Que semifinais!

Além de tudo que já nos presenteou nas últimas semanas, a Copa de 2014 ainda reservou uma semifinal entre gigantes do futebol. Quatro camisas poderosas, quatro seleções fortes que podem sonhar com o título.

Abaixo você terá um pequeno resumo de tudo que estará em campo a partir da próxima terça:

BRA

BRASIL

– Maior campeão da história da Copa do Mundo com 5 títulos.

– Já disputou 7 finais de Copa e lutará com a Alemanha para ver quem será o primeiro país a disputar 8 finais.

– Chega pela 11° vez numa semifinal.

– Único país a disputar todas as edições de Copa do Mundo.

– Segundo país a alcançar a marca de 100 jogos em Copas.

Alguns dos principais jogadores do passado: Pelé, Garrincha, Zico, Romário e Ronaldo.

 

ALEALEMANHA

– 3 títulos mundiais.

– Já disputou 7 finais de Copa e lutará com o Brasil para ver quem será o primeiro país a disputar 8 finais.

– Chega pela 13° vez numa semifinal (a quarta vez seguida, um recorde). Só 1 vez não ficou entre os 8 primeiros.

– Só não disputou Copa do Mundo em 1930, por não concordar com o total de países sul-americanos, e em 1950, por estar suspensa após a Segunda Guerra Mundial. Nunca ficou fora jogando as eliminatórias.

– Primeiro país a alcançar a marca de 100 jogos em Copas.

Alguns dos principais jogadores do passado: Franz Beckenbauer, Gerd Müller, Karl-Heinz Rummenigge, Jürgen Klinsmann e Lothar Matthäus.

ARG 

ARGENTINA

– 2 títulos mundiais.

– Já disputou 4 finais de Copa.

– Após 24 anos, chega pela 5° vez entre os 4 primeiros de uma Copa do Mundo.

– Maior rival da seleção brasileira, é a segunda maior vencedora da Copa América com 14 conquistas.

Alguns dos principais jogadores do passado: Alfredo Di Stéfano, Mario Kempes, Diego Maradona, Claudio Caniggia e Gabriel Batistuta.

HOL

HOLANDA

– Já disputou 3 finais de Copa, mas nunca ficou com o título. Curiosamente, pode enfrentar nesta Copa as 3 seleções que impediram o título holandês: Espanha (já venceu), Argentina e Alemanha.

– Chega na 3° semifinal em suas 4 últimas participações em Copas e na 5° semifinal de sua história.

Alguns dos principais jogadores do passado: Johan Cruyff, Johnny Rep, Ruud Gullit, Marco van Basten e Dennis Bergkamp.

 

Sobre o caso Neymar, já escrevi bastante nas redes sociais e quem me acompanha sabe meu pensamento. Achei ridícula a reação dos torcedores brasileiros contra Zuñiga. Entendo que ele deve ser punido, mas nada justifica as ameaças covares a família dele e a xenofobia alastrada contra os colombianos.

Quanto ao efeito da ausência de Neymar e Thiago Silva, chega a ser curioso acompanhar a opinião de jornalistas renomados sobre o tema. Estamos saindo da depressão pra euforia sem razões para isso. Vejo jornalistas brasileiros alegando que é melhor ter Dante contra a Alemanha porque ele conhece os defeitos dos jogadores alemães, sem pensar que os jogadores do Bayern também conhecem os defeitos dele. É esta visão parcial que cria o oba-oba desnecessário neste momento.

Outros jornalistas tentam criar uma teoria maluca de que será melhor jogar sem Neymar. É óbvio que o time pode se unir pelo que aconteceu – torceremos por isso, aliás. Mas dizer que o time ficará melhor sem Thiago Silva e Neymar é lutar contra os fatos. O time está tecnicamente enfraquecido e só o fator psicológico poderá igualar as coisas ou amenizar o estrago. O Brasil pode vencer por sua história, por ter bons jogadores e por jogar em casa. Além disso, clássico é clássico e qualquer um pode chegar à final entre os quatro que sobraram. Mas a mídia está subestimando a inteligência do torcedor brasileiro com estas teorias absurdas.

Neymar faria falta a qualquer seleção do mundo, porque é um craque, um jogador diferenciado e genial. Esconder isso neste momento é desvalorizar um moleque sensacional, que já está sofrendo bastante por ter seu sonho interrompido desta forma. Na tentativa de animar o torcedor, a imprensa brasileira está se esquecendo da importância do jogador Neymar e, principalmente, da pessoa Neymar. E isto é triste. 

Texto publicado em 06 de Julho de 2014 por Roberto Siqueira

Copa 2014 – Comentários Quartas de final

Os jogos das Quartas foram menos dramáticos que os das Oitavas, mas ainda assim cheios de emoção e com vitórias apertadas e até decisão nos pênaltis. Vamos aos comentários:

ALEMANHA 1 X O FRANÇA

Finalmente escalada corretamente por Joachim Löw, a seleção alemã estreou de fato nestas quartas de final e confirmou sua força ao controlar a partida e correr poucos riscos, especialmente nos chutes de Benzema que fizeram Neuer praticar boas defesas. Engana-se, no entanto, quem acha que a França não jogou bem. Conseguiu equilibrar a posse de bola no segundo tempo e empurrar a linha de zaga alemã para trás, algo muito difícil de fazer diante do poderio técnico e físico do time germânico. A Alemanha chega a semifinal pela quarta vez seguida (um recorde) como favorita, mas também carregará o peso da obrigação de vencer, especialmente com o Brasil desfalcado de Neymar e Thiago Silva.

BRASIL 2 X 1 COLÔMBIA

O gol logo de cara devolveu a confiança perdida e a seleção brasileira fez a sua melhor apresentação na Copa. Troca de passes no meio de campo, poucos sustos na defesa e dedicação total de todo o time. David Luiz foi o nome de um jogo que ficou marcado pela agressão covarde contra Neymar, que, por outro lado, não justifica a reação imbecil de torcedores nas redes sociais que ofenderam Zuñiga, sua família e todo o povo colombiano por causa do lance infeliz do jogador. Já estive muitas vezes na Colômbia e sempre encontrei um país maravilhoso, um povo acolhedor e alegre e bem distante do estereotipo pregado aqui no Brasil de “traficantes e cheiradores”. As pessoas deviam ser presas pelo que escrevem nas redes sociais. Por outro lado, o jogo trouxe outra imagem marcante quando David Luiz confortou o craque James Rodriguez no fim da partida. Uma imagem linda, destas que só a Copa do Mundo é capaz de produzir. A Alemanha já seria favorita contra o Brasil mesmo com Neymar e Thiago Silva em campo, mas o Brasil pode vencer, primeiro porque o futebol nunca deu muita bola pra favoritismo, segundo porque num clássico deste tamanho a verdade é que não existe favorito. Será um jogasso.

ARGENTINA 1 X 0 BÉLGICA

A geração belga fez o que dela se esperava e chegou as quartas de final. Mais do que isso, seria esperar demais de uma boa geração, mas que ainda tem muito a evoluir. Já a Argentina finalmente superou as quartas de final e conseguiu voltar a ficar entre os 4 melhores depois de 24 anos. Higuaín foi o melhor em campo num dia em que Courtois conseguiu parar Messi novamente, assim como fizera em toda a temporada europeia. A Argentina avança sem convencer (até pelo peso dos anos sem título) e terá que provar na semifinal que realmente tem chances de brigar pelo título. Mas num jogo grande como este, tudo é possível.

