KARATÊ KID 3 – O DESAFIO FINAL (1989)

(The Karate Kid – Part III)

3 Estrelas 

Videoteca do Beto #163

Dirigido por John G. Avildsen.

Elenco: Ralph Macchio, Pat Morita, Robyn Lively, Thomas Ian Griffith, Martin Kove, Sean Kanan, Jonathan Avildsen, Randee Heller e Christopher Paul Ford.

Roteiro: Robert Mark Kamen.

Produção: Jerry Weintraub. 

Karatê Kid III - O Desafio Final[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Após cometerem o grave erro de eliminar elementos básicos do sucesso do primeiro “Karatê Kid” no segundo filme da série, John G. Avildsen e Robert Mark Kamen corrigiram parcialmente este problema neste “Karatê Kid 3 – O Desafio Final”, que, mesmo não tendo a mesma qualidade do longa que inaugurou a franquia, ao menos resgata parte do charme e do carisma que marcou toda uma geração. Apostando novamente na empatia de seus personagens e na superação de seu protagonista, Avildsen entrega um resultado satisfatório, ainda que falhe ao sequer tentar revigorar sua estrutura narrativa já desgastada e formulaica.

Novamente escrito por Robert Mark Kamen, “Karatê Kid 3” nos leva de volta a Los Angeles onde, após retornar do Japão, Daniel Larusso (Ralph Macchio) é desafiado por Mark Barnes (Sean Kanan) a defender seu título no campeonato de caratê. Após recusar o convite, ele recebe uma série de ameaças e acaba aceitando o desafio. Só que desta vez Daniel não poderá contar com o apoio do Sr. Miyagi (Pat Morita), que se recusa a treiná-lo por entender que o caratê deve ser usado somente para defender a honra e não para conquistar troféus. Assim, Daniel acaba se envolvendo com o treinador Silver (Thomas Ian Griffith), mas esta ajuda se revelará mais perigosa do que parece.

Assim como ocorria no segundo e pior filme da franquia, “Karatê Kid” inicia recordando cenas dos longas anteriores, numa decisão que funcionaria muito bem numa série (uma espécie de “Previously on Karatê Kid”?), mas que aqui só realça a falta de confiança do diretor na memória do espectador. Em seguida, somos apresentados ao passado do professor Kreese (Martin Kove) no exército e descobrimos que após a derrota de seus alunos para Daniel ele está falido, num indício interessante de que Kamen finalmente tentará humanizar este personagem que infelizmente não se confirma, já que esta ideia logo é descartada e serve apenas para introduzir o pupilo Silver, amigo de Kreese que será o novo vilão.

Mantendo a tradição de vilões unidimensionais e caricaturais, Thomas Ian Griffith surge sempre com um sorriso cínico no rosto, numa composição que busca irritar o espectador (e consegue!) – e que chega ao auge no plano em que Daniel treina enquanto Silver surge rindo atrás da parede. Aliás, até mesmo quando fala sobre a suposta morte de Kreese, ele surge com este estranho sorriso no canto da boca que denuncia a mentira e não convence. Quase sempre com esta expressão irritante, Griffith ao menos consegue ser mais carismático que os outros vilões da série, convencendo quando finge ser amigo de Daniel e demonstra interesse em treiná-lo, ainda que o roteiro faça questão de revelar suas reais intenções logo de cara, eliminando qualquer possibilidade de surpreender o espectador. Já o garoto Sean Kanan encarna Mike como o novo valentão unidimensional que, ao menos, funciona como uma boa ameaça ao protagonista, enquanto o citado Martin Kove mais uma vez comprova sua incompetência ao compor Kreese da mesma maneira caricata que nos filmes anteriores.

Vilões unidimensionais e caricaturaisRindo atrás da paredeO novo valentãoApenas um ano após a épica vitória no campeonato de caratê, Daniel surge bem diferente fisicamente, numa falta de cuidado que, se não chega a atrapalhar, incomoda o espectador mais atento (afinal, se Daniel estava só um ano mais velho, Ralph Macchio já estava cinco). Compondo um Daniel mais agitado e inconsequente, Macchio talvez se exceda aqui e ali, mas em geral consegue manter parte do carisma do personagem. Com sua falta de confiança crônica cedendo espaço para a ansiedade, ele parece não perceber que, ao tentar corrigir um erro, acaba sempre cometendo outro ainda pior – e sabemos que esta vulnerabilidade torna Daniel mais humano e o aproxima da plateia. No entanto, é mesmo na química excepcional com Pat Morita que Macchio se destaca; e esta continua intacta neste último filme da série.

Bem diferente fisicamenteMais agitado e inconsequenteVulnerabilidadeTransmitindo a decepção de Miyagi com as decisões Daniel com precisão em seu rosto expressivo, Morita mais uma vez rouba a cena com suas frases marcantes (“Caratê por troféu de plástico não significa nada”), que se tornam ainda mais icônicas pela maneira como ele as pronuncia. Além disso, seu Sr. Miyagi volta a protagonizar cenas muito interessantes, como aquela em que ensina o “golpe da vassoura” para Daniel (num excelente alívio cômico) e aquela em que bate nos três vilões ao mesmo tempo – e é interessante notar como o espectador jamais teme pelo personagem, confiando plenamente nas habilidades dele após o que viu anteriormente. Por tudo isso, é decepcionante ter que testemunhar Morita dizendo algumas cafonices do roteiro, como a metáfora nada sutil que relaciona o Bonsai original destruído a Daniel.

DecepçãoGolpe da vassouraNova paixão do garotoPrejudicada pela breve separação entre mestre e pupilo, a amizade de Daniel e Miyagi cede espaço para Jessica, a nova paixão do garoto que deixa claro logo de cara que só quer sua amizade. Felizmente, ao contrário do que ocorria no filme anterior, a química entre Daniel e Jessica existe e, ainda que o romance jamais se concretize, a relação consegue convencer graças à boa atuação de Robyn Lively, que cria uma personagem simpática, confortando Daniel mesmo quando este surge nervoso e impaciente. Assim, a garota consegue suprir parcialmente o vazio provocado pela separação dos grandes amigos.

