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A MULHER FAZ O HOMEM (1939)

21 maio, 2013

(Mr. Smith Goes to Washington)

5 Estrelas 

Filmes em Geral #105

Dirigido por Frank Capra.

Elenco: James Stewart, Jean Arthur, Claude Rains, Ruth Donnelly, Eugene Pallette, H.B. Warner, Beulah Bondi, Thomas Mitchell, Guy Kibbee, Edward Arnold, Harry Carey e Grant Mitchell.

Roteiro: Sidney Buchman, baseado em história de Lewis R. Foster.

Produção: Frank Capra (não creditado).

A Mulher faz o Homem[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Segundo filme da famosa e bem sucedida parceria entre o diretor Frank Capra e o ator James Stewart, “A Mulher faz o Homem” é também um dos mais notáveis trabalhos realizados por ambos em suas marcantes carreiras no cinema. Mais uma vez trazendo a história de um homem comum que enfrenta os poderosos com sua determinação e moral inabalável, Capra realizou um filme corajoso, que já na década de 30 debatia o conturbado e complexo jogo político e seus bastidores recheados de interesses escusos – um tema que, como sabemos, continua bastante atual.

O roteiro escrito por Sidney Buchman com base em história de Lewis R. Foster nos apresenta a curiosa trajetória de Jefferson Smith (James Stewart), um homem do interior que é convidado a se tornar senador dos Estados Unidos somente porque sua falta de experiência serviria como uma luva para que seus companheiros pudessem levar adiante um corrupto projeto. O problema é que Smith, auxiliado pela inteligente secretária Clarissa Saunders (Jean Arthur), acaba se empolgando com sua posição e propõe outro projeto social que, por ironia, inviabilizaria o primeiro, criando um conflito de interesses que leva o senador Joseph Paine (Claude Rains), um amigo de seu falecido pai, a acusá-lo em plena câmara do senado de se beneficiar do projeto para enriquecer, o que faz com que Smith passe a questionar os valores e os ideais dos líderes de seu país.

Apesar de um garoto dizer em certo momento que Smith é “o melhor americano que nós temos”, os valores norte-americanos tão presentes na filmografia de Capra são questionados em boa parte de “A Mulher faz o Homem”, o que chega a ser surpreendente. É verdade que no final o homem justo e idealista acaba vencendo os poderosos corruptos e a mensagem otimista do diretor ganha força, mas em grande parte do longa a sensação que temos é a de que aquele complexo jogo político realmente seria capaz de minar aquele pobre homem; e o fato é que mesmo saindo vitorioso, Smith certamente não mantém a visão pura e simplista que tinha quando chegou a Washington. Assim, se este suposto ufanismo é aparentemente reforçado pelo clipe que apresenta as estátuas de ex-presidentes dos EUA intercaladas com trechos da constituição e embalado pelos hinos da Inglaterra e dos Estados Unidos na chegada do protagonista à capital, esta reverência à história norte-americana terá reflexo no impecável terceiro ato, quando o próprio Smith questiona onde aqueles valores estavam.

É fascinante também como Capra aborda o jogo de interesses políticos nos bastidores do senado desde o início frenético do longa, quando, auxiliado pela montagem ágil de Al Clark e Gene Havlick, anuncia a morte de um importante senador e, através da maneira acelerada com que a notícia se espalha, evidencia para o espectador a importância daquele cargo para o qual Smith seria escolhido. Observe também como o movimento de câmera que revela a imponente câmara do senado concebida pela direção de arte de Lionel Banks nos insere naquele ambiente sob a perspectiva do protagonista, assim como o lento travelling que apresenta o grande número de pessoas presentes no local, fazendo com que o espectador perceba como aquilo tudo poderia intimidar Smith e forçando nossa identificação com ele.

Da mesma forma, Capra faz questão de engrandecer o Presidente do Senado durante o juramento de Smith, novamente nos colocando em sua posição e fazendo com que o espectador sinta a pressão que o próprio personagem sente por estar ali. O diretor usa a câmera com inteligência também em outros momentos, como numa conversa com Susan, a filha do senador Paine por quem Smith se apaixona, na qual Capra sequer mostra o rosto dele, ilustrando seu nervosismo através de planos de suas mãos mexendo no chapéu, o que só realça a timidez do rapaz.

Refletindo a euforia de Smith e a sua visão romantizada da capital, a fotografia de Joseph Walker prioriza os tons mais claros, o que torna ainda mais triste a sequência em que ele pensa em desistir e voltar para sua cidade, com o personagem afundado nas sombras após voltar ao Memorial de Lincoln e constatar que os valores de seu povo não passavam de ideais distantes da realidade. Por outro lado, observe como as sombras encobrem o rosto de Jim Taylor quando este discute o nome que será indicado para o cargo no senado, num contraste interessante que reforça a estratégia visual adotada. Já o design de som apresenta oscilações ainda mais fortes, especialmente nos debates no senado, o que vira motivo de piada, por exemplo, quando Smith fala pela primeira vez na câmara.