HOLANDA 0 X 0 COSTA RICA (Nos pênaltis, HOLANDA 4 X 3 COSTA RICA)

Navas foi novamente o destaque de uma Costa Rica surpreendentemente competitiva e que fez história. Ainda assim, passou quem jogou mais bola. O festival de chances perdidas pela Holanda e a atuação inspirada de Navas levou a partida para os pênaltis, mas novamente o polêmico Van Gaal mudou o jogo ao colocar o goleiro reserva Krul no último minuto da prorrogação. O efeito desta alteração é até mais psicológico do que prático (ele havia defendido somente 2 dos últimos 20 pênaltis na carreira), pois induz o adversário a temer ainda mais o goleirão de quase 2 metros de altura. Primeira vitória holandesa numa disputa de pênaltis e semifinal entre gigantes garantida.

Todos torcem pela primeira final entre Brasil e Argentina da história, ainda que o futebol jogado dentro de campo não indique isto. Agora só nos resta torcer, até porque no futebol tudo pode acontecer, ainda mais num encontro entre camisas tão pesadas como estas quatro. Que copa!

Holanda x Costa RicaTexto publicado em 06 de Julho de 2014 por Roberto Siqueira

Copa 2014 – Comentários Oitavas de final

Agora chegou a hora de a onça beber água. Vamos lá:

BRASIL 1 X 1 CHILE (Nos pênaltis, BRASIL 3 X 2 CHILE)

Os problemas táticos do Brasil ficaram escancarados diante do bom time chileno, que pressionou a saída de bola e forçou a seleção brasileira a jogar ainda mais no chutão da defesa para o ataque, evidenciando que o meio de campo inexiste no time de Felipão. Os chilenos estiveram muito perto de fazer história e eliminar a seleção anfitriã bem mais cedo do que podíamos esperar. O Chile caiu de pé, o Brasil segue em frente, mas com problemas táticos, técnicos e emocionais demais para resolver a tempo de sonhar com o Hexa. Hoje, o sexto título mundial é só isso mesmo, um sonho. Somente uma atuação bem acima do que apresentamos até agora pode devolver a confiança a um grupo emocionalmente abalado.

COLÔMBIA 2 X 0 URUGUAI

Ao contrário do Brasil, sobrou confiança na seleção colombiana liderada por um brilhante James Rodriguez, ainda mais diante de um Uruguai enfraquecido após a suspensão de seu melhor jogador. Com uma defesa firme, um meio campo criativo e um ataque letal, a Colômbia pode sim sonhar em eliminar o Brasil e chegar ao menos na semifinal. Caso seja eliminada, a Colômbia celebrará esta geração por décadas e ainda pensará muito sobre onde poderia chegar com Falcão García em campo.

HOLANDA 2 X 1 MÉXICO

O México esteve a minutos de quebrar a maldição das oitavas e eliminar a poderosa Holanda, sendo levemente favorecido pelo forte calor provocado pela escolha nada inteligente da FIFA – independente de interesses comerciais, jogo às 13 horas em Fortaleza é desumano. Alguns argumentam que são os próprios europeus que tem interesse nestes horários, mas uma coisa é o interesse comercial de emissoras, outra é o interesse dos jogadores dentro de campo – e eu duvido que técnicos e jogadores de qualquer continente concordem com estes horários de jogos. Dentro de campo, o México foi melhor até abrir o placar, mas equivocadamente recuou cedo demais e chamou os craques holandeses para o jogo. Assim, ficou mais fácil para Sneijder e Robben decidirem novamente e colocarem a Holanda no caminho da semifinal.

COSTA RICA 1 X 1 GRÉCIA (Nos pênaltis, COSTA RICA 5 X 3 GRÉCIA)

O melhor time ruim do mundo quase conseguiu seguir em frente, beneficiado pela justa expulsão de Duarte que forçou a Costa Rica a recuar e chamar a Grécia para o ataque. Mas faltou qualidade ao time grego quando teve que propor o jogo. Seguiu na competição a melhor equipe. Ainda que tenha o direito de sonhar, a Costa Rica já venceu a Copa de 2014 e uma eliminação agora só antecipará a festa em seu país. Parabéns aos “chicos”!

FRANÇA 2 X 0 NIGÉRIA

Nitidamente segurando o jogo no primeiro tempo (estratégia dos europeus nos jogos às 13 horas?), a França se soltou a partir dos 15 minutos da segunda etapa e passou a dominar um jogo que até então era todo da Nigéria, chegando ao gol após uma incrível sequência de defesas do ótimo Enyeama. Ironicamente, foi o goleiro nigeriano quem falhou no primeiro gol francês marcado por Pogba, que abriu caminho para a classificação de um dos times mais bem treinados desta Copa. O segundo gol só ratificou que o maior fantasma brasileiro em Copas segue vivo. Perigo!

ALEMANHA 2 X 1 ARGÉLIA

Num jogo épico, a Alemanha sofreu demais para bater a ótima Argélia, que jogou muita bola e chegou a dar a sensação de que eliminaria a forte seleção alemã num dos contra-ataques que forçavam Neuer a deixar o gol e jogar como líbero. Apesar de Joachim Löw e sua teimosia pior que a de Felipão, o melhor elenco da Copa chega as quartas de final. Resta saber se o técnico revisará seus conceitos e colocará Lahm na lateral e Klose no comando do ataque ou se seguirá abraçado às suas ideias, mantendo uma “espanholização” do futebol alemão que descaracteriza o time e o torna menos competitivo do que poderia ser. Se corrigir a escalação, acredito que pode vencer a França. Caso contrário, já podem emitir as passagens de volta.

ARGENTINA 1 X 0 SUÍÇA

Mais uma vez enfrentando enormes dificuldades, a Argentina precisou de outro lampejo de seu gênio para vencer, o que por si só já garante Messi entre os candidatos a craque da Copa independente de sua produção em campo. Sem ele, a Argentina já estaria em casa. O jogo começou parelho, teve domínio argentino na segunda etapa, passou por pressão suíça na prorrogação até finalmente chegar ao seu final apoteótico. Palacio tocou para Messi, que em uma de suas tradicionais arrancadas partiu em direção ao gol e tocou para Di Maria, o melhor em campo, abrir o placar. Em seguida, os corações argentinos paralisaram por alguns segundos, com a incrível bola na trave que ainda bateu no suíço Džemaili e saiu triscando o poste. Depois, o goleirão Benaglio se mandou pra área, quase acertou um voleio, Di Maria chutou do meio do campo pra fora sem goleiro e a Suíça ainda teve uma falta na entrada da área antes do jogo terminar. Apenas alguns minutos separaram o gol de Di Maria e o lance derradeiro, já que o gol argentino saiu aos 13 minutos do segundo tempo da prorrogação. Simplesmente antológico.

BÉLGICA 2 X 1 ESTADOS UNIDOS

No quinto jogo decidido na prorrogação, a Bélgica bombardeou o ótimo goleiro Howard, que fez defesas sensacionais até finalmente ser vazado num chute do excelente De Bruyne. Depois do gol, Lukaku ainda faria o segundo gol antes de Green diminuir para os EUA e tornar a prorrogação num verdadeiro teste para cardíacos, uma sucessão de ataques e contra-ataques que faria até o mais frio dos espectadores vibrar. Outro final apoteótico que fez justiça ao classificar a Bélgica, mas deixou a sensação de que os EUA poderiam ir mais longe nesta Copa.

Após as oitavas de final, definitivamente o roteirista desta Copa do Mundo deveria ser indicado ao Oscar.

