Qual é o seu casal favorito no cinema?

Neste dia dos namorados, além de agradecer minha eterna namorada por me aguentar por tantos anos, quero propor um novo tema para debate. Desde o início, o cinema sempre se caracterizou pela capacidade de conquistar o coração de casais apaixonados através de histórias românticas com finais felizes ou trágicos. E dentre tantos casais marcantes, alguns certamente merecem destaque e tem um lugar reservado eternamente no coração dos cinéfilos.

Abaixo, relembrarei alguns dos casais que me marcaram, e já peço perdão de antemão por esquecer outros tão ou mais importantes, já que fazer listas não é mesmo o meu forte (neste campo, sugiro as listas maravilhosas da minha amiga Cecilia Barroso no “Cenas de Cinema”).

Em todo caso, vamos aos meus 20 casais favoritos “neste momento”:

Rett Butler e Scarlett O’Hara (“E o Vento Levou”, 1939)

Richard Blane e Ilsa Lund Laszlo (“Casablanca”, 1942)

Vagabundo e Dama (“A Dama e o Vagabundo”, 1955)

Romeu e Julieta (“Romeu e Julieta”, 1968)

Alvy Singer e Annie Hall (“Annie Hall”, 1977)

Etienne Navarre e Isabeau d’Anjou (“O Feitiço de Áquila”, 1985)

Johnny Castle e Frances ‘Baby’ (“Dirty Dancing – Ritmo Quente”, 1987)

Harry Burns e Sally Albright (“Harry & Sally – Feitos um para o outro”, 1989)

Sam Wheat e Molly Jensen (“Ghost – Do outro lado da vida”, 1990)

Edward Lewis e Vivian Ward (“Uma Linda Mulher”, 1990)

Fera e Bela (“A Bela e a Fera”, 1991)

Robin Hood e Lady Marian (“Robin Hood – O príncipe dos ladrões”, 1991)

Nick Curran e Catherine Tramell (“Instinto Selvagem”, 1992)

Mickey Knox e Mallory Knox (“Assassinos por Natureza”, 1994)

Robert Kincaid e Francesca Johnson (“As Pontes de Madison”, 1995)

Jack e Rose (“Titanic”, 1997)

Christian e Satine (“Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, 2001)

Jesse e Celine (“Antes do Amanhecer”, 1995; e “Antes do pôr-do-sol”, 2004)

Joel Barish e Clementine Kruczynski (“Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças”, 2004)

Henry Roth e Lucy Whitmore (“Como se fosse a primeira vez”, 2004)

Meu favorito? Gosto muito da relação silenciosa de Rick e Ilsa em Casablanca, adoro a paixão de Scarlett O’Hara e Rett Butler em “E o Vento Levou”, me emociono com os trágicos Romeu e Julieta (em diversas versões) e Jack e Rose em “Titanic”, sou fã dos perigosos Mickey e Mallory (e o que me preocupa é que minha esposa também é muito fã deles) e também sou fã das divertidas relações entre Harry e Sally e Alvy Singer e Annie Hall.

Mas, entre todos os casais que consigo recordar, meu favorito certamente é aquele formado por Jesse e Celine em “Antes do Amanhecer” e “Antes do pôr-do-sol”. Pelo realismo, pelo carisma, pelos diálogos inteligentes, pela magia de caminhar numa cidade europeia com uma pessoa especial (penso nos momentos que vivi com a Dri no velho continente) e por tantos outros motivos, eu escolho Jesse e Celine como o meu casal favorito.

E pra você? Qual o seu casal favorito no cinema?

Um abraço e bom debate.

 Texto publicado em 12 de Junho de 2012 por Roberto Siqueira

Cinema Paradiso (versão Disney)

O vídeo abaixo foi indicado pelo querido leitor Mateus. Espero que vocês gostem. Eu adorei.

Um abraço.

Texto publicado em 25 de Maio de 2012 por Roberto Siqueira

Videoteca do Beto: novas aquisições

A preguiça me impediu de divulgar as novidades da Videoteca nos últimos meses. O resultado? Tive um enorme trabalho para juntar todas as compras feitas depois da última divulgação. Mas o resultado está aí.