Estátuas de ex-presidentes dos EUAImponente câmara do senadoVolta ao Memorial de LincolnE se de maneira geral as atuações parecem um pouco exageradas (o que era comum na época), alguns nomes conseguem se destacar, como o manipulador Jim Taylor interpretado por Edward Arnold, que impõe respeito com seu corpo avantajado e sua expressão ameaçadora – aliás, é interessante como muitos políticos surgem gordos e envelhecidos, num indício da vida farta e sedentária que levam. Vale citar também o simpático Presidente do Senado interpretado por Harry Carey, que sorri constantemente, mas nem por isso deixa de contar com o respeito de todos, além é claro do imprevisível senador Paine de Claude Rains, que demonstra bem o conflito do personagem diante daquele ambiente obscuro e corrompido. É ele quem protagoniza um dos momentos tocantes do longa, quando explica para Smith que pra conseguir realizar coisas boas na política é preciso se comprometer e jogar o jogo, demonstrando um incômodo que será essencial para que sua mudança de comportamento no final faça sentido. Até por isso, é chocante o momento em que ele acusa Smith no senado e muda o foco dos debates, provocando a investigação do amigo e a proposta de expulsão dele.

Enojada diante deste desgastante jogo de interesses – especialmente após a paixão por Susan ser usada contra Smith – e cansada daquela vida vazia, a determinada Clarissa Saunders vivida com intensidade por Jean Arthur reencontra alguma razão para seguir naquela jornada somente após a chegada de Smith, que, com seu jeito simples e sonhador, devolve os valores outrora perdidos por ela diante de tanta corrupção. Conhecido como a personificação do homem comum, Stewart cai muito bem no papel do interiorano Smith, surgindo com a voz oscilante, gaguejando e evitando o olhar no início, demonstrando estar claramente assustado diante de tantas mudanças repentinas em sua vida.

Talentoso como poucos, Stewart realiza aqui um de seus melhores trabalhos, encarnando muito bem o tipo caipira que chega a cidade grande e se encanta, demonstrando deslumbramento, por exemplo, diante de obras como a estátua de Lincoln ou o Capitólio dos Estados Unidos. Além disso, os diálogos ágeis da maioria dos personagens só reforçam a grande atuação dele, que fala pausadamente no inicio, evidenciando seu deslocamento naquele local e criando uma aura de inocência que, por exemplo, faz a imprensa se aproveitar para espalhar notícias sensacionalistas com base em pequenas declarações, o que leva o protagonista a distribuidor socos e pontapés – num momento crucial que marca a perda da inocência de Smith, que passa a enxergar a dura realidade da política.

Quando Saunders explica o complexo sistema para aprovar um projeto no senado, Smith demonstra fascínio com seu queixo apoiado em suas mãos, enquanto ela demonstra tédio diante de tamanha burocracia. No entanto, com o passar do tempo o idealismo dele emociona a experiente secretária e a empatia entre eles começa a aflorar, assim como os melhores momentos da marcante atuação de Jean Arthur. Repare, por exemplo, como ela convence quando surge bêbada conversando com Diz ou quando revela a verdade para Smith sobre o esquema de propinas que impediria seu projeto de sair do papel. Já na apresentação do projeto ao senado é Stewart quem dá um show, novamente surgindo nervoso com sua voz trêmula e expressão retraída, o que torna sua postura no ato final ainda mais impressionante, quando surge confiante, determinado e se mantém firme até cair exausto após horas defendendo sua posição, numa atuação soberba e digna de aplausos.

Paine acusa SmithDeterminada Clarissa SaundersConfiante, determinado e se mantém firmeApoiando-se na força de Saunders (daí a origem do inventivo nome do filme em português), Smith encontra forças para defender-se das acusações que sofre no senado, numa batalha comovente que gruda o espectador na cadeira durante todo o eletrizante ato final, quando o poder de Taylor fica ainda mais evidente, controlando a máquina, a imprensa e praticamente todos os integrantes do estado no senado, numa verdadeira luta de gigantes contra um mero cidadão comum – o que, por razões óbvias, força ainda mais nossa identificação com o protagonista e nos leva a torcer por seu sucesso.

Assim, “A Mulher faz o Homem” é um grande filme sobre o complexo jogo de interesses que move a política desde a origem da humanidade. Como podemos perceber, este não é um problema recente, ainda que isto não sirva de desculpa para justificar nossa acomodação diante dos escândalos que de tempos em tempos surgem por aí. Ao que parece, no embate entre o idealismo e os interesses obscuros, foi o primeiro quem levou a pior e ficou esquecido no passado.

