007 UM NOVO DIA PARA MORRER (2002)

(Die Another Day)

2 Estrelas 

Filmes em Geral #121

Dirigido por Lee Tamahori.

Elenco: Pierce Brosnan, Halle Berry, Toby Stephens, Rosamund Pike, Rick Yune, Judi Dench, John Cleese, Michael Madsen, Will Yun Lee, Kenneth Tsang, Emilio Echevarría, Colin Salmon, Samantha Bond e Madonna.

Roteiro: Neal Purvis e Robert Wade, baseado em personagens criados por Ian Fleming.

Produção: Michael G. Wilson e Barbara Broccoli.

007 Um Novo dia para morrer[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Após um início promissor que teve seu auge no ótimo “007 O Amanhã nunca morre”, Pierce Brosnan viu sua trajetória como James Bond chegar ao fundo do poço neste indefensável “007 Um Novo dia para morrer”, longa dirigido por Lee Tamahori que, por muito pouco, não decretou o fim da franquia no cinema. Repleto de personagens absurdos e cenas pavorosamente mal elaboradas em CGI, o filme torna difícil à tarefa de apontar seus melhores momentos – e se o mais marcante deles é uma homenagem a outro filme da própria franquia é porque a falta de criatividade de seus realizadores extrapolou os limites.

Escrito por Neal Purvis e Robert Wade com base nos já clássicos personagens de Ian Fleming, “007 Um Novo dia para morrer” começa com James Bond (Pierce Brosnan) sendo capturado numa missão na Coréia do Norte na qual deveria assassinar o general Moon (Kenneth Tsang), mas acaba mesmo é testemunhando o suicídio do filho do coreano. Após passar 14 meses na prisão, o governo britânico resolve trocar Bond por um perigoso terrorista internacional conhecido como Zao (Rick Yune). No entanto, o MI-6 desconfia que ele revelou informações importantes nos tempos de cativeiro e acaba desligando-o de suas funções. Decidido a provar sua inocência, o agente parte em busca do terrorista, o que o faz cruzar o caminho do excêntrico milionário Gustav Graves (Toby Stephens).

Repleta de alfinetadas políticas interessantes, a tensa sequência de abertura que se divide entre as ações na Coréia do Norte e no comando do MI-6 acaba nos dando a falsa esperança de que “007 Um Novo dia para morrer” será mais um ótimo filme da franquia. Ainda que seja recheada por exageradas explosões e pirotecnias (uma característica da época), esta sequência funciona muito bem e fisga o espectador rapidamente para a trama. O problema é que, a partir daí, o roteiro não sabe exatamente para onde ir, criando situações potencialmente interessantes para, em seguida, não conseguir desenvolvê-las. O conflito entre Bond e M, por exemplo, não funciona tão bem quanto em filmes anteriores, chegando a parecer bobo e sem sentido inicialmente por surgir tão carregado dramaticamente.

Por outro lado, o roteiro acerta ao inserir momentos de bom humor como quando a pessoa que avalia o estado físico de Bond após o resgate afirma que “o fígado não está muito bem, definitivamente é ele”. No entanto, estes momentos não salvam uma narrativa mal conduzida e que sequer consegue desenvolver bem seus personagens. Não que a franquia 007 seja marcada pela presença de personagens complexos, mas ao menos os melhores filmes tinham narrativas envolventes e criativas. Pra piorar, o diretor Lee Tamahori investe em reviravoltas extremamente previsíveis, como a revelação de que Graves é o filho do general Moon e a traição de Miranda Frost, a agente secreta interpretada por Rosamund Pike que não consegue esconder o fascínio dela pelo milionário.

O próprio Gustav Graves de Toby Stephens é um personagem totalmente unidimensional, demonstrando sua inquietação diante da primeira provocação de Bond e escancarando seu passado, sendo capaz ainda de assassinar o próprio pai e sorrir em seguida, numa das composições mais caricatas de uma franquia já marcada por vilões caricatos. E enquanto Judi Dench tenta conferir algum peso ao raso conflito que tem com Bond, John Cleese confirma que poderia ser um ótimo substituto para Desmond Llewelyn na pele de Q. Finalmente, Halle Berry até que se sai bem nas sequências que exigem esforço físico, tendo ainda o privilégio de estar numa das raras cenas memoráveis do longa ao sair da água da mesma maneira que Ursula Andress havia feito na icônica cena de “007 Contra o Satânico Dr. No”, que aqui claramente é homenageada.

