PÂNICO (1996)

(Scream)

5 Estrelas 

Videoteca do Beto #145

Dirigido por Wes Craven.

Elenco: Neve Campbell, Courteney Cox, David Arquette, Drew Barrymore, Skeet Ulrich, Rose McGowan, Matthew Lillard, Liev Schreiber, W. Earl Brown, Linda Blair, Wes Craven e Jamie Kennedy.

Roteiro: Kevin Williamson.

Produção: Cathy Konrad e Cary Woods.

Pânico[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Extremamente populares nos anos 70 e 80, os slasher movies ganharam uma verdadeira legião de fãs em todo o mundo, notabilizando-se por narrativas simples que se baseavam na capacidade de assustar a plateia. Com o passar dos anos, no entanto, a repetição contínua de fórmulas repletas de clichês desgastou o gênero de tal maneira que os próprios realizadores passaram a adotar a autoparódia como forma de ainda lucrar com suas longínquas franquias. Entre os nomes de maior destaque daquele período estava Wes Craven, que escreveu e dirigiu “A Hora do Pesadelo” e, mesmo se recusando a participar das continuações, jamais abandonou o gênero que ajudou a consagrar. E foi justamente ele que, em 1996, ressuscitou os slasher movies através deste ótimo “Pânico”, que nos diverte e nos assusta com a mesma intensidade ao brincar com os mais batidos clichês do terror adolescente.

Escrito por Kevin Williamson, “Pânico” tem inicio quando um casal de jovens é assassinado numa pequena cidade dos EUA exatamente um ano após outro crime aterrorizar a cidade. As investigações levam a policia a desconfiar do Sr. Prescott, viúvo da mulher morta há um ano e que sumiu da cidade na noite do crime. Enquanto ele está fora, sua filha Sidney (Neve Campbell) passa a ser ameaçada com estranhos telefonemas, o que leva o diretor de sua escola a suspender as aulas, para a alegria de seus amigos Stuart (Matthew Lillard), Riley (Rose McGowan) e de seu namorado Billy (Skeet Ulrich). Toda a situação chama a atenção da repórter sensacionalista Gale Weathers (Courteney Cox), que, ao cobrir os acontecimentos, acaba se apaixonando pelo xerife Dwight (David Arquette).

Adotando um tom de paródia, o excelente roteiro de “Pânico” revisa os principais clichês do gênero (a moça virgem, as festas repletas de adolescentes bêbados, as casas enormes e solitárias, as atitudes estúpidas das vítimas, etc.), abusando da metalinguística para nos provocar o riso e quebrar a tensão que predomina a narrativa. Desta forma, não são poucas as referências visuais e menções aos clássicos do terror que fazem com que o espectador se identifique com o que vê, incluindo diversas piadas divertidas como quando Riley diz que só o primeiro “A Hora do Pesadelo” era bom ou quando Sidney diz que nestes filmes as moças peitudas sempre corriam para o quarto ao invés de saírem da casa, além do instante em que Riley diz que Sidney está falando como num filme de Wes Craven. Aliás, o próprio Craven surge vestido como Freddy Krueger em certo momento e até mesmo presença de Linda Blair, famosa por viver a garota Regan em “O Exorcista”, reforça este tom nostálgico.

Casas enormes e solitáriasVestido como Freddy KruegerPresença de Linda BlairContudo, ao mesmo tempo em que homenageia, Craven subverte o gênero que o consagrou, demonstrando todo seu talento na construção de uma narrativa tensa, capaz de prender nossa atenção constantemente através do ritmo ágil empregado pelo diretor em conjunto com seu montador de Patrick Lussier. Assim, se num instante estamos nos deliciando com as inúmeras referencias aos clichês dos saudosos slasher movies, no outro estamos tensos diante da possibilidade dos personagens sofrerem com as mesmas atitudes que eles condenam e, simultaneamente, ainda somos cativados pela sempre interessante busca da verdadeira identidade do assassino (o famoso “whodunit”). Abusando de movimentos rápidos de câmera que nos provocam certa desorientação, além de empregar em diversos momentos câmeras subjetivas que simulam o olhar do suposto assassino enquanto acompanhamos as vítimas distraídas, o diretor nos cativa desde os primeiros minutos de “Pânico”.