Primeiro, as novidades em DVD, com muitos filmes* que ganharão críticas em breve:

Fantasia (1940)* – Crítica já divulgada

Dumbo (1941)* – Crítica já divulgada

Bambi (1942)* – Crítica já divulgada

Alice no país das maravilhas (1951)*

Doutor Jivago (1965)*

Romeu e Julieta (1968)*

Karatê Kid – A Hora da Verdade (1984)*

Karatê Kid 2 – A Hora da Verdade Continua (1986)*

Wall Street – Poder e Cobiça (1987)*

Karatê Kid 3 – O Desafio Final (1989)*

Aladdin (1992)*

Pocahontas (1995)*

Fantasia 2000 (1999)

Hulk (2003)

O Dia depois de Amanhã (2004)

A Agenda Secreta do meu Namorado (2004)

O Galinho Chicken Little (2005)

O Senhor das Armas (2005)

Vicky Cristina Barcelona (2008)

Star Trek (2009)

Watchmen – O Filme (2009)

Como treinar o seu Dragão (2010)

Ilha do Medo (2010)

Toy Story 3 (2010) – Crítica já divulgada

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (2010)

Shrek

Shrek 2

Shrek 3

Shrek para Sempre

E agora, as novidades em Blu-ray, incluindo o fura-fila “Diário de um Adolescente”, que entra na frente de “Don Juan DeMarco” na seqüência da Videoteca (a crítica será divulgada já neste domingo):

O Rei Leão (1994)* – Crítica já divulgada

Um Sonho de Liberdade (1994)** – Crítica já divulgada na Videoteca

Diário de um Adolescente (1995)*

Oldboy (2003)

Avatar (2009)

Bastardos Inglórios (2009)

O Segredo dos seus Olhos (2009)

A Origem (2010) – Crítica já divulgada

A Rede Social (2010) – Crítica já divulgada

Bravura Indômita (2010) – Crítica já divulgada

Cisne Negro (2010) – Crítica já divulgada

*Como sempre, os filmes que chegaram depois de sua posição na ordem cronológica das críticas “Videoteca do Beto” serão assistidos e avaliados na medida do possível e serão encaixados na seqüência da Videoteca. Por exemplo, se a Videoteca estiver no filme #126 e eu divulgar em seguida a crítica do filme “Diário de um Adolescente”, este será o filme Videoteca do Beto #127.

Um abraço.

Texto publicado em 10 de Maio de 2012 por Roberto Siqueira

Quais filmes te fizeram chorar?

Aproveitando o relançamento do rei das lágrimas “Titanic”, agora em 3D – e meu momento melancólico provocado por motivos já expostos aqui –, compartilho com vocês 5 filmes nos quais não consegui conter as lágrimas (algo, aliás, que acontece com maior freqüência agora que sou pai). São eles:

[AVISO: não leia os comentários logo abaixo de cada título se não assistiu ao filme, pois contém spoilers]

AS PONTES DE MADISON (1995)

Só mesmo tendo um coração de pedra para não se comover ao ver a mão de Francesca naquela maçaneta.

CAMPO DOS SONHOS (1989)

Por um lado, sou um pai completamente apaixonado, por outro, um filho com ótimo relacionamento com meu pai. Portanto, fica fácil entender porque não consigo segurar as lágrimas ao ver Kevin Costner, com a voz embargada, dizer: “Hey dad, do you want to have a catch?”.

CORAÇÃO VALENTE (1995)

Não preciso dizer mais nada, está tudo neste texto. Foi a primeira vez que me senti impactado por uma obra na vida. Simples assim.

TOY STORY 3 (2010)

A nostálgica lembrança dos tempos de infância misturada à percepção de que um dia verei meu filho também deixar esta deliciosa fase da vida para trás me faz chorar até mesmo ao escrever este texto.

UM SONHO DE LIBERDADE (1994)

Nem mesmo depois de assistir dezenas de vezes à obra-prima da década de 90 consigo evitar a emoção ao ver o reencontro daqueles dois amigos verdadeiros. Poderoso!

Menção honrosa: “À Procura da Felicidade” (2006), obviamente, na cena do banheiro em que Smith distrai o filho contando histórias.