Traição de Miranda FrostGustav Graves unidimensionalRaso conflitoMais a vontade no papel, Pierce Brosnan poderia ter oferecido uma boa atuação caso o roteiro lhe permitisse, mas infelizmente é sabotado por uma trama confusa e, principalmente, por cenas de ação totalmente prejudicadas pelo mau uso do CGI – voltaremos a elas em instantes. Não que a parte técnica de “007 Um Novo dia para morrer” seja um desastre completo, já que a fotografia de David Tattersall, por exemplo, faz um interessante trabalho ao estabelecer claramente a atmosfera de cada ambiente através do visual acinzentado na Coréia do Norte, da fotografia árida que predomina a sequência cubana e da paleta gélida na Islândia. Por sua vez, o design de produção do bom Peter Lamont cria interessantes cenários de gelo na Islândia, ao passo que os figurinos de Lindy Hemming mantêm o padrão da série com roupas elegantes para Bond e, neste caso, também para os vilões.

Já a trilha sonora de David Arnold não consegue chamar a atenção, mas é claramente prejudicada por utilizar variações da música tema de Madonna. Eu gosto de muitas músicas da Madonna, que curiosamente tem uma rápida participação como a professora de esgrima Verity, mas “Die Another Day” está bem longe de ser uma boa música. Ao menos, Arnold consegue compor trilhas instrumentais interessantes para embalar as cenas de ação.

No entanto, a feroz luta de espadas entre Bond e Graves é uma das raras cenas empolgantes de “007 Um Novo dia para morrer”, já que o diretor Lee Tamahori perde a mão na condução da narrativa, especialmente no segundo ato em que o ritmo arrastado imprimido pelos montadores Andrew MacRitchie e Christian Wagner não consegue envolver o espectador, falhando ainda, por exemplo, ao abusar do uso da câmera lenta em diversos momentos, tirando a agilidade das cenas sem ter qualquer ganho estilístico significativo com isto.

Paleta gélida na IslândiaBond surfa numa avalancheAvião pega fogoMas todos estes erros não se comparam ao grotesco uso do CGI que torna as pavorosas sequências em que Bond surfa numa avalanche e aquela na qual um avião pega fogo no ato final ainda mais artificiais, como se a decisão de colocar o agente surfando num fenômeno cataclísmico como aquele não fosse suficiente para arruinar a narrativa – OK, concordo que Bond já fez de quase tudo nesta vida, mas exagero tem limite. Pra piorar, o diretor emprega movimentos bruscos que tornam a citada cena do avião ainda mais confusa, chegando a provocar náuseas no espectador mais sensível. Ao menos, algumas ideias mirabolantes funcionam bem, como o carro invisível que, ironicamente, apoia-se em bons efeitos visuais para tornar-se verossímil – o que não ocorre nas citadas cenas que abusam do CGI. E finalmente, a sequência em que Moneypenny (Samantha Bond) imagina um encontro romântico com Bond é divertida, apesar de ser bem previsível.

A imaginação, aliás, é o problema central de “007 Um Novo dia para morrer”. Enquanto algumas cenas de ação pecam justamente pelo excesso, outras surgem pouco inspiradas, o que, somado aos personagens mal desenvolvidos e a preguiçosa condução da narrativa, fazem deste o pior filme da franquia até hoje. Foram necessários quatro anos e um reboot da série para amenizar o estrago feito pelo filme de Lee Tamahori.

007 Um Novo dia para morrer foto 2Texto publicado em 06 de Junho de 2014 por Roberto Siqueira

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THE DOORS (1991)

(The Doors)

3 Estrelas 

Filmes em Geral #108

Dirigido por Oliver Stone.

Elenco: Val Kilmer, Meg Ryan, Kyle MacLachlan, Frank Whaley, Kevin Dillon, Kathleen Quinlan, Michael Wincott, Michael Madsen, Billy Idol, Sean Stone, Wes Studi, Kelly Hu, Mimi Rogers, Jennifer Rubin e Crispin Glover.

Roteiro: Randall Jahnson e Oliver Stone.

Produção: Bill Graham, Sasha Harari e A. Kitman Ho.

The Doors[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Dizem que Val Kilmer precisou de alguns meses para se recuperar psicologicamente após viver o lendário Jim Morrison neste interessante “The Doors”, biografia de um dos maiores frontman da história do rock dirigida pelo polêmico e competente Oliver Stone. Verdade ou não, o fato é que o ator se entregou de corpo e alma numa atuação de encher os olhos, que salta da tela e faz os fãs vibrarem enquanto acompanham a trajetória do ídolo sendo retratada na telona. No entanto, Stone não ousou ir além e entregou um filme que retrata Morrison apenas sob este prisma de ídolo, sem jamais se aprofundar na pessoa existente debaixo daquela capa. O resultado é um filme que agrada em cheio aos fãs de The Doors (como eu), mas que deixa a sensação de que faltou alguma coisa para aqueles que estavam interessados em conhecer um pouco mais do ícone (também como eu).

