CONTATO (1997)

(Contact)

5 Estrelas 

Obra-Prima 

Videoteca do Beto #171

Dirigido por Robert Zemeckis.

Elenco: Jodie Foster, Matthew McConaughey, Jena Malone, David Morse, Tom Skerritt, James Woods, John Hurt, Angela Bassett, Rob Lowe, Jake Busey, William Fichtner, Sami Chester e Geoffrey Blake.

Roteiro: James V. Hart e Michael Goldenberg, baseado em romance de Carl Sagan e argumento de Ann Druyan.

Produção: Steve Starkey e Robert Zemeckis.

Contato[Antes de qualquer coisa, gostaria de pedir que só leia esta crítica se já tiver assistido ao filme. Para fazer uma análise mais detalhada é necessário citar cenas importantes da trama].

Completamente esquecida com o passar dos anos, a obra-prima “Contato” é um dos pontos altos da excepcional carreira de Robert Zemeckis, abordando em sua narrativa envolvente temas complexos que podem render debates acalorados entre cientistas e religiosos. Sem jamais pender claramente para um lado ou para o outro, o longa estrelado por Jodie Foster tampouco foge de polêmicas e, apoiando-se no raciocínio lógico, espalha frases de efeito capazes de provocar reflexão nos dois lados, justamente por tratar o assunto com a seriedade e, o que é mais importante, a serenidade que ele merece. Como se não bastasse, ainda nos oferece uma protagonista tão complexa e fascinante quanto às próprias questões que levanta.

Baseado no livro homônimo de Carl Sagan e roteirizado com extrema competência por James V. Hart e Michael Goldenberg, “Contato” narra a história de Eleanor Arroway (Jodie Foster), uma astrônoma que descobre um sinal vindo do espaço com instruções para a construção de uma enorme máquina, que poderia possibilitar o contato com vida inteligente fora do planeta Terra. Disputando espaço com o também cientista David Drumlin (Tom Skerritt) e despertando o interesse amoroso do pastor Palmer Joss (Matthew McConaughey), Eleanor (ou Ellie) terá ainda que superar diversas barreiras políticas para conseguir realizar seu sonho e ser enviada na arriscada missão.

Introduzindo seus costumeiros movimentos de câmera estilizados desde a interessante abertura do filme, quando acompanhamos o som viajando pelo espaço (e pela história) através de um lento zoom out que dá a exata noção da nossa insignificância diante da magnitude do universo e ainda insere um conceito essencial para a compreensão de um momento chave da narrativa, Robert Zemeckis encontra em “Contato” a oportunidade ideal para comprovar sua habilidade não apenas na condução de narrativas envolventes, mas também na construção de uma atmosfera fascinante e na composição de cenas plasticamente belíssimas. Assim, não são raros os momentos capazes de encher nossos olhos, seja pela beleza da imagem, seja pelo apuro técnico, como no plano-sequência que acompanha Ellie chegando ao centro de controle após ouvir os sinais captados no espaço – que reflete com precisão a excitação dela e a urgência do momento – ou na triste sequência da morte do pai dela, captada com grande sensibilidade pela câmera lenta e pelos movimentos suaves do diretor, demonstrando respeito pela dor da personagem ao mesmo tempo em que frisa na mente do espectador uma passagem impactante que terá reflexos diretos no comportamento dela no futuro.

Som viajando pelo espaçoEllie chegando ao centro de controleMorte do pai delaObviamente, Zemeckis conta com sua equipe técnica neste processo, a começar pelo notável trabalho do diretor de fotografia Don Burgess, que investe num visual mais “clean”, quase asséptico em alguns momentos, mas que nem por isso deixa de abusar das luzes e cores quando necessário, como na psicodélica sequência da viagem da protagonista (voltaremos a ela em instantes). Da mesma forma, a montagem de Arthur Schmidt é crucial para que “Contato” mantenha um ritmo fluído, estabelecendo uma atmosfera tensa capaz de manter-nos interessados o tempo todo. Por sua vez, os aparatos científicos criativos e realistas concebidos pelo design de produção de Ed Verreaux e as roupas espaciais desenvolvidas pela figurinista Joanna Johnston ajudam na imersão do espectador na narrativa, enquanto a trilha sonora econômica de Alan Silvestri surge apenas em momentos especiais, como quando amplia a tensão no primeiro teste da máquina construída com base nas mensagens vindas do espaço.