É claro que existem muitos outros, afinal, tornei-me um chorão de primeira nos últimos anos, mas estes são os primeiros filmes que me vieram à cabeça e certamente me marcaram bastante.

E você? Quais filmes foram capazes de te fazer chorar?

Compartilhe com a gente!

Um abraço e bom debate.

Texto publicado em 23 de Abril de 2012 por Roberto Siqueira

Michael Jackson e o homem sem face

No último sábado iniciei o dia assistindo ao bom “O Homem sem Face” ao lado da Dri, emendando em seguida o ótimo documentário “This is it”, que acompanha a preparação de Michael Jackson e sua equipe para aqueles que seriam seus últimos 50 espetáculos. Saímos para almoçar após a sessão dupla e eu comecei a viajar em algumas reflexões. No caminho, como de costume, conversei muito com a Dri e acabamos traçando um paralelo entre os dois filmes que acabáramos de assistir. E, no fim das contas, não é que eles têm tudo a ver?

[atenção, a partir de agora o texto contém spoilers de “O Homem sem Face”, de 1993]

Iniciemos pela óbvia correlação entre as acusações de pedofilia sofridas por Michael e pelo personagem de Mel Gibson. Ambas jamais foram comprovadas, mas eles foram condenados, não pela justiça, mas por grande parte da sociedade e do meio em que estavam inseridos (no caso de Michael, algo muito pior, já que ele era mundialmente conhecido). Jamais acreditei que Michael fosse capaz de tal atrocidade. Sempre o enxerguei como uma criança que nunca cresceu e que tinha enorme dificuldade para se relacionar com outras pessoas. Por isso, as inocentes crianças eram a companhia ideal para ele. Mas o rumor sempre existiu e isto é fato. Da mesma forma, o homem sem face encontrou na companhia sincera do jovem Charles a amizade ideal, já que as pessoas o abandonaram após o acidente que desfigurou seu rosto e lhe rendeu o nada carinhoso apelido de “monstro”.

A desfiguração facial, aliás, também gerou muitas críticas ao rei do pop, que mudou até mesmo o tom de pele por causa do vitiligo, provocando iradas críticas de diversas pessoas que o acusavam de renegar sua origem. E se o homem sem face está longe da genialidade de Michael, sua dedicação ao exercer a profissão que ama remete ao impressionante esforço do cantor durante os ensaios, trabalhando em cada detalhe da composição de seu espetáculo ao lado de sua equipe.

Mas talvez o ponto verdadeiramente comum não esteja nos dois homens citados, e sim na forma como nós olhamos para cada um deles (e para todos nós). E aí, vem à pergunta: por que o ser humano tem esta tendência maliciosa de julgar a partir da aparência, do exterior, daquilo que vemos e/ou ouvimos a respeito de uma pessoa? A maioria de nós jamais conviveu um dia sequer com um Michael Jackson, uma Amy Winehouse ou um Adriano da vida, mas todos nos sentimos capazes de julgar a situação deles, de emitir opiniões que chegam a ser ofensivas, como se estivéssemos falando de uma pessoa próxima. Qual o nosso direito de julgar a vida de alguém que mal conhecemos?

Chegando à parte final desta louca correlação que criei no último sábado (seria o excesso de cerveja? Não pode ser, tomei apenas duas no almoço!), tracei um paralelo entre o ídolo pop Michael Jackson e o então astro do cinema responsável pelo sensível “O homem sem face”: Mel Gibson. De homem respeitado em Hollywood nos anos 80/90 a uma párea social nos dias atuais, o carismático ator (e competente diretor) hoje raramente consegue arrumar trabalho, surgindo apenas em filmes de amigos (como ao lado de Jodie Foster) e em notícias sobre seus conturbados relacionamentos. Relegado ao esquecimento por causa de suas polêmicas declarações e confusões, Gibson imediatamente passou a ser visto como um ser humano desprezível e incapaz de regenerar-se (aliás, chega a ser irônica a passagem em que seu homem sem face cita um texto de Shakespeare defendendo a igualdade de direitos para os judeus, não?). Defendido pelo também outrora desprezado Robert Downey Jr., Gibson hoje está bem distante do homem poderoso de outros tempos, mas, apesar de suas declarações realmente condenáveis, será que este abandono completo é merecido? Ele não merece uma segunda chance?