Que venham as quartas! E que os torcedores tenham corações fortes para aguentar.

Brasil x ChileTexto publicado em 02 de Julho de 2014 por Roberto Siqueira

Copa 2014 – Comentários parte 3

E vamos aos jogos da terceira rodada:

HOLANDA 2 X 0 CHILE

Jogo extremamente bem disputado que atesta a qualidade da equipe chilena e, ao mesmo tempo, sinaliza que ainda falta peso para a camisa “roja”. Bem postada na defesa e explorando eventuais espaços nos contra-ataques, a Holanda provou mais uma vez que é uma das equipes mais perigosas da Copa. Pode ir longe, ainda mais com o cruzamento facilitado pelas zebras da Copa.

ESPANHA 3 X 0 AUSTRÁLIA (comentários com base nos melhores momentos)

Despedida um pouco mais honrosa para a geração mais vitoriosa da história da Espanha. Legal ver Torres e Villa marcando, já que ambos estão entre os principais goleadores da história da Espanha. Para a Austrália, resta o consolo de ter feitos bons jogos diante de Chile e, principalmente, Holanda.

BRASIL 4 X 1 CAMARÕES

Que o Brasil golearia era óbvio, mas a atuação na primeira etapa foi preocupante, especialmente porque a defesa, normalmente o setor mais confiável do time, falhou muito. Por outro lado, Felipão finalmente teve coragem de sacar Paulinho e colocar Fernandinho – 45 minutos em campo bastaram para escancarar a melhoria do time. Camarões despede-se como a pior seleção da Copa. O Brasil segue em frente, com pouco tempo para corrigir seus defeitos e brigar de fato pelo título. Jogando em casa, pode chegar lá. Mas precisa corrigir outros problemas urgentemente, como a lateral direita, por exemplo.

MÉXICO 3 X 1 CROÁCIA (comentários com base nos melhores momentos)

Empurrados pela fanática torcida que invadiu o Brasil, os mexicanos conseguiram mais uma classificação para as oitavas de final. Em contrapartida, a Croácia se consolidou como uma grande decepção, depois de duas boas atuações contra Brasil e Camarões. Mesmo sem um time brilhante, o México avança e conta novamente com o calor do torcedor para tentar surpreender os holandeses.

ITÁLIA 0 X 1 URUGUAI

Num jogo mais parecido com a Taça Libertadores do que com uma partida de Copa do Mundo, uruguaios e italianos lutaram até o fim pela última vaga do grupo da morte. Com um a menos, a Itália defendeu o empate até a cabeçada certeira do iluminado Godín, que garantiu a celeste na próxima fase. O fantasma de 50 sobrevive e voltará a jogar no Maracanã pela Copa após 64 anos. Mas a mordida de Suarez pode colocar tudo a perder justamente quando o time mais precisará dele. Inexplicável.

INGLATERRA 0 X 0 COSTA RICA (comentários com base nos melhores momentos)

Partida aparentemente tranquila em que a Costa Rica provou mais uma vez seu valor e a Inglaterra viu dois de seus grandes ídolos recentes se despedirem das Copas do Mundo. O adeus de Gerrard e Lampard poderia ser mais glorioso.

COLÔMBIA 4 X 1 JAPÃO

Enquanto a Colômbia prova que é mais forte do que parecia, o Japão se consolida como outra grande decepção desta Copa. O show de James Rodriguez no segundo tempo e a boa atuação de reservas de luxo como Jackson Martinez fazem os colombianos sonhar com algo mais. Pessoalmente, acho que com Falcão Garcia em campo este sonho tinha enormes chances de se tornar realidade. Fará um jogo memorável diante do Uruguai sábado no Maracanã.

COSTA DO MARFIM 1 X 2 GRÉCIA (comentários com base nos melhores momentos)

Leonardo Bertozzi (ESPN) escreveu no Twitter que “a Grécia tem o melhor time ruim do mundo”. Devo concordar com ele. Poucas vezes uma seleção tão chata conseguiu tantas proezas no futebol como a Grécia. Assisti parte do jogo e vi os gregos até criarem boas chances, mandando duas bolas na trave. Mas a Costa do Marfim tem jogadores mais talentosos e poderia dar mais brilho ao surpreendente confronto das oitavas diante da Costa Rica. Sorte dos gregos, que poderão seguir surpreendendo com seu ótimo time ruim.

ARGENTINA 3 X 2 NIGÉRIA

Como se ainda precisasse provar algo, Messi mais uma vez foi o nome do jogo, desta vez participando de mais lances e marcando dois gols em uma partida de Copa do Mundo pela primeira vez. A Argentina, assim como o Brasil, ainda tem muito a evoluir, mas o peso da camisa e a genialidade de Messi dão esperanças ao fanático torcedor que invadiu Porto Alegre. Já a Nigéria me surpreendeu com seu ataque veloz e pode fazer bom papel diante da França, ainda que eu acredite na classificação dos franceses.

BÓSNIA 3 X 1 IRÃ (comentários com base nos melhores momentos)

A falta de experiência em Copas e o grave erro de arbitragem no jogo contra a Nigéria comprometeram a campanha do bom time bósnio, que poderia ir mais longe nesta Copa. Ao Irã, fica o consolo de ter feito uma ótima partida diante da Argentina.

FRANÇA 0 X 0 EQUADOR

Sem metade do time, a França viu seu ótimo jogo cair neste fechamento de grupo, mas classificou-se sem grandes sustos no primeiro lugar da chave. Com um time sólido e um ataque talentoso, pode ir mais longe do que se imaginava antes do início da Copa. Já o Equador vai lamentar eternamente o gol suíço nos acréscimos do primeiro jogo.

SUÍÇA 3 X 0 HONDURAS (comentários com base nos melhores momentos)

Finalmente o talento de Shaqiri apareceu em campos brasileiros e os suíços deixaram de vez para trás a má impressão das campanhas baseadas em retrancas nas Copas anteriores. Apesar de considerar a Argentina favorita, acredito que a Suíça fará um jogo interessante na próxima terça. Honduras ficou com o posto de segundo pior time da Copa em minha opinião, sendo melhor apenas que a péssima e desinteressada seleção camaronesa.

ALEMANHA 1 X 0 ESTADOS UNIDOS

Sem fazer o famoso “jogo de compadres”, mas também sem forçar demais o ritmo, a Alemanha construiu a vitória através da tradicional blitz que o time costuma fazer nos 15 minutos iniciais de cada tempo. No primeiro tempo, a defesa norte-americana conseguiu suportar a pressão, mas no segundo tempo a precisão de Thomas Müller decretou a vitória alemã. Os Estados Unidos também não tem do que reclamar, classificaram-se num grupo difícil e estão vendo seu país finalmente se render aos encantos do soccer. A Alemanha pode sonhar com o título e os Estados Unidos já estão vivendo o seu sonho. Para eles, o que vier agora é lucro.

PORTUGAL 2 X 1 GANA (comentários com base nos melhores momentos)

Cristiano Ronaldo finalmente deu o ar da graça e, além de marcar seu gol, teve várias outras chances para ampliar o placar. Apesar da má campanha, fechou sua participação como o jogador que mais vezes chutou a gol, provando que mesmo mal fisicamente ele é diferenciado. Gana, por sua vez, decepcionou após despedaçar seu elenco em meio a discussões sobre premiação, avião lotado de dólares e a dispensa de duas estrelas. Uma pena, pois era o mais forte representante do futebol africano.