Visual cleanPsicodélica sequência da viagemAparatos científicosE se o trabalho técnico é formidável, o elenco de “Contato” não fica atrás, apresentando um desempenho homogêneo e muito competente desde os primeiros minutos, quando acompanhamos o relacionamento da pequena Ellie vivida por Jena Malone com seu afável pai interpretado por David Morse. Na fase adulta, é Jodie Foster quem assume o papel da obstinada Ellie, comportando-se de maneira sempre racional, é verdade, mas sem ofuscar sua natureza agitada e questionadora, demonstrando em seu olhar a determinação da personagem na busca por evidências da existência de vida em outro planeta. Além de sua curiosidade natural como cientista, este comportamento encontra base também na trágica infância dela, já que é natural que alguém que perdeu a mãe no próprio parto e o pai aos nove anos de idade não queira estar só, ainda mais se considerarmos sua descrença na existência de um ser superior, um caminho sempre mais fácil e reconfortante para o ser humano.

Pequena EllieAfável paiObstinada EllieParadoxalmente, esta luta para provar que não estamos sozinhos no universo (“Seria um grande desperdício de espaço”, diz o pai dela) não significa, por exemplo, que ela queira constituir família – e o fato de não ter filhos nem marido só facilita sua decisão de largar tudo e correr atrás de seu sonho, o que não impede que ela se sinta apreensiva momentos antes de embarcar na jornada. Personagem intrigante e ambígua, Ellie destaca-se dos demais até mesmo nas roupas que veste, surgindo muitas vezes vestida de vermelho num ambiente dominado por cores sóbrias como azul e cinza. Inteligente e dona de um raciocínio lógico inabalável, ela mantém-se fiel (com o perdão do trocadilho) às suas convicções mesmo quando isto pode atrapalhar a realização de seu maior sonho.

ApreensivaMuitas vezes vestida de vermelhoRaciocínio lógico inabalávelQuem destoa do tom sério da maioria dos personagens é o religioso Joss, que surge como alguém mais relaxado e tranquilo na pele de Matthew McConaughey, mas que nem por isso deixa de se posicionar com firmeza quando necessário, como quando questiona David logo no primeiro contato numa festa. Ao contrário de Ellie, ele acredita em Deus, mas diferentemente de alguns fanáticos religiosos que cruzam a narrativa, mantém uma postura equilibrada na maioria das vezes, mostrando que é possível conviver pacificamente, mesmo com visões distintas de um tema tão misterioso. Inteligente, Joss tenta proteger Ellie dos riscos da missão, mas respeita a decisão dela por boa parte do tempo; e o fato de eles ficarem juntos logo de cara revela-se um grande acerto do roteiro, por permitir que o lado mais interessante da narrativa seja desenvolvido com tranquilidade ao invés de investir muito tempo no desenvolvimento do romance deles.

Religioso JossQuestiona David logo no primeiro contatoJuntos logo de caraFuncionando como um rival direto na luta de Ellie pela realização do sonho de ir para o espaço, o antagonista David Drumlin interpretado com sarcasmo por Tom Skerritt chega a nos irritar em certos instantes, como quando fala no lugar dela numa importante conferência para a imprensa – e a decepção no rosto de Foster neste instante é impactante, assim como chama à atenção a inteligência de Zemeckis na composição do plano que contrapõe os dois cientistas. No entanto, David revela alguma humanidade quando demonstra ter ciência do quanto sua escolha havia sido injusta, ainda que isto não amenize sua desgastada imagem diante dela. Quem também oferece um desempenho enérgico que cumpre seu papel mesmo distanciando o personagem da plateia é James Woods, que cria um Kitz ameaçador ao ponto de levar a protagonista as lágrimas no interrogatório final.

Antagonista DavidDecepção no rostoKitz ameaçadorMas nem só de inimigos vive Ellie e, entre seus amigos cientistas, vale destacar o simpático Kent de William Fichtner, que ilustra muito bem as dificuldades provocadas pela cegueira e, curiosamente, o quanto sua deficiência permitiu que ele desenvolvesse uma audição aguçada que, por sua vez, o auxilia muito no trabalho. E finalmente, vale mencionar a presença marcante de John Hurt como o excêntrico bilionário S.R.Hadden, que tem participação fundamental na narrativa e, como de costume, rouba a cena sempre que surge para salvar a protagonista (numa curiosa representação física do artifício narrativo conhecido como deus-ex-machina).

