Semana: Bons filmes de grandes diretores

Quando falamos, por exemplo, em Martin Scorsese, os primeiros filmes que vêm à mente normalmente são “Taxi Driver”, “Touro Indomável” e “Os Bons Companheiros”. Só que, obviamente, a carreira de Marty não se resume a estes três filmes excepcionais e nem mesmo apresenta somente filmes de qualidade inquestionável. A mesma situação se repete na maioria dos grandes diretores da história do cinema. Em praticamente todos os casos, existem aqueles filmes que marcaram suas carreiras, aqueles que foram verdadeiras decepções e um terceiro grupo, formado por filmes de qualidade, mas que não conseguem alcançar o mesmo nível de excelência (ou de popularidade) dos filmes mais conhecidos destes cineastas.

É justamente desta fatia importante da filmografia destes diretores que retirei os cinco filmes que terão críticas divulgadas nos próximos dias. Obviamente, esta lista poderia ter muitos filmes, já que a quantidade de diretores importantes da história do cinema é enorme. Mas preferi escolher apenas cinco filmes de cinco diretores que eu gosto – e que se encaixam (em minha opinião) nesta categoria de “bons filmes”. Portanto, não se trata de uma lista de diretores importantes e nem mesmo dos “melhores filmes” desta categoria. É apenas, como de costume, uma seleção de filmes que me agradam e que se encaixam neste pré-requisito.

Como sabem, não costumo adiantar os nomes dos filmes que vou divulgar, mas desta vez vou adiantar pelo menos o nome dos cinco diretores. São eles: Stanley Kubrick, Ridley Scott, Roman Polanski, Martin Scorsese e Paul Thomas Anderson.

Quais serão os cinco filmes escolhidos? Que comecem as apostas! 😉

Um grande abraço.

Texto publicado em 23 de Janeiro de 2011 por Roberto Siqueira

Visite as locações de seus filmes favoritos

Você já se imaginou subindo a escadaria do Museu de Arte da Filadélfia como fez Rocky Balboa ou visitando a casa da família Corleone? Quem não gostaria de conhecer os castelos de “Coração Valente” ou as lindas praias de “A Praia”? Quem não gostaria de tirar uma foto e ter uma recordação do lugar onde grandes filmes foram filmados? Provavelmente você já se perguntou onde fica aquele lugar tão lindo que você viu em determinado filme, seja uma paisagem, um hotel, um bar ou restaurante.

Pois agora ficou mais fácil realizar esta vontade, graças ao ótimo site “Movie Locations” (para acessar, clique aqui). Ainda em desenvolvimento, o site mostra onde ficam as locações de muitos filmes famosos em todas as partes do planeta, permitindo consulta por nome do filme, por ator ou diretor e até mesmo por região.

Como eu achei muito interessante a idéia, resolvi compartilhar com vocês. Espero que gostem!

Um abraço.

Texto publicado em 22 de Janeiro de 2010 por Roberto Siqueira

LUA DE FEL (1992)

(Bitter Moon)

 

Videoteca do Beto #84

Dirigido por Roman Polanski.

Elenco: Hugh Grant, Kristin Scott Thomas, Emmanuelle Seigner, Peter Coyote, Victor Banerjee, Sophie Patel, Patrick Albenque, Luca Vellani e Stockard Channing.

Roteiro: Gérard Brach, John Brownjohn, Jeff Gross e Roman Polanski, baseado em livro de Pascal Bruckner.

Produção: Roman Polanski.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Durante grande parte de “Lua de Fel”, Roman Polanski faz um profundo e interessante estudo da paixão sem limites, revelando as melhores e as piores conseqüências de se entregar totalmente a uma pessoa, abdicando de si mesmo. Mas, infelizmente, o diretor escorrega no ato final, diminuindo parte do impacto de um filme que tinha tudo para deixar o espectador completamente atordoado com seu retrato pessimista da relação entre duas pessoas perdidamente apaixonadas. O resultado é um longa correto, que deixa a sensação de que Polanski, com um pouco mais de ousadia, poderia ter realizado uma obra marcante.

Casados há sete anos, os ingleses Nigel (Hugh Grant) e Fiona (Kristin Scott Thomas) decidem embarcar num cruzeiro marítimo, como forma de renovar a relação. Durante a viagem, eles conhecem a francesa Mimi (Emmanuelle Seigner) e seu marido norte-americano Oscar (Peter Coyote). Ao perceber o interesse de Nigel por sua esposa, Oscar decide contar sua história de paixão doentia pra ele, lentamente revelando como foi parar numa cadeira de rodas.

Roman Polanski é um diretor talentoso. Por isso, não surpreende que “Lua de Fel” apresente momentos marcantes, como a sensual dança de Mimi para Oscar, e tenha um ritmo envolvente, nos sugando pra dentro da história, especialmente nos momentos que envolvem o passado dos amantes. Também não faltam belos planos, como aquele em que Nigel olha para o mar durante a noite com a lua refletindo na água, e inteligentes mecanismos narrativos, como os planos do mar que antecedem as conversas entre Oscar e Nigel, que indicam a intensidade da história que será contada a seguir (ou seja, quanto mais agitado o mar, mais quente e ousada será a nova parte da história). Contando com a montagem de Hervé de Luze, o diretor cria ainda elegantes transições, como quando a imagem de Mimi na tela do computador se transforma na imagem dela dentro do ônibus, durante uma lembrança de Oscar. Além disso, conta também com a bela trilha sonora de Vangelis, com sua melodia triste se alternando com variações sombrias, coroada pelo lindo tema que embala o inicio da relação de Mimi e Oscar em Paris. Mas apesar destes belos momentos, Polanski deixa escapar a chance de realizar um grande filme e se perde no ato final, quando o longa assume contornos de lesbianismo e um clima festivo que contradizem radicalmente a atmosfera pessimista da narrativa até então, apesar do sutil indício de que isto poderia acontecer quando Mimi vê Fiona pela primeira vez e diz que ela é linda.

