”
Meryl Streep, “A Dama de Ferro”
Michelle Williams, “Sete dias com Marilyn”

Melhor ator coadjuvante
Kenneth Branagh, “Sete dias com Marilyn”
Jonah Hill, “O homem que mudou o jogo”
Nick Nolte, “Guerreiro”
Max Von Sydow, “Tão forte e tão perto”
Christopher Plummer, “Beginners

Melhor atriz coadjuvante
Octavia Spencer, “Histórias Cruzadas”
Bérénice Bejo, “O Artista”
Jessica Chastain, “Histórias Cruzadas”
Janet McTeer, “Albert Nobbs”
Melissa McCarthy, “Missão madrinha de casamento”

Melhor roteiro original
“O Artista”, de Michel Hazanavicius
“Missão madrinha de casamento”, de Annie Mumolo & Kristen Wiig
“Margin Call: O Dia Antes do Fim”, de J.C. Chandor
“Meia-Noite em Paris”, de Woody Allen
“A Separação”, de Asghar Farhadi

Melhor roteiro adaptado
“Os Descendentes”, de Alexander Payne and Nat Faxon & Jim Rash
“A Invenção de Hugo Cabret”, de John Logan
“Tudo pelo poder”, de George Clooney & Grant Heslov e Beau Willimon
“O homem que mudou o jogo”, de Steven Zaillian e Aaron Sorkin, história de Stan Chervin
“O espião que sabia demais”, de Bridget O’Connor & Peter Straughan

Melhor animação
“Um Gato em Paris”
“Chico & Rita”
“Kung Fu Panda 2”
“Gato de Botas”
“Rango”

Melhor filme estrangeiro
Bullhead” (Bélgica)
Footnote” (Israel)
In Darkness” (Polônia)
Monsieur Lazhar” (Canadá)
“A Separação” (Irã)

Melhor direção de arte
“O Artista”
“Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Meia-Noite em Paris”
“Cavalo de Guerra”

Melhor fotografia
“O Artista”
“Millenium – Os homens que não amavam as mulheres”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“A Árvore da Vida”
“Cavalo de Guerra”

Melhor figurino
“Anônimo”
“O Artista”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Jane Eyre”
“W.E.”

Melhor montagem
“O Artista”
“Os Descendentes”
“Millenium – Os homens que não amavam as mulheres”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“O homem que mudou o jogo”

Melhor maquiagem
“Albert Nobbs”
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2
“A Dama de Ferro”

Melhor trilha sonora original
“As Aventura de Tintim”, John Williams
“O Artista”, Ludovic Bource
“A Invenção de Hugo Cabret”, Howard Shore
“O espião que sabia demais”, Alberto Iglesias
“Cavalo de Guerra”, John Williams

Melhor canção original
Man or Muppet”, de “Os Muppets” (música e letra de Bret McKenzie)
Real in Rio”, de “Rio” (música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra de Siedah Garrett)

Melhores efeitos visuais
“Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Gigantes de Aço”
“Planeta dos Macacos: A Origem”
“Transformers: o lado oculto da lua”

Melhor mixagem de som
“Millenium – Os homens que não amavam as mulheres”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“O homem que mudou o jogo”
“Transformers: o lado oculto da lua”
“Cavalo de Guerra”

Melhor edição de som
“Drive”
“Millenium – Os homens que não amavam as mulheres”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Transformers: o lado oculto da lua”
“Cavalo de Guerra”

Melhor documentário
Hell and Back Again
If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front
Paradise Lost 3: Purgatory
Pina
Undefeated

Melhor documentário em curta-metragem
The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
God is the Bigger Elvis
Incident in New Baghdad
Saving Face
The Tsunami and the Cherry Blossom

Melhor curta-metragem
Pentecost
Raju
The Shore
Time Freak
Tuba Atlantic

Melhor curta-metragem de animação
Dimanche
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
La Luna
A Morning Stroll
Wild Life

Com base nos prêmios anteriores, “O Artista” vinha sendo apontado como o grande favorito do ano. Mas o Oscar já apresentou muitas surpresas (agradáveis ou não) em sua história, por isso, vale a apena apostar:

Quem será o grande vencedor do Oscar 2012 em sua opinião?

Um abraço e bom debate.