Trazendo a básica trajetória de ascensão e decadência de um astro do rock, o roteiro de Randall Jahnson e do próprio Oliver Stone narra a vida de Jim Morrison (Val Kilmer) desde a criação da lendária banda The Doors ao lado de Ray Manzarek (Kyle MacLachlan), Robby Krieger (Frank Whaley) e John Densmore (Kevin Dillon), passando pelo enorme sucesso, pelo relacionamento com Pamela Courson (Meg Ryan), pelo uso compulsivo de drogas e álcool e chegando a decadência que levaria o vocalista a morte precoce ainda aos 27 anos de idade.

O tom escolhido por Stone para levar a trajetória da banda às telonas fica evidente logo no início, quando o vocalista pergunta para a plateia se “estão todos aí”, como na abertura de um show. A partir de então, o que temos é um verdadeiro presente para os fãs que, justamente por se preocupar demais em agradá-los, acaba pecando um pouco pela falta de ousadia.

Tecnicamente, “The Doors” tem muitos acertos. A reconstituição dos anos 60, por exemplo, é excelente, graças aos carros antigos, a decoração dos bares e casas de show e as roupas e acessórios típicos da época como os óculos coloridos e as bandanas, o que é mérito do design de produção de Barbara Ling e dos figurinos de Marlene Stewart. Além disso, a câmera inquieta do diretor passeia pelas festas e apresentações com destreza, ilustrando a euforia das pessoas naqueles ambientes. Aliás, o grande mérito da direção de Stone é justamente captar o espírito livre da época e a energia dos shows da banda com incrível precisão, o que é ótimo para sugar o espectador pra dentro da narrativa.

Para isto, o diretor conta também com a ágil montagem de David Brenner e Joe Hutshing, que reflete a personalidade agitada do vocalista, mas peca pelo excesso ao prolongar demais a narrativa em certos momentos, tornando o filme um pouco arrastado e cansativo por alguns instantes. Ainda assim, os montadores merecem elogios por criarem transições elegantes como aquela em que saímos do olho do índio que atormenta Morrison para vê-lo cantando The End ao vivo em Los Angeles. E por falar nos shows, vale citar também o ótimo design de som, que cria a atmosfera perfeita nos permitindo ouvir com clareza os gritos da plateia, as conversas entre a banda e cada instrumento que é tocado no palco.

Como era de se esperar, a trilha sonora obviamente é deliciosa, recheada de clássicos da banda que nos fazem vibrar na poltrona durante a projeção. E não podemos negar que é muito empolgante acompanhar o processo de criação de clássicos eternos do rock como Light my Fire, assim como é muito interessante a maneira como Stone usa a câmera para nos colocar dentro das viagens de ácido deles, como na sequência do deserto, na qual sentimos as mesmas sensações alucinógenas dos integrantes do The Doors. O banquete para os fãs se complementa com as confusões no palco, as prisões por relatar um ataque da polícia e por insinuar mostrar a genitália em um show, as brigas de Morrison com Pam e com a banda e o uso abusivo de drogas e álcool. Neste sentido, não temos do que reclamar, está tudo lá. Até mesmo a origem do nome da banda é explicada, para o deleite dos fãs.

Decoração dos baresViagens de ácidoConfusões no palcoEsta abordagem respeitosa ao ícone se confirma através do visual do longa. Observe como a fotografia de Robert Richardson abusa de tons dourados que destacam cores como amarelo e laranja, realçando a imagem icônica do personagem – algo ainda mais intenso quando Stone emprega planos em ângulo baixo e contra a luz que buscam engrandecê-lo na tela, criando esta aura de ídolo tão desejada pelo diretor. Em outros momentos, Richardson abusa dos tons em vermelho, realçando a aura pecaminosa que normalmente é associada ao rock, especialmente quando acompanhamos os abusos do vocalista. Mas esta abordagem excessivamente respeitosa é também prejudicial (voltaremos a ela em instantes).

Entretanto, o grande destaque do longa é mesmo a atuação visceral de Val Kilmer. Caracterizado com enorme competência, o ator lembra bastante o verdadeiro Jim Morrison em vários momentos através do cabelo, das calças apertadas e de acessórios como os óculos pequenos e arredondados. Mas a força de sua atuação está mais na atitude do que na aparência, já que Kilmer encarna Morrison com muita intensidade, mostrando força no palco (o que é essencial, já que é justamente sua performance hipnótica no palco chama a atenção de uma gravadora e dá início ao sucesso avassalador da banda) e um comportamento excêntrico fora dele, causado pelo excesso de uso de drogas e álcool.