Inúmeras referencias aos clichêsMovimentos rápidos de câmeraCâmeras subjetivasO início do longa, aliás, é simplesmente eletrizante. Um toque de telefone nos apresenta à indefesa Casey Becker (Drew Barrymore) na cozinha de sua casa espelhada, localizada numa cidade pequena do interior dos EUA, e um diálogo intrigante sobre filmes de terror se inicia. Em poucos minutos, temos uma verdadeira convenção de elementos típicos dos slashers, com planos que destacam as facas de cozinha, o silencio sendo quebrado apenas pelos diálogos e pelo toque do telefone, a trilha sonora que repentinamente sobe o tom e nos assusta, além, é claro, do senso de isolamento já estabelecido pela misè-en-scene. Quando o misterioso homem do outro lado da linha mostra que a brincadeira é séria, o espectador se assusta tanto quanto a protagonista. Entretanto, o grande segredo do sucesso da cena está na escolha do elenco. Habituados a verem a estrela principal sobreviver, os espectadores sofrem um choque tremendo quando Drew Barrymore, a atriz mais conhecida de “Pânico” na época, é assassinada brutalmente antes dos 15 minutos de projeção. Ao matar sua estrela tão precocemente, Craven desarma a plateia, nos fazendo perder as referencias e temer por todos os personagens, já que, a partir deste instante, não sabemos mais o que esperar nem quem irá sobreviver (algo que não voltaria mais a acontecer na franquia, já que Neve Campbell se consolidou como a estrela de “Pânico”).

Indefesa Casey BeckerFacas de cozinhaAssassinada brutalmenteDesde então, o foco passa a ser Sidney Prescott, filha da mulher assassinada um ano antes e amiga de Casey. Escondendo sua determinação sob a aparência frágil, Neve Campbell compõe a personagem como a típica mocinha que se transforma em heroína, repleta de traumas e inseguranças, mas dona de uma força surpreendente nos momentos de perigo. Insegura depois do que aconteceu com sua mãe, ela passa a suspeitar do próprio namorado, e as atitudes dele na noite do crime de fato não colaboram em nada para limpar sua barra. Da mesma forma, o comportamento dos amigos dela na escola após o assassinato faz com que até mesmo o espectador levante suspeita sobre todos eles, o que só reforça a atmosfera de suspense. E se Matthew Lillard faz “Stu” parecer um maluco completo desde os primeiros minutos em cena, Skeet Ulrich nos confunde ao transitar entre o normal e o louco com seu Billy, o que, somado ao comportamento estranho de outros personagens como o cinéfilo Randy (Jamie Kennedy) e ao sumiço do pai de Sidney, também colabora para aumentar o número de suspeitos.

Aparência frágilStu, um maluco completoBillyFamosa por interpretar Mônica no ótimo seriado “Friends”, Courteney Cox assume aqui o papel da repórter chata e sem escrúpulos que fará qualquer coisa para conseguir uma boa reportagem, ainda que para isso precise passar por cima das pessoas que a cercam. Talentosa como é, a atriz consegue se sair muito bem, transformando Gale Weathers numa personagem irritante, é verdade, mas que se torna agradável ao demonstrar atração pelo atrapalhado xerife Dwight, interpretado por David Arquette (que se casaria com Cox três anos depois).