Para viver Mimi, a mulher que embalaria os melhores sonhos e os piores pesadelos de Oscar, Polanski escolheu sua esposa Emmanuelle Seigner, com quem já havia trabalhado em “Busca Frenética”. Inexpressiva em boa parte da narrativa, a atriz exagera em alguns momentos, como quando chora nas pernas de Oscar, e se sai bem em outros, como nas intensas discussões com Oscar ou quando se mostra insinuante no bar na ousada primeira conversa com Nigel, entregando uma atuação bastante irregular. Ainda assim, é interessante acompanhar a trajetória de sua personagem, que lentamente se transforma de jovem apaixonada numa mulher dominadora, caindo repentinamente ao fundo do poço e voltando para viver um misto de amor e ódio com Oscar. Com pouco tempo em cena, a talentosa Kristin Scott Thomas vive a entediada Fiona, para quem o momento mais excitante da viagem é uma conversa com um desconhecido no bar, que serve de aviso para seu distante marido (“Não há nada que você faça que eu não faça melhor”, ameaça). Observe o olhar ameaçador de Fiona para Nigel quando diz para o rapaz no bar o dito popular “azar no jogo, sorte no amor”, insinuando que não hesitaria em trair o marido caso ele continuasse agindo daquela maneira. Mas o aviso não surtiu efeito, e logo em seguida ele deixa Fiona passando mal na cabine e volta para ouvir o final da história de Oscar. Interpretado por Hugh Grant, o tímido Nigel é o típico homem de família inglês, sempre polido e educado, mas incapaz de se conter diante da insinuante Mimi. O ator demonstra bem a luta constante de Nigel para não demonstrar interesse no que ouve, enquanto claramente se mostra cada vez mais interessado nos detalhes mais obscenos da relação entre Oscar e Mimi (vale citar o engraçado momento em que Nigel se mostra incomodado com os detalhes escatológicos da história que ouve). Já Peter Coyote exagera em alguns momentos, como quando Mimi derruba Oscar da cama no hospital, mas vai bem em muitos outros, principalmente quando desafia Nigel na cabine a ouvir mais de sua história, além de prender a atenção do espectador com sua narração envolvente.

Escrito por Gérard Brach, John Brownjohn, Jeff Gross e Roman Polanski, baseado em livro de Pascal Bruckner, “Lua de Fel” faz um interessante estudo da paixão sem limites, utilizando uma narrativa que intercala a viagem de navio com os flashbacks que ilustram as memórias de Oscar. E é curioso acompanhar a mudança sistemática no relacionamento do casal apaixonado, ilustrada até mesmo através da fotografia de Tonino Delli Colli, mais clara e iluminada no inicio da narrativa, escurecendo na medida em que a relação avança e se afundando inteiramente nas sombras após a conversa deles numa praça, quando Oscar diz que é melhor cada um seguir o seu caminho. Este momento até mesmo tocante se contrapõe diretamente ao promissor inicio do romance, com direito a jantar de gala, brincadeiras e passeio no parque, terminando na belíssima cena da primeira relação sexual do casal, com lareira ao fundo e os closes de Polanski destacando a sensualidade e o erotismo do encontro. Após o romântico passeio no parque, a sensual dança a luz de velas e as brincadeiras com leite, o casal se mostra cada vez mais íntimo. Só que um pequeno corte feito por Mimi enquanto barbeia Oscar indica que a relação entraria em novos terrenos, explorando novas experiências e revelando o lado sádico da jovem. E após comprarem seus “brinquedos” e se trancarem por dias no apartamento para se divertirem, Oscar começa a perceber que a relação está entrando em decadência, e na tentativa de se renovar, sai com ela e os amigos, nos levando ao momento que mudaria pra sempre aquela história, quando uma crise de ciúmes de Mimi é o estopim para uma serie de atitudes entre eles que os levará ao outro extremo da paixão, o ódio. O choro compulsivo de Mimi após esta briga evidencia sua paixão doentia e desperta as piores idéias na cabeça de Oscar, reforçadas pelo momento em que ele bate nela e ela, após desmaiar, acorda e diz que o ama. Faltava amor próprio a Mimi (algo refletido até mesmo em seu visual dali em diante) e Oscar percebe isto, revelando sua pior faceta com verdadeiros requintes de crueldade. Mas um acidente viraria o jogo novamente, colocando Mimi numa posição favorável e abrindo a possibilidade de vingança pra ela. Revigorada (algo também refletido no visual dela), ela aproveita para devolver o amargo gosto do desprezo ao amante, que, incapaz de reagir, se afunda em solidão, algo ilustrado no obscuro plano em que olha pela janela a distante Torre Eiffel, simbolizando o romance perdido e fazendo-o sentir a humilhação que Mimi sentiu ao olhar para a lua no avião. Oscar finalmente chega ao fundo do poço na melancólica seqüência em que Mimi transa com outro na frente dele e o travelling de Polanski pelo quarto nos leva ao rosto incrédulo daquele homem em ruínas. A paixão tinha se transformado em ódio.

A triste história de Oscar e Mimi desperta Nigel, que finalmente compreende que sua relação com a esposa estava deteriorada, o que o leva a ensaiar uma conversa franca com ela (“Vamos ser adultos”, diz sozinho olhando para o mar). Em seguida, ele se entrega a paixão por Mimi, que não corresponde. Ela não queria sofrer mais, por isso, era melhor nem se envolver com alguém que quisesse mais do que sexo com ela. Assim como Oscar, ela já não acreditava mais no amor. E então o surpreendente (e até certo ponto incompreensível) final contraria toda a atmosfera amarga do longa, quando Mimi e Fiona se beijam na festa e dormem juntas. Embalada pela música “Slave to Love” (a mesma que embalou “9 ½ Semanas de Amor”, outro longa que aborda o tema “paixão sem limites”), a festa destoa do restante da narrativa e parece deslocada. Mas os tiros impiedosos de Oscar contra Mimi e na própria cabeça devolvem o pessimismo à “Lua de Fel”, deixando, com o perdão do trocadilho, um gosto amargo na boca do espectador, refletido no melancólico plano final, com Nigel e Fiona, solitários, diante do mar.