A Mulher faz o Homem foto 2Texto publicado em 21 de Maio de 2013 por Roberto Siqueira

LAWRENCE DA ARÁBIA (1962)

29 agosto, 2011

(Lawrence of Arabia)

 

Videoteca do Beto #111

Vencedores do Oscar #1962

Dirigido por David Lean.

Elenco: Peter O’Toole, Alec Guinness, Anthony Quinn, Omar Sharif, Jack Hawkins, José Ferrer, Anthony Quayle, Claude Rains e Arthur Kennedy.

Roteiro: Robert Bolt e Michael Wilson, baseado nos textos de T.E. Lawrence.

Produção: Sam Spiegel.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Entre a segunda metade da década de 50 e o início dos anos 60, o cinema viveu um período repleto de produções grandiosas como “Os Dez Mandamentos”, “Ben-Hur”, “Spartacus” e “A Queda do Império Romano”, que utilizavam uma quantidade enorme de figurantes para narrar momentos históricos, recriados caprichosamente sob a condução competente de diretores como William Wyler, Cecil B. DeMille, Stanley Kubrick e Anthony Mann. Em 1962, David Lean se juntou ao grupo com este “Lawrence da Arábia”, que narra com riqueza de detalhes como um tenente inglês liderou os árabes na luta contra os turcos durante a primeira guerra mundial.

Escrito por Robert Bolt e Michael Wilson (baseado nos textos do próprio Lawrence), “Lawrence da Arábia” inicia em 1935 com a morte de T.E. Lawrence (Peter O’Toole) num acidente de motocicleta. Em seu funeral, um longo flashback surge para narrar sua trajetória e explicar a razão de sua fama, revelando como ele passou de um tenente infeliz para um respeitado (e improvável) líder, responsável pela união das tribos árabes na guerra contra os turcos. No caminho, o roteiro aproveita para expor os conflitos entre as diversas tribos árabes, abordando também os interesses políticos da Inglaterra na região, além de explicar, através da figura do repórter, como a fama de Lawrence se espalhou pelo mundo.

Auxiliado pela montagem clássica de Anne V. Coates, David Lean emprega um ritmo lento, que nos permite contemplar a beleza do deserto e desfrutar cada etapa da transformação do protagonista. Afinal de contas, em “Lawrence da Arábia” as sensações têm papel fundamental, fazendo o espectador se sentir parte daquele universo. Observe, por exemplo, como o diretor prepara cuidadosamente a invasão de Aqaba, prolongando a expectativa no espectador e nos fazendo compartilhar o minucioso planejamento estratégico do protagonista. E apesar de soar lenta para os padrões atuais, a montagem funciona bem e consegue evitar que o longa se torne cansativo. Além disso, Coates cria elegantes raccords, como quando o fogo de uma vela é substituído pelo plano do céu avermelhado no deserto ou quando ele salta das pernas dos camelos para as pernas dos soldados durante uma batalha.

Sem se preocupar em comprimir a narrativa nas tradicionais duas horas de duração, David Lean toma o tempo que julga necessário para explorar o deserto, criando lindos planos que aproveitam o nascer do sol e a exuberância daquele mar de areia. Contando ainda com a deslumbrante fotografia de Freddie Young, o diretor cria um visual arrebatador, que se confirma até mesmo nas cenas noturnas, iluminadas com destreza por Young e que servem para criar um contraste com a luz poderosa das cenas diurnas. O diretor é competente ainda na condução das cenas de forte impacto, como as guerras (que voltaremos a abordar em instantes), e nos momentos intimistas, como as lentas caminhadas de Lawrence pelo deserto. Observe ainda como o silêncio aumenta nossa expectativa segundos antes do beduíno Sherif Ali (Omar Sharif) surgir no horizonte longínquo. Já quando Lawrence resgata Gasim (I.S. Johar) no deserto, a trilha triunfal indica com antecedência que ele salvou o rapaz – Gasim ainda protagoniza outro momento marcante, quando descobrimos que ele é o assassino que deve ser executado por Lawrence, pouco tempo depois de ser salvo por ele. Estes dois instantes nos quais alguém surge no horizonte demonstram como Lean trabalha com as nossas sensações, nos fazendo compartilhar a angustiante experiência de caminhar no deserto escaldante como se estivéssemos ali, olhando para o horizonte sem saber se o que estamos vendo é real ou apenas uma miragem. Em outras palavras, “Lawrence da Arábia” é uma experiência cinematografia sensorial, que merece ser vivida na tela grande (ou algo que se assemelhe).