Sem se limitar ao aspecto visual e ao desenvolvimento dos personagens, Zemeckis extrai todo o potencial do excelente roteiro de “Contato”, narrando uma história fascinante tanto estruturalmente quanto tematicamente. Abusando da criatividade (o método empregado para decifrar a mensagem é sensacional), “Contato” traz ainda interessantes elementos para discussão. Observe, por exemplo, como os militares só pensam na possibilidade de conflito com os extraterrestres, assim como os políticos só pensam nas consequências que o vazamento de informações pode provocar em seus governos, esquecendo-se da importância daquelas descobertas na vida das pessoas em geral. No entanto, o debate central está no embate entre ciência e religião, notável ao longo de toda a narrativa.

Simpático KentExcêntrico bilionário S.R.HaddenMétodo empregado para decifrar a mensagemApós a descoberta de um sinal que poderia mudar os rumos da humanidade, multidões se dirigem ao local para explorar a descoberta de todas as formas, demonstrando o impacto daquela descoberta na sociedade e levantando diversos pontos interessantes para discussão e reflexão. Até que ponto nós queremos realmente saber a verdade? Caso seja religioso, você gostaria de saber, repentinamente, que tudo que ouviu desde a infância não passa de uma invenção? Não surpreende, portanto, o comportamento irracional de alguns fanáticos religiosos, assim como é compreensível (ainda que imperdoável) a atitude trágica de um líder religioso (Jake Busey) que quer impedir o progresso daquele experimento cientifico apenas para manter o controle de sua igreja sobre a sociedade.

Sociedade esta que, num país dominado pelo cristianismo como os EUA, demonstra um preconceito escancarado contra o ateísmo (o Brasil católico também), como fica evidente na avaliação de Ellie pela comissão, num dos raros momentos em que Joss deixa sua fé falar mais alto que a razão – e, na verdade, podemos interpretar a desprezível pergunta dele como uma tentativa, ainda que desesperada, de segurá-la, jogando-a contra a comissão e frustrando seu sonho, mas é mais provável que ele de fato quisesse se certificar da falta de fé dela no Divino, já que para os religiosos, não acreditar em Deus é praticamente um crime e não apenas uma questão de cunho pessoal.

Multidões se dirigem ao localAtitude trágica de um líder religiosoAvaliação de Ellie pela comissãoAssim, chegamos ao tenso momento em que o citado líder religioso tenta impedir a evolução dos testes, provocando a impressionante explosão da primeira máquina, na qual ficam evidentes os espetaculares trabalhos de design de som e efeitos visuais. Essencial no trabalho de Ellie e no filme em geral, o som destaca-se também em outros instantes, como quando a máquina começa a funcionar e podemos ouvir claramente cada parte daquela enorme estrutura se movimentando. Mas o grande momento de “Contato” é mesmo a espetacular viagem de Ellie pelo tempo/espaço, repleta de planos belíssimos que se apoiam nos efeitos visuais de tirar o fôlego para encantar a protagonista e a plateia (“Eles deveriam ter enviado um poeta”, diz ela). Nesta longa sequência, o olhar encantado dela reflete o nosso próprio olhar diante da magnitude do que vemos – e se Foster transmite muito bem a emoção da personagem em sua expressão tocante, Zemeckis confirma novamente sua capacidade de conduzir sequências visualmente complexas com uma facilidade assustadora.

Impressionante explosão da primeira máquinaViagem de Ellie pelo tempo espaçoPlanos belíssimosApós seu retorno, “Contato” traz ainda uma genial inversão de papéis, com a cientista tendo que provar algo sem ter nenhuma evidencia e a comissão formada majoritariamente por pessoas religiosas (ou, ao menos, que afirmam crer em Deus) assumindo o papel dos céticos, tão ligado aos cientistas. E com exceção de um único instante em que uma integrante do governo afirma que as gravações estáticas duraram 18 horas (talvez o único pecadilho do impecável roteiro), na maior parte do tempo o próprio espectador se questiona se ela realmente passou por aquela experiência ou se ela imaginou tudo aquilo. A resposta, como em quase tudo na vida, está dentro de cada um de nós. E justamente por isso é que não devemos assumir as nossas crenças como verdades universais.