Acho que fui longe demais, passei do astro pop para um personagem fictício e cheguei ao diretor do filme. Na verdade, nem sei se consegui deixar alguma mensagem neste texto. Mas o fato é que estes filmes me fizeram pensar em como o ser humano valoriza o exterior, em como julgamos com base nas aparências e mal conseguimos enxergar o que interessa. Pouco sabemos dos problemas das pessoas, não enxergamos o íntimo de cada um, mas nos sentimos preparadíssimos para destilar nosso veneno e condená-las na primeira oportunidade que aparece.

E se eu disser que encerrei meu fim de semana assistindo ao “Anjo Exterminador” de Buñuel, uma crítica feroz as máscaras sociais e à burguesia numa Espanha dominada por Franco? Melhor deixar pra lá…

Um abraço.

Texto publicado em 28 de Março de 2012 por Roberto Siqueira

Especial Oscar 2011

Estamos próximos do Oscar 2012 e para entrar de vez no clima da premiação, resolvi aproveitar a oportunidade para criar uma “quinzena especial” que foge dos padrões estabelecidos até agora. Mesmo sendo apenas resultado de uma votação política que não serve como atestado de qualidade para os filmes vencedores, os prêmios da Academia sempre chamam nossa atenção, seja por curiosidade ou apenas pela torcida por algum filme, ator ou diretor dos quais gostamos. Como alguns dos filmes que concorrerão ao prêmio principal neste ano sequer foram lançados no Brasil ainda, nesta quinzena especial resolvi recordar a premiação passada. Sendo assim, nas próximas duas semanas divulgarei críticas dos 10 filmes que concorreram ao prêmio de melhor filme em 2011, algo que, como vocês sabem, me obriga a quebrar algumas regras do Cinema & Debate:

1 – Escreverei sobre filmes recentes, algo que eu pretendia fazer apenas quando a Videoteca chegasse próxima dos últimos anos (hoje estou escrevendo sobre filmes de 1995).

2 – Divulgarei a crítica de “Toy Story 3” antes da crítica dos dois primeiros filmes, o que é incomum, mas não é inédito no site, já que escrevi sobre “Batman, o cavaleiro das trevas” antes de “Batman Begins” – importante deixar claro que, obviamente, eu assisti aos filmes anteriores.

3 – Escreverei sobre filmes que “fisicamente” já pertencem à Videoteca, mas que farão parte da contagem oficial apenas quando chegar à vez de 2011. Ou seja, ainda que eu já tenha em DVD ou Blu-ray alguns destes filmes, eles só farão parte oficialmente da Videoteca do Beto no futuro, quando eu chegar em 2010 – algo, aliás, que já acontece também com “Batman, o cavaleiro das trevas”.

Dito isto, vamos em frente. Entendo que esta é uma boa oportunidade para apresentar ao leitor os caminhos que o Cinema & Debate pretende seguir em breve, alternando entre críticas dos filmes do passado (uma característica marcante do site), filmes recentes e, em breve, também de lançamentos.

Espero que gostem das novidades!

Um grande abraço.

Texto publicado em 12 de Fevereiro de 2012 por Roberto Siqueira

Porque “Coração Valente” é o filme mais importante da minha vida

Escrever sobre “Coração Valente” não foi uma tarefa fácil. O impacto emocional que este filme teve na minha vida provocou um bloqueio criativo que se arrastou por semanas. Quando finalmente decidi escrever a crítica do filme, tive que me segurar em cada parágrafo para não misturar a análise técnica com os sentimentos que afloram todas as vezes que eu assisto ao épico de Mel Gibson. Mas porque tudo isto, você certamente está se perguntando?