Conduzindo a narrativa num tom que beira a nostalgia, Avildsen nos brinda com lindas imagens durante o treinamento na montanha com vista para o mar, embalado pela bela trilha sonora instrumental de Bill Conti, que se contrapõe perfeitamente à trilha acelerada que só amplia a tensão na descida da rocha onde o Bonsai estava escondido. Já o diretor de fotografia Stephen Yaconelli decide apostar em tons mais sombrios que nos filmes anteriores, conferindo uma aura ameaçadora ao treinador Silver, por exemplo, quando este surge fumando e lendo num carro ou quando invade a casa de Miyagi. Da mesma forma, as sombras dominam a visita ao local alugado para a nova loja de Bonsai – num indício dos problemas que surgiriam ali -, ao passo em que a obscura despedida de Miyagi da antiga oficina apenas reflete sua tristeza.

Lindas imagens durante o treinamentoFumando e lendo num carroDespedida de Miyagi da antiga oficinaSeguindo outro padrão estabelecido pela série, os figurinos de Michael Chavez trazem Daniel vestido de branco e Mike vestido de preto no torneio final, da mesma forma que Silver sempre surge de preto nos treinamentos do protagonista, numa separação clara entre “o bem e o mal”. Por outro lado, a atmosfera criada por Avildsen na final consegue resgatar um pouco da magia do primeiro filme, ainda que as lutas soem falsas em grande parte do tempo. Entretanto, o maior problema é que Avildsen aposta novamente na desgastada fórmula dos filmes anteriores, com o protagonista apanhando até não poder mais até que, num único golpe, consiga derrotar o adversário. Ao menos, existe aí um componente nostálgico que deixa a plateia satisfeita com o que viu, mas é inegável que ao repetir sua história ao invés de desenvolvê-la, a série “Karatê Kid” estava mesmo fadada ao fim.

Daniel de brancoSilver de preto nos treinamentosLutas soam falsasApresentando uma narrativa muito mais envolvente que no longa anterior, “Karatê Kid 3” tem o mérito de resgatar parte da essência do primeiro filme, ainda que não tenha a mesma qualidade deste. Enriquecido também por vilões mais ameaçadores, o longa acerta justamente por compreender que a razão do sucesso da franquia estava na simplicidade com que abordava a relação extremamente humana entre o protagonista e seu sábio mentor. Prejudicado pela repetição de uma fórmula desgastada, está longe de ser um grande filme, mas pelo menos encerrou a simpática série com dignidade.

Karatê Kid III - O Desafio Final foto 2Texto publicado em 31 de Março de 2013 por Roberto Siqueira

Trilhas #001 – “For the Love of a Princess”, do filme “Coração Valente”

Vídeo publicado em 28 de Março de 2013 por Roberto Siqueira

Trilhas sonoras

A partir de hoje, compartilharei com vocês versões alternativas de minhas trilhas sonoras favoritas, destas que nós ouvimos no dia-a-dia sem enjoar – eu particularmente tenho um MP3 Player recheado de trilhas que marcaram minha vida.

No entanto, assim como ocorre com a Videoteca, a sequência não quer dizer nada a não ser a ordem em que divulgarei as trilhas, o que significa que a primeira trilha que divulgarei dentro de alguns minutos não é necessariamente a minha favorita.

Não é? Entrei na igreja em meu casamento com ela ao fundo. Ainda me emociono quando ouço suas notas. Sou fã incondicional do filme. Mas tudo bem, isto não é motivo pra afirmar que esta seja minha trilha sonora favorita, é?

Espero que gostem da novidade. E podem aguardar que neste fim de semana as críticas voltam com força total.

Um forte abraço.

Best SoundtracksTexto publicado em 28 de Março de 2013 por Roberto Siqueira

Roma

RomaEu já tinha conhecido alguns dos principais cartões postais italianos quando finalmente cheguei a Roma. Não que eu não tenha boca, mas o fato é que eu e a Dri decidimos começar nosso tour pela linda Itália lá do norte, passando por Milão, Veneza, Florença e toda sua bela região até finalmente chegar à – desculpe o velho clichê – “Cidade Eterna”.

Velho, aliás, é algo bastante relativo num lugar onde podemos almoçar num restaurante moderno e, alguns metros depois, dar de cara com um monumento com mais de dois mil anos de história. Esta é a beleza de Roma, esta é a magia de uma cidade que encanta pela mistura entre o novo e o antigo, o futuro e o passado, a modernidade e a história. Caminhar pelas ruas de Roma é fazer uma constante viagem pelo tempo, numa velocidade que deixaria qualquer Deloren babando de inveja.

Depois de deixar nossa bagagem no estilizado e moderníssimo hotel “Venetia Palace”, localizado a alguns metros da impressionante estação central Termini, começamos nossa viagem pelo maior cartão postal da Itália (e quem sabe, um dos mais famosos do mundo): o Coliseu. No caminho, um casal de brasileiros que já tinha nos ajudado em Florença surgiu novamente e, desta enorme coincidência, nasceu uma duradoura amizade com nossos queridos Marcel e Yara. Juntos, nós quatro nos divertimos muito naqueles dias inesquecíveis na capital italiana.

Venetia Palace HotelRoma TerminiMaior cartão postal da ItáliaEu tinha um pé atrás com o Coliseu, talvez pela lembrança da primeira vez que vi o estádio do Morumbi, tão imponente na televisão que fez seu tamanho real parecer pequeno para uma criança de 11 anos de idade. Assim, quando pensava no Coliseu, eu até esperava uma construção respeitável, mas não tanto. Por isso, quando avistamos aquele verdadeiro gigante, mal pude acreditar no que meus olhos viam. Certamente, é um dos lugares que mais me impressionaram até hoje tamanha a sua imponência física. Passear pelo Coliseu traz um misto de admiração e angústia ao pensar nas barbaridades que eram cometidas ali, mas vale cada minuto.