BÉLGICA 1 X 0 CORÉIA DO SUL (comentários com base nos melhores momentos)

A Bélgica é o caso mais curioso desta Copa do Mundo. Por ter jovens talentosos que jogam nas principais ligas do mundo, a seleção belga foi rotulada como a candidata a surpresa da Copa – num paradoxo divertido, já que se todos apontavam os belgas como surpresa, o efeito surpresa já deixou de existir, não é mesmo? A juventude do time, no entanto, parece ter pesado e as atuações ficaram abaixo da expectativa, ainda que a seleção belga tenha feito sua melhor campanha numa primeira fase, vencendo os 3 jogos. Foi o bastante para que um festival de críticas surgissem nas redes sociais, como se as pessoas esperassem a Holanda de 74 ou o Brasil de 70 em campo. Na verdade, estes jovens cumpriram seu papel e, se chegarem nas quartas de final, terão feito algo muito importante. A Coréia do Sul decepcionou.

ARGÉLIA 1 X 1 RÚSSIA

O momento mais emocionante da primeira fase começou a se configurar quando o goleiro Akinfeev falhou novamente e permitiu o empate ao bom time argelino. Festa histórica e merecida em Curitiba.

Logo tem mais. Vai Brasil!

MessiTexto publicado em 28 de Junho de 2014 por Roberto Siqueira

Copa 2014 – Comentários parte 2

Gostei da brincadeira e resolvi comentar também os jogos do final da primeira rodada e de toda a segunda rodada. Não prometo comentar a Copa inteira, mas quem sabe a empolgação dura até lá.

Vamos aos jogos:

ALEMANHA 4 X 0 PORTUGAL

A primeira impressão assustou os adversários e agradou muito aos fãs do futebol bem jogado. Mesmo com a expulsão de Pepe e o pênalti duvidoso, não se pode questionar a vitória convincente do melhor time da Copa. Seleção preparada cuidadosamente nos últimos anos, chega com uma geração jovem e já experiente. Não fossem as contusões de Gündogan, Badstuber, Schmelzer, Bender e principalmente Marco Reus (eleito o melhor jogador da Bundesliga nesta temporada), a seleção germânica seria ainda mais favorita. Mas a atuação quase perfeita diante de uma desfigurada seleção portuguesa serviu de aviso. O próximo teste poderá confirmar a Alemanha como a seleção a ser batida em 2014.

NIGÉRIA 0 X 0 IRÃ

Pior jogo da Copa até então. Messi sorri diante da possibilidade de tornar-se o artilheiro da Copa nas próximas rodadas. Mais nada a comentar.

ESTADOS UNIDOS 2 X 1 GANA

Jogo movimentado e com outro final eletrizante, provou a evolução do futebol norte-americano, ainda que a vitória do time de Klinsmann tenha sido injusta diante do bom futebol de Gana no segundo tempo. Também foi muito legal ver os norte-americanos lotando o estádio e as ruas do país para curtir a Copa. O soccer venceu.

BÉLGICA 2 X 1 ARGÉLIA

Nitidamente sentido a pressão da estreia e do favoritismo, o jovem e talentoso time belga só se soltou mesmo após o gol de empate, marcado por Fellaini, que deveria ser titular. Mertens, que também deveria ser titular, marcou o gol da virada num ótimo contra-ataque iniciado por De Bruyne e puxado pelo craque Hazard. Passada a pressão da estreia, a Bélgica pode se soltar e confirmar que tem uma grande geração.

BRASIL 0 X 0 MÉXICO

Se a pressão da estreia por abrir a Copa jogando em casa aliviou a análise do primeiro jogo, agora as desculpas acabaram. Mesmo criando algumas chances claras e obrigando Ochoa a entrar pra história numa defesa monumental, o Brasil claramente sente o momento ruim de jogadores fundamentais como Paulinho e Daniel Alves. Pra piorar, Fred tem participação pífia até agora e Neymar, mesmo jogando bem, pouco pode fazer. Venceremos a fraca seleção de Camarões, mas o jogo das oitavas já ganha contornos dramáticos diante da falta de evolução da seleção brasileira.

RÚSSIA 1 X 1 CORÉIA DO SUL

Faltava somente uma coisa nesta Copa: o frango. E ele veio justamente na meta de um país famoso pelo histórico de goleiros consagrados. Mas o peru histórico de Akinfeev não abalou o time russo que, após criar boas chances, chegou ao empate. Um jogo movimentado e interessante, nada mais.

HOLANDA 3 X 2 AUSTRÁLIA

Em outro grande jogo, a Holanda provou que não é o super time do segundo tempo contra a Espanha, mas também não é tão irregular como foi contra a Austrália. Acredito que a média entre as duas atuações indica o real poderio do time holandês. E isto é suficiente para colocá-los entre os favoritos.

ESPANHA 0 X 2 CHILE

Destruída moralmente após a goleada contra a Holanda, a Espanha entrou praticamente derrotada e se tornou presa fácil para a melhor geração chilena da história. No entanto, o cruzamento nas oitavas de final pode indicar o fim da linha para a boa seleção do Chile, num provável confronto com seu algoz histórico, o Brasil.

CROÁCIA 4 X 0 CAMARÕES

A fragilidade da seleção camaronesa ficou ainda mais escancarada diante do ótimo time croata que, mesmo no calor de Manaus, não teve grandes dificuldades para aplicar a goleada. A Croácia é favorita diante do México.

COLÔMBIA 2 X 1 COSTA DO MARFIM

A empolgação da torcida colombiana é contagiante e esta energia passou pra dentro de campo, dando ainda mais força ao bom time comandado por James Rodriguez. A Costa do Marfim também mostrou suas armas num bom jogo entre os dois prováveis classificados do grupo.

URUGUAI 2 X 1 INGLATERRA

O melhor jogo da Copa até então teve ares épicos e requintes de crueldade. Estupenda atuação de Luis Suárez e um festival de jogadas interessantes. A intensidade da partida também indica que o clima influencia muito no desempenho dos jogadores, já que o frio de São Paulo parece ter dado um gás a mais para os jogadores. É triste ver uma geração talentosa como esta inglesa sucumbir jogando um bom futebol. Espero que eles não retrocedam ao futebol de chuveirinho e continuem priorizando jogadores talentosos. Já o Uruguai provou que jamais pode ser considerado carta fora do baralho.

GRÉCIA 0 X 0 JAPÃO

Com um jogador a mais praticamente o tempo inteiro, o Japão se consolidou como a grande decepção desta Copa. Com bons jogadores, muitos deles experientes internacionalmente, o time japonês não conseguiu furar o bloqueio do chato time grego e praticamente deu adeus a Copa.

ITÁLIA 0 X 1 COSTA RICA

No primeiro jogo que evidenciou os efeitos do calor, a Itália não encontrou forças para reagir diante de uma Costa Rica bem organizada e muito forte fisicamente. A maior zebra da Copa estava consolidada e dois campeões mundiais serão eliminados ainda na fase de grupos.

SUÍÇA 2 X 5 FRANÇA

O show da rodada confirmou a França como favorita ao título, contrariando todos os prognósticos pré-Copa. Benzema, Valbuena e Giroud formaram um ataque infernal e a qualidade do meio de campo formado por Sissoko, Matuidi e Cabaye, que se torna ainda mais forte com a entrada de Pogba, coloca os Bleus num patamar acima do esperado. Fiquemos de olho nos franceses.

EQUADOR 2 X 1 HONDURAS

Jogo bem movimentado e interessante, confirmou que o Equador deixou a vaga escapar no já histórico lance final da partida contra a Suíça. Uma pena para a fanática torcida que invadiu a capital paranaense.