Repórter chataQualquer coisa para conseguir uma boa reportagemAtrapalhado xerife DwightBaseando-se no visual tradicional dos filmes voltados para o público adolescente, os figurinos de Cynthia Bergstrom apostam nas saias curtas e calças apertadas que realçam as pernas torneadas das garotas, ao passo em que os meninos usam camisas modernas (para a época). Da mesma forma, a fotografia de Mark Irwin emprega cores quentes nas sequências diurnas, criando um visual alegre que contrasta diretamente com o tom obscuro das cenas noturnas. Este contraste, por si só, já serve como alerta para os perigos que os personagens correm quando o sol se põe. Finalmente, o design de produção de Bruce Alan Miller se destaca na escolha das casas enormes e espelhadas que só aumentam a tensão na plateia, além é claro da icônica máscara que caracteriza o assassino, que se tornaria uma das marcas do gênero nos anos 90. Já a trilha sonora de Marco Beltrami também segue o padrão slasher ao ser usada constantemente para nos assustar através de subidas repentinas no tom, mas também emprega melodias sombrias em diversos momentos para sublinhar ainda mais o suspense. Apesar disso, existem momentos em que apenas o som diegético consegue nos assustar, como no início da tensa sequência em que Sidney é atacada no banheiro da escola, evidenciando o bom trabalho de design de som.

Saias curtasIcônica máscaraSidney é atacada no banheiroIntrigante até o ultimo instante, “Pânico” ainda nos presenteia com um terceiro ato simplesmente hipnótico, onde, com a ajuda de uma câmera deixada por Weathers num móvel, podemos acompanhar as ações de diversas maneiras diferentes enquanto a garotada, numa casa distante e numa noite sombria, se reúne para assistir filmes de terror. O cenário está montado para o massacre final. Assim, enquanto Randy repassa as três principais regras para sobreviver num filme de terror, acompanhamos Sidney perder a virgindade com Billy e, de acordo com a lógica do cinéfilo, se tornar uma vítima potencial do assassino. Os ataques começam e, como em todo o filme, nos vemos em meio a uma mistura de sensações, com medo do assassino e nos divertindo com as piadas que permeiam a noite (como quando Randy grita “atrás de você” para a televisão com o assassino em pé atrás dele). Em meio a um mar de reviravoltas e surpresas, somos apresentados “aos assassinos”, conhecemos suas motivações e, finalmente, chagamos a conclusão perfeita da narrativa com todos os buracos preenchidos com coerência.

Randy repassa as três principais regrasAtrás de vocêAssassinosDivertido e tenso na medida certa, “Pânico” representou um sopro de vida num gênero fadado ao esquecimento após décadas de sucesso e, o que é mais legal, permitiu a toda uma nova geração (na qual eu me incluo) ter o gostinho de comprar pipoca e se esconder no escuro do cinema enquanto somos aterrorizados por um bom slasher movie.

Pânico foto 2Texto publicado em 10 de Dezembro de 2012 por Roberto Siqueira

O EXORCISTA (1973)

(The Exorcist) 

5 Estrelas 

Videoteca do Beto #14

Dirigido por William Friedkin.

Elenco: Ellen Burstyn, Linda Blair, Jason Miller, Max Von Sydow, Lee J. Cobb, Kitty Winn, Jack MacGowran, William O’Malley, Barton Heyman, Peter Masterson, Gina Petrushka, Robert Symonds, Thomas Birmingham e Mercedes McCambridge (voz).

Roteiro: William Peter Blatty, baseado em livro de William Peter Blatty.

Produção: William Peter Blatty.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido o filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Para algumas pessoas – como eu – poucos temas são capazes de provocar medo como os relacionados aos espíritos. Por isso mesmo, confesso que dos filmes recentes de suspense que eu assisti, os que mais me agradaram tinham este tema em comum (“O Chamado” e “Os Outros”). Em “O Exorcista”, clássico dirigido por William Friedkin, este tema foi explorado com absoluta competência, provocando um frio na espinha da maioria dos espectadores e criando um festival de imagens que são capazes de atormentar a mais incrédula das pessoas.

A atriz Chris MacNeil (Ellen Burstyn) começa a perceber gradativamente que sua pequena filha Regan MacNeil (Linda Blair) está tendo um comportamento bastante estranho. Após frustradas tentativas de curar a garota procurando a ajuda de médicos, psiquiatras e até mesmo através da hipnose, ela se rende à ajuda do padre Karras (Jason Miller), que chega à conclusão de que a menina está possuída pelo demônio e precisa de um ritual que já não é mais utilizado nos dias de hoje, chamado exorcismo.