Empolgante em todos os aspectos – narrativa, temática e visualmente -, “Contato” é competente tanto como entretenimento quanto pela capacidade de provocar profundas reflexões filosóficas e existenciais. No fim das contas, esta obra-prima de Robert Zemeckis mostra que é possível conviver pacificamente mesmo com visões tão distintas sobre o mesmo tema; e que cada um, à sua maneira, continuará buscando a verdade sobre os mistérios do universo.

Contato foto 2Texto publicado em 14 de Agosto de 2013 por Roberto Siqueira

Feliz Dia dos Pais!

Obrigado pai por tudo que me ensinou.

Obrigado Dri por me dar filhos tão maravilhosos.

Obrigado Arthur e Raul por me darem o privilégio de ser pai.

Feliz Dia dos Pais 2013Texto publicado em 11 de Agosto de 2013 por Roberto Siqueira

Qual é a cena mais angustiante que você já viu?

Recentemente assistindo “Menina Má.com”, eu peguei-me suando frio e contorcendo-me diante de uma cena em especial que aqueles que já assistiram ao filme certamente sabem qual é.

Ao debater o filme com meus amigos cinéfilos no dia seguinte, lembrei também de diversas outras cenas angustiantes e decidi compartilhar minha lista com vocês leitores. Além da citada cena de “Menina Má.com”, decidi listar mais dez cenas que me deixam sempre angustiado ou, em alguns casos, com asco mesmo. São elas:

[Obviamente, a lista contém spoilers! Por isso, salientei apenas os nomes dos filmes. Para ler o restante texto é preciso arrastar o mouse sobre a frase]

            – O tratamento/tortura de Alex em “Laranja Mecânica”.

            – Aron amputa o próprio braço em “127 Horas”.

            – O estupro de Alex em “Irreversível”.

            – Dr. Lawrence Gordon serra o próprio pé em “Jogos Mortais”.

            – Erika corta a própria genitália em “A Professora de Piano”.

            – Quase todas as cenas de “Os 120 dias de Sodoma”.

            – Regan se masturba com um crucifixo em “O Exorcista”.

            – Um olho sendo cortado por uma navalha em “Um Cão Andaluz”.

            – A tortura do policial em “Cães de Aluguel”.

            – Soldado arranca parte da carne de Jesus em “A Paixão de Cristo”.

É claro que estou me esquecendo de muitas outras cenas, mas o espaço existe justamente para que vocês compartilhem suas lembranças e, de quebra, refresquem minha memória.

Sendo assim, deixo a pergunta:

Qual é a cena mais angustiante que você já viu num filme? Fique à vontade para registrar mais do que uma.

Um abraço e bom debate!

Texto publicado em 07 de Agosto de 2013 por Roberto Siqueira

I’ll be back!

Olá pessoal,

Sei que estou devendo textos e críticas este ano. Como vocês podem imaginar, minha vida está ainda mais corrida após a chegada do meu mais novo príncipe e, como aconteceu na primeira vez, eu tento ajudar a Dri da melhor maneira possível, com a diferença de que, agora, preciso ainda dar toda a atenção que o Arthur também merece – o que me permite curtir estes dois estágios diferentes e deliciosos da paternidade simultaneamente.

Assim, assistir filmes e escrever críticas tornou-se algo praticamente impossível nestes últimos dias, mas aos poucos comecei a encontrar uma maneira de me reorganizar. Já consegui voltar a assistir filmes e tenho oito críticas escritas, ainda da época pré-chegada do Raulzinho.

Espero conseguir começar a divulgá-las já no próximo domingo, mas este pensamento está mais para um desejo do que uma promessa.

Em todo caso, o recado principal que quero passar é:

“O Cinema & Debate não parou! Eu voltarei em breve!”

Agradeço aos leitores pela compreensão.

Um abraço.

Texto publicado em 03 de Agosto de 2013 por Roberto Siqueira

Felicidade: O Nascimento do Raul

Se na chegada do meu primeiro príncipe a ansiedade e a adrenalina não permitiram que eu chorasse até o exato momento em que eu vi o Arthur chegar ao mundo (aí sim as lágrimas foram inevitáveis), desta vez eu já estava chorando ainda na sala de espera do hospital São Luiz, enquanto aguardava ansiosamente pela chegada do meu mais novo príncipe. Na verdade, eu já chorava desde a manhã, quando gravamos um vídeo com o Arthur agradecendo o irmão Raul pelo boneco do “Homem de Ferro” que ele gentilmente havia trazido para o irmão mais velho no dia de seu nascimento.