ARGENTINA 1 X 0 IRÃ

Mais uma vez jogando muito mal, a Argentina encontrou enormes dificuldades para furar o ótimo bloqueio iraniano e, curiosamente, foi o Irã quem criou as melhores chances de gol na partida. Mas o genial Messi decidiu em um lance inspirado já nos acréscimos. E ainda tem gente que acha que ele precisa vencer a Copa para provar algo. Zico nunca ganhou Copa e foi gênio. Dunga ganhou Copa e nunca foi nada mais que um jogador aplicado. Medir a qualidade de um jogador pelos títulos é reduzir o futebol, que é coletivo, ao individualismo. Messi já é um dos maiores da história, com ou sem Copa.

ALEMANHA 2 X 2 GANA

Em outro jogo memorável, Gana provou que tem seleção pra ir longe e a Alemanha provou que pode ser campeã, apesar das invenções de Joachim Löw. Também foi muito legal ver Klose marcar seu 15° gol em Copas no Brasil contra Gana, assim como Ronaldo tinha marcado seu 15° gol na Alemanha contra a mesma Gana. O futebol é mesmo mágico.

NIGÉRIA 1 X 0 BÓSNIA

Claramente prejudicada pela arbitragem, a Bósnia viu terminar cedo sua primeira participação em Copas. No entanto, a Nigéria não deve ir longe. É uma das seleções mais fracas entre as que devem se classificar.

BÉLGICA 1 X 0 RÚSSIA

O jogo começou interessante, mas caiu muito no segundo tempo. Ainda assim, a Bélgica mostrou que tem força no elenco e pode surpreender, apesar de jogar um futebol bem distante daquele que dela se espera. Nos poucos minutos em que participou ativamente do jogo, Hazard foi decisivo. Ele pode fazer mais.

ARGÉLIA 4 X 2 CORÉIA DO SUL

Surpreendentemente um jogo bem divertido e cheio de gols, escancarou os problemas defensivos da Coréia e a qualidade de alguns jogadores da Argélia, que agora se credencia para ficar com a segunda vaga do grupo. Se passar, pode fazer jogo duro com os alemães, prováveis lideres do grupo G e que tradicionalmente tem dificuldades diante de equipes africanas – já perdeu da própria Argélia em 1982.

PORTUGAL 2 X 2 ESTADOS UNIDOS

Com Cristiano Ronaldo claramente demonstrando problemas físicos oriundos da temporada espetacular dele no Real Madrid, a seleção portuguesa jogou pior que o aguerrido time norte-americano que, empurrado pela torcida gigantesca, conseguiu virar o placar e só não se classificou graças ao gol salvador de Valera, em jogada de Cristiano Ronaldo. Portugal respira por aparelhos e só adiou o adeus. A vaga ainda está aberta e Gana pode surpreender roubando a vaga do time do tio Sam.

Finalmente, vale dizer que muitos quebraram a cara quanto a organização do evento, incluindo este que vos escreve. Não é o caso de dizer que somos os pessimistas do comercial da cerveja que não usa cevada e, além disso, não podemos nos esquecer dos custos absurdos dos estádios. Também não me coloco ao lado dos extremistas com interesse político que disseram que os estádios ficariam prontos somente em 2038. Mas o fato é que o clima da Copa está muito agradável e a organização dos jogos, os voos, a logística dos torcedores, etc., estão bem melhores do que o esperado.

Uruguai x InglaterraTexto publicado em 23 de Junho de 2014 por Roberto Siqueira

O fim do tiki-taka?

Muitos brasileiros vibraram como nunca nas redes sociais após a vexatória eliminação da seleção espanhola ainda na fase de grupos da Copa, numa reação natural e esperada diante da derrocada de uma geração que conquistou tudo que temos de importante no futebol nos últimos 6 anos.

Antes de abordar a questão, uma pitadinha histórica: esta é a terceira vez nas últimas 4 Copas que o campeão é eliminado na primeira fase e a quinta em toda a história – o próprio Brasil, em 1966, caiu na primeira fase também com duas derrotas.

Mas voltando ao tiki-taka, não são poucos os detratores do sistema de jogo que fez da geração Xavi e Iniesta uma das mais vitoriosas do futebol mundial. No entanto, engana-se quem pensa que o tiki-taka morreu juntamente com o fim desta geração. O estilo de jogo espanhol mudou o futebol mundial e, como é natural, foi aprimorado por outros centros. A Itália, por exemplo, bateu o recorde de passes certos em Copas no último sábado, acertando 93% dos 601 passes que tentou contra 92% da Dinamarca em 1986.

No entanto, são os alemães que melhor aproveitaram a inovação espanhola. Utilizando a mesma marcação pressão que caracteriza seus principais clubes (o Bayern de Munique e o meu Borussia Dortmund), a seleção alemã alterna momentos em que troca passes com precisão para manter o controle do jogo e outros em que parte com intensidade em direção ao gol, numa clara evolução do sistema de jogo espanhol. Esta evolução já estava clara no ano passado quando Bayern e Borussia massacraram Barcelona e Real Madrid nas semifinais da Champions (veja vídeo abaixo que mostra a marcação pressão que caracteriza o estilo de jogo agressivo do Dortmund).

http://54.236.180.172/video/324894_prancheta-do-pvc-marcacao-pressao-dificulta-jogo-do-real-madrid-que-nao-e-time-de-contra-ataque

Assim, você tem todo o direito de detestar o tiki-taka, mas não pode fechar os olhos para sua importância na evolução do futebol. Do mesmo jeito que a Laranja Mecânica marcou os anos 70 e a Dinamáquina marcou os anos 80, esta geração espanhola será lembrada por muitos e muitos anos. E eu fico feliz por ter a oportunidade de acompanhar mais uma etapa marcante da história deste esporte tão mágico.

Que venham novas táticas de jogo ousadas e inovadoras. O futebol agradece!

Abaixo o gol que marcou o nascimento do tiki-taka, em partida válida pelas eliminatórias da Euro 2008 contra a Dinamarca. Com todo o respeito, não gostar de lances assim é não gostar do futebol bem jogado. Observe a precisão no toque de bola, o controle do jogo e a espera paciente pelo momento preciso de atacar. Genial.

Texto publicado em 19 de Junho de 2014 por Roberto Siqueira

Que Copa!

A Copa do Mundo no Brasil não poderia ter começado melhor. Apesar de todos os problemas fora de campo antes do pontapé inicial, o clima que tomou conta do país é contagiante e a qualidade dos jogos dentro de campo está empolgante.

É muito legal ver os ingleses tomando Manaus e levando os donos de bares e restaurantes ao desespero ao praticamente acabar com o estoque anual de cerveja, os argentinos dominarem Copacabana com seus cânticos, os colombianos contagiarem os moradores de BH, os holandeses pintando Salvador de laranja, etc.

Dentro de campo, eu não me recordo de um começo de Copa tão empolgante. Por isso, resolvi fazer pequenos comentários sobre cada jogo. Nada muito detalhado, apenas observações sobre o que achei de cada partida:

BRASIL 3 X 1 CROÁCIA
Estreia tensa como era esperado e com grave erro de arbitragem, ao menos serviu para comprovar o amadurecimento de Neymar e Oscar e para espantar a desconfiança quanto ao comportamento do torcedor brasileiro – que, por outro lado, quase pôs tudo a perder com o ridículo xingamento contra Dilma. Independente de sua posição política, xingar uma mulher em público daquela forma é o fundo do poço do ser humano. A Croácia, por sua vez, confirmou que tem um bom time e deve ficar com a segunda vaga.

