E o Oscar foi para…

Para aquecer a categoria “Premiações”, vou fazer aqui um comparativo dos filmes que eu considerei os melhores do ano com aqueles que a Academia de Hollywood premiou. Vou comparar somente os últimos 20 anos pela óbvia razão de que são os anos que assisti mais filmes e, portanto tenho base para comparar. Vale ressaltar que em alguns destes anos eu não vi filmes que inclusive concorreram ao prêmio e, sendo assim, posso mudar meu julgamento à medida que for assistindo novos filmes. No momento, a comparação fica assim:

2009 (Ano de Produção 2008)

Oscar de Melhor Filme: Quem quer ser um milionário?

Meu Melhor Filme do ano: Wall.E

2008 (Ano de Produção 2007)

Oscar de Melhor Filme: Onde os fracos não têm vez

Meu Melhor Filme do ano: Na Natureza Selvagem

2007 (Ano de Produção 2006)

Oscar de Melhor Filme: Os Infiltrados

Meu Melhor Filme do ano: Filhos da Esperança

2006 (Ano de Produção 2005)

Oscar de Melhor Filme: Crash – No Limite

Meu Melhor Filme do ano: Syriana – A Indústria do Petróleo

2005 (Ano de Produção 2004)

Oscar de Melhor Filme: Menina de Ouro

Meu Melhor Filme do ano: Menina de Ouro

2004 (Ano de Produção 2003)

Oscar de Melhor Filme: O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei

Meu Melhor Filme do ano: Dogville

2003 (Ano de Produção 2002)

Oscar de Melhor Filme: Chicago

Meu Melhor Filme do ano: O Pianista

2002 (Ano de Produção 2001)

Oscar de Melhor Filme: Uma Mente Brilhante

Meu Melhor Filme do ano: O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel

2001 (Ano de Produção 2000)

Oscar de Melhor Filme: Gladiador

Meu Melhor Filme do ano: Gladiador

2000 (Ano de Produção 1999)

Oscar de Melhor Filme: Beleza Americana

Meu Melhor Filme do ano: Magnólia

1999 (Ano de Produção 1998)

Oscar de Melhor Filme: Shakespeare Apaixonado

Meu Melhor Filme do ano: Além da Linha Vermelha

1998 (Ano de Produção 1997)

Oscar de Melhor Filme: Titanic

Meu Melhor Filme do ano: Titanic

1997 (Ano de Produção 1996)

Oscar de Melhor Filme: O Paciente Inglês

Meu Melhor Filme do ano: O Paciente Inglês

1996 (Ano de Produção 1995)

Oscar de Melhor Filme: Coração Valente

Meu Melhor Filme do ano: Coração Valente (Eu sei, este ano tivemos inúmeros filmes maravilhosos. Mas por questões pessoais, que discutirei quando chegar o momento oportuno, este é meu filme favorito aqui).

1995 (Ano de Produção 1994)

Oscar de Melhor Filme: Forrest Gump – O Contador de Histórias

Meu Melhor Filme do ano: Um Sonho de Liberdade

1994 (Ano de Produção 1993)

Oscar de Melhor Filme: A Lista de Schindler

Meu Melhor Filme do ano: A Lista de Schindler

1993 (Ano de Produção 1992)

Oscar de Melhor Filme: Os Imperdoáveis

Meu Melhor Filme do ano: Os Imperdoáveis

1992 (Ano de Produção 1991)

Oscar de Melhor Filme: O Silêncio dos Inocentes

Meu Melhor Filme do ano: JFK – A Pergunta que não quer calar

1991 (Ano de Produção 1990)

Oscar de Melhor Filme: Dança com Lobos

Meu Melhor Filme do ano: Dança com Lobos

1990 (Ano de Produção 1989)

Oscar de Melhor Filme: Conduzindo Miss Daisy

Meu Melhor Filme do ano: Campo dos Sonhos

Resumindo, concordei com 40% das decisões da Academia nos últimos 20 anos. Mais pra frente vou explicando o porquê de cada uma destas escolhas. Mas pra começar, já deixo aqui registrado minhas preferências.

Fiquem à vontade para comentar, discordar, concordar ou criticar. Enfim, vamos debater…

Um abraço.

Oscar1 

Texto publicado em 05 de Julho de 2009 por Roberto Siqueira

Categoria Família

Criei esta categoria para falar da grande alegria que Deus me deu recentemente. Quando criei o blog não imaginei que este presente divino em minha vida já estava por vir. Agradeço a Ele e inauguro aqui oficialmente a categoria família (com alguns dias de atraso). Vou falar do meu cotidiano e principalmente do meu amor e do meu bebê.

Um abraço.

Texto publicado em 05 de Julho de 2009 por Roberto Siqueira

Curso de Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica em São Paulo com Pablo Villaça

Pessoal,

Para todos aqueles que tiveram interesse pelo curso que fiz com o crítico de cinema Pablo Villaça, ele está formando uma nova turma (segue o link do curso abaixo). Ele voltará à São Paulo agora em Julho.

http://www.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/page/Curso-de-Teoria-Linguagem-e-Critica-Cinematografica-em-Sao-Paulo.aspx

Recomendo o curso, é nota 10!

Abraço.

Texto publicado em 03 de Julho de 2009 por Roberto Siqueira

TRÊS HOMENS EM CONFLITO (1966)

(Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo) 

5 Estrelas 

Videoteca do Beto #4

Dirigido por Sergio Leone.