Verdadeiro giganteImponência físicaMisto de admiração e angústiaSaindo do Coliseu, nos dirigimos à Piazza di Spagna, com suas fontes deliciosas aos pés da florida escadaria que está sempre lotada de turistas. Pertinho dali, o tradicional Caffè Greco, que na época cobrava 1,30 euros para tomar um café no balcão e (pasmem!) 7,00 euros para tomar sentado nas mesinhas. Caminhamos mais um pouco até chegarmos ao lugar mais encantador da cidade. Com suas águas barulhentas, as centenas de turistas que se aglomeram em volta dela para jogar moedinhas e a iluminação belíssima que surge ao cair da noite, a Fontana di Trevi é um marco em qualquer viagem para a Itália. Mais alguns metros pelas ruas apertadas e charmosas de Roma e nos deparamos com o Pantheon, outra construção maravilhosa que nos faz imaginar como os romanos eram capazes de construir algo tão imponente numa época em que as máquinas sequer existiam.

Piazza di SpagnaTradicional Caffè GrecoFontana di Trevi

A arquitetura de Roma, aliás, é algo fascinante, com suas construções grandiosas se destacando em meio às ruas agitadas e coloridas. Logo na chegada a cidade, é possível admirar o que sobrou dos aquedutos que levavam água para toda a região. Ao lado do Coliseu, o Foro Romano é outro exemplo do quanto Roma pode nos transportar para o passado, com as ruínas da antiga cidade revelando toda a genialidade daquele povo que dominou o velho continente há séculos atrás.

PantheonForo RomanoRuínas da antiga cidadeNo Vaticano, a Basílica de São Pedro impressiona desde a nossa chegada, tornando-se ainda mais marcante conforme caminhamos por ela – e evocando sentimentos mistos diante de tamanha beleza e ostentação. Logo de cara, a incrível escultura “La Pietà”, do mestre Michelangelo, repleta de detalhes impressionantes e de grande simbolismo para os religiosos. Além dela, vale visitar também o túmulo de São Pedro, a famosa Capela Sistina (que não pode ser fotografada nem filmada) e, ainda que exija grande esforço do visitante com suas centenas de degraus, o alto da Basílica tem uma vista que vale a caminhada. De quebra, na saída ainda temos o Castelo de Sant’Angelo, que, entre tantas coisas, servia para abrigar os papas em tempos de guerra.

Basílica de São PedroLa PietàCastelo de Sant'AngeloCaminhar a noite era ainda mais delicioso por causa da companhia que tínhamos. Com suas piadas engraçadíssimas, o Marcel tornava o passeio ainda mais memorável enquanto delirava sobre os Etruscos e a importância da Caterpillar naquela época (uma brincadeira que até hoje nos diverte quando assistimos aos vídeos da viagem). A bella notte italiana se torna ainda mais memorável em lugares especiais como a encantadora Via Veneto e o delicioso bairro Trastevere, repleto de bares e restaurantes aconchegantes para passar o resto da noite.

Encantadora Via VenetoTrastevereBella notte italianaComer em Roma é algo sempre prazeroso e que normalmente não custa muito caro. Não era de se esperar outra coisa do país famoso pela pasta, mas o capricho da cozinha romana é especial, competindo lado a lado com os excelentes restaurantes da Toscana. Não consigo me esquecer do sabor dos mais diversos molhos que acompanhavam espaguetes, nhoques e tantas outras massas deliciosas. Até mesmo a pizza, ainda que não seja tão recheada como a nossa pizza paulistana, conseguiu me agradar.

Além do sabor único, o charme está também no ambiente, com toda aquela atmosfera italiana que não conseguimos captar em nenhum outro lugar do planeta. Por tudo isso, nós até relevamos certos detalhes, como as ruas claramente menos cuidadas que em outras cidades europeias, a movimentação caótica de pessoas pelas ruas, os gestos e gritos efusivos dos italianos e até mesmo a grosseria de alguns deles. Com exceção dos portugueses, nenhum outro povo europeu tem tanta semelhança com nós brasileiros, para o bem e para o mal.

Romântica como indica o nome, doce como na mais italiana das expressões e passional como muitos dos habitantes locais, Roma é um destes lugares onde a vida realmente é bela e vale a pena ser vivida em toda sua plenitude, onde as pessoas sabem da importância de cada momento, de cada beijo e abraço, de cada sorriso e de cada boa refeição regada a um bom vinho ao lado de pessoas especiais. Ainda bem que esta é a cidade eterna, pois as futuras gerações merecem ter o direito de conhecer este lugar apaixonante e inesquecível.

Roma foto 2Texto publicado em 20 de Março de 2013 por Roberto Siqueira

WALL STREET – PODER E COBIÇA (1987)

(Wall Street)

4 Estrelas 

Videoteca do Beto #162

Dirigido por Oliver Stone.

Elenco: Charlie Sheen, Michael Douglas, Martin Sheen, Daryl Hannah, Hal Holbrook, Sean Young, Franklin Cover, Chuck Pfeiffer, James Karen, John C. McGinley, James Spader, Terence Stamp e Leslie Lyles.

Roteiro: Stanley Weiser e Oliver Stone.

Produção: Edward R. Pressman.

Wall Street - Poder e Cobiça[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Tanto tematicamente quanto narrativamente, Oliver Stone nunca foi um diretor de sutilezas. Com seu estilo histriônico e sua maneira direta de se posicionar diante dos temas que escolhe como centro de suas narrativas, Stone rapidamente foi rotulado como um diretor polêmico, gerando simpatia e rejeição em proporções similares. No entanto, existem momentos em que este estilo agressivo casa perfeitamente com o tema abordado, como acontece nos ótimos “Platoon”, “Nascido em 4 de Julho”, “Assassinos por Natureza” e na obra-prima “JFK”. Ao decidir explorar o universo especulativo da bolsa de valores, Stone acertou mais uma vez em cheio e, ao lado de seu talentoso elenco, fez deste “Wall Street – Poder e Cobiça” um ótimo filme.