Com muito mais acertos do que erros, “Lua de Fel” apresenta um retrato cruel e pessimista da paixão avassaladora, mas, infelizmente, boa parte de seu impacto é reduzido pelo inexplicável terceiro ato. Talvez se Fiona tivesse ficado com o homem que conheceu no bar e Nigel tivesse perdido as duas mulheres em definitivo, o tom pessimista soaria homogêneo em toda a narrativa. Ainda assim, o longa faz jus ao fel de seu título.

Texto publicado em 19 de Janeiro de 2011 por Roberto Siqueira

Globo de Ouro 2011 – Vencedores

Não gosto muito do Globo de Ouro. Acho que a festa perdeu muito de sua relevância nos últimos anos. Em todo caso, sempre dou uma conferida por alguma razão em especial. Ontem, a razão era a homenagem (ainda que de apenas 3 minutos) a um dos meus atores favoritos: Robert de Niro. E valeu muito a pena conferir este ator sensacional subir ao palco e fazer um discurso muito interessante (ainda que leia o discurso, por causa de sua conhecida timidez), além de, é claro, rever momentos marcantes de sua longa carreira. A noite valeu à pena também por ver Al Pacino, outro ator que admiro muito, ser novamente premiado como melhor Ator, desta vez pelo filme feito para televisão “You Don’t Know Jack”. E finalmente, parece que chegou mesmo a vez do ótimo David Fincher, de quem sou fã, principalmente por causa de “Seven” e “Clube da Luta”. O seu “A Rede Social” foi o grande vencedor da noite e sai ainda mais fortalecido para a disputa do Oscar.

Agora vamos à lista dos vencedores do Globo de Ouro 2011 (incluindo também as categorias de séries):

MELHOR FILME – DRAMA
A Rede Social

MELHOR FILME – COMÉDIA/MUSICAL
Minhas Mães e Meu Pai

MELHOR DIRETOR
David Fincher (A Rede Social)

MELHOR ATOR – DRAMA

Colin Firth (O Discurso do Rei)

MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL

Paul Giamatti (Minha Versão para o Amor)

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Natalie Portman (Cisne Negro)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL
Annette Bening (Minhas Mães e Meu Pai)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christian Bale (O Vencedor)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Melissa Leo (O Vencedor)

MELHOR ROTEIRO
Aaron Sorkin (A Rede Social)

MELHOR TRILHA SONORA
Trent Reznor e Atticus Ross (A Rede Social)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“You Haven’t Seen The Last Of Me” (Burlesque)

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Toy Story 3

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
In a Better World (Dinamarca)

MELHOR SÉRIE DE TV – DRAMA
Boardwalk Empire

MELHOR SÉRIE DE TV – COMÉDIA/MUSICAL
Glee

MELHOR MINISSÉRIE/FILME PARA TV
Carlos

MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/FILME PARA TV
Al Pacino (You Don’t Know Jack)

MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/FILME PARA TV
Claire Danes (Temple Grandin)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE TV – DRAMA
Steve Buscemi (Boardwalk Empire)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE TV – DRAMA
Katey Segal (Sons of Anarchy)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE TV – MUSICAL/COMÉDIA
Jim Parsons (The Big Bang Theory)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE TV – MUSICAL/COMÉDIA
Laura Linney (The Big C)

MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Chris Colfer (Glee)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE/MINISSÉRIE OU FILME PARA TV
Jane Lynch (Glee)

Um abraço.

Texto publicado em 17 de Janeiro de 2010 por Roberto Siqueira

INSTINTO SELVAGEM (1992)

(Basic Instinct)

 

Videoteca do Beto #83

Dirigido por Paul Verhoeven.

Elenco: Michael Douglas, Sharon Stone, Jeanne Tripplehorn, Dorothy Malone, George Dzundza, Denis Arndt, Leilani Sarelle, Bruce A. Young, Chelcie Ross, Wayne Knight, Daniel von Bargen, Stephen Tobolowsky, Benjamin Mouton e James Rebhorn.

Roteiro: Joe Eszterhas.

Produção: Alan Marshall.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Quando escrevi sobre “Cantando na Chuva”, afirmei que qualquer pessoa, ainda que não tivesse assistido ao filme, reconheceria a cena em que Gene Kelly canta e dança na chuva. Cenas deste tipo sempre existiram na história do cinema, mas nos anos 90 poucas foram tão marcantes quanto à cruzada de pernas de Sharon Stone em “Instinto Selvagem”. Só que o longa dirigido por Paul Verhoeven apresenta muito mais que as excelentes cenas eróticas, entregando um thriller eletrizante e repleto de suspense, que serve também como uma interessante análise psicológica das relações (sexuais ou não) humanas.

O assassinato de um cantor de rock chama a atenção da policia de São Francisco e a principal suspeita é a escritora Catherine Tramell (Sharon Stone). O policial Nick Curran (Michael Douglas) é designado para investigar o caso, mas acaba ficando fortemente atraído pela escritora, apesar dos protestos de seus companheiros de profissão, como Gus (George Dzundza) e a Dra. Beth (Jeanne Tripplehorn), que assim como Catherine, é formada em psicologia.