Elenco: Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Eli Wallach, Aldo Giuffrè, Mario Brega, Luigi Pistilli, Rada Rassimov, Antonio Casale, John Bartho, Angelo Novi e Antonio Casas. 

Roteiro: Agenore Incrocci, Sergio Leone, Furio Scarpelli e Luciano Vincenzoni. 

Produção: Alberto Grimaldi. 

Três Homens em Conflito é o ponto alto da parceria entre o diretor italiano Sérgio Leone e o hoje astro de Holywood Clint Eastwood. Pouco conhecidos na época, conseguiram alcançar o sucesso através da trilogia dos dólares, que marcou o western para sempre e simbolizou uma época onde o estilo Western Spaghetti ficou conhecido. Depois de “Por um punhado de dólares” e “Por uns dólares a mais”, a dupla alcançou seu melhor resultado em “Três homens em conflito” e brindou o cinema com uma obra que atravessa gerações graças à extraordinária qualidade que têm.

Já na apresentação dos créditos podemos perceber a originalidade de Leone através da montagem de imagens acompanhada da maravilhosa trilha de Ennio Morricone. O filme narra à estória de Tuco Benedito Pacifico Juan Maria Ramirez (isso tudo mesmo!), apelidado de “O Feio” (Eli Wallach), Angel Eyes Sentenza, apelidado de “O Mau” (Lee Van Cleef) e Blondie, apelidado de “O Bom” (Clint Eastwood). Estes três homens atravessam o velho oeste em meio a Guerra Civil americana à procura de 200 mil dólares que foram roubados. A introdução do filme e dos personagens é absolutamente perfeita. Na primeira delas, sem utilizar nenhuma palavra, o diretor cria um clima absurdamente tenso e demonstra com as imagens o quão perigoso é “O Feio”. Na introdução de “O Mau”, ele também cria este mesmo clima de tensão, e quando as primeiras palavras são ditas no filme, já sabemos o que está para acontecer. “O Bom” tem uma introdução de personagem mais bem humorada, e que ao mesmo tempo, serve para demonstrar a habilidade do personagem com a arma e um traço importante de sua personalidade: a esperteza.

A montagem de Eugenio Alabiso e Nino Baragli ajuda a manter a narrativa dos três personagens igualmente interessante, apesar de nos identificarmos mais com “O Bom”, talvez influenciados pela introdução deste personagem, onde ele é apresentado como o menos cruel dos três. Os bons diálogos do roteiro que Leone ajudou a escrever também merecem destaque, como a conversa entre dois personagens sobre as porcentagens que cada um merecia na parceria que tinham e outra conversa entre estes mesmos personagens em um quarto do Hotel sobre cinturões e esporas. O roteiro cruza os caminhos dos três personagens em diversos momentos da narrativa de forma inteligente e jamais cansativa, mantendo o espectador sempre atento ao que acontece. Também utiliza alguns artifícios como um diálogo expositivo entre “O Feio” e seu irmão padre (Luigi Pistilli), mas o truque é utilizado de forma inteligente, já que o conflito é bastante verossímil. Além disso, algumas frases são verdadeiras pérolas como o momento em que “O Feio” diz: “Na hora de atirar atire, não fale”. Leone também cria momentos de alívio cômico interessantes, como a bem humorada e muito inteligente cena com o exército azul empoeirado e parecendo cinza.

A atuação de Clint Eastwood é minimalista, com poucas mudanças de feição. O ator não expressa muitas emoções, o que cai bem no personagem frio e calculista que é “O Bom”. Um dos momentos de inspiração de Clint é quando “O Feio” pede que ele coloque a cabeça na corda e ele move a sobrancelha levemente, como quem está pensando “Fazer o que…”. Bem humorado. Interessante como seu personagem utiliza inteligentemente a seu favor o fato de ser o único que sabe algo extremamente importante na trama, permitindo-lhe trocar de parceria à qualquer momento, já que ele sabe que é o mais importante do trio. Já Lee Van Cleef tem uma atuação mais exagerada como “O Mau”, usando caras e bocas em diversos momentos da trama como na cena em que o personagem aparece pela primeira vez, o que acaba fazendo um contraponto interessante para a fria atuação de Clint. Mas é Eli Wallach quem consegue maior destaque entre os três personagens. Seu “Feio” é ao mesmo tempo ameaçador e ingênuo. Por diversas vezes sentimos pena dele e em outras tantas vezes sentimos raiva. Wallach consegue transmitir a personalidade insegura e ao mesmo tempo gananciosa do personagem em diversos momentos, como no momento em que ele é salvo pela primeira vez por seu comparsa. O sorriso misturado com tensão fica claro no rosto de Wallach, muito bem captado pela câmera próxima de Leone.

Também impressionante é o excelente trabalho de Ennio Morricone. A trilha sonora de Três Homens em Conflito é sensacional, com toda cara do velho oeste. Os assovios e os gritos que ouvimos em sua melodia principal se encaixam perfeitamente na melancólica e assustadora visão do velho oeste proposta por Leone. Ao longo de toda projeção somos presenteados com belíssimas melodias, além da maravilhosa música instrumental “The Ecstasy of Gold”, executada na íntegra em um momento chave e extremamente belo do filme. O trabalho de figurino e direção de arte também é competente, situando-nos na época com roupas bem características do velho oeste americano, além da excepcional maquiagem em certo momento da trama, onde um personagem está praticamente desfigurado por caminhar muitos dias sob o sol. A Fotografia de Tonino Delli Colli destaca as cores marrom, cinza, bege e em poucos momentos o azul escuro, demonstrando a aridez do velho oeste. Também demonstra visualmente o mundo seco, de pessoas com corações frios onde viviam os personagens.