Escrito pelo próprio Stone ao lado de Stanley Weiser, “Wall Street – Poder e Cobiça” narra à trajetória do jovem corretor da bolsa de Nova York Bud Fox (Charlie Sheen), que encontra a grande chance de se destacar no ramo das ações quando obtém uma importante informação sobre a empresa aérea em que seu pai (Martin Sheen) trabalha e decide repassá-la ao bilionário Gordon Gekko (Michael Douglas), um homem que não mede esforços para fazer sua fortuna crescer através do competitivo mercado financeiro.

Apenas um ano após ser consagrado pela Academia com o Oscar por “Platoon”, Oliver Stone confirmava sua coragem ao abordar outro tema delicado e cutucar o coração financeiro dos EUA: Wall Street. Filho de um corretor da bolsa, Stone enxergava com preocupação as ações dos chamados “Mestres do Universo” (assim intitulados por Tom Wolve em seu livro “A Fogueira das Vaidades”), homens poderosos que manipulavam o mercado financeiro descaradamente, gerando sentimentos contraditórios no cidadão comum, que se via enojado diante da falta de princípios que regrava aquele mundo quase incompreensível e, ao mesmo tempo, fascinado diante de tanta autoconfiança e poder.

Para retratar este ambiente misterioso e nada ético, Stone e seu bom diretor de fotografia Robert Richardson exploram cores sem vida como cinza, azul marinho e preto, que ecoam também nos ternos impecáveis dos figurinos de Ellen Mirojnick, que, por sua vez, ganham ainda mais importância num mundo onde as aparências são tão valorizadas. Da mesma forma, observe o contraste entre o quase asséptico escritório novo de Bud e o caótico escritório em que ele trabalhava (design de produção de Stephen Hendrickson), apresentado num curto plano-sequência logo nos primeiros minutos de projeção que serve também para nos familiarizar com a hierarquia do local. Quanto maior a sala, mais importante é aquela pessoa na corporação. Por outro lado, ainda que tenha a cara dos anos 80, a trilha sonora de Stewart Copeland hoje soa datada e pouco contribui na construção desta atmosfera opressora, salvando-se apenas em momentos onde tem alguma função narrativa, como quando ilustra a preocupação de Bud ao indicar as ações da Bluestar para Gekko, demonstrando que ele sabia o risco que corria ao tomar aquela perigosa decisão.

Ternos impecáveisEscritório novoCaótico escritórioAuxiliado pela montagem dinâmica de Claire Simpson, Stone ainda reflete com precisão a atmosfera de urgência da bolsa de valores, empregando closes, dividindo a tela e agitando a câmera assim que o relógio anuncia a abertura do mercado. Observe ainda como os cortes rápidos ilustram a tensão do ambiente, chegando ao auge na empolgante sequência da venda das ações da Anacott Steel, que reflete a euforia de Bud diante daquela importante transação (vale notar a rápida aparição do próprio Oliver Stone nesta sequência). Por outro lado, observe como quando as ações se passam no escritório de Gekko, tanto o ambiente mais amplo e organizado quanto à câmera mais controlada de Stone refletem o excepcional domínio que aquele homem tem sobre o que faz.

Dividindo a telaRelógio anuncia a abertura do mercadoAmbiente mais amplo e organizadoMas o grande mérito de “Wall Street – Poder e Cobiça” não está nos aspectos técnicos. Ciente de que a narrativa depende muito mais do desempenho dos atores, Oliver Stone consegue extrair boas atuações de quase todo seu elenco, a começar por papeis menores como o de Sean Young, que vive a artificial esposa de Gekko, e Hal Holbrook, que, vivendo o corretor da bolsa Lou Mannheim, faz bem o tipo experiente que já viu de tudo na carreira, enxergando de longe aonde a ganância de Bud poderia levá-lo. E se Martin Sheen encarna o Sr. Fox com simplicidade, isto não o impede de se impor diante do filho quando é preciso, ainda que ele não consiga conter o ímpeto do rapaz diante de tantas possibilidades – e o plano que ilumina o rosto de Bud em certo momento sugere uma aura mística e indica que ele era mesmo “o escolhido” por Gekko para entrar naquele seleto grupo de milionários.

Artificial esposa de GekkoCorretor Lou MannheimSr. FoxPai e filho na vida real, Charlie e Martin estabelecem a química dos personagens naturalmente, o que é essencial para compreender a reação de Bud ao descobrir as reais intenções de Gekko na aquisição da Bluestar. Jovem e ambicioso, Bud rapidamente conquista a confiança do bilionário, sendo recompensado com agrados e a meteórica ascensão social. Na época firmando-se como um ator dramático após o sucesso de “Platoon”, Charlie Sheen transmite este deslumbramento do personagem com precisão, mudando-se em pouco tempo para um apartamento luxuoso e conquistando a bela Darien de Daryl Hannah, que, por sua vez, também tira o máximo proveito daquele bem sucedido grupo social (financeiramente, diga-se) ao envolver-se secretamente com Gekko em troca de novos e importantes clientes.

Envolvendo-se gradualmente numa troca ilegal de informações sigilosas, Bud se torna mais e mais ganancioso, e este mundo luxuoso e repleto de regalias que se abre a sua frente não colabora em nada para impedir sua inserção naquele ambiente. Só que toda esta superficialidade tem um preço. Assim, quando o casal discute, Bud não hesita em deixar claro que sabe que Darien o enxerga apenas como uma oportunidade de continuar sua escalada social, mas as duras respostas dela mostram que ele não era tão diferente assim – e o bom desempenho da atriz neste momento nos faz acreditar que ela de fato gostava dele, o que torna tudo ainda mais intenso.