A famosa cena que marcou “Instinto Selvagem” e alçou Sharon Stone ao estrelato acontece ainda na primeira metade do filme, o que é bom, pois o espectador deixa de aguardar aquele momento e passa a se concentrar na narrativa. Nesta cena, apenas pela disposição dos personagens, Verhoeven cria uma incrível atmosfera de tensão e erotismo, com Catherine no centro da sala cercada de homens ávidos por uma confissão, mas sempre firme e contundente em suas respostas, que invariavelmente deixam estes mesmos homens desconcertados. Na medida em que as perguntas acontecem, o espectador sente o nervosismo crescente dos policiais, inconformados com a frieza daquela mulher. E então, repentinamente, ela cruza as pernas, deixando marmanjos eufóricos e os investigadores literalmente sem rumo, algo que o diretor capta com precisão através de um close rápido na reação deles. Desde então, fica evidente que a espontânea e astuta Catherine sabe muito bem utilizar a sensualidade a seu favor. Sempre insinuante e sensual, Sharon Stone oferece um desempenho eficiente, olhando diretamente nos olhos das pessoas e falando com muita firmeza, além de dizer palavrões e frases que os homens não esperam ouvir com tanta freqüência da boca de uma mulher (“Gostava dele?”, pergunta Nick e ela responde “Gostava de transar com ele”). Inteligente, Catherine sabia, por exemplo, que seu livro, como os próprios investigadores já previam, serviria como álibi no interrogatório, abrindo a possibilidade de que alguém tenha tentado incriminá-la, contrariando a sensação inicial de que ela é a assassina. E de fato alguns elementos reforçam a defesa de Catherine. Ela é rica (herdou uma fortuna dos pais e do marido) e por isso não precisa do dinheiro do astro de rock aposentado, usa seu conhecimento de psicologia “apenas” para extrair informações de pessoas que a inspiram a escrever seus livros e, principalmente após a morte de Roxy (Leilani Sarelle), começa a se mostrar vulnerável, algo impensável até aquele momento e que desarma Nick e o espectador (e neste aspecto, Stone tem muito crédito por conferir veracidade ao choro de Catherine). Michael Douglas também se sai bem na pele de Nick, um homem profundamente transformado diante da presença daquela mulher misteriosa e bela, que sabe tudo da vida dele e utiliza seu passado como arma para intimidá-lo. Atormentado, Nick volta a beber, a fumar, fica agressivo quando se relaciona sexualmente com a Dra. Beth e evidencia a cada minuto que está sendo sugado por Catherine – e Douglas transmite com precisão a crescente angústia do personagem. E finalmente, Jeanne Tripplehorn, ainda que com menos destaque, interpreta a ambígua Dra. Beth, colaborando com a dúvida que envolve a narrativa após a morte de Roxy.

A sensualidade que permeia “Instinto Selvagem” aparece logo na primeira cena, mas a trilha sinistra de Jerry Goldsmith também indica que nem só de erotismo viverá a narrativa, dando o tom do que veremos em poucos segundos, quando um movimento de câmera nos levará ao picador de gelo utilizado como arma letal para fazer a primeira vítima do filme. Esta cena deixa claro desde então o nível de realismo que veremos tanto nas cenas eróticas quanto nas cenas violentas, além de servir também para introduzir a misteriosa assassina na trama, nos mostrando do que ela é capaz. E apesar de inserir algumas seqüências com bastante ação, como a eletrizante perseguição de Nick na estrada, é na criação da perfeita atmosfera de erotismo e suspense que Verhoeven se destaca, explorando com habilidade as nuances do relacionamento entre Nick e Catherine, desde o momento em que ela fala sobre seu novo livro pra ele no carro e o close do diretor capta a tensão existente entre eles. É interessante observar, por exemplo, como mesmo sabendo os riscos que corria, Nick não consegue evitar que Catherine o amarre durante uma relação sexual, preferindo, naquele momento, se entregar ao prazer. O diretor é inteligente também ao explorar a sensualidade de Stone, não hesitando em mostrar o corpo da atriz em diversos momentos carregados de erotismo. E apesar de escorregar na obviedade de algumas situações, como o momento em que Roxy persegue Nick de carro (era previsível que não era Catherine), Verhoeven sempre busca manter o suspense através dos movimentos de câmera, especialmente nas cenas em que insinua que Catherine vai pegar o picador de gelo durante suas relações sexuais com Nick. Aliás, as insinuações estão presentes diversos momentos, como quando Catherine usa o picador de gelo diante de Nick enquanto prepara uma bebida.

A montagem de Frank J. Urioste colabora muito com este clima de suspense, especialmente nos tensos momentos que envolvem Nick e Catherine na cama, e as roupas sensuais de Catherine (figurinos de Nino Cerruti e Ellen Mirojnick) auxiliam na atmosfera erótica do longa. E apesar de alguns momentos nitidamente forçados (parece que ninguém se lembra de trancar a porta de sua residência durante a narrativa), o suspense funciona perfeitamente. Ainda nos aspectos técnicos, observe como quando Catherine se despe na janela sob o olhar de Nick, a fotografia vermelha de Jan de Bont ilustra ao mesmo tempo o desejo que cresce nele e a violência que naquele momento inconscientemente ligamos à personagem. E na medida em que Nick vai ficando cada vez mais neurótico e perturbado diante do jogo das duas psicólogas, de Bont passa a utilizar ambientes mais escuros e mais cenas noturnas, refletindo o estado psicológico do personagem.

Escrito por Joe Eszterhas, o roteiro de “Instinto Selvagem” é bastante ambíguo, nunca deixando claro se Catherine é mesmo a assassina. Sendo assim, a partir de determinado momento o espectador se vê num delicioso jogo de adivinhação, tentando descobrir quem é a misteriosa criminosa, através da introdução de uma série de subtramas que criam novas possibilidades, como o ciúme de Roxy ou a relação amorosa que Catherine viveu com a Dra. Beth no passado. Além disso, o longa faz um intrigante estudo psicológico de Nick através dos jogos de Catherine e Beth, que deixam tanto o personagem como o espectador constantemente em dúvida sobre qual delas está falando a verdade. Eszterhas insere ainda uma interessante rima narrativa durante o interrogatório de Nick, quando ele repete algumas das frases de Catherine, evidenciando o forte impacto que aquela mulher teve sobre ele. Aliás, a forma como ela envolve Nick é muito bem conduzida por Verhoeven, lentamente nos levando ao momento em que eles finalmente se relacionam sexualmente, em outra cena bastante explícita. E aqui novamente a atmosfera de tensão toma conta da tela, com os movimentos de câmera que remetem à primeira cena do filme e nos levam a temer a morte de Nick. Só que momentos depois do alívio, quando Roxy demonstra ciúme, Nick (e o espectador) começa a pensar em novas possibilidades e passa a desconfiar de Roxy também, afinal de contas, ela também é loira, estava na casa de Catherine na manhã seguinte ao crime e poderia ter matado o astro de rock por ciúmes. A descoberta do caso entre Catherine e Lisa Hoberman, antigo nome da Dra. Beth, abre outra possibilidade e confunde ainda mais o espectador, revelando que Nick estava de fato envolvido num perigoso jogo entre duas mulheres profundamente conhecedoras da mente humana. E este perigoso jogo nos leva à morte de Gus e da própria Beth, numa seqüência igualmente trágica e tensa, que revela a identidade da assassina. E apesar das claras evidencias de que Beth era mesmo a assassina, Nick ainda tem desconfianças, que serão confirmadas (ou não) pelo brilhante plano final de “Instinto Selvagem”. E é justamente nesta constante dúvida gerada pela ambigüidade do roteiro que reside um dos aspectos mais interessantes de um thriller repleto de erotismo e suspense, que não tem medo de ousar e por isso consegue criar uma atmosfera realmente envolvente.