Mas o grande destaque do filme é, sem dúvida nenhuma, a aula de direção dada por Sérgio Leone. O diretor italiano tem controle total do filme e demonstra como cada plano é cuidadosamente planejado. Observe por exemplo o talento de Leone ao criar planos e composições extremamente belas, muitas vezes utilizando somente as imagens para passar sentimentos ao espectador. Ele sabe cadenciar perfeitamente a alternância entre estes planos amplos com os closes, utilizados para acentuar o traço surrado daqueles personagens queimados pelo sol. Estes closes também demonstram a frieza com que eles encaram momentos extremamente tensos, como os duelos armados. O filme todo é recheado de momentos bem orquestrados, uma verdadeira coleção de cenas absolutamente perfeitas. Para citar algumas, repare a composição visual da cena do trem cortando a corrente presa a um determinado personagem, a tensa cena da invasão de um quarto de Hotel, a já citada cena acompanhada da música “The Ecstasy of Gold”, a explosão da ponte e o ataque aos comparsas de “O Mau”. São momentos de puro cinema, com imagens belíssimas e cheias de estilo, narrando uma trama inteligente diante de nossos olhos.

[se você ainda não viu o filme, pule este parágrafo] Entre todas as lindas cenas, a que merece maior destaque é a sensacional cena final do duelo anunciado entre os três personagens. O momento tão esperado mais parece um balé extremamente bem orquestrado por Leone, com movimentos de câmera sensacionais, cortes perfeitos, closes espetaculares e um crescente clima de tensão que aumenta ainda mais com a ótima trilha sonora, criando uma cena incrivelmente bela e inesquecível. Somente esta cena já serviria de referência para o belíssimo trabalho de um diretor extremamente inteligente e competente que podemos testemunhar neste filme.

Representante maior do estilo Western Spaghetti, Três Homens em Conflito encanta pela quantidade enorme de cenas esplendidamente bem filmadas, explorando todo o potencial das paisagens do velho oeste e extraindo o máximo da trama criada, demonstrando toda a competência de Sergio Leone como diretor. Mesmo muitos anos depois de seu lançamento, ainda se mantêm como um dos maiores westerns já lançados no cinema. Com cenas inesquecíveis, momentos de extrema tensão e imagens belíssimas, o filme consegue criar empatia com o espectador e mantê-lo sempre interessado na narrativa, de uma forma absolutamente competente e imperdível.

 

Texto publicado em 02 de Julho de 2009 por Roberto Siqueira

Três pitacos sobre futebol…

1 – O Palmeiras acertou ao demitir Luxa?

Acho muito perigoso e extremamente incoerente demitir um treinador no meio de um campeonato. Ainda mais o campeonato Brasileiro, tão longo e difícil. O tempo já provou que os grandes trabalhos feitos no futebol brasileiro foram de técnicos que permaneceram no cargo por um longo tempo. Mesmo com a eliminação da Copa Libertadores entendo que Luxemburgo vinha fazendo um bom trabalho no Palmeiras, que merecia pelo menos chegar ao final deste ano. A renovação do time foi bem feita, faltam alguns ajustes é verdade, mas acho que o time poderia fazer um bom papel no Brasileiro. O problema é que o torcedor é apressado, quer resultados imediatos, mas entendo que para disputar o título do campeonato brasileiro é preciso planejamento, montar um elenco ao longo de um ou dois anos e fazer pequenos ajustes, como fizeram Inter e Corinthians (pra mim os grandes favoritos) de dois anos pra cá. O Palmeiras deixa a sensação de que vai começar do zero novamente, o que é ruim. E tendo Beluzzo como presidente, não deixa de ser decepcionante uma atitude como esta.

E pra você, a demissão de Luxemburgo foi correta?

2 – Brasil campeão da Copa das Confederações

Em uma final eletrizante contra o surpreendente time dos EUA (o qual eu pensava ser limitadíssimo e provou ser pelo menos competitivo) o Brasil chegou ao terceiro título da Copa das Confederações. Minhas considerações:

– Kaká é craque, mas Luis Fabiano jogou mais que ele nesta Copa.

– Lúcio realmente jogou muita bola. A zaga formada por ele e Juan é o ponto forte desta seleção.

– O outro ponto de destaque é o contra-ataque mortal da seleção, talvez o melhor do mundo hoje. Com jogadores de velocidade e que carregam a bola, o Brasil é um time formado para contra-atacar.

– Por falar em contra-ataque, que belo gol dos EUA o segundo hein? Aula de contra-ataque.

– O problema da seleção aparece quando o adversário se tranca na defesa, diminui os espaços e chama o Brasil pra cima. Aí o time precisa tocar a bola, abrir o jogo dos lados, e por enquanto o time de Dunga sente enorme dificuldade em fazer isso. Basta lembrar dos jogos contra Bolívia, Colômbia e África do Sul.