Química naturalDeslumbramentoCasal discuteControlando este complexo jogo de interesses com maestria, o persuasivo e arrogante Gordon Gekko soa quase como um vilão inabalável, ainda mais pela maneira visceral que Michael Douglas compõe o personagem, surgindo sempre confiante e poderoso, como se fosse capaz de prever tudo que acontece com grande antecedência. Enxergando o dinheiro como a única coisa pela qual vale a pena lutar (“Almoçar é para os fracos”), Gekko demonstra enorme habilidade nas negociações, mas mostra igual capacidade de passar por cima da ética se assim for preciso para conquistar seus objetivos. Destacando-se ainda em momentos marcantes como o icônico discurso feito aos sócios da Teldar Paper (“A ganância é boa”), Douglas consegue transformar um personagem que tinha tudo para ser detestável em alguém cativante através de sua maneira prática de enxergar o mundo e de dizer coisas profundamente cruéis.

Persuasivo e arrogante Gordon GekkoConfiante e poderosoIcônico discursoEntretanto, não são apenas as palavras de Gekko que provocam desconforto em “Wall Street – Poder e Cobiça”, como atesta a forte discussão entre os Fox no elevador, onde os cortes rápidos de Stone ajudam a nocautear a plateia, desnorteada diante das duras palavras trocadas por eles – num grande momento da atuação dos Sheen. Da mesma forma, a câmera inquieta realça a tensão na discussão entre Bud e Gekko sobre a liquidação da Bluestar, na qual o primeiro demonstra que não aceitará tão facilmente ser manipulado pelo bilionário, enquanto o segundo resume muito bem o que é o capitalismo e como funciona a divisão de renda nos EUA (e na maior parte do planeta, porque não?) – e repare como após ser enganado na venda da Bluestar, Gekko surge coberto pelas sombras, indicando sua decadência.

Forte discussão no elevadorDiscussão entre Bud e GekkoGekko surge coberto pelas sombrasObviamente, Oliver Stone não perde a oportunidade de criticar acidamente todo aquele sistema e insere seus comentários sociais em diversos momentos, como quando acompanhamos Bud ganhando uma sala ampla ao mesmo tempo em que um velho funcionário é demitido (“Tenho dois filhos para criar, vou parar na sarjeta”, argumenta). A intenção é clara: criticar o feroz sistema especulativo de Wall Street, responsável por fabricar jovens milionários da noite para o dia – e também por gerar algumas crises marcantes nas últimas décadas, como hoje sabemos bem. Soltas durante a narrativa, frases como “O dinheiro faz você fazer coisas que não quer fazer” e “Pare de ir atrás do dinheiro fácil e produza algo com sua vida” resumem bem a visão de Stone sobre o tema.

É verdade que para alcançar seu objetivo, o diretor acaba pesando a mão em alguns instantes. Assim, o milionário Gekko obviamente acaba punido e preso, enquanto Bud perde a namorada e o dinheiro, vende o apartamento, vê seu pai sofrer um enfarte e ainda é surpreendido em seu escritório pela polícia, num resultado trágico que nem sempre traduz a realidade do mercado financeiro – e é curioso notar como mesmo após fazer tantas coisas erradas, nós sentimos pena dele ao vê-lo deixando o escritório algemado e chorando. É evidente que nem todo trader é como Gekko e que é possível ser bem sucedido como corretor sem deixar-se cegar pela ganância, mas nem por isso “Wall Street – Poder e Cobiça” deixa de ser um grande filme que, curiosamente, acabou antevendo parte do processo de decadência dos “Mestres do Universo”.

Bud ganhando uma sala amplaVelho funcionário é demitidoDeixa o escritório algemado e chorandoEm “Wall Street – Poder e Cobiça”, Oliver Stone aponta sua metralhadora crítica não apenas para o especulativo mercado financeiro, mas também para a mentalidade de uma época em que a qualidade de um terno era mais importante do que a pessoa dentro dele e que o sucesso era medido pelos dígitos de sua conta bancária. O tempo provou que o diretor tinha certa dose de razão e que, ao contrário do que afirma Gordon Gekko, a ganância não é algo tão bom assim.

Wall Street - Poder e Cobiça foto 2Texto publicado em 16 de Março de 2013 por Roberto Siqueira

KARATÊ KID 2 – A HORA DA VERDADE CONTINUA (1986)

(The Karate Kid – Part II)

2 Estrelas 

Videoteca do Beto #161

Dirigido por John G. Avildsen.

Elenco: Ralph Macchio, Pat Morita, Martin Kove, Joey Miyashima, Danny Kamekona, Tamlyn Tomita, Nobu McCarthy, Charlie Tanimoto, Arsenio Trinidad, William Zabka e Yuji Okumoto.

Roteiro: Robert Mark Kamen.

Produção: Jerry Weintraub.

Karate Kid II - A Hora da Verdade Continua[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Sequência do sucesso de 1984, “Karatê Kid 2 – A Hora da Verdade Continua” chegava aos cinemas apenas dois anos após o lançamento de seu antecessor apostando na química quase palpável de Ralph Macchio e Pat Morita para funcionar. Só que, aparentemente, tanto os produtores quanto o roteirista e o diretor julgaram que somente isto já seria suficiente para a realização de um segundo filme, esquecendo-se de elementos importantes que funcionaram muito bem no longa anterior. O resultado é uma continuação decepcionante, que nem de longe tem a mesma eficiência e o carisma que consagraram o primeiro exemplar da série.