Apresentando um interessante jogo psicológico, o thriller “Instinto Selvagem” surpreende positivamente ao explorar mais do que a sensualidade de sua atriz principal. Verhoeven soube utilizar cenas realmente eróticas numa narrativa inteligente, fugindo do lugar comum das grandes produções de Hollywood que normalmente suavizam o sexo, e de quebra, entregando uma das cenas mais emblemáticas da década de 90. Mas, infelizmente, como um feroz picador de gelo, a indústria cinematográfica resolveu eliminar este tipo de trabalho ousado nos anos seguintes.

PS: Como prova de que Hollywood não produz mais filmes tão ousados, basta assistir a puritana seqüência de “Instinto Selvagem”, que é infinitamente mais conservadora e menos interessante.

Texto publicado em 16 de Janeiro de 2011 por Roberto Siqueira

O dia em que o Arthur descobriu a videoteca

O Arthur já assiste desenhos. Presta atenção por algum tempo, depois cansa e começa a brincar com seus bichinhos ou com o carrinho que toca músicas. Sua experiência com o cinema até agora se resume a pequenos trechos de animações que assisto com a mãe dele ou alguns instantes em que fico com ele no colo enquanto assisto a algum filme.

Mas esta semana um fato novo aconteceu. E vocês podem testemunhar abaixo este momento histórico: o dia em que o Arthur descobriu minha videoteca, que, afinal de contas, é dele também. Vocês não podem imaginar a minha alegria, a alegria da minha esposa e, principalmente, a alegria dele no momento. Um vídeo também registrou a cena, mas este eu guardo pra mim.

Um grande abraço.

Texto publicado em 13 de Janeiro de 2011 por Roberto Siqueira

CÃES DE ALUGUEL (1992)

(Reservoir Dogs)

 

Videoteca do Beto #82

Dirigido por Quentin Tarantino.

Elenco: Harvey Keitel, Tim Roth, Michael Madsen, Steve Buscemi, Chris Penn, Lawrence Tierney, Kirk Baltz, Edward Bunker e Quentin Tarantino.

Roteiro: Quentin Tarantino.

Produção: Lawrence Bender.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Violência gráfica, narrativa não-linear, diálogos triviais e repletos de referências a cultura pop, trilha sonora de extremo bom gosto e atuações de grande nível. Todas as marcas registradas do cinema diferente e criativo de Quentin Tarantino podem ser percebidas em “Cães de Aluguel”, excelente filme que marcou a estréia de um dos diretores mais influentes da década de 90.

Seis criminosos profissionais são reunidos por Joe Cabot (Lawrence Tierney) para assaltar uma loja de joalherias que receberia uma valiosa carga de diamantes. Inesperadamente, algo dá errado e dois deles morrem quando os policiais cercam o local, mas todos os outros conseguem fugir. Mr. Orange (Tim Roth), ferido, é levado por Mr. White (Harvey Keitel), e em seguida Mr. Pink (Steve Buscemi) chega ao galpão onde todos combinaram de se encontrar, revoltado com a possibilidade de alguém ter traído o grupo. O último a chegar é Mr. Blonde (Michael Madsen), que provocou a ira dos parceiros ao começar a atirar durante o assalto por que algum funcionário da loja disparou o alarme. Caberá a Eddie (Chris Penn) tentar apaziguar a situação, mas o clima de desconfiança aumenta a cada minuto que passa.

Quentin Tarantino é certamente um dos diretores mais influentes dos últimos anos, imprimindo sua marca registrada em todos os seus filmes e conquistando fãs em cada canto do planeta. Reconhecidamente um grande diretor, Tarantino demonstra, no entanto, ainda mais talento como roteirista, algo notável desde este trabalho de estréia. Repleto de diálogos ágeis sobre coisas do cotidiano, humor negro e até mesmo piadas racistas, o roteiro de “Cães de Aluguel” chama a atenção justamente por conferir um realismo singular à narrativa, que definiu os padrões do cinema contemporâneo ao misturar elementos narrativos clássicos com diversas referências à cultura pop, a começar pelo divertido diálogo sobre as músicas da Madonna, passando pela constante menção ao programa de rádio “K-Billy, o som dos anos 70” e chegando até mesmo a citar “o quarteto fantástico”. Além disso, o fato dos personagens falarem de maneira informal, com muitos palavrões e piadas de humor negro, os torna ainda mais reais, aproximando-os do espectador, que se identifica com aqueles diálogos corriqueiros, afinal de contas, nós também passamos o dia comentando coisas banais. Só que em determinados momentos, a face criminosa de todos eles vem à tona (o que os diferencia da maioria dos espectadores), como no curioso diálogo entre Mr. White e Mr. Pink (“Matou alguém?”; “Tiras”; “Não matou pessoas de verdade?”; “Não, só tiras”), que revela também o lado ético daqueles “profissionais” do crime, revoltados com a morte de uma jovem de 20 anos. E os próprios codinomes dos personagens demonstram a criatividade de Tarantino, utilizando cores para evitar que eles se identifiquem e corram o risco de entregar os colegas numa eventual prisão.