Interpretado pelo carismático Peter O’Toole, Lawrence surge inicialmente como um homem misterioso, capaz de cativar muitas pessoas que mal o conheceram, como descobriremos no final, quando uma interessante rima narrativa nos revela o homem que introduziu o flashback apertando a mão de Lawrence “somente para dizer que fez isto”. Mas uma conversa na tenda do príncipe Feisal (Alec Guinness) estabelece os objetivos da guerra e escancara alguns dos traços da forte personalidade do protagonista, um improvável herói de guerra, que foge dos padrões estereótipos do tipo. Magro e levemente afeminado, o Lawrence de O’Toole é um personagem repleto de nuances, que, contrariando sua aparência frágil, lentamente descobre sentir prazer ao matar seus inimigos. Apesar de se assustar num primeiro momento, Lawrence confirma este sentimento numa das batalhas, algo que O’Toole transmite muito bem com seu semblante insano durante o conflito. Durante seu processo de transformação, Lawrence conhece ainda o líder dos Howeitat, Auda Abu Tayi, vivido de maneira divertida por Anthony Quinn, e também o príncipe Feisal de Alec Guinness, que demonstra sabedoria nas decisões e sabe jogar o jogo político dos ingleses. Fechando o talentoso elenco, Claude Rains vive o político Sr. Dryden, Omar Sharif interpreta muito bem Sherif Ali e Jack Hawkins marca presença como o general Allenby.

David Lean conta ainda com a trilha sonora triunfal do ótimo Maurice Jarre na construção da atmosfera épica do longa, além de nos ambientar com perfeição naquele universo através do ótimo trabalho técnico de sua equipe, a começar pelo design de som, que realça o barulho do vento no deserto, as explosões e gritos durante as batalhas e os aviões que rasgam o céu. Quem também colabora bastante são os figurinos de Phyllis Dalton e a direção de arte de John Stoll que, somadas a enorme quantidade de figurantes utilizada nas batalhas, conferem realismo a narrativa – além de realçarem a magnitude da produção quando destacados pelos planos gerais de Lean. Finalmente, os figurinos têm ainda função narrativa, já que a mudança de roupa de Lawrence ilustra também sua mudança de comportamento e o respeito que ele passa a ter diante dos árabes.

Entre as grandes cenas de “Lawrence da Arábia”, vale destacar a invasão de Aqaba, uma seqüência de tirar o fôlego, captada num lindo plano geral de Lean que, no final, revela através de um elegante travelling o canhão apontado para o mar (e que belo mar!), exatamente como Lawrence tinha previsto. Outra batalha sensacional acontece antes da chegada a Damasco, numa seqüência que ilustra bem a grande quantidade de figurantes utilizada, exigindo muita habilidade do diretor na condução da mise-en-scène – vale lembrar que, ao contrário do que acontece atualmente, as batalhas não utilizavam efeitos digitais. E além das cenas marcantes de guerra, merece destaque a melancólica morte de um garoto na areia movediça, que parece servir para endurecer ainda mais o coração de Lawrence.

“Lawrence da Arábia” é um épico grandioso que retrata a vida de um personagem complexo, repleto de qualidades e defeitos como qualquer ser humano. Seu espírito de liderança e seu carisma uniram os povos árabes na luta contra os turcos, mas ele também sofreu profundas transformações nesta trajetória, captada com habilidade pela câmera de David Lean – um especialista em produções de grande escala e notável beleza plástica. O resultado é um filme empolgante, repleto de cenas marcantes e que, mesmo com quase quatro horas de duração, consegue cativar o espectador sem se tornar cansativo.

PS: Para quem tiver curiosidade, Rodrigo Carreiro explica em detalhes as dificuldades enfrentadas durante as filmagens de “Lawrence da Arábia” nesta crítica.

Texto publicado em 29 de Agosto de 2011 por Roberto Siqueira

INTERLÚDIO (1946)

31 maio, 2011

(Notorious)

 

Filmes em Geral #54

Dirigido por Alfred Hitchcock.

Elenco: Cary Grant, Ingrid Bergman, Claude Rains, Louis Calhern, Leopoldine Konstantin, Reinhold Schünzel, Moroni Olsen, Ivan Triesault, Alex Minotis e Alfred Hitchcock.

Roteiro: Ben Hecht.

Produção: Alfred Hitchcock.

[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Com uma narrativa impecável e excelentes atuações, “Interlúdio” comprova a capacidade de Alfred Hitchcock de criar suspense com eficiência, neste caso, misturando thriller de espionagem e romance com perfeição. Ao mesmo tempo em que torcemos pelo casal principal, queremos saber o resultado de uma investigação, que, por outro lado, compromete esta mesma relação amorosa. Está criado o cenário perfeito para que o diretor crie momentos marcantes, do mais puro suspense.

A jovem Alicia (Ingrid Bergman) passa a se afundar na bebida após seu pai alemão ser condenado como espião nos Estados Unidos. Numa das festas, ela sai bêbada com o misterioso Devlin (Cary Grant), que se revela um agente do governo e a convida para uma missão especial no Brasil. Relutante, ela aceita viajar para se infiltrar num grupo de nazistas, amigos de seu pai, na tentativa de descobrir como eles estão operando. No caminho, Alicia se apaixona pelo agente Devlin, mas é obrigada a se casar com o nazista Alexander Sebastian (Claude Rains), como parte do plano norte-americano para capturar os alemães.