Mais uma vez escrito por Robert Mark Kamen, “Karatê Kid 2” inicia recordando cenas do primeiro filme, o que já sugere uma preocupante falta de confiança na memória do espectador. Ao menos, este início serve para indicar a tendência de explorar mais as habilidades marciais do Sr. Miyagi (Pat Morita), que, desta vez, precisa voltar a sua terra natal após receber uma carta informando o péssimo estado de saúde de seu pai. Acompanhado por Daniel (Ralph Macchio), ele viaja para Okinawa sabendo que também precisará enfrentar Sato (Danny Kamekona), um antigo amigo que se tornou seu rival por causa do amor de Yukie (Nobu McCarthy).

Os problemas de “Karatê Kid 2” começam a ficar evidentes logo em sua premissa. Ao transportar a narrativa para o outro lado do mundo, Kamen elimina um dos elementos essenciais do sucesso do primeiro filme, que é a identificação do espectador com o tema, já que aquele universo gera um distanciamento natural para a maioria dos espectadores (ou pelo menos para aqueles que jamais estiveram em terras nipônicas), que poderia ser compensado se ao menos o longa explorasse melhor o fato de estar no país de origem do caratê. Além disso, sentimos falta de figuras carismáticas como a mãe e a namorada de Daniel encarnadas com tanto carisma por Randee Heller e Elizabeth Shue – de certa forma, tanto o antigo amor de Miyagi como a nova paixão de Daniel surgem como tentativas frustradas de ocupar este vazio. Pra piorar, Kamen escorrega até mesmo na construção de diálogos simples, como quando Daniel diz que para quebrar algumas barras de gelo é preciso usar a mente e não a força, somente para segundos depois dizer desesperado que um cara bem maior que ele não conseguiu.

Mas se o roteiro falha assustadoramente, ao menos tecnicamente “Karatê Kid 2” conta com o bom trabalho da equipe dirigida por John G. Avildsen para nos ambientar a pequena vila em Okinawa, começando pela escolha da locação, que permitiria ao diretor explorar a beleza da região e criar lindos planos a beira mar caso ele quisesse. Por isso, é uma pena constatar que nem Avildsen nem seu diretor de fotografia James Crabe parecem perceber o potencial daquela pequena vila japonesa, explorando o rico visual apenas em raríssimas ocasiões. Ao menos, as casas e as vestimentas tipicamente japonesas criam a atmosfera necessária para transportar o espectador para aquele universo, o que é mérito do design de produção de William J. Cassidy e dos figurinos de Mary Malin. Avildsen também sugere que fará alguma crítica à ocupação norte-americana no local, mas jamais se posiciona com firmeza sobre o tema, o que faz as menções à presença do exército soarem vazias ou deslocadas.

Pequena vila em OkinawaCasas tipicamente japonesasOcupação norte-americana no localMesmo com tantas falhas, “Karatê Kid 2” tem o mérito de tentar focar mais na relação entre Daniel e Miyagi que funcionara tão bem no filme anterior, abrindo mais espaço para o sábio japonês na narrativa – algo refletido até mesmo na trilha sonora de Bill Conti, que desta vez abusa dos sons orientais nas composições instrumentais. Assim, Pat Morita tem a oportunidade de desenvolver melhor seu personagem, demonstrando suas motivações, seus medos e nos apresentando sua história. Confirmando seu talento, Morita protagoniza os melhores momentos do filme, trazendo ainda novas frases emblemáticas que se tornam mais interessantes pela maneira pausada e reflexiva que ele as pronuncia. Assim, se afirmações do tipo “o coração mostra que tive coragem, a medalha mostra que tive sorte” poderiam até soar cafonas, Morita faz com que elas se tornem profundas e belas apenas pela forma como as profere.

Relação entre Daniel e MiyagiSábio japonêsNovas frases emblemáticasDa mesma forma, Ralph Macchio mantém a jovialidade e o ar inocente que fizeram de Daniel “San” um personagem tão adorável, conquistando a empatia da plateia com seu carisma e seu humor autodepreciativo. Consciente de que sua força não está no porte físico e sim na agilidade, ele demonstra evolução como personagem ao surgir mais confiante e consciente de sua capacidade – o que se reflete na maneira mais direta que corteja sua nova paixão. Assim, quando Miyagi diz que “não importa quem é mais forte, importa quem é mais esperto”, Daniel responde que sabe bem disto porque ganhou o torneio assim; e nós acreditamos nele.

Ar inocenteHumor autodepreciativoManeira mais direta que corteja sua nova paixãoPor falar no torneio, em “Karatê Kid 2” temos a oportunidade de acompanhar os acontecimentos seguintes ao apoteótico final da competição, o que, além de demonstrar mais uma vez a habilidade de Miyagi, serve para confirmar que o professor John de Martin Kove continua unidimensional e detestável. Seguindo esta linha de dividir claramente as pessoas entre o bem e o mal, o novo vilão Sato interpretado por Danny Kamekona também se estabelece como um personagem unidimensional que, ao lado do odiável sobrinho vivido por Yuji Okumoto, parece sempre olhar no espelho antes de sair de casa e pensar em qual maldade fará naquele dia. Os dois atores, aliás, oferecem um desempenho tão caricatural que espanta constatar que foram dirigidos pelo mesmo Avildsen que arrancou atuações tão boas de quase todo o elenco do primeiro “Karatê Kid” e de “Rocky, um Lutador”, para citar apenas dois dos mais famosos filmes dele. E finalmente, Kumiko pode até não ter a mesma empatia que Ali tinha com Daniel, mas ao menos Tamlyn Tomita se esforça para transformar a personagem numa moça mais simpática ao longo da narrativa.

Novo vilão SatoOdiável sobrinhoKumikoDurante todo o primeiro ato, “Karatê Kid 2” prepara o espectador para um confronto entre Miyagi e Sato que nunca acontece, o que é decepcionante. Além disso, o irregular segundo ato quebra muito o ritmo da narrativa ao focar demasiadamente nos romances nada empolgantes vividos por Daniel e Miyagi – algo que, infelizmente, o trio de montadores formado por David Garfield, Jane Kurson e pelo próprio Avildsen parece não perceber. Assim, temos a sensação de que falta o espírito jovem do filme anterior, como também faltam mais lutas interessantes e realistas, já que desta vez os confrontos surgem mal coreografados e inverossímeis. E até mesmo a esperada luta final é mal realizada e sem graça, terminando com uma piada pouco inspirada que funciona mais como um anticlímax. Em resumo, se “Karatê Kid” terminava deixando o espectador em êxtase, aqui o que sentimos é uma enorme frustração.