Ousado e criativo, Jim Morrison é uma verdadeira força da natureza, capaz de escrever a mais bela poesia e de estragar um almoço entre amigos com a mesma facilidade, num comportamento imprevisível que Kilmer demonstra muito bem em momentos interessantes como uma entrevista para a imprensa britânica, que evidencia a dualidade de sua mente genial e conturbada. Traumatizado por lembranças da infância que inspiraram a criação da canção Riders on the Storm, Morrison precisa se sentir admirado, como fica evidente nas noites de sexo com Patricia e Pam, mas a origem de seu trauma jamais fica muito clara, o que nos permite interpretar que aqueles índios eram apenas um símbolo dos demônios internos dele.

Vivendo ao seu lado, a carismática Meg Ryan compõe uma Pam alegre e espirituosa, mas que nem por isso deixa de ter suas crises provocadas pelos excessos da vida do casal – que, aliás, são responsáveis pelas brigas homéricas entre eles. Também obrigados a aguentar os excessos de seu frontman, os outros integrantes da banda são interpretados de maneira discreta por MacLachlan, Whaley e Dillon, enquanto Kathleen Quinlan se encarrega de dar vida à jornalista Patricia Kennealy, que rouba a atenção de Morrison por um período, e Michael Madsen diverte-se na pele do amigo do vocalista Tom Baker. Mas o fato é que todos empalidecem diante da presença marcante de Kilmer. Finalmente, vale citar a participação rápida do diretor Oliver Sonte como o professor de cinema da UCLA.

Tons douradosPerformance hipnóticaPam alegre e espirituosaAstro decadente e incapaz de enxergar isto, Jim Morrison para um show para ofender o público, cria o caos ao incitar a plateia contra a polícia e quase é preso novamente, mas ao começar um dos grandes hits da banda, a velha energia está lá, intacta, como acontece com as grandes bandas da história do rock – e Stone capta isto com precisão com sua câmera agitada que nos coloca no meio da multidão que pula ensandecida acompanhando Morrison pelo local. Neste terceiro ato, aliás, é impressionante notar também a transformação física de Val Kilmer, que passa do astro jovem e magro do início para o barrigudo e decadente vocalista do ato final.

Artista de alto nível, Jim Morrison foi um verdadeiro gênio, um dos grandes nomes da história da música, assim como o “The Doors” foi uma das bandas mais respeitáveis do rock, com sua discografia repleta de canções excepcionais. Mas isto todos nós já sabemos. A pergunta que fica ao final de “The Doors” é: e o homem? Quem foi verdadeiramente Jim Morrison? Quais eram seus anseios, suas angústias, suas dúvidas? As respostas que temos após mais de duas horas de projeção são muito poucas, o que deixa a sensação de que o longa foi dirigido por um fã, que não ousou desconstruir o mito e investigar a fundo o lado falho e humano do quase intocável ídolo do rock.

Mesmo assim, sua energia e a sensacional atuação de Val Kilmer são suficientes para agradar. Mas poderíamos ter recebido algo mais. E esta é uma sensação que nós jamais temos ao ouvir as músicas da banda e que, certamente, as pessoas jamais sentiam ao comparecer aos shows deles. Morrison e seus companheiros entregavam tudo no palco. Infelizmente, Stone não fez o mesmo.

The Doors foto 2Texto publicado em 10 de Setembro de 2013 por Roberto Siqueira

WYATT EARP (1994)

(Wyatt Earp)

 

Videoteca do Beto #109

Dirigido por Lawrence Kasdan.

Elenco: Kevin Costner, Dennis Quaid, Gene Hackman, Michael Madsen, Bill Pullman, Isabella Rossellini, Tom Sizemore, James Caviezel, Téa Leoni, David Andrews, Linden Ashby, Jeff Fahey, Joanna Going, Catherine O’Hara, JoBeth Williams, Mare Winningham, James Gammon, Rex Linn, Randle Mell, Adam Baldwin, Annabella Gish, Lewis Smith, Betty Buckley, Alison Elliott, Karen Grassle, John Dennis Johnston e Ian Boehn.

Roteiro: Dan Gordon e Lawrence Kasdan.

Produção: Kevin Costner, Jim Wilson e Lawrence Kasdan.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Nos primeiros minutos de “Wyatt Earp”, vemos o personagem título sentado num bar, tomando seu café e fumando um charuto, minutos antes de ser interrompido por outros dois homens. Ao ser informado da presença de um grupo de inimigos, ele se levanta e diz: “Vamos!”. Qualquer um que conheça um pouco da história deste famoso xerife do velho oeste sabe que este momento precede o histórico tiroteio de O.K. Curral. O problema do longa dirigido por Lawrence Kasdan está justamente em não saber terminar a narrativa quando ela voltar a este ponto, após um longo flashback que narra a caminhada do protagonista até este momento decisivo. Sendo assim, “Wyatt Earp” é um filme longo, que parece longo, o que é um problema.