O roteiro de “Interlúdio”, escrito por Ben Hecht, mistura com eficiência a trama que envolve a espionagem no Brasil e o dramático romance vivido por Devlin e Alicia, que, como parte do plano em que se envolveram, são obrigados a permanecer separados e evitar colocar em risco a missão. De maneira inteligente, a narrativa investe boa parte de seu primeiro ato no estabelecimento da relação do casal, criando empatia com a platéia e, desta forma, aumentando o drama quando eles são obrigados a ficarem distantes, enquanto tentam descobrir o que fazem os nazistas no país. A situação só piora quando Alicia anuncia a proposta de casamento de Alexander, criando uma situação inusitada para ela (literalmente, dormindo com o inimigo) e para ele, que passa a dividir-se entre a razão, sendo obrigado a concordar que Alicia é a melhor escolha para infiltrar-se no grupo alemão, e a emoção, tentando desesperadamente retirá-la da missão para poder viver sua paixão. Mas, orgulhoso e desconfiado do passado promíscuo da garota, ele jamais deixa claro pra ela sua intenção. Ela, por sua vez, não fala nada, esperando que ele demonstre que a deseja.

Com este bom roteiro nas mãos, Alfred Hitchcock mostra o costumeiro domínio sobre a narrativa, construindo lentamente momentos de alta tensão, numa escala crescente de suspense que atingirá seu auge em duas grandes cenas e amarrará as duas vertentes da narrativa num final emblemático. Além disso, o diretor cria planos curiosos e eficientes, como aquele que mostra a visão de Alicia dirigindo, deixando claro o seu estado deplorável, reforçado pelo momento em que ela acorda, já no dia seguinte, e vê Devlin se aproximando, quando a câmera simula seu olhar, girando completamente. E até mesmo técnicas hoje ultrapassadas, como a “back projection” (tradicional cena em que o carro está parado e as imagens se movem ao fundo), não soam datadas, talvez porque estamos mais interessados no diálogo do casal, relegando o visual para o segundo plano naquele momento. Felizmente, isto não ocorre em todo tempo, pois Hitchcock se preocupa em criar um visual elegante, com os belíssimos planos aéreos do Rio de Janeiro, por exemplo, além de planos sombrios e marcantes, especialmente na casa de Alexander, que muitas vezes são embalados pela trilha sonora de Roy Webb.

A preocupação com a parte visual é reforçada ainda pelos belos lustres e pela decoração da imponente sala na casa de Alexander, ilustrando o bom trabalho de direção de arte de Carroll Clark e Albert S. D’Agostino, que ainda inclui a enorme escadaria que leva ao quarto em que Alicia ficará escondida e que será essencial na cena final (repare como a quantidade de passos de Devlin é maior na descida, prolongando a angústia na platéia). Também merecem destaque os ternos elegantes dos homens e os belos vestidos das mulheres na festa, que confirmam o bom trabalho da figurinista Edith Head, além da direção de fotografia de Ted Tetzlaff, essencial na criação dos citados planos sombrios na casa dos Sebastian, e que se torna ainda mais obscura na medida em que Alicia adoece, refletindo a tristeza da personagem, já na parte final da narrativa.

Filha de um oficial alemão condenado pela justiça norte-americana após a segunda guerra mundial, Alicia é interpretada pela grande Ingrid Bergman, que confirma seu talento logo nas primeiras cenas, ao compor uma bêbada com precisão, demonstrando dificuldade em abrir os olhos enquanto fala na festa. Observe, por exemplo, com a atriz demonstra bem o misto de sentimentos de Alicia ao saber que o pai morreu, não sabendo se chora ou se fica aliviada, e note ainda como ela convence quando Alicia fica doente, mostrando grande dificuldade para falar e se movimentar. Já o personagem interpretado por Cary Grant se mostra misterioso desde sua primeira aparição, quando está de costas e demora pra mostrar o rosto, mas deixa claro sua importância quando apresenta a carteira para um guarda de trânsito, que o libera imediatamente. Apesar de durar pouco tempo, os momentos românticos do casal conquistam a platéia e são vitais no clímax da narrativa. Aliás, fica claro num diálogo no hotel que Alicia está apaixonada e não esconde isto, ao passo em que Devlin ainda tem desconfianças, tanto dela quanto do risco que a missão no Brasil representa e, conseqüentemente, que aquela paixão corria. Ainda assim, ele escancara seu sentimento quando fica nervoso com a proposta de casamento de Alexander, num momento em que Grant se sai muito bem. Este componente amoroso só serve para aumentar a tensão quando a situação de Alicia se complica de vez na casa de Alexander Sebastian. Alexander, aliás, que é bem interpretado por Claude Rains, que muda gradativamente seu comportamento após descobrir que Alicia é uma espiã de maneira convincente, conseguindo ainda conferir humanidade ao vilão quando se mostra completamente apaixonado. E como acontece em muitos filmes de Hitchcock, o papel da mãe tem grande importância em “Interlúdio”, desta vez na pele de Madame Sebastian, interpretada por Leopoldine Konstantin, que aconselha o filho desde o momento em que coloca os olhos em Alicia. Repare como Konstantin muda a feição no momento em que a mãe de Alex ouve que o filho foi traído, colocando um sorriso cínico no rosto antes de dizer que “já sabia”.