Outra característica marcante do cinema de Tarantino que também surge pela primeira vez em “Cães de Aluguel” é a narrativa não-linear, sempre dividida em capítulos, que abusa dos flashbacks, neste caso para mostrar como cada integrante foi contratado por Joe. E se a estrutura narrativa não-linear normalmente prende a atenção do espectador, o vigor com que Tarantino conduz a trama desde o primeiro momento, quando sua câmera inquieta gira em torno da mesa e nos aproxima daquele grupo de criminosos, torna o longa ainda mais interessante. Os movimentos de câmera, aliás, confirmam o talento do diretor, como podemos notar no plano que se inicia num chão de banheiro, mostrando o lixo e a sujeira do local, seguido por um travelling que nos leva ao final do corredor onde Mr. White e Mr. Pink conversam, diminuindo os personagens na tela e ilustrando o quanto eles estavam perdidos naquele momento. Em outro momento, quando Joe diz para ninguém revelar o nome, Tarantino dá um close no rosto de Mr. White, indicando que aquele personagem quebraria esta sagrada regra. E finalmente, durante a briga entre Mr. White e Mr. Pink no galpão, Tarantino emprega um zoom out que lentamente revela a presença de Mr. Blonde escorado numa parede, apenas observando toda aquela confusão. Além disso, o diretor não hesita em nos apresentar cenas extremamente violentas, mantendo o espectador sempre atento a narrativa na expectativa de que algo surpreendente possa acontecer a qualquer momento, alcançando um nível de realismo bastante ousado para a época.

Profundo conhecedor (e amante) de cinema, Tarantino sabe também que não é preciso utilizar uma montagem acelerada para manter a atenção do espectador. Desta forma, a montagem de Sally Menke utiliza poucos cortes, prolongando bastante as cenas, o que serve também para mostrar o resultado nada agradável daquele ambiente violento, como quando a câmera passeia pelos corpos caídos após a troca de tiros entre Joe, Eddie e Mr. White. O trabalho de Menke se destaca ainda na interessante seqüência em que vemos Mr. Orange decorando a história do encontro com os policiais no banheiro, quando em poucos minutos ele passa do treinamento com seu amigo policial para o momento em que fala diante de Joe, Eddie e Mr. White – e aqui vale observar a inserção de um flashback de algo que nem existiu, conferindo legitimidade a história inventada pelo personagem. E o próprio local escolhido para acolher os criminosos confere ainda mais realismo ao que se passa na tela, com as paredes descascadas e os tijolos à mostra dentro do abandonado galpão, reforçado pela fotografia crua de Andrzej Sekula, que adota um visual granulado e cores sem vida que aproximam a imagem da realidade. Por outro lado, Sekula dá vida aos tons de vermelho, aumentando o choque das cenas de violência, sempre banhadas com muito sangue. E é curioso notar como a trilha sonora diegética, recheada com excelentes músicas dos anos 70, cria um paradoxo ao associar um som agradável à violência extremamente gráfica, deixando o espectador com um sentimento misto de prazer e repulsa.

As atuações, de forma geral, são bastante convincentes e mantém o clima constante de tensão de “Cães de Aluguel”, conseguindo criar personagens ameaçadores graças à firmeza de todo elenco. Observe, por exemplo, como Keitel e Roth soam extremamente convincentes no caminho do galpão, quando Mr. Orange grita de dor e Mr. White tenta acalmá-lo. Já no galpão, Roth convence Keitel e o espectador de que ele não sabe de nada sobre o traidor, o que aumenta o choque no momento em que ele revela a verdade. Keitel, por sua vez, se sai bem nas intensas discussões com os outros integrantes do grupo, como quando parte pra cima de Mr. Blonde logo após sua chegada ao galpão ou quando defende Mr. Orange diante das insinuações de Mr. Pink, interpretado com competência por Steve Buscemi. Já Michael Madsen está assustador como Mr. Blonde, com sua voz tranqüila e um olhar calmo que personificam o verdadeiro psicopata, capaz de provocar a ira em qualquer um – repare sua expressão de cinismo ao provocar Mr. White com a frase “Vai latir o dia inteiro, cachorrinho?”. Sua insanidade vem à tona na impressionante cena da tortura do policial Marvin Nash (Kirk Baltz), onde Tarantino evita mostrar a barbárie desviando a câmera no último instante, mas faz questão de mostrar as conseqüências daquele ato insano, através do rosto desfigurado de Nash, agora sem uma das orelhas, que pode ser vista na mão de Mr. Blonde – e aqui o diretor não resiste ao seu característico humor negro, personificado na brincadeira de Mr. Blonde com a orelha do rapaz. Observe ainda como a cena é pontuada pela deliciosa música tocada no rádio, dando uma estranha sensação de prazer ao espectador enquanto este assiste aquela repugnante cena de tortura. Através de um plano-seqüência, Tarantino ainda acompanha Mr. Blonde enquanto ele caminha tranquilamente pra buscar gasolina no carro, voltando ao galpão em seguida para incendiar o policial. Mas em outro momento surpreendente, Mr. Orange salva Marvin com tiros repentinos e revela que ele é o policial infiltrado no grupo. E fechando os destaques do elenco, Chris Penn e Lawrence Tierney também estão ótimos como Eddie e Joe, demonstrando entrosamento com Mr. Blonde na cena do escritório, mas mostrando-se firmes quando necessário, principalmente após tudo dar errado no assalto. Tierney se destaca ainda quando Joe passa as instruções para o grupo, em outro momento inspirado pelos afiados diálogos de Tarantino, que resultam na engraçada discussão a respeito dos codinomes de cada um. Já Penn se destaca quando Eddie fica furioso após Mr. Orange matar Mr. Blonde, expondo com competência a fúria do personagem.