Como escrevi na crítica de “Um Sonho de Liberdade”, “Coração Valente” é responsável, ao lado do longa de Frank Darabont, pela minha paixão pelo cinema. Venho de uma família apaixonada pela sétima arte e desde pequeno minha mãe e meus primos me ensinaram a amar o cinema, mas foi apenas entre 1995 e 1996, quando assisti a estes dois filmes pela primeira vez, que minha paixão se consolidou. Só que naquela época eu vivia um período difícil – algo que já expliquei quando falei da importância dos “Red Hot Chili Peppers” na minha vida. Como escrevi naquela oportunidade, eu sempre fui uma pessoa feliz, mas especialmente em 1996 eu vivia uma fase de questionamentos, que iam desde o meu futuro profissional até a minha vida pessoal, provocando uma verdadeira crise existencial que me levava constantemente à depressão e me fazia até mesmo a questionar a religião. Na escola, eu vivia um inferno astral, distante da maioria dos amigos que estudei nos sete anos anteriores e, pra piorar, numa classe opressora (eu era quieto e tinha poucos amigos, mas, por outro lado, eram amizades verdadeiras, que duram até hoje). Como resultado, pouco tempo depois eu parei de frequentar a igreja e mudei radicalmente, passando a viver na noite e fazer tudo que tinha vontade – e somente com o tempo encontrei o equilíbrio que julgo ser o ideal entre todas estas áreas da minha vida.

E o fator que me fez questionar tudo e lutar contra aquele inimigo silencioso que me sufocava tanto foi justamente o épico de Mel Gibson. Se “Um Sonho de Liberdade” consolidou de vez minha paixão pelo cinema, “Coração Valente” foi além e impactou diretamente em minha vida. Mas o que tem a ver um filme como “Coração Valente” e uma crise depressiva? Para mim a resposta é “tudo a ver”. Foi somente após acompanhar a saga daquele homem que lutou até o fim por um objetivo (no caso, a liberdade de seu povo) que eu passei a me questionar o que EU esperava da vida. Onde eu queria chegar? Quem eu realmente queria ser? Até então, eu vivia na inércia sem perceber, sendo levado por motivações que a sociedade determina (estudar, trabalhar, ir à igreja aos domingos), mas jamais havia questionado o que EU queria. Isto tudo era o que as pessoas esperavam de mim, mas o que eu mesmo esperava? O que eu realmente gostaria de estar fazendo? Ao ver William Wallace gritando “Liberdade”, o choque que sofri foi tão grande (e a cena foi feita para chocar mesmo) que ao chegar à cozinha da minha casa, sentei-me à mesa e fiquei olhando para o nada, perplexo, até ser interrompido algum tempo depois por minha mãe, que perguntou preocupada: “O que foi meu filho?”. Respondi: “Nada mãe, estou refletindo sobre o filme que assisti”. E ela falou: “É forte este “Coração Valente” né?”. “É sim”, respondi. E era mesmo. Chacoalhou meus pensamentos de uma forma que, meses depois, eu ainda estava sofrendo transformações por causa dele.

Curiosamente, os dois filmes que mudaram minha vida têm em comum o mesmo tema e, se considerarmos que eu também carrego eternamente na memória filmes como “Dança com Lobos” e “Na Natureza Selvagem”, podemos chegar a uma interessante conclusão. Não sou nenhum psicólogo, mas é óbvio que o tema “liberdade” realmente mexe comigo. E aqui não se trata de largar tudo para trás e morar num ônibus mágico ou numa reserva indígena, nem mesmo fugir de uma prisão ou lutar contra um império. Minha luta era interior, eu precisava encontrar meu caminho, precisava ser “livre” para buscar o que eu realmente queria. E foi isto que a saga de William Wallace me fez enxergar. Se a música dos Peppers me fez encontrar a alegria e energia que faltavam, “Coração Valente” me fez levantar da poltrona e lutar pelo que eu queria.

Por isso, durante anos considerei este como o melhor filme que eu já tinha assistido, num equívoco que misturava o impacto emocional que ele teve sobre mim com as qualidades artísticas do filme (que são muitas, mas não permitem comparações com obras-primas como “2001, uma odisseia no espaço” ou “O Poderoso Chefão”, por exemplo). Após criar o Cinema & Debate e assistir/rever muitos destes grandes clássicos, percebi imediatamente que “Coração Valente” já não era mais o melhor filme de todos os tempos pra mim, mas até hoje seu impacto continua o mesmo daquele dia memorável em que o assisti pela primeira vez.