Evidentemente, não estamos interessados apenas na relação amorosa de Devlin e Alicia, mas também na espionagem aos alemães, especialmente depois que a jovem se infiltra na casa de Alexander. Ciente disto, Hitchcock trabalha minuciosamente na construção de duas grandes cenas, capazes de grudar os olhos do espectador na tela. Observe, por exemplo, como durante um jantar na casa de Alexander, Hitchcock emprega um zoom nas garrafas de vinho, já indicando a importância delas na trama. As garrafas chamam a atenção de Alicia, que organiza um plano para invadir a adega numa festa em que Devlin estará presente. Já na festa, o diretor destaca a chave da adega nas mãos de Alicia após passear por todo o salão, começando a preparar um clima tenso, especialmente porque, durante a festa, Alexander observa atentamente as conversas entre Devlin e Alicia, que disfarçam, sorrindo enquanto decidem como entrarão na adega. O diretor então passa a incluir planos da bandeja de champanhes e do estoque que diminui, mostrando a preocupação de Alicia com a quantidade de bebidas, pois, obviamente, Alexander vai precisar da chave. Em seguida, o casal desce na adega, mas Devlin derruba e quebra uma garrafa, revelando o conteúdo suspeito da mesma, ao mesmo tempo em que Alexander decide buscar mais bebidas para a festa. Auxiliado pela excelente montagem de Theron Warth, Hitchcock alterna entre a chegada de Alexander e as ações do casal na adega, tornando a cena ainda mais tensa. Rapidamente, enquanto Alexander se aproxima, Devlin limpa o local e decide beijar Alicia, despistando, ao menos por um tempo, o que a dupla de fato fazia ali. Mas Alexander sentirá falta da chave, criando uma suspeita que se confirmaria no dia seguinte, quando ela reaparece no quarto deles – acertadamente, Hitchcock destaca a chave com a palavra “UNICA”. Sentindo-se traído, ele entra na adega, descobre a garrafa quebrada e confirma sua expectativa. A narrativa sofre uma reviravolta. Nós sabemos que Alexander está ciente da função de Alicia, mas ela não sabe. Seguindo os conselhos da mãe para evitar ser acusado de assassinato, o marido passa a envenenar lentamente a esposa através do café – e Hitchcock faz questão de destacar as xícaras de café, fazendo com que o espectador, novamente, saiba mais que a personagem, que toma o café envenenado dia após dia. Aliás, a primeira vez que o diretor faz isso é num travelling genial, que se inicia na xícara de café, passa pela mãe de Alexander e termina na sonolenta Alicia, deixando claro para o espectador o que está acontecendo.

Mesmo doente, Alicia evita tocar no assunto quando encontra Devlin numa praça, num diálogo interessante que confirma o quanto ambos estão ressentidos pela relação que não deu certo. O orgulho impede que eles se aproximem e se abram, impedindo também que Devlin descubra o que acontece com Alicia. Mas ela mesma descobrirá porque está doente quando, em outra cena marcante, a câmera viaja pela xícara e vai até ela, segundos antes do médico ameaçar tomar o café de Alicia, provocando a reação imediata e impulsiva de Alexander e sua mãe. Alicia percebe na hora o que está acontecendo – algo destacado através de um zoom no rosto impaciente da mãe de Alex – e a câmera subjetiva distorce as imagens indicando que ela está passando mal. Desconfiado e sentindo falta da amada, Devlin decide visitar a casa dos Sebastian, nos levando ao tenso final em que ele foge com Alicia nos braços, inteligentemente usando os colegas alemães de Alexander para ameaçá-lo, descendo as longas escadarias da casa lentamente até sair pela porta. A frase final “Alex, não vai entrar?” é cruel e sela o destino do nazista.

Hitchcock usa uma história de espionagem como pano de fundo para nos contar outra história ainda mais interessante, sobre o amor de dois homens pela mesma mulher e sobre a paixão de duas pessoas orgulhosas e incapazes de se abrir. Alicia esperava que Devlin intercedesse por ela, mas nunca disse isto pra ele. Devlin esperava que Alicia desistisse da idéia do casamento, mas também nunca falou nada pra ela. E este silêncio poderia custar caro… Para ambos. Ainda que tenha muito suspense, “Interlúdio” revela-se uma grata surpresa na filmografia de Hitchcock, justamente por trazer no pacote do tradicional thriller, uma bela e clássica história de amor proibido.