Texto publicado em 24 de Janeiro de 2012 por Roberto Siqueira

CAMINHANDO NAS NUVENS (1995)

(A Walk in the Clouds)

 

Videoteca do Beto #123

Dirigido por Alfonso Arau.

Elenco: Keanu Reeves, Anthony Quinn, Aitana Sánchez-Gijón, Giancarlo Giannini, Angélica Aragón, Evangelina Elizondo, Freddy Rodríguez, Debra Messing, Febronio Covarrubias, Roberto Huerta, Juan Jiménez, Alejandra Flores e Gema Sandoval.

Roteiro: Mark Miller, Robert Mark Kamen e Harvey Weitzman, baseado em roteiro de Piero Tellini, Cesare Zavattini e Vittorio de Benedetti.

Produção: Gil Netter, David Zucker e Jerry Zucker.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Para curtir “Caminhando nas Nuvens” em sua plenitude é imprescindível que o espectador se desarme e embarque no espírito romântico do filme. Apresentando alguns clichês típicos do gênero, atuações irregulares e uma narrativa até certo ponto previsível, o longa dirigido por Alfonso Arau se salva por sua beleza estonteante e por sua atmosfera pura e ingênua. Mas, apesar de seus momentos agradáveis, está longe de ser um grande filme.

Após voltar da 2ª guerra mundial, o jovem Paul Sutton (Keanu Reeves) descobre que não tem afinidade com a esposa e decide viajar até a empresa onde trabalha como vendedor de chocolates, numa tentativa de mudar de vida. No caminho, ele conhece Victoria Aragón (Aitana Sánchez-Gijón), uma bela jovem que está voltando pra casa grávida após estudar em outra cidade. Temendo a reação de seu pai (Giancarlo Giannini), ela convence Paul a fingir ser seu marido e passar uma noite nos vinhedos da família.

Escrito por Mark Miller, Robert Mark Kamen e Harvey Weitzman, baseado em roteiro de Piero Tellini, Cesare Zavattini e Vittorio de Benedetti para o filme “O Coração Manda” (Quatro Passi fra le Nuvole, 1942), o roteiro de “Caminhando nas Nuvens” não foge de alguns clichês básicos dos romances, como a dificuldade imposta ao casal antes do final feliz, o pai ignorante e opressor e a mãe (Angélica Aragón) que compreende o drama da filha. Incomoda também o fato de uma família tradicional mexicana falar tanto em inglês, ainda que em alguns momentos o espanhol surja. Além disso, algumas discussões soam bastante artificiais, como no primeiro jantar em que Paul se retira da mesa. Pra piorar, confesso que imaginei com certa facilidade o que aconteceria quando ele deixa o vinhedo e volta pra casa, anulando o efeito dramático da cena. Ainda assim, a história consegue agradar, especialmente pela forma como Paul e Victoria desenvolvem sua relação, mas também pelos belos momentos vividos por Paul e o avô dela, Don Pedro Aragón (Anthony Quinn).

Ainda no início, uma elegante transição do preto e branco para o colorido (montagem de Don Zimmerman) nos leva aos tempos da segunda guerra mundial, onde um diálogo expositivo explica que Paul está retornando da guerra para reencontrar a esposa Betty (Debra Messing), que mal conhecia (ele se casou num dia e viajou no outro), e o plano plongèe dele perdido no porto já indica que aquele não era exatamente seu lugar. Em casa, sua consumista esposa parece apenas preocupada em encontrar novas maneiras de ganhar mais dinheiro e o convence a continuar vendendo chocolates. Por isso, ele decide partir. E será nesta viagem que Paul mudará sua vida para sempre. Num encontro casual no trem, ele troca olhares com Victoria, mas o momento romântico é interrompido de maneira nada higiênica. Neste mesmo dia, seus caminhos voltariam a se cruzar, desta vez de maneira definitiva.

Um ator que funciona melhor em filmes de ação, Keanu Reeves vive Paul com a costumeira inexpressividade, mal reagindo às agressões verbais de Alberto, o relutante pai da garota (repare, por exemplo, sua apatia na discussão nos tonéis, que se torna ainda mais evidente graças aos exageros de Giannini). Ainda assim, o ator consegue criar empatia com Aitana Sánchez-Gijón, o que salva parte de sua atuação. Por outro lado, Aitana está simpática e sensual como Victoria Aragón, deixando claro desde o início que deseja ficar com Paul através do olhar insinuante e falhando apenas em alguns momentos dramáticos, onde não transmite emoção de maneira convincente, como quando se revolta com uma proposta dele. Já Giancarlo Giannini tem uma atuação exagerada e caricata na pele do unidimensional Alberto Aragón, que, de maneira irritante, parece sempre disposto a brigar com Paul, mesmo depois que descobre as boas intenções do rapaz. Por sua vez, Angélica Aragón se sai bem com a mãe de Victoria, demonstrando paciência para lidar com os conflitos entre pai e filha.