Desde então, consegui encontrar o equilíbrio entre os diversos setores da minha vida. Hoje, graças a Deus, me sinto confortável espiritualmente, me sinto bem com meus amigos e família, me sinto realizado como pai e marido. Ou seja, sou uma pessoa feliz, longe de qualquer possibilidade de ter uma nova crise de depressão. E é bom deixar claro: se um dia eu estive perto disto, não foi por culpa de ninguém a não ser eu mesmo, que me acomodei e precisei de um choque para despertar.

Para mim, pouco importa quem é Mel Gibson fora das telas. Ele dirigiu o filme que mudou minha vida e isto é o suficiente para que eu o respeite como artista. Por tudo isto, “Coração Valente” pode não ser mais o melhor filme que eu já assisti, mas certamente ele continua sendo o filme mais importante da minha vida.

Texto publicado em 06 de Fevereiro de 2012 por Roberto Siqueira

Balanço de 2011

Pela terceira vez seguida, inicio o ano com um balanço do ano anterior e, pelo jeito, estou iniciando também uma tradição no Cinema & Debate. E fico extremamente feliz por apresentar resultados ainda melhores em 2011, num sinal muito positivo de que o site está conquistando seu espaço no concorrido mundo virtual e, principalmente, no coração de leitores tão especiais como vocês.

O último ano marcou um crescimento considerável no número de críticas divulgadas (86 em 2011 contra 72 em 2010), trouxe muitos novos leitores e interessantes debates e, finalmente, um aumento expressivo no número de acessos que representou mais do que o dobro dos acessos de 2010. Tudo isto é resultado de muita dedicação e trabalho (e aproveito para agradecer meus primos/amigos Amanda e Thiago pela ajuda em mais este ano), mas é também reflexo do interesse de vocês.

Nas semanas especiais, consegui atingir apenas metade do número que esperava, mas as seis semanas especiais me trouxeram enorme satisfação, especialmente a do mestre Hitchcock, que demandou muito tempo e estudo, mas teve um excelente resultado. Para quem não conseguiu acompanhar, as outras cinco semanas especiais foram: “Bons filmes de grandes diretores”, “Inovação”, “Disney”, “John Ford” e “Film Noir”. Entre as promessas que não cumpri está à semana especial “Neo-realismo italiano”, que será prioridade em 2012. Aliás, vocês não têm idéia da quantidade de idéias que tenho para as semanas especiais, mas infelizmente o tempo é escasso e não me permite colocar todas em prática.

Quanto aos filmes assistidos, novamente tenho a felicidade de anunciar que melhorei o meu desempenho do ano passado, o que significa que cada vez mais consigo equilibrar melhor o meu tempo entre trabalho, família, lazer e o site. Reforço novamente que só conto cada filme uma vez, mesmo que eu tenha assistido alguns por duas ou mais vezes durante o ano. Se em 2010 eu atingi a marca dos 144 filmes assistidos, neste ano este número subiu para 167 (a lista completa você pode conferir logo abaixo). Avancei apenas três anos na Videoteca (de 1992 a 1995), mas pretendo dar mais foco este ano e chegar pelo menos até o ano 2000. Em compensação, consegui me manter atualizado assistindo muitos filmes dos anos recentes, o que é sempre bom.

Mais uma vez, agradeço à minha esposa e ao meu filho pela paciência e companheirismo, aos meus amigos blogueiros e cinéfilos (especialmente aos citados Thi e Amanda e à nossa turma do curso de Maio de 2009 do Pablo Villaça, Achilles, Adriano, Alexandre, Augusto, Cecilia, Fernando, Jacqueline e Tiago), ao próprio Pablo Villaça por me dar o empurrão que faltava para criar o blog durante o curso e a você leitor, que faz deste espaço um local tão agradável e que me presenteia todos os dias com comentários tão inteligentes. Fico feliz ao ver que mesmo quando discordamos, o bom nível do debate se mantém, não é mesmo meus caros amigos Thiago, César e Francisco? ;). Aliás, eu adoraria citar o nome de cada um de vocês, mas como não posso correr o risco de esquecer alguém, deixo um enorme obrigado a todos!

Como afirmei no ano passado, este espaço existe para satisfazer a minha paixão pelo cinema e pela escrita, mas, principalmente, para compartilhar com você leitor o meu amor pela sétima arte. Vocês já fazem parte fundamental desta pequena história!