Romances nada empolgantesConfrontos mal coreografadosEsperada luta finalMesmo com tantas falhas na estrutura narrativa, “Karatê Kid 2” tem seus raros momentos de inspiração, como o lindo diálogo em que Daniel conforta seu mentor e fala sobre como se sentiu após a morte do próprio pai – e é comovente notar como Miyagi mal consegue chorar, sofrendo calado e transmitindo apenas com os olhos marejados e a expressão facial a grande dor que sente. O longa traz ainda algumas interessantes rimas narrativas com o primeiro filme, como quando Daniel sai correndo de uma festa após enfrentar o valentão que inferniza sua vida, faltando apenas o esperado golpe da garça, que desta vez surge rapidamente e sem provocar o efeito esperado.

Daniel conforta seu mentorMiyagi mal consegue chorarDaniel sai correndo de uma festaPiorando ou eliminando elementos básicos do primeiro filme, “Karatê Kid 2” decepciona bastante, justamente por evidenciar que seus realizadores não perceberam porque fizeram tanto sucesso com “Karatê Kid”. Assim, além de conhecermos um pouco mais a respeito da história deste personagem icônico chamado Sr. Miyagi, talvez a única lembrança que carregamos desta sequência seja a bela música tema (“Glory of Love”, de Peter Cetera), que tem a força das boas canções e consegue marcar o espectador.

Karate Kid II - A Hora da Verdade Continua foto 2Texto publicado em 13 de Março de 2013 por Roberto Siqueira

Raul Reis Siqueira: nosso mais novo presente de Deus

Já faz algum tempo que recebi pela segunda vez na minha vida a notícia mais gostosa que um homem pode ouvir. Sim, serei papai novamente! Sentirei novamente a emoção indescritível de ver um filho nascer, pegá-lo no colo, sentir seu calor, ouvir seu choro, contemplar seu riso, olhar em seus olhos e imaginar o que ele está pensando… Mal posso esperar.

Esperar, aliás, é algo que já vínhamos fazendo há algum tempo. Esperávamos pelo momento certo de encomendar nosso segundo bebê, esperávamos que tudo saísse bem e, na verdade, continuamos esperando que Deus nos abençoe e que ele venha em paz e com saúde. Decidimos tentar na Alemanha, talvez por alguma ligação afetiva com o fato de o Arthur ter sido gerado praticamente em seguida a nossa última viagem à Europa (Itália, 2009). Mas este não era o plano de Deus. Assim, nos frustramos no primeiro teste negativo após um pequeno atraso da Dri.

Nada, porém, nos desanimaria. E logo no mês seguinte, a grande notícia se confirmou: a Dri estava grávida novamente! Mais uma vez, nos emocionamos, compartilhamos a notícia com os familiares e amigos mais próximos, mas por razões que não cabem aqui, resolvi adiar este texto por um período. Não importa. O que importa de fato é a alegria que senti e que só aumenta a cada ultrassom, a cada dia que nos aproxima da chegada do nosso príncipe, desde já muito amado por todos.

O Arthur já sabe que o “Raiú” está chegando. Como qualquer criança, ele intercala raros momentos de ciúme momentâneo com inúmeros outros de profundo carinho pelo irmão, como quando eu disse que ele teria um irmãozinho em breve e ele respondeu: “Eu já tenho papai, está dentro da barriga da mamãe”.

Assim, nosso lindo Raul já sabe o que lhe espera. Um lar repleto de amor e alegria, com defeitos e virtudes como outro qualquer, mas com pessoas que se amam e se respeitam acima de tudo. Este será o lar do nosso Raul, este será o seu primeiro contato com o mundo e, por mais que eu saiba que a vida lá fora não é tão doce assim, quero que ele desfrute o máximo possível do nosso lar!

Seja bem vindo meu amor!

Papai, mamãe, Tutu e vovó te amam!

Beijos!

RaulTexto publicado em 10 de Março de 2013 por Roberto Siqueira

Forma e Estilo, de Pablo Villaça

Em Maio de 2009, tomei uma decisão que mudaria a minha vida. Sempre fui um apaixonado por cinema, sempre gostei de ver filmes e sempre gostei de escrever, mas jamais pensei que poderia juntar estas paixões num único espaço. Foi quando decidi fazer o curso “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográficas” do crítico Pablo Villaça.

Naquela semana mais que especial, eu descobri como é prazeroso estudar um assunto pelo qual sentimos verdadeira paixão. O tempo passava rapidamente, cada tema abordado surgia como um mundo novo de descobertas e meu lado cinéfilo finalmente ganhou vida. Aquela experiência, somada a uma conversa muito franca que tive com o próprio Pablo após o curso sobre o que era preciso para tornar-se um crítico, me deu a motivação que faltava para finalmente criar meu próprio espaço. Nascia ali o Cinema & Debate.

Quatro anos se passaram e uma nova oportunidade surgiu. Há alguns meses, recebi um e-mail anunciando o aguardado novo curso do Pablo chamado “Forma e Estilo”. Não pensei duas vezes e fiz minha inscrição em seguida, confiante de que, mesmo sendo uma edição de estreia, esta elevaria meu conhecimento a um novo patamar, que seria de extrema importância em minha caminhada para se tornar um crítico.

O resultado não poderia ser melhor. Exigindo um pouco mais aqui e ali de seus alunos, o “Forma e Estilo” é um curso ainda mais complexo, que se aprofunda em temas que sempre despertaram minha curiosidade como a “Fotografia”, a “Montagem” e o “Som”, e que representa uma nova oportunidade de mergulhar nos filmes sob o olhar clínico de um dos mais respeitáveis críticos de cinema.