O jovem Wyatt Earp (Kevin Costner) vaga pelo oeste até se estabelecer como xerife em pequenas cidades, fazendo fama pela forma nada amigável que mantém a ordem local. Após conhecer Doc Holliday (Dennis Quaid) e trazer seus irmãos Virgil (Michael Madsen) e Morgan (Linden Ashby) para trabalhar com ele, Wyatt se vê num perigoso conflito com um grupo de criminosos, que resulta no trágico tiroteio no O.K. Curral, que selou o destino de todos pra sempre.

Muitos filmes marcantes da história do cinema têm três ou mais horas de duração. A duração, em si, não é um problema. O problema é quando um filme se estende até as três horas sem necessidade e, principalmente, conteúdo para tanto. A história do xerife “Wyatt Earp” até pode render bons e longos filmes, mas neste caso, a narrativa se esvazia bastante após o conflito central da trama e o diretor, em parceria com o montador Carol Littleton, parece não saber em que momento deve encerrar o filme. Sendo assim, nem mesmo a vingança de Wyatt após a morte do irmão Morgan consegue prender a atenção do espectador – algo que o diretor parece saber, pois sequer mostra a vingança completa do protagonista, indicando que ele continuou sua retaliação pessoal no texto que fecha a narrativa. Sendo assim, o longa soa cansativo em seu ato final, num erro fatal cometido pelo diretor e pelo montador, que não souberam enxugar o roteiro escrito pelo próprio Kasdan, em parceria com Dan Gordon, e extrair o que ele tem de melhor. E de fato existem muitas coisas boas na história, especialmente quando olhamos sob o aspecto psicológico de um personagem claramente transformado por uma tragédia pessoal.

“Wyatt Earp” tem todos os elementos clássicos do western, como a ferrovia em construção, os cavalos cavalgando pelo terreno árido, o saloon com homens jogando cartas e prostitutas procurando fregueses, figuras tradicionais como o xerife e os bandidos e, obviamente, os duelos armados. E todos estes elementos surgem com muito realismo, graças aos figurinos de Colleen Atwood, que seguem o modelo clássico, com chapéus e botas para os homens e vestidos imponentes para as mulheres, e ao bom trabalho de direção de arte de Gary Wissner, notável na arquitetura das cidades, assim como nas carroças e até mesmo nos trens de ferro, ambientando o espectador perfeitamente ao velho oeste. Também colabora o ótimo design de som, com os tiros, o galope dos cavalos e até mesmo o sopro do vento tornando tudo mais real. Tecnicamente, a única nota literalmente fora do tom é a repetitiva trilha sonora de James Newton Howard, que, apesar do tom solene, soa desnecessária em muitos momentos.

Contando ainda com a bela direção de fotografia de Owen Roizman, Kasdan entrega uma direção plasticamente perfeita, enquadrando com incrível beleza as paisagens naturais e conferindo um aspecto clássico ao longa – repare, por exemplo, o lindo visual durante a viagem da família Earp, com as carroças cruzando as planícies com o pôr-do-sol ao fundo. Além disso, a fotografia emprega uma admirável iluminação nas cenas noturnas, com exceção das primeiras seqüências na fazenda dos Earp, iluminadas apenas com a luz da lua (o que é correto nesta situação, pois era a realidade local). Só que, infelizmente, Kasdan erra a mão na condução da narrativa, estendendo demais algumas cenas, como a seqüência em que Wyatt saca a arma rapidamente e expulsa um homem de um bar, seguida por seu trabalho de vendedor de pele de búfalos, que é totalmente dispensável. Além disso, Kasdan e Littleton erram também ao indicar grandes saltos na narrativa através de letreiros, o que soa deselegante e torna tudo mais episódico.

Após atingir um homem com uma bola de sinuca num bar, Wyatt faz um discurso típico do herói íntegro e ético tradicional de Hollywood, algo confirmado quando ele recusa uma prostituta e volta à cidade de infância para se casar com Urilla (Annabella Gish). Aliás, a relação com Urilla exemplifica um dos bons momentos de Kasdan e seu montador, que resumem a história do casal em poucos minutos, passando pelo namoro (repare a fotografia clara no reencontro do casal), casamento e início da vida na casa nova – destaque também para a passagem do tempo, indicada pela mudança das estações na janela do quarto. O outro acerto notável do diretor é a escolha do elenco, que conta com muita gente talentosa. Apesar de estar longe de seu melhor momento, Kevin Costner transmite segurança como Wyatt Earp, mostrando-se durão e até mesmo violento, além de exibir uma assustadora frieza quando enfrenta os criminosos. Extremamente agressivo, Wyatt conquista inimigos por onde passa, mas consegue manter a segurança local, ao contrário de seu amigo Ed Masterson (Bill Pullman), que o substitui e é amado pelos habitantes de Dogde City, mas deixa a criminalidade tomar conta do local (algo ilustrado pela placa “Proibido armas” cheia de tiros) e acaba morrendo, numa cena bastante triste. Aliás, uma das boas cenas do longa acontece quando Wyatt invade um bar e rende um bêbado, marcando o início de sua vida como xerife. Compare o semblante determinado do ator deste momento em diante com seu semblante carregado após a morte trágica de Urilla, que ilustra bem o sentimento do personagem, na época completamente devastado – algo refletido também pela fotografia sombria, especialmente quando ele é preso, onde a chuva reforça a melancolia de Wyatt e confirma que ele chagara ao fundo do poço.