Mas agora chega de sentimentalismo (talvez seja o clima de fim de ano, não?) e vamos aos números oficiais do Cinema & Debate em 2011:

– 86 críticas divulgadas, sendo 40 na Videoteca do Beto e 46 nos Filmes em Geral.

– 9 Filmes Comentados transformados em crítica.

– 6 Semanas Especiais.

E finalmente, a lista dos 167 filmes assistidos em 2011 com a cotação no tradicional formado das estrelinhas:

127 HORAS ««««
A AGENDA SECRETA DO MEU NAMORADO «««««
A BELA E A FERA «««««
A DAMA E O VAGABUNDO «««««
A ÉTICA ««««
A FIRMA ««««
A FITA BRANCA ««««
A FRATERNIDADE É VERMELHA «««««
A IGUALDADE É BRANCA ««««
A LIBERDADE É AZUL «««««
A LISTA DE SCHINDLER «««««
A MARCA DA MALDADE «««««
A ORIGEM «««««
A REDE SOCIAL «««««
A REGRA DO JOGO «««««
ADAPTAÇÃO «««««
AEROPORTO ««««
ÁGUA PARA ELEFANTES «««
AMNÉSIA «««««
AMOR SEM FIM ««
ANTES DO AMANHECER «««««
ANTI-HERÓI AMERICANO «««««
APOLLO 13 ««««
AS INVASÕES BÁRBARAS «««««
AS LOUCURAS DE DICK E JANE «««
AS PONTES DE MADISON «««««
AS VINHAS DA IRA «««««
ASSASSINOS POR NATUREZA «««««
BAMBI ««««
BEE MOVIE ««
BICHO DE SETE CABEÇAS ««««
BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES «««««
BRAVURA INDÔMITA «««««
BRUNA SURFISTINHA «««
BUSCA FRENÉTICA ««««
CAÇA AS BRUXAS ««
CACHÉ «««««
CAMINHANDO NAS NUVENS «««
CAPITALISMO – UMA HISTÓRIA DE AMOR «««««
CASSINO ««««
CENTRAL DO BRASIL «««««
CHINATOWN «««««
CIDADE BAIXA ««««
CISNE NEGRO «««««
CLICK «««
CLOSER – PERTO DEMAIS «««««
CLOVERFIELD – MONSTRO ««««
COMER, REZAR, AMAR «««
COMO ERA VERDE MEU VALE «««
COMO TREINAR O SEU DRAGÃO ««««
CONTATOS DE 4º GRAU ««
CORAÇÃO VALENTE «««««
CORPO FECHADO ««««
CORTINA RASGADA «««
CURTINDO A VIDA ADOIDADO «««««
DEBI & LÓIDE – DOIS IDIOTAS EM APUROS «««««
DESPEDIDA EM LAS VEGAS «««««
DISQUE M PARA MATAR «««««
DISTRITO 9 «««««
DON JUAN DEMARCO ««««
DR. FANTÁSTICO «««««
DUMBO ««««
DURO DE MATAR «««««
DURO DE MATAR 2 ««««
EM NOME DO PAI ««««
ENTRE OS MUROS DA ESCOLA «««««
ENTREVISTA COM O VAMPIRO ««««
FANTASIA ««««
FEITIÇO DO TEMPO «««««
FESTIM DIABÓLICO «««««
FILADÉLFIA «««««
FORREST GUMP – O CONTADOR DE HISTÓRIAS «««««
FRENESI ««««
HARRY E SALLY: FEITOS UM PARA O OUTRO «««««
INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA «««««
INIMIGO DO ESTADO ««««
INTERLÚDIO «««««
INTRIGA INTERNACIONAL ««««
INVICTUS «««
JANELA INDISCRETA «««««
JURASSIC PARK – O PARQUE DOS DINOSSAUROS «««««
KALIFONIA ««««
KICK-ASS QUEBRANDO TUDO ««««
LAWRENCE DA ARÁBIA «««««
LOVE STORY «««
MARIA ANTONIETA ««
MAVERICK ««««
MEDO DA VERDADE «««««
MEIA-NOITE EM PARIS ««««
MISSÃO IMPOSSÍVEL: PROTOCOLO FANTASMA ««««
MONSTROS VS. ALIENÍGENAS «««
MOTHER – A BUSCA PELA VERDADE «««««
NEM QUE A VACA TUSSA «««
NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS «««««
NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA «««««
NOSSO LAR «««