Texto publicado em 31 de Maio de 2011 por Roberto Siqueira

CASABLANCA (1942)

25 junho, 2009

(Casablanca) 

5 Estrelas 

Videoteca do Beto #3

Vencedores do Oscar #1942

Dirigido por Michael Curtiz.

Elenco: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains, Dooley Wilson, Conrad Veidt, Sydney Greenstreet, Peter Lorre e Madeleine LeBeau.

Roteiro: Julius J. Epstein, Philip G. Epstein e Howard Koch, baseado em peça de Murray Burnett e Joan Alison. 

Produção: Hal B. Wallis. 

Quando os créditos começam a aparecer no final de Casablanca temos aquela sensação de satisfação por saber que o cinema é algo mágico, com uma capacidade enorme de transmitir emoções através de imagens. O clássico de Hollywood consegue de forma muito competente realizar aquilo que todo filme deveria. É um casamento perfeito de direção, fotografia, roteiro e atuações, conseguindo ser emocionante sem ser melodramático.

Fugindo da ocupação nazista durante a segunda guerra mundial, pessoas de diversas partes da Europa tinham como seu destino final a cidade de Casablanca, no Marrocos, onde esperavam por um visto salvador que lhes permitisse entrar em Lisboa e viajar para a América. Lá vive o americano Rick (Humphrey Bogart), dono de um bar de sucesso na cidade e com enorme prestígio e influencia naquela comunidade. Rick é uma pessoa amarga, que só pensa em si próprio e, como ele mesmo diz, não arrisca seu pescoço por ninguém.

A introdução do personagem Rick é excelente. Antes mesmo de sua aparição notamos que se trata de alguém muito importante, somente pela conversa em uma mesa de seu bar. Os convidados pedem para que ele beba com eles e o garçom diz que ele nunca faz isto. O convidado responde que era o segundo maior banqueiro de Amsterdã e ouve do garçom que o primeiro hoje está fazendo os salgados no bar de Rick, e que o pai dele é o carregador de malas. Somente este diálogo já revela a influência de Rick e o quanto ele é respeitado na cidade, além de fazer uma interessante demonstração do enfraquecimento dos países europeus dominados durante a guerra.

A direção de Michael Curtiz é bastante segura e cria inúmeros momentos inesquecíveis, além de procurar manter a câmera sempre próxima nos momentos dramáticos para captar melhor as reações dos atores. Logo no início do filme, a câmera se movimenta em direção à placa com o lema francês “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” no momento em que um reacionário francês é morto a tiros abaixo dela. A composição do plano, com o com o hino da França ao fundo, demonstra a inteligência de Curtiz ao transmitir a mensagem sem precisar utilizar palavras. Um dos grandes momentos de impacto acontece quando Rick entra no salão ao som de “As time goes by” e olha para a mulher que vai nos fazer entender a razão de toda sua amargura. Ilsa (Ingrid Bergman), que já está com os olhos marejados, estava sentada na mesa de seu bar. (se você ainda não viu o filme pule para o próximo parágrafo). É o suficiente para demonstrar que os dois já se conhecem e deixar subentendido que eles viveram algo no passado. É mágico. O diretor consegue falar com a platéia sem palavras, somente com imagens. Outro grande momento acontece quando Lazslo (Paul Henreid) e Rick estão tendo uma conversa reveladora e escutam os alemães cantando músicas germânicas. Lazslo pede para que um músico toque a Marselhesa (hino francês) que é cantada com enorme paixão pelos franceses presentes no bar. O enorme patriotismo evocado naquelas pessoas, perceptível em cada rosto emocionado, revela aos alemães o risco que estão correndo deixando Lazslo à solta. A situação não estava sob controle. Interessante também é notar que a farsa existente em alguns Cassinos já era revelada em 1942 (mesmo assim milhões de pessoas lotam Cassinos pelo mundo afora até os dias de hoje), na tocante cena em que Rick “sugere” a um rapaz o número 22 na roleta e ele consegue o dinheiro que precisava para sair de Casablanca. Momentos antes sua esposa havia explicado para Rick o quanto eles precisavam daquele dinheiro.