Aliás, desde o lindo dia em que soubemos que seríamos pais pela segunda vez, a emoção tomou conta da casa de maneira igualmente intensa. Se no primeiro filho o frio na barriga diante da desconhecida experiência faz a adrenalina subir, no segundo a experiência prévia nos faz ter noção do quão precioso é aquele instante – e, neste sentido, as duas experiências juntas se transformaram nos momentos mais especiais da minha vida.

Assim, mal podíamos esperar para chegar à maternidade. E isto aconteceu no dia 08 de Julho de 2013, por volta das 16 horas. Após preencher os documentos de praxe, eu, a mamãe e o Tutu fomos levados ao quarto onde nos hospedaríamos nos dias seguintes. Enquanto as enfermeiras checavam se tudo estava bem com você e a mamãe, nossos familiares foram chegando aos poucos para acompanhar sua chegada. A vovó Neuza, a vovó Jô, o vovô Val, a tia Kaka, o tio Adans, a tia Lúcia e o tio Gilberto, a Michele e o Edi, todos foram chegando aos poucos e aumentando a expectativa pelo grande momento. Por volta das 17h30min, eu e a mamãe fomos levados para a sala de parto, ela para a preparação, eu para o local onde nós papais ficamos aguardando. Neste momento, eu chorei. Chorei porque sabia o tamanho da emoção que estava por vir, chorei porque sabia que você encheria nosso lar de alegria e completaria uma família que, graças a Deus, pode simbolizar o amor verdadeiro. Chorei porque já imaginava como seria segurá-lo em meus braços, vê-lo brincando com seu irmão, vê-lo sendo paparicado pela mamãe assim como seu irmão é.

Quando fui chamado para a sala de parto, meu coração acelerado já estava preparado. Entrei e fiquei ao lado da mamãe, já anestesiada e emocionada. Alguns minutinhos se passaram e o Dr. Armindo me avisou “Olha lá papai!”. Levantei para ver pela primeira vez meu mais novo príncipe, meu lindo Raul que já nasceu imponente com seus 3,615 quilos e 50 centímetros. O choro compulsivo da mamãe e do papai foi inevitável. Acompanhei cada etapa seguinte de pertinho, a pesagem, os procedimentos médicos, etc., e depois fiquei com você ao lado da mamãe por um longo período. Antes disso, você foi colocado pertinho dela, pra sentir o calor daquela que tanto te ama. Os médicos saíram e ficamos nós três na sala. Em seguida, você foi levado para o banho, do qual eu participaria também.

Na sua chegada ao berçário, os familiares vibraram. O Arthur mandou beijos e disse que você parece com ele. Depois, participei de seu primeiro banho, sob os flashes das máquinas empolgadas da vovó Jô e da titia Kaka. Naquela mesma noite, você foi levado para o quarto para ficar conosco, demonstrando desde já seu jeito tranquilo de ser.

Chegamos a nossa casa com você pela primeira vez no dia 11 de Julho. O Arthur te esperava ansiosamente e quis participar da apresentação do seu lar. E desde então, a alegria impera ainda mais forte nesta família que tanto amo, que se tornou ainda mais completa e feliz com sua presença Raul.

Que Deus te abençoe sempre. Que sua vida seja repleta de saúde, paz e felicidade. Faremos tudo que for possível e impossível para fazer você e o Arthur felizes. Vocês são os maiores tesouros que Deus nos deu na vida.

Só posso agradecer a Deus e a sua mãe por terem me dado esta dádiva. Ser pai é com certeza a melhor experiência da minha vida!

Eu te amo! A mamãe te ama! O Tutu te ama!

São as palavras de seu papai babão e ansioso para jogar bola, andar de bicicleta e ver muitos filmes com você… Palavras que não representam 1% da alegria que sinto.

A felicidade plena existe: você, o Arthur e a mamãe me provaram que sim!

Beijos do papai.

Raul 001Texto publicado em 21 de Julho de 2013 por Roberto Siqueira

Pitacos da Copa das Confederações 2013 – Final

Contrariando os prognósticos da maioria dos jornalistas e estudiosos do futebol, o Brasil saciou o desejo de seus torcedores e venceu a Espanha com autoridade, jogando sua melhor partida em anos e, o que é mais importante, confirmado que finalmente voltou a ter um time com chances REAIS de vencer a Copa.