MÉXICO 1 X 0 CAMARÕES
Jogo muito prejudicado pela arbitragem, ao menos confirmou que o time mexicano evoluiu bastante nos últimos meses e deve fazer um jogo interessante contra o Brasil amanhã. Menos time que a Croácia, pode surpreender por jogar em solo sul americano, mas sinceramente não acredito.

ESPANHA 1 X 5 HOLANDA
O show da rodada até agora. Partida exuberante de Robben e Van Persie, que marcou o gol mais bonito da Copa até aqui, numa cabeçada tão inesperada quanto bela. A Espanha caiu, mas não se engane. Acredito que este acidente despertará o time do sono profundo e já espero um Brasil x Espanha nas oitavas, o que será histórico.

CHILE 3 X 1 AUSTRÁLIA
Os jogos do Chile na Copa 2014 serão garantia de emoção. Com um ataque excepcional e uma defesa frágil, os chilenos não temem partir para o ataque, o que garante um jogo cheio de oportunidades de gol para os dois lados. A fragilidade da Austrália permitiu uma boa vitória aos chilenos, mas acho difícil que a Espanha desperdice tantos gols como fizeram os socceroos. Como palmeirense, fiquei feliz com o gol de Valdívia – assim como foi legal ver o Armeration no dia seguinte.

COLÔMBIA 3 X 0 GRÉCIA
O espetáculo da torcida colombiana em BH contagiou o bom time que, mesmo sem sua referência, demonstrou um futebol competente diante de uma Grécia limitada. A Colômbia pode ir longe, a Grécia se despede na primeira fase.

URUGUAI 1 X 3 COSTA RICA
A grande zebra da primeira rodada confirmou a fragilidade da defesa uruguaia e a dependência de Luis Suárez, que só acompanhou do banco a partida. Recuperado da cirurgia, pode devolver a força ofensiva ao time, mas acho difícil a classificação. Campbell revelou ao mundo o futebol já demonstrado no Olympiacos (veja seu belo gol contra o Manchester United na Champions League deste ano) e confirmou-se como a revelação do mundial até agora.

ITÁLIA 2 X 1 INGLATERRA
O melhor jogo tecnicamente falando da rodada comprovou a força da camisa italiana e a qualidade de seu meio-campo, comandado pelo maestro Pirlo. A defesa ainda precisa de ajustes para que a Azzurra possa brigar pelo título. Já a Inglaterra mostrou um time jovem e promissor. Ajustando o posicionamento de Rooney, pode sonhar com um bom papel. Inglaterra x Uruguai tem tudo para ser o jogo mais tenso da segunda rodada.

COSTA DO MARFIM 2 X 1 JAPÃO
O bom início da seleção japonesa ruiu após a entrada de Drogba em campo. Minutos após sua entrada, os marfinenses já tinham virado o placar e provaram que, mesmo com muitos bons jogadores, o Japão ainda precisa evoluir para competir numa Copa de igual para igual. A Costa do Marfim deu importante passo para a classificação e fará outro grande jogo diante da Colômbia. Imperdível.

Neste momento, o número de gols da Copa já era superior a toda a primeira rodada do mundial anterior e a média de gols era a maior desde 1958. Não acredito que a média de gols por si só ilustre a qualidade de uma Copa, mas além do alto número de gols, os jogos estão comprovando o alto nível do futebol jogado atualmente. Atuações excepcionais como as de Robben e Pirlo, somadas a equipes ofensivas, poucas faltas e belas jogadas estão fazendo da primeira rodada da Copa 2014 uma das mais marcantes da história.

Mas vamos aos jogos do domingo:

SUÍÇA 2 X 1 EQUADOR
Tecnicamente o jogo começou apenas razoável, com a Suíça pressionando e o Equador contra-atacando apenas raramente. Mas o gol equatoriano fez explodir a parte amarela do estádio, criando o cenário para um final épico. Após as mudanças do ótimo Ottmar Hitzfeld (obrigado novamente pela Champions de 97!), a Suíça empatou e virou no último lance, na jogada mais épica da Copa até aqui. Segundos após evitar o gol da vitória equatoriana, o suíço Behrami partiu para o ataque, sofreu uma falta, levantou-se e continuou a jogada que resultou no gol da virada aos 48 minutos do segundo tempo. Emoção pura! (e alguns dos meus grandes amigos estavam presentes no estádio para curtir ao vivo este momento).

FRANÇA 3 X 0 HONDURAS
Jogo mais desequilibrado até então, tornou-se ainda mais desigual após a expulsão de Palacios na jogada do pênalti que abriu o marcador. A partir daí, massacre francês com show de Benzema e o histórico momento em que o chip foi utilizado pela primeira vez na história das Copas para confirmar um gol eletronicamente. Vitória justa de um time sólido que poder ir longe.

ARGENTINA 2 X 1 BÓSNIA
A atmosfera no Maracanã não podia ser melhor. Brasileiros e argentinos duelando enquanto em campo a Argentina sofria diante de uma Bósnia bem estruturada e com ótimos jogadores. Até que Messi resolveu aparecer e fazer um gol de Messi, dando esperanças aqueles que, como eu, querem ver o melhor do mundo brilhar em solo brasileiro – desde que não leve a Argentina ao título ;). Uma estreia apenas razoável de uma seleção que precisa de ajustes para sonhar contra uma que provou ser capaz de ao menos chegar às oitavas.

Hoje tem mais. Espero que a Copa continue apresentando este nível de excelência e este clima alegre fora de campo. Se os gastos exorbitantes não podem mais ser revertidos e o povo brasileiro certamente sofrerá por isso, que ao menos o futebol saia vencedor da Copa. 

PS: Ao criticar os gastos da Copa, não estou dizendo que o partido A ou B faria melhor no poder. Não me confundam com jornalistas do mais baixo nível como Reinaldo Azevedo. Primeiro, por que não sou jornalista, apenas um blogueiro que curte falar de cinema e aprender com ele também. Depois, porque Azevedo está bem longe do tipo de gente que procuro me espelhar e ter por perto.

 Imagem

Texto publicado em 16 de Junho de 2014 por Roberto Siqueira

#vaitercopa

O maior evento do planeta chegou e eu mal posso conter a ansiedade. A partir de amanhã, deixarei de lado todos os problemas políticos envolvendo a Copa do Mundo e vou me concentrar em curtir em cada detalhe este que é o evento esportivo que mais gosto.

Assistirei todos os jogos que conseguir, curtirei ao lado de minha família e dos meus amigos, me envolverei completamente com a maior festa do futebol. É um privilégio enorme ter este evento maravilhoso em nossa terra. Pense em quantas pessoas você conheceu que não tiveram esta chance de curtir uma Copa aqui. Temos que curtir, aproveitar cada segundo. Depois da Copa, voltarei a pensar nos problemas do nosso país. Mas, por enquanto, me reservo ao direito de curtir e me divertir.

Adoro futebol e nem por isso sou alienado. Ver a Copa, colocar bandeira em minha casa e no meu carro não vão me deixar menos inteligente. Alemanha e Inglaterra estão aí para provar que um povo que gosta de futebol não é necessariamente um povo alienado. Afinal, este é o melhor esporte do planeta.

Enfim, relaxe e curta. Vai ter Copa. E isto é ótimo.

Um excelente mundial para todos nós!