– Temos um ano até a Copa. Que 2006 fique bem vivo na memória de todos. Não podemos achar que somos os melhores. Humildade, pés no chão e vamos lutar pelo título. Se subir no salto, esqueçam…

– Nunca um atual campeão da Copa das Confederações foi campeão mundial. Que em 2010 esta escrita seja quebrada.

Agora faltam 11 meses para a Copa. No momento acho que Brasil e Espanha jogam o melhor futebol no mundo. Mas até lá, muita coisa pode mudar.

E pra você, quais são as melhores seleções do planeta hoje?

3 – Final da Copa do Brasil 2009

Pra mim o Corinthians deve ser o campeão da Copa do Brasil amanhã. Tem um time muito entrosado, joga muito bem fora de casa e atravessa um melhor momento que o Internacional. O time gaúcho tem craques e força pra reverter, mas sinceramente não acredito.

E pra você, quem será o campeão da Copa do Brasil 2009?

Brasil campeão Copa Confederações 

Texto publicado em 30 de Junho de 2009 por Roberto Siqueira

Fim de semana mágico e inesquecível

Meu fim de semana mágico começou na quinta-feira, quando o teste de gravidez da Dri deu positivo. Ainda na empresa já tive momentos muito legais com as brincadeiras do pessoal sobre a cegonha estar à solta no departamento (além do meu bebê, temos mais dois no departamento. A filhinha do Edu já nascida e o bebê do Alexandre, também recém gerado). Na sexta, com a confirmação do resultado através do exame de sangue, marcamos o ultra-som. Meu coração acelera quando me lembro das imagens no monitor, daquele pequeno ser que já é tão nosso. Nós nos emocionamos na sala do exame, choramos.

Depois fomos para a casa dos meus pais. Eu havia comprado um macacão de bebê (0 a 3 meses) do Palmeiras, como a Dri tinha pedido. Embrulhamos para presente. Ao chegar a casa deles, reunimos meu pai, minha mãe e minha irmã na cozinha e entregamos o presente. Jamais vou me esquecer daquele momento lindo, tão mágico e belo. Meu pai abriu o presente e tirou o macacão. Fez uma cara de dúvida e eu falei: “O presente vem daqui a nove meses”. A explosão de alegria, choro, felicidade em cada um daqueles rostos é uma imagem que me faz chorar até na hora de escrever. Meu pai pulando igual uma criança, minha mãe chorando e abraçando a Dri e minha irmã chorando de soluçar. Sentimento mais puro e sincero de felicidade não existe neste mundo. Foi lindo demais! Depois desta apoteose de emoção, fomos contar pra mãe da Dri e foi muito legal também. A Dri falou que tinha algo pra contar e ela falou: “Você está grávida?!”. Elas choraram abraçadas.

Fomos contar pra tia Lúcia e também foi bem emocionante. Nunca vou me esquecer do brinde que o Tio Gilberto fez com a gente. Eu e o Renis rindo das brincadeiras do Giba e da Tia Lúcia para adivinhar o sexo do bebê. Segundo ele, é menina. Ele garante que nunca falha. (rs) De lá fomos para a tia Rita para viver outro momento mágico. A tia abriu lentamente o presente e nem mesmo terminou de retirar o macacão já estava gritando. O choro e a alegria estampada na cara dela foi algo mais do que tocante. Lembro exatamente de cada feição deles. Do sorriso e lágrima da Vãn e da Bia. Do rosto iluminado de emoção, riso, lágrimas e tudo misturado do Thi (meu primo irmão). Do meu tio Du emocionado e sorridente, demonstrando toda felicidade que sentia naquele momento. Não me lembro bem, mas acho que até o Boy (cachorro do meu primo) deve ter ficado muito feliz! E algo que ficou marcado pra mim foi a expressão pura e sincera de alegria, o choro explosivo que surgiu instantaneamente no rosto da Mandinha (noiva do meu primo) na hora que a tia Rita começou a gritar. Difícil conter as lágrimas ao recordar momentos tão belos.

Para finalizar a noite fomos ao churrasco do Luisinho. Meus eternos amigos me abraçaram e me levantaram, se emocionaram comigo. O Léo adivinhou antes mesmo que eu começasse a contar. O Cris, o Adauto e o Luis me abraçaram. E o Léo e o Luis me levantaram. O Mau me deu os Parabéns. O Tom e o Betoween também me deram os parabéns. Assim como a Iara e a Irmã dela e a Marina. Foi muito legal. A noite perfeita, um momento mágico e inesquecível em nossas vidas.

mágico

Texto publicado em 29 de Junho de 2009 por Roberto Siqueira

Presente de Deus

O dia 25 de Junho de 2009 ficará pra sempre marcado em minha memória e na memória da Dri. Acordei, e como sempre, fui me trocar para ir ao trabalho. Enquanto me vestia, escutei a Dri gritar do banheiro: “Beto, vem aqui!”. Meu coração disparou, pensei que tinha alguém na casa ou algo assim… Mas o motivo do grito era o melhor possível, o mais esperado e abençoado de todos… Ao entrar no banheiro, vi a Dri segurando o teste de gravidez… com dois riscos!

O motivo é a confirmação do nosso presente de Deus. Nós nos abraçamos, eu chorava, nós tremíamos… Nosso amor agora terá um fruto eterno, uma nova pessoinha que virá para nos encher ainda mais de alegria e amor. Hoje, 26 de Junho, saiu o resultado do teste do exame de sangue, somente para comprovar o que já sabíamos ontem. Vamos ser papai e mamãe! É indescritível em palavras a alegria que estamos sentindo!