Friedkin inicia o filme mostrando o cotidiano do experiente Padre Merrin (Max Von Sydow), que está fazendo escavações no Iraque. Durante estas escavações, Merrin acaba se encontrando com uma estátua macabra no alto de um monte. O plano final desta seqüência no Iraque, com o pôr-do-sol avermelhado, remete ao inferno. Em seguida, o diretor nos ambienta profundamente no relacionamento entre Chris e Regan, mostrando imagens das duas brincando e conversando na cama (neste plano vemos o rosto de Regan em close, o que dá a exata noção do contraste quando ela está possuída). Desta forma, ele cria empatia entre o espectador e aquela família, o que aumenta ainda mais o drama quando Regan começa a dar sinais de mudança em seu comportamento. O diretor também é inteligente ao nos situar nos problemas da família, como no plano em que Chris tenta falar com o pai de Regan e discute com a operadora de telefone. A câmera lentamente se afasta até mostrar Regan ouvindo a conversa escondida. A falta do pai seria utilizada como justificativa posteriormente para a mudança de comportamento da garota. Além disso, lentamente Friedkin vai introduzindo elementos que nos mostram sinais do que aconteceria depois, como a cama balançando freneticamente, a reação de Regan nos exames e os palavrões que a garota começa a falar. Finalmente, somos apresentados ao sofrimento do Padre Karras ao ver sua mãe doente, que também terá reflexo no restante da narrativa.

Vale dizer que todo este cuidadoso primeiro ato é mérito também do excelente roteiro de William Peter Blatty (baseado em livro do próprio Blatty). O roteiro desenvolve muito bem os personagens e seus dramas familiares, o que colabora com o nosso envolvimento no filme. É também corajoso ao trabalhar muito bem questões delicadas como a vida pessoal dos padres, normalmente vistos como pessoas acima do bem e do mal, mas que são seres humanos normais, que têm defeitos, medos e enfrentam problemas pessoais como qualquer um. Observe, por exemplo, este trecho de uma das conversas entre Chris e Karras: (Chris: “Padres sabem guardar segredo?” / Karras: “Depende.” / Chris: “Do que?” / Karras: “Do Padre.”). Não é por ser padre que uma pessoa é ou não é confiável, isto depende exclusivamente da pessoa. Blatty conseguiu ainda ilustrar de forma correta o conflito comum entre a medicina e a religião, através do ceticismo dos médicos no início do tratamento da garota. Finalmente, o filme jamais abre espaço para o humor, o que soaria falso e deslocado, a não ser pela repetição da piada sobre o filme que está passando no cinema no final do filme, já quando o espectador está mais relaxado.

Também colabora sensivelmente para o sucesso do longa o talentoso elenco dirigido por Friedkin. Ellen Burstyn e Linda Blair mostram uma boa química no início, o que serve até como comparação para a incrível transformação que ambas sofrerão durante o restante do filme. Regan, sempre sorridente, e Chris, sempre carinhosa, vão lentamente se transformando em pessoas completamente diferentes por razões distintas. Burstyn é extremamente competente, por exemplo, ao demonstrar sua comoção com a notícia da morte de Burke, chorando escandalosamente e com as mãos trêmulas. Seu desespero para tentar curar a filha é tocante, apelando para toda e qualquer ajuda vinda dos médicos, psiquiatras ou até mesmo de um especialista em hipnose. Observe sua reação ao ouvir a sugestão de um médico para procurar o exorcismo (e aqui ele dá uma explicação técnica para o sucesso do ritual, mostrando novamente que a medicina não tolera a explicação religiosa). Ela olha assustada para todos na mesa, mudando o foco do olhar da direita para a esquerda e vice-versa, tentando entender o que era aquilo. Finalmente, Burstyn completa sua transformação na cena em que expõe todo seu sofrimento ao gritar para o padre Karras que ela reconheceria sua filha de qualquer jeito (“Aquela coisa lá em cima não é minha filha!”). A atriz é muito competente na transmissão da dor e do desespero de Chris. Da mesma forma, Linda Blair também merece destaque pela excelente performance como Regan MacNeil. Inicialmente meiga e apegada à mãe, a garota lentamente se transforma num verdadeiro monstro, e o desempenho de Blair cresce consideravelmente quando está possuída. Aterrorizante, o resultado final de sua transformação é mérito também da excelente maquiagem e dos sensacionais efeitos sonoros, como podemos observar na primeira vez que a garota fala com a voz alterada. Jason Miller consegue transmitir muito bem o drama vivido pelo Padre Karras, que tem uma vida extremamente complicada. Localizada em um bairro pobre (as ruas pichadas e cheias de lixo mostram o bom trabalho de Direção de Arte), a velha e desorganizada casa reflete seu estado psicológico, seriamente afetado pela doença de sua mãe. A relação com a mãe, aliás, é algo muito importante para Karras. Talvez pelo fato de não ser casado, ela se tornou sua única companheira. Um dos seus bons momentos acontece quando Chris fala sobre exorcismo e ele pergunta espantado: “Como é?”. Completando o elenco principal, Max Von Sydow oferece uma ótima atuação como o experiente Padre Merrin, que encontra o seu destino no quarto de Regan e reforça o primeiro ato do filme, dando um peso maior à forte cena do exorcismo. Sydow é extremamente competente na criação do clima perfeito para o ritual, transmitindo ao espectador o perigo que aquilo representa, por exemplo, quando está rezando no banheiro.