Copa do Mundo 2014Texto publicado em 11 de Junho de 2014 por Roberto Siqueira

007 UM NOVO DIA PARA MORRER (2002)

(Die Another Day)

2 Estrelas 

Filmes em Geral #121

Dirigido por Lee Tamahori.

Elenco: Pierce Brosnan, Halle Berry, Toby Stephens, Rosamund Pike, Rick Yune, Judi Dench, John Cleese, Michael Madsen, Will Yun Lee, Kenneth Tsang, Emilio Echevarría, Colin Salmon, Samantha Bond e Madonna.

Roteiro: Neal Purvis e Robert Wade, baseado em personagens criados por Ian Fleming.

Produção: Michael G. Wilson e Barbara Broccoli.

007 Um Novo dia para morrer[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Após um início promissor que teve seu auge no ótimo “007 O Amanhã nunca morre”, Pierce Brosnan viu sua trajetória como James Bond chegar ao fundo do poço neste indefensável “007 Um Novo dia para morrer”, longa dirigido por Lee Tamahori que, por muito pouco, não decretou o fim da franquia no cinema. Repleto de personagens absurdos e cenas pavorosamente mal elaboradas em CGI, o filme torna difícil à tarefa de apontar seus melhores momentos – e se o mais marcante deles é uma homenagem a outro filme da própria franquia é porque a falta de criatividade de seus realizadores extrapolou os limites.

Escrito por Neal Purvis e Robert Wade com base nos já clássicos personagens de Ian Fleming, “007 Um Novo dia para morrer” começa com James Bond (Pierce Brosnan) sendo capturado numa missão na Coréia do Norte na qual deveria assassinar o general Moon (Kenneth Tsang), mas acaba mesmo é testemunhando o suicídio do filho do coreano. Após passar 14 meses na prisão, o governo britânico resolve trocar Bond por um perigoso terrorista internacional conhecido como Zao (Rick Yune). No entanto, o MI-6 desconfia que ele revelou informações importantes nos tempos de cativeiro e acaba desligando-o de suas funções. Decidido a provar sua inocência, o agente parte em busca do terrorista, o que o faz cruzar o caminho do excêntrico milionário Gustav Graves (Toby Stephens).

Repleta de alfinetadas políticas interessantes, a tensa sequência de abertura que se divide entre as ações na Coréia do Norte e no comando do MI-6 acaba nos dando a falsa esperança de que “007 Um Novo dia para morrer” será mais um ótimo filme da franquia. Ainda que seja recheada por exageradas explosões e pirotecnias (uma característica da época), esta sequência funciona muito bem e fisga o espectador rapidamente para a trama. O problema é que, a partir daí, o roteiro não sabe exatamente para onde ir, criando situações potencialmente interessantes para, em seguida, não conseguir desenvolvê-las. O conflito entre Bond e M, por exemplo, não funciona tão bem quanto em filmes anteriores, chegando a parecer bobo e sem sentido inicialmente por surgir tão carregado dramaticamente.

Por outro lado, o roteiro acerta ao inserir momentos de bom humor como quando a pessoa que avalia o estado físico de Bond após o resgate afirma que “o fígado não está muito bem, definitivamente é ele”. No entanto, estes momentos não salvam uma narrativa mal conduzida e que sequer consegue desenvolver bem seus personagens. Não que a franquia 007 seja marcada pela presença de personagens complexos, mas ao menos os melhores filmes tinham narrativas envolventes e criativas. Pra piorar, o diretor Lee Tamahori investe em reviravoltas extremamente previsíveis, como a revelação de que Graves é o filho do general Moon e a traição de Miranda Frost, a agente secreta interpretada por Rosamund Pike que não consegue esconder o fascínio dela pelo milionário.

O próprio Gustav Graves de Toby Stephens é um personagem totalmente unidimensional, demonstrando sua inquietação diante da primeira provocação de Bond e escancarando seu passado, sendo capaz ainda de assassinar o próprio pai e sorrir em seguida, numa das composições mais caricatas de uma franquia já marcada por vilões caricatos. E enquanto Judi Dench tenta conferir algum peso ao raso conflito que tem com Bond, John Cleese confirma que poderia ser um ótimo substituto para Desmond Llewelyn na pele de Q. Finalmente, Halle Berry até que se sai bem nas sequências que exigem esforço físico, tendo ainda o privilégio de estar numa das raras cenas memoráveis do longa ao sair da água da mesma maneira que Ursula Andress havia feito na icônica cena de “007 Contra o Satânico Dr. No”, que aqui claramente é homenageada.

Traição de Miranda FrostGustav Graves unidimensionalRaso conflitoMais a vontade no papel, Pierce Brosnan poderia ter oferecido uma boa atuação caso o roteiro lhe permitisse, mas infelizmente é sabotado por uma trama confusa e, principalmente, por cenas de ação totalmente prejudicadas pelo mau uso do CGI – voltaremos a elas em instantes. Não que a parte técnica de “007 Um Novo dia para morrer” seja um desastre completo, já que a fotografia de David Tattersall, por exemplo, faz um interessante trabalho ao estabelecer claramente a atmosfera de cada ambiente através do visual acinzentado na Coréia do Norte, da fotografia árida que predomina a sequência cubana e da paleta gélida na Islândia. Por sua vez, o design de produção do bom Peter Lamont cria interessantes cenários de gelo na Islândia, ao passo que os figurinos de Lindy Hemming mantêm o padrão da série com roupas elegantes para Bond e, neste caso, também para os vilões.

Já a trilha sonora de David Arnold não consegue chamar a atenção, mas é claramente prejudicada por utilizar variações da música tema de Madonna. Eu gosto de muitas músicas da Madonna, que curiosamente tem uma rápida participação como a professora de esgrima Verity, mas “Die Another Day” está bem longe de ser uma boa música. Ao menos, Arnold consegue compor trilhas instrumentais interessantes para embalar as cenas de ação.

No entanto, a feroz luta de espadas entre Bond e Graves é uma das raras cenas empolgantes de “007 Um Novo dia para morrer”, já que o diretor Lee Tamahori perde a mão na condução da narrativa, especialmente no segundo ato em que o ritmo arrastado imprimido pelos montadores Andrew MacRitchie e Christian Wagner não consegue envolver o espectador, falhando ainda, por exemplo, ao abusar do uso da câmera lenta em diversos momentos, tirando a agilidade das cenas sem ter qualquer ganho estilístico significativo com isto.

Paleta gélida na IslândiaBond surfa numa avalancheAvião pega fogoMas todos estes erros não se comparam ao grotesco uso do CGI que torna as pavorosas sequências em que Bond surfa numa avalanche e aquela na qual um avião pega fogo no ato final ainda mais artificiais, como se a decisão de colocar o agente surfando num fenômeno cataclísmico como aquele não fosse suficiente para arruinar a narrativa – OK, concordo que Bond já fez de quase tudo nesta vida, mas exagero tem limite. Pra piorar, o diretor emprega movimentos bruscos que tornam a citada cena do avião ainda mais confusa, chegando a provocar náuseas no espectador mais sensível. Ao menos, algumas ideias mirabolantes funcionam bem, como o carro invisível que, ironicamente, apoia-se em bons efeitos visuais para tornar-se verossímil – o que não ocorre nas citadas cenas que abusam do CGI. E finalmente, a sequência em que Moneypenny (Samantha Bond) imagina um encontro romântico com Bond é divertida, apesar de ser bem previsível.