O ALTO DA COMPADECIDA «««««
O CAMPEÃO «««
O CANTOR DE JAZZ ««««
O DISCURSO DO REI ««««
O ESCRITOR FANTASMA ««««
O EXPRESSO DA MEIA-NOITE ««««
O EXPRESSO POLAR ««««
O FALCÃO MALTÊS «««««
O GRANDE GOLPE ««««
O GRANDE LEBOWSKI «««««
O GRANDE TRUQUE «««««
O HOMEM ELEFANTE «««««
O HOMEM ERRADO ««««
O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA «««««
O HOMEM SEM FACE ««««
O HOMEM URSO «««««
O MENINO DO PIJAMA LISTRADO ««««
O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO «««
O NEVOEIRO ««««
O OPERÁRIO ««««
O PIANO ««««
O REI LEÃO «««««
O SEGREDO DOS SEUS OLHOS «««««
O SHOW NÃO PODE PARAR ««««
O TERCEIRO HOMEM «««««
O TÚMULO DOS VAGALUMES «««««
O VINGADOR DO FUTURO «««
OLDBOY «««««
OS DEZ MANDAMENTOS «««««
OS DUELISTAS ««««
OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE «««««
OS EXCÊNTRICOS TENENBAUMS «««««
OS IMPERDOÁVEIS «««««
OS MERCENÁRIOS ««
OS PÁSSAROS ««««
PACTO DE SANGUE «««««
PACTO SINISTRO «««
PERDAS E DANOS «««
PERFUME DE MULHER ««««
PERSÉPOLIS «««««
PETER PAN «««
PROMESSAS DE UM CARA DE PAU «««
PULP FICTION – TEMPO DE VIOLÊNCIA «««««
QUANTO MAIS QUENTE MELHOR «««««
QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL ««««
QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF? «««««
RASTROS DE ÓDIO «««««
REBECCA – A MULHER INESQUECÍVEL «««««
SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO «««««
SE BEBER, NÃO CASE «««
SE EU FOSSE VOCÊ «««
SENNA «««««
SUCKER PUNCH – MUNDO SURREAL «««
SUPERBAD – É HOJE «««««
SUPERMAN – O FILME (1978) ««««
SYNÉDOQUE, NOVA YORK «««««
TITÃS – A VIDA ATÉ PARECE UMA FESTA ««««
TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE «««««
TOPÁZIO ««
TRAMA MACABRA ««««
TROPA DE ELITE 2 «««««
ÚLTIMA PARADA 174 ««
UM BOM ANO «««
UM CORPO QUE CAI «««««
UM DIA DE FÚRIA ««««
UM MUNDO PERFEITO «««««
UM NOVO DESPERTAR «««
UM SONHO DE LIBERDADE «««««
VELOCIDADE MÁXIMA ««««
WYATT EARP «««
ZONA VERDE ««««

Um grande abraço, um enorme muito obrigado a todos vocês e um ótimo 2012 para todos nós!

PS: Como vocês sabem, alguns filmes citados na lista terão suas críticas divulgadas em breve.

Texto publicado em 01 de Janeiro de 2012 por Roberto Siqueira

A Nova Videoteca

Trabalhei muito pra isto. Planejei bastante também. E finalmente, minha videoteca tem um lugar à sua altura. Abaixo, vocês podem compartilhar a minha alegria e conhecer o novo local que adquiri para a minha coleção de filmes.

Como vocês, a nova Videoteca do Beto (clique na imagem para ampliar):

Um abraço.

Texto publicado em 13 de Dezembro de 2011 por Roberto Siqueira

Pacto de Sangue

Continuando a semana Film Noir, informo que transformei em crítica os comentários divulgados anteriormente sobre “Pacto de Sangue”. Para ler a crítica, basta clicar aqui.

Um abraço.

Texto publicado em 22 de Novembro de 2011 por Roberto Siqueira