O momento é de comemorar, mas passada a euforia, devemos refletir sobre algumas coisas, a fim de evitar mais uma decepção no ano seguinte, da mesma forma como fizemos nas outras vezes em que vencemos a Copa das Confederações.

É óbvio que vencer a Espanha da maneira como o Brasil venceu foi delicioso. É óbvio também que o Brasil colocou seu nome na lista de favoritos ao mundial após esta apresentação. Agora, daí a descartar a Espanha e achar que na Copa tudo será tão simples existe uma grande distância.

Este título só terá peso de fato se a seleção souber aproveitar o trabalho feito e usar o momento favorável para evoluir ainda mais, criando variações de jogadas e testando seu grupo formado contra outras seleções de ponta como a Alemanha, a Argentina e a Holanda, além de outros testes interessantes contra seleções de outros continentes como Austrália e Gana.

Precisamos lembrar também que o passado já provou inúmeras vezes como o cenário pode mudar radicalmente de um ano para o outro. Basta lembrar, por exemplo, que a Espanha campeã do mundo em 2010 foi eliminada nas semifinais pelos EUA na Copa das Confederações 2009, assim como o Brasil empolgou o planeta no torneio de 2005 ao golear a Argentina e, um ano depois, foi eliminado ainda nas quartas de final pela França.

Portanto, se soubermos separar bem as coisas e entender que somos mais um dentre muitos candidatos ao título, se fugirmos do oba-oba que normalmente toma conta da nação após uma conquista assim e evitarmos aquele papo furado de “país do futebol” e “únicos penta campeões mundiais”, podemos sonhar em brigar pelo título em casa no ano que vem.

O caminho ainda é longo, as dificuldades serão bem maiores, mas ao menos o Brasil já pode se orgulhar de ter um time capaz de brigar pelo Hexa, coisa que poucos imaginavam que seria possível até algum tempo atrás.

E isto, acredite, vale mais que qualquer taça da Copa das Confederações.

Brasil Campeão Copa das ConfederaçõesTexto publicado em 01 de Julho de 2013 por Roberto Siqueira

Sabedoria infantil

“Dri, o cara das portinhas veio?”, pergunto.

“Sim”, diz ela.

“E o pintor?”, rebato.

“Vem amanhã”, responde ela.

“E o quadro, falou alguma coisa?”

 “Quadros não falam, papai”, diz o Arthur…

Texto publicado em 29 de Junho de 2013 por Roberto Siqueira

Pitacos da Copa das Confederações 2013 – Semifinais

A importante vitória sobre o Uruguai permitiu ao Brasil ter a oportunidade de enfrentar seu grande teste nesta fase de construção do time na sonhada final do próximo domingo contra a Espanha. Final esta que quase não existiu graças à excelente atuação da seleção italiana, claramente a seleção que mais evoluiu de 2010 para cá, demonstrando capacidade de jogar de igual para igual contra times mais fortes como a Espanha e a Alemanha, eliminada pela Itália na Euro 2012.

Quem também mostrou força foi o Uruguai, que complicou e muito a vida do Brasil e, caso consiga a difícil classificação para o Mundial, poderá atrapalhar a vida de muita gente com seu ataque poderoso, ainda que a defesa esteja envelhecida.

Já a Espanha demonstrou seu excepcional futebol em alguns momentos, mas parece jogar apenas para o gasto – e as festas envolvendo o elenco espanhol só reforçam a tese de que eles estão se divertindo por aqui. Mas não se engane. Esta seleção espanhola é muito forte e pode muito bem voltar a dar show no próximo domingo, pois tem bola pra isso.

Já o Brasil finalmente teve os grandes testes que precisava para construir sua equipe, provando que amistosos e jogos oficiais contra grandes seleções são muito mais produtivos do que aqueles amistosos duvidosos marcados pela CBF em anos recentes. A evolução do time comandado por Felipão nestas semanas de jogos contra França, Inglaterra, Itália, Japão, México, Uruguai e agora a Espanha é clara. Finalmente temos um time montado, que ganha uma cara a cada jogo e que deixa a sensação de que poderá fazer boa campanha em 2014, algo que poucos poderiam imaginar até um mês atrás.