Certamente a melhor atuação do longa, Anthony Quinn está ótimo como Don Pedro Aragón, sempre convencendo Paul a ficar com eles de maneira carismática. Don Pedro é o alicerce de uma família tradicional, agora comandada pelo filho, mas ainda sob seu olhar atento. Logo em sua primeira aparição, fica claro o respeito que todos têm por ele, quando é convocado para dar a palavra final sobre a permanência de Paul. Órfão e ex-combatente, Paul é uma pessoa carente, e Don Pedro logo se encarrega de acolher o rapaz da melhor maneira possível. Esta relação quase paternal é uma das melhores coisas de “Caminhando nas Nuvens”, muito por causa de Quinn.

Mas se erra na direção de atores e não consegue extrair o melhor de todo o elenco, Alfonso Arau acerta na criação de lindos planos e na condução de cenas de grande impacto visual. Auxiliado pela belíssima fotografia de Emmanuel Lubezki, que abusa de cores quentes e realça a beleza dos vinhedos, o diretor nos brinda com planos que mais parecem quadros, com a vinícola surgindo banhada pelos raios solares, conferindo à “Las Nubes” um ar celestial, reforçado pelo próprio nome do local. Outro momento que remete a natureza paradisíaca do lugar acontece quando a geada atinge as uvas e as pessoas se vestem com asas para espalhar o calor pela plantação, tornando-se parecidas com anjos. Finalmente, na volta de Paul ao vinhedo, o esperado reencontro com Victoria é interrompido pela revolta de Alberto, que acidentalmente provoca um incêndio de enormes proporções, permitindo ao diretor criar uma interessante rima visual e temática, com a vinícola, agora em chamas, remetendo ao inferno.

“Caminhando nas Nuvens” homenageia ainda a cultura das vinícolas e a tradição familiar, na bela seqüência da colheita e na divertida dança das mulheres, que pisam nas uvas. Após este momento eufórico, surge o primeiro beijo de Paul e Victoria, mas a reação “racional” dele tira toda a magia da cena. Magia que volta no momento mais romântico da narrativa, quando ele faz uma serenata pra ela. Desta vez, nem a inexpressividade de Reeves estraga a beleza da cena, com Victoria espiando da janela, a noite iluminada e a tradicional canção. Aliás, a bela trilha sonora de Maurice Jarre merece destaque justamente por misturar acordes clássicos com sons que remetem às músicas mexicanas.

Apesar de todos os escorregões, “Caminhando nas Nuvens” termina com um final feliz e uma mensagem que glorifica a família e o amor, o que, compreensivelmente, agrada ao espectador. Ainda assim, não podemos fechar os olhos para as falhas de uma narrativa que, com pequenos ajustes, poderia ser bem melhor. Por outro lado, sua beleza e a inocência de sua mensagem conferem uma aura singular ao filme. É raro falar de amor com tanta pureza hoje em dia.

Texto publicado em 21 de Janeiro de 2012 por Roberto Siqueira

Globo de Ouro 2012 – Vencedores

Só pra não dizer que nem liguei pro Globo de Ouro este ano, assisti a cerimônia ontem e adorei a homenagem à Morgan Freeman, um dos meus atores favoritos. Somente as imagens de “Um Sonho de Liberdade”, “Seven”, “Menina de Ouro” e “Os Imperdoáveis” já justificam a homenagem, sem contar tantos outros grandes filmes da carreira deste excepcional ator. Além disso, seu agradecimento elegante reverenciando Sidney Poitier (“este prêmio poderia se chamar Sidney Poitier Award”) só engrandeceu ainda mais o momento.

Curti a vitória de Woody Allen por “Meia-Noite em Paris”, um filme que me agradou bastante. Já as vitórias de Spielberg, Scorsese, Streep e Clooney me agradaram somente porque sou fã de todos eles, já que, como não assisti os filmes ainda, não posso opinar se foram justas ou não. Nas séries, adorei a vitória de Matt LeBlanc, o eterno Joey de Friends, de quem também sou fã.