“Cães de Aluguel” apresenta ainda duas seqüências marcantes, daquelas capazes de tirar o fôlego do espectador. A primeira delas é o flashback dos momentos anteriores e seguintes ao crime (o assalto em si nunca é mostrado), revelando como Mr. Orange foi atingido por uma civil e apresentando o momento em que ele chama Mr. White de Larry, num minuto de fraqueza que impediria o parceiro de levá-lo ao hospital posteriormente. Já o outro momento de extrema tensão acontece quando Eddie, Joe e Mr. White apontam as armas entre eles, resultando na morte de Eddie e Joe, na revelação da traição de Mr. Orange e na morte dos dois últimos integrantes do grupo. Estas duas cenas simbolizam a atmosfera de tensão que domina praticamente toda a narrativa.

Quentin Tarantino chamou a atenção da indústria cinematográfica ao introduzir elementos da cultura pop, misturados à violência extrema e realista, num roteiro coeso e inventivo que resultou neste intrigante “Cães de Aluguel”, um verdadeiro sopro de criatividade no cinema dos anos 90, que influenciou muito do que aconteceu nos anos seguintes.

Texto publicado em 09 de Janeiro de 2011 por Roberto Siqueira

Semanas Especiais

Como vocês puderam notar, o mês de Dezembro não teve uma “semana especial”. Após divulgar as semanas especiais “Nouvelle Vague”, “Chaplin” e “Nova Hollywood”, decidi padronizar o trabalho antes de começar a próxima semana especial e, por isso, transformei em crítica os comentários divulgados na semana “Expressionismo Alemão”. Assim, encerro 2010 com quatro semanas especiais, todas com críticas devidamente divulgadas.

Para conferir as críticas dos cinco filmes da semana “Expressionismo Alemão”, basca clicar nos links abaixo:

O Gabinete do Dr. Caligari

Nosferatu – Uma Sinfonia de Horrores

A Última Gargalhada

Metropolis

M – O Vampiro de Düsseldorf

E para 2011, podem esperar novas semanas especiais (de preferência, mantendo a média de uma por mês).

Um grande abraço.

Texto publicado em 06 de Janeiro de 2011 por Roberto Siqueira

Balanço de 2010

Repetindo o que fiz no ano passado, aproveito o primeiro post de 2011 para fazer um balanço do ano anterior. Se em 2009 eu consegui divulgar 38 críticas em aproximadamente 6 meses, em 2010 este número subiu para 72 críticas, o que significa dizer que na média divulguei menos críticas que em 2009, mas não posso dizer que estou triste, pois apenas mais 4 críticas teriam igualado meu desempenho anterior. Por outro lado, 2010 foi um ano repleto de novidades no Cinema & Debate, a começar pela mudança de domínio, passando pelas novas páginas de vídeos e finalizando com o projeto “semanas especiais”, que começou em Agosto e teve três semanas dedicadas a movimentos importantes da história do cinema (Expressionismo Alemão, Nouvelle Vague e Nova Hollywood), além da semana especial Charles Chaplin. Este projeto continuará em 2011, provavelmente com uma semana especial por mês, sempre homenageando um importante movimento, cineasta ou até mesmo atores e atrizes que, de alguma maneira, marcaram a história da sétima arte. Além disso, pretendo incluir nas semanas especiais alguns filmes que eu nem gosto tanto, mas que tenham alguma ligação temática com outros que gosto. E pra matar a curiosidade, adianto que em 2011 teremos a semana especial “Neo-realismo italiano” e também uma quinzena dedicada ao mestre “Hitchcock”.

Voltando ao balanço de 2010, é importante relembrar que só conto uma vez cada filme, mesmo que eu tenha assistido alguns por duas ou três vezes durante o ano, e que o levantamento de filmes assistidos em 2009 também levava em conta um período de 12 meses. Por isso, fiquei muito feliz ao descobrir que mesmo num ano em que tive diversas atividades importantes no trabalho e, principalmente, num ano em que recebi o maior presente da minha vida (e, obviamente, dedicar boa parte do meu tempo ao meu amado filho e a minha amada esposa é algo que não abro mão), consegui aumentar sensivelmente o número de filmes assistidos, passando dos 111 filmes de 2009 para 144 filmes em 2010. A cada dia que passa, consigo organizar melhor o meu tempo e isto me deixa muito feliz. Estou muito empolgado para o próximo ano, quando pretendo avançar pela videoteca, agora nos anos 90 (como afirmei antes, a década que têm a maior parte dos filmes que marcaram a minha adolescência) e seguir trazendo novidades para um site que, espero eu, veio para ficar. Espero que vocês também gostem do que vem por aí!

Como não poderia deixar de fazer, quero agradecer à minha esposa pela paciência e pelo companheirismo, pois não seria nada fácil conseguir tocar o projeto “Cinema & Debate” sem a compreensão dela. Também quero agradecer aos meus amigos “blogueiros”, que sempre me dão dicas e me ajudam muito no dia-a-dia. E quero agradecer especialmente a você leitor, que fez o número de acessos do Cinema & Debate crescer em aproximadamente 6 vezes quando comparado a 2009. Este espaço existe para satisfazer a minha paixão pelo cinema e pela escrita, mas, principalmente, para compartilhar com você leitor o meu amor pela sétima arte. Vocês não imaginam a alegria que sinto ao ler cada comentário, ao acompanhar cada votação e ao verificar o aumento constante de acessos que consolida o crescimento do site. E você leitor é parte fundamental desta história que se inicia!

E vamos então aos números oficiais do Cinema & Debate em 2010:

– 72 críticas divulgadas, sendo 49 na Videoteca do Beto e 23 nos Filmes em Geral.

– 11 Filmes Comentados.

– 3 Filmes Comentados transformados em crítica.