As atuações são menos exageradas do que o costumeiro na época. Humphrey Bogart está muito bem, conseguindo transmitir toda a amargura de Rick. Cínico e irônico, ele passa uma imagem de alguém amargo que não acredita em nada além de si mesmo. Existem momentos onde a atuação de Bogart deixa isto bem claro, como na cena em que ele manda uma mulher que se diz apaixonada por ele se retirar do bar e pede ao funcionário dele que a leve pra casa. A feição fria de Bogart demonstra que ele não acredita mais no amor. Claude Rains tem uma atuação extremamente simpática como o Capitão Renault. Ele se revela uma pessoa divertidamente inteligente, apesar de sem escrúpulos, procurando ficar sempre do lado mais forte. A boa atuação de ambos pode ser notada quando um determinado personagem é assassinado. O sorriso de canto de boca de Rick e Renault e os olhares de ambos demonstram que a solução do conflito aconteceu de forma satisfatória para os dois. Já Paul Henreid, como o intrigante líder da resistência tcheca Victor Laszlo perseguido duramente pelos alemães liderados pelo Major Strasser (Conrad Veidt), tem uma atuação segura e de papel fundamental na trama, já que os acontecimentos giram em torno dele. Mas a grande força de Casablanca está na personagem enigmática de Ingrid Bergman. Ilsa é uma mulher dividida e Bergman demonstra toda a ambigüidade da personagem com uma atuação magnífica. Observe como ela transmite de forma equivalente o sentimento de carinho que sente por Rick e por Laszlo. Quando ela conversa com o primeiro no bar somos levados a pensar que ela o ama, mas quando ela conversa com Rick no quarto do hotel sentimos que ela na realidade ama Laszlo. Ela jamais deixa transparecer a preferência da personagem. Quando finalmente toma uma decisão nos sentimos incomodados, pois também não temos certeza de que seja a mais correta.

A trilha sonora marca os momentos de maior tensão aumentando o volume, como na cena em que Ilsa aponta uma arma para Rick para tentar conseguir o que precisa. A fotografia de Arthur Edeson é marcante, deixando em evidência o forte contraste do preto com o branco em diversos momentos. Repare como Rick está mergulhado nas sombras quando está bebendo no bar para tentar esquecer que viu Ilsa momentos antes. Quando ela repentinamente aparece na porta toda de branco, temos a sensação de estar vendo um anjo e não uma pessoa entrando no bar devido ao enorme contraste provocado na cena. Ao final da conversa, Rick está com o rosto escondido entre seus braços debruçados na mesa, novamente mergulhado nas sombras, numa cena forte que demonstra visualmente toda a escuridão, tristeza e depressão do personagem naquele momento. [se não viu o filme, pule novamente para o próximo parágrafo 😉 ] Na cena da despedida, o casal Ilsa e Laszlo desaparece na neblina, assim como o avião some entre as nuvens, demonstrando visualmente que mais uma vez Ilsa está escapando da vida de Rick. Como se fosse um sonho, ela se esvai entre as nuvens e simultaneamente desaparece de sua vida.

Mas o grande destaque da produção é com certeza o roteiro, recheado de diálogos marcantes e inteligentes. Alguns deles ficaram marcados para sempre, como a tocante frase “Nós sempre teremos Paris”. Exemplos para ilustrar a qualidade do trabalho de Julius J. Epstein, Philip G. Epstein e Howard Koch não faltam, como o excelente trecho em que o Sr. Ferrari (Sydney Greenstreet) quer contratar o músico Sam (Dooley Wilson), talvez o único verdadeiro amigo de Rick. Eles vão perguntar a Sam se ele aceitaria trabalhar pra o Sr. Ferrari e ele responde que não. Rick diz que ele ganharia o dobro se aceitasse, mas Sam responde que não adiantaria porque ele não tem tempo para gastar o que ganha. Outro exemplo de diálogo inteligente é quando o major Strasser oferece os vistos para Laszlo e Ilsa viajarem à Lisboa em troca dos nomes dos líderes da resistência nas cidades dominadas pelo exército alemão. Ele responde: “Se não entreguei os nomes quando estava no campo de concentração, onde vocês tinham métodos muitos mais persuasivos, não será agora que vou entregar”. Para evitar escrever o roteiro inteiro aqui, cito apenas mais um trecho maravilhoso que acontece quando o Capitão Renault pergunta à Rick se ele está realmente com os salvo-condutos deixados no bar por Ugarte (Peter Lorre). Ele responde com outra pergunta: “Você é a favor ou contra a ocupação da França?”. Ora, o capitão Renault é francês e obviamente é contra. Mas como está trabalhando para os alemães não pode afirmar sua opinião em público. Entendendo a sagacidade da pergunta de Rick ele responde: “Isso é o que acontece quando fazemos perguntas diretas. Assunto encerrado”. Maravilhoso.

Representante de um seleto grupo de filmes que jamais envelhecem, Casablanca é um excelente exemplo de como o cinema pode ser mágico. Repleto de imagens e momentos belíssimos, o filme demonstra a mudança que um verdadeiro amor pode realizar em uma pessoa, transformando-a completamente. Sem melodramas ou fórmulas prontas, o filme consegue nos emocionar e fica guardado pra sempre em nossa memória. E exatamente por isso se tornou um dos grandes clássicos da história do cinema.

 

Texto publicado em 25 de Junho de 2009 por Roberto Siqueira

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