Mal posso esperar pelo momento em que vamos segurar nosso bebê no colo, dormir com ele entre nós, acordar com seu chorinho, passear, brincar, sorrir, amar… Quero curtir cada dia desta gravidez. Quero beijar muito minha amada esposa, acariciar e beijar sua barriguinha, tomar café na cama como de costume para planejarmos como será nossa vida, acompanhar cada ultra-som, sonhar, sonhar, sonhar. Melhor do que sonhar é ver os sonhos se realizando, e assim é nossa vida, uma eterna realização dos sonhos. Obrigado meu Deus por este sonho maravilhoso estar começando a se realizar. Eu e a Dri agradecemos, de coração.

Que DEUS nos abençoe, que Deus abençoe e ilumine nosso bebê… Que nossas vidas sejam ainda mais repletas de felicidade e amor…

Mil beijos pra você Rafaela ou Arthur. Que Deus abençoe sua vinda ao mundo, com muita saúde, amor e paz.

Nós já te amamos desde hoje e sempre. 

Papai e Mamãe.

P S: Não publiquei este post antes para não estragar a surpresa que planejamos fazer para a família.

Texto publicado em 28 de Junho de 2009 por Roberto Siqueira

Descanse em paz Rei do Pop

Não vou escrever muito sobre o assunto, não é nada agradável. Gostaria apenas de deixar registrado aqui meu respeito e minha profunda admiração pela obra deste gênio da música, que influenciou gerações e deu ao mundo pérolas como “Billie Jean”, “Beat it”, “Bad”, “Thriller”, “Smooth Criminal” (meu clip favorito) e a bela e lenta “Heal the World”. Pouco me importa sua vida pessoal, se fez coisas erradas é problema da justiça julgá-las, não meu. Aqui me refiro ao artista, muito importante em seu tempo e que deixará saudades. Michael pertence a uma rara espécie de músicos, aquele que vieram para mudar o que existia antes deles.

Poucas vezes houve um manifesto universal pela morte de um astro como agora. E isto aconteceu porque a obra de Michael é mesmo universal, é única, é eterna. Seu talento é o que ficará, e ficará para sempre…

Descanse em paz Michael. Que DEUS o tenha.

Michael Jackson 

 

 

 

 

Texto publicado em 27 de Junho de 2009 por Roberto Siqueira

CASABLANCA (1942)

(Casablanca) 

5 Estrelas 

Videoteca do Beto #3

Vencedores do Oscar #1942

Dirigido por Michael Curtiz.

Elenco: Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains, Dooley Wilson, Conrad Veidt, Sydney Greenstreet, Peter Lorre e Madeleine LeBeau.

Roteiro: Julius J. Epstein, Philip G. Epstein e Howard Koch, baseado em peça de Murray Burnett e Joan Alison. 

Produção: Hal B. Wallis. 

Quando os créditos começam a aparecer no final de Casablanca temos aquela sensação de satisfação por saber que o cinema é algo mágico, com uma capacidade enorme de transmitir emoções através de imagens. O clássico de Hollywood consegue de forma muito competente realizar aquilo que todo filme deveria. É um casamento perfeito de direção, fotografia, roteiro e atuações, conseguindo ser emocionante sem ser melodramático.

Fugindo da ocupação nazista durante a segunda guerra mundial, pessoas de diversas partes da Europa tinham como seu destino final a cidade de Casablanca, no Marrocos, onde esperavam por um visto salvador que lhes permitisse entrar em Lisboa e viajar para a América. Lá vive o americano Rick (Humphrey Bogart), dono de um bar de sucesso na cidade e com enorme prestígio e influencia naquela comunidade. Rick é uma pessoa amarga, que só pensa em si próprio e, como ele mesmo diz, não arrisca seu pescoço por ninguém.

A introdução do personagem Rick é excelente. Antes mesmo de sua aparição notamos que se trata de alguém muito importante, somente pela conversa em uma mesa de seu bar. Os convidados pedem para que ele beba com eles e o garçom diz que ele nunca faz isto. O convidado responde que era o segundo maior banqueiro de Amsterdã e ouve do garçom que o primeiro hoje está fazendo os salgados no bar de Rick, e que o pai dele é o carregador de malas. Somente este diálogo já revela a influência de Rick e o quanto ele é respeitado na cidade, além de fazer uma interessante demonstração do enfraquecimento dos países europeus dominados durante a guerra.