Mas apesar da presença de Costner, quem rouba a cena mesmo é Dennis Quaid, que está ótimo como Doc Holliday. Magro e desgastado pela tuberculose, ele parece guardar as poucas energias que lhe restam para as brigas em que se envolve – seja com a amante Big Nose Kate (Isabella Rossellini), seja com os inimigos de Wyatt -, sempre parecendo disposto a matar ou morrer. Com sua voz rouca, provocada pela tosse constante, e seu olhar desconfiado, Quaid convence como o perigoso fora-da-lei, além de emocionar após a morte de Morgan, mostrando-se mais comovido que o próprio Costner. A amizade sincera entre Doc e Wyatt tem momentos marcantes, como a conversa num bar após Mattie (Mare Winningham, em boa atuação como a depressiva esposa de Wyatt) tentar o suicídio novamente e o momento em que Wyatt salva o amigo da morte numa briga com Kate, que termina com a confissão de Doc (“Eu sei que é difícil ser meu amigo”). Kasdan acerta ainda na escolha de Gene Hackman, que impõe respeito como o patriarca Nicholas Earp, com sua voz firme e semblante pesado, carregado de experiência de vida. E finalmente, outra excelente escolha é a de Michael Madsen, que demonstra firmeza como Virgil, com seu jeito igualmente debochado e ameaçador.

Uma das cenas mais importantes de “Wyatt Earp” acontece quando o protagonista discute com as esposas dos irmãos, expondo a dor que ainda carrega pela perda de Urilla e também a liderança que exerce sobre eles – repare como Morgan tenta consolar a esposa, mas larga a mão dela quando é repreendido por Wyatt. Este trauma se confirma num dos raros momentos em que o xerife se abre para a amante Josie (Joanna Going), numa conversa sincera na cama do casal em que os atores se saem bem e transmitem emoção. Mas, apesar destes bons momentos, faltam grandes cenas ao longa. Indicado desde o inicio como o grande momento da trama, o tiroteio de O.K. Curral não chega a decepcionar, mas está longe de ser uma cena marcante. Apesar da violência e de certa energia na cena, Kasdan não sabe escolher os melhores planos, deixando o confronto confuso, além de não criar a tensão necessária ao começar o duelo muito rapidamente (parece que o diretor não aprendeu nada com Leone). E pra piorar, após o grande duelo, a narrativa se arrasta por muito tempo antes de terminar, de forma pouco satisfatória. Ao guardar para o final uma história de heroísmo de Wyatt, Kasdan parece tentar encerrar bem a narrativa, mas erra novamente, pois todo o efeito nostálgico é anulado ao vermos as cenas no momento em que um garoto conta o que aconteceu – seria melhor se já tivéssemos visto ela antes e agora a história surgisse apenas como uma boa recordação dos bons tempos do xerife, assim como acontece com os personagens.

Tecnicamente brilhante, “Wyatt Earp” acaba soando cansativo demais, graças à má condução de Lawrence Kasdan, que não soube enxugar seu próprio roteiro. Cortando algumas cenas e conduzindo melhor momentos importantes como o famoso duelo, talvez ele tivesse realizado um grande filme. Não foi o que aconteceu. Pretensiosa ou não, o fato é que a direção de Kasdan compromete bastante o resultado final.

Texto publicado em 28 de Julho de 2011 por Roberto Siqueira

CÃES DE ALUGUEL (1992)

(Reservoir Dogs)

 

Videoteca do Beto #82

Dirigido por Quentin Tarantino.

Elenco: Harvey Keitel, Tim Roth, Michael Madsen, Steve Buscemi, Chris Penn, Lawrence Tierney, Kirk Baltz, Edward Bunker e Quentin Tarantino.

Roteiro: Quentin Tarantino.

Produção: Lawrence Bender.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Violência gráfica, narrativa não-linear, diálogos triviais e repletos de referências a cultura pop, trilha sonora de extremo bom gosto e atuações de grande nível. Todas as marcas registradas do cinema diferente e criativo de Quentin Tarantino podem ser percebidas em “Cães de Aluguel”, excelente filme que marcou a estréia de um dos diretores mais influentes da década de 90.