Também achei bem legal o recado de Asghar Farhadi, vencedor do prêmio de melhor filme estrangeiro, que fez questão de lembrar que o povo iraniano é um povo que ama. Já o apresentador Ricky Gervais estava bem mais comedido que no ano passado, o que é uma pena.

No geral, a cerimônia foi razoável. Na verdade, eu me diverti mesmo com os comentários do pessoal no twitter, sempre divertidos e criativos.

Vamos então ao resumo das premiações de cinema:

Melhor Filme Drama

“Os Descendentes” (The Descendants)

Melhor Filme Comédia ou Musical

The Artist

Melhor Filme Estrangeiro

“A Separação” (Irã) / (Jodaeiye Nader az Simin)

Melhor Filme de Animação

“As Aventuras de Tintin” (The Adventures of Tintin)

Melhor Diretor

Martin Scorsese por “A Invenção de Hugo Cabret” (Hugo)

Melhor Roteirista

Woody Allen por “Meia-Noite em Paris” (Midnight in Paris)

Melhor Atriz de Drama

Meryl Streep por “A Dama de Ferro” (The Iron Lady)

Melhor Ator de Drama

George Clooney por “Os Descendentes”

Melhor Atriz de Comédia

Michelle Williams por “Sete Dias com Marilyn” (My Week with Marilyn)

Melhor Ator de Comédia

Jean Dujardin por “The Artist

Melhor Atriz Coadjuvante

Octavia Spencer por “Histórias Cruzadas” (The Help)

Melhor Ator Coadjuvante

Christopher Plummer por “Toda Forma de Amor” (Beginners)

Melhor Música Original

Ludovic Bource por “The Artist

Melhor Canção Original

Masterpiece de “W.E.” (Música e Letras de Madonna, Julie Frost e Jimmy Harry)

Um abraço.

Texto publicado em 16 de Janeiro de 2012 por Roberto Siqueira

O adeus de São Marcos: para o jogador, nasce a lenda

Entre 1998 e 2002 eu provavelmente vivi o período de maior fanatismo pelo futebol da minha vida. Vi meu time dominar a América, chegando a cinco finais continentais entre 1998 e 2000, e cair vertiginosamente de uma hora pra outra; acompanhei a seleção de Felipão ganhando nossa quinta estrela no Japão; assisti a maioria dos campeonatos europeus da época e me apaixonei definitivamente pela Uefa Champions League; e, finalmente, vi um goleiro fazer coisas impossíveis, com atuações diferenciadas e defesas que eu jamais tinha visto igual – e que poucas vezes voltei a ver depois disto. Este goleiro, obviamente, era Marcos.

Era ele, “São Marcos”, que me permitia gritar pelos cantos da casa em cada grande defesa e nas históricas decisões por pênaltis na Libertadores (em nove disputas com ele, o Palmeiras venceu sete). Foi ele também que fez a defesa mais marcante das ultimas décadas, no famoso pênalti defendido contra o Corinthians, em chute de Marcelinho Carioca. Também contra o Corinthians, um ano antes, Marcos assumiria o lugar do machucado Velloso e brilharia naquela que considero a maior atuação que já vi de um goleiro, seguindo com atuações fantásticas até a conquista da Libertadores – aliás, Marcos foi o primeiro goleiro da história a vencer o prêmio de melhor jogador da competição. São Marcos, vale lembrar, também nos permitiu vibrar com os gols de Ronaldo na decisão da Copa, afinal, o que ele fez contra a Bélgica nas oitavas-de-final foi algo que poucos goleiros fariam e só por isso conseguimos chegar àquela final. E na própria decisão, Marcos impediu que a Alemanha saísse na frente no chute de Neuville, em outro milagre que entrou para a história. E mesmo depois de brilhar tanto, ele voltou para o Palmeiras, caiu para a segunda divisão e ficou no time até voltar para a elite, no ano seguinte. Mais do que isto, ficou até encerrar, no último dia 04 de Janeiro, sua gloriosa carreira.