A expectativa para a grande final é enorme. Acho que o Brasil tem chances, especialmente se Felipão colocar Hernanes no time e povoar um pouco mais o meio campo, mas ainda acho a Espanha favorita. Mas independente do resultado, o Brasil sairá vencedor, pois deixará a competição com um time praticamente formado e que poderá evoluir ainda mais até o pontapé inicial da Copa do Mundo. Se antes eu achava que o Brasil no máximo chegaria as Quartas de Final no próximo ano, agora já penso que podemos fazer um belo papel, mesmo que ainda não acredite no título num mundial que tem tudo para ser o melhor dos últimos anos, com equipes fantásticas como a Espanha, a Alemanha e a Argentina e outras em clara evolução como o próprio Brasil, além de Itália, França, Holanda e Inglaterra.

E você, acha que o Brasil pode vencer a poderosa Espanha no próximo domingo?

Um abraço e um ótimo jogo!

Brasil x Uruguai 2013Texto publicado em 28 de Junho de 2013 por Roberto Siqueira

Pitacos da Copa das Confederações 2013 – Parte 3

A seleção brasileira finalmente passou por um teste de peso.

O grande jogo contra uma Itália desfalcada, mas sempre perigosa, serviu para consolidar a evolução do time comandado por Felipão e Neymar. Numa partida cheia de alternativas, o Brasil soube superar os italianos, mesmo sofrendo um susto em cabeçada de Maggio que explodiu no travessão e poderia empatar o jogo a 10 minutos do fim.

No domingo, o Uruguai fez sua parte e goleou a péssima, porém simpática seleção do Taiti. Já a Espanha jogou com um sono notável e permitiu que a Nigéria criasse muitas situações de gol, mas terminou vencendo com folga a partida, o que só reforça a qualidade diferenciada dos campeões mundiais.

O cenário está montado para duas grandes semifinais. O Uruguai é um tradicional adversário do Brasil e não pode ser descartado, assim como a Azzurra, mesmo desfalcada, pode eliminar a Fúria. Mas se a lógica continuar sendo respeitada, deveremos ter o jogo mais esperado do momento no próximo domingo no Maracanã. O país que se intitula como o “país do futebol” contra aquele que tomou o seu lugar nos últimos anos.

Mas este será o assunto somente a partir de sexta-feira. Antes disso, teremos mais dois grandes jogos para curtir nesta Copa das Confederações de ótimo nível técnico dentro do campo e tão polêmica politicamente fora dele.

Um grande abraço e bons jogos.

Brasil x Itália CdC 2013Texto publicado em 24 de Junho de 2013 por Roberto Siqueira

Pitacos da Copa das Confederações 2013 – Parte 2

A segunda rodada da Copa das Confederações confirmou algumas coisas e desmentiu outras.

Ficou evidente que a seleção brasileira ainda tem muito que evoluir, mas já está ganhando cara de time, o que é bom. Este México é certamente um dos mais fracos dos últimos anos, não à toa está penando nas Eliminatórias, mas o Brasil não tem nada com isso e jogou bem, principalmente nos primeiros 30 minutos de jogo.

Também ficou claro que a Espanha é disparada a melhor equipe do torneio. Não que o Taiti seja parâmetro, mas a simples escalação do time reserva espanhol escancara a distancia dela para os outros. Isto não impede que a Fúria seja derrotada, futebol é futebol, mas o nível da Espanha é claramente superior aos demais.

Percebemos também que a longa viagem e a curta distância entre o jogo das eliminatórias e a estreia na Copa das Confederações prejudicou bastante o Japão, que tem um ótimo time e pode fazer bonito em 2014. Já a Itália só comprovou o que já sabemos há décadas: tem uma das camisas mais pesadas do futebol mundial.

Finalmente, o Uruguai demonstrou a força de seu ótimo ataque e o envelhecimento de sua defesa, num jogo muito interessante contra a razoável Nigéria.

Repito: o nível dos jogos está excelente e a Copa de 2014, seja aonde for, tem tudo para apresentar partidas memoráveis. Agora resta esperar pela definição das semifinais, que se seguirem a lógica trarão dois clássicos continentais de arrepiar.

Um abraço.

Brasil x Mexico 2013Texto publicado em 22 de Junho de 2013 por Roberto Siqueira