A direção de Michael Curtiz é bastante segura e cria inúmeros momentos inesquecíveis, além de procurar manter a câmera sempre próxima nos momentos dramáticos para captar melhor as reações dos atores. Logo no início do filme, a câmera se movimenta em direção à placa com o lema francês “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” no momento em que um reacionário francês é morto a tiros abaixo dela. A composição do plano, com o com o hino da França ao fundo, demonstra a inteligência de Curtiz ao transmitir a mensagem sem precisar utilizar palavras. Um dos grandes momentos de impacto acontece quando Rick entra no salão ao som de “As time goes by” e olha para a mulher que vai nos fazer entender a razão de toda sua amargura. Ilsa (Ingrid Bergman), que já está com os olhos marejados, estava sentada na mesa de seu bar. (se você ainda não viu o filme pule para o próximo parágrafo). É o suficiente para demonstrar que os dois já se conhecem e deixar subentendido que eles viveram algo no passado. É mágico. O diretor consegue falar com a platéia sem palavras, somente com imagens. Outro grande momento acontece quando Lazslo (Paul Henreid) e Rick estão tendo uma conversa reveladora e escutam os alemães cantando músicas germânicas. Lazslo pede para que um músico toque a Marselhesa (hino francês) que é cantada com enorme paixão pelos franceses presentes no bar. O enorme patriotismo evocado naquelas pessoas, perceptível em cada rosto emocionado, revela aos alemães o risco que estão correndo deixando Lazslo à solta. A situação não estava sob controle. Interessante também é notar que a farsa existente em alguns Cassinos já era revelada em 1942 (mesmo assim milhões de pessoas lotam Cassinos pelo mundo afora até os dias de hoje), na tocante cena em que Rick “sugere” a um rapaz o número 22 na roleta e ele consegue o dinheiro que precisava para sair de Casablanca. Momentos antes sua esposa havia explicado para Rick o quanto eles precisavam daquele dinheiro.

As atuações são menos exageradas do que o costumeiro na época. Humphrey Bogart está muito bem, conseguindo transmitir toda a amargura de Rick. Cínico e irônico, ele passa uma imagem de alguém amargo que não acredita em nada além de si mesmo. Existem momentos onde a atuação de Bogart deixa isto bem claro, como na cena em que ele manda uma mulher que se diz apaixonada por ele se retirar do bar e pede ao funcionário dele que a leve pra casa. A feição fria de Bogart demonstra que ele não acredita mais no amor. Claude Rains tem uma atuação extremamente simpática como o Capitão Renault. Ele se revela uma pessoa divertidamente inteligente, apesar de sem escrúpulos, procurando ficar sempre do lado mais forte. A boa atuação de ambos pode ser notada quando um determinado personagem é assassinado. O sorriso de canto de boca de Rick e Renault e os olhares de ambos demonstram que a solução do conflito aconteceu de forma satisfatória para os dois. Já Paul Henreid, como o intrigante líder da resistência tcheca Victor Laszlo perseguido duramente pelos alemães liderados pelo Major Strasser (Conrad Veidt), tem uma atuação segura e de papel fundamental na trama, já que os acontecimentos giram em torno dele. Mas a grande força de Casablanca está na personagem enigmática de Ingrid Bergman. Ilsa é uma mulher dividida e Bergman demonstra toda a ambigüidade da personagem com uma atuação magnífica. Observe como ela transmite de forma equivalente o sentimento de carinho que sente por Rick e por Laszlo. Quando ela conversa com o primeiro no bar somos levados a pensar que ela o ama, mas quando ela conversa com Rick no quarto do hotel sentimos que ela na realidade ama Laszlo. Ela jamais deixa transparecer a preferência da personagem. Quando finalmente toma uma decisão nos sentimos incomodados, pois também não temos certeza de que seja a mais correta.

A trilha sonora marca os momentos de maior tensão aumentando o volume, como na cena em que Ilsa aponta uma arma para Rick para tentar conseguir o que precisa. A fotografia de Arthur Edeson é marcante, deixando em evidência o forte contraste do preto com o branco em diversos momentos. Repare como Rick está mergulhado nas sombras quando está bebendo no bar para tentar esquecer que viu Ilsa momentos antes. Quando ela repentinamente aparece na porta toda de branco, temos a sensação de estar vendo um anjo e não uma pessoa entrando no bar devido ao enorme contraste provocado na cena. Ao final da conversa, Rick está com o rosto escondido entre seus braços debruçados na mesa, novamente mergulhado nas sombras, numa cena forte que demonstra visualmente toda a escuridão, tristeza e depressão do personagem naquele momento. [se não viu o filme, pule novamente para o próximo parágrafo 😉 ] Na cena da despedida, o casal Ilsa e Laszlo desaparece na neblina, assim como o avião some entre as nuvens, demonstrando visualmente que mais uma vez Ilsa está escapando da vida de Rick. Como se fosse um sonho, ela se esvai entre as nuvens e simultaneamente desaparece de sua vida.

Mas o grande destaque da produção é com certeza o roteiro, recheado de diálogos marcantes e inteligentes. Alguns deles ficaram marcados para sempre, como a tocante frase “Nós sempre teremos Paris”. Exemplos para ilustrar a qualidade do trabalho de Julius J. Epstein, Philip G. Epstein e Howard Koch não faltam, como o excelente trecho em que o Sr. Ferrari (Sydney Greenstreet) quer contratar o músico Sam (Dooley Wilson), talvez o único verdadeiro amigo de Rick. Eles vão perguntar a Sam se ele aceitaria trabalhar pra o Sr. Ferrari e ele responde que não. Rick diz que ele ganharia o dobro se aceitasse, mas Sam responde que não adiantaria porque ele não tem tempo para gastar o que ganha. Outro exemplo de diálogo inteligente é quando o major Strasser oferece os vistos para Laszlo e Ilsa viajarem à Lisboa em troca dos nomes dos líderes da resistência nas cidades dominadas pelo exército alemão. Ele responde: “Se não entreguei os nomes quando estava no campo de concentração, onde vocês tinham métodos muitos mais persuasivos, não será agora que vou entregar”. Para evitar escrever o roteiro inteiro aqui, cito apenas mais um trecho maravilhoso que acontece quando o Capitão Renault pergunta à Rick se ele está realmente com os salvo-condutos deixados no bar por Ugarte (Peter Lorre). Ele responde com outra pergunta: “Você é a favor ou contra a ocupação da França?”. Ora, o capitão Renault é francês e obviamente é contra. Mas como está trabalhando para os alemães não pode afirmar sua opinião em público. Entendendo a sagacidade da pergunta de Rick ele responde: “Isso é o que acontece quando fazemos perguntas diretas. Assunto encerrado”. Maravilhoso.