Como é que é? É meu amigo (como diria Galvão Bueno), este dia chegou. E talvez por não acreditar no que estava vendo mesmo com tantos indícios de que Marcos pararia, eu não consegui escrever nada a respeito. Pode ser que, inconscientemente, eu precisava vê-lo falando para acreditar – e não ouvir a notícia através de outra pessoa. Mas hoje ele falou. Chorou, emocionou e confirmou a notícia mais triste que a torcida do Palmeiras, tão sofrida nos últimos anos, poderia esperar. São Marcos de Palestra Itália parou de jogar.

Sendo assim, mesmo com uma semana de atraso, eu finalmente criei coragem de expressar em palavras o que senti na última quarta-feira, ao ver o anúncio da aposentadoria do único jogador que mereceu ser chamado de ídolo em minha geração (único? OK, Rogério Ceni também merece). Sim, porque tivemos muitos bons jogadores, alguns craques e poucos gênios, mas nenhum jogador nas últimas décadas foi tão especial como Marcos. Ao ver aquele anúncio, senti uma tristeza tão grande, um vazio enorme ao pensar que jamais veria um jogo do Palmeiras com Marcos no gol novamente. Uma fase marcante da minha vida passava a viver apenas em vídeos do Youtube e livros de história. Ver Marcos parando significa romper de vez com uma época em que eu ia aos estádios e curtia o futebol de verdade, ao lado dos meus amigos e da minha família. Posso até voltar a amar o futebol como antes, mas certamente a magia daquela época deixou minha vida no momento em que Marcos deixou os gramados.

Li muita coisa boa por aí (deixei alguns links no final do post), me emocionei com muitos textos e me senti incapaz de escrever algo sobre meu único (na falta de outra palavra mais adequada) “ídolo” no futebol. E mesmo hoje, quando me sinto mais preparado para tal tarefa, são tantas as lembranças e fatos que tenho na memória que nenhum texto do mundo refletirá o que penso e sinto.

Deixemos de lado a parte técnica para evitar polêmicas (até porque, pouco importa neste momento). Basta uma olhada rápida pelos sites especializados para constatar que torcedores do São Paulo consideram Rogério Ceni o melhor de sua geração e a esmagadora maioria de torcedores/jornalistas de outros times concorda com os palmeirenses e considera Marcos o melhor (Taffarel também é bem lembrado, mas é de uma geração anterior). Como sou palmeirense, é óbvio que considero Marcos o melhor de seu tempo (entre 1999 e 2002 Marcos fez o impossível no gol do Palmeiras e da seleção brasileira), mas respeito à importância e a qualidade de Rogério Ceni (agora, o ultimo representante do praticamente extinto termo “amor à camisa”), assim como respeito outros grandes goleiros como Dida, Taffarel e os estrangeiros Preud’homme, Buffon, Oliver Kahn e Schmeichel.

Mas se debaixo do gol todos eram muito bons, Marcos se diferenciava mesmo fora das quatro linhas. E não apenas deles, mas de todos os outros jogadores de sua geração, incluindo aí alguns que eu admiro muito como Romário, Ronaldo e Rivaldo (aliás, ver esta geração especial deixando os gramados sem reposição à altura comprova a melancólica queda de qualidade do nosso futebol, que, aparentemente, dependerá de Neymar e Ganso por muito tempo). Marcos era diferente porque falava a linguagem da arquibancada, não dava entrevistas burocráticas e sempre externava o que pensava. Era um homem do povo, o torcedor que virou jogador. Falava e agia sempre com o coração, rendia ótimas entrevistas e matérias e, mesmo nas crises, espalhava carisma por onde passava. Por isso, recebeu lindas homenagens em diversos sites e blogs espalhados pela internet e até mesmo nos sites oficiais dos grandes rivais.

Com sua aposentadoria, o torcedor do Palmeiras fica órfão de ídolos, mas ele não está só. A imprensa está mais triste. Os jogadores estão mais tristes. Até mesmo as torcidas de outros times estão mais tristes. Enfim, o futebol brasileiro está mais triste. Quanto a mim, é triste pensar que não ouvirei mais os narradores anunciarem Marcos como goleiro do Palmeiras e nem verei mais suas incríveis defesas, mas pelo menos carregarei eternamente na memória suas atuações, desde o primeiro dia em que o vi jogar no estádio, num Palmeiras x Botafogo/RP em 1996, quando, ao lado do meu pai e do meu primo Thiago, vi Marcos defender um pênalti, provavelmente o primeiro de tantos que ele defendeu (vale lembrar que ele era o goleiro em atividade no Brasil que mais defendeu pênaltis na carreira).