Seis criminosos profissionais são reunidos por Joe Cabot (Lawrence Tierney) para assaltar uma loja de joalherias que receberia uma valiosa carga de diamantes. Inesperadamente, algo dá errado e dois deles morrem quando os policiais cercam o local, mas todos os outros conseguem fugir. Mr. Orange (Tim Roth), ferido, é levado por Mr. White (Harvey Keitel), e em seguida Mr. Pink (Steve Buscemi) chega ao galpão onde todos combinaram de se encontrar, revoltado com a possibilidade de alguém ter traído o grupo. O último a chegar é Mr. Blonde (Michael Madsen), que provocou a ira dos parceiros ao começar a atirar durante o assalto por que algum funcionário da loja disparou o alarme. Caberá a Eddie (Chris Penn) tentar apaziguar a situação, mas o clima de desconfiança aumenta a cada minuto que passa.

Quentin Tarantino é certamente um dos diretores mais influentes dos últimos anos, imprimindo sua marca registrada em todos os seus filmes e conquistando fãs em cada canto do planeta. Reconhecidamente um grande diretor, Tarantino demonstra, no entanto, ainda mais talento como roteirista, algo notável desde este trabalho de estréia. Repleto de diálogos ágeis sobre coisas do cotidiano, humor negro e até mesmo piadas racistas, o roteiro de “Cães de Aluguel” chama a atenção justamente por conferir um realismo singular à narrativa, que definiu os padrões do cinema contemporâneo ao misturar elementos narrativos clássicos com diversas referências à cultura pop, a começar pelo divertido diálogo sobre as músicas da Madonna, passando pela constante menção ao programa de rádio “K-Billy, o som dos anos 70” e chegando até mesmo a citar “o quarteto fantástico”. Além disso, o fato dos personagens falarem de maneira informal, com muitos palavrões e piadas de humor negro, os torna ainda mais reais, aproximando-os do espectador, que se identifica com aqueles diálogos corriqueiros, afinal de contas, nós também passamos o dia comentando coisas banais. Só que em determinados momentos, a face criminosa de todos eles vem à tona (o que os diferencia da maioria dos espectadores), como no curioso diálogo entre Mr. White e Mr. Pink (“Matou alguém?”; “Tiras”; “Não matou pessoas de verdade?”; “Não, só tiras”), que revela também o lado ético daqueles “profissionais” do crime, revoltados com a morte de uma jovem de 20 anos. E os próprios codinomes dos personagens demonstram a criatividade de Tarantino, utilizando cores para evitar que eles se identifiquem e corram o risco de entregar os colegas numa eventual prisão.

Outra característica marcante do cinema de Tarantino que também surge pela primeira vez em “Cães de Aluguel” é a narrativa não-linear, sempre dividida em capítulos, que abusa dos flashbacks, neste caso para mostrar como cada integrante foi contratado por Joe. E se a estrutura narrativa não-linear normalmente prende a atenção do espectador, o vigor com que Tarantino conduz a trama desde o primeiro momento, quando sua câmera inquieta gira em torno da mesa e nos aproxima daquele grupo de criminosos, torna o longa ainda mais interessante. Os movimentos de câmera, aliás, confirmam o talento do diretor, como podemos notar no plano que se inicia num chão de banheiro, mostrando o lixo e a sujeira do local, seguido por um travelling que nos leva ao final do corredor onde Mr. White e Mr. Pink conversam, diminuindo os personagens na tela e ilustrando o quanto eles estavam perdidos naquele momento. Em outro momento, quando Joe diz para ninguém revelar o nome, Tarantino dá um close no rosto de Mr. White, indicando que aquele personagem quebraria esta sagrada regra. E finalmente, durante a briga entre Mr. White e Mr. Pink no galpão, Tarantino emprega um zoom out que lentamente revela a presença de Mr. Blonde escorado numa parede, apenas observando toda aquela confusão. Além disso, o diretor não hesita em nos apresentar cenas extremamente violentas, mantendo o espectador sempre atento a narrativa na expectativa de que algo surpreendente possa acontecer a qualquer momento, alcançando um nível de realismo bastante ousado para a época.