Se o “Teoria, Linguagem e Crítica” representava uma imersão num mundo completamente novo, o “Forma e Estilo” nos leva além, abordando temas ainda mais fascinantes de maneira clara e direta, sempre contando com o carisma e o talento do Villaça para ministrar suas aulas.

No último dia, o Pablo utilizou um trecho de “Os últimos passos de um homem” para exemplificar determinado tema da aula, demonstrando algo que eu tinha apontado em minha crítica, escrita alguns meses atrás. Não me contive e fui compartilhar com ele a alegria que senti ao constatar o quanto evolui nos últimos quatro anos. Mas não se engane: este foi um momento raro, já que na maioria das vezes os exemplos utilizados no curso abriam novos horizontes e me faziam mergulhar numa experiência ainda mais enriquecedora. E mesmo neste caso o Pablo foi além, apontando algo que complementava o argumento que utilizei em minha critica e que eu não consegui enxergar quando assisti ao filme.

Assim, cheguei ao final deste módulo ainda mais satisfeito com o investimento feito. Tenho certeza de que esta semana apresentará reflexos no “Cinema & Debate” muito em breve. E espero que meus textos consigam refletir o quanto evolui.

Só posso agradecer ao Pablo Villaça por mais esta verdadeira aula de cinema. E só posso lamentar por ter me esquecido de tirar uma foto com ele, que ficaria muito bem neste encerramento de texto. 😉

Espero que uma fase ainda mais interessante esteja nascendo no “Cinema & Debate”.

Um grande abraço.

Forma e EstiloTexto publicado em 06 de Março de 2013 por Roberto Siqueira

OSCAR 2013: ARGO X DJANGO LIVRE

O Oscar passou e desta vez não vou perder tempo para seguir com minha comparação entre o vencedor do Oscar de Melhor filme e aquela que eu considerei como a melhor produção do ano.

Quem acompanhou minhas previsões para o Oscar sabe que eu gostei da safra deste ano. Assim, escolher o melhor filme tornou-se uma tarefa mais complicada, justamente por me obrigar a deixar de lado o peso dramático de “Amor”, a tensão palpável de “Argo”, a beleza assombrosa de “As Aventuras de Pi” e o realismo de “A Hora mais Escura” somente porque preciso escolher um filme dentre tantos que me agradaram.

No entanto, infelizmente não posso escolher mais de um filme e, pelos motivos também já explicados antes, neste ano eu votaria no filme de Tarantino, talvez como uma maneira de homenagear sua admirável carreira como diretor e roteirista.

Porque “Django Livre” é melhor?

Assim como aconteceu no Oscar 2011, não dá para afirmar que “Django Livre” é melhor que seus concorrentes. Se por um lado não vejo nenhuma obra-prima entre os indicados do ano, por outro também não posso dizer que algum seja uma completa porcaria, ainda que alguns dos indicados sejam claramente inferiores aos demais (como “Lincoln” e “Os Miseráveis”). Por isso, eu poderia facilmente votar em “Argo”, “As Aventuras de Pi”, “Amor” ou “A Hora mais Escura”, mas como considero todos estes filmes muito parelhos em termos de qualidade, decidi utilizar outros critérios em minha escolha e homenagear aquele que considero um dos cineastas mais interessantes dos últimos anos. E apesar de gostar de “Bastardos Inglórios”, considero que “Django Livre” é o melhor trabalho de Tarantino nos últimos anos, recheado com todas suas características marcantes e, por isso, merecedor do meu voto.

E pra você, qual o melhor filme de 2012 e por quê?

Um abraço e bom debate.

Argo foto 21138856 - Django UnchainedTexto publicado em 03 de Março de 2013 por Roberto Siqueira

OSCAR 2013 – Vencedores

Não vou comentar muito, pois já comentei bastante sobre os indicados no post anterior.

Em suma, Seth MacFarlane começou bem, mas demonstrou não ter um bom timing cômico ao vivo. O excesso de músicas atrapalhou o ritmo. Errei algumas categorias importantes, como Animação e Ator Coadjuvante, mas gostei da festa e dos vencedores em geral.

Você pode conferir os vencedores do Oscar 2013 aqui:

Melhor filme

“Argo”

Melhor direção

Ang Lee, por “As Aventuras de Pi”

Melhor ator

Daniel Day-Lewis, por “Lincoln”

Melhor atriz

Jennifer Lawrence, por “O Lado Bom da Vida”

Melhor ator coadjuvante

Christoph Waltz, por “Django Unchained”

Melhor atriz coadjuvante

Anne Hathaway, por “Os Miseráveis”

Melhor roteiro original

“Django Livre”, de Quentin Tarantino

Melhor roteiro adaptado

“Argo”, de Chris Terrio

Melhor animação

“Valente”

Melhor filme em língua estrangeira

“Amor” (Áustria)

Melhor direção de arte

“Lincoln”

Melhor fotografia

“As Aventuras de Pi”

Melhor figurino

“Anna Karenina”

Melhor montagem

“Argo”

Melhor maquiagem e penteado

“Os Miseráveis”

Melhor trilha sonora original

“As Aventuras de Pi”

Melhor canção original

Skyfall”, de “007 – Operação Skyfall”

Melhores efeitos visuais

“As Aventuras de Pi”

Melhor mixagem de som

“Os Miseráveis”

Melhor edição de som

“A Hora Mais Escura” e “007 – Operação Skyfall”

Melhor documentário

Searching For Sugar Man

Melhor documentário em curta-metragem

“Inocente”

Melhor curta-metragem

Curfew

Melhor curta-metragem de animação

Paperman

E você, gostou das escolhas da Academia em 2013?

Um abraço e bom debate.

ArgoTexto publicado em 25 de Fevereiro de 2013 por Roberto Siqueira