Vi Marcos se tornar “Santo” nas partidas contra o Corinthians na Libertadores, vi ele falhar em Tóquio e ser recebido de braços abertos pela torcida no aeroporto, vi ele brilhar no penta da seleção e voltar para disputar a série B pelo meu time, recusando os milhões de euros oferecidos pelo Arsenal. E, infelizmente, vi Marcos agüentar firme por muitos anos num Palmeiras que sequer chega perto dos dias gloriosos. Por isso, posso me orgulhar de ter visto, além de um excepcional goleiro, um dos últimos representantes do futebol romântico – e será um prazer contar estas histórias para o meu filho no futuro. Marcos parou, Rogério deve parar em breve, e então o futebol terá perdido de vez suas últimas referências de uma época que eu sequer vivi, mas que posso imaginar o quanto era boa graças a estes dois.

Marcos ganhou tudo na carreira, mas sua principal conquista veio de fora dos gramados: poucos jogadores na história conseguiram ser tão respeitados e admirados pela imprensa e por todas as torcidas como ele foi.

Agradeço a São Marcos por cada defesa dentro de campo, mas, especialmente, por seu comportamento fora dele. Valeu Marcão! Você jamais será esquecido. Foi muito bom ter um jogador como você vestindo a camisa do meu time. Poucas torcidas podem se orgulhar assim!

De um palmeirense momentaneamente triste, mas eternamente grato.

MUITO OBRIGADO!

PS: Outros excelentes textos sobre a despedida do mito São Marcos nos blogs do PVC, Mauro Cezar, André Kfouri, Esporte Interativo, Clic+, Terra, Globo Esporte e até no site da FIFA. Veja também as notas oficiais nos sites de Corinthians e São Paulo.

Texto publicado em 11 de Janeiro de 2012 por Roberto Siqueira

Balanço de 2011

Pela terceira vez seguida, inicio o ano com um balanço do ano anterior e, pelo jeito, estou iniciando também uma tradição no Cinema & Debate. E fico extremamente feliz por apresentar resultados ainda melhores em 2011, num sinal muito positivo de que o site está conquistando seu espaço no concorrido mundo virtual e, principalmente, no coração de leitores tão especiais como vocês.

O último ano marcou um crescimento considerável no número de críticas divulgadas (86 em 2011 contra 72 em 2010), trouxe muitos novos leitores e interessantes debates e, finalmente, um aumento expressivo no número de acessos que representou mais do que o dobro dos acessos de 2010. Tudo isto é resultado de muita dedicação e trabalho (e aproveito para agradecer meus primos/amigos Amanda e Thiago pela ajuda em mais este ano), mas é também reflexo do interesse de vocês.

Nas semanas especiais, consegui atingir apenas metade do número que esperava, mas as seis semanas especiais me trouxeram enorme satisfação, especialmente a do mestre Hitchcock, que demandou muito tempo e estudo, mas teve um excelente resultado. Para quem não conseguiu acompanhar, as outras cinco semanas especiais foram: “Bons filmes de grandes diretores”, “Inovação”, “Disney”, “John Ford” e “Film Noir”. Entre as promessas que não cumpri está à semana especial “Neo-realismo italiano”, que será prioridade em 2012. Aliás, vocês não têm idéia da quantidade de idéias que tenho para as semanas especiais, mas infelizmente o tempo é escasso e não me permite colocar todas em prática.

Quanto aos filmes assistidos, novamente tenho a felicidade de anunciar que melhorei o meu desempenho do ano passado, o que significa que cada vez mais consigo equilibrar melhor o meu tempo entre trabalho, família, lazer e o site. Reforço novamente que só conto cada filme uma vez, mesmo que eu tenha assistido alguns por duas ou mais vezes durante o ano. Se em 2010 eu atingi a marca dos 144 filmes assistidos, neste ano este número subiu para 167 (a lista completa você pode conferir logo abaixo). Avancei apenas três anos na Videoteca (de 1992 a 1995), mas pretendo dar mais foco este ano e chegar pelo menos até o ano 2000. Em compensação, consegui me manter atualizado assistindo muitos filmes dos anos recentes, o que é sempre bom.