Profundo conhecedor (e amante) de cinema, Tarantino sabe também que não é preciso utilizar uma montagem acelerada para manter a atenção do espectador. Desta forma, a montagem de Sally Menke utiliza poucos cortes, prolongando bastante as cenas, o que serve também para mostrar o resultado nada agradável daquele ambiente violento, como quando a câmera passeia pelos corpos caídos após a troca de tiros entre Joe, Eddie e Mr. White. O trabalho de Menke se destaca ainda na interessante seqüência em que vemos Mr. Orange decorando a história do encontro com os policiais no banheiro, quando em poucos minutos ele passa do treinamento com seu amigo policial para o momento em que fala diante de Joe, Eddie e Mr. White – e aqui vale observar a inserção de um flashback de algo que nem existiu, conferindo legitimidade a história inventada pelo personagem. E o próprio local escolhido para acolher os criminosos confere ainda mais realismo ao que se passa na tela, com as paredes descascadas e os tijolos à mostra dentro do abandonado galpão, reforçado pela fotografia crua de Andrzej Sekula, que adota um visual granulado e cores sem vida que aproximam a imagem da realidade. Por outro lado, Sekula dá vida aos tons de vermelho, aumentando o choque das cenas de violência, sempre banhadas com muito sangue. E é curioso notar como a trilha sonora diegética, recheada com excelentes músicas dos anos 70, cria um paradoxo ao associar um som agradável à violência extremamente gráfica, deixando o espectador com um sentimento misto de prazer e repulsa.

As atuações, de forma geral, são bastante convincentes e mantém o clima constante de tensão de “Cães de Aluguel”, conseguindo criar personagens ameaçadores graças à firmeza de todo elenco. Observe, por exemplo, como Keitel e Roth soam extremamente convincentes no caminho do galpão, quando Mr. Orange grita de dor e Mr. White tenta acalmá-lo. Já no galpão, Roth convence Keitel e o espectador de que ele não sabe de nada sobre o traidor, o que aumenta o choque no momento em que ele revela a verdade. Keitel, por sua vez, se sai bem nas intensas discussões com os outros integrantes do grupo, como quando parte pra cima de Mr. Blonde logo após sua chegada ao galpão ou quando defende Mr. Orange diante das insinuações de Mr. Pink, interpretado com competência por Steve Buscemi. Já Michael Madsen está assustador como Mr. Blonde, com sua voz tranqüila e um olhar calmo que personificam o verdadeiro psicopata, capaz de provocar a ira em qualquer um – repare sua expressão de cinismo ao provocar Mr. White com a frase “Vai latir o dia inteiro, cachorrinho?”. Sua insanidade vem à tona na impressionante cena da tortura do policial Marvin Nash (Kirk Baltz), onde Tarantino evita mostrar a barbárie desviando a câmera no último instante, mas faz questão de mostrar as conseqüências daquele ato insano, através do rosto desfigurado de Nash, agora sem uma das orelhas, que pode ser vista na mão de Mr. Blonde – e aqui o diretor não resiste ao seu característico humor negro, personificado na brincadeira de Mr. Blonde com a orelha do rapaz. Observe ainda como a cena é pontuada pela deliciosa música tocada no rádio, dando uma estranha sensação de prazer ao espectador enquanto este assiste aquela repugnante cena de tortura. Através de um plano-seqüência, Tarantino ainda acompanha Mr. Blonde enquanto ele caminha tranquilamente pra buscar gasolina no carro, voltando ao galpão em seguida para incendiar o policial. Mas em outro momento surpreendente, Mr. Orange salva Marvin com tiros repentinos e revela que ele é o policial infiltrado no grupo. E fechando os destaques do elenco, Chris Penn e Lawrence Tierney também estão ótimos como Eddie e Joe, demonstrando entrosamento com Mr. Blonde na cena do escritório, mas mostrando-se firmes quando necessário, principalmente após tudo dar errado no assalto. Tierney se destaca ainda quando Joe passa as instruções para o grupo, em outro momento inspirado pelos afiados diálogos de Tarantino, que resultam na engraçada discussão a respeito dos codinomes de cada um. Já Penn se destaca quando Eddie fica furioso após Mr. Orange matar Mr. Blonde, expondo com competência a fúria do personagem.

“Cães de Aluguel” apresenta ainda duas seqüências marcantes, daquelas capazes de tirar o fôlego do espectador. A primeira delas é o flashback dos momentos anteriores e seguintes ao crime (o assalto em si nunca é mostrado), revelando como Mr. Orange foi atingido por uma civil e apresentando o momento em que ele chama Mr. White de Larry, num minuto de fraqueza que impediria o parceiro de levá-lo ao hospital posteriormente. Já o outro momento de extrema tensão acontece quando Eddie, Joe e Mr. White apontam as armas entre eles, resultando na morte de Eddie e Joe, na revelação da traição de Mr. Orange e na morte dos dois últimos integrantes do grupo. Estas duas cenas simbolizam a atmosfera de tensão que domina praticamente toda a narrativa.

Quentin Tarantino chamou a atenção da indústria cinematográfica ao introduzir elementos da cultura pop, misturados à violência extrema e realista, num roteiro coeso e inventivo que resultou neste intrigante “Cães de Aluguel”, um verdadeiro sopro de criatividade no cinema dos anos 90, que influenciou muito do que aconteceu nos anos seguintes.

Texto publicado em 09 de Janeiro de 2011 por Roberto Siqueira