A imaginação, aliás, é o problema central de “007 Um Novo dia para morrer”. Enquanto algumas cenas de ação pecam justamente pelo excesso, outras surgem pouco inspiradas, o que, somado aos personagens mal desenvolvidos e a preguiçosa condução da narrativa, fazem deste o pior filme da franquia até hoje. Foram necessários quatro anos e um reboot da série para amenizar o estrago feito pelo filme de Lee Tamahori.

007 Um Novo dia para morrer foto 2Texto publicado em 06 de Junho de 2014 por Roberto Siqueira

007 O MUNDO NÃO É O BASTANTE (1999)

(The World is not enough)

3 Estrelas 

Videoteca do Beto #209

Dirigido por Michael Apted.

Elenco: Pierce Brosnan, Sophie Marceau, Robert Carlyle, Denise Richards, Robbie Coltrane, Judi Dench, Desmond Llewelyn, John Cleese, Maria Grazia Cucinotta, Samantha Bond, Michael Kitchen, Colin Salmon e Ulrich Thomsen.

Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade e Bruce Feirstein, com base nos personagens criados por Ian Fleming.

Produção: Michael G. Wilson e Barbara Broccoli.

007 O Mundo não é o bastante[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Se por um lado as cenas de ação não garantem o sucesso de um filme de James Bond, por outro a falta delas normalmente é sentida pelos fãs, ansiosos pelas sequências mirabolantes em que o agente secreto se livrará do perigo das mais diferentes e originais maneiras imagináveis. No entanto, uma boa narrativa e, especialmente, bons antagonistas costumam saciar parte desta ausência e, felizmente, este é o caso de “007 O Mundo não é o bastante”, longa dirigido por Michal Apted que, se não acerta na condução das sequências, digamos, mais agitadas, ao menos desenvolve bem uma das personagens chave da narrativa.

Escrito por Neal Purvis, Robert Wade e Bruce Feirstein com base nos personagens criados por Ian Fleming, “007 O Mundo não é o bastante” traz James Bond (Pierce Brosnan) incumbido de proteger Elektra King (Sophie Marceau), a herdeira de um bilionário assassinado em plena sede da MI6 que tinha sido sequestrada pelo terrorista Renard (Robert Carlyle), um homem atingido por uma bala de outro agente britânico e que, lentamente, perdeu alguns de seus sentidos – entre eles, a capacidade de sentir dor.

Repleta de adrenalina, a sequência de abertura de “007 O Mundo não é o bastante” dá a falsa sensação de que o longa repetirá o ritmo empolgante de seu antecessor, trazendo Bond fugindo de Bilbao com uma maleta cheia de dinheiro, a explosão de parte do centro da MI6 que resulta na morte de Sir Robert King (David Calder) e a perseguição de lancha pelo rio Tâmisa que culmina no suicídio da atiradora enviada por Renard do alto de um balão. No entanto, estes momentos não surgem com tanta frequência ao longo da narrativa e, quando surgem, nem sempre são conduzidos com destreza pelo diretor. O ataque ao galpão de Valentin Zukovsky (Robbie Coltrane) no mar Cáspio, por exemplo, é uma sequência bastante agitada, mas um pouco confusa, graças à montagem excessivamente dinâmica de Jim Clark e a fotografia às vezes sombria de mais de Adrian Biddle, que não nos permite enxergar com clareza o que está acontecendo. Da mesma forma, a sequência final dentro de um submarino jamais consegue nos empolgar e, pra piorar, ainda enfraquece o vilão Renard, que é facilmente derrotado por Bond.

Ainda assim, merecem destaque as belas imagens que surgem na intensa perseguição em que Bond e Elektra fogem esquiando e, principalmente, a cena em que Bond e Christmas Jones (Denise Richards) tentam desarmar uma bomba dentro de um oleoduto, certamente uma das mais tensas do filme. Embalando estes escassos momentos de tensão, a trilha sonora de David Arnold utiliza com mais frequência o tema clássico de 007, incluindo também as tradicionais variações da música tema – a interessante “The World is not enough”, do grupo Garbage.

Perseguição de lancha pelo rio TâmisaAtaque ao galpão de Valentin ZukovskyBond e Christmas Jones tentam desarmar uma bombaComo já mencionado, Robbie Coltrane dá as caras novamente como o divertido ex-agente da KGB Valentin Zukovsky, o “amigo” russo de James Bond que tem envolvimento com os negócios milionários da família King. Já Samantha Bond mantém o charme e o sarcasmo de Moneypenny, a sempre simpática secretária que nunca concretiza o romance com Bond e que, desta vez, tem uma rápida crise de ciúmes diante da médica dele. Escolhido para ser o substituto de “Q”, John Cleese encarna “R” com o mesmo sarcasmo de seu antecessor, numa escolha que me deixa feliz por gostar de Cleese, mas triste pela despedida do ótimo Desmond Llewelyn. Enquanto isso, Judi Dench ganha mais espaço para demonstrar seu talento como “M”, ao passo que Denise Richards se limita ao papel de parceira de Bond sem grande destaque na pele de Christmas Jones. E finalmente, Robert Carlyle até soa ameaçador inicialmente, mas Renard é suplantado por Elektra ao longo da narrativa e perde o posto de vilão mais interessante do longa.

Acompanhada pelo poético som de gaitas de fole em sua primeira aparição (referencia à sua participação em “Coração Valente”?), Sophie Marceau compõe uma Elektra frágil e indefesa que, ao mesmo tempo, exala charme e sensualidade, chamando imediatamente a atenção de Bond. No entanto, a boa atuação de Marceau não é suficiente para disfarçar a abordagem nada sutil do diretor Michal Apted, que parece gritar em diversos momentos que ela esconde algo, tornando perceptível para o espectador mais atento desde o início que Elektra está envolvida na morte do pai. Assim, logo no primeiro encontro entre Bond e Renard durante o roubo de uma bomba, o terrorista dá a dica daquilo que o espectador já desconfiava e escancara que Elektra não é tão inocente assim.

Por outro lado, este problema não diminui a complexidade da personagem, uma vítima da síndrome de Estocolmo que, apaixonada pelo sequestrador, enxerga nele também a oportunidade de recuperar o império da mãe que fora parar nas mãos de seu pai. Esta ambição, no entanto, esconde a fragilidade de uma mulher que enxerga sua sensualidade como a única arma que tem para se defender, como fica claro no envolvente diálogo que ela trava com Bond antes de morrer, um breve momento que diz muito sobre a personagem. Ela de fato acreditava que seu poder de sedução poderia salvá-la em qualquer situação, o que chega a ser melancólico.

Renard até soa ameaçador inicialmenteElektra frágil e indefesaIntensidade e carismaMais uma vez comprovando que pode tranquilamente sustentar o papel, Pierce Brosnan vive James Bond com a mesma intensidade e carisma dos filmes anteriores, destacando-se em momentos especiais como o confronto verbal entre Bond e “M” em que desafia sua liderança imediata e, como de costume, saindo-se muito bem nas cenas que exigem esforço físico. Além disso, o ator demonstra bem a determinação do agente em cumprir seu dever ao atirar a queima roupa contra Elektra na frente de “M”, num momento marcante que comprova a frieza do personagem.

Com uma trama interessante, “007 O Mundo não é o bastante” tem bons momentos, apoiando-se mais na narrativa e na qualidade de alguns de seus personagens do que na própria ação para funcionar. E funciona bem, ainda que não ganhe grande destaque na filmografia do agente mais famoso do planeta.

007 O Mundo não é o bastante foto 2Texto publicado em 05 de Junho de 2014 por Roberto Siqueira