Representante de um seleto grupo de filmes que jamais envelhecem, Casablanca é um excelente exemplo de como o cinema pode ser mágico. Repleto de imagens e momentos belíssimos, o filme demonstra a mudança que um verdadeiro amor pode realizar em uma pessoa, transformando-a completamente. Sem melodramas ou fórmulas prontas, o filme consegue nos emocionar e fica guardado pra sempre em nossa memória. E exatamente por isso se tornou um dos grandes clássicos da história do cinema.

 

Texto publicado em 25 de Junho de 2009 por Roberto Siqueira

Submarino.com.br

CIDADÃO KANE (1941)

(Citizen Kane)

5 Estrelas

     

Obra-Prima

 

Videoteca do Beto #2

Dirigido por Orson Welles.

Elenco: Orson Welles, Everett Sloane, Joseph Cotten, Dorothy Comingore, George Coulouris, Agnes Moorehead, Ruth Warrick, Ray Collins, Erskine Sanford, William Alland, Paul Stewart, Fortunio Bonanova, Georgia Backus. 

Roteiro: Herman J. Mankiewicz e Orson Welles. 

Produção: Orson Welles. 

Escrever sobre Cidadão Kane é sem dúvida uma tarefa bastante complexa, já que este é considerado por muitos o filme mais importante de todos os tempos e já foi dissecado por inúmeros especialistas ao longo dos anos. De qualquer forma, vou me atrever a deixar aqui registradas as minhas impressões sobre esta obra-prima. Dirigido e produzido por Orson Welles, Cidadão Kane deu ao jovem e promissor gênio de Hollywood a oportunidade de utilizar toda sua criatividade, e também toda sua excelente equipe de apoio, para criar um filme que está muitas décadas à frente de seu tempo.

Normalmente não considero correto falar sobre os bastidores de uma produção já que em nada agregam à análise do filme. Mas Cidadão Kane é uma exceção. Os bastidores do filme têm uma importância tão grande que ganharam inclusive um documentário indicado ao Oscar chamado “A Batalha por Cidadão Kane”, disponível no maravilhoso DVD Duplo do filme. Welles se tornou conhecido devido alguns trabalhos no teatro e principalmente à narração histórica de “A Guerra dos Mundos” que fez na rádio CBS causando pânico na cidade, já que as pessoas que pegaram a transmissão do meio pra frente acreditaram que a humanidade realmente estava sob o ataque de marcianos. A produtora RKO contratou Welles e lhe deu carta branca para fazer o que bem entendesse, o que era o sonho de qualquer diretor na época. Ele decidiu filmar a vida do milionário William Randolph Hearst (no filme, Charles Foster Kane), homem de sucesso no meio jornalístico e dono de um império. O resultado é uma obra que alterou o futuro do cinema e influenciou praticamente tudo que surgiu depois dela. E o curioso é que esta maravilha correu o risco de jamais chegar ao público, já que Hearst tentou evitar o seu lançamento de todas as formas possíveis.

O filme começa com a visão da gigantesca mansão do milionário Charles Foster Kane (Orson Welles), chamada Xanadu. Já no início temos uma idéia da qualidade do trabalho de direção e de direção de fotografia da dupla Orson Welles e Gregg Toland (não por acaso creditado ao lado de Welles no fim do filme, em atitude rara de qualquer diretor). Eles filmam o império de Kane de diversos pontos de vista diferentes, mostrando jaulas com animais e o reflexo da mansão na água com barcos, mas sempre com a luz do quarto de Kane em destaque e no mesmo ponto da tela. Quando a câmera se aproxima da janela do quarto e a luz se apaga, repentinamente notamos que já estamos do lado de dentro do quarto, num trabalho genial de fotografia, direção e montagem. O milionário antes de morrer pronuncia a palavra “Rosebud” e dá inicio a uma busca por parte dos jornalistas para saber o que (ou quem?) era “Rosebud”.

O roteiro de Herman J. Mankiewicz (também creditado para Welles) é inovador e criativo, contando a história fora da ordem cronológica e sempre em círculos, voltando para o ponto onde o jornalista parou sua última conversa. Além disso, logo no início do filme temos o resumo de toda a vida de Kane através de um vídeo com transições de imagens rápidas e aparência de velho para dar um ar documental. O importante não é somente a história que será contada, mas sim a forma que será mostrada.