E agora, a lista dos 144 filmes assistidos em 2010, com a novidade da cotação de cada um deles no tradicional formado das estrelinhas:

A BELA E A FERA *****
A CONVERSAÇÃO *****
A DOCE VIDA *****
A ERA DO GELO 3 ***
A FUGA DAS GALINHAS ****
A GRANDE FAMÍLIA – O FILME **
A ILHA DO MEDO *****
A MALVADA *****
A MONTANHA DOS SETE ABUTRES *****
A MORTE PEDE CARONA ****
A NOITE AMERICANA *****
A ÚLTIMA GARGALHADA ****
A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA *****
A VILA **
ACOSSADO *****
ALPHAVILLE ****
AMARGO PESADELO *****
AMOR SEM ESCALAS ****
ANTES DO PÔR DO SOL *****
APENAS UMA VEZ *****
ARCA RUSSA *****
AVATAR *****
BASTARDOS INGLÓRIOS ****
BONNIE E CLYDE – UMA RAJADA DE BALAS *****
BUSCA FRENÉTICA ****
CÃES DE ALUGUEL ****
CAMINHOS PERIGOSOS *****
CAMPO DOS SONHOS *****
CARGA EXPLOSIVA 2 *
CARROS ****
CINEMA PARADISO *****
CLUBE DA LUTA *****
CONDUZINDO MISS DAISY ****
CORAÇÃO LOUCO ***
CORAÇÃO SATÂNICO *****
CORALINE *****
DANÇA COM LOBOS *****
DE VOLTA PARA O FUTURO 2 *****
DE VOLTA PARA O FUTURO 3 *****
DIRTY DANCING – RITMO QUENTE ***
DÚVIDA *****
E LA NAVE VA *****
EM BUSCA DO OURO *****
EMBRIAGADO DE AMOR ****
ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA ****
ESCOLA DO ROCK *****
FARENHEIT 451 ****
FELLINI 8 1/2 *****
FORMIGUINHAZ *****
FÚRIA DE TITÃS **
GOLPE DE MESTRE *****
GREASE – NOS TEMPOS DA BRILHANTINA ****
GUERRA AO TERROR *****
HANNAH E SUAS IRMÃS *****
HIROSHIMA MEU AMOR ****
INDEPENDENCE DAY ***
INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA *****
INSTINTO SELVAGEM ****
INTERLÚDIO ****
JANELA INDISCRETA *****
JEAN CHARLES **
JESUS CAMP *****
JFK – A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR *****
JULES E JIM *****
LUA DE FEL ***
LUZES DA CIDADE *****
M – O VAMPIRO DE DUSSELDORF *****
M*A*S*H *****
MAD MAX 2 – A CAÇADA CONTINUA *****
MADAGASCAR 2 ***
MÁQUINA MORTÍFERA ****
MÁQUINA MORTÍFERA 2 ****
MÁQUINA MORTÍFERA 3 ****
MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA ***
METROPOLIS *****
MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA ****
MONSIEUR VERDOUX ***
NASCIDO EM 4 DE JULHO ****
NASCIDO PARA MATAR ****
NOSFERATU – UMA SINFONIA DE HORRORES ****
O CIRCO ****
O DEMÔNIO DAS ONZE HORAS *****
O DESPREZO *****
O ENCOURAÇADO POTEMKIN ****
O ESCAFANDRO E A BORBOLETA *****
O EXTERMINADOR DO FUTURO 2 *****
O FIM DA ESCURIDÃO ***
O GABINETE DO SR. CALIGARI *****
O GAROTO *****
O GRANDE DITADOR *****
O GRANDE MESTRE **
O HOMEM QUE AMAVA AS MULHERES *****
O HOMEM QUE SABIA DEMAIS *****
O LEITOR ****
O LUTADOR *****
O MÁGICO DE OZ *****
O MILAGRE DE BERNA ***
O ÓLEO DE LORENZO *****
O PODEROSO CHEFÃO – PARTE III *****
O PRÍNCIPE DA PÉRSIA **
O REI LEÃO *****
O SILÊNCIO DOS INOCENTES *****
O SOM DO CORAÇÃO **
O ÚLTIMO IMPERADOR *****
ONDE VIVEM OS MONSTROS *****
OPERAÇÃO FRANÇA ****
OS BONS COMPANHEIROS *****
OS GOONIES ****
OS INCOMPREENDIDOS *****
OS INCRÍVEIS *****
OS INTOCÁVEIS *****
OS PÁSSAROS ****
OS SIMPSONS – O FILME ****
PATTON – REBÉLDE OU HERÓI? ****
PERDIDOS NA NOITE ****
PINÓQUIO *****
POLTERGEIST **
POR UNS DÓLARES A MAIS *****
RAIN MAN *****
RAMBO II – A MISSÃO ***
RAMBO III **
RAMBO IV **
ROBIN HOOD – O PRÍNCIPE DOS LADRÕES ***
ROMA, CIDADE ABERTA *****
SELVAGEM ***
SEM DESTINO *****
SEM SAÍDA ****
SETE VIDAS **
SEXTA-FEIRA 13 ***
SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS ****
STAR WARS IV – UMA NOVA ESPERANÇA ****
STAR WARS V – O IMPÉRIO CONTRA-ATACA *****
STAR WARS VI – O RETORNO DE JEDI ****
TEMPOS MODERNOS *****
THE DOORS ***
TOMATES VERDES FRITOS *****
ÚLTIMO TANGO EM PARIS ****
UM CORPO QUE CAI *****
UMA LINDA MULHER ****
UMA MULHER É UMA MULHER ****
UP – ALTAS AVENTURAS ****
VIDA DE CACHORRO ****
VIDA DE INSETO ****
VIVENDO NO LIMITE ****

Finalmente, agradeço a Deus pelo maravilhoso ano de 2010, que marcou a chegada de meu lindo filhão.

Um grande abraço, um enorme muito obrigado a todos vocês e um ótimo 2011 pra todos nós!

PS: Novamente, reforço que alguns dos filmes citados na lista terão suas críticas divulgadas em breve.

Texto publicado em 03 de Janeiro de 2011 por Roberto Siqueira

Feliz 2011!

Obrigado por nos acompanhar neste ano e feliz 2011!