Mais uma vez, agradeço à minha esposa e ao meu filho pela paciência e companheirismo, aos meus amigos blogueiros e cinéfilos (especialmente aos citados Thi e Amanda e à nossa turma do curso de Maio de 2009 do Pablo Villaça, Achilles, Adriano, Alexandre, Augusto, Cecilia, Fernando, Jacqueline e Tiago), ao próprio Pablo Villaça por me dar o empurrão que faltava para criar o blog durante o curso e a você leitor, que faz deste espaço um local tão agradável e que me presenteia todos os dias com comentários tão inteligentes. Fico feliz ao ver que mesmo quando discordamos, o bom nível do debate se mantém, não é mesmo meus caros amigos Thiago, César e Francisco? ;). Aliás, eu adoraria citar o nome de cada um de vocês, mas como não posso correr o risco de esquecer alguém, deixo um enorme obrigado a todos!

Como afirmei no ano passado, este espaço existe para satisfazer a minha paixão pelo cinema e pela escrita, mas, principalmente, para compartilhar com você leitor o meu amor pela sétima arte. Vocês já fazem parte fundamental desta pequena história!

Mas agora chega de sentimentalismo (talvez seja o clima de fim de ano, não?) e vamos aos números oficiais do Cinema & Debate em 2011:

– 86 críticas divulgadas, sendo 40 na Videoteca do Beto e 46 nos Filmes em Geral.

– 9 Filmes Comentados transformados em crítica.

– 6 Semanas Especiais.

E finalmente, a lista dos 167 filmes assistidos em 2011 com a cotação no tradicional formado das estrelinhas:

127 HORAS ««««
A AGENDA SECRETA DO MEU NAMORADO «««««
A BELA E A FERA «««««
A DAMA E O VAGABUNDO «««««
A ÉTICA ««««
A FIRMA ««««
A FITA BRANCA ««««
A FRATERNIDADE É VERMELHA «««««
A IGUALDADE É BRANCA ««««
A LIBERDADE É AZUL «««««
A LISTA DE SCHINDLER «««««
A MARCA DA MALDADE «««««
A ORIGEM «««««
A REDE SOCIAL «««««
A REGRA DO JOGO «««««
ADAPTAÇÃO «««««
AEROPORTO ««««
ÁGUA PARA ELEFANTES «««
AMNÉSIA «««««
AMOR SEM FIM ««
ANTES DO AMANHECER «««««
ANTI-HERÓI AMERICANO «««««
APOLLO 13 ««««
AS INVASÕES BÁRBARAS «««««
AS LOUCURAS DE DICK E JANE «««
AS PONTES DE MADISON «««««
AS VINHAS DA IRA «««««
ASSASSINOS POR NATUREZA «««««
BAMBI ««««
BEE MOVIE ««
BICHO DE SETE CABEÇAS ««««
BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES «««««
BRAVURA INDÔMITA «««««
BRUNA SURFISTINHA «««
BUSCA FRENÉTICA ««««
CAÇA AS BRUXAS ««
CACHÉ «««««
CAMINHANDO NAS NUVENS «««
CAPITALISMO – UMA HISTÓRIA DE AMOR «««««
CASSINO ««««
CENTRAL DO BRASIL «««««
CHINATOWN «««««
CIDADE BAIXA ««««
CISNE NEGRO «««««
CLICK «««
CLOSER – PERTO DEMAIS «««««
CLOVERFIELD – MONSTRO ««««
COMER, REZAR, AMAR «««
COMO ERA VERDE MEU VALE «««
COMO TREINAR O SEU DRAGÃO ««««
CONTATOS DE 4º GRAU ««
CORAÇÃO VALENTE «««««
CORPO FECHADO ««««
CORTINA RASGADA «««
CURTINDO A VIDA ADOIDADO «««««
DEBI & LÓIDE – DOIS IDIOTAS EM APUROS «««««
DESPEDIDA EM LAS VEGAS «««««
DISQUE M PARA MATAR «««««
DISTRITO 9 «««««
DON JUAN DEMARCO ««««
DR. FANTÁSTICO «««««
DUMBO ««««
DURO DE MATAR «««««
DURO DE MATAR 2 ««««
EM NOME DO PAI ««««
ENTRE OS MUROS DA ESCOLA «««««
ENTREVISTA COM O VAMPIRO ««««
FANTASIA ««««
FEITIÇO DO TEMPO «««««
FESTIM DIABÓLICO «««««
FILADÉLFIA «««««
FORREST GUMP – O CONTADOR DE HISTÓRIAS «««««
FRENESI ««««
HARRY E SALLY: FEITOS UM PARA O OUTRO «««««
INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA «««««
INIMIGO DO ESTADO ««««
INTERLÚDIO «««««
INTRIGA INTERNACIONAL ««««
INVICTUS «««
JANELA INDISCRETA «««««
JURASSIC PARK – O PARQUE DOS DINOSSAUROS «««««
KALIFONIA ««««
KICK-ASS QUEBRANDO TUDO ««««
LAWRENCE DA ARÁBIA «««««
LOVE STORY «««
MARIA ANTONIETA ««
MAVERICK ««««
MEDO DA VERDADE «««««
MEIA-NOITE EM PARIS ««««
MISSÃO IMPOSSÍVEL: PROTOCOLO FANTASMA ««««
MONSTROS VS. ALIENÍGENAS «««
MOTHER – A BUSCA PELA VERDADE «««««
NEM QUE A VACA TUSSA «««
NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS «««««
NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA «««««
NOSSO LAR «««
O ALTO DA COMPADECIDA «««««
O CAMPEÃO «««
O CANTOR DE JAZZ ««««
O DISCURSO DO REI ««««
O ESCRITOR FANTASMA ««««
O EXPRESSO DA MEIA-NOITE ««««
O EXPRESSO POLAR ««««
O FALCÃO MALTÊS «««««
O GRANDE GOLPE ««««
O GRANDE LEBOWSKI «««««
O GRANDE TRUQUE «««««
O HOMEM ELEFANTE «««««
O HOMEM ERRADO ««««
O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA «««««
O HOMEM SEM FACE ««««
O HOMEM URSO «««««
O MENINO DO PIJAMA LISTRADO ««««
O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO «««
O NEVOEIRO ««««
O OPERÁRIO ««««
O PIANO ««««
O REI LEÃO «««««
O SEGREDO DOS SEUS OLHOS «««««
O SHOW NÃO PODE PARAR ««««
O TERCEIRO HOMEM «««««
O TÚMULO DOS VAGALUMES «««««
O VINGADOR DO FUTURO «««
OLDBOY «««««
OS DEZ MANDAMENTOS «««««
OS DUELISTAS ««««
OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE «««««
OS EXCÊNTRICOS TENENBAUMS «««««
OS IMPERDOÁVEIS «««««
OS MERCENÁRIOS ««
OS PÁSSAROS ««««
PACTO DE SANGUE «««««
PACTO SINISTRO «««
PERDAS E DANOS «««
PERFUME DE MULHER ««««
PERSÉPOLIS «««««
PETER PAN «««
PROMESSAS DE UM CARA DE PAU «««
PULP FICTION – TEMPO DE VIOLÊNCIA «««««
QUANTO MAIS QUENTE MELHOR «««««
QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL ««««
QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF? «««««
RASTROS DE ÓDIO «««««
REBECCA – A MULHER INESQUECÍVEL «««««
SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO «««««
SE BEBER, NÃO CASE «««
SE EU FOSSE VOCÊ «««
SENNA «««««
SUCKER PUNCH – MUNDO SURREAL «««
SUPERBAD – É HOJE «««««
SUPERMAN – O FILME (1978) ««««
SYNÉDOQUE, NOVA YORK «««««
TITÃS – A VIDA ATÉ PARECE UMA FESTA ««««
TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE «««««
TOPÁZIO ««
TRAMA MACABRA ««««
TROPA DE ELITE 2 «««««
ÚLTIMA PARADA 174 ««
UM BOM ANO «««
UM CORPO QUE CAI «««««
UM DIA DE FÚRIA ««««
UM MUNDO PERFEITO «««««
UM NOVO DESPERTAR «««
UM SONHO DE LIBERDADE «««««
VELOCIDADE MÁXIMA ««««
WYATT EARP «««
ZONA VERDE ««««

Um grande abraço, um enorme muito obrigado a todos vocês e um ótimo 2012 para todos nós!

PS: Como vocês sabem, alguns filmes citados na lista terão suas críticas divulgadas em breve.

Texto publicado em 01 de Janeiro de 2012 por Roberto Siqueira