Mas porque Cidadão Kane é tão importante e influente? Olhando hoje, mais de seis décadas depois, podemos ter a sensação de que nada demais acontece ali. Mas é exatamente por isso que, para entender e saborear esta obra por completo, é preciso entender o contexto da época. Mankiewicz e principalmente a dupla Welles e Toland utilizaram neste filme praticamente todos os recursos técnicos e narrativos disponíveis na época. Observe por exemplo o número de vezes em que nossa noção de profundidade é enganada no filme. Na cena em que Kane tem que assinar a perda de tudo que tinha, a parede parece estar próxima devido à sombra de uma cadeira, mas na realidade está bem longe e a sala que parecia pequena se revela enorme. A janela parecia pequena e quando ele se aproxima dela percebemos que na verdade é gigante. Também existe um simbolismo nesta cena, já que Kane está sendo diminuído pela perda de seu poder. Sensacional! Outros exemplos de cenas em que os dois brincam com essa noção de profundidade são a cena dentro da Biblioteca onde o repórter vai ler sobre o Sr. Thatcher (George Coulouris) e no momento em que Susan Alexander (Dorothy Comingore) brinca com o quebra-cabeça e Kane se aproxima dela. Na primeira cena a sala não parece tão grande, mas quando o guarda vai mexer no cofre, dá a exata noção do tamanho da sala. Já na segunda cena, inicialmente a lareira ao fundo parece normal, mas quando Kane se aproxima acaba revelando o tamanho real dela.

Esta inovação na forma de filmar se deu devido ao uso do foco em toda a cena, e não somente onde acontece a ação principal como era costume na época. Ao filmar desta forma, Welles e Toland nos permitem observar ações que acontecem no primeiro plano e também no segundo plano. Preste atenção, por exemplo, na cena onde Kane é vendido pelos seus pais ao Sr. Thatcher. Podemos observar ao mesmo tempo o diálogo entre os três no primeiro plano e, através da janela, podemos ver o menino Kane jogando bolas de neve no segundo plano. Esta técnica é utilizada por diversas vezes em Cidadão Kane. Outro exemplo da genial fotografia de Toland é a cena onde Kane, Susan, Jim Gettys (Ray Collins) e Mary Kane (Agnes Moorehead) estão discutindo na casa de Susan. Kane está nas sombras, diminuído pela situação, e quando ele resolve entrar na conversa sai das sombras e fica em foco, se agigantando na cena.

As atuações em Cidadão Kane são todas um pouco acima da média para a época, apesar de ainda manter um pouco do estilo exagerado das primeiras décadas do cinema. Orson Welles, por exemplo, está muito bem, com um sorriso permanente, típico de quem é muito autoconfiante. Este sorriso também demonstra a falsidade típica entre os homens poderosos, utilizada para conseguir favores e para alcançar seus objetivos a qualquer preço. Ao ouvir sua esposa dizer que o seu tio era o presidente dos EUA, o que ele não era, Kane sorri ironicamente e diz que este era um erro que seria reparado um dia. Este tipo de reação demonstra o tamanho da autoconfiança do personagem. A direção de Welles também ajuda a criar a imponência do personagem, já que ele deixa a câmera muitas vezes próxima ao chão, filmando Kane de baixo pra cima, dando a impressão de que ele era enorme, poderoso, imbatível. Todo o restante do elenco mantém o bom nível das atuações, com destaque para Ray Collins, como o inescrupuloso e inteligente Jim Gettys e Joseph Cotten como o amigo de Kane, Jedediah Leland. Cotten demonstra com sutileza em diversos momentos sua discordância com os métodos de Kane e durante o filme vamos percebendo que o racha entre os dois era somente questão de tempo, como na cena onde Kane apresenta um número musical para seus novos funcionários do Inquire. A feição de Leland demonstra sua desaprovação com o que estava vendo.

Outros pontos de destaque na produção são o som e os efeitos visuais. Repare como em diversos momentos o som de uma cena continua na próxima criando elipses enormes. Um exemplo disso acontece quando o Sr. Thatcher deseja feliz natal para Kane ainda criança. No plano seguinte a montagem salta muitos anos e, ao completar sua frase dizendo feliz ano novo, já o vemos bem velho enquanto Kane, agora completando 25 anos, está na Europa. Outra elipse interessante é quando a câmera foca o número 185 da casa de Susan Alexander no momento em que Emily Norton (Ruth Warrick) deixa a casa e, no plano seguinte, a entrada da casa com o número está na capa do jornal concorrente que denunciou o escândalo de Kane. Na cena da apresentação de Susan Alexander todo o som da platéia é composto por efeitos sonoros, já que não existia ninguém fisicamente ali. Já na famosa seqüência do discurso de Kane, além do som, a própria platéia foi criada a partir de desenhos e posteriormente montada na película do filme, dando aquela visão incrível de um local completamente lotado. A montagem, aliás, é outro trunfo de Cidadão Kane. Além da já citada montagem manual, que acontece em diversos momentos do filme (algumas vezes havia três ou mais takes colados manualmente no mesmo plano), a fluidez da narrativa e o ritmo sempre dinâmico do roteiro de Mankiewicz são também méritos do excelente trabalho de montagem de Robert Wise.

Corajoso e inovador, Cidadão Kane é sem dúvida um filme ímpar na história do cinema que afetou diretamente a vida daqueles que se envolveram com ele. O impressionante travelling final sobre as caixas e os bens de Kane, que sobraram amontoados em sua casa, dá a impressão em certo momento de estar sobrevoando uma grande metrópole, um império, agora decadente e abandonado. Este final reflete bem o que aconteceu na vida de Orson Welles e William Hearst após Cicadão Kane. Duas pessoas com um ego enorme e que foram destruídas após esta obra devastadora. Orson Welles nos brinda com esta obra-prima recheada de novidades técnicas e narrativas que marcaram e mudaram o cinema para sempre.

Texto publicado em 24 de Junho de 2009 por Roberto Siqueira