Além do talentoso elenco, “O Exorcista” conta ainda com um apurado trabalho técnico que aumenta ainda mais o clima de suspense. Observe como a fotografia (Direção de Owen Roizman e Billy Williams) começa a escurecer na medida em que Regan começa a dar sinais de estar possuída. Com o passar do tempo, a fotografia se torna ainda mais sombria, ajudada também pela paleta granulada que torna a imagem menos nítida. Friedkin aumenta a sensação de horror ao jogar imagens demoníacas que piscam rapidamente na tela. O ótimo trabalho de som também colabora para criar o clima perfeito, como na cena em que podemos ouvir os barulhos no sótão da casa de Regan. O som ajuda também nos sustos causados na platéia, como na cena em que Chris investiga a origem dos barulhos na casa, além de funcionar perfeitamente nas cenas em que Regan está possuída.

Ao contrário de filmes como “Tubarão”, onde o suspense é muito mais psicológico, “O Exorcista” aposta no visual para causar medo no espectador. De maneiras diferentes, os dois filmes conseguem sucesso. Quando Regan desce as escadas no meio de uma festa, diz uma frase macabra e faz xixi no chão, o espectador percebe o nível das assustadoras cenas que vai presenciar. E a coleção de cenas aterrorizantes é enorme. Regan vira a cabeça completamente para trás, desce a escada de costas com as mãos e os pés apoiados nos degraus (na famosa cena conhecida como a “menina-aranha”), agride sua própria genital com um crucifixo dizendo palavras obscenas, levita sobre a cama e move objetos para tentar agredir quem entra em seu quarto, entre outras cenas impressionantes.

Assustador e repleto de imagens chocantes, “O Exorcista” faz ainda um excelente estudo sobre a perda da fé. Observamos pessoas completamente diferentes e que enxergam a fé de formas ainda mais distantes, alterarem suas vidas após serem atingidos por tragédias particulares. O Padre Karras, completamente modificado após a perda da mãe, enxerga no drama de Chris a possibilidade de se reencontrar com sua fé. Chris, que segundo ela mesma não tem religião, se entrega à fé para tentar salvar sua pequena filha. E o Padre Merrin, mesmo com toda sua experiência na vida religiosa, tem sua fé realmente testada dentro do quarto de Regan.

Extremamente visual sem se descuidar de seu conteúdo, “O Exorcista” é um filme aterrorizante, com imagens fortes e boas atuações. Seu roteiro coeso aborda a complicada possessão da garota de forma lenta, elevando a tensão a níveis extremos de maneira inteligente. Acredite ou não em espíritos ou demônios e, independente de qual seja a sua fé, o espectador jamais sai indiferente ao filme. Goste ou não, é impossível não respeitar a qualidade do trabalho realizado e o resultado alcançado.

Texto publicado em 15 de Outubro de 2009 por Roberto Siqueira